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MESTRE MOA DO KATENDÊ: UMA VITIMA DO EXTREMISMO

MESTRE MOA DO KATENDÊ: UMA VITIMA DO EXTREMISMO

Texto: Jeferson do Nascimento Machado

Este texto, escrito em um momento de consternação, como não poderia deixar de ser, está carregado de emoções (o presente artigo foi elaborado para um compêndio intitulado Brasil Nunca Mais, organizado pela Frente Popular – São João do Triunfo). Tenho ciência disso. No entanto, o emergir da violência no país, que se desdobrou – entre outros tantos crimes políticos – no assassinato de mestre Moa do Katendê (Romualdo Rosário da Costa), aponta para uma necessidade de tomarmos posições frente ao que vem acontecendo, buscando equacionar os acontecimentos, numa perspectiva progressista, e apontar caminhos melhores que estes que os reacionários nos oferecem.

Assim sendo, busquei realizar uma reflexão a partir do crime brutal que vitimou Moa, de modo que possamos compreender a dimensão histórica e social do ocorrido. Para isso, me amparei em uma bibliografia criteriosamente selecionada acerca da capoeira, bem como em fontes variadas, como portais de notícia, fontes orais, jornais e revista (que estarão referenciadas junto com as bibliografias deste compêndio).

O assassinato de Moa repercutiu e continua a repercutir, sendo divulgado nos mais variados portais de notícias, nacionais e internacionais. Sua morte levou muitos capoeiristas, grupos culturais e políticos, bem como grande parte da sociedade civil organizada a realizarem uma série de eventos, atos e protestos contra o crime. Também aconteceram homenagens de vários artistas, como Caetano Veloso e Chico Cezar, que gravaram, cada qual, uma música em homenagem ao Mestre Moa. Roger Waters, ex-integrante da banda inglesa Pink Floyd, fez emocionante discurso sobre ele em show na Bahia. Além do mais, a sua morte levou algumas alas da periferia a se organizarem frente ao que se instala no país. Exemplo disso, está sendo a criação dos Comitês Mestre Moa do Katendê, por todas as periferia do país, iniciado pelo rapper G.O.G (Genival Oliveira Gonçalves). Toda esta rede de ações pragmáticas e discursiva, criadas em volta de Moa, parece apontar que a sua morte, longe de ser algo isolado e distante, está totalmente enraizada ao social, catalisando sentimentos e produzindo ações. A dimensão social do ocorrido ultrapassa o próprio evento – junta-se a outros tantos crimes, de hoje e de ontem, cometidos contra o negro, contra os trabalhadores e todas as minorias em poder – e produz redes de consciências que podem despertar as classes menos favorecidas.

Dito isso, vamos adentrar na biografia deste mestre. Romualdo Rosário da Costa, o Mestre Moa, foi um dos grandes mestres de capoeira e divulgador da nossa cultura popular. Ele nasceu em Salvador (BA) no dia 29 de outubro de 1954 e conheceu suas raízes aos oito anos, aprendendo os primeiros movimentos de capoeira. Com seus 16 anos Moa começou a trabalhar em grupos folclóricos como o “Viva Bahia” e o “Katendê”. Foi uma pessoa essencial para a difusão da cultura afro-brasileira pelo sul do país, sendo responsável pela introdução da dança afro no Rio Grande do Sul.

Em 1985 Mestre Bobó formou Mestre Moa do Katendê, que deste então passou a ensinar a capoeira no Espaço Clube de Regatas Vasco da Gama. Mas ainda antes dele ter sido formado mestre, ele já tinha construído uma grande carreira no campo cultural. Assim foi que no ano de 1977 ele veio a ser campeão do Festival de Canção Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil. E em 1978 a fundar o Afoxé Badauê, que veio a ser campeão do desfile de 1979, na categoria de afoxé. Em sua vida ele foi compositor, dançarino, ogã-percussionista, artesão, educador e capoeirista.
Sobre a capoeira, Moa costumava dizer que ela abriu sua mente “para o entendimento de liberdade, de irmandade, de companheirismo, de respeito ao próximo, de respeito ao mundo, respeito à natureza, principalmente”. Em suma, a capoeira fez ele ter um olhar à esquerda sobre social e sobre a própria natureza. E foi este olhar que fez dele um constante guerreiro na luta contra a opressão, inclusive aquela da Ditadura Militar (1964-1985). Os militares daquela época chegaram a lançar bombas em um de seus ensaios, no Bonfim.

Este atentado contra Moa e seus outros colegas de ensaio, revela a parte de uma perseguição antiga, histórica, da burguesia brasileira sobre o negro, sobre o capoeira, sobre o trabalhador. Porém, mesmo com a perseguição, Moa nunca parou de lutar, prosseguiu engajado nas lutas sociais até o dia 7 de outubro, quando foi violentamente assassinato.

A perseguição a capoeira esteve assentada, ao longo de sua história, na luta de classe. E essa perseguição foi constante, os poderosos não descansaram um só dia no intuito de eliminar a capoeira. E quando notavam que era impossível, tentavam domesticá-la (ainda tentam até hoje). No entanto, ela sobreviveu a escravidão, a Ditadura e continua atuante nas periferias, nos becos, nas vielas e cortiços.

A origem da capoeira é carregada de polêmica, dividindo capoeiristas e intelectuais, que cada qual, a seu modo, busca dar uma versão sobre seu surgimento. Todavia, no âmbito historiográfico, foi Eugênio Soares que deu a melhor versão para o estado embrionário da capoeira. Para ele a capoeira foi uma prática urbana, exercida por escravos (sobretudo os de escravos de ganho) que, no todo, constituíam-se de homens, jovens e da África Centro-Ocidental. Muitos outros intelectuais concordam com Soares de que a capoeira tenha sido criada no Brasil, pelos africanos. Dessa forma, a capoeira é uma prática afro-brasileira, ou seja, ela foi criada no Brasil por africanos escravizados e se desenvolve sob influência de todo o caldo cultural do século XIX e XX.

