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Bahia: Seminário de Capoeira homenageia Mestres da “Velha Guarda”

Na próxima terça-feira, dia 12, os principais mestres baianos de Capoeira angola e regional – Bigodinho, Boca Rica, Curió, Decânio, Felipe Santo Amaro, Gigante, João Pequeno e Pelé da Bomba – serão homenageados no II Seminário do Projeto Capoeira Viva, que irá mostrar a capoeira como um bem cultural brasileiro.
 
O evento será às 13 horas, no Teatro Gregório de Mattos, na Praça Castro Alves e vai debater sobre políticas governamentais voltadas para a prática da capoeira.

Filme homenageia Mestre João Pequeno

O mestre baiano, doutor em capoeira angola pela UFU, tem história recontada

Mestre João Pequeno é baiano de nascença. Foi em Salvador que aprendeu tudo o que sabe sobre o bailado de origem africana e, de lá, se tornou referência mundial do jogo meio dança, meio luta. Mas parte de seu coração tem um quê de uberlandense. Afinal, foi da Universidade Federal de Uberlândia que recebeu o título de doutor honoris causa pelo seu conhecimento em capoeira angola em dezembro de 2003, um sonho do mestre que foi realizado aqui. E este ano Uberlândia atravessa mais uma vez a vida deste ex-servente de pedreiro que é o mestre de capoeira mais velho do mundo. Começam hoje as gravações do documentário “Doutor Mestre João Pequeno: a história do negro no Brasil através da capoeira angola”, um projeto do professor Guimes Rodrigues Filho, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFU.
As filmagens acontecem, num primeiro momento, em São Carlos (São Paulo). Durante um encontro de capoeira, as lentes vão captar esta memória viva em ação. Mestre João Pequeno não está na ativa fisicamente, mas a mente ensina como ninguém aos mais jovens. Depois a equipe composta pelo próprio professor Guimes Filho, o diretor Gilson Goulart Carrijo (professor do curso de Cinema do Unitri), os roteiristas Pedro Paulo Freitas Braga (graduando em História) e Karla Bessa (também professora do curso de História na UFU) vão para Salvador, possivelmente em março, para reconstruir os passos do doutor desde sua morada até os locais onde treinava com o mestre Pastinha, um dos que mais contribuíram para difundir a capoeira angola no Brasil. “Vamos passar pela construção no Pelourinho que era a antiga academia de mestre Pastinha, onde João Pequeno tudo aprendeu, do forte para onde a academia se mudou. Enfim, todos os seus passos”, explica Guimes Filho.
Em todos os locais, depoimentos de discípulos de mestre João Pequeno vão ratificar sua importância para o mundo da capoeira, como o do próprio ministro da Cultura, Gilberto Gil, que está programado para abril. Se João Pequeno recebeu do ministério a comenda da Ordem de Mérito Cultural, ninguém melhor que o próprio ministro baiano, que conhece profundamente os mestres de capoeira, para falar de João Pequeno pela visão de quem trabalha com a cultura.

A cena final está programada para acontecer em Uberlândia. Falta ainda uma aprovação oficial, mas a intenção é inaugurar a sala do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da UFU com o nome de Mestre João Pequeno. “Seria uma honra tanto para nós quanto para ele, que ficou emocionado com o título de doutor e com o documentário. Afinal alguém precisa se lembrar de eternizar a memória daqueles que transmitem o conhecimento via oral. Porque mestre João Pequeno é praticamente uma biblioteca viva da capoeira angola”, aponta o professor.

Serão entre 30 e 40 minutos de documentário, que será distribuído nas várias entidades como o Museu da República, todos os ministérios, Museu da Imagem e do Som e, posteriormente, veicular na televisão em rede nacional. Tudo possível graças ao programa Capoeira Viva, uma iniciativa do Ministério da Cultura, Petrobras e Museu da República que destinou R$ 20 mil ao projeto uberlandense. “Como foi a UFU que lembrou de homenagear este mestre tão importante para a cultura popular, resolvi inscrever meu projeto para que este conhecimento sobre a capoeira angola não se perca com o tempo. Além de ser uma oportunidade de contar a trajetória do negro no Brasil tomando João Pequeno como exemplo”, finaliza Guimes Filho.

Um presente de 90 anos ao mestre

MANOEL SERAFIM

Momento melhor não há para homenagear João Pequeno. Nascido João Pereira dos Santos, o mestre completa em dezembro 90 anos com o orgulho de ter percorrido o mundo todo para difundir a capoeira angola. Depois de ser servente de pedreiro e tocador de boi, aos 25 anos se encantou com uma roda de capoeira que há poucos anos havia sido liberada no Brasil. A história conta que, em 1850, um decreto-lei proibira a prática da capoeira que, durante o império, era utilizada pelos escravos como forma de acabar com a repressão dos senhores. Considerada violenta e que dava poder aos negros, a luta era reprimida com prisão e açoitamento até que, na era Getúlio Vargas, o presidente se rendeu ao jogo dançado dos negros numa rua da própria Salvador e liberou a prática nas academias.

Foi numa destas que João Pequeno se encontrou com mestre Pastinha, um ícone da capoeira angola no Brasil. Dele foi discípulo e faz questão de mostrar sua arte em todos os cantos do mundo até hoje. A única decepção era não ser reconhecido pelo seu saber, o que mudou quando, finalmente, foi chamado de doutor. “Quando era criança, seu pai o chamava de doutor. E ele nem o colocou para estudar. Já na capoeira, ele é doutor pela sua importância no mundo todo. Um reconhecimento mais que merecido”, conclui Guimes Rodrigues Filho.

