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Nietzsche e a tradição

Trombei há pouco com esse artigo: http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/dc_7_10.htm

A abrangência do texto começa pelas “festas de boi”, mas eu creio que podemos expandí-la para qualquer folguedo popular, capoeira incluída. E justamente caminhando nessa linha de pensamento, de festas populares sendo alteradas com o decorrer do tempo, de personagens transitando entre festas, me lembrei de uma conversa que tive com um amigo faz um tempo: o que é a tradição, e como ela nos serve ?

Na época, acabamos indo esbarrar em  Nietzsche (“Alvorada”):

Conceito de moralidade dos costumes.

Em comparação com o modo de vida de todos os milênios de humanidade, nós, humanos conteporâneos, vivemos uma era imoral: o poder do costume está fantasticamente enfraquecido, e o senso de moral, tão rarefeito que poderia ser descrito mais ou menos como evaporado. Isso é o motivo de perguntas fundamentais sobre a origem da moralidade serem tão difíceis para nós, recém-chegados – e mesmo quando as formulamos, descobrimos ser impossível enunciá-las – porquê elas soam estranhas ou porquê elas parecem depreciar a própria moralidade !

Isso é, por exemplo, o caso da proposição mestra: a moralidade não é nada além da obediência aos costumes, de quaisquer tipos que eles possam ser; os costumes, entretanto, são o modo tradicional de nos comportarmos e avaliarmos. Nas coisas nas quais nenhuma tradição comanda, não há moralidade; e quão menos a vida é determinada pela tradição, menor o círculo da moralidade. O ser humano livre é imoral porquê em todas as coisas ele está determinado a confiar apenas em si mesmo, e não em uma tradição: em todas as condições da humanidade, “mal” significa o mesmo que “individual”, “livre”, “caprichoso”, “não-usual”, “inédito”, “incalculável”.

Julgada pelos padrões dessas condições, uma ação realizada não porquê a tradição comanda, mas por outros motivos (por exemplo, porquê é útil ao indivíduo), ainda que sejam exatamente os motivos pelos quais a tradição foi um dia criada, é chamada imoral e sentida como imoral por aquele que a realizou: porquê não foi realizada com obediência à tradição.

O que é a tradição ? Uma autoridade maior à qual se obedece, não porquê ela comanda o que é útil para nós, mas simplesmente porquê ela comanda. O que distingue então o sentimento de existência da tradição, do sentimento de medo em si ? É o medo da presença de um intelecto superior que comanda, de um poder incompreensível e indefinido, de algo mais que pessoal – há superstição nesse medo. Originalmente, toda a educação e cuidado com a saúde, casamento, cura de doenças, agricultura, guerra, discurso e silêncio, negociação com outros povos e com deuses, pertencia ao domínio da moralidade: tais atividades demandavam que se observasse prescrições sem que se pensasse como um indivíduo.

Originalmente, entretanto, tudo era costume, e quem quer que desejasse se elevar acima disso devia tornar-se um ditador de leis e curandeiro e algum tipo de semi-deus: isso quer dizer, ele tinha que criar costumes – algo assustador, mortalmente perigoso !

O fato é que a conversa nunca terminou, mas as pulgas continuam me mordendo a orelha. “Tudo o que é demais, é muito”, “toda unanimidade é burra”, diz o povo… Em excesso, até carinho da mamãe e canja de galinha fazem mal. E o excesso de zelo com a tradição, como fica ? Não corremos o risco de engessar a história que nós próprios construímos diariamente ?

Outro dia postei um vídeo no YouTube, e achei um comentário interessante:

{youtube}h_CKEwfx_04{/youtube}

“Nunca vi um angoleiro que prestasse colocar joelho no chão, dar aú na frente da cabeça do camarada, ou botar a cabeça no pé do camarada… é por isso que esses dois estão na praça da Republica, sem uniforme, e sem nexo…”

De onde vem a tradição de “não por o joelho no chão” ? Será provinda daquela necessidade antiga de “não sujar a roupa” ? O conceito ainda se aplica em tempos modernos ? Eu não coloco o joelho no chão porquê aprendi assim – mas qual o motivo real, o rationale por trás ? E quanto à falta de uniforme ? Quanto tempo um costume precisa existir para virar tradição ? Uniformes na capoeira existem há uns 70-80 anos… A roda na praça da República acontece há uns 40 anos (até onde sei) – já deu tempo de ter criado as suas próprias tradições ? Existem tradições universais, dentro da capoeira ?

