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…TERIA SIDO SONHO ?!

 …TERIA SIDO SONHO ?!

“YÊ, ‘TAva lá em CAsa, sem
penSÁ nem ‘MAgiNÁ… (…)
ISso pra MIM é conVERsa
pra viVÊ sem TRAbaIÁ” !
me. PASTINHA (trecho de LP)

Quando ouvi o disco de depoimentos de mestre Pastinha pela primeira vez — por volta de 1972, eu acho — na casa do exímio jogador de Capoeira “Rubinho” (“nasceu pra la”, diria Vicente Ferreira !) pensei ser cantado em gêge ou yorubá, nem percebi que era em Português. Foi preciso que o depois “Tabajaras” “me soletrasse” o que estava sendo cantado. Rubinho sabia muitos toques de Berimbau, tinha facilidade para aprender as coisas nessa área de percussão e canto, andou frequentando um “centro de macumba” na Ladeira — na época, “Centro Espírita”, a Umbanda era mal vista !– onde tocava atabaques, muito bem por sinal, como “ogan”. A partir deles entendi que qualquer sujeito pode até não ser um grande professor desta Dança-Luta, mas tem obrigação de dominar a parte musical que a mantém enquanto folclore,,, isso é o mínimo que a Capoeira exige !

Nesses tempos eu frequentava o Grupo Senzala, de mestre “Peixinho”, como curioso, acompanhando “Rubinho”, que lá treinou por um período, por volta de 1974, calculo. Alguns sábados à noite voltava para assistir a Roda de bambas da Zona Sul, todos conhecidos por “Peixinho” e gozando de sua hospitalidade e gentileza. Um “gentleman”, MARCELO AZEVEDO jamais fechou as portas de sua Academia para quem quer que fosse, jamais questionou o fato de eu ficar ali, sentado num canto hora e meia, só observando. Isso é o “terror” de alguns, mestres medíocres que sequer merecem o título.

...TERIA SIDO SONHO ?! Capoeira Portal Capoeira

De Peixinho só belas lembranças… Deus sabe o que faz mas, por vezes, leva os melhores para sentar ao Seu lado no Céu. “Peixinho” esteve em Belém graças ao então contramestre Luís Carlos por volta de 2005… a mesma e eterna simplicidade, título e importância não lhe subiram à cabeça, contudo “não ensinou aqui” sua entrada “de tesoura” (ou “vingativa”) na “meia lua” alheia nem o “aú duplo” no mesmo lugar, exclusividades suas. Também tinha um “giro em pé”, braços abertos feito Cristo Redentor, mas como vi “Camisa” usá-lo quase na mesma época, não posso afirmar que foi “invenção” dele.

Ainda como praticante pouco esforçado no “CÉU” — Casa do Estudante Universitário, no Flamengo — vi mestre “Camisa” em ação várias vezes… levei caderno e lápis para tentar reproduzir alguns dos seus movimentos, em vão. Enquanto “rabiscava” perdia momentos geniais dele, isto por volta de 1974, talvez meados de 1975. Enfim, o Destino nos deu oportunidade de comprar pequena filmadora, com rolinho de 5 minutos, na bitola Super8. Adiante, adquirimos um miniprojetor, que “lixava” a fita, estragando-a em pouco tempo. Entretanto, conseguimos registrar esses 2 ASES da Capoeira carioca na sua melhor fase, no auge de sua forma física e técnica, provavelmente em 27 de setembro de 1975, na “Caixa d’Água” (em Santa Teresa ou Cosme Velho)e em 77… segundo meu irmão, seria em 1976 e 77.

Remontados precariamente, os 8 ou 12 rolinhos de 5 minutos fizeram um registro sem igual do Grupo SENZALA na época, quase todo êle em peso, com a presença de um certo Caio, de São Paulo, isto em 1977. A fita “viajou” por 3 MIL KMs sobre o mar e graças ao mestre “Guará”, em Paris, voltou com qualidade suficiente (em 3 partes) para ser admirada. “Camisa” e “Peixinho” juntos, mais o “meteoro” mestre “Lua” — que só se via a cada 2 ou 3 anos — todos mantendo viva a aura de excelência do Grupo SENZALA.

 

Capoeiragem no Rio de Janeiro dos anos 70 parte 1

 

Afinal, onde entra o SONHO nessa estória ?! Explico já: me vejo numa tarde sentado ao lado do então “Camisinha”, por volta de 1974 suponho, numa das “torres” abandonadas do prédio do CÉU. Êle preparava os berimbaus de um Batizado à noite, provavelmente um sábado. Não comeu nem bebeu nada até o fim da festa, lá pelas 22 horas… naquele os mestres torciam as cordas das graduações, entregues DE GRAÇA conforme o merecimento de cada um. “Camisa” andava só na época, não dava espaços para intimidade de aluno nenhum, nem os mais graduados. Como se explica que eu — tímido e reservado — estivesse ali, inútil, sem sequer cortar pneus : “Teria sido um sonho”? Êle nunca soube, mas na época criei um enredo de filme com êle (ao estilo “Bruce Lee”, seu ídolo, tenho certeza !) bem antes do filme “Cordão de Ouro”, no qual meu irmão gêmeo “Leiteiro” atuou por 10 segundos. 

Falando nisso, é com “NESTOR Capoeira” a outra parte do tal “sonho”… estou num casarão antigo, bela fogueira no varandão e o Rio iluminado lá embaixo. Seria Santa Teresa ? Há “capoeiras” antigos  novos circulando por ali… Nestor se aproxima e me diz que “canto bonito” !” E agora, José ? Eu não me atreveria a cantar ali, nem que me pedissem ! Não havia Roda alguma talvez nem berimbau… parecia ser aniversário de alguém importante na Capoeira ! Infelizmente, essa Internet de “ratos” e pilantras cria um monte de perfis FALSOS e ficamos sem ter certeza se o do “CAMISA” e os 3 com o nome de “NESTOR CAPOEIRA” seriam verdadeiros.

Vou continuar em saber se… “teria sido SONHOS” ?!

 

“NATO” AZEVEDO (em 21/jan. 2019, 15 hs)

Mulheres da Pá Virada

Mulheres da Pá Virada

Caladas Nunca Mais! Documentário sobre luta e resistência de mulheres na capoeira.

O projeto

Olá a todas e todos, somos o Grupo de Estudos e Intervenção Marias Felipas. Somos um grupo de mulheres capoeiristas, pesquisadoras, educadoras, feministas e ativistas. Nosso encontro nas intersecções entre a pequena roda da capoeira e a grande roda da vida resultou na criação desse coletivo. Partilhamos interesses em aprender e atuar nas diversas esferas do universo da capoeira e o desejo de lutar criativamente contra as relações de opressão sexista que perpassam a capoeira. Realizamos encontros, estudos e atividades com foco nas questões de gênero, educação e capoeira e organizamos Rodas de Capoeira Feminista como forma de intervenção política. Participamos de eventos culturais, acadêmicos e também político-sociais, como o Fórum Social Mundial que ocorreu em Salvador em 2017.

