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A Cultura como veículo de erradicação da miséria

O Seminário Nacional – A cultura como veículo de erradicação da miséria, que conta com a parceria do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pode ser acompanhado ao vivo pelo Twitter da Fundação Cultural Palmares.

O presidente lembrou que 2011 foi considerado o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes pela Organização das Nações Unidas e que o racismo presente em vários países precisa ser considerado no debate, uma vez que, no Brasil, ainda é velado. “A cultura pode mudar essa realidade. Para isso, ela precisa estar inserida no meio governamental e estar a serviço, especialmente da população negra”, disse.

Eloi Ferreira de Araujo completa afirmando que um bom começo seria a garantia real dos direitos. “As religiões de matriz africanas, por exemplo, ainda não têm os mesmos direitos reservados às demais crenças”, pontuou. O ano de 2011 é um ano carregado de simbolismos para a comunidade negra, por isso a valorização da cultura, a melhoria da qualidade de vida das pessoas em situação de extrema pobreza e os direitos fundamentais são apenas alguns dos pontos a serem tratados no seminário.

Para Luiza Bairros, o seminário é uma possibilidade de reflexão para o que significa a situação de miséria ainda existente no país. Em concordância, Carlos Alberto Reis de Paula, ministro do Tribunal Superior do Trabalho, ressaltou que a parcela da sociedade constituída por mais da metade da população não pode ser marginalizada.
MISÉRIA X CULTURA – A ministra Luiza Bairros da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) alertou para a importância do evento, que durante dois dias vai discutir a cultura como veículo de erradicação da miséria. “Temos um desafio importante: ‘miséria’ e ‘cultura’ são palavras opostas, uma vez que a cultura negra representa nossa maior riqueza. É prova da resistência que tivemos neste país, de como nos mantivemos”, afirmou.

Para ele, embora os resultados sejam positivos ainda falta muito para reparar uma situação promovida por séculos de escravidão e a Fundação Palmares mostra sua envergadura ao levantar o tema à sociedade.

Na ocasião, o ministro do Desenvolvimento Agrário destacou que o país acaba de passar por um momento importante que reflete o empenho da gestão Dilma Rousseff no trabalho de erradicação da miséria. “Mais de 35 milhões de pessoas passaram a constituir a classe média, 28 milhões saiu da situação de extrema pobreza. Destes, quatro milhões estavam em áreas rurais e tiveram incrementos em sua renda”, apontou.

Na mesa de abertura do seminário estavam: Horácio Senna e Carlos Alberto Reis de Paula, ministros do Tribunal Superior do Trabalho; Afonso Florence, ministro do Desenvolvimento Agrário; Luiza Bairros, ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Elisa Larkin, esposa de Abdias Nascimento.
De acordo com o presidente da FCP, a proposta é debater a construção de mecanismos para que seja assegurado o acesso aos bens culturais, econômicos e aos direitos fundamentais a população negra, que representa 70% dos pobres e 71% dos indigentes no Brasil, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

“A erradicação da miséria é o caminho para um país mais justo, fraterno e igual”. Com esta frase o presidente Eloi Ferreira de Araujo, da Fundação Cultural Palmares, abriu o “Seminário Nacional – A cultura como veículo de erradicação da miséria”, na noite da última terça-feira (16).

O evento que acontece até dia 18 de agosto, no St. Peter Hotel, em Brasília, tem por objetivo reunir ideias, propostas e ações para o enfrentamento da extrema pobreza a que estão expostos 16 milhões de brasileiros, a partir da promoção e valorização da cultura, sobretudo, a cultura afro-brasileira.

 

http://www.palmares.gov.br

Ladeira da Montanha: Moradias e Estabelecimentos em risco

Moradores se recusam a desocupar casarões: Ocupantes dos imóveis preferem o risco do que ir parar em abrigos

Depois de o juiz Paulo Pimenta, da 16ª Vara Federal, ter deferido em parte o pedido de liminar feito pelos ministérios públicos Estadual e Federal para desocupar e interditar os casarões apontados pela Defesa Civil (Codesal) como de alto risco, muitos moradores demonstram que vão dar trabalho para sair.

