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BLOCO DA CAPOEIRA: CARNAVAL 2010 – A CAPOEIRA E O CANGAÇO

Prezado (a) foliões,

O Bloco Afro Mangangá Capoeira, no seu terceiro ano, homenageará a Capoeira e o Cangaço.

O DESFILE:

O desfile acontecerá no dia 11/02/2010 na quinta-feira de carnaval no circuito Campo Grande a partir das 19h, sendo dividido em diversas alas e você desfilando, estará aceitando as normas e condições gerais para participar do bloco.

Alguns itens importantes para o desfile acontecer de acordo o contrato com os órgãos que fiscalizam a festa.

– O inicio do desfile dependerá da liberação da coordenação do carnaval, ficando cientificado que é comum por parte da organização do carnaval, haver atrasos;

– Não será permitida a permanência de folião que não estiver trajando a fantasia das alas ou abadas de capoeira;

É PERMITIDO:

– A utilização de adereços que remetam ao tema;

– Uso de abadá ou farda dos grupos de capoeira;

– Uso de estandartes dos grupos de capoeira e/ou culturais;

– Uso de instrumentos de capoeira;

– recomendamos às mulheres que venham com roupas típicas ao cangaço e a capoeira e que usem um legging por baixo da saio ou vestido;

ABAIXO ALGUMAS ORIENTAÇÕES MUITO IMPORTANTES PARA VOCÊ BRINCAR SEU CARNAVAL COM BASTANTE SEGURANÇA:

– Os foliões ficam cientes e autorizam previamente o Bloco da Capoeira ou a Associação Sócio-Cultural e de Capoeira Bloco Carnavalesco Afro Mangangá a exibir, por qualquer meio de comunicação ou em locais públicos, as imagens e/ou fotografias do (s) bloco e/ou Associação, inclusive a (s) suas em qualquer época mesmo não sendo no período do carnaval;

– Leve pouco dinheiro e documentos de identidade (cópia autenticada);

– Vá de calçado confortável, principalmente um que combine com o tema do Bloco;

– Evite sair do Bloco durante o percurso;

– Cuidado com os alimentos, beba bastante água, suco e de isotônicos;

– Não abuse das bebidas alcoólicas;

– Não use drogas;

– Não brigue, carnaval não combina com violência. Portanto, se alguém pisar no seu pé, se esbarrar, desconsidere e siga em frente;

– Namore e beije muito… Mais não deixe de usar a camisinha.

Bloco da Capoeira – 32569806 – 33517333 – 81269333

tmmanganga@hotmail.com – blocoafromanganga@hotmail.com

Grupo Meninos Guerreiros promove aula de capoeira ao ar livre

Será dia 23 de janeiro,  a partir das 13 horas, na Avenida Nove de Abril, em frente ao Parque Anilinas

O grupo Meninos Guerreiros de Cubatão realiza no dia 23 de janeiro de 2010, a partir das 13 horas, na Avenida Nove de Abril, em frente ao Parque Anilinas – Centro, em Cubatão, uma aula de capoeira ao ar livre. Os organizadores do evento convidam todos os grupos da Baixada Santista a participarem desse grande evento.

Segundo o professor Marivaldo Souza Matos, mestre Coelho, um dos objetivos do evento é difundir a modalidade esportiva, já que a capoeira faz parte da cultura brasileira, e promover a confraternização dos grupos da Cidade e da Baixada Santista.

Fazem parte da programação uma aula com o tema: “Aquecimento, estilo de movimentos em sequência de ataque e defesa”, ministrada por Mestre André. Em seguida, palestra com Mestre Curupira, com o tema: “Estilo de combate em dupla, como usar técnicas em movimentos no conflito pessoal”.

Encerrando o evento, Mestre Cabrito ministra uma aula com o tema: “História da Capoeira, Capoeira em Cubatão e Capoeira e seus Direitos”, finalizando com uma grande roda de capoeira.

Confraternização – Neste domingo, 20/12, a partir das 15h30, no Parque Anilinas, o Grupo Meninos Guerreiros promove a confraternização de final de ano, com bebida, comida e jogos de capoeira. Os grupos desportivos interessados em participar da aula de capoeira ou da confraternização, devem confirmar presença através do telefone (13) 8830-9533, com professor Coelho.

Texto: Ana Borges

http://www.cubatao.sp.gov.br/

20091216- Aula de Capoeira – ALSB

Projeto Anastácia realizará Semana Municipal da Capoeira em Paulínia

Depois que foi votado o Projeto de Lei instituindo a Semana Municipal da Capoeira, Paulínia tem vivenciado mais de perto a prática deste esporte. Pelo terceiro ano consecutivo, atletas se reúnem para a complementação do trabalho que é feito junto às oficinas socioeducativas, e apresentar a comunidade paulinense o trabalho e o desempenho desenvolvido pelo programa.

O Projeto Anastácia é desenvolvido pela Associação Rainha do Engenho que está presente no município desde 1974, e trabalha em parceria com a Associação Criança Feliz, tem como objetivo oferecer as pessoas, a oportunidade de praticarem exercícios físicos, trabalhar a dinâmica em grupo, a musicalidade e o convívio social, além de divulgar a tradição e a valorização da nossa cultura afro-brasileira.

Apesar do preconceito que ainda existe, e que muitas pessoas acham que capoeira está ligada a religião, fazendo com que alguns pais tirem os filhos das aulas, salientamos que isso é apenas folclore, e falta de conhecimento da prática do esporte.

