Dia bonito, espelhando desde cedo as boas vibrações que teríamos. Logo de manhã algumas Irmãs já foram se reunir pra preparar a Ceia que íamos oferecer aos nossos queridos visitantes: pois quando fazemos um convite aberto para que as pessoas cheguem à nossa casa é porque queremos que todos sejam bem-vindos e tragam a energia positiva que tem em si.
E foi através do preparo do alimento que começamos a reunir mãos calorosas - e que estão diariamente por perto se apoiando - para o fazer que iria mais tarde devolver toda a energia que usamos nas tarefas de organizar uma Festa em Homenagem à mulher, ao ser Feminino.
Aí conforme o caldo do feijão ia engrossando, as crianças brincando no pé da mesa, foram vindo as idéias de como enfeitar o nosso espaço. Tínhamos dito que seria colorido, pois se toda mulher é uma flor, nada como colorir o lugar com todas as cores.
Então foram se juntando mais mãos e o resultado ficou uma beleza. O primeiro comentário foi da pequena Ellen: “nossa tá tudo colorindo”. Ficou color-lindo...
Aos poucos foram chegando os Irmãos e as Irmãs Guerreiras que estavam na batalha do dia-a-dia e fomos formando nossa roda.
Com o Gunga, o Médio e a Viola nas nossas mãos, a bateria era só sorrisos: estávamos realizando mais um Encontro de Angoleiras, para homenagear a nós mesmas e pra dedicar aquela noite às nossas mães que nos criaram para a vida. Um momento especial nesse mês de março, onde decidimos firmar ainda mais nossos objetivos: tanto para os que estão entre nós como aos que vem nos visitar, estávamos mostrando ali que já temos um espaço conquistado porque isso se faz todos os dias, com a nossa participação e apoio e que nele podemos planejar ações que envolvam a todos, porque queremos agregar e construir junto.
E foi bom demais, porque, seguindo todo o fluxo de energia do dia, apareceram pessoas muito positivas: mestre Jaime de Mar Grande, que sempre nos estimula e reconhece o valor de estarmos agindo; mestre Meinha, sorrindo e afetuoso com a Contra-mestra Ciça; Professor Lambari; Contra-mestre Zelão e Ratão trazendo as graças do mestre Cavaco; Mestra Janja, com seus discípulos e discípulas que ainda não haviam estado em nossa Senzalinha, mas chegaram em boa hora; e, acima de tudo, a presença que marcou a todos naquela noite: mestre Leopoldina, ou simplesmente Leopoldina, como ressaltou ali para nós que somos amigos.
Esse senhor de 73 anos chegou ao pé da roda, tocou o berimbau e deu umas pernadas pra lá de mandingueiras, como há muito disse não fazia. Não dava pra conter a emoção ao ver aquela pessoa fantástica, de tão singela presença, com suas sábias e doces palavras saindo da boca sorridente ao falar.
A roda foi caminhando nas voltas do mundo, nós ali revivendo os encontros que a vida nos permite ter - a hora passa tão rápido nesses momentos, dá até vontade de pedir pra alguém parar o relógio pra gente poder se deliciar.
Do outro lado do oceano Atlântico, lá na nossa casa de Bremen, as camaradinhas do Cazuá já haviam espalhado as suas vibrações no ar pelo momento que decidimos viver e isso só veio a deixar tudo ainda mais harmonizado, mais especial.
Nas frases que foram sendo ditas, nos cantos lançados para a gente gingar, as certezas de que estamos caminhando numa trilha em que podemos pisar firme, porque é uma terra que nos assegura e nos permite olhar pra frente para ver e viver a longa estrada de prosperidade que queremos traçar: à toda a causa que nos dedicarmos, o importante pra nós é podermos construir em harmonia o nosso espaço, com a ajuda, apoio e compreensão dos que nos cercam. E entendemos por nós e por aqueles que nos cercam como seres humanos, seres de gêneros que se complementam e juntos podem se interessar por uma vida melhor.
Vamos sempre tocar nesse assunto, essa é a forma como queremos ver o mundo em paz: através da troca, da integração, da cooperação.
Agradecemos novamente a todos os que participaram desse lindo dia conosco e àqueles que no dia seguinte foram dançar, cantar, bater palmas e tambores em nosso Samba de Roda (principalmente mestre Pernalonga, Contra-Mestre Siri e Djavan).
Estamos abertas às oportunidades de gerarmos juntas outros Encontros como este que fizemos e dessa forma integrar ainda mais as diversas linhas que fazem a capoeira ser um caminho de valorização da cultura popular de nosso povo.
texto: Stella Mendes -“Manchinha”( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )
colaboração: Paulinha “Moleza” ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )
Março 2006
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