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O que é mesmo a capoeira?

Jogo… Dança…. Luta….

É do senso comum dos capoeiristas pensar na Capoeira como uma prática polissémica que é simultaneamente um jogo, uma dança e uma luta. Se perguntarmos a um mestre mais experiente bem como a um novo praticante ambos podem sentir algum desconforto em classificar a capoeira em um campo estrito e preciso. Não sabemos conceituar o que somos ou no que nos tornamos mas sabemos o que não queremos ser. É essa forma enigmática do “decifra-me ou devoro-te” que torna certamente a capoeira uma arte instigante e curiosa.

Há uma certeza entretanto que nos acalenta e que também é do consenso geral dos praticantes, é de que a capoeira é uma arte. Sendo uma arte, concebemo-la como algo do campo da criatividade, da reinvenção e do imaginário. Convém deixar claro que se por um lado a polissemia da capoeira é algo delicioso é também angustiante e pouco didático. Sempre que tencionamos explicar a alguém, não capoeirista, o que ela é, caímos em explicações vagas que ela é uma dança em que se luta, um jogo em que se dança e por ai seguem as combinações. Para além disso o jogo do “ ser ou não ser “ deixa alguma angústia, afinal a pergunta fica sempre por responder. Sou daqueles que acredita que é bom ter certezas no que toca as nossas identidades, mesmo que sejam invenções confortantes.

Para mim há poucas dúvidas de que a capoeira, sendo uma arte, é uma arte marcial. Isso não exclui as suas peculiaridades e ligações mais intrínsecas ao campo da cultura, afro-brasileira em particular, nem tão pouco a restringe a parâmetros mais limitados que possamos conceber as artes marciais em geral, em particular as de origem oriental. Alguns pensam-na como uma filosofia, a da malandragem, como concebe o Mestre Nestor capoeira.

Foi exatamente o Mestre Nestor, cujos livros ainda fazem a cabeça de muitos praticantes no mundo, que primeiro lançou o lema: “No oriente existe o Zen, a Europa desenvolveu a psicanálise, no Brasil temos o jogo da capoeira”. Ora, quando falamos do Zen ou da psicanálise, falamos respetivamente de práticas de meditação, religião e ciência que permitem discernir a natureza humana, trata-la, fazê-la evoluir para níveis mentais mais elevados. Será que podemos enquadrar a capoeira nessa perspetiva atualmente? Ao compreende-la como uma arte marcial podemos conceber que ela pode cumprir esse papel emancipador do ser humano? No íntimo eu tenho as minhas dúvidas, mais por mero capricho prefiro acreditar que sim.

É possível aplicar a capoeira um conjunto de questões fundamentais que circundam também a existência humana, a vida. De onde vem a capoeira? Como ela se formou e o que ela se tornará? Não sabemos responder com total segurança a essas questões, tudo que se diga poderá ser mera especulação, ainda que tenha o crive acadêmico. Mas podemos acalentar algumas certezas a de que ela tem dado contributos importantes para as questões sociais e culturais das sociedades onde ela faz se presente.

Perguntei certa vez a um amigo estudioso do assunto qual era para ele, e até onde o seu conhecimento poderia alcançar, a origem da capoeira. Ele me respondeu que no seu entendimento não era uma questão histórica, que se podia provar por papéis a documentos acadêmicos, isso pouco interessava. Na verdade era uma questão ideológica, pois se dissermos que ela é afro-brasileira, por exemplo, estamos afirmando o papel do negro na sociedade brasileira e conferindo-lhe um certo grau de cidadania. Ou seja é enfim um posicionamento político.

De volta a frase do Mestre Nestor penso que caberá nas nossas reflexões sobre a capoeira questões mais profundas que, certamente os menos reflexivos sentirão dificuldades em compreender e acharão banais, pois a capoeira afinal joga-se apenas na roda e não carecerá de introspeção alguma. A capoeira ultrapassou limites inimagináveis, fronteiras geográficas, territórios culturais, limitações de gênero, classe, idade, enfim todas as contingências possíveis. Tudo isso por força de sua capacidade intrínseca de adaptar-se as mais hostis circunstâncias. No fundo, para quem as pratica sobretudo, ela diz muito sobre as nossas frágeis existências humanas e nos novos tempos globais que vivemos torna-se plena de significados.

Nesse novo encantamento do mundo inúmeras práticas ganham sentido, profanas e sagradas. O indivíduo ou os indivíduos buscam novas significações para as suas existências, novas formas de existir e ser para além das que habitualmente nos são concedidas a nascença. Somos brasileiros, espanhóis ou alemães por que nascemos em um determinado país que nos concedeu a cidadania, somos homens ou mulheres por que nossos órgãos genitais indicam um determinado género, somo brancos ou negros por que nossa pigmentação da pele assim o indica. Apesar desses traços indeléveis poucos somos tal como “naturalmente “ nos é concebido, mais ainda, somos o que nós construímos em nossas biografias. No jogo do “ser ou não ser “ a capoeira acaba por ter um papel determinante nos tempos pós-modernos e líquidos em que construímos a nossa maneira as nossas próprias identidades.

