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Niterói vai ser palco do primeiro Intercâmbio Cultural Terranossa

De 26 a 31 de Agosto Niterói recebe mais um evento da Associação Terranossa de Capoeira. O Intercâmbio Cultural, que comemora os sete anos de existência do grupo, tem em sua programação palestras, cursos e troca de cordas.

“O evento irá possibilitar a integração entre os membros dos seis estados brasileiros e dos sete países do mundo. A ideia é garantir que o grupo todo fale a mesma língua, mesmo em continentes diferentes.”, explicou Mestre Cid, presidente do grupo e organizador do evento.

A programação terá início com aulas nos principais centros de treinamento do Rio de Janeiro. No dia 26 o Professor Naja recebe os integrantes do grupo para uma aula em sua academia, em Campo Grande. No dia 27 é a vez do Mestre Cid comandar o treino em Niterói. Para fechar o ciclo de aulas, Professor Minhoca ministra aula em Vicente de Carvalho no dia 28.

Na sexta-feira, dia 29, as atividades ficam concentradas em Niterói. Pela manhã Eco Terranossa, em Itacoatiara e a noite tem roda na Praia de Icaraí.

No sábado as atividades começam mais cedo para os integrantes do grupo, com a capacitação e os exames para as trocas de corda. Após o almoço haverá Seminário com Mestres convidados. Entre os já confirmados, Mestre Polaco, Mestre Genaro e Mestre Gegê. No fim da tarde é hora de receber os amigos para a formatura e troca de cordas.

São esperados cerca de 200 capoeiristas para o sábado 30/08, quando acontece a troca de cordas e a formatura, a partir das 17h. Mestre Cid pretende entregar cerca de 40 cordas, entre elas, cordas de Contramestre, Professor, instrutor e Monitor.

 

 

Programação:

 

26/08

19h – Treino em Campo Grande – Professor Naja

Academia Terranossa

Rua Seabra Filho, 377. Inhoaíba. Campo Grande. Rio de Janeiro/RJ

 

27/08

20h – Treino em Icaraí – Mestre Cid

Complexo Esportivo Caio Martins

Av. Roberto Silveira esquina com Rua Presidente Backer. Icaraí. Niterói/RJ.

 

28/08

19h – Treino em Vicente de Carvalho – Professor Minhoca

Colégio Isa

Rua Iere, 23. Vicente de Carvalho. Rio de Janeiro/RJ

 

29/08

Eco Terranossa

Praia de Itacoatiara

20h – Roda

Praia de Icaraí

 

30/08

8h – Cursos, Palestras e Exames

Complexo Esportivo Caio Martins

14h – Seminário com mestres convidados

Complexo Esportivo Caio Martins

17h – Formatura, Batizado e Troca de cordas

Complexo Esportivo Caio Martins

31/08

10h – Confraternização

Complexo Esportivo Caio Martins

Aulas de capoeira na Fundação Síndrome de Down

Aulas de capoeira na Fundação Síndrome de Down, no distrito de Barão Geraldo

A Fundação Síndrome de Down, oferece a partir do mês de julho Capoeira para iniciantes. As aulas, com início no dia 07, serão realizadas às segundas e quartas-feiras, das 19h às 20h, na sede da entidade, localizada à Rua José Antônio Marinho, 430, distrito de Barão Geraldo, Campinas/SP.

Para participar, os interessados devem fazer a matrícula na sede da entidade e pagar taxa de mensalidade no valor de R$50,00. As aulas são aberta a qualquer pessoa interessada e visam utilizar a arte da capoeira para trabalhar e estimular ritmos, musicalidade e autoconfiança.

Informações com Jaqueline, pelo telefone: (19) 3289-2818.

Fundação Síndrome de Down

A Fundação Síndrome de Down, que atua em Campinas desde 1985, tem como missão promover o desenvolvimento integral da pessoa com síndrome de Down nos aspectos físico, intelectual, afetivo e ético. Sua equipe técnica interdisciplinar é formada por profissionais de assistência social, psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, pedagogia, terapia ocupacional e neuropediatria. A Fundação conta ainda com a consultoria de profissionais especializados nas áreas da psiquiatria, além de manter permanente contato com referências nas áreas de organização de serviços para pessoas com síndrome de Down e inclusão no mercado de trabalho.

Serviço:

Aulas de Capoeira

Datas: Às segundas e quartas-feiras – a partir do dia 07 de julho

Horário: 19h

Local: Rua José Antônio Marinho, 430, distrito de Barão Geraldo, Campinas/SP

Informações: (19) 3289-2818, com Jaqueline.

 

Foto: .andréa rêgo barros.

Fonte: http://www.fsdown.org.br/

Da Espiral à Roda

Nas redes sociais tenho visto com frequência publicações alusivas a uma nostalgia dos anos 80 (sim, esses que foram considerados pirosos!) acerca dos brinquedos, das brincadeiras, dos desenhos animados… o brincar na rua !!! Ah, que saudades! E tem-se falado sobre como as crianças crescidas nesses tempos estariam mais bem preparadas para enfrentar obstáculos ao longo da vida do que possivelmente estarão as crianças que hoje em dia primam pela tecnologia e pelo isolamento mais do que pela criatividade e o vínculo social.

Surge também nos últimos anos uma frequência mais elevada de diagnóstico de hiperatividade e défice de atenção do que nesses anos. Hiper = grande, atividade = criança? É suposto que as crianças sejam ativas, que se mexam, que sejam curiosas, aventureiras… não é isso ser criança? Mas ter essa atividade toda e não ter como a gastar pode ser altamente nocivo. E atenção, não pretendo minimizar os diagnósticos feitos nem o impacto que isso trás na vida da criança e da família, porque são situações extremamente complexas que têm que ser avaliadas com critérios rigorosos. Apenas pretendo pensar um pouco a hiperatividade na sua expressão mais lata, do senso comum, a hiper-atividade, a atividade em excesso.

Provavelmente nos anos 80 gastavam-se as energias numa apanhada, numa macaca ou num jogo de futebol e quando se chegava a casa, com fome e cansados e com apenas dois canais de televisão, poucas opções sobravam.

Pois, não era uma era tecnológica mas era uma era de ir para a rua. Mas os tempos mudam e não existem apenas efeitos secundários nocivos desta era tecnológica. Os miúdos tratam a tecnologia por tu. Ensinam os pais, os avós, os professores. Encontram músicas, jogos e histórias, chegam a todo o lado com um clique. A tecnologia está para as crianças de hoje em dia como as brincadeiras na rua estavam para as crianças dos anos 80. Sem dúvida que existem benefícios e perigos em ambas as épocas. Mas como em tudo, no meio é que está a virtude.

Uma das vantagens deste fácil acesso é que o longe está sempre mais perto do que nos anos 80. E tudo o que se fazia lá fora e nós só sabíamos 20 anos depois, agora é quase em tempo real. E isso não é necessariamente mau. Faz-nos sentir ligados. Faz-nos sentir menos sós. Parte de algo. Capazes.

