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Musicalidade

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A sonoridade refinada de Mestre Dinho Nascimento em “Ser Hum Mano”

Com dois cds que estimularam o cenário da MPB, Dinho Nascimento prepara "Ser Hum Mano" com surpreendentes diálogos entre seu instrumental primitivo e exótico e o pandeiro de Marcos Suzano, a clarineta de Ubaldo Versolato, a cuíca de Osvaldinho, a flauta de Toninho Carrasqueira e as vozes de um animado coral infantil do Morro do Querosene. No repertório, sugestões de um "trance" e o atrevimento de um "hino", além da simplicidade de "Pescaria" do cancioneiro Dorival Caymmi..
 
Depois da bem sucedida estréia com o cd Berimbau Blues (Prêmio Sharp Revelação da MPB em 1997) e do polêmico e estimulante Gongolô (em 2000) que ultrapassaram as fronteiras do nosso país, mestre Dinho Nascimento está finalizando mais um inusitado projeto musical: "Ser Hum Mano".
 
O novo cd do percussionista, cantor e compositor baiano, que há 30 anos reside em São Paulo, já está em processo de masterização e deve chegar às lojas até o final do semestre. Virá temperado com novidades e participações muito especiais: o lenda-viva do samba paulistano, Osvaldinho da Cuíca; o consagrado percussionista Marcos Suzano e seu precioso groove de pandeiro; o sopro vital, firme e singelo da flauta de Toninho Carrasqueira; a sutil colocação dos scratchs do DJ Cia; e, o depoimento breve, direto e explícito do rapper Sandrão (RZO). Junto na direção, o jovem Aluá Nascimento vislumbra cada movimento, trabalha os arranjos, aprimora as tomadas de som cuidadosamente preparadas pelo habilidoso e sensível Beto Mendonça que no Estúdio 185, é responsável  por monitorar os equipamentos de gravação, editoração e mixagem.
 
Neste álbum, que está sendo produzido de forma independente pelo selo Genteboa, voz, berimbaus e tambores trazem a essência da música de raiz presente nos ritmos da capoeira, coco, samba-de-roda, maracatu e jongo, e a estes acrescenta os ingredientes da world music (como o funk e o reggae). A faixa Berimbau Trance, por exemplo, parece música eletrônica, uma típica "techno" interpretada exclusivamente com instrumentos acústicos.
 
No repertório, as traquinagens de "Saci Pererê tem Uma Perna Só" de Dinho Nascimento e Lumumba e "Um Mundo nº 1" de Dinho com Guca Domênico, contam com a espontaneidade de um pequeno coral infantil; "Pescaria" de Dorival Caymmi é o momento de louvação à sua terra e ao mar; "Muita Gente é Zumbi" traz figuras da nossa luta pela  liberdade (autoria de Dinho e Valdir da Fonseca). A fantástica surpresa fica com o instrumental "Hino Nacional Brasileiro", duo de berimbau e cuíca.
Para ouvir duas faixas do novo CD acesse: http://www.myspace.com/dinhonascimento
 
Breve Histórico do Artista:
 
Nascido em 1951 em Salvador/Ba, muito cedo teve iniciação musical nas festas de rua e outras manifestações populares. Depois passou a freqüentar aulas de piano e teoria musical no Seminário Livre de Música da Universidade Federal da Bahia.
 
Em 1973, com Chico Evangelista, Carlos Lima e Kiko Tupinambá, profissionaliza-se formando o Grupo Arembepe com quem vai para o Rio de Janeiro e se apresenta no Teatro Opinião, fazendo a abertura do show de Gal Costa. Em 1974 vão para São Paulo onde  tocam no circuito universitário, abrem o legendário show dos "Novos Baianos" no Teatro Municipal, apresentam-se para menores da FEBEM, animam casas noturnas e gravam dois compactos (um pela gravadora Odeon, outro pela Crazy). O Arembepe foi depois integrado por TC, Lumumba, Orlandinho Costa, Jean e Lord Bira, permanecendo em função até 1983.
 
Como percussionista, acompanhou e participou de gravações de renomados artistas tais como João Donato, Tom Zé, Pena Branca & Xavantinho, Renato Teixeira, Zé Ketti, Walter Franco, Inezita Barroso, João Bá, Vidal França, Batatinha, Clementina de Jesus, Alcione, Banda de Pífanos de Caruaru, O Terço, Berimbrown, Luís Wagner, Renato Borghetti, Osvaldinho da Cuíca, Marcos Suzano, Lumumba e Tião Carvalho. No cenário da música internacional tocou com Bill Close e Kewin Welch.
 