O tema da III Semana da Capoeira que acontecerá de 26 de setembro a 3 de outubro, será “Não Jogue Com a Vida, Jogue Capoeira, de uma Rasteira nas Drogas”. O tema foi escolhido de acordo com o que os educadores têm presenciado nos bairros; “encontramos muitas crianças e adolescentes envolvidos no mundo das drogas, e inocentemente são iludidos e usados como “mula” (nome dado as pessoas que transportam drogas), e na prática da capoeira procuramos orientar as crianças e adolescentes o perigo que elas oferecem, argumentou o coordenador do Projeto Mestre Domingos. Ele também enfatiza a importância da participação do Poder Público, apoiando as ações do Projeto, na disseminação da cultura e do esporte, uma cidade só agrega valores com iniciativas como esta”, concluiu o coordenador.

As aulas de capoeira são ministradas no Ginásio do João Aranha, no bairro Parque da Represa, e também na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), e tem mais de 300 participantes entre crianças, jovens, adultos e Terceira Idade.

Fonte: Assessoria de Imprensa – http://www.paulinianews.com.br

História social da capoeira é abordada na Semana da África

O debate sobre a desmistificação da cultura africana foi destaque na tarde de segunda-feira (11) na programação da Semana de História da África, promovida pela Escola de Governo do Pará (EGPA). Durante a oficina “História Social da Capoeira“, o professor Libano Soares abordou o tema, com o objetivo de desvincular a imagem da capoeira “do ócio”.

“A capoeira faz parte da história do trabalho. E só conhece essa vertente quem a estuda como componente histórico, e não só cultural. Por isso, ao estudar a história da capoeira é possível desmistificá-la da vadiagem, do não trabalho”, ressaltou.

O desafio de desmistificar a cultura africana na sala de aula foi abordado na segunda oficina da tarde, com o tema: “A sala de aula e os desafios do ensino da religiosidade e do sincretismo religioso africano”, ministrada pela professora Anaíza Vergolino.

Ela ressaltou a importância de uma educação antirracista, na qual prevaleça o reconhecimento das diferenças. O tema mobilizou a platéia, composta principalmente por professores da rede estadual de ensino. Para a professora de História Simone Novaes, “é um grande desafio investir nesses cursos de formação que a EGPA promove. Esse debate é, na verdade, uma grande contribuição para a quebra de preconceito”.

Debates na Estação – Nos dias 14 e 15 (quinta e sexta-feiras) serão realizados dois debates, na Estação das Docas, a partir das 18 horas, com entrada franca. “A Lei 10.639/2003 e suas repercussões no ensino e nas políticas de inclusão sóciocultural para negros e negras” e a “História do Negro no Brasil e a África Contemporânea” são temas dos dois debates, que trazem a Belém o professor Berluce Belluci, pró-reitor de graduação da Universidade Cândido Mendes e diretor do Centro de Estudos Afroasiáticos. Há mais de 30 anos ele trabalha como pesquisador de temas africanos, acumulando experiência em vários países do continente, como Moçambique, Angola e Cabo Verde.

O professor Flávio Gomes é outro convidado do evento. Ele integra o programa de pós-graduação em História da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Tem livros, coletâneas e artigos publicados em periódicos nacionais e estrangeiros. Seu trabalho se concentra em temas como Brasil colonial e pós-colonial, escravidão, Amazônia, fronteiras e campesinato negro. Atualmente, desenvolve pesquisas em história comparada do Brasil, América Latina e Caribe.

 

Texto: Ascom/EGPA – http://www.agenciapara.com.br

III Fesman – Festival Mundial de Artes Negras

MinC e Fundação Cultural Palmares participam de reunião sobre o Fesman no Senegal

O ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, e o Presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, vão participar de reunião do Comitê Internacional de Orientação do Festival Mundial de Artes Negras (Fesman), de 2 a 4 de março, em Dacar, no Senegal. A reunião vai estabelecer um balanço parcial da organização do III Fesman, discutir as perspectivas para o evento e reunir as contribuições dos diversos países para a realização do festival.

 

O III Fesman terá como tema o Renascimento Africano e será realizado do dia 1º ao dia 21 de dezembro de 2009, em Dacar, no Senegal. O Brasil é país convidado de honra do festival, por possuir a segunda maior população negra do planeta e conseguir conservar as manifestações de origem africana. O III Fesman vai discutir o papel do mundo negro no terceiro milênio, com enfoque na união das políticas nacionais e na integração com as culturas dos países da Diáspora. Um dos sub-temas do festival será “Afrodescendência na América”.

O Comitê de Organização Internacional do Fesman está montando uma grande estrutura de comunicação e teledifusão, que transmitirá o evento para toda a África, Europa e Américas em inglês, francês e português.

A primeira edição do Fesman aconteceu em Dacar, Senegal, em 1966, promovido pela República do Senegal e pela UNESCO. O tema do festival foi “O significado das artes e cultura negra na vida dos povos e para os povos”. A segunda edição aconteceu em Lagos, Nigéria, em 1977, com o tema “Civilização Negra e Educação”.

Assessoria de Comunicação
Inês Ulhôa – assessora de imprensa (9966-8898) \n ines.ulhoa@palmares.gov.br Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar
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NADEC- NÚCLEO DE APOIO E DESENVOLVIMENTO DA CAPOEIRA- ALAGOAS