João da Matta, que é psicanalista e usa da capoeira como ferramenta terapêutica, entende que a capoeira surgiu como resposta contra o colonizador europeu, servindo como instrumento de luta contra a escravidão e a repressão policial. E foi assim que ela veio se construindo ao longo da história, formando laços de companheirismo entre a classe oprimida.

No entanto, mesmo sendo fato que a capoeira foi criada por trabalhadores escravizados, a burguesia sempre buscou chamar ela de uma prática de vadios, desocupados. Se olharmos para os jornais antigos da Bahia, por exemplo, nos depararemos com os ritos de carregar peso – que eram realizados pelos trabalhadores de rua – conviviam com a capoeira, sendo que o cancioneiro da capoeira bebeu nos cantos do trabalhador de rua e estes se utilizava da capoeira em momentos conflituosos ou lúdicos. No geral as fontes revelam que os capoeiras, mesmo depois da escravidão, continuavam a exercer as profissões antigas mostrando certa continuidade de posição, desta forma eles continuaram a viver de ocupações esporádicas e intermitentes: estivadores, carroceiros, peixeiros, engraxates, pedreiros, chapeleiros, etc.

E foi o fato da capoeira ser uma prática cultura da classe trabalhadora que fomentou, desde muito cedo, o engajamento desta prática com as alas mais progressista da sociedade. Afinal, trabalhadores e grupos de trabalhadores, são impelidos pela dinâmica da própria luta de classe, que se assenta no modo de produção capitalista, para organizações que expressem seus anseios e ofereçam chaves interpretativas da realidade, para que assim suas ações se aperfeiçoem.

Assim sendo, aqui damos atenção para os partidos e organizações políticas, na percepção de que elas expressam as classes e frações de classes e que, portanto, também atraem os trabalhadores, bem como os organiza e é organizada por eles. Este engajamento da capoeira a partidos, pode ser encontrado ainda no século XIX, embora naquele momento a consciência dos capoeiristas, assim como da própria elite, estivesse totalmente fora do lugar. Esta deturpação da realidade, nascia pela tentativa da elite em reproduzir o mundo europeu dentro da realidade brasileira, que era totalmente diversa daquela. Esta deturpação da elite afetava a própria ação dos trabalhadores, que naquele momento ainda se encontravam na condição de escravos. Esta deturpação produzia partidos fora do lugar, como o Partido Conservador e Partido Liberal, nos quais muitos capoeiristas se reuniam em maltas, onde lutavam. Os Nagôas, que eram africanos ou descendente vindos da Bahia, ocupavam a Pequena Africa, apelido dado aos arredores da Praça XI, um dos limite do Rio de Janeiro. Eles declaravam apoio a monarquia, que era representado pelo Partido Conservador e identificado com o movimento abolicionista. Os Gaiamuns já eram uma malta que se identificava com os mestiços. Eles ocupavam o centro da cidade e estavam aliados ao Partido Liberal, que tinha identidade com ideais republicanos.

Passado o século XIX, os capoeiristas passaram a se organizar junto alas de maior clareza, e de caráter realmente progressista. E isso já pode ser visto em Mestre Pastinha, que durante toda sua vida, foi próximo dos membro e militantes do Partido Comunista, chegando a ter como amigo pessoal, o comunista Jorge Amado, escritor que dedicou bastante à divulgação da capoeira, a partir da literatura, sobretudo da capoeira Angola. Pastinha chegou mesmo a dar aulas no Centro Operário, o que o aproximou ainda mais dessa ala progressista. Além disso, também foi próximo dos anarquistas, que se expressa em sua aproximação com Roberto Freire, que mais tarde criaria a Somaterapia, que tratava-se da união da psicanálise desenvolvida por Wilhelm Reich, do anarquismo e da capoeira angola.

Em momentos conturbados, como foi o caso da Ditadura Civil-Militar(1964-1985), a capoeira se fez presente na luta e houve constante perseguição aos capoeiristas que se recusaram a seguir as normas impostas. O Grão Mestre Dunga, praticante da Capoeira de Rua, chegou a ser preso por estar tocando berimbau na Praça Sete, em Belo Horizonte. Ele narra que “a capoeira de rua sofreu repressão e perseguição, considerada como atividade subversiva pelo governo militar” e que ele “foi recrutado pelo exército, na década de 70, quando resistia e alimentava, às escondidas, os universitários presos durante as manifestações estudantis”.

Também Mestre Djalmir, em depoimento a Identidade Cultura TV narra a sua experiência durante a época da repressão em São Gonçalo, dizendo que “[…] era uma época forte da repressão da Ditadura, que não queria aceitar o capoeirista […] então fui obrigado a correr muito. Aquela época se você tive jogando a capoeira num determinado lugar, todo mundo nem perto queria passar […] olhava com medo e se por acaso algum militar chegasse, ai a gente tinha que correr […]. Mestre Djalmir chegou a ser preso duas vezes por causa de capoeirista.

Outros capoeiristas, como o Mestre Arraia, considerado precursor da capoeira em Brasília, foi atuante junto aos movimentos contrários a Ditadura Militar. Entre esses capoeiristas que lutaram contra o regime, ainda poderíamos citar o jovem capoeiristas e estudante de direito, Caio Venancio Martins, que foi integrante do Movimento Estudantil da USP e que foi considerado perigoso em documento do DOPS por praticar capoeira, sendo preso e sumido pelos militares. Devemos lembrar que o próprio Carlos Marighela foi capoeiristas, chegando a utilizar da capoeira para resistir a uma prisão.

Além disso, vale notar que o ativismo não se limitou aos sujeitos isolados, mas também se manifestou em grupos e associações de capoeira, como foi o caso da Associação Cultural Corrente Libertadora, que estabeleceu fortes diálogos como movimento sociais, tornando-se ferramenta de intervenção política no período da Ditadura Militar, tendo dado a sua contribuição para a criação do PT (Partidos dos Trabalhadores). Assim sendo, a capoeira criou uma relação histórica com esse partido progressista, tendo fortalecido a relação quando a capoeira foi reconhecida pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 20 de novembro de 2008, como Patrimônio Nacional e como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, em 26 de novembro de 2014.

