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Frede Abreu: O Grande pesquisador da Capoeira

Todos aqueles que amam a capoeira e se interessam em conhecê-la mais a fundo, suas histórias, seus personagens, os fatos importantes, enfim, todos aqueles que buscam compreender melhor essa rica manifestação da cultura afro-brasileira, devem muito àquele que foi um dos maiores, senão o maior pesquisador da capoeira de todos os tempos: Frederico José de Abreu, ou simplesmente Frede Abreu, como era conhecido no meio.

Frede Abreu não está mais entre nós, partiu pras “terras de Aruanda” em julho de 2013, mas deixou como legado uma obra importantíssima, através dos muitos livros, artigos, crônicas e textos que escreveu, além de um enorme e rico acervo organizado por ele composto de documentos, livros, fotografias, filmes, revistas, jornais, etc., que pode ser considerado o maior acervo sobre capoeira existente.

Mas o mais importante, é que Frede sempre foi um sujeito muito generoso. Ele sempre abriu as portas de sua casa – onde todo esse acervo era guardado – pra qualquer um que desejasse pesquisar e se aprofundar no conhecimento sobre a capoeira. Ele sempre acolheu de forma muito amável todos que o procuravam: pesquisadores, estudantes, capoeiristas, historiadores, e contribuiu de forma efetiva para a maior parte de toda a pesquisa produzida sobre capoeira no Brasil e também no exterior. É muito difícil encontrar algum livro, artigo, documentário, tese de mestrado ou doutorado sobre capoeira no qual ele não seja citado ou não tenha colaborado de alguma forma.

Frede viajou por todo o Brasil e também para o exterior, onde sempre era convidado a participar de eventos, conferências, seminários, palestras ou simples “bate-papos” sobre capoeira. E fazia isso sempre com muita boa vontade, prazer, simpatia e bom humor que caracterizavam esse baiano que nunca se recusou a dividir o seu amplo conhecimento sobre a nobre arte da capoeiragem, quando era requisitado, por quem quer que fosse.

Mas a contribuição de Frede Abreu para a capoeira vai ainda mais além: ele foi um dos responsáveis pelo retorno do mestre João Pequeno à capoeira. João tinha se afastado  da capoeira no início da década de 1980, depois da morte de Pastinha, e se dedicava a vender legumes e verduras numa barraca na Feira de São Joaquim, junto com sua esposa, a querida  “Mãezinha” como é conhecida por todos. Frede então articulou a volta de João, e foi o responsável pela organização da sua academia, que foi instalada no Forte Santo Antonio além Carmo, e se constituiu como o centro de todo o movimento de recuperação da capoeira angola, que nessa época passava por um momento difícil, num processo de franca decadência. Pela academia e sob a liderança de João Pequeno, passaram todos os mestres que foram importantes para o movimento de renovação e revigoramento da capoeira angola, desse período histórico em diante.

Há alguns anos, Frede conseguiu apoio do governo federal para enfim organizar o seu vasto acervo, criando o Instituto Jair Moura que durante algum tempo funcionou no bairro do Garcia em Salvador. Mas esse apoio não teve continuidade e todo o acervo voltou para a sua casa, num quarto onde tudo continua a ser guardado com muito zelo pela sua família.

Esperamos que as autoridades se sensibilizem com a importância da preservação e organização desse verdadeiro tesouro sobre a memória da capoeira que Frede reuniu com  tanto carinho e dedicação, durante tantos anos, e está ameaçado de se degradar pela falta de um local adequado sob a orientação de profissionais especializados.

Frede se foi, mas seu sorriso franco, seu fino senso de humor, sua disponibilidade e generosidade, seu carisma como ser humano e seus inestimáveis serviços prestados à capoeira ficarão eternizados entre todos aqueles que valorizam a memória social de um país que sofre de “esquecimento crônico”, como é o caso do Brasil.

Um axé meu amigo, onde quer que você esteja !

A Capoeira Angola segundo Mestre Pastinha

Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, conhecido como Mestre Pastinha, nasceu em 1889, em Salvador, aprendeu a lutar com um negro de nome Benedito, que, ao vê-lo apanhar de um garoto mais velho, resolveu ensinar-lhe os golpes, guardas e malícias da Angola.