Ao longo dos anos, a capoeira tem se mostrado uma grande aliada da escola no tocante ao possiblitar  a interação social entre os educandos, mas, mesmo assim ela ainda não conseguiu entrar de  fato na escola como parte dela. a partir de 1960, no Brasil, a capoeira vem sendo aprensentada no contexto educacional, do ensino fundamental às universidades.
A partir de 1996 com a lei 9394/96 LDB- Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, com a inclusão dos temas tranversais, a capoeira consegue adentrar em alguns espaços escolares simplesmente como atividade extra-classe. O que podemos considerar uma grande avanço dentro de uma siciedade preconceituosa e discriminatória com as culturas periféricas. A capoeira entra como atividade prática, rompendo barreiras de forma significativa. Mesmo assim, é nas universidades, onde ela encontra um ambiente fértil para se disseminar e tem sido bastante utilizada como objeto de pesquisa pelas mais diversas áreas do conhecimento. Ademais, já se encontra presente, na condição de componente curricular, em  várias universidades brasileiras, com profissionais de várias áreas praticando-a e pesquisando sobre sua origem, importancia e valências.
Outro ponto importante nesse caminho da capoeira para a escola foi a sanção  da lei federal 10.639/2003 que altera a lei 9394/1996, e dispõe sobre ensino da cultura africana e afro-brasileira nas escolas públicas e privadas do país, e  da lei estadual 6.814/2007 que trata do mesmo tema a nível do Estado de Alagoas.
Dentro desse contexto, o NADEC- NÚCLEO DE APOIO E DESENVOLVIMENTO DA CAPOEIRA EM  ALAGOAS promove no dia 07/02/2009, o PRIMEIRO SEMINÁRIO MACEIOENSE DE CAPOEIRA, que tem o objetivo de preparar e qualificar cada vez mais os professores e mestres de capoeira para que os mesmos possam desenvolver  suas atividades capoeiristicas na escolas dentro da proposta pedagógica que cada escola  desenvolva. Bem como despertar os capoeirista para a importância  da formação continuada para o bom desempenho profissional.
Neste seminário que terá como tema principal o planejamento de aula, por entendermos que, pedagogicamente,  é apartir do planejamento,  que podemos ter uma aula de qualidade, com a capoeira não  seria diferente. Até mesmo que o planejamento tenha que ser feito para a parte fisica e para a parte técnica da aula que são os movimentos e sequencias de movimentos.
PRIMEIRO SEMINÁRIO ALAGOANO DE CAPOEIRA
PROGRAMAÇÃO
TEMA CENTRAL:
“ A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO PARA UMA AULA COM BONS RESULTADOS”
PROFESSORA: MARIA BETÂNIA DE OLIVEIRA (PEDAGOGA),  professora das redes municipal e estadual de educação, ex-coordenadora do projeto Saber (Educação de Jovens e Adultos) da Secretaria Estadual de Educação, diretora de escola municipal de maceió.
SUB-TEMA 1:
“O PLANEJAMENTO E A PRÁTICA NAS AULAS DE CAPOEIRA”
CLAUDIO SEVERO. ( Mestre Claudio dos Palmares), Mestre de capoeira titular do GRUPO QUILOMBO PÔR DO SOL DOS PALMARES, Professor de Educação Física, Massoterapeuta e membro do Conselho de Mestres do Estado de Alagoas
SUB-TEMA 2:“JOGOS RECREATIVOS COMO INSTRUMENTO DE ALONGAMENTO E AQUECIMENTO PARA AULA DE CAPOEIRA”
PROFESSORA: KÁTIA MARIA DO NASCIMENTO BARROS,  Professora de educação fisica da rede estadual de educação.
LOCAL: ESCOLA PROFESSOR JAYME DE ALTAVILA
AVENIDA PRINCIPAL DA SANTA LÚCIA, PRÓXIMO AO POSTO DE GASOLINA 
 
PRIMEIRO SEMINÁRIO ALAGOANO DE CAPOEIRA
PROGRAMAÇÃO
DIA 07/03/2009
8:00 hs- credenciamento e acolhimento dos participantes.
9:00hs
TEMA CENTRAL:
“ A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO PARA UMA AULA COM BONS RESULTADOS”
PROFESSORA:  MARIA BETÂNIA DE OLIVEIRA (PEDAGOGA)
10:00hs-
SUB-TEMA 1: “O PLANEJAMENTO E A PRÁTICA NAS AULAS DE CAPOEIRA”
CLAUDIO SEVERO. ( Mestre Claudio dos Palmares) Mestre de capoeira titular do GRUPO QUILOMBO PÔR DO SOL DOS PALMARES, Professor de Educação Física, Massoterapeuta e membro do Conselho de Mestres do Estado de Alagoas.
12:00 almoço
14:00hs. RETORNO
SUB-TEMA 2:“JOGOS RECREATIVOS COMO INSTRUMENTO DE ALONGAMENTO E AQUECIMENTO PARA AULA DE CAPOEIRA”
PROFESSORA: KÁTIA MARIA DO NASCIMENTO BARROS.
16:00hs- ENTREGA DE CERTIFICADOS E GRANDE RODA DE CONFRATENIZAÇÃO.
Inscrições até dia 04/03/2009.
VALOR:  R$: 15,00  com almoço e certificado  
 
PRIMEIRO SEMINÁRIO ALAGOANO DE CAPOEIRA
FICHA DE INSCRIÇÃO
VALOR:  R$: 15,00  com almoço e certificado
NOME:_____________________________________________
ENDEREÇO:________________________________________
TEL.___________ E-MAIL:____________________________
INSTITUIÇÂO QUE FAZ PARTE:_______________________
MESTRE (   ) C. MESTRE (   ) PROFESSOR (   ) OUTROS (   )
GRADUAÇÃO: ___________________
TEMPO DE CAPOEIRA: ________________
OBESERVAÇÃO:
PREECHER A FICHA E DEVOLVER POR E-MAIL PARA: nadec_al@hotmail.com
A taxa de inscrição pode ser paga com depósito bancário no BANCO DO BRASIL, agência: 3057-0,  conta correte nº 10.529-5 em nome  de josé Carlos Pereira da Silva.
Trazer o comprovante de depósito ou tranferência bancária e apresentar no credenciamento.