A grande questão, na minha humilde opinião, é como conjugar isso. E aí, caros pais dos anos 80, a bola é nossa. Cabe-nos a nós fazer essa ligação. Sim, a nós que apanhámos a transição. As cassetes, os vinis e VHS, os CDs DVD’s DIVX, Nintendos, Spectrums, Playstations, Gameboys…nós conhecemos ambos os lados.

E a nós cabe a tarefa de ajudar as nossas crianças a tirar partido de estar com os outros, estar na rua, jogar esses jogos saudosistas, navegar na Internet, ver os programas mais adequados…enfim, sermos responsáveis por ajudar os nossos filhos a estar, a crescer e ser feliz nesta era.

A hiper-atividade é a expressão máxima da inquietação. Dentro e fora. E ainda não é pacífica a sua definição em termos etiológicos. É genética, é do meio, é daqui e dali… mas é. E a forma com lidamos com essa questão é que terá mais impacto do que o rótulo ou a origem.

Com isto, proponho um pequeno olhar por uma atividade já bem implementada em Portugal desde o final dos anos 80, mas ainda desconhecida para muitos de nós: a capoeira.

Muitos desportos, nomeadamente as artes marciais, visam o auto controlo, respeito das regras, capacidade de concentração, resiliência, competência…mas todas estas tarefas podem parecer hercúleas aos olhos de uma criança cujo nervoso miudinho é quem manda. Saber que se tem que estar atento pode ser por si só catalisador de maior agitação!

Mas existem atividades que podem juntar uma série de elementos que beneficiam de forma imensa as crianças (especialmente as hiper-ativas, ansiosas e introvertidas). A capoeira é sem dúvida uma dessas atividades.

Porque transmite noção de eu no mundo, através da passagem histórica das raízes interligadas (e nem sempre felizes) de Portugal e Brasil. Conhecimento histórico e geográfico, multiculturalidade, expressão física e artística, pertença do grupo, autoestima, atenção e motivação são alguns dos ganho imediatos da prática desta atividade. E porquê?

Porque o fator competição é preterido ao da inter ajuda, porque os grupos são habitualmente heterogéneos (em género e faixa etária), porque tem que se ser rápido e enérgico (valorizando os aspetos considerados tóxicos na hiperatividade), mas ao mesmo tempo atento para se esquivar de um golpe. Porque nunca se perde o outro de vista, porque se canta e se aprende a tocar instrumentos. Porque se valoriza o grupo em detrimento do indivíduo, porque existe a possibilidade de renascer através do batismo de uma alcunha de capoeira.

Porque se pertence. Porque se é. Porque se está ligado. E não é através da Internet. É ali, ao vivo e a cores!

E então, porque não, antes de mandarmos os meninos e meninas distraídos, impulsivos e inquietos para dentro de um cubo gigante e opressor de um medicamento que apenas faz bem aos cuidadores (que têm menos desgaste), mas que mata a criatividade e a possibilidade de encontrar alternativas, se mandasse para uma roda de capoeira?

 

NOTA: Apesar de considerar que as crianças com TDAH de acordo com o DSM IV-TR estão igualmente aptas a entrar para uma atividade física e desportiva como a capoeira, essa indicação deve ser dada criteriosamente em contexto clínico, de acordo com a avaliação da situação individual. E não se esgota na prática de uma atividade, a sua leitura é sempre multidisciplinar tal como a intervenção. Em caso de dúvida, contacte um especialista. A Psicronos em Setúbal tem um serviço dirigido a crianças e adolescentes, bem como o aconselhamento parental que pode e deve caso exista suspeita da criança ou jovem se enquadrar neste diagnóstico.

 

Carla Ricardo

Carla Ricardo é licenciada em Psicologia Clínica pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) de Lisboa, desde 2002. Exerce clínica privada na delegação de Setúbal da Psicronos e tem formação base em Psicoterapia Psicanalítica, EMDR e terapia cognitivo-comportamental.

Email: carla.ricardo@psicronos.pt

Contactos: 213 145 309 / 918 095 908

Imagem: © Turma da Mónica / Maurício de Sousa

Capoeira e Educação Libertária para Formação de Sujeitos Autônomos

CAPOEIRA E EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA PARA FORMAÇÃO DE SUJEITOS AUTÔNOMOS
as práticas de ensino nas rodas de rua do RJ Omri Ferradura Breda Professor especializado em capoeira na Educação Infantil

 

Introdução

O ensino da Capoeira como ferramenta educacional foi amplamente difundido a partir da década de 1990, da creche à universidade em todo o território nacional. Entretanto, é associado a uma visão restrita que considera apenas os aspectos motores, musicais e artísticos da prática. O papel libertário histórico da Capoeira é geralmente negligenciado. O trabalho visa caracterizar a Capoeira como prática educativa transformadora no desenvolvimento da autonomia. São analisadas experiências educativas espontâneas em rodas de Capoeira desenvolvidas nas ruas. Os conceitos de autonomia, autoritarismo, liberdade e disciplina em nível político, social e individual são aqui enxergados em sentido amplo e relacionados diretamente com as teorias de educação libertária. Nesse sentido, tendo em vista a pluralidade de visões acerca do tema, recorri aos estudos de Michael Alexandrovich Bakunin, Alexander Sutherland Neill, Paulo Freire, Maurício Mogika e Silvio Gallo, entre outros. Concluo apresentando como a Capoeira se legitima em poderosa ferramenta pedagógica para uma educação democrática.

Se existe uma palavra que define o papel da Capoeira nas lutas sociais de que tomou parte, determinando seu papel como arma de resistência cultural, essa palavra é liberdade.

Por ser esse conceito tão temido e oprimido ao longo da História, o negro capoeirista1 sempre representou uma ameaça ao sistema político brasileiro, conhecido pela seletividade com que contempla as liberdades individuais e coletivas da elite social e das camadas populares.

A Capoeira, pela sua própria origem e ancestralidade, foi duramente perseguida, e seus praticantes foram dizimados pela ação do Estado. A partir da Era Vargas, contudo, a ideologia ufanista foi paulatinamente incorporando-a como símbolo da Pátria, “Esporte Nacional”. O turismo passou a consumi-la e a determinar uma nova estética, baseada em acrobacias impressionantes. A prática rebelde passou a ser aceita, mas somente de forma normatizada, regulamentada, institucionalizada. Formas sutis de arregimentação social se revelaram mais profícuas do que a mera repressão.

O objetivo de conceder legitimidade sob os auspícios do Estado era melhor para poder controlar, vigiar e, em última instância, suprimir o caráter transgressor da Capoeira. Não obstante, a capacidade de adaptação, de disfarce, de camaleonização da cultura negra permitiu a ela mudar em muitos aspectos, preservando sua essência, seu caráter libertário.

Neste trabalho serão analisadas as potenciais contribuições da Capoeira na área da Educação, especialmente no tocante ao desenvolvimento da autonomia, nos níveis individual e político, tendo em vista o ensino socialmente comprometido.

A relevância do tema é afirmada levando em conta a abrangência nacional da Capoeira, sua aplicabilidade e presença em todos os ambientes educacionais formais e não formais nos mais diversos níveis sociais e a efetividade dos resultados atingidos em inúmeras instituições educativas.