O Legado de Mestre Noronha

Muito sobre as memórias dos tempos dos valentões e dos grandes capoeiristas do início do século XX, chegou até nós graças a um costume que o Mestre Noronha (Daniel Coutinho por batismo) tinha, de anotar nomes, datas, locais e “causos” envolvendo os personagens envolvidos com a capoeiragem da Bahia. O “A.B.C. da Capoeira Angola” foi um livro organizado pelo nosso grande pesquisador da capoeira – Frede Abreu, a partir dos manuscritos deixados por Noronha, e se tornou um grande legado para todos aqueles que pretendem saber mais sobre esta arte-luta, e de tudo aquilo que estava ao seu entorno. Capoeira e seus personagens, a política e seus políticos, festas populares, economia, repressão policial, história do Brasil, são alguns assuntos abordados por este grande mestre da capoeira em seus manuscritos, que posteriormente à sua morte, Frede Abreu transformou em livro, como forma de perpetuar essa memória.

Noronha teve o privilegio de vivenciar os momentos áureos da capoeira baiana do início do século XX. E nos deixou relatos belíssimos desses tempos. Desde a perseguição dos capoeiras, devido à política vigente na época, até a sua visão de decadência dessa arte, norteada pela imagem das academias formadoras de capoeiras.

As elites queriam transformar a cidade de Salvador, em uma cidade de características européias. Em outras palavras, limpar ou erradicar, se necessário, das ruas, as tradições de origem negra, favorecendo a manutenção da ordem pública. visando atender as exigências da classe mais abastada. Nesse contexto social, de conflitos e de discriminação em relação às manifestações afro-brasileiras, é que vai se formando o menino Daniel Coutinho, no local que fazia parte do mapa central da criminalidade, da vadiação, da desordem e também do trabalho em Salvador.

Noronha sempre defendia que a “…capoeira viera da África, trazida pelos africanos, porém não era educada…”, tendo adquirido esta característica aqui no Brasil. Vivenciou ainda menino, por volta dos 8 anos de idade, a difícil arte da capoeira com um negro descendente de Angola, o velho Candido Pequeno. Tinha uma imensa admiração por este capoeira.

Em seus manuscritos, narra diversos casos envolvendo enfrentamentos com a polícia e com outros valentões, citando locais e nomes dos mais famosos capoeiras da época, envolvidos nesses conflitos, assim como ele próprio, respeitado e temido no universo dos “desordeiros”.

Noronha observava que antes de freqüentar qualquer roda, era preciso ter a consciência de que “…não era coisa de brincadeira, havia muita mardade neste meio…”. Não dispensava patuás, que servia para evitar os maus espíritos. Amuletos eram fundamentais. Sempre tinha uma oração, pedia graças ao divino Espírito Santo e aos Orixás. Sempre e sempre com o corpo fechado, não admitia chegar em roda despreparado. Falava sempre: “…a defesa para a nafé (navalha) a pessoa traz consigo mesmo. Sem ter arma, o capoeira tem sua defesa particular que admira o público…”.

Dizia que um bom aprendiz de capoeira angola, tem que obedecer às palavras do mestre, tem que aprender o jogo de dentro e o jogo pessoal para a sua defesa, sempre dando ênfase a tudo aquilo que “…desse vantagem para escapulir da polícia, pois ela não gostava do capoeira…”. Para ser mestre, dizia Noronha, “…tem que aprender toda a malícia que existe nesta malandragem…”.

Em seus manuscritos, Noronha descreve as famosas “festas de largo” de Salvador e a participação dos capoeiras nesses eventos. É justamente nesse contexto descrito por Noronha que surge e vai se estruturando o modelo de “roda de capoeira” tal qual conhecemos hoje, enquanto um ritual definido pela presença de instrumentos musicais e de certas “regras” que vão se transformando ao longo dos tempos. Antes disso a capoeira se expressava de outras maneiras, como as “maltas” no Rio de Janeiro. Mas o modelo de organização em forma de “roda de capoeira” que permanece até os dias de hoje e se espalhou pelo mundo todo, foi sendo estruturado nesses espaços e nesse período histórico, o qual Noronha nos relata com tanta riqueza de detalhes em seus manuscritos.

Noronha teve participação também no surgimento do primeiro Centro Esportivo de Capoeira Angola, na Ladeira da Pedra, no bairro da Liberdade, sendo Amorzinho, o próprio Daniel Coutinho, Totonho de Maré e Livino, entre outros, seus “…donos e proprietários…”. Porém, Noronha sempre registrou o grande esforço feito por Mestre Pastinha em manter e elevar o nome do centro, a partir de quando assume a direção do mesmo.

O mestre Noronha era um severo crítico dos capoeiras que não se dedicavam a conhecer melhor sua arte, que se diziam “grandes mestres” de capoeira e donos de academia. Dizia: “…eu mestre Noronha tenho todo o fundamento comigo porque me dediquei e aprendi toda a malandragem…”

 

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Rivalidade feminina nas rodas

Rivalidade e competitividade existem desde que o mundo é mundo e não é exclusividade feminina. Mas entre as mulheres a rivalidade normalmente é mais acirrada ou, pelo menos, mais perceptível.

Infelizmente é comum as mulheres se verem como oponentes ou inimigas uma das outras, e se posicionarem de tal modo como rivais que ganham a fama de fofoqueiras, invejosas e traiçoeiras.