 

APOIAR ESTE PROJETO

Um dos nossos projetos mais ousados, para o qual estamos aqui pedindo a sua ajuda, é a execução de um documentário chamado “Mulheres da pá Virada”. Nosso objetivo com este documentário é dar visibilidade à história das mulheres dentro da capoeira, e também denunciar a violência de gênero que, infelizmente, vem atrelada a essa história. Para isso dividiremos com o público histórias e trajetórias dessas mulheres, junto com uma pesquisa histórica sobre o papel da mulher na capoeira. Esse filme conta com a participação e colaboração de mais de dez mulheres capoeiristas, com perfis, gerações e linhagens de capoeira diferentes que irão mostrar as suas trajetórias.

Para realizar este ambicioso projeto procuramos editais públicos de apoio a Capoeira e ganhamos o Prêmio Capoeira Viva ano II, através da Fundação Gregório de Mattos com apoio da Prefeitura de Salvador. Este edital nos proporcionou uma verba de R$20.000,00 com a qual orçamos um curta metragem de 20 min, com um valor mínimo simbólico para as mulheres capoeiristas participantes.

No entanto, a importância política deste projeto dentro a luta maior pela emancipação da mulher é muito grande e nós precisamos ampliar a duração deste documentário para poder incluir mais entrevistas e relatos das capoeiristas, assim como material de pesquisa histórica. Queremos também levantar fundos para remunerar melhor as capoeiristas, mestras de saberes populares, artistas, professoras, estudantes que disponibilizaram do seu tempo e da sua energia para fazer parte desta luta conosco.

Precisamos de mais R$19.097,00 para fazer com que este documentário vire um longa-metragem, ampliando assim as diárias de gravação de 2 para 5 dias e alugando equipamentos de tomada de som de alta qualidade. Usaremos esta verba para ampliar a curadoria histórica, e desta forma resgatar a história não contada da mulher na capoeira. E, finalmente, iremos garantir uma contribuição real para essas mulheres participantes do documentário, que vivem da capoeira e pela capoeira, e vão se disponibilizar para contar essa/nossa história. Precisamos da sua ajuda para que isso aconteça. Se você é a favor da igualdade de gênero, da liberdade da mulher de se expressar e buscar sua felicidade livremente, ajude com qualquer quantia!!

Este projeto tem uma enorme importância política. Na atualidade vemos uma nova onda conservadora querendo nos extirpar dos nossos direitos adquiridos depois de muita luta e muitas perdas. O movimento das mulheres não é exceção, cada vez mais relatos de violência, tanto física quanto simbólica, aparecem nas redes sociais. A capoeira também é um desses cenários de relações machistas; encobertas pelo manto do discurso da “tradição”, as práticas sexistas de discriminação e violência contra a mulher se multiplicam.

Precisamos dar voz a essas mulheres, dividir com o público suas trajetórias e estratégias de luta. Mostrar como mulheres viram capoeiristas, viram alunas, professoras, contramestras, mestras. Mesmo que muitas vezes não reconhecidas “oficialmente”, são mulheres guerreiras que toda a comunidade de mulheres na capoeira aceita e abraça enquanto referência. A luta pelo berimbau, pelo canto, pela liberdade de expressão corpórea, contra o assédio sexual, em prol do crescimento profissional dentro desse campo, é constante, é violenta e é extremamente necessária.

Queremos produzir um material que nesse sentido será inédito, pois trará a tona não só a história invizibilizada da mulher na capoeira, como também mostrará exemplos, referências de mulheres capoeiristas dentro dos seus diferentes contextos de prática e ensino da capoeira. Além disso, queremos denunciar a violência de gênero dentro da capoeira e apontar estratégias de luta e resistência neste campo.

Já passamos do momento silenciador e angustiante do ato violento, agora estamos indignadas, unidas somos mais fortes e queremos dizer ao mundo: Caladas nunca mais!

 

As Mulheres da Pá Virada, que participarão deste documentário são:

 

Adriana Albert Dias, conhecida como Pimentinha, nascida em 1975, começou capoeira em 1994, É historiadora, feminista, pesquisadora da capoeira. Escreveu o livro “Mandinga, Manha e Malícia: uma história sobre os capoeiras na Capital da Bahia”. Hoje faz seu doutorado na UFBA sobre capoeira e masculinidades. Co-fundadora do Grupo de Estudos e Intervenção Marias Felipas.

Alessandra Mattioni, conhecida como Alematt, nasceu em 1971. Começou capoeira angola em 2001 e é integrante do grupo Angoleiros do Mar. Alematt é professora de capoeira e co-fundadora do movimento Mulheres do Mar que realiza vários festivais em prol da valorização das mulheres na capoeira.

Catarina Aguirre, carinhosamente, chamada de Cata, nasceu em 1984. Começou capoeira regional no Sul da Bahia em 1998 e a partir de 2001 iniciou sua trajetória na capoeira angola. Faz parte de dois grupos de vadiação: Bando Maré de Março & Bando Anunciador. Atualmente Cata é professora de capoeira angola e dá aula no ginásio do Colégio Edgar Santos que fica no Garcia.

Celidalva Pinho Encarnação, conhecida como contramestra Brisa, nasceu em 1973 e começou capoeira em 1999. É uma das lideranças no grupo Angoleiros do Mar e co-fundadora do movimento Mulheres do Mar, ministra aulas de capoeira e participa de workshops de capoeira no Brasil e na Europa.

Christine Zonzon, cujo sobrenome virou apelido de capoeira, nasceu em 1958 e é capoeirista desde 1989, antropóloga, feminista, e pesquisadora da capoeiragem. É autora do livro “Nas rodas da capoeira e da vida: Corpo, experiência e tradição”, e atualmente desenvolve seu pós-doutorado na UFBA sobre experiências e representações de mulheres neste universo. Co-fundadora do Grupo de Estudos e Intervenção Marias Felipas.

Cleonice Damasceno Silva, conhecida como mestra Preguiça, nasceu em 1976. Começou capoeira em 1987, é e professora da Escola de Capoeira Regional Filhos de Bimba onde ministra aulas na sede que fica no Nordeste de Amaralina. Também desenvolve um trabalho com capoeira para meninas num projeto social na Ilha de Itaparica.

Isabela Maria Severo Nascimento Santana, conhecida como contramestra Tartaruga, nasceu em 1977. Em 1992 começou capoeira no grupo de capoeira Angola Palmares do qual faz parte até os dias de hoje. Atualmente ministra aula de capoeira na Academia Saúde em Patamares e participa de um projeto social em Castelo Branco.

Ivanildes Teixeira de Sena, carinhosamente chamada de Nildes, nasceu em 1968. Começou capoeira em 1986 no Centro Esportivo de Capoeira Angola, é idealizadora do Otá, Espaço de Convivência Sócio Cultural Cosmoafricana que é um ateliê de artes e estéticas literárias, visuais e corporais. Desenvolve atividades práticas e pesquisas com mitologia africana e capoeira angola em Foz de Imbassaí (BA).