Musicalizou espetáculos de dança de importantes coreógrafos tais como Maria Duschenes, Ioshi Morimoto, Clive Thompson, Klaus Viana, Júlio Vilan, Célia Gouveia, Sônia Mota, Lia Robato, Denilton Gomes, Solange Arruda, Maria Mommenhson e Pitanga.
 
No cinema, além de servir como trilha sonora para vários documentários apresentados na televisão, sua música também sensibilizou importantes cineastas, como aconteceu com Laís Bodanzky e Luís Bolognesi, Hermano Penna, José Araripe e Renato Rizadinha.
 
Em 2000 dirigiu a Orquestra de Berimbaus do Espetáculo Étnico apresentado na XIX Reunião do Conselho do Mercado Comum do Mercosul, realizado em Florianópolis (SC).
 
Em 2002 realizou oficina e show na Mostra Internacional de Percussão "Ritmos da Terra" realizado em Campinas (SP).
 
Em 2003 exibiu sua performance no Meeting Internacional de Capoeira de Faro, Portugal (mestre Batata) e no 3º Encontro Nacional de Capoeira em Santa Crus de Cabrália, Bahia (mestre Marinaldo).
 
Em 2004 seu show musical, apresentado no SESC-Consolação e aberto por um grupo de percussionistas da Coréia do Sul, integrou as solenidades do Fórum Cultural Mundial realizado em São Paulo. Realizou show e oficina de Ritmos e Manifestações Populares Brasileiras no Festival de Inverno de Bonito, Mato Grosso do Sul
 
E, ainda em 2004, a Câmara Municipal de São Paulo lhe conferiu o Título de Cidadão Paulistano.
 
Dinho Nascimento realiza várias ações de cunho sócio-educacional-cultural junto à Comunidade do Morro do Querosene (orientando o Batuquerô, dirigindo o Batucada de Bambas e coordenando Rodas de Capoeira e Oficinas de Rua).
 
O Berimbum, berimbau de sua criação com sonoridade extra-baixa (obtida com corda de contra-baixo) é mencionada com destaque na enciclopédia "Popular Music of the World" publicada por Richard P. Graham e N. Scott Robinson,. em Ohio, USA. (www.nscottrobinson.com.br).
 
 
Contatos:

Ladainhas, de Mestre Mintirinha

Eu até chorei
Quando vieram me avisar
Que o Grande Capoeira partiu para nunca mais voltar
Prepare a manta mamãe…
Prepare o cavalo meu irmão…
A distancia é tão grande
Mas eu tenho que ir pra lá…
Vou, vou correndo como vou
E como vou
Meu cavalo como trota na ladeira
É a última homenagem que presto a esse Capoeira
E quando eu cheguei
Olha, eu não suportei
Sou cabra rude, macho e forte
Mas assim mesmo chorei
A tristeza era tão grande
Que o atabaque até furou
O pandeiro inconsolável para sempre se calou
Reco-reco amargurado caiu no chão, se quebrou
Somente o berimbau foi o que continuou
Prestando a sua homenagem a seu dono, seu senhor
Iê chora o berimbau
Iê chora o berimbau, Camará…
Iê lamenta o pandeiro
Iê lamenta o pandeiro, Camará…

E lá vou eu
Por esse mundo afora
Não tem dia nem tem hora
Agora é só eu e Deus
Viver sozinho
É a força do destino
Recordar essa lembrança
No meu peito a esperança
De ter você
Novamente nos meus braços
Te beijando, te abraçando
Louco, louco te amando
Agora é só eu e Deus
Agora é só eu e Deus, camará…

Luís Américo da Silva
Mestre Mintirinha



CD: Mestres Boca Rica e Bigodinho

Uma excelente dica, pra quem gosta de boa música de capoeira é o CD "Capoeira Angola" dos Mestres Boca Rica e Bigodinho, lançado em 2002.
O repertório é uma referencia de qualidade e bom gosto,  recheado de boas surpresas…
Artistas: Mestres Boca Rica e Bigodinho
 
