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Buriti dos Montes: Profeesor de Capoeira realiza Palestra Sobre Drogas

O Professor de Capoeira Décio, realizou Neste último dia 07/11 uma palestra não só com os alunos da capoeira, como também alguns alunos das unidades de ensino do município, houve explicações sobre o uso indevido das drogas, suas conseqüências ao usar e seus efeitos com o uso excessivo de tais substancias. Assim mostrando para cada criança e adolescente os perigos dessa epidemia que tanto esta acabando com nossa juventude. “Esse trabalho foi simples mais muito gratificante, pois o conhecimento desde cedo sobre tal assunto é proveitoso para um futuro próximo, e nisso nossos jovens possam saber e jamais ingressar neste mundo sombrio.” Disse o professor.

 

Fonte: http://180graus.com

Pará: Ato público mobiliza a sociedade

Gente da música, da dança, do teatro, do cinema, da capoeira e de infinitas outras expressões culturais se reúne para tentar mais uma vez mobilizar a cidade para a criação de um projeto de lei, de iniciativa popular, para a implantação do Sistema Municipal de Cultura. O ato ocorrerá na Praça da República, a partir das 9 horas, e tem a proposta também de coletar novas assinaturas para o documento que pode ajudar na instalação do sistema.

Esse não é o primeiro ato dos setores culturais da cidade. No início de março, Músicos, atores, dançarinos, produtores culturais, além do público que circulava no domingo na Praça da República, no centro da capital, assinaram o documento ao longo da manhã de domingo. Para terem validade, as assinaturas – que devem representar 5% da população eleitoral do município (o equivalente a 50 mil assinaturas) -, precisam estar acompanhados do número do eleitor. E mais, só pode assinar quem vota em Belém e distritos. Região Metropolitana nem pensar. É lei. Simples assim. Várias entidades e instituições da cidade já funcionam como ponto de coleta ei. Simples assim. O projeto de lei foi lançado foi lançado na Câmara dos Vereadores em fevereiro. A meta do Fórum Municipal de Cultura, que em parceria com a Comissão de Cultura da Câmara, lidera a mobilização, é coletar tudo até 19 de abril.

Com a instalação do Sistema Municipal de Cultura, Belém poderá ter acesso aos recursos do Fundo Nacional de Cultura, o equivalente a 40%. partir da criação do Sistema Municipal de Cultura, serão implementados o Conselho Municipal de Política Cultural, o Fundo, o Plano e a Conferência Municipal de Cultura e Orçamento Participativo da Cultura. Esses elementos servirão para se articular, gerir, informar, formar e promover as políticas públicas para cultura, com a distribuição democrática dos recursos através da participação e controle da sociedade. O Sistema prevê políticas públicas para um período de dez anos, com planos de ações para atender às principais demandas a serem atendidas de cada segmento.

 

Pontos de coleta

 

Quem deseja colaborar com o Projeto pode ir até os pontos de coleta levando o seu título de eleitor. A coleta de assinaturas iniciou nos Restaurantes Universitários e continua no Instituto Universidade Popular (Unipop), no Espaço Experimental de Dança, no Espaço Cultural Coisas de Negro e na DAC/Proex. Nesta última, os formulários estão disponíveis até o dia 18 de abril e, além de assinarem, as pessoas também podem distribuí-los.

 

ACESSE: forumculturabelem.blogspot.com

Mulheres – Vale a pena conhecer

Mais um  Dia Internacional da Mulher está chegando. Comemorado, este ano, na mesma data do Carnaval, tem mais chances de ser lembrado: por escolas de samba, blocos, em trios elétricos ou outras festividades.

Por outro lado, a data também tem mais chances de ser esquecida, sendo ofuscada pelas festividades carnavalescas.

Cabe a cada um de nós escolher entre celebrar a data ou deixá-la passar em branco. Lembrando que, celebrá-la pode ser muito simples.

Basta olhar ao redor e observar cada mulher que circunda sua vida. Observar seu trabalho, sua força, sua paciência e persistência. Com certeza não vai faltar o que ser admirado, elogiado e homenageado. Então admire, elogie e homenageie.

Esse é um exercício muito simples e positivo que pode ser colocado em prática pelos homens e pelas próprias mulheres, que também têm muito o que aprender umas com as outras. Em casa, no trabalho, no grupo.