LUCIANA TIBÚRCIO – [email protected]
Correio de Uberlândia – MG, Brasil

http://www.correiodeuberlandia.com.br

Petrobras destinará R$ 90 milhões a projetos prioritários apresentados pelo Ministério da Cultura

Ação Extraordinária Petrobras-Ministério da Cultura
Os novos editais deverão ser publicados a partir de janeiro de 2007, no Portal do MinC
 
A Petrobras e o Ministério da Cultura (MinC) anunciaram hoje, 20 de dezembro, o conjunto de projetos que será contemplado pela Ação Extraordinária Petrobras – MinC 2006, com verba total de R$ 90 milhões. Parte expressiva dos resultados financeiros da empresa obtidos neste exercício fiscal (2006) será destinada aos projetos prioritários e estruturantes trazidos pelo ministério. A relação abrange editais públicos para diferentes áreas, incluindo segmentos de cultura indígena e negra e restauros de patrimônio edificado.
Maior incentivadora da cultura no Brasil, a política de patrocínio cultural da Petrobras segue o Planejamento Estratégico da Companhia, que, ao lado da rentabilidade, ressalta o compromisso com a responsabilidade social e com o crescimento do país. "A Ação Extraordinária está alinhada à política de patrocínio da empresa e complementa o Programa Petrobras Cultural, cuja Edição 2006/2007 foi lançada no dia 6 de dezembro", explica a gerente de Patrocínios da Petrobras, Eliane Costa.
 
Entre as novidades, está o edital de Segurança do Patrimônio, formulado em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), com objetivo de estruturar sistemas de segurança em bibliotecas e museus para proteção contra roubos. Também foi lançado um edital para patrocínio de projetos culturais em universidades públicas, além de um prêmio para projetos com foco em pessoas idosas.
 
Nas ações de restauro de patrimônio, a Petrobras anunciou o aterramento da fiação elétrica nas cidades históricas de Olinda (PE) e de Ouro Preto (MG), entre outros projetos. No evento, foi assinado o protocolo de intenções com a Prefeitura de Ouro Preto.
 
Além do apoio a novas ações, a empresa confirma a continuidade a projetos já patrocinados como o Pixinguinha – retomado em 2004 pela Funarte com patrocínio da Petrobras -, os Prêmios Myriam Muniz, Klaus Vianna e Carequinha de fomento ao teatro, à dança e ao circo, editais como o Viva Capoeira e o de Culturas Indígenas e o apoio à Escola Nacional de Circo.
 
O evento, realizado no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, contou com as presenças do ministro da Cultura, Gilberto Gil; do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli de Azevedo; da prefeita de Olinda (PE), Luciana Santos; e do prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo de Araújo Santos. Após a cerimônia, participam da coletiva de imprensa a gerente de Patrocínios da Petrobras, Eliane Costa, e o presidente do IPHAN, Luiz Fernando de Almeida.
 
A parceria, que cresce a cada ano, bate seus próprios recordes – em 2005 foram investidos 35 milhões -, o novo valor divulgado é quase três vezes maior, R$ 90 milhões. "A quantidade e a qualidade destas realizações são muitas. Elas estão na rua neste exato momento, e estarão renovadas – nos equipamentos culturais – a partir de 2007", declarou o ministro Gil. Leia o discurso.
Editais de cultura indígena e de capoeira foram incluídos, pela primeira vez, no ano passado. Hoje consolidados, mostram resultados e serão contemplados pelo segundo ano consecutivo. Além disso, o fomento ao teatro com o Prêmio Myriam Muniz e à dança com o Prêmio Klauss Vianna, ambos na 2º edição, receberão R$ 10 milhões para as duas áreas.
 

Os novos editais deverão ser publicados a partir de janeiro de 2007, no Portal do Ministério da Cultura. Dentre outros, compõem esse pacote:
 
Edital de Prêmio Funarte Myriam Muniz

Edital de Prêmio Funarte Klauss Vianna
Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo – 2007
Edital Pixinguinha
Pautas Funarte 2007
Sala de Multilinguagem Palhaço Carequinha Escola Nacional de Circo
Programa de Restauro de Filmes da Cinemateca 2007
Edital de Divulgação Patrimônio Imaterial na TV Pública: conteúdos de grupos culturais e filmes de registro imaterial para TV Pública
Edital em Parceria com o Fórum de Pro-Reitores de Cultura e Extensão
Edital de Culturas Indígenas 2007
Edital Prêmio de Projetos Culturais para Pessoas Idosas
Projeto Concertos Didáticos nas Escolas
Projeto Circulação de Música de Concerto
Edição de Partituras para Bandas
Painéis Funarte de Regência Coral
Edital Conexão de Artes Visuais
Edital de Festivais de Música Independente
Edital para Exposições de Acervos de Artes Visuais 2007
Edital Capoeira Viva – valorização da Capoeira como patrimônio imaterial
CTAv – Reserva Técnica e Preservação
Arquivo de Matrizes II – Cinemateca Brasileira
Encontro Teia II – tema Cultura e Educação
Prêmio Cultura Viva II
Inventário do acervo memória – Fundação Biblioteca Nacional
Hemeroteca Brasileira: A Biblioteca da Mídia Impressa
(Letícia Alcântara)
(Comunicação Social/MinC)

Segundo Seminário Projeto Capoeira Viva

Segundo Seminário Projeto Capoeira Viva
Dia 12 de dezembro de 2006 das 13h às 17h
Teatro Gregório de Mattos Praça Castro Alves, s/n – Centro Salvador – Bahia

 

13:00 Abertura – Apresentação dos projetos selecionados no Projeto Capoeira Viva.
 
Convidado especial:
Marco Antonio França Faria – Presidente da Fundação José Pelúcio Ferreira.
 
13:30 “CAPOEIRA QUE É BOM, NÃO CAI…”
Os caminhos da Capoeira e as políticas governamentais
 
palestrantes:
 
Mestre Cobrinha Mansa (Cinézio Feliciano Peçanha) – Mestre de Capoeira desde 1986, discípulo de Mestre Moraes, Presidente da Fundação Internacional de Capoeira Angola.
 
