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A Literatura de Cordel e a Música na Capoeira

 

Pensando em tudo isso, fui buscar a origem de algumas cantigas que mais gostava e cheguei até a poesia de cordel. A história do Valente Vilela e o ensinamento contado na vida de Pedro Cem, ambos personagens presentes na literatura de cordel, foram os meus iniciais. Assim como ainda acontece hoje em dia, principalmente no Nordeste do país, acredito que os folhetos de cordel sempre foram muito divulgados e, devido ao preço de centavos, muito acessíveis. Conta-se inclusive, que antes da chegada da Televisão, o nordestino do interior aguardava a chegada do Poeta de Cordel para saber em versos, os acontecimentos do mundo, sempre numa linguagem oral, popular.

Alguns anos atrás, ouvindo CD de mestre Waldemar, me perguntei: Será que a poesia da capoeira foi um privilégio dos nossos avós de capoeira? Talvez não. Mas e a malícia em organizar as idéias de um modo “não tão direto”, aquela mandinga nas palavras, que mestre Jerônimo lá da Austrália sabe tão bem desenvolver?
O assunto é interessante, e por vezes já foi citado e comentado por diversas pessoas. Na verdade, pessoas com muito mais bagagem e conhecimento no assunto. Mas o que me faz escrever algumas linhas sobre a relação entre a literatura de cordel e as canções na capoeira, é justamente a necessidade que sinto de uma melhora nas músicas que são compostas e cantadas hoje em dia. É verdade que ainda hoje, em diversas rodas pelo Brasil e mundo afora, reinam canções de mais de um século de idade, numa mostra de resistência da cultura da capoeira. Mas são algumas canções “modernas” que preocupam. Canções pobres de conteúdo, vazias.

 

Vida de Pedro Cem

Vou narrar agora um fato

Que há cinco séculos se deu,

De um grande capitalista

Do continente europeu,

Fortuna que como aquela,

Ainda não apareceu.

(…) Diz a história onde li

O todo desse passado

Que Pedro Cem nunca deu

Uma esmola a um desgraçado

Não olhava para um pobre

Nem falava com criado

(…) A justiça examinando

Os bolsos de Pedro Cem,

Encontrou uma mochila

E dentro dela um vintém

E um letreiro que dizia:

Ontem teve e hoje não tem.

* Rafael Augusto de Souza

 

 

Pedro Cem

Lá no céu vai quem merece

Na terra vale quem tem

A soberba combatida

Foi quem matou Pedro Cem

(…) Ele dizia nas portas

Uma esmola a Pedro Cem

Quem já teve hoje não tem

A quem eu neguei esmola

Hoje me nega também

(…)A justiça examinando

Os bolsos de Pedro Cem

Encontrou uma muchila

Dentro dela um vintêm

E um letreiro que dizia

Já teve, hoje não tem

* Mestre Waldemar

 

O cordel tem origem na península ibérica, em Portugal e Espanha, no século XVI, onde as estórias se apresentavam em versos e prosas. Até hoje não se sabe bem quando os folhetos entraram no Brasil, mas muito provavelmente vieram com os colonizadores. Outra característica interessante, é que aqui no Brasil, a literatura de cordel sempre esteve ligada à cultura oral e popular, e escrita em versos.

E de onde vem a ligação com a capoeira? De maneira clara e intuitiva esse é mais um dos argumentos para a interpretação da capoeira como cultura popular. Na verdade não há algo que as ligue, e sim ambas fazem parte da tão rica cultura popular brasileira. E a cumplicidade não é só com o cordel, mas também com o samba de roda e todos os demais ritmos populares, quase todos de origem africana. Assim como os cantadores e repentistas, o capoeira deve estar atento ao que acontece ao seu redor. Deve ser um responsável pela divulgação de informações e opiniões.

Como escutei do amigo Miltinho Astronauta certa vez… “Todo capoeira é, ou deveria ser, um poeta, um cronista social e um sócio-crítico dioturno…”. Pensando dessa forma, embolando as idéias entre o passado e o presente, passando por críticas e homenagens, aproveitando o que foi criado e dando liberdade à nossa criatividade, devemos também mandar nosso recado, prestando atenção para essa característica tão marcante, interessante e importante da capoeira.