Você conhece as alunas do seu grupo? Sabe de suas batalhas e de suas dificuldades? Pois este é um ótimo momento para conhecer e incentivar os demais a fazer o mesmo.

 

Neila Vasconcelos – Venusianacapoeiradevenus.blogspot.com

Método Brincadeira de Angola: Capoeira para Crianças a partir de um ano

Apresentarei neste artigo o método “BRINCADEIRA DE ANGOLA – capoeira para crianças”, que poderá ser utilizado para subsidiar professores que sentem necessidade de embasamento na sua prática com crianças pequenas, a partir de um ano. “-UM ANO??? COMO EH QUE PODE, ELES NÃO FAZEM NADA AINDA!!! NÃO EH POSSÍVEL ENSINAR CAPOEIRA PARA CRIANÇAS DE UM ANO!”, é a reacção que sempre recebo ao apresentar o método. Lembro a todos que, há duas décadas, diziam o mesmo sobre aulas para crianças de 4 ou 5 anos…

Desde os anos 90 vemos um crescimento enorme das aulas de capoeira para crianças, crescimento este que não foi acompanhado por uma preparação pedagógica dos professores, inclusive este que vos escreve.

Como a maioria dos professores, comecei a dar aulas muito jovem e, sem um prepare específico, me vi perdido nos primeiros dias. Isto foi em 1995… na época em que ligávamos para uma escola oferecendo capoeira e eles dizia: “capoeira não, vocês não tem judo?”…

Com o passar dos anos, me especializei em capoeira para crianças e desenvolvi o método “BRINCADEIRA DE ANGOLA-Capoeira para crianças”. Continuei pesquisando e,  sentindo a necessidade de maior aprendizado, ingressei no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde me formei e por onde publiquei diversos artigos sobre capoeira e educação no meio academico.

O método BRINCADEIRA DE ANGOLA foi criado pela necessidade de se ultrapassar as aulas clássicas de capoeira para crianças, aulas estas muitas vezes adaptadas de jogos da Educação Física Escolar(EFE).

O intuito foi elaborar uma Pedagogia da Capoeira, especifica desta arte, tendo por base o estudo do ethos da capoeira, do que a distingue de outros campos do saber: a ancestralidade como base, os Mestres como meio e a emancipação como fim.

O método utiliza conhecimentos de diversas áreas academicas, reconhecendo o valor da EFE, da Psicologia, da Pediatria etc, mas eh fundamentalmente baseado nos conhecimentos ancestrais da Capoeira, divididos em 4 áreas complementares:  Movimento, Musica, Social, Afetiva.

Falarei neste artigo somente do aspecto psicomotor, de forma resumida. Sobre maiores detalhes podem contatar-me ou visitar o  site www.brincadeiradeangola.com.br – “Capoeira para crianças no Rio de Janeiro”.

MOVIMENTO NATURAL

Observando o jogo de Capoeira Angola de mestres como João Pequeno, impressiona a simplicidade dos movimentos utilizados e a ausência de estresse muscular, em posições corporais naturais ao corpo humano, como queda-de-quatro, cocorinha, rabo-de-arraia etc. A Capoeira Angola, praticada desta forma, eh  a base da simplicidade do método BRINCADEIRA DE ANGOLA  para crianças a partir de um ano, pois a maioria das crianças nesta idade já dominou os 5 estágios necessários para se mover com um repertório corporal similar ao utilizado pelo mestre João Pequeno e outros grandes mestres de capoeira Angola, que sabiamente chegam a uma idade avançada ainda vadiando capoeira.

Relaciono estes estágios com o mundo animal:

  1. Animais aquáticos: Contração e expansão.
  2. Repteis: Arrastar-se
  3. Quadrúpedes: Andar em quatro apoios
  4. Símios: acocorar-se
  5. Humano: Eretibilidade

 

Fases: 1- Animais aquáticos: Contração e expansão. 2- Repteis: Arrastar-se. 3- Quadrúpedes: Andar em quatro apoios. 4- Símios: acocorar-se. 5- Humano: Eretibilidade

Fase 1 – Animais aquáticos

Nesta fase acompanhamos os primeiros movimentos que a criança utilizou em seu desenvolvimento uterino, um meio aquático: contracao e expansão.
Preservar estes movimentos é essencial para a saúde corporal e para isso utilizamos materiais simples como colchões ou rolos de espuma, auxiliando as crianças a realizar rolamentos laterais ou frontais, como cambalhotas. Futuramente estes movimentos darão lugar a formas mais elaboradas de contração e expansão, como queda-de-rim.