Mestre Itapoan (Raimundo César Alves de Al-meida) – Começou a praticar a Capoeira em 1964, no Centro de Cultura Física e Regional, no Terreiro de Jesus, em Salvador, com mestre Bimba. É uma das maiores autoridades no país sobre o Mestre Bimba e sua Luta Regional, juntamente com Mestre Decânio. Membro do Conselho de Mestres do Projeto Capoeira Viva.
 
Mestre Moraes (Pedro Moraes Trindade) – Mestre de Capoeira Angola e presidente fundador do Grupo de Capoeira Angola Pelourinho. Membro do Conselho de Mestres do Projeto Capoeira Viva.
 
Frederico José de Abreu – Pesquisador e fundador do Instituto Jair Moura.
É responsável pelo maior acervo de capoeira do Brasil.
 
Wallace de Deus – Coordenador do Projeto Inventário para o registro e salvaguarda da capoeira, doutor em Antropologia Social pela UFRJ. Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal Fluminense. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Fundamentos e Crítica das Artes.
 
mediador
 
Prof. Rui F. R. Pereira
Coordenador do Projeto Capoeira Viva
 
15:00 Debate Aberto
 
16:00 HOMENAGEM AOS MEMBROS DA ACADEMIA DE MESTRES
 
Mestre Gigante, Mestre João Pequeno, Mestre Bigodinho, Mestre Curió, Mestre Boca Rica, Mestre Felipe Santo Amaro, Mestre Pelé da Bomba e Mestre Decânio.
 
Encerramento
 

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O Projeto CAPOEIRA VIVA, idealizado pelo Ministério da Cultura, com coordenação técnica do Museu da República e patrocínio da Petrobras, tem como objetivo a implementação de políticas públicas para a valorização e promoção da capoeira como bem constituinte do patrimônio cultural brasileiro.
 
Além das ações desenvolvidas por meio da Chamada Pública, lançada no dia 15 de agosto de 2006, que incentiva-rá projetos de acervos e ex-periências socioeducativas, o Projeto CAPOEIRA VIVA prevê a realização de 3 seminários nacionais.
Visando à socialização da informação, troca de conhecimentos, quantificação e qualificação das demandas próprias dessa expressão cultural, os seminários têm como objetivo apontar caminhos que poderão subsidiar futuras políticas públicas para a capoeira.
 


Projeto CAPOEIRA VIVA
Um programa de valorização e promoção da capoeira como bem cultural brasileiro
www.capoeiraviva.org

A dívida da República com a capoeira

Repercussão: I Seminário do Projeto Capoeira Viva
 
Os principais mestres brasileiros de Capoeira estiveram reunidos nesta terça-feira, dia 21 de novembro, durante o I Seminário do Projeto Capoeira Viva, no Museu da República, no Rio de Janeiro.
O seminário faz parte do projeto que repassará R$ 930 mil para iniciativas qualificadas que procuram fazer o reconhecimento da capoeira como uma das mais importantes manifestações culturais do país. Idealizado pelo Ministério da Cultura, com coordenação técnica do Museu da República e patrocínio da Petrobrás, o projeto apóia oficinas, pesquisas, acervos culturais, e atividades que usam a capoeira como instrumento de cidadania e inclusão social. O Capoeira Viva é o primeiro programa oficial de valorização e promoção da capoeira como bem cultural brasileiro.
 
O mediador dos debates foi o professor titular e coordenador do Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da qual já foi diretor, e presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Muniz Sodré, que é autor do livro Um Vento Sagrado, que narra a trajetória de Agenor Miranda Rocha, professor e líder do Candomblé. A primeira palestra versou sobre A formação do mestre, ontem e hoje, com a participação do mestre Camisa (José Tadeu Carneiro Cardoso), fundador do Grupo Abadá-Capoeira e criador do CEMB, onde se desenvolve o projeto Capoeira Ecológica, que dividiu a mesa com mestre Moraes (Pedro Moraes Trindade), presidente fundador do Grupo de Capoeira Angola Pelourinho e com o mestre Suino (Elto Pereira de Brito), presidente-fundador do Grupo Candeias. No período da tarde, a palestra De arma da vadiagem a instrumento de educação reuniu a mestra Janja (Rosangela Costa Araújo), fundadora do Instituto Nzinga de Estudos da Capoeira Angola e Tradições Educativas Banto no Brasil (Incab); mestre Luiz Renato (Luiz Renato Vieira), membro do Grupo Beribazu e do Centro de Capoeira da UnB; mestre Zulu (Antonio Batista Pinto), autodidata em Capoeira e Educação Física, pesquisador e autor do livro Idiopráxis de Capoeira.
 
O investimento quase milionário do projeto Capoeira Viva justifica-se também pela sua vertente sócio-econômica. A importância da capoeira hoje transcende a questão cultural, mostrando-se também importante bem econômico, que gera emprego e renda para muitos, além de abranger uma crescente indústria de artefatos relacionados à sua prática em escala planetária. Para se ter idéia de sua disseminação pelo mundo, e o conseqüente potencial econômico global, há grupos de capoeira espalhados por todos os países membros da ONU, a grande maioria deles com mestres brasileiros ou com mestres que estudaram com brasileiros. Há federações de capoeiras em vários países desenvolvidos, como França e Eua, por exemplo. Assim, além de importante elemento de identidade cultural brasileira, que cada vez mais se espalha pelo mundo, a capoeira brasileira tem gerado riqueza no Brasil e no exterior.
 
Saldando uma dívida histórica
 
O Museu da República foi escolhido pelo Ministério da Cultura para sediar este projeto pelo caráter simbólico que o ato promove. Na história da República no Brasil, o respeito aos princípios republicanos não foi a máxima adotada em vários períodos da vida política de nosso país. A Capoeira é um triste exemplo do não respeito à cultura brasileira, principalmente a dos mais pobres e dos negros, cidadãos do Brasil.
 
