Blog

tiveram

Vendo Artigos etiquetados em: tiveram

Governo Federal aprova projeto baiano para mulheres rurais

A Bahia está entre os dez estados brasileiros que mais se destacam na elaboração de projetos voltados às mulheres camponesas. O Ministério do Desenvolimento Agrário (MDA) divulgou esta semana o resultado da seleção de propostas cujo foco é o fortalecimento da cidadania e da organização produtiva de mulheres rurais. Com isso, são esperados R$ 3,1 milhões, a serem aplicados em iniciativas de acesso à documentação civil e jurídica, implementação de mecanismos de formalização, gestão e comercialização de produtos da agricultura familiar. Os trabalhos serão coordenados pela Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM), contemplando também indígenas, quilombolas, entre outros segmentos de mulheres. Além da Bahia, tiveram propostas aprovadas os estados do Acre, Alagoas, Amapá, Goiás, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Sul e Sergipe.

 

Assessoria de Imprensa: 71 3117-2819

Kleidir Costa (71 8224-2737)

Twitter @SPMulheresBA

Facebook www.facebook.com/SPM/BA

FFC: Festival Mama África e Brasil de Capoeira

A cidade de Niterói sediou, no dia 26 de junho, o Festival Mama África e Brasil de Capoeira Estilo Livre, no Sesc, a partir das 8h. Diversas famílias compareceram ao evento e puderam assistir várias apresentações dos capoeiristas. O presidente do Instituto Brasileiro dos Profissionais de Capoeira e coordenador geral do Festival, Mestre Zezeu, recebeu convidados de Saquarema e dos países França, Alemanha, Bélgica, Bolívia e Áustria, os quais tiveram oportunidade para deixar seus depoimentos, durante a festa.

Além destes, compareceram os Mestres mais conhecidos em Niterói pelo trabalho e empenho que dedicam há anos à Capoeira e, com isso, colaboram para fortalecimento do jogo: Travassos, Antonio Affonso, Machado, Chita, Netto, César, Marcos, Cid, Aranha e Jorginho, dentre outros. Todos estavam acompanhados por seus alunos e participaram, unânimes, nas atividades apresentadas.

O Mestre Zezeu agradeceu a todos que auxiliaram para a realização do Festival, como a Federação Fluminense de Capoeira, a Liga Niterói de Capoeira, a Secretaria de Esportes de Niterói, a Fundação de Arte de Niterói (FAN), Ouvidoria Municipal de Niterói e todas as pessoas que espontaneamente somaram forças.

No decorrer da programação foi claro observar a união, a paz, a alegria e o companheirismo com que trabalham. Algo fundamenteal, todos os Mestres que tiveram oportunidade para comentar, enfatizaram a importância de Deus na vida do homem e como máxima na vida. Alguns, além de se preocuparem com o aprendizado da Capoeira, se dedicam também a instruírem os jovens na vida espiritual para dar equilíbrio na vida. Inclusive, o Mestre Zezeu comentou sobre seu novo conceito de Capoeira. “Posso afirmar que ela não tem uma religião apenas. Temos aqui, hoje, capoeiristas de todas as religiões. Nós, diretores, não recebemos nenhum centavo para fazer Capoeira, recebemos apoio dos amigos”, destacou.

De igual forma, o Mestre Travassos falou de seu orgulho pelo evento. “Agradeço a todos os Mestres que aqui estão por fazerem com tanto amor e carinho o nosso esporte, que é a Capoeira. O nosso Deus está aqui entre nós e o Filho Dele veio a esse mundo para nos salvar e nos dar o apoio que precisamos. Por isso, nós, Mestres, precisamos procurar um caminho espiritual para preparar esses jovens”, enfatizou.

A Capoeira – tradicional manifestação de cultura genuinamente brasileira – tem espaço garantido no SESC Niterói todos os sábados, às 10h, aberto ao público e o Mestre Zezeu aguarda os interessados.

O SESC Niterói fica na Rua Padre Anchieta, 56, Centro.