Sagu – raphaelmoreno@yahoo.com.br

São Carlos – Maio/2006

Fontes consultadas:

1. Jangada Brasil. www.jangadabrasil.com.br

2. ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel. www.ablc.com.br

A verdade da CAPOEIRA

Capoeira é livre, pelo menos é símbolo da liberdade, e ser livre e ter a liberdade é viver em democracia e a democracia é o debate das ideias, e elas, as ideias, seja de quem for, acaba por incomodar sempre alguém, com ideias diferentes é claro.

Penso na nossa capoeira e nessa liberdade que ela utiliza, ela não é de ninguém, porém todos queremos a verdade dela, queremos descobrir a verdadeira capoeira, mas é muito difícil nesse mar de ideias diferentes. Chegamos assim na grande pergunta, o que é ser verdadeiro? A verdade existe? Como disse o filósofo, podemos pensar e perguntar qual é o tamanho da lua, podemos ter uma reposta certa ou errada, mas o fato é que seja qual for nossa resposta, a lua tem um tamanho certo, esse tamanho existe, por isso é verdadeiro, independente das discussões sobre o que encontramos como sendo seu tamanho, se levarmos isso para a capoeira é como procurar uma verdade longínqua e bem distante da nossas percepções, mas temos de começar por algum lado essa viagem.

O importante para um projeto atual de capoeira é que possua suas verdades, alicerçadas nos fundamentos das experiencias e ensinamentos que sua liderança herdou na sua vida, mas que pode essa liderança muito bem, receber de bom grado as verdades e críticas construtivas daqueles que ele tome como discípulos, porém nós humanos somos falhos, erramos, e nossa verdade pode virar uma mentira quando confrontada com verdades mais fortes, por isso que é importante que existam na capoeira os retóricos, os falsos Mestres e professores, os alunos dissimulados, desleais e omissos, pois para que a luz exista é preciso que exista a escuridão, acredito que todo esse laboratório tem como grande alicerce o tempo, pois só ele dá a maturidade para as ideias sobreviverem ou não, por isso capoeira é para quem tem paciência com o tempo, para quem viaja na volta que o mundo deu e na que o mundo vai dar, fica aqui esse texto para reflexão da geração atual e para que muitas sejam as ideias, mas que as boas verdades vençam.

Torcemos por isso…

 

Marco Antonio Monteiro

Capoeira Alto Astral

Mestre Amaro: 30 anos da Academia Marinheiro em Suzano

Mestre Amaro, comemora este mes, 30 anos de atividades da Academia Marinheiro, fundada por ele em 1980.

“Na verdade é uma conjunção de duas celebrações. São três décadas de trabalho na capoeira no Alto Tietê, mais especificamente em Suzano, e muito mais de prática desta modalidade que tem me ajudado no aspecto disciplinar, físico, mental e social”, afirmou Mestre Amaro.
Sua história na verdade se confunde com o advento da capoeira em Suzano. Vim para São Paulo entre 1974 e 1976. Visitei uma série de academias de capoeira. Depois fui para Mogi onde passei a trabalhar com o mestre José Pereira, mais conhecido como mestre Pantera Negra, que teve formação com o mestre Canjiquinha da Bahia. Aprendi muito neste período”.

 

História:

Amaro Caetano de Souza, “MESTRE AMARO” de família baiana, em função de uma viagem de emergência à São Paulo, acabou por nascer prematuro de sete meses em São Paulo, em 1962. Voltou à Bahia, onde morou até os 12 anos. Em meados de 1967, tendo familiares capoeiristas, passou a tomar gosto pela arte, e assim sendo, nunca mais parou sua trajetória, no mundo da capoeira.