Título do CD: Capoeira Angola
 
Ano: 2002
1. Bahia De Todos Os Santos  
2. Riachão  
3. Ola-Ê-La-Ê-Lá  
4. Quantas Melodias / A Bananeira Caiu  
5. Na Beira Do Mar  
6. Praia Da Preguiça  
7. Não Bata Na Criança  
8. Madeira De Maçaranduba  
9. Beira-Mar  
10. Ave Maria, Meu Deus  
11. Vatapá Com Caruru  
12. Angola Ê Ê  
13. Vá Na Piedade Amanhã  
14. Mestre Bigodinho  
15. Eu Vi O Sol, Vi A Lua Clarear  
16. Nunca Vi Tanta Areia No Mar
17. A Canoa Virou Marinheiro  
18. Marinheiro Sö  
19. Pau Pereira  
20. Pé De Lima, Pé De Limão  
21. Que É Que Tem Nego?  
22. Bem-Te-Vi Jogou  
23. Tabaréu Que Vem Do Sertão  
24. Aidê / Apanha A Laranja / Sta. Bárbara  
25. Adeus, Adeus  
26. Ô João Chofer  
27. Alô Bahia  
28. Sai, Sai, Sai Ô Piranha / Boi Maia  
29. Já Tô Véio / Não Vou Em Santo Amaro  
30. Se Eu Tivesse Dinheiro / Ai Meus Amô  
31. Saco De Areia  
32. Tá Com Raiva De Mim  
33. Ói Ela De Manhã  
34. Se Nós Dois Morasse Junto  
35. Pai É Pai, Mãe É Mãe  
36. Que Luz É Aquela?  
37. Eu Sou De Minas Gerais  
38. Amanheça O Dia
Este CD faz parte das produções realizadas pela Associoação de Capoeira Angola Mestre Marrom e Alunos, do Rio de Janeiro. Mestre Marrom tem dedicado boa parte de seus projetos em documentar a parte ritma e cantada da Capoeira Angola, sendo que dentre os principais trabalhos podemos citar: 1. Capoeira Angola Marrom e Alunos; 2. Mestres Boca Rica e Bigodinho; 3. Tradições Populares – Infantil (Capoeira Angola, Maculelê, Puxada de Rede e Samba de Roda); 4. Mestres Felipe de Santo Amaro e Cláudio Angoleiro de Feira de Santana. Além de diversos CDs dos Encontros Internacionais promovidos na Europa, especialmente na França, onde o contramestre Dorado desenvolve seu trabalho, na cidade de Boudeaux. (contribuição: Miltinho Astronauta)

Gravações históricas

Gravaçőes históricas

No início da década de 1940, os pesquisadores Lorenzo Turner e Franklin Frazier – dois dos primeiros acadęmicos negros norte-americanos – desceram de navio a costa da América, coletando fragmentos de cultura negra nos EUA, Haiti, antilhas inglesas (Jamaica) e Brasil. A idéia era produzir um estudo comparativo entre as culturas dos lugares visitados, e identificar padrőes de continuidade cultural entre a África Ocidental e a América – mas os artigos produzidos pela dupla foram considerados superficiais, e praticamente caíram no esquecimento.

A boa notícia para nós, capoeiras e capoeiristas, é que entre setembro de 1940 e março de 1941, os dois pesquisadores aportaram na Bahia. E além de visitarem o Gantois e outros terreiros, conseguiram gravar músicas de capoeira regional e angola. Entre as 10 faixas disponíveis, 4 săo cantadas por ninguém menos que Mestre Bimba e sua charanga. As outras 6 faixas săo cantadas por Mestre Cabecinha – citado na própria gravaçăo como angoleiro, mas cujo nome e fama se perderam no tempo (até onde eu sei).

As gravaçőes ficaram juntando poeira na Universidade de Indiana (EUA) até 2003, quando o amigo Matthias as encontrou e enviou para o Mestre Decanio. Trabalhando em conjunto com o mestre, eu remasterizei e digitalizei as faixas em formato MP3, removendo ruídos e equalizando o som (năo é um trabalho profissional, mas acredito que ficou aceitável).

Uma vez pronto, o Mestre Decanio me pediu que distribuísse o material – e com a ajuda do amigo Luciano Milani, aqui estamos. Para baixar as faixas em seu computador, basta clicar nos títulos das músicas – depois é só se deleitar com essa jóia do passado, que continua tăo atual. Divirta-se !

Axé,
Teimosia

 

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Primeiro CD da ECAMAR

Mestre Roxinho da ECAMAR lança CD com participação especial de Mestre Jaime de Mar Grande
 
Mestre Roxinho (Ediesel Miranda), responsável pela "Escolas de Capoeira Angola Mato Rasteiro" – (ECAMAR), realizou em Rio Claro, interior paulista, entre os dias 10 e 12 de Junho de 2005, a Festa das Culturas Afro. Com um dos resultados daquele evento, foi gravado, ao vivo, o Volume 1 do CD da ECAMAR, cujo tema principal é a Capoeira Angola – Cultura e Resistência – África Brasil.
 
        Na Capoeira angola é comum se perguntar: "qual linhagem você pertence!?". Nem todos os praticantes de Capoeira Angola nos dias atuais se preocupam muito com isto, pois algumas linhagens são arranjadas. Outras se consideram superiores (mercado & marketing!). Algumas não são reconhecidas, mas os trabalhos seguem sendo feitos com elevada qualidade, respeito às tradições, aos fundamentos, à angola e à africanidade. Mestre Roxinho, por exemplo, vem de uma linhagem até certo tempo pouco comentada no mitiê capoeirístico angoleiro moderno. Vem da família de Mestre Espinho Remoso, linhagem esta preservada por seu filho Mestre Virgílio.
 