 

* Teimosia – http://campodemandinga.blogspot.com

4º ENCONTRO ADÃO, ADÃO, CADÊ SALOMÉ, ADÃO?

Relações de Gênero, Identidade Negra e Saúde na Capoeira Angola

 

De 15 a 21 de Março de 2010 – PORTO ALEGRE – RS – BRASIL

 

Evento que ao longo dos seus quatro anos vem visibilizando e refletindo sobre as relações de gênero na Capoeira Angola.
Cada edição traz um tema para levantar a poeira dos bate papos e das vivências no universo da Capoeira Angola: Relações de gênero, Identidade Negra e Saúde serão os assuntos abordados este ano, durante os sete dias do encontro, que contará com as presenças de: Mestra Janja (BA) e da Contra-mestra Dana (RJ).

Programação do Evento:

 

 

Segunda 15

ABERTURA DO EVENTO – Palestra e Roda de Capoeira angola com a Mestra Janja

19h-  Roda de Capoeira Angola

Coordenação: Mestra Janja (Instituto Nzinga de Capoeira Angola/BA)

20h –  Roda de Conversa “Relações de Gênero, Identidade Negra e Saúde na Capoeira Angola”

Palestrante: Mestra Janja

Debatedoras:

Prof. Dr Sandra Vial (Diretora da Escola de Saúde Publica / RS)

Psicóloga Sanitarista Eliana Xavier (Maria Mulher / RS)

Elaine Oliveira Soares(Coord. Da política de Saúde da População Negra SMS-POA/RS)

Reginete Bispo(Comissão Cidadania e Direitos humanos da Assembléia Legislativa/RS)

Local: Memorial do Roi Grande do Sul

Praça da Alfandega, s/nº – centro – Porto Alegre – RS

 

 

Terça 16

18h Aula de Capoeira Angola

Coordenação: Professora Giane (Grupo de Capoeira Angola Nascente Palmares / RS)

 

19h Oficina de dança dos Orixás

Coordenação: Babalorixá Diba de Iyemonjá ( Ilê Axé Iyemonjá Omi Olodô )

Convidada: Temilayo de Oxalá ( Ilê Axé Iyemonjá Omi Olodô )

 

20h Roda de Conversa “Tradições de Matriz Africana e Saúde”

Convidados/as:

Doutoranda Miriam Alves / Oloriobá ( PUCRS)

Babalorixá Diba de Iyemonjá (Ilê Axé Iyemonjá Omi Olodô )

Local: Africanamete Escola de Capoeira Angola

 

Quarta 17

18h Aula de Capoeira Angola

Coordenação: Mariposa ( Aluna do Prof. Teu – Angoleiro Sim Sinhô / SC )

19h Roda de Capoeira Angola “Vem vadiar com as Salomés”

20h Roda de Conversa “Mulher na Capoeira Angola, Diversidade de Gênero e Identidade Étnico-Cultural”

Convidadas:

Doutoranda Heloísa Gravina ( URFGS )

Prof.Dr. Paula S. Machado (URFGS )

Claudete Costa ( Liga Brasileira de Lésbicas )

Local: Africanamente Escola de Capoeira Angola

Quinta 18

18h Vivência de Capoeira Angola

Coordenação: Alessandra Carvalho ( Africanamente / RS )

19h Oficina de Ritmos e Produção Textual – “O poder da musicalidade da Capoeira Angola”

Coordenação: Viviane Malheiro e Karine Menez

20:30h Intervenção artística “Boneca Viva Africana”

Coordenação: Maripoza (Aluna do Prof. Téu – Angoleiro Sim Sinhô/SC)

Sexta 19

19h Roda de Capoeira Angola “O Corpo Fala”

Coordenação: Contra-Mestra Dana (Associação de Capoeira Angola Mestre Marrom e alunos / RJ)

21h Samba de Roda

 

OFICINA DE DE CAPOEIRA ANGOLA COM CONTRA-MESTRA DANA (RJ)

Investimento: R$ 40,00 e vagas limitadas

Sábado 20

10h Oficina de Capoeira Angola “A movimentação de luta e arte com a manha feminina”

Coordenação: CM Dana

14h Oficina de Capoeira Angola

Coordenação: CM Dana

16h Roda de Capoeira Angola

Coordenação: CM Dana

Domingo 21

9h Oficina de Ritmo “A musicalidade na Capoeira Angola”

Coordenação: CM Dana

10:30h Roda de Conversa “Capoeira Angola: Ancestralidade e Afrodescendência”

Coordenação: CM Dana

14h Roda de Rua

Local: Bric da Redenção

Importante:
A nossa escola oferece hospedagem gratuitamente, para até 10 pessoas inscritas no evento, basta trazer seus utensilios de cama e banho.