Contatos:  nadec_al@hotmail.com

Professor Carlos : (82) 8844-4838; krlos_kpoeira@hotmail.com

Monitor  Carlinhos: (82) 8824-6859; carlocepec@yahoo.com.br

Contra mestre Leto: (82)  9381-7765 letopombo@hotmail.com 

LOCAL: ESCOLA PROFESSOR JAYME DE ALTAVILA

AVENIDA PRINCIPAL DA SANTA LÚCIA, PRÓXIMO AO POSTO DE GASOLINA

Lançamento da Coleção Capoeira Viva no Planetário da Gávea

Prezados amigos capoeiristas é com o maior orgulho que vamos realizar, no Rio de Janeiro, a primeira noite de autógrafos da Coleção Capoeira Viva, com o lançamento dos livros dos nossos parceiros Izabel e Bernardo. Acreditamos que seja a primeira coleção exclusivamente dedicada à capoeira e desejamos que tenha vida longa. Segue o convite, para quem está no Rio, e o release, para quem quiser saber um pouco mais. Os livros estão à venda nas livrarias, mas o legal é reunir a galera na roda. Esperamos vocês. Abraços, Raquel Silva

Coleção Capoeira Viva

  • Volume 1 – A Capoeira no Rio de Janeiro 1890 – 1950 – Izabel Ferreira
  • Volume 2 – A Arte da Negociação: a Capoeira como Navegação Social – Bernardo Conde

Exatos cinco meses depois de ter sido oficialmente declarada patrimônio cultural brasileiro, chegam às livrarias os volumes de estréia da Coleção Capoeira Viva, a primeira exclusivamente dedicada à publicação de livros sobre capoeira.

Marcada pelo estigma da marginalidade por mais de um século, a capoeira sempre foi tema de investigação nos círculos acadêmicos brasileiros e internacionais, especialmente no Rio e em Salvador, cidades que disputam sua maternidade. Entretanto, muito pouco disso chegou ao grande público.

A Coleção Capoeira Viva é composta por uma série de livros histórico-etnográficos adaptados de teses e dissertações acadêmicas. Foi criada com o intuito de tirar das prateleiras das bibliotecas da academia textos resultantes de relevantes pesquisas sobre o tema e dar acesso a importantes estudos que, ao abordarem a capoeira, suscitam questões que remontam aos primórdios da gênese da cultura brasileira.

“Jogo, luta, cultura, dança, esporte, brincadeira, instrumento de socialização… Muito se fala da capoeira, mas pouco se compreende. A Coleção Capoeira Viva tem a intenção de quebrar paradigmas e trazer a público a riqueza e as nuances desta manisfestação cultural, tão próxima de seus praticantes e admiradores e tão distante da maior parte da sociedade brasileira”, declara a jornalista Raquel Silva, diretora da coleção.

Coleção Capoeira VivaO primeiro volume, A capoeira no Rio de Janeiro 1890 – 1950, de Izabel Ferreira, aborda um período, entre o fim da República e meados do século XX, no qual a memória da capoeira carioca foi gradativamente apagada. Segundo a autora, isso se deve fundamentalmente ao fato de que com a implantação da República e o projeto de nação brasileira, a capoeira escrava lembrava a vergonha que foi o modelo escravagista praticado no país até então. A partir do início da década de 1940 a capoeira começou a se revestir com uma imagem mais adequada ao idéário nacionalista da época, ou seja, como arte genuinamente brasileira ou como luta nacional.

“Acredito que a análise da capoeira praticada no Rio de Janeiro neste período será útil à compreensão da capoeira que se faz contemporaneamente. Trata-se de entender a cosmologia construída ao longo das últimas décadas, incorporada ao imaginário dos capoeiristas, e que, nos dias atuais, se descortina em uma multiplicidade de discursos, de práticas e em uma rede de difusão que cobre quase todo o planeta”, declara a autora Izabel Ferreira, mestre em Ciências Sociais e especialista em Sociologia Urbana.

Coleção Capoeira VivaNo livro 2, A arte da negociação – A Capoeira como Navegação Social, o autor, Bernardo Conde, a partir de sua própria experiência, se debruça sobre a formação da identidade do capoeirista. Com uma cuidadosa análise que inclui o universo cultural que circunda a capoeira – samba, samba-de-roda, maculelê, candombé, malícia, mandinga etc. – o autor traça o panorama de um mundo à parte, cuja porta de entrada é a prática de um jogo em que não há nenhuma regra fixa e o oponente não é adversário e sim companheiro. Uma viagem fascinante, em que o leitor haole1, é conduzido por um local e, depois de uma breve passagem por concepções históricas da capoeira é apresentado a um universo muito particular, que vai se constituindo desde a dinâmica de iniciação de um discípulo até a incorporação do ethos da capoeira, que indica um modo de agir e pensar no qual o jogo da capoeira é transportado para a vida.

“Procurei, por intemédio da observação participativa e da depuração de fatos e situações vividas ao longo de minha trajetária, (re) interpretar comportamentos e ações que apontam para este possível ethos da capoeira. Num segundo momento tento estabelecer como o saber do jogo é acionado em diversos espaços sociais e como o cotidiano é traduzido pela ótica da roda de capoeira”, adianta Bernado Conde, professor universitário e doutorando em Ciências Sociais.

Sobre os autores:

Izabel Ferreira é cientista social, pós-graduada em Sociologia Urbana e Mestre em Antropologia Visual pelo PPCIS-UERJ. Professora de Sociologia da Universidade Gama Filho, entre 2000 e 2001. Desde 1998 realiza pesquisas históricas e iconográficas para exposições de arte, entre elas: “Flávio de Carvalho – 100 anos de um revolucionário romântico”; “Ismael Nery – a poética de um mito”; “Pancetti – o Marinheiro Só”; “No Tempo dos Modernistas – D. Olivia Penteado, a senhora das artes”; “Traço Humor & Cia”; “O Preço da Sedução – do espartilho ao silicone”; “Mary Vieira – o tempo do movimento”; “Homo Ludens – do faz de conta à vertigem”; “O Olhar Modernista de JK”, “O’Brasil – da terra encantada à aldeia global”, “Di Cavalcanti – um perfeito carioca”, Nippon, Galeria de Valores, entre outras.