Os objetivos deste trabalho são: analisar as contribuições da Capoeira para a construção da autonomia; caracterizar a Capoeira como prática educativa libertária e refletir sobre a sabedoria ancestral da educação espontânea não institucionalizada das rodas de Capoeira realizadas na rua.

Metodologia

Os principais marcos teóricos utilizados na conceituação das relações entre liberdade e autonomia foram os estudos de Bakunin, Alexander Neill, Paulo Freire, Maurício Mogika e Silvio Gallo. Os autores pesquisados divergem em relação a várias questões. O objetivo neste trabalho não é analisar a obra deles, e sim dialogar com eles, relacionando seus estudos à potencial contribuição da cultura afro-brasileira à educação.

Foram analisados, in loco, aspectos relacionados à didática da Capoeira em rodas de rua, na condição de professor-pesquisador dessa arte desde 1991. As observações específicas quanto ao caráter politicamente transformador da Capoeira nas práticas institucionalizadas ou não estão baseadas nessa experiência pessoal.

Desenvolvimento

O trabalho interliga o campo da educação ao da política, da sociologia e do saber popular. Esse modelo se justifica pela impossibilidade de explicar os fenômenos ligados à Capoeira fora de uma visão sistêmica. Segundo Mogika (1999), “na pedagogia e na psicologia humanistas o ser humano é entendido como um organismo complexo, no qual são indissociáveis mente, corpo e sociedade, isto é, ele é um ser bio-psico-social” (p. 61). Esta também é uma das principais características da cosmovisão africana: encarar o homem como um ser integral, no qual mente-corpo-espírito-sociedade estão interligados. A Capoeira como prática educativa situa a África na vanguarda do pensamento humanista, muitos séculos à frente da filosofia compartimentalizada ocidental só recentemente voltada ao holismo.

Definindo a Capoeira

Tentar conceituar a Capoeira requer um exercício de imaginação, dada a pluralidade de perspectivas assumidas pelos diversos praticantes e estudiosos do tema.

É na própria diversidade, na capacidade de assumir perspectivas opostas sem que uma anule a outra, que reside a força da Capoeira. Arte marcial, esporte, dança, teatro, folclore, todas essas definições parciais já foram utilizadas na tentativa de conceituá-la. É necessário afirmar essas diferenças como facetas de um todo para compreendê-la como arte que pode e deve se adaptar às diversas contingências históricas e sociais. Mestre Pastinha2, poeticamente chamou-a de “mandinga de escravo em ânsia de liberdade”. Ao afirmarmos que a Capoeira é caracterizada por uma atitude de afirmação da liberdade desde a sua gênese (“mandinga de escravo em ânsia de liberdade”), acreditamos que solidificar conceitos seria restringir essa arte a uma doutrina estanque; “provocar o seu sepultamento, negar sua principal força seria a negação do princípio básico da liberdade” (GALLO, on line). Ou seja, podemos apresentar aspectos da Capoeira, não defini-la.

Aceitando essa premissa iremos, sem assumir reducionismos, priorizar para fins deste trabalho um corte epistemológico que afirme a Capoeira como arte educativa libertária e socialmente comprometida com a mudança.

Autonomia e educação para a liberdade

A prática libertária da Capoeira tem como objetivo favorecer o desenvolvimento da autodisciplina e da autonomia no educando. Não obstante, a vivência dessa filosofia na prática diária não ocorre sem conflitos. Sendo assim, antes de analisarmos as relações de ensino-aprendizagem na Capoeira é fundamental definir como iremos trabalhar os conceitos de autonomia, liberdade, licenciosidade, autoridade, autoritarismo e disciplina.

Liberdade e autonomia

Bakunin defendia a liberdade como:

o direito absoluto de todo homem ou mulher de só procurar na própria consciência e na própria razão as sanções para os seus atos, de determiná-los apenas por sua própria vontade e de (…) serem responsáveis primeiramente perante si mesmos, depois, perante a sociedade (p. 74). Para Mogika, o termo liberdade significa irrestrição; já a autonomia seria

a capacidade de definir suas próprias regras e limites, sem que estes precisem ser impostos por outro: significa que aquele agente é capaz de se autorregular. Logo, na palavra autonomia estão implícitos, simultaneamente, a liberdade relativa do agente (…) e a limitação derivada da relação com o mundo natural e social (MOGIKA , 1999, p. 59). Na roda de Capoeira o jogador não é proibido de fazer o que quer que seja, pois se trata de um jogo sem regras formais; porém a liberdade do indivíduo é contingenciada por acordos tácitos estabelecidos na relação com as liberdades dos demais. Exemplificando: um capoeirista não é proibido de, num acesso de raiva, gratuitamente arrancar os dentes de outro com um chute, mas se o fizer será punido pelo meio social. A decisão e a responsabilidade pelo autocontrole ficam a cargo do indivíduo. É nesse sentido que a prática da Capoeira vai auxiliar na formação da autonomia, posto que, segundo Freire (1996, p. 107), ela se constitui

“na experiência de várias, inúmeras decisões, que vão sendo tomadas” e que “uma pedagogia da autonomia tem de estar centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em experiências respeitosas da liberdade”. É no domínio da decisão, da avaliação, da liberdade, da ruptura, da opção, que se instaura a necessidade da ética e se impõe a responsabilidade (idem, ibidem). Liberdade individual e licenciosidade

Concordo com Neill (1980) nas suas premissas básicas: 1) A liberdade trata dos direitos da pessoa; e 2) a licenciosidade consiste em ultrapassar os direitos alheios.

No exemplo citado, é clara a escolha que o indivíduo tem entre assumir um ou outro extremo; na prática da Capoeira, a capacidade de se disciplinar é o que garante ao jogador o gozo de sua própria liberdade.

Liberdade como valor político

A liberdade individual pregada pela Capoeira só se realiza em comunhão com a liberdade de todos, ou seja, esse conceito só pode ser vivido se estendido a todos. Bakunin (1980) entendia a liberdade de cada um como um valor que, longe de ser delimitado pela liberdade alheia, encontrava nela “sua confirmação e sua extensão ao infinito; a liberdade ilimitada de cada um pela liberdade de todos, a liberdade pela solidariedade, a liberdade na igualdade” (op. cit., p. 41). E ainda:

Não é verdadeiro que a liberdade de um homem seja limitada pela de todos os outros. Só sou livre quando minha personalidade, refletindo-se, como em inúmeros espelhos na consciência de outros homens livres (…), retorna-me reforçada pelo reconhecimento de todos. A liberdade de todos, longe de ser um limite da minha (…), é, ao contrário, sua confirmação, sua realização e sua extensão infinita (idem, p. 33). Portanto, nessa visão não há contradição entre a liberdade individual e conscientização política; pelo contrário, a primeira é condição complementar à segunda. Somente cidadãos autorregulados, autodisciplinados serão capazes de viver em “uma democracia participativa, em que cada pessoa participe ativamente dos destinos políticos de sua comunidade” (GALLO, on line).