Inscrições e maiores informações:
africanamente.poa@hotmail.com
Fones: (51) 9965-9335 ou 8100-3564
www.africanamenteescoladecapoeiraangola.blogspot.com

Saiba mais sobre nossas convidadas:

Mestra Janja
Co-fundadora e coordenadora do Instituto N’Zinga de Capoeira Angola, aravés da qual desenvolve importante trabalho de resgate e preservação das tradições educativas de matriz banto no Brasil. É doutora em Educação pela USP. Tem forte atuação nas interfaces entre raça, gênero e educação, tanto no âmbito acadêmico quanto no universo da Capoeira Angola.

Contra-Mestra Dana
Começou a trabalhar com capoeira, ensinando crianças em 1999. Em 2006 viajou com Mesre Marrom para a Europa ministrando workshops na Inglaterra, Alemanha, França e Escócia. Anualmente visita Israel dando cursos de capoeira angola pelo País. Em novembro de 1999, foi surpreendida com a formatura de Contra-Mestra, título recebido pelas mão de Mestre Brandão, com a presença de Mestre Boca Rica.

PARA ASSISTIR AOS VÍDEOS DAS OUTRAS EDIÇÕES E TAMBÉM OBTER MAIORES INFORMAÇÕES SOBRE O EVENTO, BASTA ACESSAR:
www.africanamenteescoladecapoeiraangola.blogspot.com

Mais Cultura em comunidades indígenas

MinC implantará 150 Pontos de Cultura em comunidades indígenas até 2010. Rodas de conversa iniciam dia 3 de junho

Na próxima quarta-feira, 3 de maio, o Programa Mais Cultura, do Ministério da Cultura, inicia uma série de rodas de conversa para promover a inclusão digital de comunidades indígenas de todo o Brasil. As rodas fugirão do modelo tradicional de capacitação e buscam envolver as comunidades indígenas com as novas tecnologias da informação (TICs) e com a produção de conteúdos audiovisuais a partir de seus próprios referenciais. A ação será desenvolvida em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai) e com a Associação Cultura e Meio Ambiente (ACMA) – Rede Povos da Floresta, responsável pela implantação do projeto e pela formação dos indígenas.

De 3 a 5 de junho, a roda de conversa acontece no Ponto de Cultura Indígena de Rio Branco, no Acre. De 10 a 12 de junho, a roda será realizada no Centro Yorenka Ãtame, localizado no município de Marechal Thaumaturgo, também no território acreano. De 20 a 22 de junho, o encontro será na sede da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), no município de São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas.

As rodas integram o processo de implantação dos primeiros 30 Pontos de Cultura em comunidades indígenas de cinco estados: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Roraima. A meta do Programa Mais Cultura é implantar até 2010, em todo o país, 150 Pontos de Cultura Indígenas, por meio de um acordo de cooperação firmado com a Funai e de convênios com entidades indígenas e indigenistas. O investimento inicial é de R$ 6,4 milhões. Outros 60 Pontos de Cultura Indígenas serão implantados até o final de 2009, e os 60 restantes até 2010.

Cada Ponto de Cultura receberá um kit multimídia. O objetivo é que as comunidades indígenas utilizem as novas tecnologias como ferramentas para a preservação e fortalecimento de sua identidade cultural. De acordo com o secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Américo Córdula, “o uso de equipamentos multimídia nas comunidades indígenas, ao contrário do que se imagina, têm reforçado a tradição oral e a busca dos mais jovens pelos fundamentos de suas culturas tradicionais, que passam a ser objeto de uma enorme produção de conteúdos audiovisuais e motivo para a intensificação das trocas com outras comunidades indígenas e com os não-índios, que fomentaremos ainda mais através da articulação com a Rede Povos da Floresta, a rede de Pontos de Cultura e a rede criada a partir do Prêmio Culturas Indígenas, dentre outras”.