Joana Pointis Marçal, Jô, como gosta de ser chamada, nascida em 1989, é capoeirista desde 2012, feminista e pesquisadora da capoeira. Joana realizou o seu mestrado na Pós-Afro, em Estudos Étnicos e Africanos, sobre Capoeira, identidade e Patrimônio Cultural Imaterial. Co-fundadora do Grupo de Estudo e Intervenção Feminista Marias Felipas.

Maria Luísa Pimenta, contramestra Lilu, nascida em 1973, iniciou capoeira em 1992 em Belo Horizonte. Em 2000 mudou-se para a Bahia para vivenciar melhor a capoeira. É co-fundadora do grupo de cultural Capoeira Malta da Serra em Lauro de Freitas. É, também integrante do Bando Anunciador da Capoeira Angola de Rua desde 2000. Escreveu e idealizou o livro “CAPOflora FaunaEIRA: uma arte brasileira”. É mestranda da faculdade de Educação da UFBA e co-fundadora do Grupo de Estudo e Intervenção Marias Felipas.

Rita de Cássia Santos de Jesus, conhecida como Mestra Ritinha, foi uma das primeiras mulheres a iniciar-se na capoeiragem. Nascida em 1964, começou capoeira em 1983 na Academia de mestre João Pequeno no Forte do Santo Antônio, no bairro onde nasceu e vive até hoje. Atualmente participa de eventos e realiza workshops no Brasil e no exterior.

Olivia Roberta Lima Silva, conhecida como formada Negona, nasceu em 1981, pratica capoeira desde 1996 e faz parte do grupo de Capoeira Porto da Barra. Também participa ativamente do Movimento Mulher na Capoeira tem Axé e em breve iniciará uma turma de capoeira apenas para mulheres em Salvador.

Viviane Santos Oliveira, conhecida como formada Princesa, nasceu em 1978. Começou capoeira em 1993 no grupo UNICAR (União Internacional de Capoeira Regional) na Pedra Furada onde dá aula no núcleo na Cidade Baixa. Faz parte do Coletivo Fortalece Capoeira, Orquestra de Berimbaus Afinados e do grupo percussivo Mãos no Couro. É integrante da Salvaguarda da Capoeira na Bahia ( GT SSA), na função de presidenta.


Orçamento

O montante arrecadado com essa campanha será utilizado para complementar o Prêmio Capoeira Viva ano II: dobrando o valor do cachê das capoeiristas participantes, transformando o documentário de um curta para um longa metragem adicionando mais 3 dias de gravações, ampliando o acesso e distribuição do documentário através da inclusão de legendas em inglês e português e cobrindo os demais custos adicionais referentes à ampliação do projeto, como locação de espaço, transporte e alimentação, além de uma ajuda de custo para as voluntárias.

Descrição/Valores

  • Gravação e edição5.750
  • Cachês capoeiristas7.050
  • Alimentação equipe500
  • Transporte500
  • Custos para exibição800
  • Legendas em inglês300
  • Transcrição do áudio500
  • Tarifa banco200
  • Ajuda de custo voluntárias300
  • Locação da Casa Rosada1.000
  • Sub total16.900
  • Total com 13% 19.097

 

Saiba Mais: https://www.catarse.me/mulheres_da_pa_virada

SP: Evento Integrado e Formatura Gugu Quilombola

SP: Evento Integrado e Formatura “Gugu Quilombola”

Nosso amigo e colaborador Gugu Quilombola, está se formando contramestre de capoeira e convida a todos para a festa, que acontece esta semana São Paulo.

Gugu preparou uma semana repleta de atividades para celebrar sua formatura!

O Evento Integrado, será composto por diversas atividades entre Elas:

  • MULHERES DA GAROA
  • LANÇAMENTO DO CD CAPOEIRA OUTRA MANEIRA
  • ESPETÁCULO ODARA
  • RODA NA PRAÇA DA REPUBLICA

NÃO FIQUE DE FORA!

Uma semana inteira de muito aprendizado e muito conhecimento, tudo para a evolução da sua capoeira, e da nossa arte!

AGRADECIMENTO: GUGU QUILOMBOLA

Bom dia ! Bom dia ! Bom dia Maestria !!

Meus agradecimentos!

Muito obrigado por fazer da minha história, por me auxiliar a galgar está estrada em prol da nossa arte e cultura!

Obrigado por me apoiar e otimizar meus caminhos para que eu me mantenha firme, forte e motivado em todos os momentos!

Sou grato por tudo que a nossa arte tem me proporcionado, sei que tudo que vivo hoje é fruto dos que trabalharam nas gerações anteriores!!

Continuarei me dedicando e esforçando para elevar a nossa Arte e todos que nela estão!

Muito obrigado .

Nos vemos em breve, Tudo de bom sempre !

 

Localização

Rua Luiz Porrio, 463 – 1º andar
Bela Vista – São Paulo – SP
CEP – 01326-030
Brasil

Ler Mais: http://guguquilombola.com/evento2019-interesse

Capoeira: O Último Movimento Novo

Capoeira: O Último Movimento Novo

O “Movimento Novo” da Capoeira foi um encontro cultural anual organizado com o objetivo de promover a união e a troca de conhecimentos em um ambiente de comunhão e aceitação das diferenças.

Nascido em 2008 e finalizado em 2018, O Movimento Novo se caracterizou pela qualidade dos jogos e da música; pela filmagem e edição profissional dos vídeos na Internet; pelo incentivo a uma cultura de aceitação das diferenças; pelo cuidado ao bem-estar físico e emocional dos participantes e pelo protagonismo dos jovens.

Os eventos do Movimento Novo marcaram a capoeiragem da segunda década do século 21, influenciando toda uma geração, tanto na forma de jogar, quanto na forma de pensar.

Capoeira: O Último Movimento Novo Notícias - Atualidades Portal Capoeira

Histórico do Movimento Novo

Em 2008, três jovens capoeiristas (Itapuã, Ferradura e Lobisomem) se reuniram informalmente para conversar sobre questões como:

“Por que não existem mais diversas rodas de rua como na década de 70?”; “Por que capoeiristas de escolas diferentes não se encontram sem que a roda acabe em violência generalizada?”, “O que podemos fazer para mudar este cenário?”.

A partir destes questionamentos, decidiram fazer uma roda com um máximo de 30 capoeiristas convidados, de estilos diversos, que trouxessem diferentes experiências para compartilhar.

A primeira edição do Movimento Novo, em 2008, trouxe estas reflexões. Durante a roda, vários jogos interessantes foram filmados e divulgados na internet. Os 3 mais vistos foram estes:

É interessante notar que o vídeo mais visto em 2008 teve, à época, milhares de visualizações na recém divulgada rede do Youtube, algo que ainda era totalmente inovador. Vale lembrar que estamos falando dos primórdios da rede de compartilhamento de vídeos, popularizada apenas dois antes do primeiro Movimento Novo. Não havia celulares com câmeras e poucos capoeiristas postavam vídeos.

No ano seguinte, o Movimento Novo estourou na web. O vídeo mais visto foi este.