Na capoeira não é diferente e, nas rodas, a rivalidade feminina também faz fama, causa desunião e, algumas vezes, acaba até em briga e puxões de cabelo.

Já me indignei com um campeonato onde o regulamento para as competições masculinas e femininas eram bem diferentes. Ao questionar, a explicação foi de que “as mulheres levam tudo para o lado pessoal”. Mesmo a contra-gosto, observando algumas mulheres nas rodas nos dias que se seguiram, fui obrigada a concordar.

Mas por que isso acontece?

Sem dúvida existe a herança dos tempos das cavernas, onde se destacar para conquistar um macho de qualidade era até mesmo questão de sobrevivência. Mas os tempos mudaram e, ao invés de largar a competição, ela foi levada para outras áreas da vida, como o trabalho, ou, no caso, as rodas.

É bom lembrar que, independente do sexo, querer se destacar, ser o melhor, faz parte da natureza humana e é até saudável pois estimula a superação.

O fundamental é reconhecer quando a rivalidade passa dos limites, pois assumir a vida como um jogo onde o outro é um adversário que precisa ser “vencido” costuma ser sintoma de imaturidade e baixa autoestima.

Nesta situação, o melhor remédio é reconhecer que todos têm seus pontos fracos e fortes e que, a melhor forma de evoluir, é através da ajuda mútua, e não da disputa.

E para quem foi eleita “a rival” de alguém, não há nada melhor do que um elogio sincero a algo que “a oponente” tenha de bom ou faça bem, pois conhecer as próprias qualidades é um ponto de partida para o resgate da autoestima e para o fim da necessidade de se auto promover passando por cima do outro.

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

O Trabalhador da Capoeira

Capoeira por muito tempo foi sinônimo de vagabundagem, desocupação, malandragem, mal vista pela sociedade e tida como ameaça à moral e aos bons costumes. O poder sempre viu a capoeira como perigosa inimiga, capaz de desestabilizar a ordem política e social. Daí os capoeiras serem chamados de “desordeiros” e “vadios”, dentre outros adjetivos não menos pejorativos.

Mas o tempo foi passando e a capoeira pouco a pouco foi ganhando mais respeito e espaço na sociedade, graças ao trabalho de tantos mestres e capoeiristas que se dedicaram de corpo e alma, lutando pelo reconhecimento dessa manifestação da cultura afro-brasileira, que hoje é tida como um importante instrumento de educação em todo o mundo.

Escolas e academias de capoeira espalham-se por toda parte e esse fenômeno social da contemporaneidade é responsável por uma atividade profissional que cresce a cada dia, gerando cada vez mais empregos e oportunidades de trabalho para um grande número de pessoas envolvidas direta ou indiretamente na prática da capoeira.

Há muito se luta no Congresso Nacional Brasileiro pelo reconhecimento da profissão de capoeirista. Muitos projetos já foram discutidos, inclusive um deles muito polêmico por sinal, oriundo do Conselho Federal de Educação Física, que previa que o mestre ou professor de capoeira deveria obrigatoriamente ser diplomado por um curso superior de Educação Física.

Mais um ataque sofrido pela capoeira e pelos saberes populares em geral, que de tempos em tempos são perseguidos pelos representantes do poder que insistem em enquadrar, controlar, fiscalizar, pressionar, enfim, desqualificar uma prática tradicional que possui outra lógica, outro sistema de valores, outras formas de transmissão dos saberes, muito diferente dessa lógica capitalista que tudo quer controlar e dominar.

Um mestre ou um professor de capoeira, principalmente nos tempos atuais, deve sim preocupar-se em estar constantemente reciclando seus conhecimentos e qualificando-se continuamente para poder melhorar suas aulas e, consequentemente, atender melhor a seus alunos. Ele deve possuir conhecimentos da história do Brasil, da escravidão e das lutas sociais. Deve ter noções de música e psicologia, e também saber orientar as atividades físicas no que diz respeito a não colocar seus alunos em risco.

Mas para isso ele não precisa, obrigatoriamente, fazer uma faculdade de educação física Esses conhecimentos podem muito bem ser garantidos através da criação de cursos específicos, de curta duração, voltados para esse público, financiados pelo governo, no sentido de garantir a mestres e professores de capoeira uma formação integral e continuada. Mas exigir o diploma de educação física para o profissional de capoeira, já passa por uma intenção no mínimo espúria, por parte do Conselho Federal da área, de se criar reserva de mercado entre os profissionais de educação física. Somos totalmente contrários a essa iniciativa !

A capoeira deixou de ser sinônimo de vagabundagem. O trabalhador da capoeira é hoje o mestre, contra-mestre, trenel ou professor responsável pelo processo de ensino aprendizagem dessa arte-luta, em escolas, academias, centros comunitários, clubes, condomínios, etc… Ele deve ter sua profissão reconhecida e devidamente registrada no Ministério do Trabalho, com direito a todos os benefícios sociais de qualquer outra atividade profissional no Brasil.  Sem falar na obrigatoriedade de uma aposentadoria especial para os velhos mestres, coisa que há muito tempo já deveria ter sido garantida. Portanto camaradas, vamos à luta !!!

 

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.