Bernardo Velloso Conde é doutorando em Ciência Sociais pela UERJ, professor do departamento de Sociologia da PUC-RJ e professor de Antropologia Cultural na Univercidade. Desde 1982, quando ingressou no universo da capoeira, vem produzindo trabalhos que resultaram na publicação de diversos artigos sobre o tema. Atualmente pesquisa sobre a difusão da capoeira na Europa.

Raquel Martins Silva é jornalista, Mestre em Bens Culturais e Projetos Sociais pelo CPDOC/FGV. Trabalha, desde 1979, como produtora cultural. Atua em diversas áreas da comunicação, particularmente assessoria de imprensa, edição e produção de livros de arte e fotografia. Foi responsável pela coordenação editorial do livro Ismael Nery, que em 2005 recebeu o Prêmio ExcelênciaGráfica Werner Klatt. Escreveu o Guia da Copa França 1998. É coordenadora da Coleção Capoeira Viva, patrocinada pelo Minc, que publica ensaios acadêmicos sobre o tema. Uma das criadoras do Fundo Ângela Borba de Recursos para Mulheres, é verbete do livro Mulheres Negras do Brasil, que lista as mulheres negras que se destacaram em suas áreas ao longo da historiografia brasileira.

1 As expressões haole e local são gírias, oriundas do surf, que significam respectivamente pessoas de fora de uma sociedade específica e membros de uma sociedade.

Capoeiras na Bahia e no Rio do século 19 são tema de encontro

Uma das manifestações mais vigorosas da cultura popular do Rio de Janeiro do final do século XIX, a capoeira será o tema da aula inaugural, nesta terça-feira (2), do curso Conversando com sua História, promovido pela Fundação Pedro Calmon/Secult, às 17h, no auditório do Palácio Rio Branco. Na ocasião, o professor Carlos Eugênio Líbano dará destaque às ocorrências policiais envolvendo a prática da capoeira na província do Rio.

“A tradição da capoeira na Bahia já é um lugar comum nos estudos de cultura no Brasil. Mas estudos sobre a capoeira baiana do século XIX ainda são inexistentes, muito menos versando sobre capoeiristas baianos no Rio de Janeiro deste tempo”, destaca o palestrante.

Atualmente professor adjunto da Ufba, Carlos Eugênio tem doutorado em História Social do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas e experiência na área de História da escravidão africana no Brasil, com ênfase em História urbana.

Fonte: AGECOM

Carnaval 2008: Bloco da Capoeira leva diversidade cultural para a avenida

O MESTRE TONHO MATÉRIA NO COMANDO DO BLOCO DA CAPOEIRA LEVA DIVERSIDADE CULTURAL PARA A AVENIDA

Bloco temático com participação da comunidade abriu o desfile de 2008

“Dança da malandragem, com muitos rituais. Brincadeira de movimentos com malícia. Na dança negra de pés no chão a agilidade da esquiva e a esperteza da fuga. E de repente, ante os olhos surpresos do adversário, o gesto rápido. O ataque fulminante. Então, prostrado, o inimigo se dá conta de que foi vítima da mandinga”. Isto é o que chamamos de capoeira, essa luta de resistência criada no recôncavo baiano pelos negros Bantos de Angola e que foi perseguida por muito e muito anos e hoje é tratada como patrimônio imaterial do Brasil e porque não dizer da Bahia. A capoeira foi proibida pela república e essa mesma república em uma outra estância lhe transforma em diversos pontos de cultura espalhados no país. Hoje, universidades, empresas particulares, academias, Industrias, canais de comunicação, etc. Vêem a capoeira como elemento de transformação social.

Duas semanas antes do carnaval, na cidade de Salvador, só se ouviam os burburinhos em todos os cantos, eram os amantes e praticantes de capoeira de varias partes do planeta que esperavam ansiosos para ver e participar do desfile do Bloco Afro Mangangá Capoeira, que saiu com o tema Capoeira e suas Culturas Aparentadas, sugerido pelo ex-superintendente do Forte da Capoeira Dr. Leal.

Para contar essa história e tantas outras, o Bloco Afro Mangangá Capoeira pilotado por Tonho Matéria, que vestido com um figurino nas cores azul e prata simbolizando Ogum criado pela figurinista Diana Moreira, apresentou uma diversidade cultural na avenida e contou com diversas alas. Com a parceria de grandes amigos como Negra Jhô que trouxe as alas das baianas com uma big fantasia com papel de café, orixás e dança afro com pinturas no corpo que foi coreografado por Liu Arrison (Ator do Filme Ó Pai Ó) e supervisionado pelo mestre de capoeira e dançarino Flecha, além do Dançarino e Coreógrafo Monza Calabar que touxe da Argentina uma saia de Iemanjá de 14 metros de diâmetro onde a rainha das águas salgadas representada pela coreógrafa e dançarina Marcela de Souza, deu a luz a todos os orixás na passarela.

A atriz Sue Ribeiro coordenou uma ala com terno de reis e folguedos nordestinos como maracatu, a burrinha, frevo e bumba meu boi que derão uma diversidade e um colorido maravilhoso ao bloco e ao desfile. Mestre Pelé do Tonel com sua indumentária luxuosíssima e com tanta exuberância, provou que a sua energia não tem limites quando se fala em malabarismo com seu tonel. A Companhia de Dança e Ritmos da Bahia do mestre João de Barro também brilhou ao levar uma ala de capoeira show.