Outro grupo importante nessa resistência, foi o grupo de mestre Anande das Areias. Este mestre foi para São Paulo após treinar em Itabuna, como o jovem Luís Medicina, a pedido de Mestre Suassuna, que era líder do grupo. Ali se estabeleceu e passou a dar aulas. Suas aulas começaram a chamar atenção, sobretudo dos estudantes universitários. Areias veio a ser preso por essa relação com os universitários da época, que estavam engajado na luta contra a ditadura. Na prisão foi que ele teve contato com os intelectuais de esquerda, os quais transmitiram seus conhecimento. Quando Areias saiu da prisão, ele rompeu com seu antigo mestre e fundou o grupo Capitães d’Areia, que se propunha trabalhar a capoeira enquanto instrumento de libertação para os grupos oprimidos.

Desta forma, podemos dizer que a capoeira, construída na arena da luta de classe, acumulou experiências que foram sendo transmitidas pela tradição oral e pela estética das rodas de capoeira, sendo assim interiorizada pelos capoeiristas, funcionando como esquemas mentais de classificação e ação diante a sociedade com que se defrontam. E foi isso que levou a muitos capoeiristas a terem uma posição clara quanto o Golpe de 2016, vindo a participarem de vários atos contra o Michel Temer e a retirada da então presidenta Dilma Rousseff, que podem ser encontradas nos mais variados portais de notícias.

Em continuidade e coerência com o caráter emancipatório da capoeira, também Mestre Moa do Katendê se posicionou à esquerda, neste momento conturbado da história. Este posicionamento acarretou em sua morte, porém ele morreu enquanto individuo, mas sobrevive enquanto classe emancipadora.

Este crime soma-se a outros, como o feminicídio da vereadora Marielle Franco, que até o momento ainda não foi resolvido; ao atentado a caravana do ex-presidente Lula, aos ataques ao acampamento situados nas proximidades da Policia Federal, local onde se encontra o ex-presidente; além de tantos outros caso de violências. Dessa forma, notamos que o assassinato de Moa se insere num quadro de violência, que vem sendo orquestrado pela ala reacionária da sociedade, que aproveita-se de um momento de crise para encarnar sua ideologia no social, produzindo verdadeira milícias.

Assim sendo, estes acontecimentos expressam parte da luta de classes atual. A esquerda tem escolhido o caminho do pacifismo, da não agressão. Enquanto isso, a extrema direita escolheu o caminho radical. E cada dia ela aumenta o grau de violência, sistematiza e amplia seu poderio sobre as massas.

Visto isso, antes de encerrarmos este texto, voltemos a Itália do dia 16 de maio de 1924, momento em que o deputado Gramsci faz um discurso histórico contra Mussolini. Nessa época Mussolini já estava ocupando o cargo do Conselho de Ministros e resolveu encaminhar ao parlamento italiano o projeto de lei para “disciplinar a atividade das associações e institutos”, ou seja “acabar com os ativismos”. Gramsci, que era deputado, se opôs totalmente ao projeto, desmascarando a lei, demonstrando que era antidemocrática e que o fascismo buscava a implantar uma ditadura naquele país. Mussolini ficou profundamente irritado e rebateu, definindo o fascismo como “revolução”.

Porém, “Gramsci retrucou dizendo que o fascismo não era uma revolução, mas uma ‘simples substituição de um pessoal administrativo por outro. Só é revolução – acentuou – aquela que se baseia em uma nova classe; o fascismo não se baseia em nenhuma classe que já não esteja no poder’. Mussolini voltou à carga, procurando descaracterizar o conteúdo de classe do fascismo e protestando: ‘Grande parte dos capitalistas está contra nós!’. O deputado oposicionista não se perturbou, e observou que o fascismo só entrava em choque agudo com os outros partidos e organizações da burguesia […] porque queria estabelecer o monopólio da representação da classe. A atitude do fascismo com relação aos demais partidos burgueses era simples: “’primeiro lhes quebra as pernas e, depois, faz o acordo com eles em condições de evidente superioridade’. Mussolini não gostou da referência à violência dos fascistas, retrucando que esta violência equivalia a dos comunistas. Gramsci lhe respondeu: ‘A vossa violência é sistemática e é sistematicamente arbitrária, porque vós representais uma minoria destinada a desaparecer’”.

E assim como na Itália daquela época, estamos hoje no Brasil. Algo semelhante ao fascismo surgiu nas nossas terras tropicais e, da mesma forma que lá, cada dia que passa, torna-se mais violenta, sistematiza-se e se instala no âmbito social. O Brasil se encontra em uma grande encruzilhada, que não sabemos para onde vai. Por isso, esperamos que este conjunto de crimes políticos, sirvam de alerta para um perigo que se avizinha, no qual qualquer um de nós pode vir a ser vítima.

Mestre Moa, presente!

 

Texto: Jeferson do Nascimento Machado

email: [email protected]


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Natal: Punido pelo preconceito

Conheça a história de um inocente que viveu mais de 2 anos atrás das grades

Ser negro, tatuado, pobre, sem estudo e ainda professor de capoeira. Valdécio de Oliveira Soares, 34 anos, acredita que foram essas características que o levaram a ficar preso por dois anos, três meses e 28 oito dias por um crime que não cometeu. Acusado de ter matado um amigo, Erivan de Paiva Justino, 34, em janeiro de 2010, ele foi inocentado em um júri realizado em 19 de julho deste ano por falta de provas. Solto desde então, ele lembra com tristeza dos momentos de desespero e sofrimento na cadeia, pagando por um crime que não cometera, sentindo saudades da família e de amigos. No entanto, ele também compartilha o gosto da liberdade de fazer coisas simples como tocar um berimbau ou mesmo comer pão com ovo quando bem entender.