        Fundada a seis anos, a ECAMAR desenvolve um trabalho que conquista o respeito e admiração dos Capoeiras paulistas. Salvo engano, Mestre Roxinho "adentrou" para São Paulo via o município de Lins (noroeste do Estado), e logo depois passou a ensinar e estender seu grupo por outras cidades. Vejamos: atualmente mestre Roxinho concentra seus ensinamentos na cidade de Rio Claro (na UNESP), com aulas de segunda a quinta-feira, onde conta com seus discípulos para fortalecer o trabalho: Rafael Fragoso – o Mandinga; Bruno Formágio – o Dracena; Josifer Matheus – o Buiu (que já o segue por quatro anos, desde Lins); Camila – a Olheira; Daniel; André Magaldi e Rafael (Confusão). Em Lins, quem segura o gunga por lá é o Trenel Herman (Gustavo Leal);  Anselmo Ribeiro (Ratinho) está em Araçatuba-SP, Gabriel (Fumo) em Salvador-BA e Ari Soares (Treinel Bocca), na Catalunha-Espanha.
 
        Pelo que percebo Mestre Roxinho, a todo momento, está sendo requisitado para ministrar oficinas e workshops. Dia 19 de Junho esteve em Brasília, no ENCA (Mestre Gilvan!); dia 24 foi ao evento de Mestre Alex Carcará (DF); dias 27 a 29 de Junho vai para Belo Horizonte; Dias 30 de Junho à 02 de Julho é a vez de Timótio (MG); Entre 7 e 10 de Julho estará em Campinas; de 12 a 16 de Julho faz aporta em Salvador; chega em Belém (PA) dia 21 de Julho, onde fica até o dia 26.
        Só então terá merecido descanso com a Família, em Salvador, BA. Haja energia. É, somente um Berimbau Gunga bem tocado pra recarregar-se as baterias, acompanhando de um bom Jogo de Angola, é claro.
 
        Falando um pouco mais do CD, ele foi gravado ao vivo na cidade de Rio Claro, em parceria do o Prof. Dr. Luiz Normanha, e com a participação especial de Mestre Jaime de Mar Grande. Interessados em mais informações, ou mesmo adquirir este primeiro registro oficial da ECAMAR (Capoeira Angola de Itaparica!), podem entrar em contato com Mestre Roxinho pelo e-mail roxinhoangola@yahoo.com.br, ou então pelos seguintes telefones: (19) 9127-1696 ou (71) 3303-7426.


 
            Capoeiristicamente,
                Miltinho Astronauta (Jun-05)
                www.capoeira.jex.com.br

O Jogo do saber

O Jogo do saber

Capoeira é uma fonte
Infinita de saber…
Mata a minha e a sua sede
E de quem quiser beber…

O que vale é a mandinga
Tem também a traição…
Tem que ter sabedoria
Tem que ter educação…

Pois no joga da malícia
Camarada atenção…
Pra não ser surpreendido
E vadiar com seu irmão…

Numa roda de Angola
Onde tem vadiação…
Cante uma ladainha
Faça uma louvação…

Então saia para o jogo
Para o jogo do saber…
Mata a minha e a sua sede
E a de quem quiser beber…

Iêêê… viva meu Deus…

Iêêê… viva meu mestre…

Iêêê…. O meu irmão…



Autor:

Luciano Milani

Ritmo:

Angola

Obs:

Todos os direitos reservados. Para publicar, favor citar fonte e autor

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CD Boa voz Vol 2

Lançamento de qualidade!!!
CD Boa voz Vol 2
Músicas:
01 – Lenda viva
02 – Lamento do berimbau
03 – Livre arbítrio
04 – Pau que nasce torto (papagaio velho)
05 – Peleja de riachão
06 – O sabiá
07 – Berimbau viola
08 – Vadiação
09 – Baleiro
10 – Coisa mandada
11 – Acende a luz
12 – Mundo enganador
13 – Graúna
14 – Eu vi relampear
15 – A moça do sobrado
16 – A carta de besouro
17 – Abalou cachoeira

Maré de Março – Novo CD de Angola

Está "no forno" mais um excelente CD de Capoeira Angola.
Em Março de 2005 – daí o nome do CD Maré de Março – o Contramestre Pernalonga – acompanhado do Prof. Cunhadinho -realizou uma oficina de Capoeira Angola em Bremen-Alemanha. Mestre Roberval, angoleiro da Bahia, foi o convidado especial.
Como fruto daquele trabalho foi gravado o CD que ora divulgamos em primeira mão.
Um dos temas do CD é o canto :
 
"Iê!  O meu Cazuá tem varanda
Varanda pra vadiar
Ôoô varanda  boa
Varanda pra vadiar"
 
Pernalonga é integrante do Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros (GCA-IG), que desenvolve trabalho exemplar na região de Taboão da Serra e Pirajussara (São Paulo), tendo-se à frente dos trabalhos os Mestres Baixinho e Marrom. Em Bremen, Pernalonga organiza o "Cazuá de Angoleiro", trabalho iniciado em 2002. Cunhadinho está com um trabalho em Halle.
 

