Uma janela de exibição para as culturas de matriz africana
11 Mar 2015

Uma janela de exibição para as culturas de matriz africana

Mostra CineAfroBH explora religiosidade afrobrasileira hoje em quilombo urbano no Santa Efigênia Atuante na área audiovisual em Belo Horizonte já há algum

11 Mar 2015

Mostra CineAfroBH explora religiosidade afrobrasileira hoje em quilombo urbano no Santa Efigênia

Atuante na área audiovisual em Belo Horizonte já há algum tempo, Carem Abreu dirigiu em 2012 o documentário “Paz no Mundo Camará: a Capoeira Angola e a Volta que o Mundo Dá”, sobre a tradição e a prática da capoeira Angola no Brasil. O média-metragem teve lançamento em alguns locais, mas a diretora encontrou bastante dificuldade em colocá-lo em mostras e festivais.

 

 

“E conversando com colegas do meio artístico afrodescendente e do audiovisual em BH, sempre comentamos dessa dificuldade de janelas de exibição. Então, tive a ideia de criar uma voltada especificamente para realizadores afrobrasileiros belo-horizontinos, já que as próprias mostras da cidade não dedicam um espaço exclusivo para nós”, argumenta Abreu. O resultado é a mostra CineAfroBH, que realiza sua sétima sessão hoje, a partir das 19h, no bairro Santa Efigênia.

Além de “Paz no Mundo Camará”, o festival traz sempre obras de outros diretores afrodescendentes da capital relacionados às comunidades onde ocorrem as exibições. Na sessão desta noite, os curtas “Os Mestres”, realizado pela Associação Imagem Comunitária, e “O Boi Foi Beber Água Até Chegar no São Francisco”, de Gercino Alves, Carolina Canguçú e Bernard Monteiro, completam a sessão.

Cada edição conta ainda com uma homenagem. “O ‘Paz no Mundo Camará’ foi gravado em cinco Estados. Aqui em BH, entrevistamos grandes mestres da cultura afrobrasileira, e estamos exibindo o filme nas casas de tradição onde eles foram entrevistados”, explica a diretora.

A homenageada desta noite é Dona Efigênia, cujo terreiro se transformou no primeiro quilombo urbano de Belo Horizonte reconhecido pelo Instituto Palmares e pelo Iepha , o Manzo Ngunzo Kaiango. O CineAfroBH vai acontecer na rua São Tiago, em frente ao quilombo. “A ideia é desvincular a ideia negativa vinculada ao candomblé pelo senso comum. Queremos demonstrar que se trata de uma expressão cultural muito importante para a formação da identidade brasileira”, propõe Abreu.

Não por acaso, religiosidade é o tema desta edição da mostra. No próximo sábado, o CineAfroBH acontece no Espaço Tambor Mineiro, com o tema Samba e a homenagem a Maurício Tizumba. E no dia 21, é a vez da Fundação Internacional de Capoeira Angola (Fica), com a homenagem ao mestre Jurandir e o tema Capoeira Angola.

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