Dança, jogo, luta e expressão cultural dos negros escravos, foi perseguida pela Polícia do Estado Republicano, considerada ato criminoso, e associada a uma infinidade de preconceitos e atos discriminatórios. O Museu da República, que foi a sede da Presidência da República do Brasil, de 1897 a 1960, resgata esta dívida republicana e reconhece a Capoeira como uma expressão brasileira de valor imprescindível para o Patrimônio Cultural Nacional.
 
Países com tradições bem mais antigas, como a China em relação ao Kung Fu, por exemplo, já incorporaram à sua identidade cultural o que era tido, in illo tempore, como uma potencial ameaça à firmação de alguma forma de Estado. Na antiguidade deste país, os exércitos reais formados por praticantes de artes marciais estavam sempre no encalço de bandos de também lutadores que ofereciam algum tipo de desobediência, fosse brandamente na bandidagem, fosse ostensivamente na oposição direta ao Estado com a formação de grupos mercenários. Mesmo séculos mais tarde, durante a implantação da Revolução Cultural, os mestres e discípulos de artes marciais foram mantidos sob estreita vigilância pela Guarda Vermelha de Mao Tsé Tung. Hoje, os mestres vivos são considerados, pelo Estado, jóias da cultura chinesa.
 
No Brasil, tardou esta integração que agora parece definitivamente alavancada pelo projeto Capoeira Viva. Ficaram famosos bandidos românticos que lutavam capoeira e rodavam navalha, como o famigerado Madame Satã. Mas isso em um tempo em que, para eles, as armas possíveis eram só essas. Hoje, com AR-15s a garnel nos morros e vales, a capoeira já não assusta como há um século. Está pronta para libertar-se de vez do preconceito que a acompanhou e ganhar mais espaço no cotidiano brasileiro. Espera-se vê-la, cada vez mais, em áreas livres nas cidades, campos e praias, em estudos e publicações a seu respeito, nos grupos que se ramificam por todo planeta, no imaginário dos livros e filmes, nas matérias jornalísticas da grande imprensa e em todos os lugares em que ela possa ser, enfim, reconhecida como um tesouro imaterial de nosso povo, uma das jóias negras de nossa identidade.
 
"Esse projeto é pioneiro. O viés dessas ações servem para entender exatamente a matriz da constituição brasileira, e foi uma surpresa para nós quando verificamos que a capoeira é um bem cultural muito maior do que se imagina", diz o coordenador responsável pelo projeto, Rui Pereira. "A capoeira não é só um jogo, uma luta, uma roda, uma dança. Ela serve de link para a tradição da cultura negra se manifestar. Em muitos lugares, o único veículo de informação sobre ancestralidade é a capoeira, então, percebemos que ela é positivamente o embasamento para a raiz da cultura"
 
Segundo ele, o projeto favorece os capoeiristas, que encontram incentivo para ampliar e divulgar a capoeira, além de beneficiar o próprio povo brasileiro, que passa a compreender a importância das rodas de capoeira como bem cultural.
Fontes:
 
Portal Capoeira
 
Ministério da Cultura
www.cultura.gov.br
 
Folha de Sambaiba – Tocantins
http://www.folhadesambaiba.com.br/Noticia332.htm

Primeiro Seminário Projeto Capoeira Viva

dia 21 de novembro de 2006
das 13h às 18h
Auditório Apolônio de Carvalho Museu da República Rio de Janeiro
 
O Projeto CAPOEIRA VIVA, idealizado pelo Ministério da Cultura, com coordenação técnica do Museu da República e patrocínio da Petrobras, tem como objetivo a implementação de políticas públicas para a valorização e promoção da capoeira como bem constituinte do patrimônio cultural brasileiro.
 
Além das ações desenvolvidas por meio da Chamada Pública, lançada no dia 15 de agosto de 2006, que incentiva-rá projetos de pesquisa, acervos e experiências socioeducativas, o Projeto CAPOEIRA VIVA prevê a realização de 3 seminários nacionais.
 
Visando à socialização da informação, troca de conhecimentos, quantificação e qualificação das demandas próprias dessa expressão cultural, os seminá-rios têm como objetivo apontar caminhos que poderão subsidiar futuras políticas públicas para a capoeira.
SEMINÁRIO CAPOEIRA VIVA
 
13:00 Abertura
 
13:30 A FORMAÇÃO DO MESTRE, ONTEM E HOJE
 
palestrantes:
 
Mestre Camisa (José Tadeu Carneiro Cardoso) – capoeirista formado pelo Mestre Bimba. Fundador do Grupo Abadá-Capoeira. Criador do CEMB (Centro Educacional Mestre Bimba), onde se desenvolve o projeto Capoeira Ecológica.
 
Mestre Moraes (Pedro Moraes Trindade) – Mestre de Capoeira Angola e presidente fundador do Grupo de Capoeira Angola Pelourinho. Proferiu palestras sobre a musicalidade da Capoeira Angola, realizada no Mancat College – Manchester – Inglaterra, em 2005 e A diáspora africana no Brasil, realizada no Morris Brown College – Atlanta – EUA.
 
Mestre Suino (Elto Pereira de Brito) – Mestre de capoeira, desde 1980, formado pelo Mestre Passarinho.
Presidente-fundador do Grupo Candeias. Professor especialista em Educação Física Escolar da Rede Pública. Publicou os livros Fundamentos da Capoeira, Capoeira e Religião, No Caminho do Mestre, entre outros.
 
mediador:
 
Prof. Doutor Muniz Sodré – formado em Ciências Jurídicas e Sociais na Bahia, fez mestrado na Sorbonne (Sociologia da Informação), em Paris, doutorado na UFRJ (Teoria da Literatura de Massa) e pós-doutorado na Sorbonne (Sociologia, Antropologia e Lingüística). Publicou 26 livros. Atualmente é presidente da Fundação Biblioteca Nacional.
 
