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Kabula Rio: 1ª Roda do Cais de Valongo

Como naquelas Rodas de Capoeira realizadas em ambientes que mesclavam trabalho, conhecimento e o lúdico, a Roda do Cais do Valongo pretende não apenas manter e preservar as tradições que circundam e constroem a Capoeira Angola. Mais do que isto estamos tratando de identidade, consciência coletiva, história, de valores ancestrais e da relação desta arte com a Cultura Carioca da Zona Portuária/antiga Pequena África, da Rua do Lavradio, da Cinelandia, da Praça XV …

As Rodas de Capoeira dessas áreas estão revalorizando de forma positiva e legítima o que a História oficial negou, manipulou e não transmitiu.

Cabe a nós Capoeiristas, pensadores, educadores e artistas populares trazer ao conhecimento público a riqueza das estórias que é parte de nosso saber atraves das chulas, corridos, ladainhas, toques do berimbau, causos e contações de estória que a Capoeira ensina e transmite enquanto parte do legado cultural Afrobrasileiro.

Salve as Rodas na Rua do Rio de Janeiro – em especial aquelas praticadas nos sítios de interesse histórico – que conectem-se e disseminem-se o conhecimento do Saber e da Memória Oral do Brasil:

Está lançada a Conexão Carioca de Rodas na Rua!

 

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Para assistir ao clipe da 1a Roda do Cais do Valongo clique aqui >>

 

Os Cariocas a partir de agora tem mais uma Roda de Capoeira na região do Rio histórico! Depois da realização da 1a Roda do Cais do Valongo, no Sábado dia 14 de Julho, a Comunidade da Capoeiragem Carioca que estava presente no local, decidiu apoiar a iniciativa e dar continuidade a proposta.

A Roda será um evento mensal e acontecerá na Rua Barão de Tefé s/n – mais precisamente no Cais do Valongo.

Além disso, de hoje em diante consideramos o local como mais um Ponto Cultural e Histórico de especial relevância para a Capoeira Carioca, local onde essa arte e seus artirtas poderão se expressar e se apresentar, num canal aberto para o mundo, enquanto legítimos representantes desta tradição oral-rítmica Afrobrasileira.

No passado a Zona Portuária do Rio foi cenário de intensa efervescência cultural. Local em que os estivadores, capoeiristas, babalorixás e yalorixás, sambistas e malandros conviveram e criaram uma das culturas mais autênticas do Brasil e que hoje é, reconhecidamente, uma das mais apreciadas em todo do Mundo.

Dada a relação direta entre o Cais do Valongo com a Capoeira, demais culturas Afrobrasileiras e a diversos fatos históricos acontecidos no Rio de Janeiro, iremos a cada Roda trazer à luz da memória de ilustres frequentadores da antiga Pequena África / Zona Portuária. O primeiro homenageado será o capoeirista e estivador Carioca, Horácio José da Silva, de quem a História guardou o apelido, Prata Preta – importante personagem da Revolta da Vacina.

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Informações gerais sobre a Roda do Cais do Valongo:

o quê: Roda do Cais do Valongo
quando: 11 de Agosto de 2012
horário: 11hs às 14hs
ondeRua Barão de Tefé s/n. –  Cais do Valongo (mapa)
palestra: quem foi Horácio José da Silva, o Prata Preta? (está palestra será realiada pelo Jornalista Délcio Teobaldo)
clima e tempo: em caso de chuva, a Roda será realizada no IPN / Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (mapa)

Roda do Cais do Valongo no Facebook

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Fontes sobre a Revolta da Vacina e o estivador-capoeirista Prata Preta:

De acordo com o professor José Murilo de Carvalho, em Os Bestializados, Horácio José da Silva – um capoeirista conhecido como Prata Preta –  foi um dos chefes da “barricada de Porto Arthur”, um obstáculo construído por populares para impedir a entrada da polícia no bairro da Gamboa, durante o protesto de resistência. Prata Preta chegou a pegar em armas e matou um soldado do Exército durante as batalhas com as forças do governo. Foi preso e torturado.

 

http://kabula.org

Manaus: aniversário do Grupo Matumbé

Manaus – Com 400 integrantes e quase um ano de fundação, o Grupo Matumbé de Capoeira do Amazonas exportou o gingado para o exterior com o trabalho abnegado de vários mestres, entre eles ‘Capacete’.

Há três anos, ele dá aulas da modalidade em Barcelona, na Espanha, onde decidiu criar uma filial do projeto.

Capacete voltou recentemente a Manaus para comemorar, no final deste mês, o aniversário do Grupo Matumbé e receber o título de contramestre. Na programação especial, que começa nesta quarta-feira (25) e vai até domingo (30), serão organizados mesas redondas, rodas de capoeiras e o batizado anual de novos alunos.

Nesta quarta-feira, a abertura com as tradicionais rodas começam às 18h no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), na Avenida André Araújo, em Petrópolis, zona sul de Manaus.

Nos quatro dias seguintes do evento, o local vai mudar para o Centro de Convivência da Família, na Aparecida, zona sul, onde na quinta-feira (27) o mestre Kaká Bonates, fundador do Matumbé, dará uma palestra aberta ao público.