Autoridade, autoritarismo e disciplina

A autoridade é uma qualidade que se demonstra pelo exemplo, pelo conhecimento e pelo respeito e empatia com o aluno. Ela não pode ser confundida com o autoritarismo, que se impõe na pressuposição de que o professor “sabe mais” (Capoeira, Biologia, Matemática) e deve ser “respeitado” por isso. Respeitado aqui significa ser ouvido sem contestação alguma por parte do aluno. A autoridade democrática, segundo Freire (1996), não necessita fazer discurso sobre si mesma, pois ela é uma realidade, assim como uma cadeira ou um sentimento.

Freire defendia que a autoridade do professor deve sempre ser acompanhada pela liberdade do aluno; somente dessa forma ela se legitima e oferece as condições para o surgimento da única disciplina que merece ser chamada como tal, a autodisciplina.

Resultado da harmonia ou do equilíbrio entre autoridade e liberdade, a disciplina implica necessariamente o respeito de uma pela outra. (…) O autoritarismo e a licenciosidade são rupturas desse equilíbrio (…), são formas indisciplinadas de comportamento. Assim como inexiste a disciplina no autoritarismo e na licenciosidade, desaparece em ambos, a rigor, autoridade ou liberdade (FREIRE, 1996, p. 89). A Capoeira de rua

A relação mestre-discípulo do período anterior era caracterizada pela liberdade dada ao aprendiz. A imensa maioria dos Capoeiras antigos passou por diversos tipos de ensinamento com diferentes mestres, sempre de forma não sistemática. Era no Mundo (e não na Academia) que se aprendiam os conhecimentos a serem aplicados no Mundo: a malícia, a malandragem, a violência, a arte. A Capoeira “acadêmica” sempre teve como contraparte as práticas livres de capoeiristas free-lancers, autônomos, desvinculados do sistema, que faziam da rua seu meio de expressão. Diferentemente de hoje, quando a maioria dos capoeiristas realiza rodas em seus próprios espaços, até a década de 1960 a norma eram as rodas de rua, feitas em praças públicas, feiras e festas populares. Essas manifestações espontâneas foram diminuindo de frequência nas décadas seguintes.

A Capoeira como capital cultural

Iremos analisar agora como as chamadas “rodas de rua” se caracterizam por espaços educacionais democráticos.

Tomemos como referência a chamada Roda Livre de Caxias, manifestação cultural realizada desde a década de 1970 no município de Duque de Caxias. Veremos como a trajetória da roda se confunde com a de seus fundadores. É a partir de seus exemplos concretos que demonstrarei o potencial transformador da Capoeira.

Rabelo (2005) narra o caminho traçado por esse grupo de jovens criados em áreas desfavoráveis da Baixada Fluminense, que souberam por meio da Capoeira transformar a adversidade em oportunidade.

Não bastasse a discriminação sofrida pela sua cor e classe social por parte da sociedade, esses jovens, por se recusarem a assumir os valores militarizados vigentes na época, eram também marginalizados no próprio meio da Capoeira institucionalizada. Buscaram, então, como alternativa, levar a Capoeira para a rua e dela fizeram a sua escola.

Mestre Cinésio Peçanha “Cobra Mansa”4 (radicado em Washington-DC, EUA), Mestre Rogério Peixoto (radicado em Kassel, Alemanha), e Mestre Jurandir Nascimento (radicado em Seattle – EUA), por meio da Capoeira, saíram da Baixada Fluminense para se tornarem “embaixadores culturais” brasileiros. Seus passaportes estão carimbados pelas dezenas de países por onde passam anualmente ministrando cursos de nossa cultura: Inglaterra, França, Alemanha e Finlândia. Para compreendermos como a Capoeira possibilitou uma educação autônoma para esses mestres, precisamos analisar as condições em que se deu a sua “formação escolar” na roda de rua. Tomaremos como exemplo a prática de seu atual guardião, Mestre (ou “Zelador”) Russo5.

A jornada de um intelectual orgânico brasileiro

Russo afirma em seus discursos públicos: “Só tive oportunidade de estudar até a admissão ao ginásio, os cinco primeiros anos; o resto foi a Capoeira que me fez “correr atrás”. Aprendi a oratória na prática de artista de rua, contando piada para manter o publico entretido ente um salto e outro por dentro de argolas incrustadas com facas”.

Russo é um orador popular; como percebido em seu discurso, a oratória pública foi exercitada inicialmente com o humor. Posteriormente, Russo refinou sua arte utilizando a própria Capoeira para suas reflexões filosóficas.

Durante a execução da roda, não raro interrompe seu andamento e mantém o povo que passa por lá atento às suas observações sobre variados temas. Por exemplo, partindo da discriminação sofrida no meio da Capoeira, Russo utiliza a indução, indo do particular para o genérico, para falar sobre a discriminação em geral, tocando publicamente em temas tabus, como preconceito de classe, cor, gênero, religião.

Após provocar a reflexão no público não capoeirista, Russo faz o caminho inverso: parte do geral para o particular, narrando como a sociedade de controle6 atua de tal forma que o Capoeira passa a reproduzi-la no seu campo individual, sem mesmo perceber a contradição entre a sua prática autoritária e a premissa básica da Capoeira, que é a liberdade.

Sem ter ouvido falar de Focault, Freire ou Gramsci, ele justifica a necessidade de falar em praça pública com o argumento de que “a palavra também é poder”; portanto, o povo pode e deve se utilizar dela. Sua erudição já lhe rendeu um livro publicado (RABELO, 2005) e diversos estudos acadêmicos sobre sua prática.

Howell (2004), a seu respeito, escreveu: “Russo é um “intelectual orgânico” respeitado pela coletividade. Apesar de pobre, já foi à Europa e aos EUA como convidado de honra. Sua formação foi puramente cultural e é um exemplo do potencial sucesso da educação cultural preconizada por Paulo Freire” (p. 21). A prática espontânea da Capoeiragem em espaços públicos e orientada para o povo auxilia na formação de uma consciência crítica em relação à cidadania e no desenvolvimento da autonomia. Mestre Russo é a prova viva disso.

Outro exemplo é a chamada Conexão Carioca de Rodas de Rua, liderada por diversos mestres de Capoeira desde o ano 2010. Esse movimento inclui, em um ambiente de não violência e de respeito mútuo, praticantes de diversas linhas de Capoeira, num processo educativo a que chamo “didática libertária das rodas de rua”.

A didática libertária da roda de rua

A maior parte das rodas de Capoeira leva o nome de quem as comanda, isto é: “Roda do Mestre Fulano ou Mestre Beltrano”. Isso não se dá nas rodas de rua. Em geral, elas se colocam com nomes dos logradouros que ocupam, muitas vezes escolhidos por serem locais representativos da cultura negra: Caxias, Arco do Telles, Cais do Valongo etc.

