Blog

Fevereiro 2008

Vendo Artigos de: Fevereiro , 2008

MS: Centro Cultural abre inscrições para aulas de capoeira

Já estão abertas as inscrições para o curso de capoeira estilo “capitães de areia” promovido pelo Centro Cultural José Octávio Guizzo através da FCMS (Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul). As aulas serão ministradas pelo professor mestre Serginho, do grupo de capoeira ‘Farol da Praia’. O estilo é direcionado a mulheres, homens e crianças a partir dos sete anos.
 
O grupo "Farol da Praia" foi criado em 2000, pelo próprio Mestre Serginho que iniciou sua prática na capoeira com o mestre Mato Grosso, em 1988 na academia Conceição da Praia em Campo Grande. Serginho formou-se professor em 1991 e em 2003 passou à mestre. O mestre de Capoeira participa de projetos e eventos da Fundac (Fundação Municipal de Cultura) e da FCMS através do FIC (Fundo de Incentivo a Cultura).

Os alunos serão divididos em três turmas com aulas nas terças, quartas e sextas-feiras sendo a primeira das 17h30 às 18h30 e a segunda das 19h às 20 horas. A terceira turma será as terças e quintas no período matutino das 9h as 10h30. A mensalidade tem o valor de R$ 35,00.

Mais informações podem ser obtidas no Centro Cultural José Octávio Guizzo, na Rua 26 de agosto, 453 ou pelo telefone (67) 3317-1792 de terça a sábado das 8h às 22 horas e aos domingo das 13h às 18h. (Com informações do Centro Cultural)
 
Fonte: Midiamax – Campo Grande – http://www.midiamax.com

A importância das cadeiras no desenvolvimento do golpe de vista e na segurança do jogo de capoeira

Dedicado a Guanais e Lemos, que me fizeram aprender o mecanismo de perda de consciência, desmaio, pela hipertensão intracraniana por compressão das veias jugulares no colar-de-força.[1]

Mestre Pastinha escreveu:

2.2.31 – …”eu não enventei[2]“…

… “eu não enventei;”…

…”eu vi e achei bom”…

… “e aprendi no circo[3] de cadeiras,”…

… “para aprender o jogo de dentro…”
(77a,11-b13)

… Nós todos vimos…

… achamos bom…

… aprendemos com os mais velhos!

… Pastinha acentua a importância…

… da proximidade entre os parceiros no jogo de capoeira…

… os antigos mestres usavam obstáculos…

…. círculo de cadeiras…

… mesas…

… ou de ambos…

… para desenvolver a agilidade…

… e “golpe de vista”

.. indispensáveis à pratica da capoeira…

… especialmente no jogo de dentro..

… que simula a luta com arma branca!

HerPast p.77

Pastinha sabiamente acentua importância da proximidade entre os parceiros no jogo de capoeira e afirma que os antigos MESTRES usavam obstáculos periféricos, circundantes, circunvizinhos…

círculos de cadeiras

mesas …

luzes apagadas…

como usávamos eu e Guamais[4] em nossos treinos secretos…

olhos vendados, além das luzes apagadas…

como fazíamos eu e Jose Sobrinho “Zezinho” em nossos treinos de Judô!

ou ambos meios…

Para desenvolver as percepções extra-sensoriais como em Ioga e Artes Marciais!

Esta referência de Vicente Ferreira Pastinha ao uso de seu Mestre das cadeiras para delimitar a área de movimento ou jogo e assim desenvolver a noção de localização espacial durante o preparo técnico do capoeirista é muito importante por que revela preocupação desde os tempos antigos com a localização espacial do capoeirista dentro do ambiente do jogo.

Desta maneira o capoeirista desenvolve um sexto – sentido e adquire noção e domínio do espaço restrito de jogo, perde o medo de se aproximar do parceiro-adversário, especialmente útil no jogo-de-dentro, e extremamente importante na criação de oportunidades de contra-ataque e ou bloqueio do uso de arma-branca, seja faca, punhal, estoque, facão, navalha, tesoura ou mesmo guarda-chuva, borduna, sombrinha, cadeira, banco, cacete, cassetete, quiçá garrafa de vidro ou panela.

Reflexo utilíssimo no corpo-a-corpo, na prevenção de impacto sobre os assistentes ou circundantes e origem da sensação de coragem, segurança, autodomínio, autoestima, calma e autoconfiança tão característica do capoeirista.