Na sexta-feira, em uma mesa redonda, Capacete pretende resgatar a experiência com a capoeira na Europa. Ambos os eventos serão no horário das 18h.

Após um intervalo das atividades no sábado, o encerramento no domingo será dedicado à formatura de cinco praticantes e à festa de fundação do Grupo Matumbé.

“Antigamente, éramos todos do Grupo Cativeiro, que existia há 20 anosem Manaus. No ano passado, mudamos o nome para Matumbé (que no tupi-guarani significa berimbau) para ser mais regional. Nós praticamos a capoeira tradicional baiana (com origem em Angola). Temos também grupos na Islândia, Jamaica e Barcelona. Nossa filosofia é não participar de competições, porque acreditamos que a capoeira trabalha mais a solidariedade e o respeito entre as pessoas. Não queremos nada competitivo”, explicou o mestre Kaká Bonates.

Capoeira celebra aniversário do Grupo Matumbé e reúne praticantes em Manaus

 

http://www.d24am.com – Redação . [email protected]

Obra de drenagem revela porto de tráfico de africanos escravizados no Rio de Janeiro

Tesouros do Brasil Imperial estão sendo revelados por uma obra de drenagem na Zona Portuária do Rio de Janeiro. Há pouco mais de um mês funcionários da prefeitura carioca encontraram duas importantes referências do século XIX: o Cais do Valongo – onde desembarcaram mais de um milhão de negros escravizados; e o Cais da Imperatriz – construído para receber Teresa Cristina, que se casaria com Dom Pedro II.

O tesouro arqueológico estava escondido sob a Avenida Barão de Tefé da Zona Portuária há pelo menos um século. A estrutura do antigo Cais da Imperatriz surgiu com as escavações para a revitalização do local e, logo abaixo dele, surgiram também evidências do que seria o Cais do Valongo, o maior porto de chegada de escravos do mundo.

PESQUISA – No início, a equipe do Museu Nacional / Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que acompanhava a obra não tinha sequer certeza da existência do Valongo. “Não sabíamos se havia sido completamente destruído ou se dele restava ainda algum vestígio”, afirmou Tânia Andrade Lima, pesquisadora responsável pelas escavações, em documento encaminhado à Fundação Cultural Palmares.

Segundo o relatório, os achados representam mais que as pedras lavradas que compõem os calçamentos dos cais. Foram encontrados vestígios de cultura de grupos africanos e afrodescendentes, como cachimbos de cerâmica, búzios usados em práticas religiosas e botões produzidos a partir de ossos de animais. A descoberta é considerada de grande relevância para o resgate e a manutenção das memórias da cidade e do país.

PRESERVAÇÃO – Agora, o governo carioca pretende mostrar ao mundo o lugar onde desembarcaram milhares de homens, mulheres e crianças vindos de África para mudar definitivamente a face e a cultura do povo brasileiro. Para isso já se fala na criação de um memorial que armazene o material encontrado e o histórico da rotina que se seguiu da chegada à venda dos escravizados.

Enquanto as possibilidades são discutidas, a idéia é integrar as descobertas históricas ao novo desenho urbano local, criando um centro de visitação. Já os trabalhos de identificação, caracterização e preservação seguem minuciosos nos laboratórios da UFRJ, ao mesmo tempo em que a prefeitura instala as novas galerias pluviais, desviando o percurso das manilhas, para não destruir o antigo cais.

 

Fonte: http://www.palmares.gov.br/

A princesa Aqualtune

Não é apenas uma, duas ou três, são muitas as mulheres valentes e guerreiras que lutaram por si, pelo seu povo e por seus ideais.

Uma dessas mulheres é Aqualtune, princesa do Congo, que comandou um exército de dez mil homens em batalha contra os Jagas, guerreiros bárbaros que invadiram o Congo.

Com a interferência dos escravistas europeus que, com armas de fogo, desequilibravam as lutas dos povos africanos conforme seus interesses, o exército de Aqualtune foi derrotado e a princesa foi capturada e trazida ao Brasil nas condições sub-humanas de todo navio negreiro.

Aqualtune foi obrigada a manter relações sexuais com um escravo para fins reprodutivos e desembarcou já grávida no Porto de Recife. Foi leiloada e levada para um engenho em Porto Calvo, no sul de Pernambuco.

Foi no engenho que Aqualtune conheceu histórias sobre a resistência negra à escravidão e ouviu falar no Quilombo de Palmares. Com a mesma coragem e determinação que demonstrava em sua terra, Aqualtune organizou uma fuga para o quilombo e fugiu nos últimos meses de gravidez, acompanhada de outros escravos.

Já em Palmares, onde as tradições africanas eram preservadas, a princesa teve sua origem nobre reconhecida. 
Dois de seus filhos, Ganga Zumba e Gana Zona tornaram-se chefes dos mocambos mais importantes do quilombo e sua filha mais velha, Sabina, é a mãe de Zumbi dos Palmares.

Quanto à morte de Aqualtune, existem informações divergentes. Acredita-se que a princesa morreu queimada em 1677,quando sua aldeia foi incendiada durante uma batalha. Mas outras fontes citam que Aqualtune teria escapado, não sendo conhecida a data de sua morte.

