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Dicionário da Capoeira será lançado na I ECOCAPOEIRA

Dicionário de Capoeira no Portal Capoeira – Portal no Dicionário de Capoeira…
 
Foi uma enorme surpresa quando o Jornalista Mano Lima, autor do Dicionário de Capoeira, nos escreveu contando esta maravilhosa novidade.
Devido a importância e relevância de nossa site, os serviços prestados, a notícia e informação sempre dinâmicas e todo o leque de ferramentas e serviços oferecidos pelo Portal Capoeira, fomos incluídos na 2ª edição ampliada do Dicionário de Capoeira, como um verbete.
 
O Jornalista Mano Lima nos brindou com este fantástico presente e através deste ato, sela , imortaliza e referência a qualidade e importância do Portal Capoeira dentro da comunidade capoeirística.
 
Aproveitamos para noticiar que no mes de setembro o Portal Capoeira em parceria com o Jornalista Mano Lima, estará sorteando 2 Livros (Dicionário de Capoeira) autografados pelo autor, para os visitantes e leitores registrados no Boletim Informativo do Portal Capoeira.
 
Fica a dica para participarem do lançamento do Dicionário de Capoeira que terá lugar no III Encontro Internacional Ecológico de Capoeira do Amazonas – Iº. Eco-Capoeira do Amazonas, organizado pelo Mestre Squisito da Cia. do Terreiro.
 
Luciano Milani

DICIONÁRIO DE CAPOEIRA SERÁ LANÇADO NA I ECOCAPOEIRA
     A nova versão do Dicionário de Capoeira, lançado em 2005, já circula nas rodas de capoeira e, em breve, estará nas livrarias. A 2a. edição – revista e ampliada – tem 210 páginas e mais de 1.400 verbetes. O lançamento oficial será em Manaus, durante a I Ecocapoeira, evento que acontece de 17 a 20 de agosto, por iniciativa do Instituto Terreiro do Brasil. O autor do Dicionário é o jornalista Mano Lima, editor da revista Capoeira em Evidência. A obra foi construída a partir de entrevistas com mestres de capoeira da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás e Brasília e de intensa pesquisa bibliográfica.

     Entre as novidades da 2a. edição estão verbetes com biografias de mestres, históricos de grupos de capoeira, fotos e ilustrações inéditas e um roteiro de filmes de capoeira. Segundo o autor, o Dicionário é uma &ldquoobra em construção&rdquo e está aberta a críticas e sugestões que levem ao seu aprimoramento e, principalmente, à valorização dos capoeiristas. Na apresentação da 2A. edição, Mestre Squisito enfatiza que o processo de  trabalho que Mano Lima segue é democrático e plural, baseado na dedicada e humilde coleta de palavras, como uma &ldquoverdadeira pescaria do conhecimento que jorra das cabeças dos mestres, dos professores, das rodas, da "papoeira".

     De acordo com Mestre Bamba (Bahia), o Dicionário se inspira numa idéia correta: &ldquoA capoeira segue um processo evolutivo e não pára de crescer&rdquo. Um dos méritos da obra, segundo Mestre Suíno, do grupo Candeias, é que ela reúne &ldquoexpressões raras e interessantes que poderiam perder seu significado com o tempo, mas que agora estão perpetuadas.&rdquo Para o ex-Ministro dos Esportes Agnelo Queiroz, que prefaciou a 1a. edição, "o dicionário é uma obra que o Brasil esperava e que já nasceu clássica".  Segundo Mestre Zulu, do Centro Ideário de Capoeira, a publicação é de "ldquoimensurável valia para o nosso meio e uma obra cujo gigantismo, promissão e livre criação dos capoeiras, forçosamente suscitarão ainda novas revisões, atualizações e ampliações".