Mestre Pastinha começou a ensinar capoeira em 1910, depois de um período de oito anos na Marinha de Guerra do Brasil. Seu primeiro discípulo foi Raimundo Aberê, que, por sua vez, se tornou um exímio capoeirista, conhecido em toda a Bahia.

{youtube}aowrcvjJ5uE{/youtube}

Vídeo de 1991, comemorativo dos Dez Anos de Atividades do Grupo de Capoeira Angola Pelourinho do Rio de Janeiro, realizado por Antonio Carlos Muricy. 
Editado a partir de uma seleção de vídeos VHS dos arquivos do grupo, reúne grandes bambas, grandes angoleiros, cariocas ou não, como os Mestres Moraes, Neco Pelourinho, Zé Carlos, Braga, Marco Aurélio, Armandinho, Angolinha, Lumumba, Rogério, Valmir, Brinco, Manoel, entre outros.

Apesar da precária qualidade técnica, retrata momentos extraordinários da Capoeira Angola carioca, e inclusive jogos raros, como o “Jogo do Dinheiro”, aqui registrado em dois grandes momentos, um o jogo de Mestre Neco Pelourinho com Mestre Braga, e o outro um jogo entre o Mestre Armandinho e Mestre Zé Carlos.

Traz também um momento raro de violência em uma roda de Angola, quando Mestre Rogério aplica um rabo de arraia em Mestre Lumumba e o atinge em cheio. É extraordinária a calma e serenidade de Lumumba, em se recuperar e responder no jogo, na Capoeira, a Rogério.

Traz reflexões de Mestre Pastinha, o Guardião da Capoeira Angola, e uma pequena história da Capoeira, narrados por Mestre Brinco e Mestre Neco Pelourinho.
Memória da Capoeira Angola carioca, ouro puro.

Teatro: Espetáculo baseado em capoeira angola e tradicional no Sesc Pinheiros

Em outubro, o “Projeto Improviso” do Sesc Pinheiros apresenta na Praça o espetáculo de dança “Jam Cabeçada”, com Daniel Barra,Banda MutribOrkestra Maldita. As apresentações acontecem entre os dias 5 e 26 de outubro, sempre aos sábados, às 17h30, exceto no dia 12, quando a apresentação acontece às 18h30. A entrada é Catraca Livre.

“Jam Cabeçada” traz noções de espaço, performance e composição a partir de movimentos e gestos da capoeira angola e regional, que contribuem para o desenvolvimento das técnicas de improvisação com o público.

Ator e bailarino, Daniel Barra desenvolve trabalhos com música, dança, performance e artes visuais, além de ser capoeirista há mais de 20 anos.

 

SERVIÇO

O QUE
Projeto Improviso: Jam Cabeçada com Daniel Barras e convidados

QUANDO:
  • Sáb 05/10
    • às 18:30
  • Sáb 12/10
    • às 17:30
  • de 1926/10
    • Sábados às 18:30

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QUANTO
Catraca Livre

ONDE
Sesc Pinheiros
http://www.sescsp.org.br/sesc

Rua Paes Leme, 195
Pinheiros – Oeste
São Paulo
(11) 3095-9400

Estação Faria Lima (Metrô – Linha 4 Amarela)
VER NO MAPA

As informações acima são de responsabilidade do autor e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Fonte: http://catracalivre.com.br

Berimbau, a arma da feminilidade das mulheres Bantu

 

“Berimbau, a arma da feminilidade das mulheres Bantu. Após uma terrível batalha, a deusa protectora transformou o arco do guerreiro no primeiro instrumento musical da tribo, para que a música e a paz substituíssem as armas e guerras para sempre.”

 

Existe um facto que goza de certa autoridade, sendo que, quando se pesquisa sobre o berimbau africano, seja ele de que nome, origem, ou tamanho for, é impossível ignorar que o gênero feminino desempenha um papel extremamente considerável em relação aos arcos musicais.

A popularidade do berimbau cresceu transversalmente da arte afro-brasileira mais conhecida por Capoeira. A Capoeira, até certo ponto, era de acesso restrito a um ambiente masculino. Significantemente, as portas foram abertas para o sexo oposto e já se conquistou bastante espaço por meios de dedicação e empenho.