 

Foto: Mestre Zezeu (sentado no chão, com a manga da camiseta de cor amarela) entre alguns Mestres presentes – Foto: Edson Soares

 

Postado por FFC no Federação Fluminense de Capoeira

Joel Pires Marques
Presidente da Federação Fluminense de Capoeira.
tel.: (22) 26295032 e (22) 88083788

Cabo Frio/RJ-Brasil.

De Chica da Silva à Pelé: O Negro Sem a Terra

PALMARES, UM PROJETO DE NAÇÃO: DE CHICA DA SILVA À PELÉ: O NEGRO SEM A TERRA

“A imaginação de construção da nação brasileira ficou restrita à terra, à sua posse, à distribuição e ao seu usufruto pôr uma etnia dominante”
(Luis Mir).

Este escrito é como que um ensaio a algumas considerações a serem feitas a respeito da obra de dois séculos a trás – a Transposição das Águas do São Francisco – já em meio-andamento meio-suspensa. Aquele canal é a primeira e a mais importante porta para a última e permanente das fronteiras agrícolas do Brasil. Tenho me referido ao último dos mercados nacionais do Mundo: a população negra. Todos os ciclos econômicos do Brasil foram queimados sem o negro. Salvo a industrialização, em um período breve, mas proveitoso. De todos os ciclos econômicos o negro não participou (se quer como consumidor privilegiado de algo) porque não teve Terra. Esta nova fase da agricultura permanente é inimaginável pensar-se o negro excluído da Terra.

O negro sem a terra ficará a mercê dos favores das atividades marginais. Do negro acabaram com a alforria; botaram no lugar o “direito-a”, ou seja pulou de Chica da Silva para “Pelé”. Um e outro tão atolados no dinheiro, quanto sem rumo – porque a ambos não foi dado a terra, – não tiveram “a” origem, portanto não tiveram para onde voltar. Antes até mesmo da educação terá de ser a Terra. A educação deverá ser atitude dele, negro. Antes de tudo, a indenização, composta de duas partes – a) terra; b) dinheiro, em espécie; e uma conseqüente – assistência técnica-comercial em diversas faixas e longo tempo, (calcadas na experiência para com os imigrantes europeus e japoneses, principalmente).

Chica deu aos filhos educação esmerada: da batina a passagem por academias romanas. Ainda assim tiveram o desfecho próximo ao do filho de Pelé: dos quatro filhos homens de Chica, de um sendo padre, dos outros três a debateram-se para ingressar no seio da nobreza – é tudo quanto se sabe; das 9 mulheres a maioria tornando-se freiras, não deixaram pegadas diferentes dos rastros das outras quatro, no que pese a educação de proa em colégios internos católicos. Tudo o mais foi o “sem-eira-nem-beira”, de quem não tem a terra; assim também não é discutido o filho do Pelé além das fronteiras de um princípio constitucional tão ilegítimo, perverso quanto irreal – o de que “todos são iguais perante a Lei”: São iguais os que têm a terra e desiguais os que não a tem. Todos nós sabemos o destino dos Pedro de Almeida, desde 1685, porque tiveram terra, nasceram com “o pé na Terra”, tinham para onde voltar a cada mexida na vida. Tinham a origem e na origem encontravam a própria origem – primos, tios, avós, amigos de infância com interesses comuns. Pelé e Chica, cada um a seu tempo, foi sorteado, no “regime da antiga quota” para servir de “cala-a-boca”. Quem de nós não ouviu o pito – ” racismo? que nada, olhe o exemplo de Pelé”. Vamos resumir algumas genealogias e seus fatos.

 

– ‘Séc. XVII, Henrique Dias, o “gov. dos pretos” e o Gov. Souto Maior, ambos lutaram para destruir Palmares. Da árvore Souto Maior, não preciso falar – estão entre fazendas e palácios -; e os “herdeiros Henrique Dias” – onde estão? Com certeza nalguma favela, ou dizimados, entre os Séc. XVII e XVIII, talvez nem chegaram ao Séc. XIX.