     Para o mestre Luiz Renato, do grupo Beribazu, a publicação do Dicionário é mais do que oportuna. "Os diversos planos textuais que estruturam a capoeira como fenômeno cultural, a linguagem corporal, a musicalidade, a ritualística da roda, a simbologia da indumentária se conectam e condensam seus sentidos na linguagem oral e articulada. Assim, ao organizar o léxico da capoeira, Mano Lima escolhe enfrentar um desafio. E o faz muito bem porque, com humildade intelectual e rigor nos estudos que empreende, amplia suas fontes e enriquece seu trabalho em uma pesquisa permanente", declarou Renato.
      Como comprar o Dicionário?
     Entre em contato diretamente com o autor e receba pelo correio. O custo unitário é de R$ 30,00 (para encomenda simples, já inclusa a postagem). Os grupos que desejarem adquirir para revenda terão um desconto especial. O autor está à disposição para participar de encontros de capoeira e divulgar o seu trabalho.
      Mano Lima &ndash (61) 8407 7960
     www.manolima.com 
 

Mestre Ananias & Vivência na UNESP de Botucatu

Neste final de semana Mestre Ananias, 80 anos, e um dos pioneiros da Capoeira Paulista, realizará uma vivência de Capoeira Angola, quando fará novo lançamento de seu CD.
 
 Prezados Capoeiras,
Estaremos em Botucatu / SP dia 25 e 26 de junho, levando o 1o documento original do Mestre Ananias, lançado em São Paulo em dez/2004 e desenvolvendo uma vivência com Mestre Ananias, seus discípulos, alunos e amigos.
 
Esse encontro é realizado pelo curso de extensão da UNESP a cerca de 8 anos e nada  mais é do que viver a capoeira e o samba por um princípio básico: o prazer e o respeito à nossa ancestralidade.
 
As atividades serão espontâneas nos dois dias, porém haverá uma, das muitas rodas, agendada para as 14hs do sábado (25/06) no anfiteatro do terreiro de café da UNESP – campus Lageado.
 
Convidamos a todos sem distinção. Teremos alojamento, será uma honra recebê-los. Para maiores informações www.uirapurubr.com.br (Destaque – UNESP).
 
 
Rodrigo Bruno Lima (Minhoca)                           
 
Uirapuru Marketing e Cultura
 
www.uirapurubr.com.br

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br
 
 

VII MOSTRA DE CULTURA NEGRA E FESTA EM HOMENAGEM AO VOVO CIPRIANO DE ANGOLA

 A Comunidade Terreira Ilé Àsé Yemonja Omi Olódò na pessoa de seu Babalorisa Baba Diba de Yemonja, vem mui respeitosamente convidar a todos os Egbons, companheiros, amigos e simpatizantes, para a tradicional festa de ancestralidade que acontecerá no dia 21 de maio de 2005 à partir das 12:00 na sede do terreiro na Rua Nunes Costa nº 1137 – Vila São José – Bairro Partenon em Porto Alegre – RS.
 
Solicitamos confirmacão de presenca pelos fones 51 32865800 – 51 32283029 – 51 99869719 ou após 20:00 51 33181386 até o dia 16 de maio de 2005.
 
Pedimos que cada participante, traga 01 kg de Alimento não perecível e uma peca de roupa para a campanha do agasalho.
 
APRESENTACÃO:
 

Esta é a 7ª MOSTRA DE CULTURA NEGRA E FESTA EM HOMENAGEM AO VOVÔ CIPRIANO DA ANGOLA, que acontece na Comunidade Terreiro Ilê Axé Yemonjá Omi Olodô.

Tudo começou numa simples festa religiosa em homenagem a estes ancestrais africanos, tão conhecidos em templos umbandistas chamados PRETOS E PRETAS VELHOS(AS).

Na comunidade, esta festa se realiza no mês de maio, e por conta disso, seus freqüentadores, sabedores do significado do dia 13 de maio para a população negra e sociedade em geral, resolveram trazer o questionamento deste dia à tona, como um dia de reflexão sobre a ocorrência da escravidão negra no Brasil, suas conseqüências e lutas até hoje travadas em busca da igualdade racial.

À medida que o evento cresce, maior torna-se a necessidade de mostrar, para a população negra, a sua cultura, sua importância na história, para ter como efeito o aumento de sua auto-estima. Mas este "veiculo" de cultura e informação não poderia estar dentro das Universidades, ou de Centros Culturais, mas dentro da própria comunidade, no caso Vila São José, em Porto Alegre, composta majoritariamente por negros e cultuadores de religiões de matriz africana.