Fase 2- Réptil

O arrastar eh a próxima fase no desenvolvimento motor da criança, quando ela realiza movimentos de oposição entre braços e pernas para se locomover.  Trabalhamos esta fase incentivando a criança a arrastar-se sobre rampas e colchões, preservando o movimento natural que futuramente será utilizado no jogo de chão da capoeira, como na “tesoura de Angola”.

Fase 3 – Quadrúpede

O andar em quatro apoios e crucial para a saúde da coluna vertebral, pois eh nesta fase que se definem as curvaturas lombares e cervicais. Nas aulas de capoeira eh extremamente simples utilizar jogos com animais para se trabalhar este movimento.

Fase 4- Símios

O acocorar confortavelmente, com a planta dos pés completamente chapadas no chão, eh um dos movimentos mais preciosos no repertório corporal humano e, infelizmente, devido ao mau uso de cadeiras e outros apetrechos modernos, extremamente árduo para adultos com encurtamentos musculares. Estes mesmos adultos que hoje não conseguem fazer uma simples cocorinha (mesmo que consigam fazer um mortal parafuso), perderam algo valioso no caminho: a naturalidade do movimento.
A evolução natural do movimento passa necessariamente do acocorar para o ficar de pé, ou seja, toda criança com desenvolvimento saudável, ira equilibrar-se primeiro de cócoras, para depois se levantar.
Nas aulas de capoeira eh possível intervir precocemente para a manutenção deste precioso movimento, nossa “cocorinha”.

Fase 5 – Eretibilidade

Em torno de um ano de idade a criança já se levanta e ensaia o seu futuro andar, que será dominado quando a oposição entre o movimento dos braços e das pernas for alcançado. Se simplesmente o professor de capoeira tocar seu berimbau e deixar a criança dançar livremente, sem apresentar modelos pré-determinados de ginga, ele verá o nascimento de uma ginga espontânea, criativa e natural ao corpo da criança.

Para pensar…

A criança de um ano de idade já tem domínio de todas estas fases, estando apta a ser iniciada no mundo da capoeira.
Fica para o professor a prazerosa missão de ser o catalisador deste processo, criando as condições necessárias para um aprendizado autêntico, emancipador e autónomo, pois construído de forma harmonica entre a naturalidade da evolução motora infantil e a sabedoria da gestualidade da capoeira.

 

Omri Breda (Ferradura) – Rio de Janeiro – [email protected] – www.brincadeiradeangola.com.br

A Capoeira no Labirinto das Possibilidades

A Capoeira no Labirinto das Possibilidades
Historia, símbolos, significados e significantes.
Em um mundo de dualidades e dialéticas, tentaremos discutir algumas questões para além do certo e errado, preto e branco, sol e lua, dia e noite, bem e mal. Propomos uma "trialética" nas possibilidades, pois queremos dialogar com uma terceira lógica (polilogica) que acrescente sem inviabilizar ou sobrepor as anteriores, queremos cantar “cantando” de improviso ou tocar no improvável de um rítimo que ainda não pertença a ‘melodia” da vida cotidiana, inalterada e sistematizada pela repetição burocrática dos fazeres pensantes desde Aristóteles.
 