Por volta de 1974, volta à São Paulo, com a família, e conhece inúmeros capoeiristas, mais em particular o Mestre José Pereira, mais conhecido no mundo da capoeira como “Mestre Pantera Negra”, formado pelo famoso capoeirista Mestre Canjiquinha da Bahia. Com o qual passou a treinar até o ano de 1980, quando se formou. Passou a monitorar um trabalho paralelo ao do seu Mestre, por um período de seis meses, como filial da academia do mesmo. Mas ainda no ano 1980, em comum acordo com seu Mestre, funda a ACADEMIA MARINHEIRO, na cidade de Suzano/SP, com metodologia de ensino, totalmente voltada em não formar simplesmente um lutador, mas um cidadão de bem, para com a vida, e seus semelhantes.

Em verdade o Mestre Amaro, costuma dizer: “A Academia Marinheiro, não é somente uma academia, e sim uma extensão dos familiares dos alunos, que fazem parte do corpo presente da mesma. Hoje em nossa academia,procuro passar para os alunos conhecimento de vida, e até como se portar no seu dia-a-dia, e como se sair em uma possível entrevista de trabalho, pois haja visto que trabalhei na área de recursos humanos, comércio exterior, custos e controle empresarial, por mais de 12 anos. Assim procuro estar na melhor forma possível, ao lado de meus alunos. A Academia Marinheiro, hoje conta com inúmeros capoeiristas, com competência substâncial, para correr o mundo, e assim sendo temos projetos para se instalar em outros continentes. Do qual estaremos exportando toda nossa experiência capoeirista”.

Hoje após uma constante batalha, a Academia Marinheiro é destaque, e é considerada uma das melhores academias

de capoeira do Brasil. Em função de constantes pesquisas, realizadas pelas autoridades competentes e meios jornalísticos, o Mestre Amaro, constantemente é convidado a ministrar inúmeras palestras motivacionais, em empresas, universidades, escolas estaduais e municipais, além de ministrar cursos para outras academias, em todo o Brasil.

Está preparando-se para expor também seu trabalho por todo o mundo, como já ocorrido na década de 90, onde esteve na Argentina representando o Brasil, em um encontro mundial de artes marciais, do qual foi reconhecidamente aplaudido pelos presentes, durante sua apresentação.

O Mestre Amaro tem como meta, estar viajando por todos os continentes, onde estará fazendo contatos comerciais, para as instalações de franquias, pelo mundo.

e-mails: mestreamaro.marinheiro@gmail.com
e-mails:amaro@academiamarinheiro.com.br

A Academia Marinheiro, localizada na rua General Francisco Glicério, 354, 3º andar, sala 342, no centro de Suzano.

Crônica: Quem é você que vem de lá?

Dizem que cheguei aqui em condições precárias, e sem saber quem eu era. Que passei dias de fome, sede e frio. Não sei se é verdade, mas a verdade que tenho dentro de mim é que sou fruto do encontro de três raças.

Sou mandinga, malícia e jogo, porque sei ganhar e perder.
Sou homo, porque não tenho sexo definido, ou seja, sou homem, menino e mulher.
Sou inodoro, porque não tenho cheiro.

Dizem que tenho minhas origens na pele preta, mas acredito que sou incolor, pois não tenho cor e sou de todos.

Sou fera, porque deixo o meu rastro por onde passo.
Sou fruto daqui desta terra.
Sou sua, e você é meu.

Sou vida porque vivo dentro de você, então você sou eu.
Sou pagã, derradeira e escudeira.
Sou a exclusão de uma sociedade e sou aceita pela mesma.
Sou uma escória. Por que me rotularam assim? Não importa,
sou a história deste povo.

Dizem que me libertaram em 1930, mas acho que sempre fui livre, sou dona de mim, por isso sou assim, ágil, lenta, rasteira, malandra, adulta e infantil, eu sou brasileira.

Sou cúmplice daqueles que me querem.
Tenho a minha própria sina, pois sou gentil e amorosa.
Sou cortês, acho que tenho que ser sempre assim, afinal a "cortesia é contagiosa".
Sou irreverente e equilibrada.
Assim sou eu, altamente minuciosa.

Transpassei o transcurso do meu tempo e acredito que viverei eternamente porque sou passada de boca em boca, de geração à geração.