Analisando a quantidade atual de visualizações, vemos um crescimento total de 2000%, ou seja, de 25.000 views em 2008 para 500.000 views em 2009.

Na sequência, vieram outros jogos das edições seguintes, sempre com a marca de centenas de milhares de visualizações, como:

Com a vinda de vários participantes de forma contínua, decidiu-se fazer um CD, gravado de forma colaborativa e registrado em vídeo, com extratos como este:

Críticas ao Movimento Novo

Como era de se esperar, o Movimento Novo não veio sem enfrentar críticas, que variavam de frases como “primeiro tem que aprender o movimento velho para depois fazer o novo” até “o ritmo favorece os angoleiros”, passando por acusações de “desvirtuação da tradição” ou de “superexibição” dos participantes.

Era normal que o evento chocasse os mais conservadores. Afinal, o Movimento Novo não era um “grupo” ou um “estilo” de Capoeira; não “filiava” capoeiristas; não tinha fins lucrativos; não usava uniforme nem emblemas; não tinha uma hierarquia com liderença centralizada nem planos de expansão. Fora isso, utilizava a nascente mídia da Internet para divulgar os jogos em um momento em que isto não existia.

Todas estas “novidades” chocavam aqueles que não entendiam que o Movimento Novo simplesmente recriava o ambiente das antigas rodas de rua, onde ninguém mandava em ninguém e todos se confraternizavam para vadiar.

No fim, o que era para ser apenas um encontro de jovens cariocas se tornou um conceito inovador que marcou toda uma geração.

Mas como isso foi acontecer?

Em 2008 a grande questão dos organizadores era conseguir reunir jovens que nunca haviam convivido e que eram separados por ideologias de grupo.

Politicamente, os idealizadores do MN cresceram no mundo pós-guerra fria, onde já não fazia sentido o pensamento muito polarizado, como entre capitalismo e comunismo. Viram o nascimento da aldeia global integrada pelos celulares e pela internet e viveram no Brasil pós-ditadura, com liberdade de imprensa e de expressão.

Em termos econômicos é a primeira geração que conseguiu ganhar a vida somente dando aulas de Capoeira; a que viveu o período de maior violência, de 1990 a 1995, a ascensão da Capoeira como moda, de 1995 a 2000, e o declínio dos anos de ouro desta mesma moda, de 2000 a 2005.

A geração seguinte já foi diferente.

A galera que nasceu entre 1990 e 2000 nunca viu a Capoeira estourar como moda. Não assistiu semanalmente o mestre-e-modelo Beto Simas “Boneco” nos programas da Globo. Tampouco viu as estrelas populares da época, como Tiazinha ou Feiticeira, estampadas nas diversas revistas especializadas disponíveis em bancas de jornal Brasil afora.

Novela “Quatro Por Quatro” (1994), com Mestre Beto Simas Boneco na abertura

Novela “Malhação”, com Mestre Beto Simas Boneco (1996)

 

“Tiazinha” praticando Capoeira (1998)

“Feiticeira” na capa da Revista Capoeira (1998)

Esta geração também não viu quando o filme “Esporte Sangrento” e o videogame Tekken impulsionaram a Capoeira no exterior, abrindo um novo mercado de trabalho para os capoeiristas.

 

“Eddie Gordo”, do game “Tekken” (1997)

“Esporte Sangrento” ou “Only the strong” (1993)

Em termos políticos e econômicos, esta galera viveu o boom do Brasil democratizado no pós-plano real e a ampliação do acesso a Internet, consequentemente assistindo a milhares de vídeos no youtube, dos mais diversos capoeiristas.

É a geração que bebeu na fonte do Movimento Novo, assistindo a dezenas de vídeos do Ferradura, do Itapuã, da Tatiana, da Gege, do Guaxini etc., além de ter tido acesso a todo o repertório de vídeos da Capoeira antiga.

Este pessoal filma e posta os seus próprios vídeos nas redes sociais, fazendo tutoriais de movimentos e se integrando digitalmente com capoeiristas de todo o mundo. É uma geração que joga Capoeira misturando vários estilos e que nem sabe o que quer dizer a palavra “saroba” (Nota: Se você não sabe o que quer dizer a palavra “saroba”, procure algum velhinho de 40 anos e pergunte).

Quais os desafios do Movimento Novo atualmente?

A “era dos brutamontes” da Capoeira passou. Hoje em dia é raro ver um capoeirista “cravar” o outro de cabeça no chão ou mestres enviarem seus alunos para “fechar” a roda dos outros.

Podemos dizer que hoje em dia a Capoeira já está integrada. A maior parte dos capoeiristas procura reunir-se com pessoas de outros grupos e compartilhar experiências. Hoje, já há dezenas de rodas espalhadas pelo Brasil onde se comungam valores como integração, respeito e harmonia.

Entretanto, apesar de todo este avanço, ainda há questões grandes para os jovens de hoje, as maiores delas ligadas às lutas sociais que enfrentamos no Brasil, como machismo, homofobia, racismo e outras formas de relação opressiva.

Ainda hoje, podemos fazer perguntas como:

De que adianta juntar 150 capoeiristas de todos os sexos em um evento e ter somente homens em posições de poder?

De que adianta falar de Capoeira como integração e seguirmos discriminando gays, lésbicas e transexuais? (Se você tem dúvida em relação a isso, pense em quantas referências homossexuais você conhece na Capoeira e quantas você vê no Teatro, no Cinema, no Circo, na Dança e nas demais artes plásticas ou corporais).

De que adianta falar de cultura negra e apoiar políticos declaradamente racistas?

De que adianta formar jovens lideranças, se mantivermos os velhos padrões? De que adianta vivermos somente para reproduzir o que já estava errado?

A cultura, no Brasil de hoje, terá cada vez mais um papel político de resistência, onde os jovens terão que abrir novos caminhos e desafiar velhos dogmas. Como vão fazer para não reproduzir a opressão pedagógica, a militarização do ensino e a falta de abertura para o diálogo? Como vão vai lidar com o racismo, com o sexismo, com a LGTBfobia e a discriminação entre os próprios capoeiristas?

Como vão fazer para fazer diferente?

Estas e outras respostas são desafios aos jovens. Serão eles os responsáveis pelo futuro da Capoeira. E foi por isso que a edição de 2018 marcou o fim do ciclo Movimento Novo. A maior parte dos participantes fundadores do MN hoje tem entre 35 e 50 anos. Já não são exatamente tão “jovens”. Os futuros líderes tem como fazer mais e melhor. Suas cabeças são mais abertas e sua Capoeira mais disponível. O terreno está fértil para que novos movimentos sejam feitos.

Como foi o último Movimento Novo?

Diferentemente dos outros eventos, a última edição teve inscrição aberta pela Internet e uma seleção que levava em conta o gênero, a raça e a idade.

Um ciclo de palestras abria cada dia do evento e as rodas priorizavam a autogestão e a participação democrática, tendo parcelas muitas vezes negligenciadas -jovens e mulheres- como protagonistas em todo o processo.