Para esclarecer o intuito deste trabalho, sugiro que imaginemos uma simples árvore, que ao ser olhada por um agricultor desperta o interesse por sua capacidade produtiva, já para homem faminto desperta a perspectiva de alimento por seus frutos, num marceneiro despertaria a idéia de construção de móveis e no cupim despertaria o alimento pela sua madeira, ou seja, mesmo um símbolo simples como uma árvore poderá despertar diferentes possibilidades de desejos e interpretações a partir dos significados dados a mesma por variados significantes.Trazendo para o mundo da capoeira, se pensarmos no berimbau, símbolo máximo da capoeiragem, logo entenderemos, pois o mesmo não fez sempre parte da capoeira, mas hoje é impossível pensar na capoeiragem sem ele, portanto, o que teria sido dessa necessária associação, se quando o primeiro berimbau que fosse introduzido na capoeira, alguém falasse: Epa…. Isso não pode, pois esse instrumento não faz parte das tradições da arte..?  Talvez um outro instrumento ocupasse o lugar do berimbau, ou não, mas a questão principal não é essa e sim, que em dado momento histórico o novo foi aceito, modificando as regras e sendo resignificado diante de uma comunidade, portanto pensar hoje em produção de conhecimento em capoeira passa necessariamente por reconhecer a mudança num contexto de significados e significantes.
 
Como arqueiro de nossa história tencionarei  o arco e flecha da vida, puxando a seta do saber para “traz” e apontando-a para frente, flecharei no futuro algumas possibilidades a partir de interlocuções com o passado e seus diferentes contextos. Pergunto-me se Bimba hoje teria uma Regional de sistematização tão próxima dos métodos de ginástica, mesmo sabendo que atualmente não estamos tão influenciados pelos mesmos nem vivemos uma ditadura facista  que nos obrigue a criar um método com a “cara” de nossa sociedade?  Ou consideraremos puro acaso esses acontecimentos?  Recuso-me e pela negação desses acasos proponho nos dias de hoje a “Polilogica”, ou seja, uma possibilidade de analise da capoeiragem que ultrapasse o certo e errado, tradicional e moderno, proponho partirmos para o funcional legitimado pelos atores sociais diretamente implicados nessa arte, defendendo o diálogo para os combinados palpáveis no cotidiano e não as tradições empoeiradas dos livros da estante ou de cabeças do mundo de “Peter pan”, que não admitem crescer, transformando suas práticas em verdadeiras “terras do nunca”.
 
Ainda temos a Regional de Bimba, Angola de Pastinha ou os berimbaus de Waldemar? Arrisco-me a dizer que não, e isso pelo simples fato de ter sido impossível para Bimba remontar a capoeira de Bentinho ou Pastinha à de Benedito, pois os tempos mudam as pessoas e as pessoas mudam os tempos, sendo a dinâmica cultural impossível de ser congelada ou “xerocada” em sua totalidade.  Quem se considerar “Capoeira XEROX” que atire a primeira pedra…
 
Quero deixar claro que não faço aqui apologia a essas aberrações vendidas por aí com o nome de capoeira, pois não estou defendendo a lógica de que qualquer mudança e necessária e justa, e sim que são legítimas as mudanças adaptativas da capoeira há nosso tempo, desde que as mesmas tenham referencias na ancestralidade histórica e funcional da arte.
 
Uma preocupação que não devemos deixar passar desapercebida e que não podemos confundir as mudanças funcionais adaptativas com a subserviência aos ditames do capital, ou seja, não podemos ingenuamente pensar que a dita capoeira “contemporânea” representa a modernidade, o estilo mais moderno e todo resto e coisa do passado, pois os elementos metodologicos dessa forma “bizarra” de capoeira não possuem nada de “novo”, haja vista, que ainda utilizam processos de estímulo-resposta, macro ginástica, adestramento e seqüências idiotizantes, como os velhos métodos de ginástica da década de trinta, sendo assim, o que existe de moderno nessa “nova-velha” capoeira? Talvez seja a aparência superficial ou o significado dado por um significante alienado e desprovido de elementos teóricos para identificar os equívocos do método hora mascarado pela falsa modernidade.
 
A capoeira contemporânea carioca propõe seqüências de ensino de mandinga, negarças e até mesmo de posturas para se colocar numa roda, ou seja, seria como tentar reproduzir em serie, seqüências, a poesia de Caetano Veloso, as pinturas de Rugidas, as composições de Chiquinha Gonzaga ou o canto de Paulo dos Anjos. Impossível, pois no máximo o que conseguem é fazer cópias mal feitas de uma coisa “Denorex”, que parece, mas não e…  A nossa capoeira não cabe nessa “industrialização de homens”, e isso não só pela minha vontade, mas por sua referencia histórica repleta de uma ancestralidade que em seu método, de ensino-aprendizagem, denota um caminho no sentido contrário ao positivismo dessa ciência “gelada” e dos ditames técnicos-metodologicos alienantes da classe dominante.
 