Valdécio Soares foi detido em Bom Jesus, onde mora, em 29 de abril de 2010 durante a chamada “Operação Sentinela”, deflagrada pela Polícia Civil com objetivo de cumprir mandados de prisão contra pessoas acusadas de crimes diversos, principalmente homicídio. O professor de capoeira foi apontado como o principal suspeito na morte de Erivan Justino, que fora encontrado morto e com o corpo carbonizado às margens da BR 226, no município de Bom Jesus, em 26 de janeiro daquele mesmo ano. A vítima estava desaparecida desde o dia 4 daquele mês, depois de ter saído da casa de Valdécio.

Ele conta que no dia em que Erivan desaparecera, esse teria ido à sua casa para beber, juntamente com outro amigo, Elias. Enquanto bebiam, Erivan teria pedido para tirar a calça, por estar com calor e estar vestindo uma bermuda por baixo. “Eu disse que ele podia ficar à vontade. Ele tirou a calça e me pediu para guardar”. Por volta das 11h, Erivan disse para Valdécio que precisava sair para sacar um dinheiro da conta e chamou o professor de capoeira e o outro colega para irem junto. “Mas eu disse que não iria, que ele podia ir só”. Desde então, Valdécio não viu mais o amigo.

O advogado do capoeirista, Lázaro Amaro, explica que o delegado Frank Albuquerque, que à época conduziu as investigações, teria entendido que Erivan teria comprado droga ao seu cliente e não pagou, por isso foi executado. “A mãe da vítima revelou à Polícia que o filho era dependente químico de crack. Ela contou ainda que Erivan deixou uma calça na casa de Valdécio e, no mesmo dia, tentou sacar dinheiro da conta. Isso é o que tinha de concreto nas provas e que levou à presunção do crime. Associaram o fato do meu cliente ser negro, tatuado e capoeirista com a possibilidade de ser traficante, porque o delegado ouviu dizer que ele vendia drogas. Porém, não encontrou uma pessoa que confirmasse isso”.

 

Falta de provas

Preso por mais de dois anos e finalmente levado a júri popular, Valdécio Soares foi inocentado exatamente por falta de provas contra si. “Apresentaram uma testemunha, funcionário de uma farmácia na qual Valdécio fora tirar uma cópia da identidade a pedido da Polícia, acompanhado do amigo Elias. Essa pessoa disse que teria ouvido, na ocasião, meu cliente dizer para o amigo que tinha ido à lotérica comErivan para retirar o dinheiro. Porém, depois de se contradizer duas vezes, ele negou essa versão”, conta o advogado do capoeirista.

O defensor de Valdécio ressalta ainda que sequer existia a confirmação de que Erivan tinha sido assassinado. “O laudo do Itep (Instituto Técnico-Científico de Polícia) não conseguiu apontar a causa da morte. O corpo foi simplesmente encontrado carbonizado junto a uma plantação. Houve, inclusive, um boato que o fogo foi ateado por agricultores para preparar a terra. O que pode ter acontecido é que o rapaz teria consumido drogas, ficado desacordado e não escapou do incêndio”. Com a falta de provas, durante as alegações finais, a própria promotoria pediu pela absolvição do réu.

 

Indenização

Livre desde o julgamento, o mestre de capoeira ainda está avaliando a possibilidade de entrar com uma ação contra do Estado pedindo indenização pelo tempo que passara preso. “A gente tem que correr atrás do nosso direito. Não posso deixar isso de lado depois de tanta injustiça que sofri. Isso vai ficar de exemplo para muito outros que passam pela mesma coisa em nosso país”.

 

Momento da prisão

Valdécio lembra com bastante dor o momento de sua prisão. “Eu ainda estava dormindo, ao lado de minha namorada. Escutei um barulho fora da casa e me levantei para ver o que era. Quando abri a porta, um policial apontou uma arma para mim, perguntando se eu era Valdécio. Respondi que sim e ele disse que eu estava preso. Para mim, foi terrível o momento, pois fui colocado de joelho e algemado de frente ao espaço onde dava aula de capoeira, lugar que eu considero sagrado”. Depois de detido, ele passou por três unidades prisionais: primeiro no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Macaíba, em seguida para o Centro de Triagem de Pirangi, depois o Presídio Estadual de Parnamirim e retornou para o CDP de Macaíba.

 

Entrevista Delegado Frank Albuquerque: “A Justiça fez a parte dela”

O delegado Frank Albuquerque chefiava a delegacia de Macaíba à época do crime e respondia pela cidade de Bom Jesus. Foi ele quem conduziu as investigações que levaram ao indiciamento de Valdécio Soares por homicídio. E explica como chegou à conclusão de que o capoeirista teria matado Erivan Justino, mas comenta apenas que a justiça fez a parte dela.

Ao final do processo, Valdécio Soares foi inocentado das acusações. A pergunta que fica é se havia no processo provas robustas que pudessem incriminar o mestre de capoeira. O que o fez indiciá-lo pelo crime?

Havia provas testemunhais e técnicas. Tudo foi feito dentro da legalidade. Tanto que o juiz mandou prendê-lo e a prisão se sustentou até o final do processo. O que foi feito se baseou no que a mãe da vítima nos revelou, ou seja, de que Erivan fora a casa de Valdécio e desapareceu em seguida. O rapaz era dependente químico, mas não havia nenhuma outra pessoa interessada na sua morte. A mãe do rapaz ouviu dizer que o acusado vendia drogas. Acreditamos que a vítima tenha ido comprar droga ao acusado e deixou a calça como garantia de pagamento. Como não pagou, acabou sendo assassinado.

Mas a suspeita de que ele vendia drogas não foi comprovada. Você não conseguiu achar uma testemunha que confirmasse que Valdécio Soares era traficante?