Maculelê, puxada de rede, bonecos gigantes, além dos Ogans Paulo Tré, Tatá e Alex, do terreiro Ilê Axé Odê Tolá, do Samba de Chula do contra mestre Boca e das orquestras de berimbaus do Grupo de Capoeira Abolição sobre a regência do contramestre Bobô e do Pólo de Capoeira do Município de Lauro de Freitas sobre a regência dos mestres Saci, Regi, Boca e Coveiro com 200 pessoas tocando berimbau e uma banda percussiva com 70 homens ao comando do maestro Bira Jackson que veio vestido com um figurino simbolizando Exu, também criado por Diana Moreira. O Trio elétrico decorado por André Cunha foi coberto de palhas de mareô, ferramentas de Ogum, TVs de Plasma, laser e um canhão de chuva de confete na cor de prata.

O bloco desfilou na quinta-feira, às 20h, no Circuito Campo Grande, fazendo uma homenagem ao lendário Besouro Mangangá, ou Manoel Henrique Pereira, soldado do Exército nascido no século XIX, em Santo Amaro da Purificação, e capoeirista conhecido que, segundo a lenda, tinha poderes sobrenaturais. Na passagem do bloco no corredor da folia, o Governador da Bahia Jaques Wagner, o Secretário da Cultura Marcio Meirelles, o Secretário do Turismo Domingos Leonelli, o Coordenador do Turismo Étnico Billy Arquimimo, a Vereadora Olívia Santana, o Subsecretário para Assuntos de Descentralização Regional Ailton Ferreira, a Coordenadora de Articulação Institucional Ubiraci Matildes, a Prefeita de Lauro de Freitas Moema Gramacho, o empresário Mario Nelson e Edson da União. Todos, acompanhados do Rei Momo Clarindo Silva e da musa do carnaval não resistiram e caíram na folia. No dia 2 de fevereiro no carnaval para Iemanjá, o bloco promoveu um belíssimo arrastão junto com Carlinhos Brown e o Cortejo Afro e na quarta-feira de cinzas mais de 2 mil capoeiristas acompanharam o Arrastão da Timbalada.

O sonho de colocar a Capoeira aconteceu quando em 2002 o Carnaval homenageava as raízes e heranças africanas. Daí então o publicitário, cantor, compositor e mestre de capoeira Tonho Matéria começou a falar da capoeira como tema do Carnaval, o que só se concretizou depois de seis anos de tentativas. "Contei com a parceria do jornalista e produtor cultural Badá, do nosso Rei Momo Clarindo Silva e do ilustríssimo mestre Boa Gente, que não só ajudou pra que a capoeira fosse o tema do carnaval, como criou uma ala de dança afro para o bloco com seus alunos do Vale das Pedrinhas e com diversos estrangeiros dos países Argentina, Holanda, Canadá, Estados Unidos, Angola, Moçambique, Portugal, Itália e Espanha. A escolha do tema também contou com a parceria de vários capoeiristas que votaram pela Internet" revelou Matéria, que idealizou um megadesfile.

O Bloco da Capoeira não foi comercializado. "Os capoeiristas usaram suas próprias roupas e cada ala desenvolveu suas indumentárias", explica Matéria. "Cada Mestre ficou responsável por inscrever sua associação, que podia vir com quantos alunos quisesse", complementou.

Diversos grupos e associações de capoeira compareceram ao desfile do bloco como parceiros, são eles: Mangangá, Abolição, Topázio, Jalará, Kilombolas, Raízes da Bahia, Centro Cultural de Capoeira Angola Bonfim, Zumbi, Associação de Capoeira Mestre Bimba, Stela Mares, Esquiva, Associação de Capoeira Cobra Can, Bahia Capoeira, Alegria do Mestre Canjiquinha, Grupo de Capoeira Expressão Corporal, Filhos de Oxossi Guerreiro, Academia Regional de Itinga, Unicar, Capoeira Guerreiros, Iúna, Palmares, Kirubê, Educarte, Vadiação, Maré, Calabar, Associação de Capoeira Mestre Boa Gente, Sete Quedas, Engenho, Camugerê, Raça, Ginga Nativa Capoeira, Mundo Capoeira, Vivendo e Aprendendo, Liberdade do Negro, Barro Vermelho, Corpo e Movimento, Porto da Barra, Guerreiros da Bahia, Solares, Associação de Capoeira Pai e Filho, Pé Pro Ar, Nação Capoeira, Filhos de Oxalá, Mandela, Ganga Zumba, Centro de Cultura da Capoeira Tradicional Bahiana (Mestre Bola Sete), Grupo Cultural de Capoeira Angola Moçambique (Neco) e mestre Flecha. Além das participações especiais dos artistas Lucas Di Fiori (Olodum), Dado Brazawilly (Ex- Ara Ketu), Paulinho Feijão (Ex- Ilê Aiyê), Gal Borges (Ex- Afreketê), da Ialorixá Edenice Sant`Ana e dos mestres de capoeira Máximo, Marcos Gytauna, Nego Gato, Já Morreu, Pelé da Bomba, Boa Gente, Angola, Pele do Tonel, Zambi, Dinho, Jones, Atabaque, Rizadinha, Grandão, Raymundo Kilombolas, Dedé, Daltro, Coentro, King Kong, Lazaro, China e muito outros.

O Bloco contou com o apoio cultural do Governo do Estado da Bahia, Secretaria de Cultura e Secretaria do Turismo, Bahiatursa, Ministério do Turismo, Prefeitura Municipal de Salvador, Emtursa, Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas, Pólo de Capoeira de Lauro de Freitas, Instituto Sol e Sol Embalagem, Guia Salvador Eventos, Revista Carnafolia, Jornal O Capoeira, Forte da Capoeira, Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Edson da União, Olívia Santana, Bahia Gás, Zoom Imagens, Maria Comunicação, União da Capoeira de Itapoã e Federação de Capoeira da Bahia (Fecaba).