E necessário, portanto um processo de investigação da realidade que possa desnudar as contradições do modo de produção, revelando historicamente as ingerências do capital na maior parte de vida humana, incluindo a capoeiragem, ou seja, precisamos verificar criticamente o que chamamos hoje de capoeira e qual seu impacto na formação humana e que projeto de sociedade esta sendo defendido na sua prática diária, pois a falácia da capoeira “moderna” poderá facilmente se transformar facilmente na mentira que vira verdade por ter sido dita muitas vezes.
 
Sendo assim precisamos com certeza entender que a cultura e dinâmica e como tal transforma e sofre transformações, sendo assim, a capoeira de hoje deverá certamente ser diferente da de ontem, e não podemos temer ou resistir a isso, desde quando estejamos atentos as referências históricas da arte, sua base filosófica ancestral e as necessidades reais de construção de uma sociedade mais justa, autônoma, crítica e criativa.

Cronica: O Espírito de um Capoeira

O Camarada Shion, lá da Parnaíba – Piauí, nos enviou esta cronica, que nós do Portal Capoeira esperamos que seja a primeira de muitas… onde o autor nos retrata a visão e o sentimento do "Espírito de um capoeira"…


Tudo começa em um momento de quase acaso. Passeando em uma praça arborizada, repleta de sons de pássaros ao fim de uma tarde. Os raios do sol estão mansos, provocam uma sensação formidável com seu calor terno. Em um repente, apenas um barulho produzido por um instrumento curioso, acompanhado de palmas e cantos num ritmo que anima e prende a atenção. Pais, mães e filhos são direcionados – parecendo uma ação inconsciente – àquela curiosa roda formada por pessoas contentes e sincronizando um mesmo pensamento.
 
Como se fossem guiados por uma força estranha, quem estar de fora dessa roda sente-se atraído e convidado a acompanhar – mesmo q sendo na simples batida do pé – uma música que é entoada com emoção e força.
 
Sob olhares curiosos e surpreendidos, pernas e braços realizam acrobacias e movimentos que encantam e fascinam quem participa daquela roda. A musicalidade parece a força motriz de toda aquela gente que canta e luta num ritmo da ginga característica.
 
Este é um cenário típico da nossa arte Capoeira. Uma atividade que fortalece nossas capacidades físicas e, conseqüentemente, enaltece nossas faculdades mentais.
 
Sempre gostei de acompanhar rodas de capoeira. Sentia-me bem – mesmo q só observando – em presenciar aquelas manifestações de alegria e festividade. Infelizmente, por conta de limitações de minha saúde – à época  – não era possível minha participação de forma efetiva e direta.
 
Hoje, sadio, pratico capoeira. Satisfação enorme em estar em contato com essa arte! A cada dia crio novos vínculos amistosos e me perco na imensidão de informações que faz dessa arte algo ímpar. Estórias, lendas e mitos fazem dessa arte um “não sei o quê” de mistérios, causos e surpresas!
 
Quando vem a reflexão, confirmo que minha atração pela capoeira se deva pela simplicidade que una todos no microcosmo da roda de axé. Costumamos dá vazão às coisas complexas e sem utilidade, ao fim. E a capoeira nos faz seguir sempre na retidão da igualdade. Dentro de uma roda, Mestres, Graduados e Novatos respiram o mesmo ar e escutam a mesma música, sem distinções. Todos são iguais naquele momento. Preto- branco, rico-pobre… não há espaços para padrões sociais de segregação.
 
Confesso que a capoeira me redirecionou  às trilhas do “ser simples”. Particularmente, minhas atividades cotidianas me faziam distantes das coisas simples que compõem a vida. Sinto que estou em voga novamente. Graças ao esforço pessoal por meio da capoeira.
 
A capoeira em sua totalidade não cabe em algumas linhas, definitivamente. Mas também sei que essa mesma capoeira permite manifestações que preencham livros e livros ou apenas uma frase – esta q seja dita com satisfação e verdade.
 