Sabemos que, em geral, um traficante é uma pessoa perigosa e intimidaa comunidade que está a seu redor. Quem vai aparecer para confirmar que alguém vende drogas, correndo o risco de ser morto? Só a família da vítima, que está interessada em justiça.

Você ainda acredita que Valdécio seja culpado pelo crime, mesmo após sua absolvição?

Se ele foi absolvido, não posso ir de encontro a uma decisão judicial. A Justiça fez a parte dela, assim como eu sei que a Polícia também fez a sua. 

Estado perverso e injusto

O presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Marcos Dionísio, declara que o caso de Valdécio Soares demonstra bem as consequências de se ter uma Polícia desestruturada. “Um caso assim mostra que quando o Estado é ausente, ele se torna perverso. A incapacidade das polícias brasileiras em dar conta das investigações de homicídios no pais de maneira satisfatória gera injustiças como essa”.

Marcos Dionísio acredita que foi o fato de Valdécio Soares ser pobre que o levou a ficar preso por tanto tempo injustamente. “Se dermos uma olhada para a população carcerária, veremos que a grande maioria é de gente assim. É praticamente inexistente a presença de ricos na cadeia, pois esses têm condições de ter uma assessoria jurídica eficaz que possa tirá-los da prisão. Já os desfavorecidos têm de contar com a defesa dada pelo Estado, muitas vezes ineficiente”.

 

Paulo de Sousa
[email protected]

Acusados de matar “Leo Bombeiro” vão a júri

Às 12h de hoje, duas testemunhas tinham sido ouvidas. Companheira seria a mandante para ficar com seguro

Começou, hoje, no Tribunal do Júri de Samambaia, o julgamento dos réus Ítria Lima de Carvalho Alves, Júlio Andreza Neto e Célio Juliano da Silva, acusados de concorrerem para o homicídio do bombeiro militar e mestre de capoeira Leonardo da Cunha Alves. O adolescente H.S.R., executor do crime, também será ouvido em depoimento. Antes do meio-dia de hoje, duas testemunhas tinham sido ouvidas, faltando as outras seis pessoas, além dos interrogatórios dos envolvidos. A previsão é que o julgamento se encerre somente amanhã.

Segundo denúncia do Ministério Público, no dia 28 de janeiro de 2010, à meia-noite e meia, na DF-457, QS 414, Conjunto 9, em um ponto de ônibus em frente ao Posto Texaco, sentido Taguatinga a Samambaia, a vítima e Ítria voltavam do hospital, quando o veículo em que estavam foi atingido por outro. Leonardo foi surpreendido pelo adolescente H.S.R., ao descer do carro. O menor efetuou disparos de arma de fogo, causando a morte do bombeiro.

O homicídio ocorreu por motivo torpe, pois Ítria, companheira de Leonardo, queria resgatar o seguro de vida. O crime se deu ainda mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, já que o plano de sua morte consistiu em simular uma colisão entre veículos, para que a vítima descesse do carro e fosse executada.

Conforme informações do Tribunal de Justiça do DF e Territórios, Ítria Lima de Carvalho Alves concorreu para a prática delitiva, à medida que planejou o crime e contratou o adolescente para sua execução. Júlio Andreza Neto apresentou o adolescente a Ítria, Célio Juliano da Silva intermediou o contato entre Ítria e o denunciado Júlio.

 

 

Fonte: http://coletivo.maiscomunidade.com/

Nota de Falecimento: Mestrando Léo Bombeiro

A Capoeira perde uma grande personalidade, Mestrando Léo Bombeiro, Pai, Mestre, Herói, Bombeiro e Capoeirista. O fato ocorreu ontem em uma emboscada com 3 tiros em Brasília (ver matéria publicada na imprensa de Brasília). Os nossos mais sinceros sentimentos à esposa (contramestre Ítria) força, muita força a Capoeira não vai te abandonar...

Wellington Fernandes

 

Bombeiro assassinado com 3 tiros na DF-457

A vítima seguia com a esposa quando um veículo Golf bateu em seu carro

A Polícia Civil investiga o assassinato do soldado do Corpo de Bombeiros, Leonardo da Cunha Alves, 33 anos, ocorrido à meia-noite e meia, na DF-457, em frente a um posto de gasolina, na QS 414, Conjunto 9, em Samambaia. Ele foi alvejado por três tiros, dois no peito e um na perna, morrendo no local. A polícia tem um suspeito.

Segundo a delegada de Samambaia, testemunhas contaram que após a suposta batida, Leonardo Alves desceu do carro e foi alvejadoFoto: BritoSegundo a delegada de Samambaia, testemunhas contaram que após a suposta batida, Leonardo Alves desceu do carro e foi alvejado
A vítima estava saindo do Hospital Regional de Samambaia onde tinha ido levar a esposa para a emergência porque ela estava com fortes dores de cabeça. Segundo os familiares de Leonardo, na volta para casa, um Golf de cor escura teria seguido o veículo do bombeiro e simulado uma batida na traseira do carro do soldado. Ele desceu do carro, uma das pessoas que estava no Golf também desceu e disparou os tiros. “A esposa dele disse que depois de matar Leonardo, o autor chegou a tentar dar dois tiros nela, mas que a bala travou e por isso o acusado não conseguiu efetuar os disparos”, comenta Lindalva da Conceição parente da vítima.

A delegada Fabiana Silva e Souza da 26ª (Samambaia) conta que testemunhas viram dois veículos parados no local, resolveram parar e ajudar, achando que era um acidente, e acabaram presenciando o fato. “As pessoas pararam para ajudar e acabaram vendo o autor fugindo no veículo Golf e a vítima no chão. Ninguém chegou a anotar a placa do veículo em que estava o acusado”, comenta Fabiana. A delegada disse que um suspeito foi ouvido na delegacia e que os investigadores acreditam que outra pessoa também tenha participação. “A pessoa foi ouvida, mas não tínhamos provas concretas para ligá-la ao fato tivemos que liberá-la”, completa a delegada. A polícia ainda não sabe a motivação do assassinato. As hipóteses são de latrocínio, briga de trânsito e execução.