Ontem, o CORREIO visitou a Rua do Julião, no Comércio, onde segundo o relatório da Codesal de 2009 há a maior concentração dos imóveis considerados de alto risco, com 13 casarões em uma única rua. No casarão de nº 57, o líder comunitário Onassis Brito vive há 40 anos e diz que não pretende sair do imóvel.

“Nós não queremos abrigo. Por que eles não viram essa situação antes? Abrigo não é solução para ninguém. Tem que encaminhar a gente para o programa Minha Casa, Minha Vida e dar moradia com dignidade para quem não pode pagar”, reclamou.

Já no casarão 49 da Ladeira da Montanha, descrito pela Codesal com “fachada com desprendimento de reboco, infiltrações e esquadrias soltas” e que também estaria desabitado, funciona hoje o Centro Cultural Mistura Africana.

“Eu moro aqui há mais de 30 anos e a gente paga IPTU. O casarão está sendo reformado por mim mesmo e não tem problema nenhum”, disse o comerciante Luís Carlos Salvador, 54 anos. “Não há governo nenhum que vá tirar meu povo daqui. Aqui não tem nada pingando. Nada quebrado”, complementou o mestre de capoeira, Raimundo Vital, 44. Segundo ele, no local é ensinado capoeira, percussão, samba de roda e maculelê.

Defasado


Em 2009, ano em que foi elaborado o relatório que serviu de base para a ação judicial, cerca de 40% dos 111 casarões avaliados como de alto risco estavam habitados. Quase dois anos depois, a Codesal admite que o relatório está defasado e não corresponde à situação atual e que não sabe quantos estão habitados.

“Ainda não temos resultado desse novo mapeamento, pois é um trabalho minucioso e delicado. Estamos num momento delicado, de Operação Chuva, por isso o novo estudo ainda não foi realizado”, informou a Codesal, através da assessoria.

Liminar  De acordo com a decisão do  juiz da 16ª Vara Federal, a Prefeitura e a Codesal devem cadastrar todos os moradores dos casarões em risco pra que eles sejam encaminhados para novas habitações. Além disso, a Defesa Civil tem que elaborar placas indicando o nível do risco do imóvel.

Segundo a liminar, ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), à União e ao Estado cabem realizar as intervenções na estrutura física dos imóveis. O não cumprimento da liminar implicará em multa de R$ 1 mil por dia.

A assessoria da Advocacia-Geral da União informou que já foi notificada, no entanto, só irá se manifestar “após analisar a decisão”. Já o governo do estado informou que os técnicos da  Companhia de Desenvolvimento Urbano  analisam a situação individual de cada imóvel para adotar medidas preventivas, mas o órgão não informou quais medidas implementará para executar a decisão da liminar.  Procurados pelo CORREIO, nenhum representante do Iphan não se manifestou até o fechamento desta edição.

http://www.correio24horas.com.br/

1º Campeonato Aberto de Capoeira no Rio Grande

Nos dias 22 e 23 de janeiro, acontece, na Praia do Cassino, o 1º Campeonato Aberto de Capoeira no Rio Grande.

O evento envolve oito categorias. Entre elas estão pré-mirim, mirim, infantil, juvenil iniciante, aluno avançado, graduado, instrutores e professores. As duas últimas categorias terão, além de troféu e medalhas, premiação em dinheiro para os primeiros colocados.

O campeonato é organizado por Diego da Silva Pereira (Graduado Pipoca), do Grupo de Capoeira Liberdade da Cidade do Rio Grande, criador da URCAP – União Riograndina de Capoeira e atual presidente da Superliga Riograndina de Capoeira. Diego também é idealizador do Projeto Menino Mandingueiro, criado em janeiro de 2010, que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, em bairros da periferia.

O projeto acontece todas as terças e quintas, na Associação do bairro Getúlio Vargas, das 18h às 20h, e as quartas-feiras, no Ginásio da Igreja da Barra, das 19h às 20h. A organização convida todos os capoeiristas e simpatizantes a participar desse campeonato.