Desde então, neste dia, reúnem ali artistas, religiosos, intelectuais comunidade e curiosos para prestigiar este evento que nesta década de atividades, modificou e modifica o comportamento, o pensamento e a perspectiva de mundo desta comunidade.OBJETIVO GERAL:

Proporcionar em um espaço de comunidade-terreiro a possibilidade do (re)conhecimento, aprendizado, crítica e mostra da cultura negra dos afro descendentes no Brasil.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

  1. Tornar o espaço de terreiro além de religioso, manancial de cultura para sua comunidade;

  2. Trazer movimentos intelectuais e sociais para dentro da comunidade;

  3. Mostrar a cultura negra para seus descendentes em sua forma instrutiva e construtora de auto-estima;

  4. Motivar a produção cultural nos pertencentes desta comunidade;

  5. Organizar o pensamento e o conhecimento teológico e filosófico em relação às questões africanas e afro-descendentes;

  6. Reunir a comunidade num grande evento cultural de forma lúdica e festiva;

DATADia 21/05/2005 – Sábado

ATIVIDADES:

12h – Abertura com toque de berimbaus

12:30h – É servido no almoço prato da culinária afro-brasileira, tradicionalmente é preparada Moqueca de peixe.

14:00h – Desfile étnico com crianças do Projeto Ori Inu Erê

14:30h – Recital Poético com Nina Fola (RJ) e Vera Lopes (PA)

15:30h – Roda de Capoeira Angola com Grupo Áfricanamente e crianças do Projeto Ori Inu Erê

16:30h – Palestra sobre Institucionalização dos terreiros e intolerância Religiosa – Palestrante; Dr. Hédio Silva Júnior(SP)

17:30h – Esquete Teatral sobre DST /AIDS – Palestrante: Oba Lemó (Elisiane Amorim)18:30h – Apresentação de RAP com crianças do Projeto Ori Inu Erê

19:00h – Teatro: Mito Yorubá sobre a criação do Mundo – Grupo de jovens do Ylê Yemonjá Omi Olodô

19:40h – Afoxé

20:00h – Grupo Temático Pedagógico Ponto Z

20:30h – Início da Festa em Homenagem ao Vovô Cipriano de Angola21:00h – Entrada do Rei Congo e da Rainha N’zinga

21:30h – Apresentação de dança: Os Orixás regentes do ano

22:00h – Apresentação do Coral das crianças do Projeto Ori Inu Erê

22:15h – Apresentação de Capoeira angola

22:45h – Afoxé23:15h – Batizados

24:00h – Encerramento

 

Olorum mo dùpé

Baba Diba de Yemonja


REALIZAÇÃO:

Comunidade Terreira Ilé Àsé Yemonja Omi Olódò

ÁFRICAnaMENTE – Centro de pesquisa, resgate e preservacão de tradicões afrodesecendentes

Crença disfarçada

 
Apenas 0,49% da população de Salvador, considerada a cidade mais negra do país, se declara adepta das religiões afros
 

Adriana Jacob
 
Mãe Carmen do Gantois diz que muitos filhos do candomblé não se assumem como tal

Pouca gente sabe, mas a cidade gaúcha de Rio Grande é o município brasileiro onde mais pessoas afirmam ser adeptas de religiões afro-brasileiras. O dado consta no estudo Retrato das religiões do Brasil, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Na pesquisa, Salvador, que costuma ser considerada uma espécie de Meca quando o assunto são as religiões de matriz africana, aparece numa modesta 172a posição.

É isso mesmo. Menos de 1% dos soteropolitanos se declaram adeptos de religiões afro-brasileiras. No percentual exato, 0,49% da população da cidade mais negra do Brasil afirma crer na religião dos orixás, inquices e voduns. Entre os 5.507 municípios pesquisados, a capital baiana perde no item em questão para 171 localidades. No ranking das "dez mais", aparecem lugares de muito menos visibilidade, como Dezesseis de Novembro (RS), Carnaubeira da Penha (PE) e Divino de São Lourenço (ES).

O estudo, feito através do processamento dos microdados do Censo Demográfico 2000, causou polêmica entre babalorixás, ialorixás, e pesquisadores baianos. "Isso para mim não é surpresa nenhuma. Nossos ancestrais mascararam a religião, colocaram santos de igreja no lugar dos orixás, tiveram que negar sua origem. Isso se infiltrou no sangue e na mente de seus descendentes até hoje. Os próprios filhos do candomblé não se assumem como tal. Eu não condeno ninguém, são os resquícios da escravidão", afirma mãe Carmen Oliveira da Silva, ialorixá do Terreiros do Gantois, casa fundada em 1849.