A família de Leonardo está abalada com a morte do rapaz e pede justiça. A mãe do bombeiro diz que o filho não tinha nenhum vício, que era da igreja, quase não saía de casa e que não tinha rixa com  ninguém. Ele trabalhava há 13 anos na equipe de salvamento do Corpo de Bombeiros e é lotado no 12º Batalhão. A vítima deixou três filhos, uma menina de 10 anos, um de 8 e outro de 7.  Leonardo tinha como hobby dar aulas de capoeira, além de participar do projeto Esporte à Meia-Noite, cujo objetivo é tirar os jovens das drogas, diz os parentes. O soldado será velado às 20h de hoje.

 

Fonte: http://coletivo.maiscomunidade.com

A Polícia Civil investiga o assassinato do soldado do Corpo de Bombeiros, Leonardo da Cunha Alves, 33 anos, ocorrido à meia-noite e meia, na DF-457, em frente a um posto de gasolina, na QS 414, Conjunto 9, em Samambaia. Ele foi alvejado por três tiros, dois no peito e um na perna, morrendo no local. A polícia tem um suspeito.

 

http://coletivo.maiscomunidade.com/imagem/7a2daa62b9fa3fa3bb9521ec1503878312722275/320/320/PNUImagem.jpgFoto: BritoSegundo a delegada de Samambaia, testemunhas contaram que após a suposta batida, Leonardo Alves desceu do carro e foi alvejado

A vítima estava saindo do Hospital Regional de Samambaia onde tinha ido levar a esposa para a emergência porque ela estava com fortes dores de cabeça. Segundo os familiares de Leonardo, na volta para casa, um Golf de cor escura teria seguido o veículo do bombeiro e simulado uma batida na traseira do carro do soldado. Ele desceu do carro, uma das pessoas que estava no Golf também desceu e disparou os tiros. “A esposa dele disse que depois de matar Leonardo, o autor chegou a tentar dar dois tiros nela, mas que a bala travou e por isso o acusado não conseguiu efetuar os disparos”, comenta Lindalva da Conceição parente da vítima.

A delegada Fabiana Silva e Souza da 26ª (Samambaia) conta que testemunhas viram dois veículos parados no local, resolveram parar e ajudar, achando que era um acidente, e acabaram presenciando o fato. “As pessoas pararam para ajudar e acabaram vendo o autor fugindo no veículo Golf e a vítima no chão. Ninguém chegou a anotar a placa do veículo em que estava o acusado”, comenta Fabiana. A delegada disse que um suspeito foi ouvido na delegacia e que os investigadores acreditam que outra pessoa também tenha participação. “A pessoa foi ouvida, mas não tínhamos provas concretas para ligá-la ao fato tivemos que liberá-la”, completa a delegada. A polícia ainda não sabe a motivação do assassinato. As hipóteses são de latrocínio, briga de trânsito e execução.

A família de Leonardo está abalada com a morte do rapaz e pede justiça. A mãe do bombeiro diz que o filho não tinha nenhum vício, que era da igreja, quase não saía de casa e que não tinha rixa com  ninguém. Ele trabalhava há 13 anos na equipe de salvamento do Corpo de Bombeiros e é lotado no 12º Batalhão. A vítima deixou três filhos, uma menina de 10 anos, um de 8 e outro de 7.  Leonardo tinha como hobby dar aulas de capoeira, além de participar do projeto Esporte à Meia-Noite, cujo objetivo é tirar os jovens das drogas, diz os parentes. O soldado será velado às 20h de hoje.

O 13 de Maio e a Mulher Brasileira

“A mulher escrava, ao menos podia  odiar  os seus algozes; a mulher fidalga tinha  de amar os dela”.  Vitória Gama *
 
A  pessoa negra, durante a escravidão,  e a mulher da nobreza,   pode-se afirmar,    trilharam caminhos paralelos, próximos, por todo aquele período, avançando pela  vida da República. Apesar das suas agruras o negro foi dela  aliado, o único aliado. Sem do negro as crenças e a urdidura da  alcovitice, milhões de mulheres fidalgas não teriam conhecido um único instante de felicidade no amor, como alguns momentos prazerosos no dia a dia.
O 13 DE MAIO E AS LIÇÕES DO EXILIO.
 
A Lei Áurea já nos consumiu comemorações ruidosas, festas; escritos e considerações, por quase um século, atribuindo-lhe valores e utilidades que não teve. Que não tem.  Sua autoria “dada” à Princesa Isabel, teve o objetivo de  materializar  a gratidão da mulher ao negro: “ser a sua paga, única”. Feito o pagamento,  a mulher, induzida pelos mesmos “senhores”, vira as costas ao negro no seu abandono, dele.  A Lei Áurea, – no presente como no passado – uma ante-Lei. Em não criar punição de nenhuma espécie ou em não aventar com a indenização ao escravizado de quatro séculos, “se acaba com a escravidão, perpetua a figura do escravo”. Procede dizer, à Lei Áurea deve-se a continuidade de focos de trabalho escravo, em pleno Séc. XXI; e pior, sem punição alguma, sob o amparo da anterioridade. Ainda assim o negro, por longos anos o acolheu, o festejou. O ver a desimportância da Lei Áurea não se deve à “ingratidão do negro”: Não. Devemo-lo ao exílio! O exílio tem sido de grande importância para o negro brasileiro. 
 
-“A escassez de mulheres brancas gerou zonas de confraternização entre  vence-dores e vencidos, entre senhores e escravos”, constata o fidalgo Gilberto Freyre, quando no exílio em 1930, confraterniza-se com o negro, e começa a escrever Casa-Grande e Senzala, inaugurando a segunda fase dos estudos sociais do Brasil. Mas G. Freyre, no que pese todo o esforço, ver na História da Pátria, o conto de uma banda só – sem  o testemunho da mulher – “creio que não há publicado no Brasil um só diário escrito por mulher”, confidências  incompletas, trucadas ante o medo – comidas por cupins  nas madeiras dos confessionários; as completas de verdade foram enterradas com as mães pretas. E mais.
 