Fontes:

A Terra da Liberdade
Criola.org
Casa de Cultura Mulher Negra
Meio Norte
Overmundo

Neila Vasconcelos – Venusianacapoeiradevenus.blogspot.com

RJ: Daniele Suzuki redescobre a capoeira

A atriz voltou a praticar a luta há um mês e meio.

Quem vê Daniele Suzuki jogando capoeira e dançando o maculelê, não imagina que a atriz começou a praticar a luta há apenas um mês e meio. Com a desenvoltura de uma capoeirista experiente, Daniele lança as pernas para o alto e foge dos golpes com uma agilidade típica de quem é veterano no esporte. Ela justifica sua habilidade: “Faço balé clássico desde criança. A dança ajuda a elasticidade e a abertura de perna. Também já fiz capoeira, quando era adolescente”, contou Daniele.

Ela redescobriu a capoeira numa academia em frente ao condomínio onde mora no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. Daniele é aluna da Associação Cultural e Desportiva Tamanduá Capoeira, do professor Gilmar Carneiro, o Mestre Tamanduá, discípulo de Beto Simas, o Mestre Boneco.

Duas vezes por semana Tamanduá leva a turma para jogar numa quadra coberta em Vargem Grande, Zona Oeste do Rio. No lugar, cercado pela mata exuberante,  Daniele deixa de ser a Ellen da novela das 20h da Rede Globo, “Viver a vida”, e vira uma capoeirista comum. Porém, esse momento dura pouco.

Quando a aula chega ao fim, os alunos mirins correm para tietar Daniele que, simpática, suada e feliz, posa com seus pequenos admiradores.

“A capoeira tem uma energia muito boa. Adoro!”, disse Daniele.

“A capoeira é uma luta que deixa a pessoa pronta para executar qualquer movimento”, concluiu Mestre Tamanduá.

 

Fonte: http://ego.globo.com/

Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa

Hoje recebo a confirmação que este grande camarada e parceiro está de viagem marcada para as terras frias do hemisfério norte, com destino a Toronto (Canadá).

Toda a família irá fazer esta jornada em cumplicidade e nosso amigo Miltinho, como grande “paizão” estará acompanhado da companheira Keyla e do filhão Camilo (foto).

Desejamos um ótima estadia e sucesso profissional!!!

Em homenagem a este grande capoeira e amigo escolhemos uma matéria publicada no Jornal do Capoeira escrita pelo próprio Miltinho Astronauta.

Crônica sobre Capoeira, com algumas informações sobre a Pernada de Sorocaba e a Tiririca da capital paulista, ambas uma espécie de “capoeira primitiva” do Estado de São Paulo

Luciano Milani – Fevereiro de 2009

Nota do Editor:

À convite da Tribuna Metropolitana – um jornal quinzenal que circula nas zonas norte e sul da capital – tenho escrito algumas crônicas para uma coluna cujo título é Capoeireiro. O objetivo tem sido o de compartilhar informações e pontos de vistas sobre nossa Capoeira. No mês de Julho de 2005 publicamos uma crônica sob o título “Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa”. Com o lançamento do Documentário “Pernada em Sorocaba – Ginga Pela Arte…Ginga Pela Sobrevivência”, previsto para ocorrer dia 19 de Novembro de 2005 na Cidade de Sorocaba (SP), achei por bem republicar tal crônica também em nosso Jornal. É o que faço agora.

Capoeiristicamente,

Miltinho Astronauta


CAPOEIREIRO

Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa
Por Miltinho Astronauta – Julho/2005

Nota da Tribuna Metropolitana

Foi com imensa satisfação que inauguramos esta coluna Capoeireiro. Percebemos que amantes da prática da Capoeira – seja enquanto cultura, seja como esporte ou educação – já estão até colecionando nossas edições quinzenais. A seguir, respondemos algumas questões enviadas à nossa Redação: 1) nosso colunista desenvolve um trabalho de pesquisa do fenômeno da Capoeira em nosso Estado (Interior, Capital e Vale do Paraíba); 2) existe um projeto em andamento para cadastrar os mestres e capoeiras – dos mais antigos aos jovens mestres – das diversas regiões da Capital: Zona Oeste, Zona Leste, Zona Norte, Zona Sul e Centro; 3) interessados em colaborar com este projeto (Coletânea da Capoeira em São Paulo) podem escrever para nossa Redação, ou então enviar e-mail para o nosso Colunista. Como se diz na Capoeira, “vamos dar a Volta ao Mundo, Câmara…”.

Outro dia, recebi uma carta eletrônica (e-mail) muito elogiosa sobre as duas primeiras edições de nossa recém-inaugurada coluna CAPOEIREIRO. Lá pelas tantas, nosso interlocutor perguntou: “Existiu, realmente, Capoeira em São Paulo antes da chegada dos baianos e cariocas na década dos 60?”. De pronto lembrei-me de um corrido do Contra-mestre Pernalonga (Márcio Lourenço de Araújo), que hoje ensina em Bremen, Alemanha. “O meu barco virou / lá no fundo do mar / Se eu não fosse angoleiro / Eu não saia de lá”. Foi exatamente assim que me senti. Ou seja, se não estivesse amparado por documentos, lá estava levando minha rasteira.