Instrumentos musicais e Capoeira

Artigo de Raphael Pereira Moreno onde o autor aborda a função dos instrumentos musicais na história da Capoeira.


 
MÚSICA: A história e a função dos instrumentos musicais na capoeira.

Seguindo as notas sobre a origem da capoeira no Brasil (Toques de Capoeira nº 1 e n° 2), chegamos à conclusão de que nos três focos iniciais, Rio, Bahia e Pernambuco, a capoeira se apresentou de formas diferentes, nem sempre sendo acompanhada por música e instrumentos. Portanto, ao falar de instrumentos musicais, estou me referindo à capoeira que foi encontrada inicialmente na Bahia e que hoje em dia se espalhou pelo mundo.

É muito difícil determinar com precisão a data de inserção de um determinado instrumento musical na capoeira. Além disso, em alguns livros e relatos, folcloristas, capoeiras e pesquisadores em geral descrevem as histórias dos instrumentos de forma definitiva, o que provavelmente corresponde à capoeira que vivenciaram, acabando por chegar em algumas conclusões contraditórias. Tentarei analisar os registros que tive acesso e citar as fontes que considero mais importantes.

O primeiro registro de um instrumento musical relacionado com o jogo da capoeira aparece no início do século XIX, em 1835. Nessa ocasião, o artista Johann Moritz Rugendas apresenta na gravura de nome “Dança da Guerra”, o jogo da capoeira sendo brincado ao som de uma espécie de tambor.

Esse registro é importantíssimo e clássico na capoeira, pois comprova a utilização do tambor durante uma vadiação ” ou seria treinamento para luta? – de capoeira do século XIX. Porém não significa que nesta época não existissem outros instrumentos musicais associados ao jogo. Aquela foi a forma retratada por Rugendas, não excluindo a possibilidade da presença de outros instrumentos. Como descrevi antes, essa pode ter sido a capoeira que Rugendas viu e viveu durante sua estadia no Brasil. Porém, o mais importante é o registro da capoeira como manifestação muito difundida no início do século XIX, e da importância dos instrumentos musicais no jogo.

Seguindo os registros históricos, podemos perceber que a introdução de alguns instrumentos musicais utilizados atualmente é recente. Tudo indica que instrumentos como o agogô e reco-reco foram associados ao jogo da capoeira no século XX. Muitos aparecem com a criação do Centro Esportivo de Capoeira Angola de Mestre Pastinha, ou seguindo a criatividade dos capoeiras. Há relatos de outros instrumentos presentes também no ritual da Angola, ou na Capoeira primitiva da Bahia, como é o caso da palma-de-mão e até da Viola (vide depoimento de Mestre Pastinha). Pastinha se referia à Capoeira Santamarense, onde segundo o Etnomusicólogo Thiago de Oliveira Pinto a Capoeira, o Samba e o Candomblé sempre tiveram uma interação muito forte.

Na seqüência são apresentados os instrumentos musicais mais utilizados nas rodas atuais de capoeira.

O Berimbau

Caindo na classificação das cítaras, o berimbau que conhecemos hoje em dia pode ser descrito por um arco de madeira flexível, onde suas pontas são ligadas por um arame, tendo como caixa de ressonância uma cabaça que é presa em uma das pontas da madeira.

A origem desse instrumento ainda não é definida. Trata-se de um dos instrumentos musicais mais antigos, e segundo Kay Shaffe, já era conhecido por volta de 15.000 a.C. A entrada do berimbau no Brasil também não pode ser estabelecida com precisão, mas é provável a associação com os escravos. Desde os primeiros registros, o berimbau sempre apareceu sendo tocado por negros africanos e descendentes, além do fato dos arcos musicais africanos serem iguais aos brasileiros, em construção. Waldeloir Rego também cita que em Cuba, o berimbau, lá chamado de sambi entre outros nomes, aparece em cultos religiosos de origem afro-cubanas. Outra característica que reforça a introdução africana do berimbau no Brasil, é o fato de que antes da colonização, não existem registros de arcos musicais na cultura dos índios que aqui viviam.