Cinema: Mestre chinês faz herói baiano voar

Besouro atravessa a tela, de uma extremidade a outra, voando. Parece um filme chinês de artes marciais, como O Tigre e o Dragão. Não é mera coincidência que o diretor João Daniel Tikhomiroff tenha importado para o Brasil o talento de Dee Dee, o especialista chinês que fez voar o elenco do filme de Ang Lee. Besouro tem a vocação assumida de ser o primeiro filme brasileiro de artes marciais, tratando a capoeira como tal.

João Daniel Tikhomiroff poderá receber críticas por isso, mas está preparado. Ele se preparou a vida inteira para fazer esse filme. Menino, ele via todo tipo de filme nas cabines da Universal, empresa norte-americana da qual seu pai foi um dos dirigentes no Brasil. Nos anos 1970, aos 19 anos, começou seu primeiro longa, que ficou inacabado. César Charlone, o diretor de fotografia de Fernando Meirelles e coautor do premiado O Banheiro do Papa, começou com ele. Desde então, João Paulo queria voltar ao cinema. Foi fazer publicidade, é um dos sócios da produtora Mixer. Muitos anos depois, ei-lo à frente de Besouro.

O roteiro do longa é de Patrícia Andrade (de 2 Filhos de Francisco), a música-tema foi composta por Gilberto Gil, o diretor de arte é Cláudio Amaral Peixoto, e o fotógrafo é o equatoriano Enrique Chediak, que a Variety, Bíblia do show biz, listou como um dos 10 mais do mundo. Todas essas colaborações foram valiosas para João Daniel, mas o filme é produto de uma parceria com a preparadora de elenco Fátima Toledo. Ailton Carmo, que faz Besouro, é um ator amador.

– A Fátima deixa o ator num estado de emoção à flor da pele que permite ao diretor ir fundo nessa emoção. As melhores cenas de Besouro valem-se desse emoção sem terem sido ensaiadas – diz o diretor.

Se você ainda não é um dos mais de 300 mil internautas que já viajaram no trailer, vá ao YouTube. Depois disso, você ficará contando os dias até a estreia de Besouro

 

Mais Informações

 

Mais Informações:

Depois do enorme sucesso de Mestre Bimba a Capoeira Iluminada (Luiz Fernando Goulart), agora é a vez de Manoel Henrique, Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro , um lendário capoeirista da região de Santo Amaro, Bahia aparecer na grande tela…

Os fãs de cinema em geral – e de capoeira em particular – podem começar a especular. Já caíram na internet, através do site You Tube, as primeiras imagens oficiais do filme “Besouro”, de João Daniel Tikhomiroff, cotado para ser a maior produção do cinema nacional em 2009 e uma das maiores de todos os tempos.

Trata-se da primeira peça promocional do filme – uma co-produção da Mixer, da Globo Filmes e da Buena Vista inspirada na vida de Besouro Mangangá, o maior capoeirista de todos os tempos. O vídeo, de dois minutos, revela um pouco da mirabolante coreografia de lutas do filme, em que os personagens literalmente voam em cena, sustentados por cabos, guindastes e outras técnicas inéditas no cinema brasileiro.

 

Besouro: Superprodução brasileira sobre capoeira para 2009

Depois do enorme sucesso de Mestre Bimba a Capoeira Iluminada (Luiz Fernando Goulart), agora é a vez de Manoel Henrique, Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro , um lendário capoeirista da região de Santo Amaro, Bahia aparecer na grande tela…

Os fãs de cinema em geral – e de capoeira em particular – podem começar a especular. Já caíram na internet, através do site You Tube, as primeiras imagens oficiais do filme “Besouro”, de João Daniel Tikhomiroff, cotado para ser a maior produção do cinema nacional em 2009 e uma das maiores de todos os tempos. Trata-se da primeira peça promocional do filme – uma co-produção da Mixer, da Globo Filmes e da Buena Vista inspirada na vida de Besouro Mangangá, o maior capoeirista de todos os tempos. O vídeo, de dois minutos, revela um pouco da mirabolante coreografia de lutas do filme, em que os personagens literalmente voam em cena, sustentados por cabos, guindastes e outras técnicas inéditas no cinema brasileiro.

 

Veja aqui o vídeo Oficial de Besouro, publicado no You Tube:
{youtube}W2QgxB5xw-k{/youtube}

Conheça o Blog do Besouro, com informações, fotos e vídeos em tempo real sobre a produção .

Produzida ainda durante os primeiros dias de filmagem, para ajudar no processo de captação de investidores estrangeiros, o vídeo promocional tem narração em inglês e mostra alguns dos principais personagens do filme em ação, em cenas ainda sem edição final e desprovidas de efeitos digitais.

Besouro” levará para o cinema uma adaptação livre das aventuras sobre o legendário capoeirista, que viveu na Bahia nos anos 20 e, antes de morrer num confronto com a polícia, aos 23 anos de idade, tornou-se uma espécie de símbolo da luta dos negros recém-libertos da escravidão contra a pobreza, o preconceito e a exploração de sua mão-de-obra nas fazendas da região.