Os debates sobre as questões sociais foram tão importantes quanto as rodas em si, promovendo uma cultura de convesa e compartilhamento de experiências que promete influenciar o comportamento de todos que participaram.

Mensagem final dos organizadores do Movimento Novo

Quem quiser fazer diferente deve saber que receberá críticas, pois o poder instituído sempre reagirá frente à mudança. Esperamos que estas críticas não os levem ao imobilismo.

Queremos estar juntos! Nos convidem para seus novos movimentos e contem conosco!

Axé,
Ferradura, Itapuã e a galera do Movimento Novo.

PS – Segue abaixo a última palestra, onde Ferradura fala um pouco do que pode ser o futuro do Movimento Novo:

 

Sobre um bárbaro feminicídio em Cachoeirinha e sobre tantos outros

Sobre um bárbaro feminicídio em Cachoeirinha e sobre tantos outros

(por Aline Kerber*)

O triste feminicídio que ocorreu há uma semana em Cachoeirinha chocou muitos de nós. O Mestre de Capoeira Sombra, então com 42 anos, matou a sua esposa e mãe de sua filha de 2 anos, Luciane Guarezi, a facadas, supostamente por ciúmes, depois de fazê-la refém de cárcere privado por dois dias, conforme confirmaram pessoas próximas da vítima. Não houve mediações e registros policiais, pelo que se tem notícias. Os amigos e familiares não sabiam da gravidade e tampouco poderiam imaginar uma tragédia como esta, muito menos o Estado, fundamentalmente porque o Mestre Sombra foi sempre um homem íntegro, discreto, amigável, dócil, humanista e líder.

Vindo de uma família de poucos recursos financeiros na Granja Esperança em Cachoeirinha, desde novinho ele venceu e subverteu a sua condição com a ginga da capoeira e com a habilidade de reunir e liderar crianças e adolescentes da periferia através de projetos sociais. Esse trabalho transformou e salvou muitas vidas, sobretudo negras, e eu acompanhei bem de perto o início da trajetória dele. Fomos amigos por alguns anos na minha adolescência, pois ele frequentava a mesma academia que eu, no centro da cidade de Cachoeirinha, onde amigos agora choram pela incompreensão, pelo desalento e pela falta de palavras para nominar tamanha tragédia.

Ninguém entende esse crime horrendo. Quem busca respostas faz questionamentos totalmente errados, como este: “o que a esposa dele fez para isso acontecer?”. Outros dizem em posts nas redes sociais: “entre quatro paredes ninguém sabe o que aconteceu, ela pode ter provocado algo que lhe deixou transtornado e fora de si…”. Sabem o que motiva essas expressões? O mesmo que fez com Sombra matasse? Machismo. E desamor.

No machismo não se concebe a autonomia do outro, busca-se controlar as roupas e comportamentos da mulher, mensagens de celular, pensamentos, relações e convívios. Começa de forma sutil e termina, não raro, em morte.

Exatamente o que o Sombra não demonstrava aos seus amigos, familiares, alunos e mestres com os quais se relacionava. O Sombra e boa parte dos feminicidas têm esse perfil. Note-se que “Dica”, como era conhecido nos tempos de academia que frequentávamos nos anos noventa, era um grande educador social, guardava um sorriso e um abraço para cada pessoa, até externar a sua fúria, a sua raiva, o seu ódio e a sua crueldade nesse episódio que o levou à prisão em flagrante por conta do feminicídio praticado no fatídico sábado de 22 de dezembro deste ano que nunca termina.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Dica conseguiu algo muito difícil para um jovem negro de uma periferia brasileira como ele: sobreviver, sobreviver sem ser preso, sem se envolver com o crime e não ter sido vítima de um assassinato, quando jovem. É importante considerar que ele foi um case de jovem negro e pobre que conseguiu traçar a sua vida longe do crime, das drogas e das armas, sendo uma inspiração para muitos jovens da Região Metropolitana de Porto Alegre por conta da capoeira. A contrário senso, ele foi protagonista por 20 anos de uma história exemplar de superação e de inclusão social através da arte e do esporte.

Não morreu somente a Luciane, morreu simbolicamente também o Sombra. Agora, um feminicida que demonstrou o tamanho do seu machismo, da banalização da vida, inclusive em relação à da sua filha Mariana. No entanto, creio, não estamos condenados eternamente aos nossos fracassos. Não desejo isso a ninguém e nem a ele. Espero profundamente que o Dica e todos os que estão à sua volta entendam o que aconteceu para o cometimento desse crime letal de gênero que vitimizou a Luciane e, pelo menos, outras 600 mulheres no RS nos últimos 7 anos, para que seja possível prevenir e enfrentar de forma mais séria e eficaz as violências contra as mulheres. Esse tipo de violência que atinge mulheres e outras vítimas diretas e indiretas, incluindo o homem feminicida e os homens que o cercam, sobretudo os mais jovens, filhos, sobrinhos e afilhados – para que não se reproduza esse mesmo padrão como mecanismo de elaboração dessa lástima feminicida.

Só superaremos essa problemática também coletiva se reduzirmos as desigualdades entre homens e mulheres, se respeitarmos as diferenças, os fracassos e até mesmo traições conjugais, reais ou imaginárias, por meio do diálogo aberto e amoroso, sobretudo com as pessoas com quem convivemos.

Os homens precisam abandonar essa “sombra” do machismo e sair da caverna, como nos ensinou Platão. De mestres de capoeira a ex-prefeitos, ninguém está livre da cultura patriarcal que habita em nós. Conhecer-se. Perdoar-se. Perdoar os outros. Persistir e reinventar-se!

Dica, como te conheci, reescreva tua história com músicas de capoeira, pois um Mestre pode lutar contra essa sina de tantos sofrimentos que maculam vidas promissoras, mesmo que a roda de capoeira seja na prisão. Viver na “sociedade do desempenho e do cansaço” e não na do “sangue” como insígnia de poder vai te custar bastante caro. E, ainda assim, não trará a vida da Luciane. Haverá luzes para além da escuridão que as tuas sombras desconhecem…

O que mais dizer aos seus alunos e seguidores? Nada pode justificar essa violência brutal. Isso é certo! Somos todos violentos. Precisamos reconhecer nossos medos, frustrações e tristezas para seguirmos, de forma saudável, com amor e liberdade, a gingar pelas rodas da vida. Precisamos de todos e todas nessa luta política de salvar vidas contra o machismo que assassinou e interrompeu de vez a vida de mais uma mulher na Região Metropolitana de Porto Alegre, assim como o da Lucia Valença, morta pelo ex-prefeito, Toco, de Estância Velha, que logo após se suicidou no litoral norte como para afogar a sua culpa por tamanha violência de gênero.

 

(*) Socióloga, Especialista em Segurança Cidadã, Diretora Executiva do Instituto Fidedigna.