-“Desde os anos sessenta, as descrições fantasiosas do passado do Brasil eram refutadas por cientistas sociais como Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso, etc…. Em geral estes autores refutavam o significado do 13 de Maio…”  (Mario Giesti). Sabem onde se encontravam os dois? No exílio. Também no exílio Darcy Ribeiro esboçou o seu “O Povo Brasileiro”, de conteúdo épico e dissertação brilhante.  Prevendo futuro auspicioso sem apontar para a reparação dos erros do passado, como se fosse possível. Retrocederíamos, nesta linha a Nina Rodrigues. Médico e pesquisador dos mais brilhantes, sentia-se um “exilado”  dos prestígios. Nina fez o que lhe foi possível. Para fechar este tópico socorro-me do médico e historiador Luis Mir – (Guerra Civil Estado e Trauma):  A  história da escravidão, da abolição e da pós-libertação foi uma luta contínua pela  etnia dominante para evitar, em qualquer grau ou acordo, a reconciliação com as etnias  subjugadas”.
 
AÇÕES  DESENCONTRADAS PARA UM MESMO PROBLEMA
 
Nestas condições, 120 anos depois, em nada mudou a condição do negro, nem as relações sociais da mulher. A mulher, (no rigorismo da outra vítima),  é o que se pode chamar de vítima de si mesma; o negro, vítima da sociedade que ajudou a construir, como ninguém.  Sim, a mulher, é responsável pela criação e formação moral e social do homem de amanhã; também da futura  mulher – esta preparada para continuar a ser vítima; aquele  para continuar opressor. É bom lembrarmos de que o negro chegou ao Parlamento, o cerne do Poder, muito antes da mulher, ainda no Império. A mulher só o alcança na segunda metade do Séc. XX. A mulher não  “viu” o alcance  da universalidade do voto; o negro nunca pôde exercitá-lo. Com este rescaldo o Brasil não andou no construir da Nação. O Estado Republicano nunca teve vida superior a 20 anos, por não propiciar  uma única proposta com vistas a integração desta outra banda da nacionalidade, o negro.
 
Em toda a vida Republicana os esforços do Estado são para debitar a questão do negro nas necessidades sociais. Não há como extrair daquela a particularidade deixada pela escravidão. Enquanto ela não for totalmente sanada  a mulher brasileira continuará se esquivando a esmo, sozinha; o negro brasileiro lutando contando com suas crenças e suas artes, só, ou quase; as dores da Nação –  continuarão as mesmas – de entranhas:
“Como Deus foi servido que eu mandasse matar meu filho”, peça de defesa aos padres coadjutores, de um nobre, (dentre os pais da prostituição infantil), “traído” pela  manteúda e o filho mais moço, “lavagem de honra” levada a cabo pelo filho mais velho (1).
 “Senhores….. Meu filho! é mais, é meu filho”.  Tragédia no Lar, Castro Alves
 
A primeira mãe, matilha preta cobrindo a cabeça, obrigada a solidarizar-se com o marido, diante do corpo do filho “ingrato”.   A segunda,  escrava – “nem mais um passo cobardes!…. uma doida a gargalhar”, ao ter o filho arrancado dos braços para venda.   
      
“Ninguém luta só, ninguém dança só”  relembra o Ministro Gilberto Gil, apresentando na Europa a Capoeira – das manifestações mais vigorosas de resistência do negro brasileiro. – “Criada para o prazer e o combate”, ensina o Ministro.(2) Enquanto isto – Nas areias de Copacabana,  outrora  um alfinim, mulheres também outrora fidalgas rememoram, velam, choram seus filhos – “plantando um mar de rosas vermelhas…” 
“Uma bala perdida os achou…” – “estava na hora certa, no lugar errado”, justifica o mesmo sistema. Tanto faz, a Ministra Presidenta do STF, dá de ombros, solidária com os “senhores”  do Séc. XXI, no “direito e no dever de matar bandidos” pregamos, a Nação.
 
Extinta, ou esvaída a escravidão ficou a dívida: sim, porque a História não tem fim, é um processo. E esta dívida terá de ser paga. E esta paga será o menor dos preços e o menor dos custos. A mulher brasileira é o melhor e mais apropriado segmento para desfraldar a bandeira da Indenização do Negro Brasileiro.  Aquela mulher – que sem meios, com um aliado escravizado –  amargou as suas dores morais e de entranhas; (essa mulher) – hoje, com um aliado capaz de esboçar reações – não pode esconder-se, insular a si e ou aos seus,  ao invés de procurar uma solução pactuada.
Assim, o 13 de Maio toma o seu lugar na História:  Apenas um ato burocrático.
 
     
E, é isto aí  senhoras do Brasil; e, é isto ai meninas brasileiras, – à dança, à luta:
 
-“Capoeira é pra homem menino e mulher”.
* Da. Vitória Gama: mulher negra, garimpeira, Professora, rezadeira, cantadeira – da região do antigo Gentil D’Ouro, vale médio do São Francisco, na Bahia.
(1) Tristão de Alencar Araripe, “Pater-Famílias no Brasil dos tempos coloniais”
(2) Discurso  de Gil em  Genebra, Suíça, numa Roda – 19-08-2004         
                                         
                                      
André Pêssego –     
[email protected]

Brasília DF: Violência e Morte – A Capoeira chora!!!

Mais uma triste notícia envolvendo a capoeira nos jornais… Desta vez o berimbau chorou lá pelos bandas de Brasília, a capital de nosso país, onde o conceituado Jornal Correio Brasiliense, através de sua edição online noticiou a morte de Ivan da Costa, um promotor de Eventos de 29 anos de idade. Ivan foi violentamente atacado por MONSTROS pois acredito não poder usar o termo "capoeiristas" conforme cita o Jornal, pois nós sabemos que um verdadeiro capoeirista não iria tomar esta atitude!!!
 