 

Fonte: http://www.jornalagora.com.br/

Longe do trabalho infantil, crianças se dedicam aos estudos e atividades lúdicas

Jogos, brincadeiras, capoeira, música, educação física e breaking. Essas são apenas algumas das atividades promovidas por meio do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), em Piraquara. No contraturno escolar, são atendidas cerca de 300 crianças e adolescentes, com idades entre 7 e 15 anos.

Além das atividades lúdicas e educativas, de acordo com a coordenadora do programa, Claudiane Ferrari, tanto as crianças quanto os pais são acompanhados por uma equipe multidisciplinar composta por assistente social, pedagogo e psicólogo. As reuniões familiares podem ser mensais, quinzenais ou semanais dependendo de cada situação.

“Em caso de denúncia em que as crianças trabalham nos finais de semanas, por exemplo, é chamada a atenção da família. Primeiro há uma reunião e no caso de reincidência o caso é encaminhado para a Vara da Família para que sejam tomadas as medidas necessárias. A família tem que assumir o papel na educação dos filhos”, explicou a coordenadora. Cada família recebe R$ 40 por criança participante do programa.

Ainda de acordo com Claudiane, o programa também possui outras exigências. Os pais têm que participar das reuniões e os alunos têm que frequentar a escola e o Peti. A tolerância é de apenas três faltas mensais, com justificativa. Caso a família não cumpra com as regras o benefício pode ser bloqueado e até cancelado. Além do acompanhamento também nas escolas, o programa incentiva o aluno na superação de dificuldades na aprendizagem.

 

Peti

O objetivo do programa desenvolvido pela prefeitura municipal é oferecer um espaço seguro e voltado para o desenvolvimento biológico, psicológico e social de crianças e adolescentes antes submetidos a situações de trabalho, exploração e mendicância.

Desde o início deste ano, o Peti está instalado em prédio próprio, que fica em anexo ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Piraquara Solidária, no Bairro São Cristóvão. O transporte para o deslocamento diário é proporcionado gratuitamente a todos os alunos. Além disso, o programa também oferece duas refeições (lanche e almoço).

A coordenadora pedagógica e os cinco instrutores são contratados a partir de um convênio firmado com a Adesobrás. Os demais funcionários pertencem ao quadro próprio (efetivo) da prefeitura municipal (coordenadora geral, professora, assistente social, técnico administrativo, motorista, dois estagiários, quatro auxiliares de serviços gerais e duas merendeiras).

Em tempo: O programa atende, exclusivamente, crianças e adolescentes (abaixo de 16 anos) em situação de trabalho infantil e risco social. Para participar é necessário procurar a sede do Peti, que fica na Rua Reinaldo Meira, n.º 978, no bairro São Cristóvão. Para fazer as inscrições basta apresentar RG e comprovante de residência. Mais informações: (41) 3653-7387.

 

Fonte: http://agoraparana.uol.com.br/

Assédio Sexual, o que fazer?

Há quem defenda que se o assédio sexual acontece em todo lugar, não precisa ser discutido no meio da capoeira. Porém, como mulher, acredito que se o assédio sexual deve ser discutido em todo lugar em que possa estar presente.

Embora não exista uma estatística a respeito, é fato que o assédio sexual é um dos motivos que levam mulheres à troca de grupos e até abandonar a capoeira.

Muito mais do que uma cantada inconveniente, o assédio sexual envolve constrangimentos, chantagens e até ameaças.

Infelizmente, a Lei número 10224, de 15 de maio de 2001 se aplica ao assédio apenas no ambiente de trabalho, portanto em outros ambientes cabe à mulher fazer o possível (e o impossível) para sair deste tipo de situação. Algumas atitudes podem ajudar:

* Procure manter distância do autor do assédio, quando for inevitável se aproximar, peça a um amigo ou amiga que lhe acompanhe;

* Diga ao autor do assédio com clareza que sua conduta a incomoda. Tentar por panos quentes com medo de parecer agressiva só prolonga a situação;

* Se o assédio vem de um colega do grupo, comunique seu mestre ou professor, com certeza ele pode ajudá-la;

* Se o assédio vem do próprio mestre ou professor, lembre-se que existem muitos mestres sérios, de conduta respeitável, portanto não se sinta obrigada a se submeter a este tipo de tratamento.