De pronto, resolvi então trazer à público uma abordagem interessante que fiz sobre uma forma de “Capoeira a Lá Paulista”. Confesso, estava guardando o texto que ora apresento para um livro que estou escrevendo sobre a Capoeira de São Paulo. Mas para não deixar de “entrar na chamada” de nosso amigo Leitor, vamos então ao fio da meada.

1. CAPOEIRA GANHA O MUNDO

Hoje percebemos que o mundo todo se entregou aos encantos de nossa Capoeira. Ousaria dizer que nenhum esporte e/ou prática cultural levou tanto de um povo à outras nações como é o caso de nossa Capoeira.

Por exemplo, aqui no Brasil, praticamos o Box, o Judô e o Caratê, mas ninguém fala o inglês ou o japonês por conta disso. Dança-se o Balé e o Tango, mas não existem motivos para se especializar em Francês ou Espanhol.

Mas com a Capoeira é diferente. Por conta dela o português falado no Brasil tem sido falado em mais de 150 Paises. É isto mesmo! Segundo a Federação Internacional de Capoeira (FICA), presidida pelo Prof. Dr. Sérgio Vieira, nossa Capoeira já caminha para a segunda centena de paises onde a prática já faz parte do “cardápio” anual de eventos culturais e desportivos.

É até compreensível nosso português sendo falado neste “mundão de Deus”, uma vez que seria muito superficial praticar a Capoeira sem, por exemplo, compreender o real sentido de uma Ladainha, de um Corrido ou de uma Chula.

Ao mesmo tempo em que percebemos nossa Capoeira expandindo-se, dando sua magistral “Volta ao Mundo”, observa-se que mais e mais os praticantes (nacionais e principalmente do estrangeiro) estão buscando conhecer a verdadeira – e mais completa quanto possível – história da Capoeiragem.

2. CAPOEIRA, FOLCLORE & DINÂMICA

Prosa e SambaÉ fato que a Capoeira praticada em nosso Estado de São Paulo é fruto de um trabalho de resistência e divulgação realizado por mestres baianos e cariocas, vindos para cá a partir da década dos 50. Embora, sendo justo registrar que a grande maioria chegou entre meados dos 60 e início dos anos 70.

Em nossa Crônica Inaugural apresentamos o depoimento em livro do Folclorista Alceu Maynard Araújo (1967) atestando que levas de capoeiras foram soltas nas pontas dos trilhos (na cidade de Botucatu, entre 1890 e 1920, supostamente). Pelo depoimento, podemos inferir que Capoeiras (vindos da Capoeira Carioca) já perambulavam por nosso Estado, no final do século XIX e início do século XX.

Por falar em Capoeira Carioca, todo bom estudioso da cultura popular sabe que as manifestações raramente ocorrem em regiões de forma isolada geográfica e temporalmente. Tanto é que Mestre Edison Carneiro (excelente folclorista!) fez questão de deixar bem claro no título de um de seus livros (Dinâmica do Folclore), que tudo acontece dinamicamente. Em alguns casos manifestações se fundem, resultando em novas manifestações. Por exemplo, com a proibição da Capoeira em Pernambuco, aliado a questões político-social da época, resultou-se nosso Frevo! O bom capoeira sabe perceber que a “malícia” do bom “frevista” está ligado à ginga de um bom Capoeira. E é isto que eram no passado: capoeiras. No Rio de Janeiro, a perseguição à capoeiragem (que, funcional e socialmente não é o mesmo que capoeira) resultou na Pernada Carioca. Digamos que era a Capoeira que não se chamava Capoeira, mas que tinha a eficiência da mesma, tanto enquanto luta, como também como lazer.

3. PERNADA, TIRIRICA & CAPOEIRA PAULISTA

Em São Paulo também tivemos nossa “Capoeira primitiva”. Recentemente o historiador Carlos Carvalho Cavalheiro e o capoeira-pesquisador Joelson Ferreira têm se dedicado a estudar a Pernada de Sorocaba (interior paulista). Na essência, essa forma de manifestação tem todos os ingredientes básicos de nossa Capoeira: cantos (corridos e desafios); negaças; golpes desequilibrastes (rasteira!) etc. Em breve teremos um excelente documentário sobre o assunto. Aguardem.

Além da Pernada de Sorocaba, na Capital Paulista, tivemos também uma outra “espécie de capoeira”: a TIRIRICA. Aparentemente, tudo indica que, com a repressão de algumas manifestações (ai inclui-se a Capoeira, o Batuque e até mesmo a Religião Candomblé), o povo era obrigado a mascarar suas práticas, mudando formas de execução e nome de tais práticas.

A Tiririca Paulista era um misto de Capoeira com Samba. Era, então, uma capoeira com ritmo (diferente da Capoeira Utilitária do Paulista-Carioca Mestre Sinhozinho – Agenor Sampaio), mas sem a presença do Berimbau. Tinha canto de pergunta e resposta, e “jogava-se” ou “lutava-se ludicamente” em Roda.