 

Fonte: https://www.sul21.com.br/  – Aline Kerber

Jovem cria jogo de tabuleiro para ensinar história da capoeira a alunos do fundamental

Jovem cria jogo de tabuleiro para ensinar história da capoeira a alunos do fundamental

Jogo discute cultura negra por meio da capoeira

Valores como disciplina, companheirismo e respeito são transmitidos de forma lúdica a estudantes de escolas públicas de Campina Grande

Já pensou em aprender a história da capoeira por meio de um jogo de tabuleiro? Pois é exatamente isso que está acontecendo em algumas escolas da rede pública de Campina Grande (PB). A iniciativa partiu de uma pesquisa acadêmica e mistura arte marcial, dança, música e cultura popular. Essa história você escuta nesta semana no Trilhas da Educação, programa produzido e transmitido pela Rádio MEC.

O projeto, do designer Wagner Porto Alexandrino da Silva, debate a representatividade negra de forma lúdica e intuitiva com os jovens do ensino fundamental. Tudo começou em 2018, quando Wagner estava envolvido com o trabalho de conclusão do curso de design, na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

A partir do trabalho, surgiu a vontade de colocar em prática um projeto sobre representatividade negra. Foi quando ele mergulhou, por meio de pesquisa, no universo da capoeira – e desse contato com a história e tudo que a cercava, teve início a produção do material.

“Pesquisando temas, eu decidi que ia trabalhar com a representatividade negra. Eu sei a importância disso e o quanto isso tem que ser discutido em nosso país”, conta o designer. “Resolvi focar na capoeira. Eu não conhecia a capoeira, não pratico a capoeira, e pesquisando eu vi ainda mais o valor que ela tem para o nosso país, para nossa cultura e para a cultura afro-brasileira.”

Em 2008, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou a capoeira como uma forma de expressão e, em 2014, como Patrimônio Imaterial da Humanidade. A capoeira reúne cantigas, movimentos, músicas e símbolos da herança africana. É na roda de capoeira que os iniciantes são batizados, consagrados e onde se formam os grandes mestres.

Jovem cria jogo de tabuleiro para ensinar história da capoeira a alunos do fundamental Curiosidades Portal Capoeira

Wagner é aluno do curso de Design da UFCG (Foto: Arquivo pessoal)

“Quando entrei em contato direto com a Capoeira, especialistas na área, professores, pesquisadores e obras sobre o assunto, fiquei fascinado. O valor da Capoeira é imenso para o nosso país e para os seus praticantes. Todos deveríamos conhecer ao menos um pouco sobre o que ela representa. Não só a Capoeira como luta, como é abordada tantas vezes, mas, sim, os valores educacionais ali presente, seu contexto histórico, sua musicalidade, as modificações causadas em quem a pratica”.


Paranauê – E foi assim que surgiu o Paranauê. Um jogo que se passa no século dezoito, quando a capoeira era perseguida no Brasil. Para jogar, cada participante assume a identidade de um mestre que precisa montar a sua própria roda de capoeira. Para testar a ideia, Wagner convidou os amigos, vizinhos e crianças conhecidas para jogar. Dessa forma, foi adaptando o jogo até chegar ao conceito final.

Com a metodologia definida, partiu para a prática e apresentou a proposta aos alunos da rede pública de Campina Grande. “Eu levava para as salas de aula. Muitos já tinham tido contato com a capoeira, algumas crianças já a praticavam, e elas se identificaram muito com o projeto”, conta.

Além dos estudantes, os professores e diretores também ficaram encantados com o jogo. Agora, Wagner estuda a viabilidade de produção do material para distribuição nas escolas que se interessarem pela ideia.

 

Fontes:

Portal Correio – https://portalcorreio.com.br/

Assessoria de Comunicação Social – http://portal.mec.gov.br

 

Sugestão de Pauta: Luiz Schumann (Prof. Coqueiro – Senzala)

Há 100 anos, o baiano Mestre Bimba criou a Capoeira Regional

Mestre Cafuné, 80 anos, lembra bem de quando foi à escola de capoeira de mestre Bimba (1899-1974) pela primeira vez. Percorreu uma longa distância, do Polo Petroquímico de Camaçari, onde trabalhava, ao Pelourinho. Tinha lido sobre o mestre num jornal e decidiu conhecê-lo. “Eu era uma pessoa tímida, medrosa. Passei pela Baixa dos Sapateiros com medo, depois subi essa ladeira aí com as pernas já tremendo”, lembra. Bateu na porta e disse ao capoeirista que queria tomar algumas aulas. Foi botado para fora. Naquela época, Cafuné se chamava Sérgio Dória.

“Minha cabeça foi xingando ele de todos os nomes possíveis por ter me tirado de lá. Fiquei muito chateado”, brinca. Até que descobriu o motivo da expulsão. Na porta, uma plaquinha dizia: “Visita, 2 mil cruzeiros. Mensalidade, 2 mil cruzeiros”. Resolveu pagar a mensalidade, voltou a mestre Bimba e, naquele dia, recebeu o primeiro ensinamento. “Ele me disse: ‘Quando você chegar num lugar, não entre de primeira. Primeiro você observa, veja quando pode entrar, quando pode sair, tome cuidado’. A primeira aula que ele me deu foi essa”. Pode até parecer coisa pouca, mas, garante Cafuné, é um conselho para a vida. “Ele nos ensinava a ter respeito pelos espaços, ser mais observador, mais equilibrado, é algo que tem um sentido muito amplo”.

Em 2018, a capoeira regional, criada por Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba, comemora 100 anos de existência. Em setembro de 1918, ele criou e começou a aplicar o método de ensino usado até hoje. E não foi um caminho fácil. Manoel começou a praticar a luta – ou dança, ou jogo, como preferir – aos 12 anos. “Meu avô era lutador de batuque, uma luta africana que parece com a capoeira. Por muito anos, meu pai acompanhou o meu avô e foi aprendendo”, conta Manoel Machado, mestre Nenel, filho de Bimba. Como o esporte era ilegal e não podia ser praticado e muito menos ensinado, alguns dos movimentos se perderam com o tempo. “Para preencher esse vazio, meu pai uniu a capoeira com o batuque. E aí nasceu a capoeira regional”, diz Nenel. Na época, batizou a invenção de luta regional baiana. “Se levasse o nome de capoeira, poderia ser criminalizado, a capoeira estava no Código Penal Brasileiro, não podia”, conclui Nenel.

Em 11 de outubro de 1890, o presidente Deodoro da Fonseca proibiu a prática por meio do decreto 847. No documento consta que é proibido “fazer nas ruas e praças públicas exercício de agilidade e destreza corporal conhecida pela denominação capoeiragem: andar em carreiras, com armas ou instrumentos capazes de produzir lesão corporal, provocando tumulto ou desordens, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal”. A pena era prisão de dois a seis meses.

Aos “chefes”, ou seja, professores, a pena dobrava e, em caso de reincidência, podia chegar a três anos de prisão. Estrangeiros que infringissem a lei eram deportados de pronto depois de cumprirem a pena. Era preciso bravura.