* Caso sinta que sua segurança está ameaçada, não pense duas vezes, faça uma denúncia na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher pois, embora a Lei 10224 se refira ao assédio no trabalho, os casos mais graves podem se enquadrar em outras questões legais.

 

Fontes:

Ajuda Emocional – http://ajudaemocional.tripod.com/rep/id78.html

Delas – http://delas.ig.com.br/assedio+sexual/n1237491675245.html

Vila Mulher – http://vilamulher.terra.com.br/assedio-sexual-saiba-seus-direitos-5-1-37-29.html

Wikipédia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Ass%C3%A9dio_sexual

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Rodas femininas: incentivo ou discriminação?

Com a justificativa de incentivar a participação de mulheres na capoeira, muitos grupos fazem rodas femininas ou têm um momento na roda no qual só as mulheres jogam.
A intenção pode ser boa, mas separar às mulheres dos homens será mesmo um incentivo para que elas joguem?
É certo que algumas mulheres, normalmente as iniciantes, preferem jogar entre mulheres. Mas não seria mais adequado incentivá-las a superar esse receio jogando com todos, ao invés de acomodá-las nessa situação de insegurança?
A ideia de separar para incluir parece contraditória pois toda mulher capoeirista pode e deve jogar com os homens. Negar isso é  colocar a mulher em uma situação de inferioridade, portanto esta não é a melhor forma de mostrar às mulheres que elas também têm espaço na capoeira.
Fazer uma roda só de mulheres, como uma homenagem em uma data especial, é uma atitude legal, de reconhecimento e, portanto, muito bem vinda.
Mas alimentar hábito de fazer rodas separadas ou um momento à parte para as mulheres abre espaço para a discriminação.
É a união, e não a divisão, que anda de braços dados com a igualdade.


Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Haiti em uma palavra? Esperança

Os tremores hoje são como acontecimentos quase que naturais. Agora há pouco foram dois; o primeiro aparentemente forte. Estava em minha mesa imprimindo alguns documentos, e por um momento pensei que fosse a impressora. Mas, ao olhar para a mesa ao lado e ver um monitor balançando, compreendi que não era a impressora e sai rapidamente. Por fim, não sei se a terra realmente está tremendo ou se o meu corpo é que não parou de tremer desde o primeiro.

No momento do tremor, a sensação é de que o cérebro automaticamente acessa as informações do primeiro, as lembranças chegam em uma fração de segundo. E com elas, o medo de que este seja tão forte quanto o primeiro, que alcançou 7.2 graus na escala Richter. E a diferença de força entre um e outro é bem grande; o de 7.2 chega a ser 22 vezes mais forte. Aparentemente, teremos de conviver por algum tempo com os tremores. Espero em Deus que não sejam tão fortes quanto o primeiro, pois isso iria ampliar os problemas para um grau que não podemos prever, como ainda não podemos prever a extensão das consequência do primeiro.

Aos poucos, notamos que algumas pessoas estão deixando a capital, indo para as províncias, para as áreas rurais. O que abre precedente para tornar a ajuda mais rápida. Talvez seja possível, ao invéis de centralizar toda ajuda em Porto-Principe, criar campos de apoio nestas cidades, com toda estrutura possível, e remover as famílas que hoje ocupam as praças. Isso ampliaria também o campo de trabalho para a remoção dos escombros e resgate das vítimas, bem como diminuiria as possibilidades de uma epidemia, um risco grande aqui.