O treino individual cercado por 4, 6 ou 8 cadeiras simulando outros tantos adversários aperfeiçoa o sentido de localização espacial, avaliação de distância e golpe-vista, extremamente importantes no jogo, na luta, no trabalho, no transito e no cotidiano.

Nos anos quarenta (do século passado…), depois das aulas e treinos currículo, Bimba me entregava a chave para abrir a Academia no dia seguinte às 5 horas da manhã e o nosso grupo (Guanais, cabo Néri, Lemos) para um treino de briga (vale-tudo) em ambiente fechado com cacetes e armas-brancas[5].

Treino com luz apagada, cadeiras, mesas e bancos espalhados aleatoriamente pela sala, grupo de 3 amigos íntimos…

testados pelo Tempo…

verdadeiros…

confiáveis reciprocamente,

grupo excelente para aperfeiçoamento dos reflexos de esquiva e contra-ataque…

sem acidentes… nem incidentes

pelo dominância da esquiva sobre o ataque…

sem soltar golpes a esmo…

E a lembrança de Hector Caribé a recomendar…

A saída de salto mortal para trás..

Pela janela…

Quando acuado contra a parede…

Sem outra saída…

No andar térreo…

Naturalmente!

Lembrando também…

Os treinos de Judô como Zezinho Sobrinho para adivinhar o que outro iria fazer…

Sem a proteção do tatami

No chão de cimento do pátio da casa de

Olhos vendados…

Sem lâmpadas acesas…

E Um sempre percebia…

O que o Outro ia fazer

Era o SEXTO-SENTIDO!


 

[1] Quando eu acordava já estava deitado no chão e aprendi a sacudir o corpo e jogar o agarrador à distância… Quanta saudade, amigos!

[2] Inventei

[3] Circulo

[4] Filho de índios, meu colega de curso ginasial, órfão de pai. Deixou de estudar para trabalhar para educar os seus irmãos mais jovens. dentre os quais destaco o docente de medicina Dr. Sócrates Guanais um dos fundadores do Hospital Cardio-Pulmonar. Grande homem! Maior e Melhor Amigo! Grande Professor!

[5] Navalhas, punhais, estoques, facas e facões.

Bahia: Carnaval 2008 – Homenagem à capoeira toma uma rasteira

 

Homenagem à capoeira toma uma rasteira
(Especial Carnaval 2008 – Correio da Bahia)

Foram raras as manifestações que seguiram o tema ‘Capoeira e suas culturas aparentadas’, o que gerou reclamações de mestres, praticantes e especialistas

Desde a repressão no período colonial e a marginalização a partir do ano de 1890, quando foi considerada crime, a capoeira sempre se esquivou das dificuldades, graças à mandinga dos seus praticantes, como aconteceu este ano, quando foi eleita como tema do Carnaval. Mas escolhida para representar a folia momesca através de uma votação popular, a mistura de luta e dança não teve espaço e nem apoio dos poderes públicos durante a festa, criticaram mestres, alunos e especialistas. Para muitos adeptos, a arte criada pelos escravos brasileiros acabou sendo novamente excluída.

Com o tema Capoeira e suas culturas aparentadas, os governos municipal e estadual pretendiam homenagear a luta durante o período do Carnaval. Mas mestres, praticantes e especialistas reclamaram que a presença da capoeira na festa foi ínfima. A participação se restringiu apenas ao desfile do Bloco da Capoeira, o Mangangá, que recebeu patrocínio de cerca de R$50 mil dos poderes públicos, enquanto a decoração com o tema foi limitada apenas ao Pelourinho.

A falta de decoração com símbolos e ícones da capoeira nos outros circuitos do Carnaval, a pequena quantidade de apresentações durante a festa e o descaso com os mestres mais importantes, que não receberam qualquer tipo de homenagem, são as principais reclamações contra os poderes públicos. Segundo o cantor, compositor e também mestre de capoeira Tonho Matéria, único que recebeu apoio do governo e da prefeitura, a maioria dos mestres está revoltada com o tratamento dado à capoeira pela organização da folia.

Matéria disse que os capoeiristas esperavam homenagens aos mestres considerados mais relevantes, com fotos deles espalhados pelos circuitos, além de cartazes com informações sobre a história da capoeira e sua importância cultural. Mas quem foi à festa momesca, não viu sequer cartazes com desenhos de berimbau, nem no circuito Osmar (Campo Grande), nem no Dodô (Barra-Ondina), onde a decoração era responsabilidade da prefeitura. A exceção ficou por conta do Pelourinho, que foi ornamentado com fotos e temas da capoeira através do Pelourinho Cultural, ligado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult).
A Empresa de Turismo de Salvador (Emtursa) alegou falta de recursos e de tempo hábil para executar o projeto de decoração.