Porém, as mulheres na esfera capoerística ainda se encontram vítimas de regras discriminatórias, consideradas pela comunidade como tradição. Regras essas que não as permite tocar o berimbau e, em certos momentos, não poder participar durante a roda.

A mulher africana, apesar de viver em constantes normas estritas e rigorosas entre elas, sendo as responsabilidades matriarcas, no último centenário foi a que mais fortificou a presença, e a popularização do berimbau africano na plateia continental e internacional.

Através do som melódico e hipnotizante do instrumento de uma corda só, orgulhosamente canta-se cantigas de centenas de anos atrás, transmitidas pelos seus antepassados.

Canções que contam estórias das glórias dos seus povos, sobre a felicidade, a tristeza, o amor, o ódio, a paixão, a traição, as desventuras de casamentos e cantigas infantis.

Não somente a mulher é tradicionalmente considerada a base da família, mas também compõe, canta e constrói os próprios instrumentos que toca.

Cito duas personalidades da música tradicional Bantu-Nguni e herdeiras da tradição de tocadoras de arcos musicais, como a Princesa Zulu Constance Magogo e a Dona Madosini Mpahleni, que hoje em dia goza de noventa anos de idade.

Com esta chamada, conto com mais reconhecimento e consideração para com as mulheres, não somente na capoeira mas também no berimbau e outros instrumentos musicais.

 

{youtube}yEve7Yrw8iM{/youtube}

*Aristóteles Kandimba, angolano, pesquisador, cronista, cineasta e professor de capoeira Angola.
kandimbafilms.blogspot.com
https://www.facebook.com/pages/Angola-Ministry-of-Culture-Pictures-Events/150849848265087?fref=ts
(Mitologia Bantu-Nguni, Zulu – Africa do Sul)

 

Matéria sugerida por Nélia Azevedo – (Portuguesa)

Pernambuco: “Viva Mestre Paulo dos Anjos”

Em agosto especialmente, comemoramos no dia 15 o aniversário do Mestre Paulo dos Anjos, um dos ícones da capoeira Angola, que em Pernambuco ajudou a divulgar e sedimentar esse estilo de capoeira.

Para isso criamos o Encontro de Capoeira Angola: “Viva Mestre Paulo dos Anjos”, no qual a cada ano, além da roda comemorativa de seu aniversário, realizamos oficinas com seguidores da capoeira angola e promovemos um verdadeiro espaço de cultivo dessa arte entre os grupos do Recife, Olinda e de todo estado.

 

O Centro de Capoeira São Salomão realiza entre 15 e 18 de agosto de 2013 o seu XII Encontro de Capoeira Angola “Viva Mestre Paulo dos Anjos”.

O evento acontece anualmente e reúne em Recife Mestres, aprendizes, simpatizantes e pesquisadores da capoeira Angola.

Nesse ano de 2013 o encontro contará com a participação especial do Mestre Plínio e do Mestre Jogo de Dentro.

Teremos em nossa programação: rodas, aulas, bate-papos, vídeo, música e muito axé!!!!

 

 

Cronograma do Encontro:

dia 15/08 – Roda “Viva Mestre Paulo dos Anjos”

Local : Sede do São Salomão no Pina às 19h

dia 16/08 – Bate-papo com os Mestres…

Local : Sede do São Salomão no Pina às 19h

dia 17/08 – Oficinas de Capoeira Angola

Local: CAC – UFPE das 9h às 18h

dia 18/08 – Oficinas de Capoeira Angola

Local: CAC – UFPE das 9h às 18h

 

 

 

Taxa de Inscrição: R$20,00

 

Inscrições e informações pelo e-mail: [email protected]