Assumo que tive meus dias de repressão, mas me fiz vitoriosa, tenho meus fundamentos baseados na minha própria tradição, fiz a minha própria lei.

Sou luta, pois estive na guerra. Guerreei junto com o meu povo.
Sou arte porque sou bela e talvez a mais bela de todas elas.
Sou dança porque me mecho mediante a música e me solto no compasso da minha ginga.
Sou cultura, sou a estrutura de um povo.

Peço a você que me identifique,
Você me dirá como quer me pintar.
Com licença, permita que me apresente.
Meu nome é capoeira.
Sim, sou eu, sou eu camará.

Agora lembre-se sempre que sou daqui desta terra.
Estive na colheita do café, cortei cana nos canaviais.
Estive amordaçada nas senzalas e violada por maus feitores, mas rodei minha baiana e dei a volta por cima.
Me tornei a coqueluche daqueles que diziam ser meus senhores.

Sou eu, sou eu camará.
Eu sou capoeira.

Sou o brilho e o ofuscar das nuvens escuras que sobrevoavam sobre mim naqueles tempos, tempos de tristeza, maldade e desasossêgo. Como? Remordimento? Nunca!

Fui acorrentada, e por mim muitos foram sacrificados.
Reconheço o esforço de todos.
Mas o que passou, passou e esse tempo já é passado.

Hoje sou plena e agradecida, mas para chegar a esse ponto tive que viver na noite, na esbórnia, na boemia e na malandragem. Nesse tempo todo mundo já me conhecia e nele eu dei cabeçadas e rasteiras.

Vaguei pelos becos, tive minha morada no gueto, me transformei em cineasta, hoje deleito de uma vida vasta.

Sou eu, sou eu camará.
Sou eu capoeira.
Sim, sou agradecida e rebelde, pois estive um período à merce da delinquência.

Mas, me informei, me graduei e no meu diploma queriam que contasse que fui vadia por ter me refugiado na alegria das ruas. Sim, é verdade! Queriam também que contasse o perfil de uma das profissões mais antigas do mundo.

Lembre-se, vivi nas ruas, rodei dentro de grandes círculos e centros, dei a volta ao mundo, mas não sou vagabunda.

Meu nome é capoeira
Sou eu, sou eu camará.
Sou a digestão de "tudo o que a boca come".
Sou aquilo que você quiser.

Mas lembre-se, que eu bato com a mão, a cabeça e o pé.

Sou anjo e criatura, porque fui a própria desordem, e hoje eu sou camará, a ordem e progresso do meu povo.

Para concluir deixe-me resumir toda uma vida de persistência e experiência.

"Desde a noite que me envolve, negra como um poço escuro de polo a polo, agradeço aos deuses, quaisquer que sejam, por minha alma indomável. Nas garras dos ferozes das circunstâncias, não me entreguei, nem gritei com voz alta, de baixo dos açoites injustos. Tenho a cabeça ensanguentada, não inclinada. Para mim não importa que a porta seja estreita ou que eu tenha um pergaminho carregado de condenas. Eu sou a dona da minha sorte, eu sou a capitã do barco em que navega o meu espírito". Eu sou capoeira.

 

Texto de:
Wellington de O. Siqueira.
Mestrando CINZENTO.
Tel: 600072978
cinzentocapoeira@hotmail.com
www.aluacapoeira.com

Aconteceu: Palestra: A ORIGEM DA CAPOEIRA

Palestra: A ORIGEM DA CAPOEIRA
Prof. Mst. Ricardo Lussac "Mestre Teco" (CREF1 3944-G/RJ)
 
Local: Parthenon Eventos – Colégio Santa Mônica – Unidade Taquara.
Endereço: Rua Padre Ventura, 184 – Taquara – Rio de Janeiro – RJ.
Data: 07 de setembro de 2007. 
 