Reginaldo Santos, presidente do Conselho do Carnaval, admitiu que o órgão não teve capacidade de pagar R$1,5 milhão para decorar da cidade, no orçamento feito pela Associação de Artistas Plásticos da Bahia. Já o presidente da Emtursa, Misael Tavares, alegou que não houve tempo de realizar uma seleção pública para escolha de um projeto e nem possibilidade de fazer uma dotação orçamentária.

 

 

Descaso com os mestres

Capoeiristas classificaram como um descaso com a cultura baiana o tratamento dado pela prefeitura à capoeira. Vivaldo Conceição, batizado como mestre Boa Gente, considerou um desrespeito à cultura negra, a pequena participação e pouca divulgação do tema durante o Carnaval. “Só porque o prefeito é evangélico, ele é contra a negritude do povo dessa cidade, isso é muito triste”, desabafou. Ele reclamou também sobre a falta de homenagem para os mestres mais representativos como João Pequeno de Pastinha, Curió, Boca Rica, Decânio, Pelé da Bomba e outros.

“Nós não queríamos dinheiro, queríamos reconhecimento, além de palcos para a gente se apresentar, divulgando a capoeira”, explicou Boa Gente. Ele acrescentou que alguns grupos de bairro pediram transporte ou ajuda de custo para chegar até locais onde se apresentariam, mas não foram atendidos. Vivaldo contou que até o carro para levar o mestre João Pequeno para receber uma homenagem num hotel da cidade foi negado.

“João Pequeno abriu mão do cachê, mas quando pediu transporte para ele e mais dois acompanhantes, disseram que não tinham, isso é um absurdo, ele tem 90 anos e é um dos mestres vivos mais importantes para a capoeira”, comentou Boa Gente. Para ele, os cantores de bloco e a imprensa também são culpados. “Você não vê ninguém sequer falando sobre o tema do Carnaval, nem cantores, nem os jornalistas. Durval Lelys veio vestido de caubói, Xanddy de comandante, mas ninguém sequer usou as roupas tradicionais da capoeira, que é da nossa cultura”, reclamou.

Alguns blocos afros tiveram capoeiristas se apresentando, além do Bloco da Cidade, organizado pelo Secretaria Estadual de Cultura, que teve uma roda durante seu desfile. A mistura de jogo e dança também apareceu em manifestações populares espontâneas, como na Mudança do Garcia, na segunda-feira e nas ruas situadas à margem dos circuitos oficiais. Na opinião do praticante e estudante de sociologia Eduardo Castro, a capoeira acabou sendo novamente “guetificada”, mas como nasceu no gueto, se reencontrou com sua essência, conseguindo se “levantar da rasteira” e dar a volta por cima.

Funcionários celebram Jorge Amado

Homenageando o escritor baiano Jorge Amado, o Bloco da Cidade, organizado pela Secretaria Estadual de Turismo (Setur), desfilou do Campo Grande até a Praça Municipal, puxado pela cantora Margareth Menezes, no domingo à noite. Cerca de dois mil funcionários públicos e alguns seletos convidados da Setur saíram fantasiados de personagens da obra jorge-amadiana como Gabriela, Tieta, Vadinho, Dona Flor e outros. Teve até um carro alegórico representando o bordel Bataclam, com bailarinos do Teatro Castro Alves vestidos de coronéis do cacau e dançarinas de cancan, freqüentadores do prostíbulo ilheense na vida real, transformado em ficção pelo autor.

O Bloco da Cidade contou também com alas de pierrôs, baianas e uma roda de capoeira. Teve ainda uma participação especial do cantor e compositor Mateus Aleluia, ex-integrante do grupo vocal Os Ticoãs, que se notabilizou na década de 60, como o primeiro conjunto a tocar e gravar músicas de candomblé para o grande público.

Margareth Menezes já entrou no palco oficial, por volta das 21h, fazendo um dueto com o cantor Mateus Aleluia, interpretando a música Cordeiro de Nanã, do grupo Os Ticoãs. Em seguida, a cantora fez uma pausa para reverenciar o colega de profissão e ressaltar a importância de homenagear Jorge Amado e executou a canção A luz de Tieta, de autoria de Caetano Veloso e tema do filme de Cacá Diegues, baseado na obra do escritor.