E foi com bravura que, em 1932, Bimba fundou a primeira academia no bairro do Engenho Velho de Brotas. O alvará só veio em 1937, quando a prática deixou de ser ilegal. Mesmo sob tantos riscos, conta Marinalva Machado, filha do mestre, ele nunca pensou em desistir. “Era uma missão de vida. Ele era muito determinado, tinha certeza de que iria conseguir levar a nossa arte para o resto do Brasil e do mundo”, diz dona Nalvinha, como gosta de ser chamada.

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Um dos momentos mais importantes para o reconhecimento da luta país afora foi quando o capoeirista se apresentou para Getúlio Vargas numa visita do então presidente a Salvador, em 1953. Mesmo que já não fosse crime, explica dona Nalvinha, a prática ainda não tinha tanto espaço fora da Bahia. “O presidente se encantou e ajudou a divulgar a capoeira, a levar esse legado para outros estados. Disse que era o único esporte verdadeiramente brasileiro”, lembra ela. Mas foi só em 1972, dois anos antes da morte do mestre, que a capoeira foi reconhecida como modalidade desportiva pelo Ministério da Educação e Cultura.

Para celebrar o centenário da capoeira regional, a Fundação Mestre Bimba (FMB) organizará, entre os dias 19 e 22 deste mês, uma porção de atividades gratuitas espalhadas pela cidade. Além de seminários, apresentações de capoeira, oficinas de maculelê, samba de roda e puxada de rede, haverá o lançamento do livro Bimba, Um século da Capoeira Regional, escrito por mestre Nenel. O lançamento será no dia 22, às 10h, no Teatro Sesc-Senac Pelourinho. “É a nossa memória, a memória de um povo. Vejo meu pai como um ídolo, alguém que pensava muito além do tempo dele, não sabia nem ler nem escrever e conseguiu transformar algo perseguido pela sociedade em arte”, diz Nenel.

Referência

Pendurados nas paredes da fundação, retratos marcam a história do esporte baiano. Entre os alunos destacados nas paredes estão figuras conhecidas, como o senador Otto Alencar e Luiz Carreira, chefe da Casa Civil da Prefeitura de Salvador. Na capoeira, o apelido dele é Secretário. “Mas são mais de 200 discípulos e 600 alunos. Alguns deixaram a capoeira depois da morte de Bimba, acabaram perdendo a referência. Ele era quem nos animava a continuar”, lamenta Cafuné.

Hoje, essa herança está em mais de 160 países. Há núcleos da Filhos de Bimba Escola de Capoeira nos Estados Unidos, Canadá, Líbano, Croácia, França e Reino Unido. Todos os anos, dona Nalvinha vai aos Estados Unidos dar aulas de samba de roda. Lá, diz, sente-se mais bem recebida do que na Bahia.

“Não sei dizer o motivo disso, mas tem muito preconceito. Temos o preconceito racial… uma vez, uma pessoa daqui trouxe um amigo estrangeiro que queria aprender capoeira. Perguntei se ele iria se matricular também. E ele disse: ‘Não, Deus me livre! É só ele’”.

Para manter viva essa memória na Bahia, a FMB mantém o projeto Capoerê, que oferece aulas para crianças e adolescentes de bairros da periferia de Salvador. “Temos casos de meninos que já estavam entrando no crime, mas foram resgatados pela capoeira. Se eles estão em aula, não estão mais fazendo o que faziam antes. E tirar pelo menos um menino dessa vida já faz toda a diferença”, opina Nalvinha. Muitos desses alunos se tornam professores, e alguns deles ensinam fora do Brasil. “Perceba que a ideia é manter o legado circulando, viajando, alcançando mais culturas”, diz a filha do mestre.

No último ano de vida, aos 74 anos, mestre Bimba deixou a Bahia. Não se sentia valorizado pelo governo e, a convite de um ex-aluno, mudou-se para Goiânia. E foi lá, a 1.658 quilômetros de casa, que morreu. Mas a filosofia dele persiste – na Bahia, em Goiás, em tudo quanto é canto a que chegou. Quem explica é Cafuné: “É a arte de viver bem. Ele nos ensinava tudo sobre você viver bem”.

Fonte: 

Bruna Castelo Branco | Fotos: Adilton Venegeroles | Ag. A TARDE

http://www.atarde.uol.com.br

Porto: 8º Encontro de Capoeira “Irmãos de Roda”

Todos DIFERENTES… JUNTOS pelo mesmo… CAPOEIRA

Porto: 8º Encontro de Capoeira “Irmãos de Roda”

“A cada edição o Evento, que tem sido uma referência na Capoeira de Portugal, ganha mais corpo e mais visibilidade… os “Irmãos de Roda” extrapolam o contexto e a essência do que significa capoeiragem… fazendo valer a sua visão da unidade através das diferenças… e que tudo gira em torno da mesma capoeira…

O evento tem início nesta sexta-feira e continua até o próximo domingo, na cidade do Porto em Portugal.

 

Mais informações no cartaz em anexo e na página do Facebook.


Video do encontro de 2017

 

 

 

PARA MAIS INFORMAÇÕES:

julspedro@gmail.com | Tlm: 966883484

https://www.facebook.com/irmaosderoda/

Guimarães: VIVA SEU BIMBA!!!

Guimarães: VIVA SEU BIMBA!!!

Contramentre Careca (CCCB – Centro Cultural Capoeira Baiana) e seus alunos, convidam toda a comunidade para a comemoração do centenário da Luta Regional Baiana em Guimarães – PT.

Na semana do dia 23 de novembro (data do nascimento do Mestre Bimba) o CCCB tem-se planejado atividades com a proposta de apresentar a comunidade capoeiristica, representantes da Luta Regional Baiana, que atuam dentro e fora do Brasil. Os mesmos trarão ao público um pouco do seu conhecimento através de cursos, palestras, vivências e rodas, onde apresentarão aos praticantes, profissionais e simpatizantes, informações sobre a Capoeira Regional Baiana (evoluções técnicas, palestras sobre a historia e desenvolvimento da luta) além de rodas, objetivando a preservação e divulgação da Capoeira Regional Baiana.

Proposta:

•Difundir e divulgar a Capoeira Regional Baiana.Apresentar aos profissionais, praticantes e simpatizantes as evoluções técnicas da Luta Regional Baiana.
•Preservação do ritual da Capoeira Regional.Apresentar a comunidade capoeiristica os principais representantes da Capoeira Regional Baiana da atualidade.
•Apresentar ao público a história do criador da Luta Regional Baiana, o Mestre Bimba, tendo na sua data de nascimento um dia especial para a comunidade da capoeira.

Visite: www.capoeirabaiana.org

Grafites em muros de Salvador homenageiam mestre Moa do Katendê

Grafites em muros de Salvador homenageiam mestre Moa do Katendê; morte do capoeirista completa 1 mês

Por Valma Silva, G1 BA

Ilustrações com a imagem de Moa estão presentes em diferentes pontos da capital baiana.

Um mês após a morte capoeirista Moa do Katendê, soteropolitanos têm homenageado o baiano de várias formas. Uma delas é através do grafite. Em diferentes pontos de Salvador, é possível ver o rosto do ‘Moço lindo do Badauê’estampando muros, trazendo colorido para as ruas e também relembrando o assassinato que tirou o mestre da roda de uma forma brutal.