Contatos: 71- 81269333 – 32569806 site http://www.capoeiramanganga.com.br

tmmanganga@hotmail.com tonhomateria@hotmail.com

Bahia: Carnaval 2008 – Homenagem à capoeira toma uma rasteira

 

Homenagem à capoeira toma uma rasteira
(Especial Carnaval 2008 – Correio da Bahia)

Foram raras as manifestações que seguiram o tema ‘Capoeira e suas culturas aparentadas’, o que gerou reclamações de mestres, praticantes e especialistas

Desde a repressão no período colonial e a marginalização a partir do ano de 1890, quando foi considerada crime, a capoeira sempre se esquivou das dificuldades, graças à mandinga dos seus praticantes, como aconteceu este ano, quando foi eleita como tema do Carnaval. Mas escolhida para representar a folia momesca através de uma votação popular, a mistura de luta e dança não teve espaço e nem apoio dos poderes públicos durante a festa, criticaram mestres, alunos e especialistas. Para muitos adeptos, a arte criada pelos escravos brasileiros acabou sendo novamente excluída.

Com o tema Capoeira e suas culturas aparentadas, os governos municipal e estadual pretendiam homenagear a luta durante o período do Carnaval. Mas mestres, praticantes e especialistas reclamaram que a presença da capoeira na festa foi ínfima. A participação se restringiu apenas ao desfile do Bloco da Capoeira, o Mangangá, que recebeu patrocínio de cerca de R$50 mil dos poderes públicos, enquanto a decoração com o tema foi limitada apenas ao Pelourinho.

A falta de decoração com símbolos e ícones da capoeira nos outros circuitos do Carnaval, a pequena quantidade de apresentações durante a festa e o descaso com os mestres mais importantes, que não receberam qualquer tipo de homenagem, são as principais reclamações contra os poderes públicos. Segundo o cantor, compositor e também mestre de capoeira Tonho Matéria, único que recebeu apoio do governo e da prefeitura, a maioria dos mestres está revoltada com o tratamento dado à capoeira pela organização da folia.

Matéria disse que os capoeiristas esperavam homenagens aos mestres considerados mais relevantes, com fotos deles espalhados pelos circuitos, além de cartazes com informações sobre a história da capoeira e sua importância cultural. Mas quem foi à festa momesca, não viu sequer cartazes com desenhos de berimbau, nem no circuito Osmar (Campo Grande), nem no Dodô (Barra-Ondina), onde a decoração era responsabilidade da prefeitura. A exceção ficou por conta do Pelourinho, que foi ornamentado com fotos e temas da capoeira através do Pelourinho Cultural, ligado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult).
A Empresa de Turismo de Salvador (Emtursa) alegou falta de recursos e de tempo hábil para executar o projeto de decoração.

Reginaldo Santos, presidente do Conselho do Carnaval, admitiu que o órgão não teve capacidade de pagar R$1,5 milhão para decorar da cidade, no orçamento feito pela Associação de Artistas Plásticos da Bahia. Já o presidente da Emtursa, Misael Tavares, alegou que não houve tempo de realizar uma seleção pública para escolha de um projeto e nem possibilidade de fazer uma dotação orçamentária.

 

 

Descaso com os mestres

Capoeiristas classificaram como um descaso com a cultura baiana o tratamento dado pela prefeitura à capoeira. Vivaldo Conceição, batizado como mestre Boa Gente, considerou um desrespeito à cultura negra, a pequena participação e pouca divulgação do tema durante o Carnaval. “Só porque o prefeito é evangélico, ele é contra a negritude do povo dessa cidade, isso é muito triste”, desabafou. Ele reclamou também sobre a falta de homenagem para os mestres mais representativos como João Pequeno de Pastinha, Curió, Boca Rica, Decânio, Pelé da Bomba e outros.

“Nós não queríamos dinheiro, queríamos reconhecimento, além de palcos para a gente se apresentar, divulgando a capoeira”, explicou Boa Gente. Ele acrescentou que alguns grupos de bairro pediram transporte ou ajuda de custo para chegar até locais onde se apresentariam, mas não foram atendidos. Vivaldo contou que até o carro para levar o mestre João Pequeno para receber uma homenagem num hotel da cidade foi negado.

“João Pequeno abriu mão do cachê, mas quando pediu transporte para ele e mais dois acompanhantes, disseram que não tinham, isso é um absurdo, ele tem 90 anos e é um dos mestres vivos mais importantes para a capoeira”, comentou Boa Gente. Para ele, os cantores de bloco e a imprensa também são culpados. “Você não vê ninguém sequer falando sobre o tema do Carnaval, nem cantores, nem os jornalistas. Durval Lelys veio vestido de caubói, Xanddy de comandante, mas ninguém sequer usou as roupas tradicionais da capoeira, que é da nossa cultura”, reclamou.

Alguns blocos afros tiveram capoeiristas se apresentando, além do Bloco da Cidade, organizado pelo Secretaria Estadual de Cultura, que teve uma roda durante seu desfile. A mistura de jogo e dança também apareceu em manifestações populares espontâneas, como na Mudança do Garcia, na segunda-feira e nas ruas situadas à margem dos circuitos oficiais. Na opinião do praticante e estudante de sociologia Eduardo Castro, a capoeira acabou sendo novamente “guetificada”, mas como nasceu no gueto, se reencontrou com sua essência, conseguindo se “levantar da rasteira” e dar a volta por cima.