15:00 Debate Aberto
 
16:00 Intervalo
 
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16:30 DE ARMA DA VADIAGEM A INSTRUMENTO DE EDUCAÇÃO
palestrantes:
 
Mestra Janja (Rosangela Costa Araújo) – iniciou-se no Grupo de Capoeira Angola Pelourinho com os Mestres João Grande, Moraes e Cobra Mansa. Historiadora pela UFBa, Mestre e Doutora em Educação pela USP. Em 1995 fundou o Instituto Nzinga de Estudos da Capoeira Angola e Tradições Educativas Banto no Brasil (Incab).
 
Mestre Luiz Renato (Luiz Renato Vieira) – membro do Grupo Beribazu. Mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília e Doutor em Sociologia da Cultura pela Universidade de Brasília/Universidade de Paris I – Sorbonne. Autor do livro O jogo da capoeira: corpo e cultura popular no Brasil. Desde 1990 atua no Centro de Capoeira, um projeto comunitário da UnB. É Consultor Legislativo do Senado Federal na área de assistência social e minorias.
 
Mestre Zulu (Antonio Batista Pinto) – autodidata em Capoeira e Educação Física. Pesquisador e Mestre de Capoeira. Bacharel e Licenciado em Química. Pós-graduado em Didática e Metodologia do Ensino Superior. Publicou 19 trabalhos, dentre eles o livro Idiopráxis de Capoeira.
 
mediador:
 
Prof. Doutor Muniz Sodré
 
18:00 Debate Aberto
 
Projeto CAPOEIRA VIVA
Um programa de valorização e promoção da capoeira como bem cultural brasileiro
 
 

Resultado: Projeto Capoeira Viva

A seleção das propostas foi realizada por uma Comissão de Seleção, constituída por especialistas e estudiosos da capoeira.

Na avaliação das propostas, a Comissão de Seleção levou em conta:

  • importância do projeto no reconhecimento da capoeira como bem cultural;
  • efeito multiplicador da proposta;
  • capacidade de execução;
  • perspectivas de continuidade;
  • benefícios quantitativos e qualitativos para a comunidade (e/ou comunidades) onde o projeto se realiza;
  • o “peso” da iniciativa na matriz cultural da região;
  • no caso de acervos, a riqueza, o volume e a disponibilidade para o acesso;
  • nas experiências socioculturais, o número de indivíduos beneficiados com a experiência; a importância do projeto na qualificação dos indivíduos;
  • melhoria na qualidade de vida; instrumentação para recuperação da auto-estima.

Os integrantes da Comissão de Seleção, bem como os membros participantes da Comissão Organizadora da Chamada Pública não tiveram qualquer vínculo com as iniciativas inscritas.

As decisões da Comissão de Seleção são soberanas e sobre elas não caberão recursos.

* Os projetos selecionados poderão ser aprovados na íntegra ou sofrer cortes nos valores previstos, de acordo com a avaliação técnica do orçamento e do plano de trabalho proposto, por decisão da Comissão de Seleção.


 

Resultado: Projeto Capoeira Viva

1. Seleção da Categoria Acervos Documentais
total do fomento: R$270.000,00

25892 –Acervo Frede AbreuBAR$75.000
26289 –Projeto Centro de Referência da Capoeira CariocaRJR$75.000
26544 –Casa de Memória da Capoeira no AcreACR$50.000
26011 –Implantação do Centro de Referência, Estudo, Pesquisa e Memória da CapoeiraBAR$40.000
26529 –Acervo Cultural de Capoeira Artur Emídio de Oliveira da EEFD/UFRJRJR$30.000


2. Seleção da Categoria Incentivo à Produção de Pesquisa, Inventários e Documentação
total do fomento: R$360.000,00

25934 –Livro – Fundamentos da CapoeiraGOR$12.000,00
26088 –Projeto "A Capoeira do Vale do Paraíba"SPR$12.000,00
26109 –Rucungo – Pesquisa sobre elementos ancestrais da Capoeira em manifestações da
cultura popular do Maranhão africano
MAR$20.000,00
26138 –Capoeira e CinemaBAR$16.000,00
26155´-Fundação Mestre BimbaBAR$12.000,00
26156 –Capoeira, Berimbau & Literatura de CordelRJR$12.000,00
26183 –Memórias da capoeira do RecôncavoBAR$20.000,00
26201 –Capoeiragem do Rio – Resistência de uma CulturaRJR$20.000,00
26250 –Livro – “ Capoeira Especial e Adaptada”SPR$20.000,00
26278 –A trajetória da capoeira na ParaíbaPBR$15.000,00
26284 –Eu, CapoeiraBAR$15.000,00
26302 –Doutor Mestre João Pequeno. A história do negro no Brasil através da
Capoeira Angola
MGR$20.000,00
26314 –Mestre AnaniasSPR$18.000,00
26332 –Reunir CapoeiraRJR$13.000,00
26341 –Capoeira Frevendo na TelaPER$15.000,00
26409 –Painel de documentação sobre a capoeira baiana em Salvador (1940/1970)BAR$15.000,00
26417 –Capoeira Angola e Religiões de Matriz Africana: Que relação é esta?RSR$12.000,00
26485 –Documentário – A Reunião dos 9SPR$17.000,00
26500 –Só MandingaSPR$14.000,00
26510 –Coleção Capoeira VivaRJR$15.000,00
26511 –As musicalidades das rodas de capoeira: diálogos interculturais, campo
cultural e atuação de educadores
SCR$18.000,00
26598 –DVD autorado "Pastinha! Uma vida pela capoeira"RJR$14.000,00
26610 –Capoeira Viva – Touro e DentinhoRJR$15.000,00