Romualdo Rosário da Costa, o Moa do Katendê, tinha 63 anos quando foi assassinado no dia 8 de outubro, após se envolver em uma discussão sobre política, horas após a votação do primeiro turno das eleições.

Moa teria completado 64 anos no dia 29 de outubro, se estivesse vivo. “É triste saber que um assassino acabou com a vida do meu tio, acabou com uma família, por um motivo tão banal. Mas a gente encontra força espiritual e nas pessoas que estão lembrando dele o tempo todo”, diz Renilda Costa, sobrinha da vítima [veja abaixo entrevista dela ao G1].

Sobrinha de Moa do Katendê fala sobre morte do tio, um mês após o crime

Sobrinha de Moa do Katendê fala sobre morte do tio, um mês após o crime

Uma das homenagens está no Colégio Estadual Victor Civita, que tem 300 estudantes. A escola fica no Dique Pequeno, onde vive parte da família de Moa e também perto do local onde aconteceu o crime.

A diretora Rodrenice Santana Borges conta que um grupo chamado Canteiros Coletivos se ofereceu para limpar o terreno perto da escola, que estava se transformando em um lixão. “Eles estavam fazendo um workshop de jardinagem bem na época do crime, então os estudantes tiveram a ideia de batizar o jardim com nome de Moa”, detalha.

A partir daí, a diretora decidiu renovar a pintura o muro da frente da escola com uma imagem do homenageado. O trabalho foi feito pelo arte educador Rodrigo Menezes e pelo grafiteiro Nailton dos Santos. A ilustração levou cinco horas para ser finalizada pela dupla, que se sente orgulhosa do resultado final, assim como os alunos.

“Os alunos ficaram encantados, porque estão homenageando uma pessoa próxima da realidade deles, que muitos conheciam. Isso renova a autoestima de toda a comunidade escolar”, diz Rodrenice.

Grafites em muros de Salvador homenageiam mestre Moa do Katendê Capoeira Portal Capoeira

 

Grafite Mestre Moa — Foto: Valma Silva / G1 BA

A diretora revela que Moa tinha visitado a unidade poucos dias antes de ser morto, para agendar uma roda de capoeira e uma aula de cultura afrobrasileira no local, porém, o evento não chegou a ser realizado. Uma faixa também foi colocada por amigos de Moa que viviam no bairro, em um campo de futebol que fica em frente à escola.

Familiares de Moa visitaram o colégio no dia em que o muro e o jardim ficaram prontos, há uma semana. “Esse é um gesto de solidariedade muito bonito. Estamos recebendo manifestações de várias partes do Brasil e do mundo, mas ter esse acolhimento da comunidade traz um conforto maior para a nossa perda”, comenta Jaci Mahin Reis da Costa, uma das filhas do mestre Moa.

Pequeno jardim foi criado por estudantes em uma área estava virando lixão; espaço foi batizado com o nome de Moa do Katendê — Foto: Valma Silva / G1 BA

Pequeno jardim foi criado por estudantes em uma área estava virando lixão; espaço foi batizado com o nome de Moa do Katendê — Foto: Valma Silva / G1 BA

Outro grafite em homenagem ao capoeirista foi concluído no último fim de semana, na Escadaria do Paço, que fica no Centro Histórico de Salvador. A arte de Bruno Wiw virou ponto turístico, com grande movimento de pessoas tirando fotos.

“Eu pinto esse mural há cinco anos, sempre abordando um tema crítico e social, que chame a atenção das pessoas. Esse ano, retrataria uma família de retirantes sertanejos, mas quando ocorreu a morte do Mestre Moa, decidi adaptar um pouco o tema”, relata.

Grafite homenageia o Mestre Moa do Katendê — Foto: Valma Silva / G1 BA

Grafite homenageia o Mestre Moa do Katendê — Foto: Valma Silva / G1 BA

Bruno manteve a ideia original da pintura, entretanto, incluiu a figura do capoeirista como o chefe da família.

“Representa a família dele, a nossa, os alunos dele na capoeira, o povo brasileiro. Todos somos vítimas dessa violência e da intolerância”, comenta.

Também foram deixadas as plantas coloridas, que já estavam pintadas antes do crime acontecer. “As cores trazem vida, alegria, enfim, tudo que Moa trazia para a sociedade com o trabalho dele”.

O grafiteiro Bruno Wiw pintou mural na Escadaria do Paço, no Centro Histórico — Foto: Bruno Wiw / Arquivo Pessoal

O grafiteiro Bruno Wiw pintou mural na Escadaria do Paço, no Centro Histórico — Foto: Bruno Wiw / Arquivo Pessoal

Caso

Moa do Katendê foi morto a facadas em um bar, após se envolver em uma discussão sobre política, horas depois da votação do primeiro turno das eleições. O suspeito do crime é Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36 anos, que está preso no Complexo Penitenciário da Mata Escura.

No dia 22 de outubro, a Justiça da Bahia aceitou a denúncia do Ministério Público do estado e o tornou réu. Paulo Sérgio é acusado de homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima.

Além disso, por ferir Germínio do Amor Divino Pereira, de 51 anos, primo que tentou defender o capoeirista das agressões, o barbeiro é acusado de tentativa de homicídio duplamente qualificado. O caso está no 1º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri e ele pode ir a júri popular.

Moa do Katendê foi morto a facadas após discussão por política — Foto: Reprodução/Facebook

Moa do Katendê foi morto a facadas após discussão por política — Foto: Reprodução/Facebook

Moa foi fundador do grupo de afoxé Amigos do Katendê e um dos maiores representantes do gênero da Capoeira de Angola. Era militante das causas do povo negro e defensor da cultura afrobrasileira, através da música e da educação. Também era dançarino, músico e artesão.

A morte dele comoveu todo o Brasil. Artistas como Caetano VelosoGilberto GilChico César e Daniela Mercury lamentaram o fato nas redes sociais. Em Salvador, a missa de sétimo dia foi marcada pela participação de capoeiristas, na tradicional Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Nos dias 10 e 16 de outubro, grupos culturais grupos culturais se reuniram no Pelourinho para homenageá-lo e foram acompanhados por uma multidão de baianos e turistas. No dia 18 de outubro, foi a vez do astro do rock Roger Waters reverenciá-lo durante show para mais de 28 mil pessoas na Arena Fonte Nova.

Mestre Moa é o homenageado deste ano na Semana da Igualdade Racial, realizada entre os dias 6 e 9 de novembro em Salvador. O evento reúne representantes do movimento negro e gestores públicos para discutir políticas afirmativas. A ação faz parte das comemorações pelo Novembro Negro, mês de conscientização e valorização da cultura afrobrasileira.

Moradores do Dique Pequeno fizeram homenagem ao Mestre Moa do Katendê — Foto: Valma Silva / G1 BA

Moradores do Dique Pequeno fizeram homenagem ao Mestre Moa do Katendê — Foto: Valma Silva / G1 BA

 

Fonte: https://g1.globo.com

Por Valma Silva, G1 BA