Composição do Kit Multimídia

Computador desktop com acesso à Internet banda larga, leitor e gravador de DVD, monitor 17 polegadas, teclado, mouse, par de caixas de som e placa de vídeo para edição; servidor, placa de rede, cabos, conectores, no break, web cam, fone de ouvido com microfone, placa de captura de vídeo, material para montagem de rede e estabilizador; filmadora digital, câmera fotográfica digital, microfone supercardioide, bateria para filmadora, fone de ouvido e fita minidv; kits de painel fotovoltaico, bateria, controlador de carga, módulo solar e inversor de voltagem de 12vcc para 110 V.

Mais informações no site http://mais.cultura.gov.br

 (Comunicação Social/MinC)

Capoeiranato e a Ponte Leblon & Jarinu

Não basta você escolher a Capoeira, é importante que também a Capoeira escolha você! O sr. Wandenkolk Manuel de Oliveira é mais radical pois defende que “você não escolhe a Capoeira, A Capoeira é que escolhe você”.
 
A julgar pela própria trajetória de vida do senhor Oliveira, ninguém poderá dizer qual das duas frases é a mais acertada.
 
E nem teremos aí um impasse relevante, como extremamente relevante tem sido, relevem a repetição, a vida do senhor Oliveira, que poucos conhecem; o que já não acontece se o apresentamos com o seu nome de batismo no Mundo da Capoeira: mestre Preguiça. Um dos pioneiros do Grupo Senzala, do Rio de Janeiro, peça fundamental para divulgação do estilo “Regional”, atualmente trabalhando em parceria com o angoleiro Mestre Mola.
 
Depois de reveillon muito especial, quando fomos surpreendidos por rápida, mas fraterna visita do Cel. Elton Neves (Queixada) e a sua simpática esposa Dora, dias depois, tivemos o prazer de receber para longa e proveitosa conversa, o senhor mestre Preguiça.
 
Vejam a coincidência, Elton Queixada foi aluno de Preguiça.
Esperava um Preguiça envelhecido, afinal, não o via desde 2001, quando estive em São Francisco, Califórnia, e o vi quase ofendido por eu não aceitar seu generoso oferecimento para ficar hospedado em uma de suas casas (era muito longe da “muvuca” e minha família, com toda razão, exigiu hospedagem em ponto mais central).
 
Preguiça, realmente, pouco envelheceu, em grande parte pela dieta quase religiosa que segue. Mas amadureceu, e muito, apresentando planos que merecem todo tipo de admiração e apoio.
 
Mestre Preguiça, um capoeira nato, simplesmente pensa construir e administrar em Natal, no Rio Grande do Norte, uma casa muito especial para crianças de rua. A educação, em grande parte, será através dos ensinamentos da capoeira-gem – fundamentos, música e prática. Teremos, pois, um orfanato muito especial, idealizado e administrado por um capoeira nato, um verdadeiro capoeiranato (minha sugestão para batizar a nova casa-missão de Preguiça).
Para tanto, com toda razão, Mestre Preguiça vai procurar resgatar a verdadeira História da Capoeira, até agora, como todos sabem, muito mal contada, com muita fantasia, marketing desmedido, malversação de verbas públicas, fundamentos embranquecidos e aburguesados, falastrões e falsos valentões, ritmo e canto desembestados, vacilações éticas, regionalismos, corporativismos…
 
Não por acaso, esse quadro volta a ser o mote principal da nova Apresentação para a terceira edição do meu cordel, que sai agora em janeiro de 2007. Não por acaso, também, esse mote foi o pano de fundo permanente do Jornal da Capoeira, durante muito tempo editado pelo doutorando Milton César Ribeiro. Mais conhecido como Miltinho Astronauta, atualmente exclusivamente dedicado ao seu doutorado, mas, certamente para relaxar, desenvolvendo seu lado de pintor. Como prova recente foto que recebi, lembrando alguma coisa do Impressionismo, especialmente, salvo engano, Paul Cezánne. Confira você mesmo, leitor.
 
Mas, voltando ao mestre Preguiça, quem pagará essa conta, quem patrocinará o interessante projeto sócio-capoeirístico do sr. Wandenkolk que, além de capoeira, é professor de educação física, formado em Direito? Muito simples.
 
O caramanchão em Natal será um misto de orfanato e retiro do guerreiro solitário Preguiça, que, entretanto, não abrirá mãos de continuar percorrendo o mundo, supervisionando as dezenas de grupos que andou criando ao longo de sua vida de professor de educação física, advogado e mestre de capoeira. Começando certamente por San Francisco da Califórnia, Preguiça continuará pelos cinco continentes, visitando periodicamente seus alunos graduados que estão ensinando a fascinante Arte Afro-Brasileira da Capoeiragem pelo mundo afora.
 