Quanto a nós, seguimos com o trabalho, dentro das nossas limitações. Com o risco eminente, continuamos dormindo no quintal da casa; brasileiros, haitianos, noruegueses. Onde temos uma visão fantástica do céu, das estrelas. O sentimento em mim é de que não estamos sozinhos, nem desprotegidos. E parece que ouço uma voz dizer que tudo ficará bem…

Haiti, 21 de janeiro, 11:30 am

Aos poucos, a situação parece apresentar sinais de melhoria, apesar de muitos escombros estarem ainda por serem removidos. O volume de trabalho é grande, bem maior do que a infra-estrutura disponível no momento. Mas, já podemos ver que a situação é bem diferente de alguns dias atrás. Não tenho dúvida de que as equipes de resgate estão empenhando ao máximo as suas forças para tornar o trabalho mais ágil, e minimizar ao máximo o sofrimento dos que ainda ainda esperam por ajuda sob os escombros.

E ainda que existam aqueles que se valem da necessidade e da fome para promover a violência e o desespero, ferindo ainda mais a sua própria gente.

Ainda que existam aqueles que poderiam ajudar (fazer a diferença), mas que preferem assistir tudo de longe, entre as quatro paredes da sua sala refrigerada, cujo a proximidade maior do problema não vai além do alcance do seu controle remoto ou do cursor do seu computador.

Ainda que existam aqueles cruéis o bastante para de dizer que a raça ou o credo é o causador de tanto sofrimento…

Existem aqueles que movem todos os seus recursos e esforços para garantir o mínimo de segurança e dignidade para aqueles que sobreviveram, para minimizar o sofrimento das pessoas e cuidar de suas feridas.

Existem aqueles que deixaram seu país, o conforto e a segurança do seu lar, o carinho da família para estar ao lado de pessoas que sequer conheciam.

Existem aqueles que são humanizados o suficiente para exergar no próximo o laço incontestável da família terrena.

Existem aqueles “loucos” que acreditam, seguem em frente, e com a sua loucura contagiante arrebanha multidões para o bem.

E é por esses e outros que a confiança aumenta a cada dia, que a nossa força cresce. É através de exemplos como esses que seguimos acreditando que a  vida é ainda mais forte do que qualquer coisa e que a esperança sobrevive às piores provações.

Fonte: http://flaviosaudade.files.wordpress.com

 

Cidadania: Gingando pela Paz no Haiti – Relatos de um capoeirista em terras haitianas

O GINGANDO PELA PAZ nasceu de atividades realizadas ao longo de quatro anos em diversas comunidades do Rio de Janeiro que tinham como foco a mobilização popular para temas de interesse público. A inspiração surgiu com a participação do Contramestre Saudade, à época com 21 anos de idade e professor em capoeira, no Serviço Civil Voluntário, projeto oferecido pelo Viva Rio que objetivava ser uma alternativa ao Serviço Militar obrigatório, e estava direcionado para jovens em situação de risco social que ainda não tinham concluído o ensino fundamental. O contato com disciplinas como Direitos Humanos e Cidadania, a participação em ações voluntárias em comunidades como as Campanhas contra a Dengue e de Paz no Trânsito, somada a experiências internacionais em países como Zimbabwe, África do Sul, Alemanha e Espanha, levou-o a idealizar um projeto que objetivasse fortalecer a atuação da capoeira para o desenvolvimento social.

 

Portugal: Famílias de imigrantes pedem apoio para regressar

Foi com espanto e surpresa que recebi a notícia de que os amigos Mestre Leonan e Dona Ivone, figuras ímpares e muito queridas da comunidade capoeirística de Portugal, encontram-se na situação relatada em pormenores pela matéria publicada no Diário de Notícias de Portugal. Ao casal de amigos e grandes companheiros pelos quais tenho grande consideração desejo que tudo entre nos “eixos” e que juntos, com o apoio dos amigos , familiares e companheiros, possam concretizar esta caminhada e ultrapassar esta fase complicada pela qual estão passando…

Fica mais uma vez a reflexão para aqueles que pretendem atravessar um oceano na busca de um sonho de uma “Vida Melhor” e de melhores condições laborais que este é realmente um passo que deve ser dado com segurança e responsabilidade… A Europa mudou muito, Portugal está no limiar de uma situação muito delicada… Procurem conversar, pesquisar e reflitir muito, principalmente com as referências da capoeiragem no País onde pretendem imigrar, antes de fincar o pé na estrada…

Em minhas últimas viagens para participar em eventos, como convidado e palestrante, tenho “batido” muito na tecla da “descentralização” (movimento de  imigração baseado na coerência e no respeito territorial, com enfâse a uma busca a novos nichos de mercado fora das zonas com maior índice de ocupação capoeirística ) Assunto que devido a sua importância será abordado com maior peso e relevância, em breve aqui no Portal .