Depois de contar em linhas gerais a sinopse do filme, o vídeo que foi parar no You Tube também faz uma pequena apresentação dos profissionais que integram a produção. Além de João Daniel – diretor brasileiro de publicidade recordista de premiações em Cannes, que faz sua estréia na direção de longas – Besouro conta ainda com o diretor de fotografia equatoriano Enrique Chediak, vencedor do prêmio de melhor fotografia em Sundance pelo filme “Hurricane Streets”, de Morgam J. Freeman, e com o coordenador de cenas de ação chinês Huen Chiu-Ku, responsável pelas lutas aéreas que encantaram audiências do mundo inteiro no filme O Tigre e o Dragão, de Ang Lee, e Kill Bill, de Quentin Tarantino.

Filmada em locações na Chapada Diamantina e no Recôncavo Baiano, a produção de Besouro contou com mais de 150 profissionais. Além das esperadas cenas de luta aérea, o filme conta também com tomadas subaquáticas, feitas nas águas cristalinas de cavernas submersas e poços da Chapada.

Besouro MangangáTodo o dia a dia da produção está sendo documentado pelo Blog do Besouro , que traz fotos, vídeos de bastidores e reportagens com o diretor, atores, técnicos e produtores.

Fonte: http://oglobo.globo.com/

Fotos:
Os atores Aílton Carmo e Sergio Laurentino, protagonistas do filme Besouro, de João Daniel Tikhomiroff / Foto de divulgação: Christian Cravo
Cena de ação em Besouro: Atores voam com auxílio de cabos e guindastes ocultos / Foto: Divulgação

CAPOEIRAS e CAPOEIRISTAS

Como meio de comunicação especializado, o Portal Capoeira tem publicado diversas notícias, artigos e matérias com uma dinâmica bastante interessamte. São em média mais de 10/12 artigos publicados semanalmente.
 
Todo este enorme leque de informações tem como pano de fundo a "nossa capoeiragem", seus personagens, causos, histórias e estórias, enfim um complexo emaranhado de temas e assuntos.
 
Foi com enorme prazer que recebemos uma carta de Marieta Borges Lins e Silva, Coordenadora do "Programa de Resgate Documental sobre Fernando de Noronha", na qual busca fazer um esclarecimento sobre a informação publicada na matéria "Fernando de Noronha: festa, Batizado & Trabalho Social", publicada no dia 28/08/07 e ainda de "quebra" nos brindou com a publicação de um trabalho sobre o assunto publicado no no Jornal da Capoeira (Miltinho Astronauta) e na Revista da Academia de Artes e Letras de Pernambuco.
 

Em anexo segue a carta e o trabalho de Marieta Borges Lins e Silva

Luciano Milani

Prezados senhores,

A respeito da matéria "Fernando de Noronha: festa, Batizado & Trabalho Social", publicado nesse Portal em 28/08/07, que registra o "SEGUNDO BATIZADO DE CAPOEIRA – FERNANDO DE NORONHA", ocorrido em 17/08/07, há uma afirmativa que: "a capoeira já existe a muitos anos no meio da comunidade, muitos dos capoeiras do Brasil da década dos anos 40 foram aqui aprisionado, a exemplo de Manduca da Praia, um dos capoeiristas mais temido da época", eu gostoria de informar que o envio de todos os capoeiristas do Brasil para o Arquipélago ocorreu em 1890, como 1º Ato da recém-instalada República no Brasil e, sobre o assunto, já publiquei artigos no Boletim de Capoeira, aos cuidados de Miltinho Astronauta, resgatando a verdade dos fatos.

Minha luta em favor do resgate da verdade dos fatos ocorridos em Fernando de Noronha tem três décadas de existência. Nesse tempo, procurei e identifiquei todos aqueles ligados à Capoeira, a partir do prof. Sérgio Luiz, de Guaruilhos/SP e de todos os que se dedicam ao tema, como André Lacé (RJ) e Leopoldo Vaz (MA).

Gostaria que a informação correta fosse divulgada. Ou seja, aquela que situa no final do século XIX a presença, na ilha, de todos os capoeiristas do Brasil, como medida disciplinar do governo republicano, que nomeou o Sr. Campaio Ferraz para "caçar" os capoeiristas todos e os embarcou em navios, rumo à prisão insular.

Para esclarecer o fato (que tenho divulgado sempre na ilha, junto aos três grupos de Capoeira hoje existentes, como fiz com todos os grupos que já existiram ali) envio, em anexo, o trabalho que fiz publicar no Boletim da Capoeira e na Revista da Academia de Artes e Letras de Pernambuco, em duas versões: o texto integral e o mesmo resumido.

Grata pela correção que venha a ser feita.

MARIETA BORGES LINS E SILVA
Coordenadora do "Programa de Resgate Documental sobre Fernando de Noronha"

 

 
 
CAPOEIRAS e CAPOEIRISTAS.
Marieta Borges Lins e Silva

Sempre se falou muito sobre a Capoeiras e Capoeiristas. Em diferentes tempos e por razões diversas aplicaram-se penas aos praticantes dessa modalidade de desempenho físico, olhando-a como luta, como contravenção, como origem de danças populares – o frevo, por exemplo – como arte e, finalmente, como prática desportiva.
Estudiosos debruçaram-se em jornais e livros, de muitos tempos, à cata de razões que explicassem o fascínio que a Capoeira exercia sobre os homens, sobretudo os jovens, levando-as a aprendê-la e exercitá-la mesmo quando isso ocorria na marginalidade.