É lamentável ver a capoeira envolvida e citada de forma tão triste nos jornais…  e ainda mais triste é ver que alguns dos acusados eram professores de capoeira (é preciso saber separar o joio do trigo! é preciso ressaltar o quanto é digna a nossa missão pois um verdadeiro PROFESSOR, UM VERDADEIRO CAPOEIRISTA é acima de tudo um EDUCADOR!!!)… mais o fato é que a violência esta ai, se fez presente e vitimou am jovem cidadão… que fique bem claro o nosso repúdio a toda e qualquer ação envolvendo a violência seja ela qual for…
Que este caso seja tratado pelas autoridades e que os acusados sejam tratados com todo o rigor da lei!!!
 
Luciano Milani
 
Segue a matéria publicada no Correio Brasiliense:

Agressores de Ivan da Costa mostram frieza na delegacia
Renato Alvez
Do Correio Braziliense – http://noticias.correioweb.com.br
Reprodução/Edilson Rodrigues/ Paulo de Oliveira/CB
01/09/2006 – 08h13: Em uma conversa com o delegado Antônio Coelho, titular da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), os capoeiristas Francisco Edilson Rodrigues de Sousa Júnior, 21 anos, e Fernando Marques Robias, 26, explicitaram o nível de brutalidade que levou à morte o promotor de eventos Ivan Rodrigo da Costa, 29. “Bati. Bati legal”, disse o primeiro, o Macumba (3). “Se pudesse, batia de novo”, afirmou o segundo, conhecido como Lacraia (2).
Segundo o delegado, três dos cinco acusados de agredir Ivan, contaram, ontem, os detalhes do espancamento sofrido pelo promotor de eventos na madrugada de 21 de agosto. A vítima morreu nove dias depois. “O que mais me impressionou foi a frieza do Francisco e do Fernando. Eles não demonstraram arrependimento”, afirmou Coelho.
 
Nenhum dos acusados, porém, aceitou depor formalmente. Orientados por três advogados, alegaram que só falarão em juízo. Os cinco são moradores do Cruzeiro Novo, colegas de infância. Quatro têm o nome como suspeito em ocorrências policias. Três são professores de capoeira (leia quadro). Todos estão presos. Serão indiciados por homicídio triplamente qualificado – ação em grupo que teve motivo fútil sem chance de defesa à vítima. Se condenados, poderão pegar até 30 anos de cadeia cada um.
 
A prisão preventiva dos cinco foi decretada pelo juiz Edilberto Martins de Oliveira, do Tribunal do Júri de Brasília, na noite de quarta-feira. Em sua decisão, o magistrado destaca que, para dificultar a ação da polícia, os suspeitos retiraram as fotografias do Orkut – site de relacionamento – no dia seguinte às agressões contra o promotor de eventos. “Por outro lado,o potencial de periculosidade revelado pelo comportamento impiedoso e brutal que se atribui aos indiciados, que, por motivo banal, espancaram uma das vítimas até que ela desfalecesse, faz com que se presuma o risco a que estará, aparentemente, submetido o corpo social, na hipótese de serem mantidos em liberdade”, destacou o juiz.
Socos e pontapés
 
O laudo de exame de corpo de delito de Ivan, assinado por dois peritos do Instituto de Medicina Legal (IML) da Polícia Civil comprova que o jovem morreu de infecção generalizada e politraumatismo, decorrentes das agressões. Mostra que a vítima levou socos e pontapés na parte superior do corpo e teve ferimentos externos e internos (veja infografia).
Ivan, que tinha 1,71m e 79kg, foi agredido pelos cinco homens na saída da boate Fashion Club, no Setor Comercial Norte. Os acusados têm de 1,78m a 1,90m, de 85kg a 98kg. Eles haviam saído da boate depois que Ivan. O promotor de eventos, a namorada e o amigo Luiz Roberto Lopes, 23, trocavam o pneu do carro e acabaram surpreendidos por uma Parati que fazia manobras bruscas em marcha a ré no estacionamento. Luiz deu uma batida de alerta no vidro traseiro do veículo. Foi o suficiente para os cinco suspeitos descerem do carro e atacá-los com golpes de capoeira. As pancadas em Ivan provocaram ferimentos na cabeça e ruptura no intestino.
 
Os cinco agressores foram filmados pelo circuito interno de tevê da boate entrando e saindo juntos do estabelecimento. Eles teriam sido expulsos da casa noturna por causa de uma briga, segundo funcionários da Fashion Club. “As imagens não mostram isso. Vamos ouvir os seguranças da boate para saber o que houve realmente”, disse ontem Antônio Coelho.
 
Alexandre Nascimento e Edson Junior, os últimos a se entregarem à polícia – apareceram na 2ª DP às 14h30 de quarta-feira – passaram a madrugada , manhã e tarde de ontem na delegacia. No começo da noite, seguiram para a carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), no Sudoeste. Hoje devem ir para o Complexo Penitenciário da Papuda, onde os outros três acusados estão desde quarta.
Seqüestro-relâmpago
 
Edson é o que tem o nome envolvido no crime mais grave, ocorrido antes da morte de Ivan. Ele é apontado como suspeito de seqüestro-relâmpago ocorrido em 5 de janeiro de 2004, no Sudoeste. Segundo a ocorrência 83/2004 da 3ª DP (Cruzeiro), Édson e um garoto de 16 anos na época, renderam um casal no estacionamento do Supermercado Bom Motivo, na Avenida Comercial do Sudoeste.
Dizendo ter uma arma sob a camisa, a dupla obrigou o homem e a mulher a entrar no carro e seguir até um caixa eletrônico, onde tiveram que sacar R$ 1 mil. As vítimas foram abandonadas perto da Granja do Torto. O caso ainda não foi julgado.