– Por que foram dizimados, bem antes, ou estão nalguma favela?

– Porque Não tiveram terra. Na família, é preciso dentre seus membros, uma parte considerável tê-la. É a referência, é para onde se possa “voltar”, num dado instante da vida, encontrar seus iguais.

– Por que não tiveram, se as terras de Palmares foram loteadas entre seus destruidores? Se o pagamento de tudo era a terra? Se todos os outros, de comandantes a soldados, a tiveram?

– Henrique Dias sendo negro não podia ter terra. Ainda hoje, o negro não pode! Sob mil disfarces, mas não pode. Há notícias de que ainda há demanda judicial inacabada com as terras de Palmares. As demandas de Jorge Velho, por mais e mais terra, chegaram à Republica. Não há um único processo, levantado até agora, envolvendo o negro Henrique Dias. Como não há registro de um palmo de terra destinada aos comandantes dos “Batalhões dos Henriques”. Por que? – Por ser negro!

 

Séc. XVIII, alguns dados sobre Chica da Silva – alforriada no pé do altar pôr e para unir-se a João Fernandes. Diziam do Contratador ser mais rico que o Rei de Portugal.

– Chica ficou viúva com muito dinheiro, tinha muita capacidade para ganhar dinheiro, porque não comprou terra? Não comprou porque não podia, não podia por ser negra. De Chica viuva – “negra alforriada não podia casar com seu senhor”; mas sem casar não poderia pertencer à irmandade religiosa dos brancas – Chica pertenceu às três: dos mulatos, dos pretos e dos brancos. Sem casar teria sepultura comum – foi sepultada na Igreja de São Francisco de Assis, em Tijuco, irmandade reservada à elite senhorial branca. O não casamento de Chica poderá ter sido artifício para tomarem-lhe a herança.

PONTINHA, uma ponte pequena? Lá isso não, uai! – OMILAGRE DA TERRA.

– Séc. XVIII, CHICO REI, também alguns dados. De Chico Rei sabe-se, com certeza tinha irmãos e parentes muitos. A história do ouro carregado nos cabelos é enganação, todos os negros tinham cabelo. E os donos das minas, seus capitães, eram o que foram, o que são: Chico Rei também foi sorteado na política da antiga quota, como “cala-a-boca”.

Um endereço, uma História: Há em Minas um lugar chamado PONTINHA, antes um lugar de Diamantina, hoje Município de Pompeu. “Esta pontinha de terra” a Padroeira vendeu a Chico Rei, pelo Padre Moreira. O Padre Moreira fez os documentos como sendo para uns parentes dele (padre) que haviam de chegar de Portugal, e para não ter desconfiança, deu o nome a todos de Fulano, Sicrano, MOREIRA… Antes da queima de Rui “pegou fogo” o cartório onde tinha a escritura dos MOREIRAS…. Dona Mariquinha, viúva dum figuraço, ainda moça, por amancebia entre os Moreiras, tomou-lhes as dores (pelo seu “pedacinho de ébano” diziam as más línguas), arranjou novos documentos, “tudo nos conformes”. E estão lá, para quem quiser ir conhecer. Com o advento do Estatuto da Terra, 1964, pouco tempo depois grileiros contumazes quiseram tomar Pontinha dos Moreiras. Alguns deles foram levados a Brasília… um outro padre, falavam do Dep. Monsenhor Arruda Câmara, de Pernambuco, os socorreu. Ainda apareceram falsas escrituras, noticiou-se muito este fato…. Estão lá os Moreiras, pé na Terra.

Séc. XX # XXI, Pelé pôde ter o dinheiro que teve; pôde ser o que foi (embaixador do café, plenipotenciário, Ministro de Estado) pôde ter até banco, (sistema financeiro), não pôde ter terra.

Que se aponte um negro, em qualquer lugar do Brasil candidato a um outro “Rei da Soja”, com léguas e léguas de terra, metendo a mão no Banco do Brasil – pode ser de jogador de futebol a ganhador de loteria.