 
Artigos, reportagens, charges, estudos acadêmicos registraram esse saber que ia sendo identificado, construindo a história dessa forma de destreza corporal, tanto nos seus aspectos lúdicos ou conflitantes, como na grande repressão que gerou, estimulando debates em muitos níveis, tendo o tema como centro das atenções.
 
O que se sabe sobre essa prática? Como essa forma de luta atravessou os tempos, resistindo, mesmo perseguida?
No tempo da Monarquia, quando a Capoeira era praticada principalmente entre escravos, o castigo para quem assim procedesse era de 300 chibatadas (em 1820) e prisão em calabouço e cem açoites (em 1825). Já se dizia então que “os capoeiras infernavam as ruas da cidade de um modo escandaloso”. Os incidentes se multiplicavam em cada década. Os castigos, também. Os jornais destacavam a participação de homens brancos livres (não cativos) dentre os “magotes de capoeiras” que promoviam arruaças pela cidade… A capoeiragem era comum para muitas pessoas, livres ou escravas e era praticada em festas tradicionais, com correrias e insultos que abalavam a tranqüilidade das ruas.

No século XIX, a prática continuava a parecer ser maior entre a população preta e pobre. Esses eram dois condicionantes importantes, para atribuir ao povo mais carente o gosto pela Capoeira e, nele, considerar que somente os de cor negra eram praticantes. A realidade não era bem essa… Muitos filhos de família abastada, brancos na cor, também se deixavam envolver pela magia da Capoeira e tornavam-se membros de grupos, muitas vezes no anonimato.

 
Nos primeiros tempos de República instalou-se no Brasil o mais organizado processo de perseguição policial à Capoeira, por considerarem que sua prática seria uma “arma” nas mãos das classes “perigosas”, Na época, as cidades passavam por uma “limpeza urbana” e, de forma ostensiva, olhavam com desconfiança para aqueles que “formavam rodas e, com berimbaus, pandeiros e reco-recos, vadiavam freneticamente no jogo da capoeira”. A meta do poder era “exterminar totalmente os vadios e turbulentos capoeiras”. Eles nem precisavam ser autuados em flagrantes…Em decorrência dessa odiosa perseguição o Código Penal de 1890, deu à Capoeiragem um tratamento específico no seu artigo 402, preconizando: “Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidos pela denominação capoeiragem será o autuado punido com dois a seis meses de prisão”. No rastro desse primeiro instrumento jurídico outros foram surgindo, com Decretos de efeitos complementares, que buscavam as maltas de capoeiras e lhes davam voz de prisão.
 
A República recém-proclamada foi contaminada pela má vontade em relação aos capoeiras. Em reuniões oficiais, o assunto foi incluído para discussão e adoção de medidas coercitivas. E em janeiro de 1890, menos de dois meses depois do 15 de novembro de 1889, e motivado pelas acirradas discussões dos que integravam o Conselho de Ministros do Governo Provisório Republicano, o Chefe de Polícia Sampaio Ferraz, com apoio do Ministro da Justiça, Campos Salles, foi designado para executar a missão de exterminar os capoeiras de todo o Brasil. E ele – temendo as lutas que precisaria enfrentar para executar tal ordem, diante do envolvimento de gente graúda na prática da Capoeira – conseguiu sossegar Deodoro da Fonseca, recebendo dele a promessa de que teria “carta branca para agir como quisesse, desde que limpasse o país daquela gente”. Estava selado o destino desses “subvertores da ordem”: ficou combinado que “todos os capoeiras, sem distinção de classe e de posição, seriam encarcerados no xadrez comum da Detenção, tratados ali severamente e, pouco a pouco, deportados para o presídio de Fernando de Noronha, onde ficariam certo tempo, empregados em serviços forçados,”
 
As maiores perseguições ocorreram em 1890, 1891 e 1904. Muitos desses “subversivos” foram deportados para lugares distantes, como o Acre e a Ilha das Cobras, A maioria foi mesmo para Fernando de Noronha, onde funcionava uma Colônia Correcional para presos comuns de Pernambuco, desde a sua definitiva ocupação em 1737 e, naquela época, estava temporariamente subordinada ao Ministério da Justiça (entre 1877 / 1891).
 
Todos os envolvidos na trama para exterminar os capoeiras reconheciam que “a prática era uma arte, uma verdadeira instituição mas, radicada nos costumes, resistindo a todas as medidas policiais – as mais enérgicas e mais bem combinadas – esse flagelo dava eternamente uma nota de terror às próprias festas mais solenes e ruidosas, de caráter popular.” Em nota, no trabalho “Actas e Actos do Governo Provisório”, organizado por João Dunshee de Abranches Moura, publicado em 1907, fica evidente o medo que cercava a realização de quaisquer festividades, patrióticas ou religiosas, nos conturbados tempos pós-República, sobretudo à noite – quando a multidão de apinhava pelas ruas e praças – de que não ocorressem cenas sangrentas e aviltantes de confronto entre policiais e capoeiristas… Isso viria a culminar com a deportação daqueles considerados “indesejáveis” de todo o Brasil para o arquipélago distante, como medida saneadora de distúrbios públicos. E como, na arte da capoeiragem, desde os tempos da Monarquia, não somente os das “classes baixas” estavam envolvidos, mas também personagens ilustres e até políticos, achou-se por bem atingir logo esses homens no nascedouro da República, livrando o povo daqueles indivíduos que atentavam contra a ordem estabelecida.
 