Capoeiras,
 
Sete de setembro de 2007, comemoração da Independência do Brasil… mas capoeira é capoeira e comemora do seu jeito… Fomos ao Colégio Santa Mônica assistir a uma sensacional palestra sobre a origem da capoeira. É! Muitos podem rir sobre o tema e até pensar "porque se perderia tempo assistindo alguém a falar sobre a origem da capoeira que todos sabem tão bem…" mas nós fomos: Genaro, Arnaldo Mineirinho, Ruffato, Silas e outros que totalizaram 19 (dezenove) assistentes numa palestra gratuita específica e rica de conteúdo acadêmico e popular, proferida pelo estudioso pesquisador do assunto capoeira professor Ricardo Martins Porto Lussac – "Mestre Teco".
 
O palestrante revelou a alquimia de como se procura, se colhe e se divulga a verdade "a mais verdadeira possível", dentro da ética e das possibilidades que os fatos, documentos investigados e a metodologia da pesquisa permitem ao capoeira pesquisador.
 
Orientou a todos sobre a isenção da paixão e tendenciosidades na procura e divulgação do que se propõe a entender para si e para os demais interessados na história da capoeira.
 
Como é sabido "capoeira é capoeira, é tudo que a boca come…", mas pesquisar a verdade, sem as mitificações de ídolos e as mistificações de fatos e "causos" é um árduo trabalho ético que muitas vezes vai de encontro às boas mentes pensantes e bem intencionadas que acreditam piamente no que "acha o achante", que aumenta um ponto no conto que viu ou ouviu dizer, mas incapaz de retroceder, cientificamente, à cosmogonia do universo da capoeira.
 
Uma palestra gratuita sobre um tema valiosíssimo… e apenas 19 (dezenove) assistentes… com direito a certificado escrito que tanto valor tem para o capoeirista que o soma ao seu currículo.
 
Mestre TecoA Parthenon Eventos, uma empresa prestadora de serviços esportivos, fundada em 1996, laborando comercialmente na implantação de projetos esportivos, atualização e qualificação profissional, oportunizou gratuitamente, mais uma vez à comunidade capoeira, através dessa palestra ministrada pelo Mestre Teco, profissional gabaritado a eliciar dos assistentes as respostas que a capoeira precisa, com a certeza e a dúvida que a pesquisa acadêmica impõe, mais um espaço interessante que podemos ocupar, em face da simpatia pela capoeira do seu administrador maior, Professor Bruno Castro, onde nós, os capoeiras, podemos ter mais um palco, uma roda, uma oficina, um laboratório, enfim, maiores chances de desenvolvimento, atualização e aquisição de novos conhecimentos, tornando-nos, sem subserviência alguma, melhores ao empreendimento ao qual nos propomos.
 
Parabéns, mestre Teco!!!
 
Muito obrigado, Professor Bruno Castro!!!
 
Iê capoeira!!!
 
Joel Pires Marques
55(21) 82004888 – 22649356 – 94845277
www.capoeirajogoatletico.com/blog

CAPOEIRAGEM, A VERDADE DE CADA UM

Fórum Virtual, março, 2007
 
A terceira edição, em português, do meu “cordel” Capoeiragem no Rio de Janeiro, no Brasil e no Mundo será lançada em Abril. Com nova capa (que logo será plagiada como as anteriores) e várias outras alterações.
Acrescento nova Apresentação que, tenho certeza, reacenderá boas e saudáveis polêmicas. Acrescento, também, mais dois extraordinários mestres – Camaleão e Pedrinho de Caxias. No primeiro caso, reparo grave injustiça, pois, Seu Camaleão deveria estar presente desde primeira edição, vez que acompanho o seu bom trabalho há muito tempo, e tenho respeitável acervo fotográfico comprobatório.
Tanto assim que, na revisão final, tratei de substituir a foto tirada no Museu do Louvre, junto ao intrigante trabalho de Borghese (foto que poderia ter entrado no Código da Vinci…) por uma outra, onde Papai Camaleão (Marselha, França!) aparece com sua linda recém-nascida filhinha, Mademoiselle Yara Marisa. Que Deus abençoe especialmente essa família!
Quanto ao Pedrinho, atualmente brilhando na Espanha, deixa sempre, em suas andanças pelo mundo,
as portas abertas para voltar. Como constatei recentemente, em Buenos Aires, conversando com duas lindas ex-alunas do jovem Mestre.
 