3.Seleção da Categoria Socioeducativos / Entidades Governamentais
Certificado de Qualificação

25.929 –CAPOEIRA PARA TODOSMG
25.960 –CAPOEIRA NA ESCOLAGO
26.022 –VIVENCIANDO O ESPORTERS
26.065 –FAÇA ARTERS
26.166 –VIVA CAPOEIRA VIVASP
26.176 –EDUCAR CAPOEIRANDOMG
26.264 –ESCOLA DE CAPOEIRA ANGOLEIROS DO SERTÃOSP
26.095 –BATE CORAÇÃO DE PERCUSSÃORN
26.270 –CAPOEIRA E ARTEMG
26.285 –CAPOEIRA ESPORTIVA E EDUCATIVAMG
26.366 –CAPOEIRA RAÍZES, GINGA, FORÇA, CONCENTRAÇÃO E EDUCAÇÃOSP
26.367 –CAPOEIRA EM ALTEROSAMG
26.379 –CAPOEIRA ARTE E LUTA-PROJETO SOCIAL-EDUCACIONAL COM CRIANÇAS E  
ADOLESCENTES PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS
PR
26.437 –PROJETO NOVO HORIZONTEES
26.593 –CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTILSP


4. Seleção da Categoria Socioeducativos / Grupo Informal
Fomento = R$ 5.000,00

25885 –Ajagunã: Oficina de Capoeira e CidadaniaMG
25924 –Caminhando com o MestreRJ
25970 –Projeto Capoeira e ComunidadeSP
26053 –Encontro Vivência – Capoeira, um veículo educacionalRJ
26063 –Capoeira Cultura & ArtePB
26140 –Capoeira para o PovoBA
26143 –Capoeira AtivaPE
26268 –Casa do CapoeiraSP
26274 –Ginga na roda das diferençasRS
26322 –Casa da CapoeirançaRJ
26334 –Muleki é tuBA
26410 –Gingando no ItapoãDF
26466 –Santa CapoeiraRJ
26497 –Capoeira Angola: Valorização e difusão de sua importância sócio-histórica dentro da
Zona Portuária
RJ
26600 –Projeto Dandara Zumbi DandaraBA


5. Seleção da Categoria Socioeducativos / Organizações sem fins lucrativos
Fomento = R$ 15.000,00

25942 –Uma Proposta Social de CapoeiraAC
25975 –Alimentando Esperanças com a CapoeiraSP
25980 –Comunidade CapoeiraPI
26101 –Intelecapoeira. nº 0001PE
26107 –Capoeira OficinaMT
26133 –Projeto Comunidade CapoeiraMG
26144 –Projeto Resgate Cultural e Social – AcarboBA
26148 –Mariô – CapoeiraBA
26152 –CapoerêBA
26207 –II Curso de Formação de Educadores Populares de Capoeira numa
Perspectiva Intercultural
SC
26217 –Educa-se também com a CapoeiraMA
26283 –Projeto Criança Capoeira Esporte e CulturaTO
26421 –

Capoeira Angola e Identidade Étnica: a construção de estratégias pedagógicas em
educação social

RS
26468 –Capoeira – Patrimônio, Tradição e ResistênciaRJ
26597 –Capoeira Odô IyáAL

 

http://www.capoeiraviva.org.br

Pesquisa para revisão e atualização do livro de Emília Biancardi: “Ôlelê Maculelê”

O INÍCIO
 
Emília Biancardi Ferreira sempre foi apaixonada pelo folclore. Com ascendência italiana (por parte de mãe) e portuguesa-africana (pai) Emília desde adolescente, em Vitória da Conquista, ficava fascinada com os festejos dos ternos de reis. Mais tarde, quando foi designada professora de música e canto orfeônico no Instituto de Educação Isaías Alves (Iceia) ela criou, em 1962, o primeiro grupo parafolclórico da Bahia: “Viva Bahia”.
 
Era uma época em que a cultura afro-baiana não estava na moda e a capoeira e o candomblé sofriam repressão social, quando não policial. O grupo que mostrava as danças de origem africana se transformaria no “Viva Bahia”, em 1969 que depois se apresentou em toda a América do Sul, Europa, EUA, Oriente Médio e África e onde muitos Mestres começaram suas carreiras no exterior.
 
O “Viva Bahia” sobreviveu até 1983 e é a própria Emilia que conta: “O grupo de danças tradicionais populares, “Viva Bahia”, surgiu em Salvador a partir de uma pesquisa sobre raízes populares. Era um trabalho onde danças e músicas eram reproduzidas e aplicadas em espetáculos teatrais, havendo uma total observância dos postulados inspiradores destes; seja no candomblé, onde a coreografia se inspira diretamente na dança sacralizada dos orixás; seja na capoeira, onde as artes marciais africanas se aculturaram; seja no maculelê, recriação dentro dos valores da cultura negra das regras éticas do duelo; seja no samba de roda, onde este samba, tantas vezes modificado, aparece em sua forma original”.
 
Em seus mais de 40 anos de atividade artística Emília Biancardi (a) publicou os livros: “Cantorias da Bahia”, “Viva Bahia Canta”, “O Lindro Amô”, “Olêlê Maculelê” e “Raízes Musicais da Bahia” sendo estes dois últimos considerados de referência; (b) participou de dois importantes documentários sobre a Bahia – “Bahia de Todos os Sambas” e “Bahia por Exemplo” e (c) criou a “Coleção de Instrumentos Tradicionais Emília Biancardi” com mais de 500 instrumentos indígenas e africanos com várias exposições em Salvador e em outros estados..
 