A polícia, na época, conhecia bem quem eram os praticantes da capoeira. Facilmente organizou-se uma “lista” dos “facínoras que infestavam as cidades”, não atendendo a nenhum dos pedidos de condescendência e considerações para com nenhum deles… E muitos problemas advieram da rigidez na execução dessa tarefa.. A imprensa acirrou os posicionamentos. Os Ministros se dividiram em opiniões contra ou a favor das medidas que estavam sendo tomadas. Deodoro da Fonseca não recuou dos seus propósitos. E poucos meses depois começava a remessa, de homens de muitas classes e com muitos “padrinhos”, para o distante arquipélago, onde viveriam sua vida reclusa e submetida a trabalhos forçados.
 
Quem era o CAPOEIRA, naquele final do século XIX e começo do século XX?. Qual o seu padrão racial, onde vivia, que nível de escolaridade tinha, qual o seu ofício e faixa etária? Surpreendentemente, era no Rio de Janeiro que estava a grande maioria dos homens perseguidos. E muitos também havia na Bahia e em Pernambuco.
 
Marcos Breda e Mello Moraes, estudiosos da Capoeira, trouxeram luz sobre o assunto, relacionando os homens assim denominados como 1) oriundos – na sua maioria – das classes populares; 2) quase todos com trabalhos fixos (temendo prisão por vagabundagem); 3) a maioria negra ou mestiça, embora brancos fossem presos também; 4) o principal palco de conflito era o Rio de Janeiro – capital da República, embora até imigrantes fizessem parte desse “elenco marginal”; 5) as roupas eram facilmente identificadas nos pequenos detalhes.
 
É incrível reconhecer-se hoje – em tempos de liberdade – que essa prática tenha sobrevivido, impondo sua marca cultural nos séculos seguintes, como se uma “transição cultural subterrânea“ permitisse essa continuidade até os nossos dias e o reconhecimento até como Arte.
 
Olhada como uma forma de “luta corporal”, a Capoeira tem seus heróis em todos os tempos. Alguns nomes são mencionados com respeito, mesmo que tenham eles sofrido a dureza dos porões penitenciários e o exílio obrigatório. Manduca da Praia, Juca Reis. Ciríaco Francisco da Silva Thomas, Chico Carne Seca, Aleixo Açougueiro, Capitão Nabuco, são alguns deles.
 
Holloway, professor da Universidade Cornell, de Nova York, publicou nos “Cadernos Cândido Mendes” – estudos Afro-asiáticos, em 1989, um artigo que avalia a ação dos capoeiristas ao longo do século XIX e começo do século XX, com informações importantes para a compreensão desse esporte / luta / arte (seja como for hoje considerada), fazendo um importante “passeio” pelas ruas do Rio de Janeiro, identificando acontecimentos que levaram a Capoeira a ser extremamente perseguida.
 
Para Fernando de Noronha essa foi uma página da história que parece ter sido propositalmente ocultada, fazendo com que a presença, na ilha, de todos os capoeiristas brasileiros e estrangeiros, passasse desapercebida dos relatos que se sucederam, ainda que saibamos hoje que, até 1930, continuaram a ser enviados para lá esses homens marginalizados, por serem praticantes de uma forma de condicionamento físico. E, no entanto, nenhum lugar do Brasil tem um diferencial tão precioso e tão importante do que o arquipélago “perdido em meio a lindos tons de azul”. E por isso, em nenhum outro lugar do Brasil a Capoeira merece ser escrita com o brilho dos feitos do passado, mesmo que tenham sido dolorosos.
 
Bibliografia
 
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___. Sobre a matéria “Segredo não é pra qualquer um”, Juca Reis & Fernando de Noronha. In: Jornal do Capoeira, nº 63, mar.2006. www.capoeira.jex.com.br
 
* Marieta Borges Lins e Silva é pesquisadora, coordenadora do “Programa de Resgate Documental sobre Fernando de Noronha”

A Capoeira e as Crianças: Renovação e Alegria

Hoje se comemora o dia da criança. Precisamos de data certa para comemorar quase tudo. Além de toda a festa e animação proporcionada pelo período, vem à mente daqueles que um dia também já foram crianças uma série de lembranças e saudades que somente quem as viveu sabe dá o devido valor.
 
Momentos únicos que não voltam mais. Amigos, lugares, estradas, objetos, situações que ficam guardadas em algum lugar confortável das nossas memórias.
 
Tempos bons àqueles onde não sentíamos o peso do mundo. As responsabilidades e desafios que o tempo joga nos braços de todos…
 
Fase em que tudo se torna superlativo, enorme… Onde o sentimento de proteção era evidente… Daqueles amigos de infância que hoje só guardamos aquela última imagem durante uma brincadeira… Onde estará aquela tranqüilidade, que surgia no fim de cada noite, sem ter nenhum “abacaxi” para se resolver no outro dia…?
 
                                     Ah… que saudade da infância!
 