Em geral, a didática libertária da roda de rua tem como características principais a liberdade de ação igualitária; a descentralização da autoridade; a participação popular; e o internacionalismo, assim:

A liberdade de ação igualitária é a possibilidade de qualquer capoeirista, independentemente de seu grupo de Capoeira, idade, nacionalidade, tempo de serviço, status, posto dentro da Capoeira (mestre, professor, aluno) ou habilidade, se expressar musical, artística ou fisicamente sem receio de ser coagido ou reprimido por conta de sua condição. Na prática da roda isso se expressa no chamado “jogo de compra”, em que o capoeirista adentra a roda no momento em que julga apropriado, sem necessidade de pedir permissão a quem quer que seja. Na maioria das rodas esse procedimento resulta em desordem ou é desencorajado por conta da vaidade dos jogadores mais graduados, que insistem em se exibir um sem-número de vezes, nas rodas de rua não raro um jogo pode levar até vinte minutos sem interrupção. Minha teoria é de que a liberdade oferecida tende a gerar a autodisciplina. A descentralização da autoridade – Apesar da presença constante de diversos mestres na roda, estes não interferem constantemente em seu andamento, tampouco regulam a entrada ou o tempo de jogo dos participantes com a mesma rigidez autoritária que muitas vezes praticam em suas escolas. O controle é feito de forma tácita pela própria coletividade dos capoeiristas. Tende a imperar na rua o respeito pelo outro e, quando há excesso individual por parte de algum dos presentes, os demais zelam pelo bom andamento da roda, dialogando com este ou inibindo-o fisicamente. Acredito que essa falta intencional de uma autoridade central cria um clima de responsabilização coletiva pelo bem comum. “Neste sistema já não há propriamente poder. O poder baseia-se na coletividade, e torna-se a expressão sincera da liberdade de cada um, a realização fiel e séria da vontade de todos” (BAKUNIN, s/d, p. 60). A participação popular – Segundo Mestre Russo, um dos principais objetivos da roda de rua de Caxias é “devolver ao povo o que ao povo pertence: a sua própria cultura”. Ao contrário das rodas organizadas por grupos de Capoeira na rua, nas quais a participação popular costuma se restringir à condição de espectador, as rodas abertas caracterizam-se por serem de rua, ou seja, abertas ao povo, que ali atua de forma ativa. É comum a participação de mendigos, crianças de rua, esfarrapados e loucos lado a lado com capoeiristas profissionais. A liberdade é tão prezada que até mesmo “entidades espirituais” jogam7. O internacionalismo – Caracteriza-se pela afirmação da aceitação da alteridade e, consequentemente, pela negação a qualquer forma de discriminação na roda. A inimaginável cena de finlandeses, ingleses, americanos ou japoneses visitando a Baixada Fluminense é comum todos os domingos, na Praça do Pacificador, em Caxias, ou nas diversas rodas espalhadas pelas ruas do Rio. Esses estrangeiros são aceitos e participam de forma igualitária dentro de uma cultura notadamente brasileira. A Capoeira, sob essa ótica, de certa forma deixa de ser um “bem”, uma “posse” brasileira, e passa a ser uma cultura “brasileiro-universal”, pois essas pessoas são parte integrante do meio. É interessante perceber que, no imaginário popular, desde a fundação do Estado Novo a Capoeira tem sido representada como símbolo da Pátria, mas, paradoxalmente, atualmente tem botado em xeque a noção de identidade nacional, quando se une o enaltecido passado africano ao presente internacionalismo.

Segundo Gallo, a noção de identidade nacional foi concomitante à criação do Estado-nação:

a constituição dos Estados-nações europeus foi um empreendimento político ligado à ascensão e consolidação do capitalismo, sendo, portanto, expressão de um processo de dominação e exploração”; portanto, “é inconcebível que a construção de uma sociedade libertária possa se restringir a uma ou a algumas dessas unidades geopolíticas às quais chamamos países (on line). Ainda a esse respeito, no ideal de Bakunin (1980), seria necessário reduzir

o assim chamado princípio da nacionalidade, princípio ambíguo, cheio de hipocrisias e de armadilhas, princípio de Estado histórico, ambicioso, ao princípio muito maior, muito simples e único legítimo, da liberdade: cada um (…) tem o direito de ser ele próprio, e ninguém tem o direito de impor-lhe seus costumes, sua vestimenta, sua língua, suas opiniões e suas lei; cada um deve ser absolutamente livre em si.< Todas estas ideias estreitas, ridículas, criminosas, de grandeza, de ambição e de glória nacional são boas apenas (…) para enganar os povos e amotiná-los uns contra os outros, para melhor submetê-los (idem, ibidem, p. 57-58). A liberdade e a prosperidade das nações deveria levar à superação das diferenças regionais, “à comunicação entre todos os países, à abolição das fronteiras, dos passaportes e das alfândegas” (idem, ibidem, p. 91).

Ao defender a igualdade entre capoeiristas brasileiros e estrangeiros, a Capoeira supera o nacionalismo e se afirma como elo entre os povos. As rodas de rua são um encontro ecumênico, pluriétnico e multicultural. A didática da rua é a didática da Capoeira libertária, e em sua vivência a democracia se afirma.

Conclusão

As práticas da Capoeira ilustram o modo como se poderia aplicar o conhecimento popular na Educação, em uma concepção libertária e democrática. Porém, para que a autonomia individual se realize em ato político democrático, é necessário que o indivíduo se imbua de responsabilidade social, o que, entre outras coisas, num país como o Brasil significa fazer da ação pedagógica um instrumento de transformação social.

A ação política na Capoeira se caracteriza pela luta social em prol de uma sociedade justa que recuse a discriminação e as desigualdades sociais. Cada sujeito tem responsabilidade pela conscientização dos demais. Por isso é fundamental encarar a formação do sujeito autônomo como condição para a mudança.

Segundo Bakunin (s/d, p. 31), “a liberdade dos indivíduos não é absolutamente um fato individual (…). Nenhum homem pode ser livre fora e sem o concurso de toda a sociedade humana”.

O educador cultural deve estar sempre a favor da mudança, se quiser se fazer merecedor de seu papel. A mudança estimula seu aluno homem-mulher-criança a não se resignar diante dos inúmeros mecanismos de controle da liberdade que nos impedem de viver nossa condição humana em plenitude.

 

Bibliografia

ABREU, Frede. O barracão de Mestre Waldemar. Salvador: Zarabatana, 2003.

ÄLLIEZ, Eric (org.). Gilles Deleuze: uma vida filosófica. São Paulo: Ed. 34, 2000.

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CORTELLA, Mário Sérgio. A escola e o conhecimento. São Paulo: Cortez, 2002.

COUTINHO, Daniel. O ABC da Capoeira Angola: os manuscritos de Mestre Noronha. Brasília: Defer, 1993.

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FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1992.

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SODRÉ, Muniz. Mestre Bimba, corpo de mandinga. Rio de Janeiro: Manati, 2002.

SOLER, Reinaldo. Jogos cooperativos para a educação infantil. Rio de Janeiro: Sprint, 2003.

Aulas de capoeira auxiliam na educação de jovens da LBV

Crianças e adolescentes que integram os programas socioeducativos da Legião da Boa Vontade (LBV) em João Pessoa estão participando de aulas de capoeira, ministradas voluntariamente pelo mestre Lucivan Laranjeira no Centro Comunitário de Assistência Social da Instituição.

A atividade é utilizada como ferramenta educacional para auxiliar no desenvolvimento motor, cognitivo, socioafetivo e do espírito de cooperação dos alunos e, ainda, para incentivá-los a valorizar a cultura brasileira e a prática esportiva.