Livro: Entre a Vadiagem e a Academia

Entre a Vadiagem e a Academia – O Local e o Global na Capoeira de Belo Horizonte

Resumo ampliado

O livro adota a noção de mestiçagem no Brasil sob um ponto de vista que considera mais do que uma evidência empírica, demonstrando-a como valor constituído e constituinte de um repertório da capoeira acessível por meio da memória. Para isto, considera as “tradições inventadas” (HOBSBAWN; RANGER, 1984) na capoeira como reflexos das relações raciais no Brasil, apresentando a capoeira na cidade de Belo Horizonte (Minas Gerais) como estudo de caso. A discussão desenvolvida no livro também aborda o Turismo como articulador de relações entre as culturas, entendendo que as ressignificações simbólicas das culturas são influenciadas, mesmo que não sendo exclusivamente, pelo Turismo. O livro pretende demonstrar a capoeira na cidade de Belo Horizonte como estudo de caso para identificar a concepção de ‘afro-brasileiro’ e do afro-descendente na identidade local. A argumentação é embasada em pesquisa realizada pela autora para obtenção do título de especialista em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em 2007. A pesquisa teve enfoque qualitativo, utilizando para coleta de dados a pesquisa de campo, a realização de entrevistas do tipo pessoal/formal/estruturada com mestres e alunos capoeiristas de dois grupos de capoeira: Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA) que se identificava como sendo de capoeira angola e Grupo Bantus Capoeira (GBC) que se identificava como sendo de capoeira regional/contemporânea na cidade de Belo Horizonte. Ambos os grupos mantinham fortes relações com o Turismo. Também foram utilizados formulários de entrevistas para coleta de dados com capoeiristas turistas brasileiros e estrangeiros que tiveram contato com a capoeira em Belo Horizonte, observação sistemática de rodas de capoeira da cidade, pesquisa bibliográfica e no acervo do Museu da Capoeira (idealizado e coordenado pelo Mestre Noventa) e entrevistas com os mestres Toninho Cavalieri (tido como principal precursor da capoeira em Belo Horizonte) e Primo (Grupo Iúna de Capoeira Angola). Partindo dos resultados da pesquisa, o livro aborda a percepção dos capoeiristas sobre o que seriam as características peculiares à capoeira local, bem como as concepções sobre as relações raciais e de gênero na capoeira da cidade. Aponta, também, a percepção dos capoeiristas sobre a influência do Turismo e do mercado global na capoeira local enfatizando as relações e ressignificações simbólicas que esta influência acarreta para o capoeirista turista e o capoeirista residente, demonstrando como a viagem torna-se um valor importante para os capoeiristas em Belo Horizonte e, como a viagem ao exterior para dar aulas de capoeira é um ideal profissional dos capoeiristas locais, inclusive como forma de busca pela independência econômica. Essa concepção de valorização da viagem aumenta a partir da interação destes capoeiristas através dos meios de comunicação de massa globais, as trocas culturais advindas do Turismo e de sua participação na indústria cultural mundial. Neste processo, os objetivos e buscas dos capoeiristas na prática da capoeira modificam-se, influenciando e sendo influenciados a partir das trocas culturais, ampliando as percepções sobre a cultura afro-brasileira e as percepções do afro-descendente em nível local e global.

Mini-currículo autora

Patrícia Campos Luce é turismóloga de formação (Centro Universitário Newton Paiva), especialista em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros (PUC/MG) e Mestre em Lazer (UFMG). Capoeirista há 9 anos, desenvolve pesquisas enfocando a prática da capoeira desde sua graduação em Turismo. Trabalhou na Superintendência de Interiorização da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais desenvolvendo projetos culturais relacionados à cultura afro-brasileira no interior do Estado de Minas Gerais. É sócio fundador do Instituto Brasileiro de Turismólogos, tendo atuado na comissão científica desta instituição focando pesquisas relacionadas ao turismo e cultura. Atualmente é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Bahia residindo em Salvador e desenvolvendo pesquisas em diálogo com as áreas da Antropologia da Técnica, da Prática, do Corpo e da Performance tendo a capoeira como principal objeto de estudo.

Mestre Siqueira na Roda do Cais do Valongo

No próximo sábado, o Conexão Carioca / Roda do Cais do Valongo recebe um convidado muito especial, o Mestre Siqueira, um dos pioneiros da Capoeira na Europa. Paulo Siqueira trará fatos, “causos” engraçados e fragmentos de sua longa estória no continente europeu. 