Funcionários celebram Jorge Amado

Homenageando o escritor baiano Jorge Amado, o Bloco da Cidade, organizado pela Secretaria Estadual de Turismo (Setur), desfilou do Campo Grande até a Praça Municipal, puxado pela cantora Margareth Menezes, no domingo à noite. Cerca de dois mil funcionários públicos e alguns seletos convidados da Setur saíram fantasiados de personagens da obra jorge-amadiana como Gabriela, Tieta, Vadinho, Dona Flor e outros. Teve até um carro alegórico representando o bordel Bataclam, com bailarinos do Teatro Castro Alves vestidos de coronéis do cacau e dançarinas de cancan, freqüentadores do prostíbulo ilheense na vida real, transformado em ficção pelo autor.

O Bloco da Cidade contou também com alas de pierrôs, baianas e uma roda de capoeira. Teve ainda uma participação especial do cantor e compositor Mateus Aleluia, ex-integrante do grupo vocal Os Ticoãs, que se notabilizou na década de 60, como o primeiro conjunto a tocar e gravar músicas de candomblé para o grande público.

Margareth Menezes já entrou no palco oficial, por volta das 21h, fazendo um dueto com o cantor Mateus Aleluia, interpretando a música Cordeiro de Nanã, do grupo Os Ticoãs. Em seguida, a cantora fez uma pausa para reverenciar o colega de profissão e ressaltar a importância de homenagear Jorge Amado e executou a canção A luz de Tieta, de autoria de Caetano Veloso e tema do filme de Cacá Diegues, baseado na obra do escritor.

A ala dos Pierrôs de Plataforma abriu o desfile com brincadeiras de rodas, seguidos por um grupo de cerca de 50 baianas, enfeitadas com seus torsos brancos de renda e girando as saias rodadas coloridas. A baiana Sandra Maria de Jesus, que disse ter sido convidada através da Associação das Baianas de Acarajé (ABA), para participar junto com outras colegas do subúrbio ferroviário, destacou a importância da presença das baianas no desfile de Carnaval como forma de preservação da nossa cultura. “Aqui têem baiana de acarajé, de receptivo e de axé” (candomblé), explicou.

Logo atrás uma roda de capoeira trazia ginga e o toque do berimbau para o desfile. Em seguida, veio uma ala de pessoas vestidas com camisetas que traziam a frase “Amigos de Jorge” estampada no peito, mas com poucos ou nenhum amigo do escritor presente, apenas figurantes portando sombrinhas de frevo.

Em cima do trio elétrico, o cantor baiano Edu Casanova e o forrozeiro Targino Gondim acompanhavam o desfile como convidados de Margareth. O secretário de turismo, Domingos Leonelli, e sua colega de partido, a deputada Lídice da Mata, também estavam presentes. Leonelli lamentou a ausência de parentes de Jorge Amado, mas justificou dizendo que a presença não foi possível em função do horário do desfile do bloco, porque familiares do escritor tiveram que embarcar, mais cedo, num vôo para o Rio de Janeiro.

A voz do folião

ALEX SANTOS, 28, CABELEIREIRO – “Eu acho sim. Passei três dias no circuito Barra-Ondina, dois no bloco e um na pipoca, e aquilo lá está muito cheio. É preciso encontrar um novo
espaço para comportar
esse número de pessoas”.
Alex Santos
28, cabeleireiro

Confetes

O PRAIEIROS em Casa, o camarote do Jammil, reuniu muita gente bonita. O espaço ambientado funcionou de sexta a domingo, embora na quinta-feira tenha aberto as portas para o baile infantil. Apenas uma coisa precisa mudar no camarote restrito para convidados, cujos R$100 da adesão são revertidos para o Projeto Axé: a alimentação. Os salgados e os picolés não saciavam a fome dos presentes, após farta bebida, e os sanduíches eram distribuídos em intervalos de uma hora e meia. Logo, a longa fila se formava e sobravam reclamações.

COMO MUITOS dos patrocinadores dos blocos não coincidem com os da organização do Carnaval, a briga para patrocinar os artistas e espaços mais expostos na mídia foi forte. Bancos, empresas de telefonia e companhias de bebidas lutaram forte para seduzir clientes de peso. Os provedores de internet e as montadoras de veículos também estiveram envolvidas em algumas disputas.

A GERÊNCIA de Táxi da Superintendência de Transporte Público (STP) criou uma tabela de preços para tentar diminuir as queixas sobre valores das corridas serem fixados arbitrariamente por alguns taxistas, sem levar em conta o taxímetro. Se a medida causou rejeição quando oficializada, era evidente a pequena chance de vingar no Carnaval. Pois os taxistas ignoraram solenemente a tabela e tudo funcionou como antes. Com o passageiro reclamando e o preço sendo resolvido cara a cara. A falta de fiscalização adequada dá nisto.

DESDE o domingo de Carnaval, a manutenção dos banheiros químicos deixou a desejar nos circuitos Dodô e Osmar. Além do mau cheiro, em alguns locais o aspecto de sujeira denunciava que, provavelmente, não estaria existindo a limpeza adequada. Teve muito folião que preferiu pagar R$1 e usar o sanitário dos bares próximos aos corredores da folia.

NO EMBALO do sucesso do filme Tropa de elite, o humorista Tom Cavalcanti lançou a paródia Bofes de Elite, quadro do programa que comanda na televisão. Pois, na madrugada de domingo, entre o Camarote de Daniela Mercury e o Praieiros em Casa, o camarote do Jammil, um grupo de jovens malhados trajava a roupa preta com detalhes em rosa do “esquadrão”. Os bofes fizeram sucesso absoluto e acabaram fuzilados por olhares. Muitas mulheres não resistem a alguns homens fardados, como tampouco alguns homossexuais.