Sobre a ação, o professor e mestre de capoeira, Lucivan Laranjeira, fala da satisfação de realizar a atividade com crianças e adolescentes da instituição. “Quando fiquei sabendo da possibilidade de desenvolver esse projeto na LBV, eu fiquei muito feliz. É mais uma oportunidade de contribuir. A minha recompensa maior é a de saber que um aluno meu poderia estar na rua fazendo o que não deve e hoje está aqui aprendendo sobre a cultura brasileira”, ressaltou.

A modalidade é caracterizada por golpes e movimentos ágeis e complexos, sendo uma expressão cultural brasileira que mistura arte marcial, esporte, cultura popular e música. O pequeno Pedro, de 7 anos, destacou o que já aprendeu participando das aulas de capoeira. “Já sei cantar as músicas que o professor ensinou e estou aprendendo os movimentos para um dia ensinar para outras pessoas”, concluiu.

Em João Pessoa, PB, o Centro Comunitário de Assistência Social, da Legião da Boa Vontade, está localizado na Rua das Trincheiras, 703 — Jaguaribe. Para outras informações, ligue: (83) 3198-1500.

 

http://www.ararunaonline.com

Africa: A Capoeira ajuda as crianças de rua em Kinshasa

Na praça do centro de Limete, um bairro popular de Kinshasa, a capoeira encontrou praticantes inesperados: as crianças de rua.

A capital da República Democrática do Congo, com seus 12 milhões de habitantes, é a segunda cidade do mundo, logo atrás do Rio de Janeiro, em número de crianças abandonadas.

As estimativas variam de uma fonte à outra, mas a ONG francesa Médecins du Monde (Médicos do Mundo, MDM) estima que são cerca de 20.000. Algumas largaram as famílias, outras foram abandonadas.

Estas crianças são chamadas de “shégués” (crianças de rua em lingala), um nome que é sinônimo de “ladrão”, já que elas vivem essencialmente de roubos e furtos. Elas recusam a ajuda de dezenas de ONG e acabam muitas vezes caindo na prostituição, na desnutrição e na violência.

Algumas, porém, deram sentido às suas vidas graças à disciplina e a energia da capoeira.

As crianças a praticam na rua com Yannick N’Salambo, um técnico em computação congolês de cerca de 30 anos de idade que se apaixonou por esta luta misturada com dança ensinada por um viajante brasileiro. Três vezes por semana, ele vai a Limete e encontra um lugar no meio dos comerciantes de carvão e de legumes, dos engraxates e dos vendedores de crédito para celular.

Munidos de um berimbau e de um reco-reco, Yannick e seus assistentes começam o aquecimento. Em seguida, dois de cada vez, eles começam. Fortes e atléticos, eles exibem seus movimentos plásticos.

Às vezes, um dos participantes acaba entrando no ritmo do adversário e atingindo-o. “Malembe!” (cuidado!), avisa o mestre, que toma seu lugar e mostra como se deve agir sem machucar o companheiro.

Em volta, cerca de dez crianças, entre 5 a 13 anos, assistem com atenção.

Descalços, vestindo roupas comuns como camisetas e calças largas, os dois param após alguns minutos, sendo imediatamente substituídos por outros dois parceiros que tentam mostrar que aprenderam como se faz.

A aula dura duas horas e termina com a lembrança do que se espera dos jovens alunos: seguir as obrigações escolares, ter um comportamento digno, respeitar as funções de cada um perante o grupo e ser pontual.

“Eu vi uma grande evolução”, diz Yannick. “Eu tinha crianças que não obedeciam, eram agressivas, mal-educadas. A capoeira reestruturou seus lados psicológicos”.

A capoeira ensina os jovens de rua o que nem a escola, nem a família conseguiu ensinar.

Um dos assistentes, Ninja, de 30 anos, saiu das ruas graças à esta prática. Fechado, tímido, ele viveu sem lar por 20 anos.

“A capoeira permitiu a ele se expressar”, explica Yannick, que ganha um pouco de dinheiro dando aulas aos estrangeiros.

“É um esporte que nos ensina a amizade”, diz Jérémie Tchibenda, de 14 anos. Francis, de 9 anos, “se sente bem” quando pratica capoeira.

Nem todos vem da rua, alguns têm família e moram por perto. Alex Karibu, de 25 anos, tinha quinze anos e já era órfão quando começou.

O jovem embaixador do Brasil no país, Paulo Uchoa, se sente orgulhoso de ver esta atividade brasileira encontrando público no Congo e ajudando estas crianças.

“Vou fazer de tudo para ajudar”, garantiu o diplomata, lembrando que o Brasil e a África vêm se aproximando. Em des anos, as trocas comerciais do Brasil com o continente africano saltaram de 5 para 26 bilhões de dólares, e o número de embaixadas brasileiras em solo africano subiu de 15 para 38.

É praticamente uma volta para casa, já que a capoeira, mesmo tendo sido criada no Brasil, tem as raízes na África.

Metade dança, metade luta, a capoeira se desenvolveu no século XIX na clandestinidade, em meio às populações escravas vindas da África. Como eram proibidos de lutar, os escravos escondiam sua luta com a dança.

 

Fonte: AFP – Agence France-Presse

Rio de Janeiro: A roda do Cais de Valongo

O cais do Valongo situa-se na zona portuária do Rio de Janeiro e desde sempre manteve uma relação com a cultura afro-brasileira, seja pelo fato de ter sido um entreposto de escravos no Rio ou por ter sido frequentada por capoeiristas, babalorixás e yalorixás, sambistas e outros personagens da cultura popular carioca. O cais do Valongo ele próprio sofreu alterações urbanas ao longo do tempo, como em 1893 quando foi alargado para receber a imperatriz que casaria com D.Pedro II e chamado de Cais da Imperatriz.

A roda do Cais de Valongo foi idealizada por Carlo Alexandre Teixeira da Silva, conhecido na capoeiragem como Mestre Carlão. O Mestre começou o seu trajeto na capoeira Angola nos anos 80 e fez parte de uma geração de capoeiristas no Rio que participou na revitalização da capoeira Angola, mas também, na sua difusão para fora do Brasil. Mestre Carlão residiu em Londres, idealizou alguns espetáculos de teatro com performatizações híbridas entre o teatro e a Capoeira Angola, mas também organizou um dos mais importantes eventos da capoeira londrina, o Movement for change.