Recentemente, circulou através de mensagem (e-mail) do capoeira Teimosia, se não me falha a memória, uma página de uma revista internacional de percussão contendo desenhos de arcos musicais de diversos lugares do mundo. Dentre os esboços, a maior parte composta de um arco contendo uma caixa de ressonância das mais variadas formas e presas nos mais variados lugares. O comentário vale para ressaltar que analisei os desenhos e o arco musical que mais se assemelha com o “nosso” berimbau estava classificado como instrumento musical da Tanzânia… ???? 

Um dos primeiros registros de um berimbau no Brasil foi realizado na alfândega do porto de Santos, em 1739. O instrumento também foi descrito por Debret em 1826. Em seu trabalho intitulado “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, o artista francês apresenta o desenho de um cego tocador de berimbau pedindo esmola, com uma breve descrição do instrumento e modo de tocar.

Uma vez no Brasil, ainda é muito difícil precisar a data da associação do berimbau com a capoeira. Atualmente, o instrumento é considerado indispensável na bateria de capoeira. Normalmente tocado por mestres ou capoeiras mais antigos, ele é utilizado para comandar as rodas, estabelecendo o ritmo das músicas e do jogo. O berimbau, junto com o canto do mestre, também dá a senha para o início e fim da brincadeira. Atualmente a arte de tocar o berimbau é utilizada inclusive para mostrar o conhecimento do capoeira, como tem sido muito discutido nesses dias.

Humbo, rucumbo, rucungo, rucumbo, urucungo, lucungo, gunga hungo, m”bolumbumba, marimba, gobo, bucumbunga, bucumbumba, uricungo, oricungo, orucungo, matungo, macungo, berimbau de barriga, violam e viola de arame são alguns dos nomes utilizados na literatura para descrever o berimbau. Hoje em dia, os nomes que sobreviveram, até devido à utilização nas cantigas são berimbau, gunga e viola. Dizem inclusive que o nome berimbau seria de origem portuguesa, enquanto gunga seria o nome africano, que na língua Yorubá significa Rei.

Nas rodas de capoeira, o instrumento tanto aparece sozinho, na maioria das vezes nas rodas da chamada Capoeira Regional, quanto em parceria com outros berimbaus. Porém, hoje em dia é comum vermos nas rodas de Capoeira Angola a bateria formada por três berimbaus. Um de som grave também chamado berra-boi ou gunga, um de som agudo chamado viola, e um último de som intermediário entre os dois primeiros, chamado médio. Durante o jogo de capoeira, cada berimbau possui sua função, e dessa forma, nas rodas de capoeira angola, cada um segue um toque, uma batida diferente. Uma ressalva se faz para lembrar dos mestres que montam sua charanga (bateria) conforme os modos da Luta Regional Baiana de mestre Bimba. Neste caso, mesmo que na bateria existam dois berimbaus, em geral ambos seguem o mesmo toque.

Como existem diversos toques de berimbau, ficando a cargo de cada mestre de capoeira a escolha “certa” ou que mais lhe agrada, sugiro para os interessados a leitura do livro “Monografias Folclóricas 2 ” O Berimbau-de-barriga e seus toques”, de Kay Shaffer. Nesse livro, o autor percorre a história do berimbau e analisa os toques mais utilizados pelos capoeiras mais famosos, inclusive descrevendo os mesmos através de partituras.

De som marcante, o berimbau se tornou um instrumento característico da capoeira. Tão característico que ao vermos um arco musical com esse formato, as pessoas, capoeiras ou não, já associam imediatamente a imagem ao jogo de capoeira. O mesmo não acontece com os outros instrumentos presentes na bateria de capoeira, como pandeiro, atabaque e outros, pois eles aparecem também em outras manifestações da cultura afro-brasileira como o samba, o jongo dentre muitas outras.

O assunto segue e num próximo TOQUE serão abordadas a história e a utilização de outros instrumentos também presentes no ritual do jogo de capoeira.

Pandeiro

Muito difundido e utilizado por diversos povos, o pandeiro é considerado um instrumento muito antigo, encontrado na Índia e até junto aos egípcios (1700 a.C.), com função de instrumento marcador de ritmo e acompanhamento. Da cultura árabe surge o adufe, que é um pandeiro quadrado sem platinelas.

A maior parte dos estudos aponta para chegada do pandeiro ao Brasil por via portuguesa. Inclusive existe registro que esse tambor já estaria presente na primeira procissão de Corpus Christi, realizada na Bahia, a 13 de junho de 1549. Fato esse que reforça a hipótese da chegada do pandeiro em navegações portuguesas para o Brasil, uma vez que a mão de obra escrava utilizada em maior quantidade nessa época era indígena. Com o passar do tempo, o instrumento foi absorvido pelos negros que passaram a utilizá-lo em suas manifestações culturais no Brasil.