Sobre esta “espécie de capoeira” (assim se referiam a ela os “mais antigos” da Terra da Garoa) temos alguns depoimentos relevantes gravados no Centro de Estudos Rurais (CERU) e Museu da Imagem e Som (MIS), ambos da Universidade de São Paulo (USP). Em São Paulo podemos encontrar ainda alguns praticantes remanescentes ou contemporâneos de praticantes, que acompanharam a TIRIRICA em seu auge (décadas dos 30 aos 50). Para dar uma dica, para quem estiver interessado em saber sobre a Tiririca, os bons nomes são Oswaldinho da Cuíca, Toniquinho Batuqueiro e Seu Nenê da Vila Matilde.

O Próprio Mestre Ananias – renomado mestre da capoeira angola baiana – que chegou pela capital entre 1950 e 1960, vivenciou alguns momentos da Tiririca pelas bandas do Brás; Largo da Banana, ou mesmo pelas Praças da Sé e da República (reduto de muitos sambistas, tiririqueiros e capoeiras). Mestre Ananias é grande conhecedor de Samba de Raiz e de Capoeira. Eu arriscaria dizer que uma das cantigas que só ouvi mestre Ananias cantando (É tumba, menino é tumba…) pode ter sido “colhida” durante sua vivência com alguns praticantes da Tiririca. Faço tal suposição baseado em um documentário de Mestre Geraldo Filme (também cantador de Samba, e que conviveu com exímios jogadores de Tiririca), que em depoimento para o MIS, lá pelas tantas, soltou a letra da música que comento acima:

 

“É tumba, menino é tumba

É tumba pra derrubá

Tiririca faca de ponta

Capoeira quer me pega

Dona Rita do Tabulêro

Quem derrubou meu companheiro

Abra a roda minha gente

Que o Batuque é diferente

(coro)

Abra a roda minha gente

Que o Batuque é diferente”

Será que a origem é a mesma (Rodas de Tiririca)?


Miltinho Astronauta dedica-se, de forma independente, ao projeto “Coletânea da Capoeira em São Paulo”. O projeto conta com a colaboração de alguns pesquisadores, dentre eles Raphael Pereira Moreno e Carlos Carvalho Cavalheiro. Para obter mais informações, acesse o Jornal do Capoeira (on line) www.capoeira.jex.com.br ou escreva para [email protected] A foto de Mestre Ananias é de Autoria de Adilene Cavalheiro.

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

 

Pernambuco: A capoeira como ferramenta de inclusão social

Ajudar jovens e crianças carentes a exercerem a cidadania por meio da prática da capoeira e de atividades afins. Essa é a proposta da Associação Cultural Desportiva Abaúna Capoeira que além do gingado (nas modalidades angola e regional), oferece oficinas de birimbau, dança popular, dança afro, percussão afro-nordestina e música.

Com mais de oito anos de existência no bairro do Totó, na Zona Oeste da capital, a organização já conseguiu expandir as aulas para outras três unidades – duas no Recife (nos bairros da Várzea e Imbiribeira) e uma em Jaboatão dos Guararapes (em Cavaleiro). Apesar do crescimento, vindo de algumas parcerias governamentais, o grupo precisa de mais colaboradores para manter os 170 alunos que nem sempre têm condições de pagar pelos utensílios básicos das atividades desenvolvidas.

Entre os gastos da associação, estão a manutenção de instrumentos musicais e espaços físicos, a compra de abadás (calças utilizadas por praticantes do esporte) e de camisas uniformizadas, além da confecção de figurinos para apresentações de dança e do lanche distribuído nos dias de troca de corda. “Cada traje de luta completo, com camisa e abadá, sai por R$ 50. Imagine como poderemos dar isso para todos os alunos”, diz o monitor Josimar da Silva, do Grupo Abaúna, que trabalha na comunidade de Brasilit, na Várzea, Zona Oeste do Recife.

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Teresina: 24 horas de Capoeira

Grupo realiza primeira 24 horas de Capoeira de Teresina. As rodas vão começar a partir das 18 horas de sábado e vão até as 18 horas de domingo.

O grupo Solnascente está realizando o Primeiro 24 horas de Capoeira de Teresina, na praça principal do bairro São João, na zona Leste de Teresina, em frente ao clube Eldorado. Além de rodas de capoeira também acontecerá o 5º Encontro Feminino de Capoeira.

O evento terá a participação de 300 a 400 capoeiristas do grupo de Teresina e de esportistas de Brasília, sob o comando do mestre Romeu da Bahia.

Segundo um dos coordenadores do evento, Tiago Craveiro, o objetivo é divulgar o trabalho sócio-educativo e a cultura da capoeira, suas tradições e raízes.

O grupo solnascente já atua a 13 anos em Teresina e está realizando um curso de Capoeira Angola com o mestre Romeu nesta sexta-feira, em sua sede, no Dirceu II, zona Sudeste de Teresina.
 