De retorno ao Brasil para residir novamente no Rio, consta que Mestre Carlão foi dar aulas próximo ao Cais do Valongo e deu se conta da importância do lugar e da necessidade de criar a volta daquele espaço simbólico um movimento. As rodas do Cais do Valongo têm um carácter temático, tendo sido a primeira dedicada a Prata Preta, líder negro contra a revolta da vacina. A roda também é frequentada e conta com a intervenção de personalidades importantes que pensam a capoeira, a cultura negra e a cidade do Rio como o jornalista Décio Teobaldo e o historiador Mathias Assunção. A ideia central da roda, na compressão do Mestre Carlão, é “ocupar os espaços públicos e históricos para fincar o pé nos locais que estão cada vez mais controlados”. Segundo o mestre existe um “choque de ordem” na ocupação dos espaços públicos em que os gestores municipais criaram regras estritas de utilização que limitam a ação dos agentes da cultura popular na rua. Na perspetiva do Mestre Carlão e de outros agitadores culturais da capoeira carioca, a área do Cais do Valongo tem sido muito visada pela especulação e os investidores, seja por seu carácter histórico e o valor do solo urbano, mas sobretudo pelos avultados investimentos que ali se pretendem fazer. Para além da roda, outros grupos tem feito na praça as suas intervenções como grupos de Jongo, o bloco carnavalesco Prata Preta e inclusive grupos indígenas.

É importante perceber que essa intervenção dos capoeiristas em parte tem um carácter de reforço cultural da atividade, ocupando e intervindo nos espaços público, fazendo notar-se como uma atividade que é popular e que esta em diálogo com os grupos sociais que ocupam a urbe carioca. Mas tem também e principalmente um carácter político e militante em favor da cidade, do direito de manifestar-se nela através da cultura e opondo-se a qualquer forma de elistismo e segregação socio-espacial que os poderes públicos pensem em instituir. Perceba-se também que a roda do Cais do Valongo trás uma proposta de ação para a capoeira Angola no Rio de janeiro. Para além da roda em si, há um tema, ocorrem palestras e podem eventualmente ocorrer intervenções de outras ordens, dentro do contexto de organização da roda. No decorrer dessa proposta outos líderes de grupos também dinamizaram as suas rodas na rua, construindo um movimento espontâneo, mas que vibrava a partir de um sentimento comum de intervir na cidade e engajar a Capoeira Angola numa ação conjunta e assim criou-se a Conexão Carioca de Rodas na Rua, como uma iniciativa dos capoeiritas de integrar as rodas já existentes na rua num mesmo fim. Os grupos envolvidos nessa iniciativa são: Grupo Volta ao Mundo – M. Cláudio (Roda na Praça São Salvador, Laranjeiras); Grupo Kabula Rio – M. Carlão, CM. Leandro, Treinel Fátima (Roda do Cais do Valongo); Grupo Ypiranga de Pastinha – M. Manoel (Roda na Cinelândia, Centro); Grupo Aluandê – C.M Célio (Roda da Feira do Lavradio, Rua do Lavradio); Grupo Valongo – Treinel Maicol e Pedro Rolo e Roda da Praça XV com Prof. Fábio-Pezão do Instituto Uka – Casa dos Saberes Ancestrais.

A roda do cais do Valongo está para continuar. Para além do ritual da capoeira angola e da mandinga e teatralidade dos seus jogadores, a roda do Cais do Valongo é um casamento de várias intervenções artísticas. Já foram produzidos vídeos, realizadas palestras, experimentações fotográficas em que se destaca o trabalho da fotógrafa Maria Puppim Buzanovsky e estão marcadas outras intervenções.

O Rio pulsa e reflete sobe si mesmo na roda do Cais do Valongo.

 

Ricardo Nascimento

Geógrafo – Doutorando em Antropologia pela Universidade Nova de Lisboa

 

Rodas de Capoeira and the Public Art Movement

Rio de Janeiro has always been a city known for its unique beauty, home of cheerful and welcoming people. But now, in addition to the natural beauty and the typical brazilian kindness, we also want to show that our culture, specifically the popular one, still has a value which is not yet known to the public, national and international, to their fullest potential, artistic, cultural, philosophical and historical.
The cultural movement known as “Conexão Carioca de Rodas na Rua” (Carioca Connection of Rodas held on the Street) for almost one year, has developed an innovative proposal which includes 7 groups of Capoeira Angola, promoting a series of Rodas and presentations in public spaces in Rio, with the aim of showing that the culture of Brazil surpasses and does not accept the stereotype and cliché in which we were placed over the centuries, the one which still imagines a Brazil made of beach, forest, football and a carnival that lasts 365 days.
Besides the “Rodas” we have been doing lectures, film recording and photography shoots in order to bring awareness, political consciousness and critical thinking about the Afrobrazilian history and so.
The big events that are coming to Brazil has created an ideal environment to transform many of such misconceptions about us.
Well, the time has come for the people of Brazil show that its value goes far beyond the labels created by propaganda and prejudice. The opportunity to deconstruct the grotesque and reinvent what has always existed is knocking at our door and we do not intend to waste it once again. The Public Art and its protagonists, now has the determination and the voice of thousands of artists and thinkers to say what we think, what we do and how we want to do.
Come and learn about this Cultural Movement that is giving the example of how to organize, gain attention, respect, visibility and attract the public.
The rodas has returned to the street to stay! So, come to Rio de Janeiro to meet and participate in this cultural and political action!

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  • See all the videos of the Cais do Valongo Roda / “Conexão Carioca”, which been made in order to promote awareness and disseminate our ideas and actions: 7th Roda do Cais do Valongo – https://vimeo.com/user12575042Photos by Maria Buzanovsky

 

In September 2012, invited by Master Carlão, I began my photographic shootings of the “Cais do Valongo Roda”, but my initial contact with Capoeira and the group Kabula is older, having been a student of Contramestre Leandro Bicicleta. From the first photo session in that Roda, the main goal was to show intimate moments which could reveal the ritual of Capoeira Roda, its movement and body language of the players or the details of the berimbau and also the other percussion instruments. It has been privileged with absolute focus, a look from the inside the game itself, which I got through my experience within the world of Capoeira as a practitioner and scholar of the history of this cultural manifestation.

I believe that the difference in my work, in addition to the plasticity and beauty inherent in all aspects involved in the ritual, and the game of Capoeira Roda portrayed, is concentrated in special moments and angles which I use for these photos.

It is precisely the perspective from the heart of the Roda that attracts both the general public, as well as the protagonists themselves, when they see themselves in the photographs and the signs of their culture, such as the berimbau and the “atabaque” (capoeira traditional drum), the “chamada de Angola” step or a beautiful “rasteira”. Thus, they identify temselves with the images because they feel a portion of their most private emotions portrayed out of their bodies. I believe this is due to the great success that, to my surprise, the photos reached on social networks, through which I have been receiving affectionate messages from capoeiristas from around the world, who appreciate my work.

Beyond the ritual of Capoeira Angola, from “mandinga” and theatrics of its players, the idea is to provide the combination of various artistic actions and interventions. In addition to the photographic shootings it has been produced videos and lectures with the participation of scholars and artists who think capoeira, the black culture and the city of Rio de Janeiro. The aim is therefore to stimulate greater insight into Capoeira, as a Brazilian Intangible Cultural Heritage, broadcasting its ritualistic aspect, it recognition as an important part of the history of Brazil and african-Brazilian cultural heritage and above all, lead to reflection on its role and political action in the present.