Desejo mais uma vez muito sucesso e prosperidade a todo “Embaixador da Cultura Brasileira” que luta dia a dia na sua jornada por dignidade e cidadania…

Um grande abraço a toda a comunidade ligada direta e indiretamente ao universo da capoeira que através de seus atos e  reflexões nos trouxeram e nos direcionaram para o atual contexto da nossa arte-luta.

Luciano Milani

 

Portugal: Famílias de imigrantes pedem apoio para regressar

Há cada vez mais estrangeiros a receber dinheiro para voltar a casa, sobretudo brasileiros. Quase metade são agregados familiares.

Leonan Silva veio para Portugal há oito anos. Fugiu da crise económica que se vivia no Brasil, mas sobretudo de si. Tinham acabado de lhe matar o filho e preferiu afastar–se de Brasília para não ter de olhar para quem o tinha assassinado, quando ele separava uma briga. Mestre de capoeira, as coisas começaram por lhe correr bem e chamou a mulher dois anos depois. Mas a vida mudou, piorou.

Leonan nunca mais conseguiu renovar o visto de residência. Nem tinha dinheiro para regressar ao Brasil. O casal faz parte das muitas famílias de imigrantes que pedem apoio à Organização Internacional para as Migrações (OIM) para abandonar Portugal. E cada vez são mais os agregados familiares a fazê-lo. Já estão quase em maioria, quando em anos anteriores os pedidos eram sobretudo individuais (ver gráficos).

Os dados de imigrantes apoiados pelo Programa de Retorno Voluntário (PRN) reflecte uma maior procura de pessoas desesperadas para regressar ao país de origem e sem dinheiro para o fazer.

“O aumento de agregados familiares terá a ver com o facto de as pessoas já não estarem numa fase inicial da imigração. Começam por vir sozinhas, dizem ao agregado familiar para vir, mas a vida dá uma volta de 180 graus e deixam de ter condições económicas”, explica Luís Carrasquinho, o responsável pelo programa.

São sobretudo mães e filhos, mas também há pais e filhos e casais, como Leonan e Ivone. “Vim para Portugal há seis anos, nunca consegui papéis. O meu marido obteve a autorização de residência por um ano, mas não voltou a conseguir um contrato de trabalho e nunca a renovou”, conta Ivone Santos, 53 anos, cabeleireira no Brasil e empregada doméstica em Portugal. Nunca teve um trabalho certo, profissional paga ao dia e sem perspectivas de estabilidade.

Foi a Associação Sócio-Cultural Grupo União da Capoeira que deu a mão a Leonan Silva para vir para Portugal, incluindo o pagamento do bilhete de avião. Participou em espectáculos, foi formador, mas os contratos foram diminuindo. O último, com a Casa Pia, não foi renovado no ano passado e deixou de haver um rendimento certo. E as contas sempre a cair, em especial a renda de casa, um quarto num apartamento em Mem Martins, pelo qual pagam 160 euros, incluindo água, luz e gás.

“Fomos ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras para ver como podíamos resolver a situação, mas cobravam muito, tínhamos de pagar as multas. E, também, não tínhamos um contrato de trabalho… mas também ninguém nos faz um contrato se não tivermos o visto de residência”, diz Ivone.

A situação tornou-se uma pescadinha de rabo na boca. Sem solução à vista. Leonan faz biscates em obras, pinta paredes… o que aparecer. Ivone segue o mesmo percurso, mas em trabalhos domésticos. Esta semana substitui a amiga que toma conta de uma idosa. Os amigos apoiam.