 
Caroline Oliveira
[email protected]

Natal: Conexão Felipe Camarão – Capoeira & Cidadania

 

Problemas se proliferam na Zona Oeste de Natal

A zona Oeste de Natal engloba 10 bairros, onde moram cerca de 200 mil pessoas, quase 30% dos habitantes da capital. Nas Quintas, Bom Pastor, Nossa Senhora de Nazaré, Felipe Camarão, Cidade Nova, Guarapes, Planalto, Nordeste, Cidade da Esperança e em Dix-Sept Rosado vive uma população com renda média, de acordo com o último Censo do IBGE, de 2,92 salários mínimos, a menor de Natal e igual à da zona Norte. A TRIBUNA DO NORTE percorreu a região para conhecer de perto a realidade enfrentada por esses moradores e as principais demandas dessa parcela de Natal:

Casa própria é sonho de moradores do Guarapes Fábio José da Silva, de 29 anos, abandonou a casa onde morava de aluguel para ir viver em um casebre de taipa, no bairro Guarapes. “Era R$ 100 por mês e não tinha mais condições de pagar”, lembra. O pai de família é apenas um dos milhares da zona Oeste que têm de colocar os parentes sob um teto longe do ideal, enquanto sonha com a casa própria. Na região estão localizadas algumas áreas ocupadas por centenas de sem-tetos, como o “Leningrado” e a ocupação “8 de outubro”. Foi vizinho a esta última que Fábio José ergueu sua moradia de apenas dois vãos, que divide com dois filhos e a esposa, grávida do terceiro.

Desempregado, ele já se cadastrou em alguns programas habitacionais, mas afirma não ter idéia de quando vai poder ganhar um teto melhor. “Desde criança morei em Natal e nunca tive uma casa minha mesmo”, lamenta o jovem, que atualmente mantém a família com o dinheiro de alguns “bicos” que realiza diariamente. Assim como a residência improvisada de Fábio José, muitas outras podem ser vistas nos bairros da zona Oeste, onde também se multiplicam favelas como a do Detran, em Cidade Nova, e a Wilma Maia, no Felipe Camarão.

De acordo com dados de 2005, um total de 24 das 66 favelas de Natal se encontram nos 10 bairros da região, abrangendo quase 6 mil casebres e uma população de 23 mil pessoas. Porém, a precariedade das moradias não é o único problema. A zona Oeste de Natal é aquela na qual há a maior média de habitantes por moradia, acima de quatro por casa (4,12 segundo o Censo 2000). Neste quesito, o Guarapes surge mais uma vez como destaque negativo, com média de 4,3 moradores por domicílio, abaixo apenas de Santos Reis (zona Leste) e Salinas (zona Norte).

A família de Kíria Ferreira dos Santos, de 55 anos, é um exemplo disso. A casa dela é dividida por nada menos de 10 pessoas, incluindo os oito filhos e um neto. Vivendo há 19 anos no Guarapes e há cinco no conjunto Dinarte Mariz, onde ganhou o imóvel da Prefeitura, a dona-de-casa acompanha seus descendentes crescerem, sem ter como deixar o local.

“Meu filho mais velho tem 35 anos, outro tem 24, alguns já trabalham, mas nenhum ainda tem condições de comprar suas próprias casas”, reconhece Kíria Ferreira. Ela lembra que emprego é algo difícil de se conseguir e geralmente os disponibilizados aos moradores da região costumam oferecer salários baixos e poucas oportunidades de crescimento profissional. “Por isso, a gente segue dividindo todo mundo dentro de casa, do jeito que pode”, resume.

Faltam opções de lazer e educação

O aposentado Pedro Barbosa do Nascimento, de 80 anos, resume sua vida escolar: “Nunca freqüentei colégio. Meu estudo foi o cabo da enxada e a chibanca (instrumento agrícola).” O exemplo do ex-agricultor não é um caso isolado no bairro de Bom Pastor, onde quase 27% da população é analfabeta, índice igual ao do bairro de Felipe Camarão e inferior apenas aos de Salinas e Guarapes em toda Natal. A zona Oeste como um todo, aliás, é a que apresenta maior índice de analfabetismo na capital, com mais de 21% dos moradores sem saber ler ou escrever.

A história de Pedro Barbosa representa um exemplo comum entre milhares de moradores da área. Agricultor da região de Baixa Verde, ele começou a trabalhar na roça em João Câmara desde que “se entende por gente”, até conseguir um emprego em uma usina de cana-de-açúcar, onde se aposentou. Já idoso, veio para a capital e hoje se divide entre uma casa no Guarapes e a outra, da filha, em Cidade Nova. Apesar do tempo livre, nunca teve oportunidade de aprender a escrever, porém reconhece que hoje isso é imprescindível. “Não sei nem meu nome, mas agora é diferente, só não estuda quem não quer”, ressalta. Mesmo com quase metade da idade, a dona-de-casa Maria Socorro de Lima, de 41 anos, também não vê motivos para retornar aos bancos escolares. Apesar de ter freqüentado colégios em sua infância, hoje se limita apenas a assinar o próprio nome. “Não tenho tempo para aprender, tenho de cuidar das crianças, pois meu emprego é menino para criar”, diz a senhora, que se orgulha, ao menos, de ter todos os filhos matriculados em escolas.

