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A Navalha na Capoeira

Naifa, Nafe, Sardinha, eram alguns dos nomes pelos quais era conhecida a Navalha, uma arma outrora muito utilizada pelos capoeiras. Pelo que se sabe, a navalha é uma herança dos portugueses, que a teriam introduzido entre os capoeiristas no Rio de Janeiro ainda no século XIX.

Os “fadistas” portugueses, sobretudo na cidade de Lisboa, que freqüentavam os bairros tradicionais da Alfama, Mouraria e Madragoa, no início do século passado, eram sujeitos sociais muito próximos aos “capoeiras” do Rio de Janeiro, pois além de freqüentarem os mesmos ambientes: portos, boemia, prostíbulos, botequins, eram também considerados sujeitos marginais que sofriam a dura perseguição da polícia, assim como os capoeiras por aqui. E nesses conflitos com a polícia, e também nas disputas entre os seus próprios pares, a navalha era uma arma que estava sempre à disposição, e não raro, eram responsáveis por graves ferimentos entre esses sujeitos e até morte em muitos casos.

O próprio “lenço de seda” utilizado no pescoço, parte indispensável da indumentária do capoeira (e também do sambista) clássico de outros tempos – aquele que usava chapéu “de banda”, terno branco, sapato bicolor e uma argola na orelha esquerda – tinha uma função muito específica: proteger o cidadão, do golpe certeiro da navalha. O “esguião”, como também era conhecido o lenço de seda, tinha a propriedade de impedir o corte da navalha por mais afiada que ela fosse, pois a seda do qual era feito, fazia com que a navalha deslizasse sobre sua superfície sem atingir o pescoço da vítima.

Manduca da Praia, Natividade e o legendário Madame Satã no Rio de Janeiro, assim como Caboclinho, Inocêncio Sete Mortes e Noca de Jacó na Bahia, ou como Nascimento Grande em Pernambuco, são nomes de alguns capoeiras que ficaram também conhecidos como exímios manejadores da navalha.

A navalha hoje em dia, já não faz mais parte do universo da capoeiragem, mas é sempre bom ficar de olho aberto, numa roda de capoeira, quando o jogo aperta e algum sujeito coloca as mãos no bolso de trás da calça ….afinal….nunca se sabe !!!

 

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.

Associação de Capoeira Lenço de Seda: Cultura e Cidadania em MG e no Mundo

Alguns dias atrás, tive a chance de conhecer o Mestre Reginaldo Véio, da Associação de Capoeira Lenço de Seda. Me impressionaram profundamente as palavras que ouvi – sobre o engajamento no ensino da cultura afro-brasileira para crianças; sobre a aproximação entre “universidade capoeira” e a universidade formal; sobre a resistência da capoeira angola frente à “coisificação” à qual o mundo globalizado tende a nos submeter.

O web-site da associação é, por si, um retrato da posição adotada: http://capoeiralencodeseda.org.br

Capoeira Angola voltada para o desenvolvimento de pessoas, de cidadãos.

Axé,
Teimosia

 

Lenço de Seda-CECAB é um centro cultural que há 30 anos atua em Educação e Cultura Afro-Brasileira com intervenções pedagógicas de formação de agentes culturais e educadores. Mantém uma agenda cultural voltada para processos de criação coletiva em inúmeros projetos de parceria, intervenção multidisciplinar e de formação e assessoria pedagógica.

Da criação coletiva a singularidade do tempo espiral que transforma a memória no agora, o futuro no agora.

Educação, Capoeira e Cultura. Tem um montão! E Tem pra todo mundo!

E o tanto que você quiser, e na hora em que você quiser.

O tempo é um e é agora! O Presente, seu!

 

A ONG

O Lenço de Seda – CECAB é oriundo de um projeto de Educação Popular financiado por uma ONG Holandesa, a CEBEMO, desenvolvido o ano de 1977 na região do Vale do Aço pelo CEDOC, ONG de Belo Horizonte MG com suporte da Diocese de Itabira MG e do Grupo ALFA de Timóteo.

Findo o projeto, o trabalho se multiplicou em diversas frentes, uma delas protagonizada pela parceria entre a Sociedade Cultural Pasárgada, hoje CECAB, e a Associação de Capoeira Lenço de Seda.

Com inspiração nas Pedagogias de Paulo Freire e com abordagens multidisciplinares mantém atividades culturais e de assessoria e formação de educadores e agentes culturais.

 

Atuação

Com uma agenda cultural anual significativa, há 30 anos desenvolvemos atividades de formação e capacitação de agentes culturais, educadores e gestores, especialmente em trabalhos de criação coletiva,  de relações humanas e de intervenções interdisciplinares, em parcerias com ONGs, escolas e universidades, ou em nossa atuação regional.

Mantemos atividades permanentes em práticas e vivências culturais e apoio e assessorias em mais de 80 projetos de parceria já realizados.

 

Missão

Nossa missão é buscar e propor soluções éticas e de qualidade na educação, na arte, na cultura e em processos de criação coletiva, com vistas à estruturação de um pais de cidadãos felizes identificados a suas tradições e arquétipos, capazes de contribuir com as outras nações na construção de um planeta, harmônico, pleno, saudável e justo.

 

O Mestre

Mestre Reginaldo Véio e Mestre Bola SeteMestre Reginaldo Véio, Mestre de Capoeira da Associação de Capoeira Lenço de Seda e presidente do Centro de Estudos da Cultura Afro-brasileira. Compõe o quadro de mestres da ABCA.

 

Endereço

Rua Vinte de Novembro, s/n, Timóteo.
Vale do Aço, Minas Gerais, Brasil.
CEP: 35180-020.

Fax / Telefone

31 3849 1039