“Todas as situações são complicadas, todas as pessoas que ajudamos estão numa situação-limite”, explica Luís Carrasquinho. Em 2009, o número de imigrantes que levou ao aeroporto de Lisboa para regressarem ao país de origem, ou a um terceiro onde esteja garantida a sua admissão, aumentou quase dez por cento. Também foram mais as mulheres a voltar a casa, algumas com os filhos, e a faixa etária está a subir. Ultimamente, é o grupo entre os 36 e os 50 que mais recorre ao programa.

“Acabámos por decidir que o melhor era regressar ao Brasil. Uma amiga viu uma reportagem e falou-nos que a OIM ajudava quem não tinha dinheiro. Fiz uma pesquisa na Net e marquei uma reunião”, conta Ivone. Está à espera que o seu caso seja aceite e que lhe agendem o regresso o mais rapidamente possível.

Ivone e Leonan têm cinco filhos no Brasil, além de 12 netos.

Sente que falhou?

Ivone diz que não: “Viemos com um objectivo traçado. Tínhamos saído de uma situação muito difícil e o objectivo era tentar ultrapassar a situação. Foi uma luta, passámos por muita coisa difícil, batalhámos. Não deu. Conheci Portugal, uma cultura diferente, muitas pessoas amigas, brasileiros e portugueses. Gostei muito de viver aqui, apesar das dificuldades. E o objectivo foi cumprido, estamos preparados para regressar. Tenho saudades dos filhos e netos. A nossa esperança é que o Brasil esteja efectivamente melhor!”

À OIM chegaram mais de 900 pedidos para pagar viagem em 2009,  mas considerou que só 381 respeitavam as condições.

Fonte: Diário de Notícias – http://dn.sapo.pt/

Capoeira na Nova Zelândia

O Grupo de Capoeira Cordão de Ouro, representado pelo professor de Capoeira e pedagogo Ely Alves e mais quatro alunos, participa do Brazilian Arts Festival em Christchurch, maior cidade da Ilha Sul da Nova Zelândia. Eles passarão fevereiro dando aulas e fazendo apresentações no País. Também participarão de um final de semana de apresentações em Wellington, capital da Nova Zelândia, a convite da Embaixada Brasileira.

O trabalho do grupo começou em Brasília com projetos que atendiam crianças e adolescentes em situação de risco social em abrigos da cidade. A capoeira é usada para promover a inclusão social desses jovens. Os alunos da ONG que representarão o Brasil no evento estão indo com recursos próprios.

Salvador: Mercado de São Miguel está em situação de abandono

O Mercado de São Miguel, localizado na Baixa de Sapateiros, faz parte juntamente com o Pelourinho da área tombada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, mas está esquecido. A situação do edifício construído em 1965 que já foi uma propriedade particular encontra-se depredado. Além dos problemas com a infraestrutura física, a segurança e os constantes assaltos e usuários de drogas que ficam no local amedrontam a população.

‘Eu faço um trabalho com a capoeira no mercado há vários anos e o mercado encontra-se abandonado. É uma área de risco, o que espanta compradores e turistas’, disse o mestre de capoeira angola, José Alves, também conhecido como Mestre Zé do Lenço.

Segundo ele, que também é membro do Conselho de Mestres da ABCA – Associação Brasileira de Capoeira Angola (Pelourinho) e Presidente da Associação de Capoeira Angola Relíquia Espinho Remoso, a prefeitura que á responsável pelo espaço já foi notificada e fez a promessa de tomar providências para a recuperação do Mercado. ‘Eles disseram que o projeto já foi aprovado e que as obras começariam ainda neste mês de janeiro’, disse o Mestre Zé do Lenço.

Segundo informações da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (SESP), o projeto realmente existe e já está em estágio avançado de tramitação junto ao Ministério da Cultura. Ainda segundo a SESP, a revitalização do Mercado de São Miguel foi inserida em um projeto maior de revitalização de toda a região da Baixa dos Sapateiros.

Com o objetivo de pressionar as autoridades e chamar atenção da população para o problema, o Mestre Zé do Lenço organizou uma roda de capoeira angola na frente do Mercado de São Miguel, na tarde desta quarta-feira (14).