Porém, mesmo as crianças que estudam nos colégios da região também sofrem com outra carência antiga em Cidade Nova: a falta de opções de lazer. Uma duna localizada na entrada do bairro é a única alternativa. No espaço, quatro traves foram levantadas e demarcam os dois campos improvisados. Ginásio ou quadra pública, nenhum dos dois existe. Aliás, uma quadra que seria erguida por um candidato a vereador terminou se resumindo à primeira fileira de tijolos e montes de areia e metralha, que agora ocupam o espaço onde os jovens improvisavam uma quadra de vôlei de areia. O pequeno Guilherme Oliveira, de 12 anos, resume a situação: “Só tem mesmo o morro para a gente pular”, diz , no intervalo entre uma pirueta e outra, para as quais, felizmente, não precisa de estrutura nenhuma. Seu colega, Deílson dos Santos, de 17 anos, confirma a falta de opções enfrentada pela juventude local: “Cidade Nova não tem lazer. Nem quadra, nem campo, nem nada.” De acordo com dados da Semsur, referentes a 2007, a zona Oeste é também a que apresenta o menor número de praças, somente 17 das 194 da capital, ou seja menos de 10% do total (na Sul são 68, na Leste 62 e na Norte 47). Na região, três bairros são apontados como não tendo nenhum espaço público desse tipo: Cidade Nova, Dix-sept Rosado e Planalto.

Bom Pastor tem uma das piores rendas

A zona Oeste divide com a zona Norte de Natal um título nada animador: o de regiões com menor renda média por família na capital, exatamente 2,92 salários mínimos. A população de Bom Pastor apresenta valores ainda menores (2,23 salários mínimos de média) e aparece na 32ª posição nesse quesito, entre os 36 bairros de Natal. Subempregos e o comércio informal fazem parte da realidade de boa parte dos moradores da área.

O vendedor de CDs e DVDs Luciano da Silva Macedo, é um exemplo disso. Aos 28 anos, ele nunca teve carteira assinada e sequer aprendeu a ler e escrever. Além do analfabetismo, o jovem enfrenta outra dificuldade na busca por uma vaga de trabalho fixo. “Não tenho nem mesmo meus documentos completos”, revela. Diante disso, só restou mesmo trocar os bicos temporários pelo carrinho de vendas com o qual circula pelo bairro e por toda a cidade, até o final do dia.

“Só termino por volta das 7h da noite. Em uma semana boa consigo fazer uns R$ 100 a R$ 150”, calcula. Seu sonho, contudo, vai bem além e é de conseguir um emprego em uma firma que lhe permita manter a esposa e a mãe, com quem mora. A escola que freqüenta atualmente é a bíblica, onde aprende sobre a religião, mas não tem aulas de leitura e escrita. “Se aparecesse um curso, se a Prefeitura me desse condições para estudar, eu topava”, garante.

Situação ainda pior é a de grande parte dos moradores da Baixada Frei Damião, também no Bom Pastor. Muitos dependem do lixo reciclável, catado no antigo terreno da Chesf, por trás do cemitério do bairro. É o caso de José Alves, que há mais de 10 anos tira o sustento do local e parece já ter perdido as esperanças quanto a dias melhores. “Meu sonho era mesmo ser gerente de banco, mas não acho que o futuro seja esse, porque sai prefeito, entra prefeito, sai governo, entra governo, e nada muda, nunca vi nenhuma melhora pra gente”, reclama.

Tendo deixado o emprego de servente de pedreiro há um ano para catar material reciclável no local, Francisco Assis dos Santos, de 34 anos, diz não ter perdido a esperança de conseguir um novo trabalho com carteira assinada, mas não reclama da nova atividade. “Pelo menos aqui posso chegar mais cedo em casa”, compara. Emprego, porém, não é a única coisa que falta no bairro, segundo o catador. “Bom Pastor precisa de saneamento, moradia, água, luz, quase tudo que a gente da baixada não tem direito.”

Ruas de terra causam transtornos

Diversos projetos de pavimentação e drenagem foram desenvolvidos nos últimos anos nos bairros da zona Oeste de Natal, porém esse investimento não foi suficiente para transformar em exceção o cenário das ruas de barro, onde no verão a poeira invade casas e causa doenças respiratórias, e no inverno se transformam em verdadeiras lagoas, impedindo a passagem dos veículos e até mesmo das pessoas.

Até o final de 2007, o bairro do Planalto era apontado como o segundo de menor percentual de ruas drenadas e pavimentadas em Natal, 12% e 6% respectivamente, acima apenas dos números do bairro de Lagoa Azul, na zona Norte de Natal (5% e 10%). Um serviço recém executado em uma das principais vias do Planalto, a Engenheiro João Hélio, ampliou um pouco esses percentuais, mas os muitos moradores que não foram beneficiados continuam sofrendo com a poeira e os alagamentos.

Na rua Araguaiana, a revolta é grande. “Aqui é os meninos doentes por conta da poeira, mas na época da chuva é que é fica ruim mesmo”, aponta o desempregado Geraldo Luiz de Queiroz, de 55 anos. Ele acredita que só quando algum político tomar “vergonha na cara” vão resolver o problema do local, onde água servida é despejada no meio da rua, formando verdadeiros esgotos a céu aberto, que acabam se transformando também em espaço de despejo de lixo, exalando um fedor constante. A também moradora Francisca Maria Galdino, 55 anos, afirma que nem mesmo os ônibus transitam pela rua, por conta da falta de asfalto, ou pelo menos de paralelepípedos. “Aqui tudo acaba ficando longe”, explica. Já a dona-de-casa Edna Santos, de 32 anos, lembra, que calçamento é apenas uma das várias demandas da população do Planalto.