Talvez seja por isso que nossa arte abrace todos! A arte-ginga não se resume a este ou aquele grupo… a capoeira é bem mais significativa, por mais que alguns acreditem no contrário. Uma minoria, felizmente!
 
Façamos então nossa parte em retribuição aos grandes Mestres do passado e aos atuais! Valorizemos os esforços colossais para uma imagem limpa e sem rasuras da nossa arte! Façamos por onde! Ações!
 
Precisamos mostrar para todos aqueles que insistem, que a capoeira é uma ferramenta importantíssima na imprescindível tarefa da educação. Os pais precisam de um reflexo nos boletins dos filhos, para que exista uma motivação. Os envolvidos na capoeira devem incentivar os respectivos alunos para que estes permaneçam a otimizar seus desempenhos nas salas de aula. A educação é a passagem mais fácil e eficaz na construção de um cidadão nato e firme nas próprias opiniões.
 
Dessa forma, quem trabalha na capoeira de coração poderá tirar dessa mesma o próprio sustento. Assim como qualquer outro ofício, viver da Capoeira para quem a ama, é a realização. E é apenas dessa forma educadora que um dia esta realidade será testemunhada. 
 
Vamos agir, colega velho! Cada camarada possui uma qualidade que o define. Usemos nossos atributos dentro e fora da roda. Vamos falar, expandir, corrigir, errar e acertar! O que não vale é a morosidade e a acomodação. Cada grupo de capoeira possui uma força enorme! Basta atentar para tal fato.
 
“Capoeira é defesa e ataque, é ginga no corpo, é malandragem! É licuri que quebra dendê! E quem não conhece capoeira, não pode dá seu valor!”
 
Iê, Capoeira!
 
Shion
Grupo Muzenza
Parnaíba – Piauí

TURISMO, MERCANTILISMO E CAPOEIRA

O Furto da Ludicidade nas “Rodas de Vadiar”
 
O reconhecimento da importância do turismo como negócio, tem despertado nas comunidades, em nível global, o interesse pela atividade na busca e na apropriação dos resultados através da captação de fluxos de visitantes e das receitas que eles geram. Enquanto atividade econômica do 3º setor, o de serviços, o turismo permeia os campos sócio-econômico e político-social exercendo sobre estas áreas decisivamente, importância ímpar. 
 
 A referida atividade pressupõe movimento, deslocamento de pessoas. Esse fluxo é gerado por motivações diversas de viagem, a saber: negócios, lazer, religião, fuga do cotidiano, saúde, contacto com a natureza, dentre outras. O processo de forma abrangente envolve conhecimento, trocas culturais e relações sociais. É possível observar que um dos princípios básicos que norteiam o interesse do turista pelos atrativos de uma localidade, independentemente da motivação direta da viagem, é a busca de novas experiências que lhes propiciem momentos de prazer e satisfaçam suas necessidades imediatas.
O Turismo na Bahia, particularmente na Cidade do Salvador, mantém uma íntima relação com as manifestações populares, notadamente as de origem afro-brasileiras. A exploração de tais elementos extrapola os aspectos culturais, lúdicos, artesanais e gastronômicos e avança em direção ao consumo da imagem e da própria identidade negra.
 
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Os Manuscritos do Mestre Pastinha, o “Caderno-Albo”: disponível para download!

Durante a visita do camarada Bruno Souza (Teimosia), ao Mestre Decanio, em 2003, eles se encaregaram de nos presentear com uma raridade… uma verdadeira jóia da capoeiragem… digitalizaram todos os manuscritos de Vicente Ferreira Pastinha, para garantir a preservação do material histórico.
 
Os manuscritos do Mestre Pastinha. O famoso "caderno-albo", onde Pastinha deixou sua poesia, desenhos, sabedoria e experiências de vida, é um calhamaço de 200 e poucas páginas – já amarelecidas pelo tempo.
 
A letra e a prosa são rebuscadas, mas é um prazer ver destiladas ali a sabedoria simples e profunda do mestre.
 
A leitura é boa para capoeiristas, historiadores e qualquer pessoa que acredite que se pode aprender com o passado.
 
As páginas foram digitalizadas em alta resolução (formato JPG), permitindo uma boa impressão.
 
Para iniciar o download, clique nas imagens ou clique aqui.
 
Cortesia: Mestre Decanio e Teimosia