Na região do São Francisco, onde restou o maior número de lugares habitados por negros, (dos fugidos aos libertos), em todo o vale das culturas irrigadas, com todo o conjunto de obras feitas com dinheiro público, de cunho Estado, a população negra, que não perdera a terra, está sem poder usar água, neste tempo de duas décadas, a mais.

 

André Pêssego, Berimbau Brasil – SP/SP

 

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

Cultura afro é destaque em feira etnomatemática

Estudantes do ensino médio e fundamental da Escola Estadual Alberto Torres, no bairro de Bebedouro participaram no último sábado (13), da I Feira Afro Matemática, realizada a partir do projeto Pérola Negra Brasileira: História, importância e lutas do povo negro. Conheça e se orgulhe!, idealizado pelo professor da disciplina Allex Sander Porfirio. O evento também se estendeu para as disciplinas de física, religião e história e contempla a Lei Federal 10.639/03, que obriga a inclusão da história e cultura afro-brasileira e africana no currículo educacional.

Abordando uma temática diferente da qual estão acostumados em sala de aula, sete turmas, divididas em cinco equipes: música afro; búzios e capoeira; África: O berço da matemática; Eu tenho um sonho (Sobre Martin Luther King); e poemas de matemática demonstraram, por meio de peças teatrais, danças e paródias a relação que os assuntos têm com o continente africano, ressaltando os equívocos que existem até mesmo no ensino escolar.

A matemática também foi retratada através de poemas de Millôr Fernandes, em seqüências musicais africanas – que comemoravam boas colheitas e nascimentos – e ainda, em instrumentos como o reco-reco, utilizado por negros e índios.

Segundo o professor Alex, os sistemas de numeração, probabilidade e até de engenharia tiveram origem no continente africano, a exemplo da construção das pirâmides do Egito. "Os estudantes se mostraram entusiasmados para a realização da feira e tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a verdadeira história da matemática".

A estudante Jeisiane Milane, do 2° ano do ensino médio, mostrou junto com os colegas de turma, a relação numérica implícita no jogo de búzios e na capoeira e disse que antes não sabia que a matemática também fazia parte da cultura afro. "A capoeira tem passos que simbolizam figuras geométricas, como o triângulo e o círculo e nos búzios existe uma relação de probabilidade. Alguns dos estudantes tiveram até medo de pegar neles, por causa da forma como a religiosidade é ensinada, mas atividades como essa servem para acabar com o preconceito", conta a estudante.

Já o estudante do 1° ano, Igor Fernando disse que o trabalho serviu para que ele conhecesse mais sobre a matemática, que é discriminada e tida como difícil de aprender. "Ela não surgiu na Grécia, porque antes os africanos faziam traços com ossos, que serviam como calendário lunar e também davam uma quantidade de nós em cordas, para lembrar quando emprestavam alguma coisa, explica.

Para a professora de religião Heloísa Lima, que ministra a disciplina há três anos na escola Alberto Torres, mostrar que a religião afro é diferente do que as pessoas estão acostumadas a aprender tem sido uma tarefa difícil, porque existe grande resistência por parte de alguns alunos, pais e até de professores, que são evangélicos ou católicos.

"No último ano, devido a estarem mais acostumados com o tema os estudantes tiveram facilidade para aceitá-lo, já que na disciplina abordamos a história das religiões e mostramos que algumas Deus têm vários nomes e símbolos. Mas, ainda existe um contexto histórico que faz predominar a discriminação e esse é um trabalho de conscientização, ressaltou Heloísa.

A etnomatemática surgiu na década de 70, com base em críticas sociais acerca do ensino tradicional da matemática, como a análise das práticas matemáticas em seus diferentes contextos culturais. Pode ser entendida como um programa interdisciplinar que engloba as ciências da cognição, da epistemologia, da história e da sociologia.

 

Fonte: www.cojira-al.blogspot.com