A ala dos Pierrôs de Plataforma abriu o desfile com brincadeiras de rodas, seguidos por um grupo de cerca de 50 baianas, enfeitadas com seus torsos brancos de renda e girando as saias rodadas coloridas. A baiana Sandra Maria de Jesus, que disse ter sido convidada através da Associação das Baianas de Acarajé (ABA), para participar junto com outras colegas do subúrbio ferroviário, destacou a importância da presença das baianas no desfile de Carnaval como forma de preservação da nossa cultura. “Aqui têem baiana de acarajé, de receptivo e de axé” (candomblé), explicou.

Logo atrás uma roda de capoeira trazia ginga e o toque do berimbau para o desfile. Em seguida, veio uma ala de pessoas vestidas com camisetas que traziam a frase “Amigos de Jorge” estampada no peito, mas com poucos ou nenhum amigo do escritor presente, apenas figurantes portando sombrinhas de frevo.

Em cima do trio elétrico, o cantor baiano Edu Casanova e o forrozeiro Targino Gondim acompanhavam o desfile como convidados de Margareth. O secretário de turismo, Domingos Leonelli, e sua colega de partido, a deputada Lídice da Mata, também estavam presentes. Leonelli lamentou a ausência de parentes de Jorge Amado, mas justificou dizendo que a presença não foi possível em função do horário do desfile do bloco, porque familiares do escritor tiveram que embarcar, mais cedo, num vôo para o Rio de Janeiro.

A voz do folião

ALEX SANTOS, 28, CABELEIREIRO – “Eu acho sim. Passei três dias no circuito Barra-Ondina, dois no bloco e um na pipoca, e aquilo lá está muito cheio. É preciso encontrar um novo
espaço para comportar
esse número de pessoas”.
Alex Santos
28, cabeleireiro

Confetes

O PRAIEIROS em Casa, o camarote do Jammil, reuniu muita gente bonita. O espaço ambientado funcionou de sexta a domingo, embora na quinta-feira tenha aberto as portas para o baile infantil. Apenas uma coisa precisa mudar no camarote restrito para convidados, cujos R$100 da adesão são revertidos para o Projeto Axé: a alimentação. Os salgados e os picolés não saciavam a fome dos presentes, após farta bebida, e os sanduíches eram distribuídos em intervalos de uma hora e meia. Logo, a longa fila se formava e sobravam reclamações.

COMO MUITOS dos patrocinadores dos blocos não coincidem com os da organização do Carnaval, a briga para patrocinar os artistas e espaços mais expostos na mídia foi forte. Bancos, empresas de telefonia e companhias de bebidas lutaram forte para seduzir clientes de peso. Os provedores de internet e as montadoras de veículos também estiveram envolvidas em algumas disputas.

A GERÊNCIA de Táxi da Superintendência de Transporte Público (STP) criou uma tabela de preços para tentar diminuir as queixas sobre valores das corridas serem fixados arbitrariamente por alguns taxistas, sem levar em conta o taxímetro. Se a medida causou rejeição quando oficializada, era evidente a pequena chance de vingar no Carnaval. Pois os taxistas ignoraram solenemente a tabela e tudo funcionou como antes. Com o passageiro reclamando e o preço sendo resolvido cara a cara. A falta de fiscalização adequada dá nisto.

DESDE o domingo de Carnaval, a manutenção dos banheiros químicos deixou a desejar nos circuitos Dodô e Osmar. Além do mau cheiro, em alguns locais o aspecto de sujeira denunciava que, provavelmente, não estaria existindo a limpeza adequada. Teve muito folião que preferiu pagar R$1 e usar o sanitário dos bares próximos aos corredores da folia.

NO EMBALO do sucesso do filme Tropa de elite, o humorista Tom Cavalcanti lançou a paródia Bofes de Elite, quadro do programa que comanda na televisão. Pois, na madrugada de domingo, entre o Camarote de Daniela Mercury e o Praieiros em Casa, o camarote do Jammil, um grupo de jovens malhados trajava a roupa preta com detalhes em rosa do “esquadrão”. Os bofes fizeram sucesso absoluto e acabaram fuzilados por olhares. Muitas mulheres não resistem a alguns homens fardados, como tampouco alguns homossexuais.