. onde: Cais do Valongo, Av. Barão de Tefé em frente ao C.C. da Ação e da Cidadania
. data: 20 jul. 2013
. horário: 11hs em diante
. convidado Roda dos Saberes: M. Siqueira (Escola de Capoeira Angola N’Zinga . Hamburg)

siga os clipes das Rodas do Cais do Valongo |  follow the Roda do Valongo teasers

7a Roda do Cais do Valongo
6a Roda do Cais do Valongo
5a Roda do Cais do Valongo

 

Carlo Alexandre

Kabula Rio & London

Diretor Artístico / Mestre de Capoeira Angola
webwww.kabula.org
Cel. 21 7948.7969 tim |
Skype: carloalexkabula1

Semeando 2013/14 – VIII Encontro Internacional de Capoeira Angola

Semeando 2013/14 – VIII Encontro Internacional de Capoeira Angola

Evento realizado pelo Grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola vai reunir alunos, Contra Mestres e Mestres de vários países

Entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014 acontece o Semeando – Encontro Internacional de Capoeira Angola, realizado pelo Grupo Semente do Jogo de Angola. O objetivo do evento é reunir alunos de vários estados brasileiros e de outros países, além de capoeiristas interessados em aprender e trocar informação sobre a história Afro-Brasileira. A programação vai incluir Capoeira Angola, Dança Afro, Samba de Roda, Maculelê, Oficinas de Berimbau, Caxixi, Atabaque, Percussão, Palestras, Mostras de Vídeo, Afoxé e Caminhada Ecológica.

O Encontro é realizado de 2 em 2 anos, desde 2004, em Salvador e na Ilha de Cacha Pregos (BA), onde está sendo construída a sede do Grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola. Em 2013, o evento vai ampliar as atividades para dois lugares históricos: Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, e Chapada Diamantina. A ideia não é só jogar Capoeira, mas levar todos os interessados para vivências em lugares históricos, tais como: Baixa do Sapateiro, Lagoa do Abaeté, Ilha de Itaparica, Santo Amaro, Cachoeira, São Félix, Lençóis e Vale do Capão. 

O Grupo de Estudos dos Núcleos Semente de Angola apresentará um trabalho teórico sobre História do Brasil até 1808/1810, data da chegada da Família Imperial no Rio de Janeiro. Este acontecimento histórico coincide com o começo da perseguição policial aos negros e capoeiristas. Este trabalho, o qual será apresentado por alunos do Grupo, permanecerá no Espaço na Ilha para estudos. As aulas de Capoeira durante o Encontro serão ministradas pelo Mestre Jogo de Dentro, Contramestres do Grupo Semente do Jogo de Angola e Mestres presentes. 

INFORMAÇÕES 

Site: http://www.sementedojogodeangola.org.br
Telefone: (71) 8727 7127 / 3319 0227

 

Fonte: http://www.iteia.org.br

Rio de Janeiro: A roda do Cais de Valongo

O cais do Valongo situa-se na zona portuária do Rio de Janeiro e desde sempre manteve uma relação com a cultura afro-brasileira, seja pelo fato de ter sido um entreposto de escravos no Rio ou por ter sido frequentada por capoeiristas, babalorixás e yalorixás, sambistas e outros personagens da cultura popular carioca. O cais do Valongo ele próprio sofreu alterações urbanas ao longo do tempo, como em 1893 quando foi alargado para receber a imperatriz que casaria com D.Pedro II e chamado de Cais da Imperatriz.

A roda do Cais de Valongo foi idealizada por Carlo Alexandre Teixeira da Silva, conhecido na capoeiragem como Mestre Carlão. O Mestre começou o seu trajeto na capoeira Angola nos anos 80 e fez parte de uma geração de capoeiristas no Rio que participou na revitalização da capoeira Angola, mas também, na sua difusão para fora do Brasil. Mestre Carlão residiu em Londres, idealizou alguns espetáculos de teatro com performatizações híbridas entre o teatro e a Capoeira Angola, mas também organizou um dos mais importantes eventos da capoeira londrina, o Movement for change.