Na capoeira, o pandeiro trabalha na marcação do ritmo estabelecido pelo berimbau. Na maioria das rodas de capoeira, o pandeiro utilizado possui pele de couro animal, tornando-se assim menos estridente. Inclusive, existem relatos de que Mestre Bimba retirava algumas platinelas do instrumento, tornando o som ainda mais grave, o que ele considerava o tambor da Regional. Em recente texto sobre instrumentos musicais, o amigo Miltinho Astronauta cita o cuidado que alguns capoeiras têm com seus instrumentos, como o saudoso Mestre Cosmo tinha com a afinação dos pandeiros. Segundo o mestre, os pandeiros deveriam ser afinados no tempo… no sereno, e tocados em pares, onde um marcava o passo e o outro se soltava no solo. 

Atabaque

Assim como o pandeiro, os tambores são instrumentos muito antigos. Difundido na África, o tambor também aparece em registros persas e árabes. Inclusive o termo atabaque é de origem árabe. Mesmo com essa ligação africana, acredita-se que o instrumento já tinha sido trazido por mãos portuguesas quando chegaram os escravos africanos.

Uma vez aqui no Brasil, o atabaque foi incorporado à cultura afro-brasileira de uma forma tão intensa que grande parte das manifestações culturais e religiões afro-brasileiras, se não todas, apresentam o tambor como instrumento musical marcante. O samba, o jongo, o maculelê, o batuque, a umbanda e principalmente o candomblé são exemplos.

Em documentário do diretor pernambucano Alexandre Fafe, apresentado recentemente pela TV Cultura, aparecem velhos e jovens participando de uma brincadeira que eles denominam Batuque de Inhanhum. Muito parecida com o Jongo, essa manifestação de origem negra se apresenta em uma roda, onde homens e mulheres se revezam no centro dançando em duplas, seguindo o som dos instrumentos tocados pelos mais experientes. No documentário, Inhanhum é mostrada como uma cidade muito simples, que através de seus moradores, tenta manter viva a cultura popular da região. Tão simples que o ritmo do Batuque é feito por tocadores de latas e pandeiros. Os instrumentistas que entoam as antigas cantigas utilizam latas usadas (de tinta ou óleo) para desenvolver o som. Ao assistir essa passagem, me veio a idéia do tambor como um instrumento rítmico totalmente intuitivo. Na verdade, o bater sincronizado das mãos nos mais diversos objetos (lembrando Sivuca e Hermeto Pascoal) faz ecoar sons, sendo os tambores construções evoluídas que otimizam assim o som emanado das batidas.

Porém, mais do que um instrumento musical, o atabaque é considerado por muitos um instrumento sagrado. No candomblé, os atabaques possuem participação especial, capazes de realizar, junto com os cantos, a ligação entre o mundo dos homens e dos orixás. Na capoeira, como não poderia deixar de ser, o atabaque se fez presente nos primórdios do jogo. Instrumento que, quando bem tocado, fornece uma beleza maior às baterias, aparece com freqüência nas rodas de capoeira como instrumento de marcação do ritmo estabelecido pelo berimbau. Uma exceção surge nas vadiações dos capoeiras que seguem “à risca” os ensinamentos de mestre Bimba, dentre os quais a não utilização do atabaque.

Mesmo que alguns pesquisadores afirmem que a utilização do tambor na capoeira não teve uma continuidade histórica, e que o atabaque foi introduzido na capoeira recentemente, talvez por Mestre Canjiquinha, com todo o respeito, considero improvável tal fato. Mestre Bimba, retirando o atabaque da sua bateria antes da década de 30 do século passado, só poderia ter tomado tal decisão se o atabaque estivesse presente na capoeira. Além disso, não desmerecendo os recursos e a criatividade do mestre da alegria, Mestre Canjiquinha nasceu em 1925, o que nos leva a concluir, após uma análise de datas, que seria muito improvável que o mesmo tivesse sido o responsável pela inserção do atabaque na capoeira.

Reco-reco

Instrumento comumente feito de um gomo de bambu, ou até mesmo uma cabaça alongada, com sulcos e tocado com uma vareta. Também aparece em construção de metal contendo molas ao invés de sulcos, como pude assistir em roda de mestre Curió. Acredita-se na sua origem africana, uma vez que sempre esteve ligado às manifestações afro-brasileiras. Atualmente, se mostra presente principalmente no samba, mas também empresta seu ritmo à outros folguetos como o lundu e até mesmo o reggae.