Ela conta a história de uma adolescente que teve a foto publicada no jornal, associada a um terreiro. "Quando perguntaram na escola, ela disse que não era ela, negou. Muita gente não assume que é do candomblé, mas você vai numa festa para orixás e a casa está cheia", diz a sacerdotisa.

"Como o negro e sua cultura foram por demais desvalorizados, o que ocorre é que muitas pessoas preferem dizer que são da Igreja Católica. No fundo, é o racismo, a vergonha de sua condição de afro-brasileiro. Ainda existem aquelas pessoas que querem disfarçar", analisa a escritora, advogada e agbeni Xangô do também tradicional terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, Cléo Martins. "Já no Rio Grande do Sul, onde mais pessoas afirmam ser adeptas, a maioria é branca, então eles não têm essa crise de identidade".

O presidente da Fundação Palmares do Ministério da Cultura e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ubiratan Castro de Araújo, questiona a metodologia da pesquisa. "Se você perguntar qual a religião de uma pessoa na Bahia, a maioria ou não sabe, porque tem uma religião muito aberta, composta por várias coisas – ela vai no candomblé, na igreja, no centro espírita e na messiânica – ou diz que é católica porque foi batizada. A pesquisa em si é algo discutível, eu questiono essa metodologia porque ela não consegue perceber esse fenômeno sentido na Bahia", analisa o historiador.

Ele cita a si próprio como exemplo: "Eu integro a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos, no Pelourinho, e vou me tornar ogã de Obaluaê de um terreiro. A minha religião é de dupla pertença, ligada aos negros católicos e à tradição afro. O ideal então seria perguntar quais são suas religiões, no plural", afirma.

Cléo Martins considera que, entre algumas pessoas existe uma síntese entre o candomblé e o catolicismo. "O coração da gente é livre, mas essas pessoas que são realmente praticantes das duas religiões jamais vão declarar que são adeptas das religiões afro-brasileiras", opina a agbeni Xangô, que é responsável pelo Alaiandê Xirê do Afonjá.

Em algumas situações, a discriminação chega a se concretizar. O babalorixá Balbino Daniel de Paula conta que uma das suas filhas-de-santo perdeu o emprego depois que a fotografia dela, vestida com roupas do candomblé, apareceu em um jornal. "Ela tinha um bom emprego num escritório, mas depois disso foi demitida", conta Balbino, que pe responsável por outro respeitado terreiro, o Ilê Axé Opô Aganju, em Lauro de Freitas.

Na opinião do antropólogo e ogã de um dos mais antigos terreiro de Salvador, a Casa Branca, Ordep Serra, muita gente ainda é hostilizada pelo preconceito e pela intolerância religiosa. "Em Salvador e região metropolitana, a gente tem mais de dois mil terreiros, não é possível que o número de adeptos seja tão pequeno. Essas estatísticas não trazem a realidade. Acho que muita gente não se declara como praticante do candomblé até por influência africana, onde não existe essa coisa excludente de ser apenas de uma religião".