Investimentos são necessários para combater insegurança

O trabalho do mestre de capoeira Marcos Antônio Gomes, diretor da organização não-governamental Conexão Felipe Camarão, é ainda um oásis em meio à falta de políticas públicas de combate à criminalidade na região Oeste de Natal. No bairro onde funciona a ong, os assassinatos são uma triste rotina com a qual convivem os moradores. “Alguns policiais já me disseram que mal dá para investigar os casos de homicídio, quanto mais os de furtos, roubos, drogas”, lamenta “mestre Marcos”.

O Conexão tem apoio da Petrobras e atende cerca de 400 crianças e jovens de Felipe Camarão, com atividades esportivas, culturais e musicais. São aulas de capoeira, mamulengo, coral, boi de reis, rabeca, luteria (fabricação de instrumentos) e inclusão digital. Porém, nem mesmo esforços como esse impedem o assédio da criminalidade aos adolescentes da região. “É um trabalho difícil. Às vezes a gente oferece uma música, mas e se eles preferirem o baseado? Mas continuamos assim, perdendo um, ganhando dois”, resume.

Hoje, o trabalho desenvolvido pela organização é elogiado e até defendido pela população. “Eles nos apoiam, mas o fato é que o policiamento é mesmo muito pequeno no bairro. Fazemos um trabalho preventivo, mas também é preciso o repressivo”, lembra. A realidade é confirmada por quem já foi vítima da violência. O motorista Roberto Carlos Rodrigues mora em Cidade da Esperança, mas trabalha na linha de Felipe Camarão. “Não sei onde é mais perigoso, se lá onde moro, ou aqui”, afirma.

Ele já sofreu três assaltos e acredita que seriam necessárias mais viaturas nas ruas para poder coibir esses crimes. Porém, o cenário é distante disso, já que até mesmo o posto policial do terminal rodoviário está fechado. “Não se vê um policial. Se matam alguém, leva horas para a polícia chegar”, descreve. O terminal é muito movimentado, reúne comércios e passageiros à espera dos coletivos e, por isso mesmo, também atrai os marginais. Porém, a porta do posto policial se mantém trancada e sem qualquer sinal dos PMs.

Para o agente de Polícia Civil Joab dos Santos Costa, da Delegacia de Felipe Camarão, os desafios da futura Secretaria Municipal de Segurança não são poucos, em relação à região. “É preciso investir principalmente em educação. Muitas crianças estão fora da escola. As áreas de lazer aqui são poucas e também é necessário dar alternativas aos jovens, como opções de emprego e mesmo de qualificação”, observa.

O número de homicídios é elevado, porém os criminosos não começam suas vidas como assassinos. O agente lembra que muitas vezes os jovens chegam à delegacia após ser presos por pequenos furtos, porém aos poucos vão se envolvendo com outros criminosos e mesmo com o mundo das drogas. “E depois que entra para a marginalidade é difícil sair”.

 

Fonte – Tribuna do Norte – Wagner Lopes – Repórter

Cuiabá: Primeiro batizado de crianças do Peti será dia 8

Nesta quinta-feira(8), às 9h, a Praça Alencastro será palco do Primeiro Batizado de Capoeira para crianças do Peti-Cuiabá(Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). Um grupo de 60 crianças e adolescentes de vários bairros da periferia receberá de seus professores e de mestres convidados o sinal de que foram oficialmente batizadas na modalidade de Capoeira.


Além daquelas que serão batizadas, a Prefeitura de Cuiabá, através da Secretaria Municipal de Assistência Social e Desenvolvimento Humano(Smasdh), levará para a praça outras 140 crianças e adolescentes que também fazem aula de Capoeira nas unidade de Jornada Ampliada do Peti. Portanto, o evento reunirá cerca de 200 crianças, além de mestres, monitores do Peti e convidados.

Os professores de Capoeira do Peti, Wendel, Joacy e Pitter levarão como seus convidados mestres dessa modalidade desportiva bastante conhecidos na capital como Lídio Filho, professor Pirata Marcelo, Igor Marcelo Pantera, Fernando Cristóvão, entre outros.

A coordenadora do Peti, Marci Barros, lembrou que a capoeira foi introduzida no Peti como modalidade desportiva a partir deste ano com grande aceitação entre as crianças, adolescentes e seus familiares. Nesse primeiro batizado, destacou Marci, estarão reunidas crianças de unidades instaladas em bairros como Doutor Fábio, Pedra 90, Umuarama, Aroeira e outros.

DADOS – Em Cuiabá, informou Marci, 4.604 crianças e adolescentes com idade entre 07 e 16 anos estão inscritas no Peti, sendo 3.604 na zona urbana e 1 mil em comunidades rurais(da zona urbana recebe bolsa de R$ 40 e rural R$ 25). O pagamento desse benefício está condicionado à freqüência das crianças nas atividades da Jornada Ampliada em horário oposto ao da escola de ensino regular.

Jornada Ampliada – É oferecida em 15 unidades sediadas em escolas, centros comunitários, CRAS e outros espaços. Além do reforço escolar, através da ajuda de monitores nas tarefas da escola, as crianças e adolescentes fazem aula de Capoeira, Karatê, Coral, Dança e recebem orientação sobre trânsito, saúde, sexualidade, segurança, drogas e outras.