De retorno ao Brasil para residir novamente no Rio, consta que Mestre Carlão foi dar aulas próximo ao Cais do Valongo e deu se conta da importância do lugar e da necessidade de criar a volta daquele espaço simbólico um movimento. As rodas do Cais do Valongo têm um carácter temático, tendo sido a primeira dedicada a Prata Preta, líder negro contra a revolta da vacina. A roda também é frequentada e conta com a intervenção de personalidades importantes que pensam a capoeira, a cultura negra e a cidade do Rio como o jornalista Décio Teobaldo e o historiador Mathias Assunção. A ideia central da roda, na compressão do Mestre Carlão, é “ocupar os espaços públicos e históricos para fincar o pé nos locais que estão cada vez mais controlados”. Segundo o mestre existe um “choque de ordem” na ocupação dos espaços públicos em que os gestores municipais criaram regras estritas de utilização que limitam a ação dos agentes da cultura popular na rua. Na perspetiva do Mestre Carlão e de outros agitadores culturais da capoeira carioca, a área do Cais do Valongo tem sido muito visada pela especulação e os investidores, seja por seu carácter histórico e o valor do solo urbano, mas sobretudo pelos avultados investimentos que ali se pretendem fazer. Para além da roda, outros grupos tem feito na praça as suas intervenções como grupos de Jongo, o bloco carnavalesco Prata Preta e inclusive grupos indígenas.

É importante perceber que essa intervenção dos capoeiristas em parte tem um carácter de reforço cultural da atividade, ocupando e intervindo nos espaços público, fazendo notar-se como uma atividade que é popular e que esta em diálogo com os grupos sociais que ocupam a urbe carioca. Mas tem também e principalmente um carácter político e militante em favor da cidade, do direito de manifestar-se nela através da cultura e opondo-se a qualquer forma de elistismo e segregação socio-espacial que os poderes públicos pensem em instituir. Perceba-se também que a roda do Cais do Valongo trás uma proposta de ação para a capoeira Angola no Rio de janeiro. Para além da roda em si, há um tema, ocorrem palestras e podem eventualmente ocorrer intervenções de outras ordens, dentro do contexto de organização da roda. No decorrer dessa proposta outos líderes de grupos também dinamizaram as suas rodas na rua, construindo um movimento espontâneo, mas que vibrava a partir de um sentimento comum de intervir na cidade e engajar a Capoeira Angola numa ação conjunta e assim criou-se a Conexão Carioca de Rodas na Rua, como uma iniciativa dos capoeiritas de integrar as rodas já existentes na rua num mesmo fim. Os grupos envolvidos nessa iniciativa são: Grupo Volta ao Mundo – M. Cláudio (Roda na Praça São Salvador, Laranjeiras); Grupo Kabula Rio – M. Carlão, CM. Leandro, Treinel Fátima (Roda do Cais do Valongo); Grupo Ypiranga de Pastinha – M. Manoel (Roda na Cinelândia, Centro); Grupo Aluandê – C.M Célio (Roda da Feira do Lavradio, Rua do Lavradio); Grupo Valongo – Treinel Maicol e Pedro Rolo e Roda da Praça XV com Prof. Fábio-Pezão do Instituto Uka – Casa dos Saberes Ancestrais.

A roda do cais do Valongo está para continuar. Para além do ritual da capoeira angola e da mandinga e teatralidade dos seus jogadores, a roda do Cais do Valongo é um casamento de várias intervenções artísticas. Já foram produzidos vídeos, realizadas palestras, experimentações fotográficas em que se destaca o trabalho da fotógrafa Maria Puppim Buzanovsky e estão marcadas outras intervenções.

O Rio pulsa e reflete sobe si mesmo na roda do Cais do Valongo.

 

Ricardo Nascimento

Geógrafo – Doutorando em Antropologia pela Universidade Nova de Lisboa

 

Rodas de Capoeira and the Public Art Movement

Rio de Janeiro has always been a city known for its unique beauty, home of cheerful and welcoming people. But now, in addition to the natural beauty and the typical brazilian kindness, we also want to show that our culture, specifically the popular one, still has a value which is not yet known to the public, national and international, to their fullest potential, artistic, cultural, philosophical and historical.
The cultural movement known as “Conexão Carioca de Rodas na Rua” (Carioca Connection of Rodas held on the Street) for almost one year, has developed an innovative proposal which includes 7 groups of Capoeira Angola, promoting a series of Rodas and presentations in public spaces in Rio, with the aim of showing that the culture of Brazil surpasses and does not accept the stereotype and cliché in which we were placed over the centuries, the one which still imagines a Brazil made of beach, forest, football and a carnival that lasts 365 days.
Besides the “Rodas” we have been doing lectures, film recording and photography shoots in order to bring awareness, political consciousness and critical thinking about the Afrobrazilian history and so.
The big events that are coming to Brazil has created an ideal environment to transform many of such misconceptions about us.
Well, the time has come for the people of Brazil show that its value goes far beyond the labels created by propaganda and prejudice. The opportunity to deconstruct the grotesque and reinvent what has always existed is knocking at our door and we do not intend to waste it once again. The Public Art and its protagonists, now has the determination and the voice of thousands of artists and thinkers to say what we think, what we do and how we want to do.
Come and learn about this Cultural Movement that is giving the example of how to organize, gain attention, respect, visibility and attract the public.
The rodas has returned to the street to stay! So, come to Rio de Janeiro to meet and participate in this cultural and political action!