O LIVRO “ÔLELÊ MACULELÊ”
 
Em 1989, após uma acurada pesquisa de campo, o livro  “Ôlelê Maculelê” foi por ela feito publicar como resultado da busca da trajetória do folguedo Maculelê na vida popular das microrregiões onde existiu e era cultivado observando-se as evoluções, já notadas naquela ocasião, que originou a perda de várias de suas características primitivas e que modificaram seu aspecto de folguedo de raízes africanas.
 
Nos dias de hoje essas modificações vêm sendo drásticas envolvendo  coreografia e indumentária fazendo com que a descaracterização do folguedo seja, ainda, mais profunda chegando ao absurdo de se colocar o Maculelê como “estilo da Capoeira” (???)..
 
Essa interpretação errônea feita, inclusive, num programa popular de televisão originou a inserção de uma “Ordem do Dia“ no Conselho Estadual de Cultura da Bahia que está emitindo uma Moção contra tal situação já que a autora é Conselheira do órgão e, conseqüentemente, este fato acelerou sua intenção de fazer nova Edição do “Ôlelê Maculelê” que deverá estar sendo lançado no próximo mês de dezembro.
Emília Biancardi, hoje se vê diante desta difícil situação do Maculelê que aumenta consideravelmente sua preocupação com a crescente e evidente modificação das suas características o que poderá ocasionar a perda de seu espaço no campo das manifestações tradicionais da cultura popular.
 
Assim, retomando seus estudos e com o resultado das pesquisas – via internet –  resolveu compilar várias dessas opiniões dos antigos Mestres acrescentando-as nesta 2a. edição do “Ôlêlê Maculelê”, editado em 1989, e que tem, até hoje, sua leitura recomendada por muitos Mestres como se pode constatar em inúmeros Sites dedicados à Capoeira e ao próprio Maculelê;
 
Alguns dos  depoimentos – já confirmados – que farão parte desta nova edição:  Prof. Maria Mutti, diretora do Núcleo de Incentivo Cultural de Santo Amaro (Nicsa – Prof. Zilda Paim, historiadora do Recôncavo e Mestres de Capoeira como: Mestre Morais, Mestre  Itapoan e  Mestre Bira Acordeon.
 
Lucy Geão – DRT 1857 – Produtora Cultural


 

A PESQUISA
 
ASPAS
Caros Mestres,
 
Em parceria  com o Portal Capoeira, estou fazendo uma revisão e atualização do livro de pesquisas sobre o Maculelê – “Ôlelê Maculelê”  que foi publicado em 1989.  
 
Tenho conhecimentos de que, como acontece com as manifestações folclóricas de um modo geral o passar do tempo e interpretações pessoais têm influenciado para que a tradição seja modificada e, em alguns casos, descaracterizada.
 
Tenho, também, conhecimento de divulgação de conceitos equivocados como a afirmação feita em um programa popular de TV brasileira em que um Mestre apresentou o Maculelê como “estilo” da Capoeira.
 
A globalização da Capoeira não dá condições de se fazer pesquisas de campo como quando o Maculelê foi estudado em 1989 e, assim,  venho solicitar a sua participação – como Mestre – em atividade para que nos envie sua experiência sobre estas descaracterizações e o resultado desta pesquisa será apresentado na 2a. edição do livro que estará sendo lançada em dezembro deste ano.
 
Para participar desta pesquisa e colaborar com o Livro:
 
“Ôlelê Maculelê”, clique aqui.
 
Lucy Geão – Produtora Cultural por Emília Biancardi
[email protected]
FECHA ASPAS
 
Emília Biancardi
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Crônica: Capoeira, uma escola de cidadania.

A Capoeira no processo de educação…
 
{curveimage}Em 1990, um acidente de automóvel consumiu 2 meses no hospital e quase 1 ano de fisioterapia. Conforme indicação médica iniciei na Capoeira em 1992, após finalização do processo de reabilitação. Acreditava-se que uma das pernas, devido à atrofia muscular, seria menor que a outra… Enfim, dei a volta por cima, e em 1994 fui convidado pelo Mestre a ajudá-lo em suas aulas… Em 1998, iniciei a primeira participação voluntária… na Associação do Bairro Granja Verde, em Betim, Região Metropolitana de Belo Horizonte… A Capoeira realmente é envolvente… em ambiente hóstil, onde o tráfico de drogas e a violência fazia parte do cotidiano daquela comunidade…
 
A Capoeira veio como processo educacional. Visualizei alguns benefícios. Entretanto, ainda era jovem para definir um rumo ao projeto adotado. Em 2002, as crianças tornaram-se parte em minha vida, 2 vezes por semana, realizava trabalhos em escolas infantis e desenvolvi uma metodologia para adequar minha "curva de aula" ao ambiente. Devido à dedicação à Ciência Contábil me afastei. Passei então a me dedicar à pesquisas e fóruns sobre Capoeira, quando fui convidado para ser da equipe Portal Capoeira, atualmente a maior divulgadora da Capoeira na Internet.
 
 Há 2 anos sou voluntário do Projeto Escola Aberta, juntamente com um amigo que também é professor de Capoeira. A Capoeira no processo educacional, o esporte-cultura-lazer, a amizade, a importância, a história, as tradições, o crescimento intelectual… sobre relatos, sou uma prova viva… muitos amigos voltaram-se ao tráfico… ao crime… e assim, à morte… posso dizer, sem sobra de dúvidas, que a Capoeira me fez ser uma pessoa melhor… o que sou hoje devo a Capoeira… e esse amor que sinto pela Capoeira que expresso à todos os participantes quando leciono…
 
Hoje, acredito que minha participação no projeto já forma bons frutos… e que devo continuar semeando, plantando outras sementes, propondo a amizade, respeito e união… em outras comunidades… A Capoeira é uma escola de cidadania…
 
Axé…digo… Força… continuamos rumo ao social!!!!
 