 

Pernambuco: Maracatu rural se junta aos caboclinhos em Olinda

Olinda, PE – O encontro de maracatus rurais que marca a segunda-feira de carnaval no Espaço Ilumiara Zumbi, na Cidade Tabajara, em Olinda, Pernambuco, abriu espaço, hoje, para tribos de caboclinhos, o que deu ainda mais vigor e riqueza de cores, sons e coreografias ao evento. "Nosso compromisso é o de agregar toda a cultura popular", explicou o organizador do encontro e detentor do título de "Patrimônio Vivo de Pernambuco", Manuel Salustiano dos Santos, o Mestre Salu, 62 anos, organizador do encontro que se repete há 18 anos.

Com seus cocares de penas de avestruz e de pavão e adereços nos braços e tornozelos, os integrantes dos caboclinhos encantaram com suas evoluções ao som de orquestras compostas de mineiro, gaita, tarol e surdo.

As apresentações arrancaram aplausos entusiasmados do público. O "Índio Canindé Brasileiro", do município de Itaquitinga, mostrou graça e exuberância e também deixou feliz o seu presidente, José Fernandes Martins da Silva, 30 anos. Ele mantém a agremiação fundada pelo pai em 1992. "A gente dá a vida pelo brinquedo", afirmou.

A força do maracatu rural imperou. Somente o "Leão Vencedor", de Carpina, fundado em 1991 pelo mestre João Limoeiro, reuniu mais de 200 integrantes, dos quais 120 caboclos de lança – figura mais famosa do maracatu de baque solto, com suas golas de lantejoulas e cabeleiras de papel celofane que carregam chocalhos sob o surrão que produzem um som característico na medida em que eles se movimentam.

Novos maracatus

Estavam lá tanto maracatus tradicionais, surgidos no início do século 20 – Cambinda de Nazaré, de 1918 foi um deles – como agremiações recém-criadas, a exemplo do Gavião da Mata, de Glória de Goitá, fundado há dois anos. "O maracatu está vivo e também outras brincadeiras e expressões da cultura, tem muita gente jovem infiltrada, levando à frente, garantindo a continuidade", observou Mestre Salu.

A maioria dos maracatus que se apresentou na Cidade Tabajara fez um circuito pela região metropolitana e zona da mata – na cidade de Nazaré da Mata também se realizou encontro semelhante.

No centro do Recife, no Pátio do Terço, maracatus de baque virado – também chamado de maracatu nação, que revive a coroação de reis negros e tem orquestra unicamente de percussão e som mais melodioso e harmônico – iriam repetir, à meia-noite, o ritual da Noite dos Tambores Silenciosos. A cerimônia homenageia escravos e ancestrais.

Até o final da noite, desfilariam pelo local 30 caboclinhos e 104 maracatus rurais, vindos da região metropolitana e zona da mata – área canavieira.

Bahia: Ginga Mundo & Língua da Capoeira

Mestre Suassuna, em seu último CD, oportunamente canta uma música que vem contextualizar esta matéria, e contrapor um de seus mais antigos sucessos: "Capoeira pra estrengeiro… é mato…"

Língua da capoeira: Mesmo sem saber uma palavra de português, estrangeiros cantam ladainhas e participam do Ginga Mundo

O idioma pouco importa. Seja inglês, francês, italiano, alemão ou até japonês, o essencial é saber as regras da capoeira e se portar de forma adequada durante as rodas. Os movimentos substituem a comunicação oral. As ladainhas, a maioria tira de letra, mesmo sem saber português ou o significado das palavras.

Os ensinamentos são dos mestres, que deixaram o Brasil para ganhar o mundo com a disseminação da cultura afro-brasileira. Essa vasta experiência foi tema de palestra no segundo dia de programação do IV Encontro Internacional de Capoeira – Ginga Mundo.

A sala do Projeto Mandinga, na manhã de ontem, tornou-se compacta diante da quantidade de interessados que adentravam no ambiente. As cadeiras não foram suficientes. Quem não agüentou ficar em pé, escolheu o chão como amparo. Na mesa central, diversos mestres de capoeira compartilhavam suas experiências mundanas. O debate tinha como enfoque os meios de preservação da capoeira no mundo contemporâneo. A dificuldade da maioria deles é fazer os estrangeiros compreenderem a luta como algo além dos movimentos corporais sob o som do berimbau.