Onde o sentimento de proteção era evidente… Daquela paixão de infância… Saudade de ser criança onde se faziam amizades de forma rápida e duradoura sem usar de critérios preconceituosos ou absurdos que os adultos possuem…
 
Tempos em que a maior preocupação era encontrar outro motivo para brincar ainda mais… Saudades de brincar no quintal do melhor amigo o dia inteiro e repetir tudo no outro dia… de subir em árvores mesmo com a bronca dos pais…
 
Mas nem todas as crianças usufruem dessas realidades de brincadeira e alegria.
Fome, abandono, abusos… formam o dia a dia de muitas crianças em todo o planeta.
Ao som de um berimbau, crianças que um dia estiveram nessa situação de estar às margens da sociedade, aos poucos estão recuperando o sentido de ser criança novamente.
 
A inclusão social, o bom andar acadêmico e o respeito com os pais são os reflexos mais visíveis.
 
A Capoeira integra. Faz com que a criança aumente significativamente seus laços sociais e perceptivos e toma consciência do fator coletivo do qual ela faz parte.
 
Muitos são os projetos por todo o planeta que usa a Capoeira como ferramenta para a inserção das crianças no meio social. Pais e responsáveis por essas mesmas crianças estão em crescente confirmação de que a ginga é uma via saudável de bem-estar e de aumento do ciclo de amizades.
 
Algo que é cristalino como a água: o fator de renovação da Capoeira por intermédio dessa meninada. O objetivo de sempre é buscar a consonância com a realidade, os caminhos por onde a Capoeira irremediavelmente terá que percorrer. A evolução que está sendo discutida, mais de forma parcial e com interesses em anexo, não contribui em nada para o real crescimento sustentável da nossa arte-brasileira.
 
O brincar de uma criança é a manifestação pura da nossa arte-ginga!
 
Movimentos, embalos e canções que nos leva a um passado nem tão distante de leveza e sentimentos naturais embasados num pensamento de criança.
 
                         Ah, que saudade da infância!
 
Tempos onde queríamos ser adultos e hoje queremos voltar a ser crianças. Paradoxo que ninguém explica. Talvez por vivermos neste “mundo cão”, resta-nos, às vezes, mergulhar em todo aquele mar de ótimas lembranças que jamais sairão da mente… Cheiros, visões, sensações, lugares que fazem parte de um passado, mas que parecem intactos no nosso presente…
 
Mas tudo ocorre em seu tempo…. Todas as fases da vida nos ensinam algo que irá repercutir em todos os campos da existência de cada um… Isso acontece comigo, com você, meu camarada! Ninguém foge desta regra natural! O tempo é o senhor de tudo e de todos! Não há vitória se tentar lutar contra ele… Porém, uma aliança de boa convivência é possível e necessária.
 
É sempre bom lembrar de coisas boas! E vamos lembrar que as crianças de hoje, serão os futuros detentores do conhecimento da Capoeira de um amanhã cheio de expectativas. Elas serão as mensageiras de uma esperança restaurada, de uma Capoeira livre de parcialidades ou cânceres de alguns interesses pessoais. Uma Capoeira consciente e renovada a cada geração! Sempre preservando a memória daqueles que fizeram da Capoeira uma arte reconhecida e lutando todos os dias contra a visão marginal que a luta cultural carregava e que ainda hoje tenta se livrar de algumas manchas que alguns trataram de depositar em nossa expressão de cultura…
 
Vamos utilizar a simplicidade das crianças e sustentar de forma ampla e definitiva os preceitos e objetivos do sempre crescer da nossa arte Capoeira!
 
Fiquemos com as crianças e não com as infantilidades na arte de lidar com as responsabilidades!
 
O desejo é único: Felicidades e pensamentos que formem opiniões para as nossas crianças! E que a Capoeira seja sempre o parque temático desse universo que sucessivamente ganha novas cores no olhar de cada criança ao pé do berimbau.
 
Abraços fraternos, camaradas!
 
Shion

No ar o site oficial do Filme: Mestre Bimba A Capoeira Iluminada

Atualmente a capoeira é praticada em mais de 150 países dos 5 continentes por homens e mulheres de todas as idades, credos e descendências, em aulas ministradas por milhares de mestres brasileiros, de todas as classes sociais.
 

 

No Brasil, são mais de 5 milhões de praticantes.
 
Seus maiores mestres de todos  os tempos foram:
Mestre Bimba, criador da capoeira Regional e Mestre Pastinha, o mais importante nome da capoeira Angola.
 
E é de Bimba que trata esse documentário, dedicado aos capoeiristas de todo o mundo.
 
Visitem o site oficial do filme: www.mestrebimbaofilme.com.br

Abertura

Atualmente a capoeira é praticada em mais de 150 países dos 5 continentes
por homens e mulheres de todas as idades, credos e descendências,
em aulas ministradas por milhares de mestres brasileiros,
de todas as classes sociais.
 
No Brasil, são mais de 5 milhões de praticantes.
 
Seus maiores mestres de todos  os tempos foram
Mestre Bimba, criador da capoeira Regional
E Mestre Pastinha, o mais importante nome da capoeira Angola.
 
E é de Bimba que trata esse documentário,
Dedicado aos capoeiristas de todo o mundo.