 
Túlio Henrique Tubarão 
Estudante do Curso de Graduação em Ciências Contábeis, Professor de Capoeira e Colaborador do Portal Capoeira
Belo Horizonte  – MG

Ministro Gilberto Gil lança projeto – CAPOEIRA VIVA

O Ministério da Cultura, o Museu da República, a Associação de Apoio ao Museu da República e a Petrobras lançam o projeto “Capoeira Viva”, um programa nacional abrangente, que visa valorizar e promover a capoeira como bem cultural brasileiro.

Ministro Gilberto Gil lança projeto “Capoeira Viva”

O Ministério da Cultura, o Museu da República, a Associação de Apoio ao Museu da República e a Petrobras lançam o projeto “Capoeira Viva”, um programa nacional abrangente, que visa valorizar e promover a capoeira como bem cultural brasileiro.

O secretário executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira, repassará R$ 930 mil a iniciativas qualificadas que procuram fazer o reconhecimento da capoeira como uma das mais importantes manifestações culturais do país. O projeto apoiará oficinas, pesquisas, acervos culturais e atividades que usam a capoeira como instrumento de cidadania e inclusão social. O programa Capoeira Viva concederá apoio financeiro a projetos de estudos e pesquisas no valor de R$ 20 mil, num total de R$ 360 mil; para as ações sócio-educativas doará cerca de R$ 300 mil, e para apoio a acervos documentais, o projeto repassará R$ 270 mil.

O “Capoeira Viva” promoverá a realização de seminários nacionais sobre a capoeira, a criação de um site sobre o tema e a escolha de 50 mestres que, por sua história de vida, sua participação na preservação da capoeira, na formação de outros mestres e por sua importância regional, receberão bolsas de estudo a fim de que, por meio de oficinas e palestras, possam dar seus depoimentos e subsidiar estudos e publicações futuras sobre a capoeira.

O Museu da República, no Rio de Janeiro, foi escolhido pelo Ministério da Cultura para sediar o projeto pelo seu caráter simbólico: foi a foi a sede da Presidência da República do Brasil, entre 1897 e 1960. “Na história da República no Brasil, o respeito aos princípios republicanos não foi a máxima adotada em vários períodos da vida política de nosso País. A Capoeira é um triste exemplo do não respeito à cultura brasileira, principalmente a dos mais pobres e dos negros, cidadãos do Brasil”, afirma o diretor do Museu da República, Ricardo Vieiralves.

Dança, jogo, luta e expressão cultural dos negros escravos, a capoeira foi perseguida e considerada ato criminoso, além de associada a uma infinidade de preconceitos e discriminações. O tema vem sendo bastante investigado e não faltam pesquisas sobre ele. Apesar da profusão de fontes, as polêmicas sobre o assunto se justificam pela dificuldade em encontrar documentos que relatem a vida dos escravos no Brasil. Isso porque, com o intuito de apagar da memória brasileira essa "lamentável lembrança", Rui Barbosa, ministro da Fazenda em 1890, mandou queimar todos os papéis que se referiam à escravidão. Neste ano, a prática de capoeira foi proibida. Quem a praticasse poderia ser punido com até seis meses de detenção. A interdição perdurou até 1937. Um momento importante ocorreu em 1953, quando Manuel dos Reis Machado, o mestre Bimba, e seus discípulos, apresentaram-se no palácio do governo da Bahia, numa demonstração especial para o presidente Getúlio Vargas.

Hoje, a capoeira é esporte, cultura e fator de transformação social, de exercício crítico da cidadania e da conscientização pessoal questionadora e até modificadora das estruturas sociais. Enquanto instrumento de educação, a capoeira apresenta possibilidades de formação de crianças e jovens, principalmente no que se refere à integridade física, psicológica e social.

Apresentação

O Ministério da Cultura do Brasil, o Museu da República, a Associação de Apoio ao Museu da República e a Petrobras têm a honra de proporcionar aos capoeiristas de todo o Brasil o primeiro Programa de valorização e promoção da capoeira como bem cultural brasileiro – Capoeira Viva.

O Museu da República foi escolhido pelo Ministério da Cultura para sediar este projeto pelo caráter simbólico que este ato promove. Na história da República no Brasil, o respeito aos princípios republicanos não foi a máxima adotada em vários períodos da vida política de nosso País. A Capoeira é um triste exemplo do não respeito à cultura brasileira, principalmente a dos mais pobres e dos negros, cidadãos do Brasil.

Dança, jogo, luta e expressão cultural dos negros escravos, foi perseguida pela Polícia do Estado Republicano, considerada ato criminoso, e associada a uma infinidade de preconceitos e atos discriminatórios. O Museu da República, que foi a sede da Presidência da República do Brasil, de 1897 a 1960, resgata esta dívida republicana e reconhece a Capoeira como uma expressão brasileira de valor imprescindível para o Patrimônio Cultural Nacional.

O Ministro Gilberto Gil e o Secretário Executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira, são os responsáveis por este belo ato de reconhecimento e apoio à Capoeira em todo o Brasil. Pela primeira vez na história republicana o Estado apóia um programa nacional abrangente, que incluirá: seminários reflexivos, ações educativas, recuperação de acervo e memória e, principalmente, a realização de uma justa homenagem aos GRANDES MESTRES da Capoeira no Brasil.

O Ministério da Cultura, coerente com o seu plano de trabalho, que considera a diversidade cultural o bem maior de nosso País, sabe que apoiar a Capoeira é, sem dúvida alguma, amar o Brasil.

Esperamos que este Programa tenha a adesão de todos os capoeiristas brasileiros.

Nossos sinceros agradecimentos à Petrobras pelo seu compromisso com o Brasil.

Rio de Janeiro, nos 117 anos da Proclamação da República.

Ricardo Vieiralves

Diretor do Museu da República