Exportação – Mestre Preguiça, Vandenkolk Oliveira, tem 61 anos e há 25 ensina capoeira angola em uma universidade na cidade de São Francisco, Califórnia. Discípulo do saudoso mestre Pastinha, ele conta que a aceitação da cultura brasileira no país americano é grande, mas difícil mesmo foi o preconceito racial. “Tive dificuldade em me apresentar enquanto professor, porque eu não sou negro”, relembra.

O mineiro mestre Miltinho, Evanildo Alves, 37 anos, não sofreu discriminação. Há 29 ensina capoeira regional. Na década de 90, ele deixou o Brasil para desenvolver trabalhos na Bélgica, Alemanha e Polônia. A primeira dificuldade foi falar o idioma. Atualmente, ele tenta preservar a cultura através da conscientização. “O desafio é aplicar e ensinar a capoeira como é praticada no Brasil. Mantendo a tradição sem sofrer influência da cultura do exterior”, explica.

A disseminação da capoeira teve início na década de 60, com os grupos folclóricos. O pioneiro foi o de Emília Biancard, levado principalmente para a Europa. Nesse período, segundo mestre Cobrinha, o Cinézio Peçanha, 48, as pessoas não conheciam a capoeira. Atualmente, essa realidade mudou. “Hollywood desenvolveu películas sobre a capoeira e levou ao conhecimento geral”, informa. Com isso, o apoio à luta tornou-se mais intenso em países estrangeiros, em alguns até mais que no próprio Brasil.

Ainda assim, mestre Cobrinha admite a dificuldade em fazer o público estrangeiro entender a essência da capoeira. “Eles querem definir a capoeira dentro dos padrões culturais de seus países e não como uma cultura afro-brasileira”, lamenta. Os itens mais trabalhosos de ensinar são as gírias e o próprio modo de ser malandro, a malícia que precisa ser expressa com o corpo. “Quando esses alunos vão ao Brasil conseguem compreender. É como se desse um estalo”, garante.


Memória corporal

O IV Encontro Internacional de Capoeira – Ginga Mundo, reúne capoeiristas de todo o mundo. Mas não precisa falar português para entrar numa roda. A memória corporal e a linguagem própria da capoeira dispensam a oralidade. “Todos os mestres ensinam quase da mesma forma e, por isso, quando um estrangeiro chega na roda já sabe como realizar os movimentos”, explica mestre Cobrinha.

O berimbau dá início à luta. O mestre ou professor, que conduz a roda, aponta o instrumento para os dois primeiros lutadores. Começa então a capoeira. As ladainhas ficam gravadas na memória. Apesar de muitos não saberem sequer o português, ou até mesmo o significado da canção, os capoeiristas estrangeiros sabem cantá-las muito bem.

É importante também conhecer a tendência das músicas. Segundo mestre Cobrinha, algumas ladainhas podem ser provocativas, desafiadoras ou até de brincadeira, e em alguns casos podem ofender o próximo ou provocar conflitos. “O contexto do momento é que vai dizer a melhor ladainha. Normalmente quem está com o berimbau é quem inicia a canção ou o mestre mais antigo”, esclarece.

Fonte: Correio da Bahia – http://www.correiodabahia.com.br

Recife: Daruê Malungo mistura capoeira e maracatu para mudar vida de jovens

Cerca de 120 jovens residentes na comunidade de Campina do Barreto, na Zona Norte do Recife, têm no Carnaval a chance de mostrar o que aprendem durante todo ano na ONG Daruê Malungo: a mistura de capoeira com o maracatu. Eles também são personagens do Vida Real desta quinta (31), que mostra quem faz a folia no Recife.

As duas atividades, maracatu e capoeira, se juntam para ensinar aos jovens importantes lições, como aprender a lidar com a vida. “A capoeira ajuda a ter jogo de cintura, algo fundamental para que vençamos na vida”, contou o coordenador do projeto, mestre Meia-Noite.

Para aprender a dançar capoeira ao som do maracatu, é preciso treinamento e companheirismo: “Aqui um ajuda o outro. Dessa forma, aprendemos mais rápido a unir os ritmos e a fazer amizades”, disse Jaqueline de Luna Almeida, uma das alunas do projeto.

O Daruê Malungo se apresenta nesta sexta-feira (01), na abertura oficial do Carnaval do Recife. Mais uma noite para que a harmonia da capoeira e a energia do maracatu contagiem os foliões, trazendo paz para a folia da cidade.

Fonte: http://pe360graus.com/ – Recife – BR