Mestre Bimba

Mestre Bimba

No dia 23 de novembro de 1899 nasceu no bairro de Engenho Velho, freguesia de Brotas, cidade de Salvador, Bahia, Manoel dos Reis Machado. Teve como pai Luís Cândido Machado, caboclo de Feira de Santana. Sua mãe, Maria Martinha do Bonfim, era uma crioula de Cachoeira.
Logo ao nascer o garoto ganhou um nome que se tornaria símbolo e sinônimo da Capoeira. Isso graças a uma frase dita à hora do parto: – olha a bimbinha dele! Esta exclamação definiu o resultado de uma aposta entre a mãe da criança – que imaginava uma menina – e a parteira, que previra um menino. Ninguém seria capaz de pensar, naquele momento, que Bimba passaria a ser um nome destinado a acompanhar o futuro capoeira em sua entrada na história do jogo.
O aprendizado de lutas se iniciou com o pai, à época famoso lutador de batuque – uma antiga forma de luta negra. Aos 12 anos começou a aprender Capoeira com o africano Bentinho, capitão da Cia. de Navegação Bahiana.
Segundo suas palavras, o sistema de aulas à época era bastante violento. As rodas eram formadas na Estrada das Boiadas (atual bairro da Liberdade), em Salvador, num ritmo bravio ao som do berimbau. Mestre Bimba costumava recordar um golpe formidável aplicado por Bentinho, que o acertara na cabeça, provocando um desmaio até o dia seguinte…
Seu trabalho como mestre-capoeira iria distinguir-se pela divulgação do jogo em todos os recantos do país e a elaboração de um sistema próprio de treinamento e transmissão dos conhecimentos e técnicas do jogo: a Capoeira Regional Bahiana.
Graças aos seus esforços foi aberta a primeira Academia de Capoeira com autorização oficial. Esta seria a forma adotada por inúmeros mestres para obter e legalizar um espaço, onde a prática do jogo não sofreria o perigo de perseguições. Afinal, era o ano de 1937 e o país vivia sob uma ditadura – período que sempre se destaca pela generalização
das arbitrariedade e cometimento de toda sorte de violências pelos detentores do poder.
E o que era tolerado em um dia poderia ser reprimido no outro.
Em sua vida Bimba foi trapicheiro, doqueiro, carroceiro, carpinteiro. Mas acima de qualquer coisa e por todo o tempo, mestre de capoeira. Um dos maiores nomes deste ofício.
Ninguém melhor que um contemporâneo de Bimba para descrevê-lo brincando a Capoeira. Ramagem Badaró – de conhecida família bahiana da zona de cultivo do cacau, que foi enfocada por Jorge Amado em Terras do Sem Fim -, jornalista, advogado e escritor, autor do romance O Sol, deixou interessante relato acerca do mestre, no artigo intitulado
‘Os negros lutam suas lutas misteriosas; Bimba é o grande rei negro do misterioso rito africano’, publicado em Saga – magazine das Américas, no ano de 1944, em Salvador.
"Tinha uma difícil missão a cumprir. Encontrar um assunto para uma reportagem que não fosse sobre guerras, suicídios ou crime. Um assunto diferente que não proviesse da fonte comum de todas as reportagens da cidade. Das delegacias de polícia, do Necrotério ou da Assistência.
Porque os casos de delegacia são sempre os mesmos: roubo, crime e sedução. Os de Necrotério são anacrônicos e os de Assistência, banalíssimos. ‘Estava nesse dilema, quando passou um negro de andar gingante de capoeira. Tinha resolvido o problema. Lembrei-me de mestre Bimba e da velha Roça do Lobo. Fui até o bairro elegante dos Barris, em cujos flancos se derramam em desordem as casas de taipa da vala do Dique. Presépios de palha da miséria sem esperança dos homens do povo. Quando comecei a descer pela picada aberta na ladeira pelos pés
descalços e calosos daquela gente que nasce com o atavismo dos párias e a herança do infortúnio, já os sons dos berimbaus traziam aos meus ouvidos o cartão de Boas Vindas do terreiro de mestre Bimba.
Continuei descendo, até que de repente o caminho se alargou e se confundiu com o terreiro onde os homens lutavam Capoeira. O povo formava um círculo ao redor dos dois homens lutando.
Jogando Capoeira no centro do círculo.
‘O berimbau batia compassadamente, tin-tin-tin… tin-tin-tin… tin-tin-tin…
enquanto os homens pulavam, caíam, levantavam-se num salto e deixavam-se cair outra vez, se golpeando mutuamente. O povo batia palmas acompanhando a música dos berimbaus e cantando
o estribilho da Capoeira:

Zum, zum, zum, zum
Capoeira mata um
Zum, zum, zum, zum
No terreiro fica um…
Caí também no meio da turma e comecei a bater palmas e a tentar cantar o zum, zum da Capoeira (…)."
Badaró narra o instante que precede a entrada do mestre Bimba no jogo e a emoção que tomou conta dos espectadores.
"De súbito, o tin-tin nervoso dos berimbaus sumiu, calou-se, parou. Os berimbaus deixaram de tocar.
Os homens que estavam lutando também pararam. Com as roupas molhadas de suor desenhando nas dobras
do corpo os músculos possantes.
Os assistentes aplaudiram os homens que tinham acabado de lutar. E eles cantaram um corrido, agradecendo os aplausos.

Ai-ai de lelô
Iem-ien de lalá
Adeus meus irmãos
Nós vamos rezar
‘Nesse momento gritaram:
– Mestre Bimba vai lutar!
‘Todo mundo se voltou para trás, batendo palmas e gritando.
– Mestre Bimba… mestre… viva… viva… vivôôôôôô.
‘Um preto agigantado entrou no círculo formado pelo povo. Sorrindo. A multidão aplaudiu com mais força.

  

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