Mestre  CamaleãoComo não poderia deixar de ser, dei mais relevância ao espaço de Mestre Marujo que tão prematuramente resolveu nos deixar. Para tanto tive que sacrificar o espaço de Mestre Chaminé, excelente figura, meu vizinho, o que lamento muito. Corte que me dá oportunidade de reafirmar a limitação do meu “Cordel”, que não pode, em hipótese alguma, ser avaliado como se fosse um Atlas da Capoeiragem no Rio de Janeiro. Projeto que idealizei e elaborei há mais de quatro décadas e que, finalmente, em vários estados, começa a sair do papel. Esses ATLAS ESTADUAIS, sim, poderão e deverão contemplar todos os mestres que estão ou passaram por cada estado.
 
Meu cordel, que nem chega a ser um cordel de verdade, como tão bem fazem os paraibanos (tanto assim que vários deles inspiraram e inspiram cantigas de capoeira), apenas cita uns poucos mestres. Utilizei, sobretudo, critérios jornalísticos, procurando ao mesmo tempo dar espaço para alguns extraordinários capoeiras que desconhecem ou não podem usar esquemas marqueteiros quase diabólicos (como alguns fazem).
O que aumenta a Torre de Babel dentro da Capoeira, as versões e as polêmicas excessivamente apaixonadas, onde o fanatismo e mercantilismo se unem para vencer a corrida a qualquer preço.
É “a verdade de cada um”, que só pode ser combatida, pacientemente, utilizando-se o genial entendimento de Pirandelo (“Assim é, se assim lhe parece”) e, de modo firme e sereno, continuando a luta pela verdade verdadeira. Mostrando as incongruências de certas versões e, sobretudo, mostrando provas irrefutáveis sobre a verdadeira História da Capoeiragem no Brasil.
 
Mestre  CamaleãoPerco, aqui e ali, uma batalha, mais ao final, não tenho dúvida, sobreviverá apenas a história verdadeira. Aonde, aliás, todos ficam muito bem.
Praticamente todos novos livros e trabalhos a universitários já estão dedicando espaços, cada vez maiores, à Capoeira Utilitária de Sinhozinho, e à importância da capoeiragem do Rio Antigo na formação da capoeira contemporânea etc.
Começa-se a discutir, também, agora com seriedade, o que será, final, “eficácia na capoeira”?
Tais temas, fundamentais, já podem ser encontrados, como adiantei, em trabalhos acadêmicos recentes, como é bom exemplo a monografia “Capoeira: Jogo Atlético Brasileiro (EEFD/UFRJ)”, do Professor Joel Pires Marques, Diretor Cultural da Federação Fluminense de Capoeira, bacharel em Direito e contramestre de capoeira.
Quem estiver interessado em ler o trabalho bastará acessar http://www.capoeirajogoatletico.com/.
 
Mestre  CamaleãoOutro bom exemplo, embora ainda embrionário, é o trabalho de pesquisa que o Professor Ricardo Lussac, Mestre Teco, está fazendo para a cadeira História do Esporte (Professor Doutor e Orientador Professor Doutor Manoel José Gomes TUBINO). Dentro do tema geral da pesquisa – “Aspectos Filosóficos e Sociais do Esporte” – Ricardo Teco escolheu o mote: Irradiação & Atração Sócio-Cultural, Esportiva e Econômica das Cidades Maiores – Mestre Sinhozinho no Rio de janeiro”.
 
Em suma, a preocupante mesmice na qual os livros e artigos estavam se atolando, começa a ser eliminada. Isso será extremamente benéfico para a Capoeiragem e para os capoeiras.
 
Em seguida ao Cordel, estarei lançando meu primeiro livro de literatura pura, no Iate Clube do Rio de Janeiro, mas isso, concordo com vocês, não tem nada a ver com a nossa querida Capoeiragem.
Ou tem?