Maria Buzanovsky

 

siga os clipes das Rodas do Cais do Valongo | follow the Roda do Valongo teasers

7a Roda do Cais do Valongo
6a Roda do Cais do Valongo
5a Roda do Cais do Valongo

 

Carlo Alexandre

Kabula Rio & London

Diretor Artístico / Mestre de Capoeira Angola

web: www.kabula.org

Cel. 21 7948.7969 tim |

Skype: carloalexkabula1

Londrina: 5º Simpósio de História e Cultura Afro-brasileira

5º Simpósio de História e Cultura Afro-brasileira termina com música neste domingo em Londrina

Este domingo (25) é o último dia para aproveitar as atrações do 5º Simpósio de História e Cultura Afro-brasileira em Londrina. Ao longo do dia, músicos, artistas e roda de capoeira prometem complementar a agenda cultural de Londrina.

O destaque fica para a parte musical do evento no Aterro do Lago Igapó, das 16h às 20h. Banda Ziriguidum,Grupo Vozes Barrocas, Projeto Ovelha Negra Rock Nacional, Mc Rei, Dj Fran, Joaquim Braga e Banda Ensaio de Blues sobem aos palcos.

Está programada também a apresentações da Capoeira Angola no Espaço Cultural Vila Brasil e no Calçadão, no período da tarde. A Vila Brasil também abrigará um sarau cultural com muitas atrações.

Haverá ainda um espetáculo de hip hop “O uso negro e ourso branco”, na Gibiteca Zona Norte, e várias outras atividades no mesmo local e o culto afro na nona Igreja Presbiteriana Renovava, localizada na Rua Francisco Gabriel Arruda.

Durante os 15 dias, o 5º Simpósio de História e Cultura Afro-brasileira em Londrina promoveu experiências diversificadas ao público participante, como visitas a quilombos, palestras em escolas, visitas à terreiros, projeções de filmes, oficinas de estética negra na periferia, apresentações musicais em homenagem a Clara Nunes, discussão da temática violência e juventude e a realização do segundo Cortejo Afro.

Ainda neste domingo, será realizado o 5º Encontro Municipal da Rede de Mulheres Negras de Londrina DST, HIV, AIDS, DOENÇA FALCIFORME. O evento ocorre na Rua Astolfo Nogueira, 191.

 

http://londrina.odiario.com

RJ: espetáculo “Água de Beber”

Selecionado para o 8º Festival Premiers Pas, em Paris, o espetáculo “Água de Beber” volta ao Rio de Janeiro, de 12 de outubro a 4 de novembro, no Teatro Maria Clara Machado, no Planetário da Gávea.

Baseado no livro “Santugri: contos de mandinga e capoeiragem”, de Muniz Sodré, seis atores-músicos-capoeiristas levam ao palco música ao vivo, dança e teatro, encenando pequenas histórias que giram em torno de fatos históricos sobre a marginalidade no Rio de Janeiro no final do século XIX como um convite à reflexão sobre os mitos e segredos da capoeira e sobre a nossa identidade cultural.

Endereço:Teatro Maria Clara Machado – Planetário da Gávea – Rua Padre Leonel Franca – 240 – – Gávea

Horário:Sexta e sábado, 21h; domingo, 20h.

Faixa de Preço:R$ 20,00.

maiores informações:
Conheça mais em nossa pagina do Facebook:  https://www.facebook.com/aguadebebercamara

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Kabula Rio: 1ª Roda do Cais de Valongo

Como naquelas Rodas de Capoeira realizadas em ambientes que mesclavam trabalho, conhecimento e o lúdico, a Roda do Cais do Valongo pretende não apenas manter e preservar as tradições que circundam e constroem a Capoeira Angola. Mais do que isto estamos tratando de identidade, consciência coletiva, história, de valores ancestrais e da relação desta arte com a Cultura Carioca da Zona Portuária/antiga Pequena África, da Rua do Lavradio, da Cinelandia, da Praça XV …

As Rodas de Capoeira dessas áreas estão revalorizando de forma positiva e legítima o que a História oficial negou, manipulou e não transmitiu.

Cabe a nós Capoeiristas, pensadores, educadores e artistas populares trazer ao conhecimento público a riqueza das estórias que é parte de nosso saber atraves das chulas, corridos, ladainhas, toques do berimbau, causos e contações de estória que a Capoeira ensina e transmite enquanto parte do legado cultural Afrobrasileiro.

Salve as Rodas na Rua do Rio de Janeiro – em especial aquelas praticadas nos sítios de interesse histórico – que conectem-se e disseminem-se o conhecimento do Saber e da Memória Oral do Brasil:

Está lançada a Conexão Carioca de Rodas na Rua!

 

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Para assistir ao clipe da 1a Roda do Cais do Valongo clique aqui >>

 

Os Cariocas a partir de agora tem mais uma Roda de Capoeira na região do Rio histórico! Depois da realização da 1a Roda do Cais do Valongo, no Sábado dia 14 de Julho, a Comunidade da Capoeiragem Carioca que estava presente no local, decidiu apoiar a iniciativa e dar continuidade a proposta.

A Roda será um evento mensal e acontecerá na Rua Barão de Tefé s/n – mais precisamente no Cais do Valongo.

Além disso, de hoje em diante consideramos o local como mais um Ponto Cultural e Histórico de especial relevância para a Capoeira Carioca, local onde essa arte e seus artirtas poderão se expressar e se apresentar, num canal aberto para o mundo, enquanto legítimos representantes desta tradição oral-rítmica Afrobrasileira.

No passado a Zona Portuária do Rio foi cenário de intensa efervescência cultural. Local em que os estivadores, capoeiristas, babalorixás e yalorixás, sambistas e malandros conviveram e criaram uma das culturas mais autênticas do Brasil e que hoje é, reconhecidamente, uma das mais apreciadas em todo do Mundo.

Dada a relação direta entre o Cais do Valongo com a Capoeira, demais culturas Afrobrasileiras e a diversos fatos históricos acontecidos no Rio de Janeiro, iremos a cada Roda trazer à luz da memória de ilustres frequentadores da antiga Pequena África / Zona Portuária. O primeiro homenageado será o capoeirista e estivador Carioca, Horácio José da Silva, de quem a História guardou o apelido, Prata Preta – importante personagem da Revolta da Vacina.

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Informações gerais sobre a Roda do Cais do Valongo:

o quê: Roda do Cais do Valongo
quando: 11 de Agosto de 2012
horário: 11hs às 14hs
ondeRua Barão de Tefé s/n. –  Cais do Valongo (mapa)
palestra: quem foi Horácio José da Silva, o Prata Preta? (está palestra será realiada pelo Jornalista Délcio Teobaldo)
clima e tempo: em caso de chuva, a Roda será realizada no IPN / Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (mapa)

Roda do Cais do Valongo no Facebook

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Fontes sobre a Revolta da Vacina e o estivador-capoeirista Prata Preta:

De acordo com o professor José Murilo de Carvalho, em Os Bestializados, Horácio José da Silva – um capoeirista conhecido como Prata Preta –  foi um dos chefes da “barricada de Porto Arthur”, um obstáculo construído por populares para impedir a entrada da polícia no bairro da Gamboa, durante o protesto de resistência. Prata Preta chegou a pegar em armas e matou um soldado do Exército durante as batalhas com as forças do governo. Foi preso e torturado.

 

http://kabula.org