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  • See all the videos of the Cais do Valongo Roda / “Conexão Carioca”, which been made in order to promote awareness and disseminate our ideas and actions: 7th Roda do Cais do Valongo – https://vimeo.com/user12575042Photos by Maria Buzanovsky

 

In September 2012, invited by Master Carlão, I began my photographic shootings of the “Cais do Valongo Roda”, but my initial contact with Capoeira and the group Kabula is older, having been a student of Contramestre Leandro Bicicleta. From the first photo session in that Roda, the main goal was to show intimate moments which could reveal the ritual of Capoeira Roda, its movement and body language of the players or the details of the berimbau and also the other percussion instruments. It has been privileged with absolute focus, a look from the inside the game itself, which I got through my experience within the world of Capoeira as a practitioner and scholar of the history of this cultural manifestation.

I believe that the difference in my work, in addition to the plasticity and beauty inherent in all aspects involved in the ritual, and the game of Capoeira Roda portrayed, is concentrated in special moments and angles which I use for these photos.

It is precisely the perspective from the heart of the Roda that attracts both the general public, as well as the protagonists themselves, when they see themselves in the photographs and the signs of their culture, such as the berimbau and the “atabaque” (capoeira traditional drum), the “chamada de Angola” step or a beautiful “rasteira”. Thus, they identify temselves with the images because they feel a portion of their most private emotions portrayed out of their bodies. I believe this is due to the great success that, to my surprise, the photos reached on social networks, through which I have been receiving affectionate messages from capoeiristas from around the world, who appreciate my work.

Beyond the ritual of Capoeira Angola, from “mandinga” and theatrics of its players, the idea is to provide the combination of various artistic actions and interventions. In addition to the photographic shootings it has been produced videos and lectures with the participation of scholars and artists who think capoeira, the black culture and the city of Rio de Janeiro. The aim is therefore to stimulate greater insight into Capoeira, as a Brazilian Intangible Cultural Heritage, broadcasting its ritualistic aspect, it recognition as an important part of the history of Brazil and african-Brazilian cultural heritage and above all, lead to reflection on its role and political action in the present.

Maria Buzanovsky

 

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7a Roda do Cais do Valongo
6a Roda do Cais do Valongo
5a Roda do Cais do Valongo

 

Carlo Alexandre

Kabula Rio & London

Diretor Artístico / Mestre de Capoeira Angola

web: www.kabula.org

Cel. 21 7948.7969 tim |

Skype: carloalexkabula1

CECA – Coimbra: Oficina de Capoeira Angola

Coimbra: Academia de João Pequeno de Pastinha – Centro Esportivo de Capoeira Angola.

Sob a coordenação de Mestre Faísca, o trabalho em Coimbra encontra-se sob a responsabilidade do Trenel Bruno Angola. Os treinos têm sede na Associação Cultural Artes Jah Nasce ( às terças e quintas das 19 às 21 hs) localizada na Rua de Aveiro, na Conchada; e no Centro Cultural Dom Dinis (a iniciar em Outubro e com horários a confirmar).

Mais informações: www.ceca-riovermelho.org.br.

 

Oficina de Capoeira Angola:

Informa-se que Sábado e Domingo (18 e 19 de Maio) haverá oficinas Oficinas de Capoeira Angola com o Mestre Faísca da ACJPP –  CECA RV em Coimbra (Portugal)

As oficinas serão das 13.30 às 18.30 na Associação Cultural “Artes Jah Nasce” no bairro da Conchada em Coimbra. O valor pelos dois dias será 50€.

Contato telefónico: 961140611.