O reco-reco históricamente parece ter sido introduzido na capoeria através do Centro Esportivo de Capoeira Angola de mestre Pastinha. Hoje em dia aparece em muitas rodas dando sua contribuição na marcação do ritmo do jogo. Segundo Miltinho Astronauta, Mestre Gato Preto, um dos organizadores da Capoeria Angola no Vale do Paraiba, introduziu uma forma diferente de se dar início à bateria. No caso, o reco-reco inicia tocando, para só então, depois da assistência perceber que o ritual está sendo iniciado, é que o Berimbau inicia o toque de Angola, seguido pelo São Bento Grande, Angolinha (no Viola) e demais acompanhamentos. Mas em outros trabalhos também orientados por Mestre Gato Preto isto não acontece, ou seja, quem começa tocando sempre são os três berimbaus, e o reco-reco entra com os instrumentos de apoio.

Agogô

Instrumento musical formado por dois cones metálicos unidos por um arco também de metal, o agogô é outro instrumento muito presente na cultura afro-brasileira. Sua entrada no Brasil aconteceu com a chegada dos negros africanos. Inclusive o vocábulo agogô é de origem nagô e significa sino. Assim como no caso do reco-reco, sua aparição inicial nas baterias de capoeira ocorreu, possivelmente, através dos mestres Pastinha e Canjiquinha.

Presente em diversas danças e ritmos da cultura popular, sua maior participação é muito comum no samba e nos terreiros, nas cerimônias religiosas afro-brasileiras.

Considerações finais

Esse breve descritivo sobre os instrumentos nos permite navegar um pouco pela história da capoeira, tentando seguir sua evolução até se tornar o que conhecemos hoje. Nos faz perceber o valor da fusão das culturas na formação da capoeira mostrando mais uma vez seu caráter afro-brasileiro.

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Músicas pro CAPURAPAZ

O meu berimbau toca trazendo a Paz
 
 
Meu berimbau toca trazendo a paz, dizendo não às drogas, violência nunca mais..
 
Berimbau quando toca na roda, traz a paz e também a união, berimbau ele tem a mágia de tocar no seu coração….
 
O Meu berimbau toca trazendo a paz, dizendo não às drogas, violência nunca mais…
 
Berimbau quando é bem tocado ele chama a sua atenção, a cantiga quando é bem cantada ela manda mensagem e passa informação…
 
Meu berimbau toca trazendo a paz, dizendo não às drogas, violência nunca mais..
 
Menina escute o que eu digo, escute o que vou lhe dizer, venha jogar capoeira, venha seu corpo mexer…
 
Meu berimbau toca trazendo a paz, dizendo não às drogas, violência nunca mais…
 
Garoto escute o recado que agora eu vou lhe falar, venha pro CAPURAPAZ, vem capoeira jogar…
 
Meu berimbau toca trazendo a paz, dizendo não às drogas, violência nunca mais..
 
Ritmo: Benguela
Autoria: Lampanche e Thelminha
 


 
Respeito e Violência…
 
 
Capoeira não é violência, Capoeira não é pra matar, Capoeira é uma luta bem gostosa de jogar
 
Por isso aqui neste encontro, Capoeira vamos jogar, com o grupo Capuraginga que tem fundamento e agora vai mostrar
 
Vamos jogar capoeira, o lelê, vamos jogar capoeira o lalá, vamos jogar capoeira, com respeito e sem violência…
 
Numa roda tem que ter harmonia, amizade e muita paz, se assim é que você joga, vem jogar no CAPURAPAZ…
 
Pois aqui neste encontro, capoeira vai rolar, com o grupo Capuraginga que tem fundamento e agora vai mostrar…
 
Vamos jogar capoeira, o lelê, vamos jogar capoeira o lalá, vamos jogar capoeira, com respeito e sem violência…
 
Ritmo:São Bento Grande
Autoria: Márcio N. A. Moraes
 

Capoeira vem jogar 
 
 
Capoeira vem jogar, vem soltar sua mandiga… Vem esquecer essa besteira de partir sempre pra briga….capoeira vem jogar…
 
Capoeira vem jogar, vem soltar sua mandiga… Vem esquecer essa besteira de partir sempre pra briga….capoeira vem jogar…
 
Quero te ver na roda, com amor no coração, mostrando pra toda essa gente que violência não é solução….capoeira vem jogar 
 
Capoeira vem jogar, vem soltar sua mandiga… Vem esquecer essa besteira de partir sempre pra briga….capoeira vem jogar…
 
Capoeira é luta nossa e veio nos presentear, com sua magia que nasceu pra libertar…..capoeira vem jogar
 
Capoeira vem jogar, vem soltar sua mandiga… Vem esquecer essa besteira de partir sempre pra briga….capoeira vem jogar…
 
 
Ritmo: Benguela
 

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