Com toda razão Preguiça emocionou-se quando passei para ele alguns registros do passado (em DVD), especialmente a filmagem que mestre João Grande teve a gentileza de fazer documentando uma de minhas visitas a sua famosa academia em Manhattam, Nova Iorque. É que nesse filme jogo um pouco com João e, para compensar meu “jogo de turista”, tratei de inserir pequeno trecho de velhíssima filmagem feita de uma roda de Capoeira em plena rua do Rio de Janeiro. Nessa inserção é possível apreciar uma “vorta do mundo” de Preguiça, simplesmente, com André Lace. Uma raridade, portanto, que Preguiça levou, de presente, para seu apartamento também aqui no Leblon.
 
Durante a conversa, embora não esteja muito enfronhado, tratei de passar para mestre Preguiça algumas idéias e algumas sugestões para pleitear apoio financeiro dos governos brasileiros (municipais, estaduais e, sobretudo, federal). Apoio que alguns “mestres” de capoeira sabem explorar muito bem.
 
Entendo, por exemplo, que Preguiça poderia e deveria pleitear apoio para o lançamento de uma versão brasileira do livro que publicou nos Estados Unidos (foto).
 
Relembrando alguns nomes da capoeiragem, antigos e recentes, Preguiça demonstrou exemplar comportamento ético, elogiando quase todos e, mandingueiramente, silenciando sobre alguns. Sem citar nomes, e com razoável bom humor, comentamos sobre os “mestres-mercantis” (algum com problema de prestação de contas, aqui e no exterior), sobre os “mestres-plagiadores”, sobre os “mestres-falso-valentões” e sobre “os métodos confusos de ensinamentos” utilizado por parte desses mestres. Aproveitei para voltar a recomendar os dois projetos básicos que, há décadas, preparei e continuo a recomendar como de fundamental importância para a Capoeira e para os capoeiristas.
 
Comentamos, finalmente, fora do Mundo da capoeiragem, o mundo da burocracia, particularmente no que tange ao registro de filhos de brasileiros nascidos no exterior. Passei por essa roda kafkaniana, décadas atrás, por causa de minha filha Daniela, nascida em Nova Iorque, e Preguiça está sofrendo na carne agora, em função de esforço similar par registrar um de seus filhos.
 
Que 2007 seja o ano de mestre Preguiça realizar esse seu elogiável projeto Capoeiranato, sem dúvida, um retrato social amadurecido de sua própria vida.
 
Ponte Leblon & Jarinu
 
O artigo já estava pronto quando decidimos realizar  meteórica, mas extremamente importante e lucrativa viagem a São Paulo. O que nos permitiu pernoitar em São José dos Campos e conversar com o doutorando Miltinho Astronauta, um dos maiores pesquisadores de  capoeira da atualidade, já mencionado acima.  Sempre acompanhado de sua simpática e inteligente Keila Brilhante, Milton teve por bem interromper seus estudos por um tempo. Vamos ao breve relato da viagem.
 
Finalmente foi reconstruída a Ponte Leblon & Jarinú, cidade paulista que, segundo dados da Unesco, é dona de um dos melhores climas da terra, além de possuir um hotel cinematográfico – Paradies – que recomendo.
 
Em Pontexistencial histórica (utilizando expressão de André Freire) estamos chegando de lá. Viagem curta, mas intensa, que relatarei oportunamente. Mas posso e devo adiantar que meus livros e artigos sobre capoeiragem já estão em mãos competentes e correndo o mundo. Menciono essa viagem, então, mais pelo pernoite que fizemos em São José dos Campos, onde, mais uma vez, tivemos o casal Miltinho & Keila como cicerone na cidade.
 
Para desespero das respectivas esposas, como sempre a conversa girou sobre capoeiragem, valendo destacar para os leitores, os pontos nucleares que foram abordados e que merecem aprofundamento de todos nós:
 
1. Discussão sobre o Livro “O Selvagem”;
2. O Retrato Falado de Juca Reis – finalmente! – público em Jornal da época;
3.  O texto de Carmem Lemoine sobre a prisão de Juca Reis;
4. Carta do Conde Matosinho revelando que o verdadeiro motivo da prisão de Juca Reis pelo Delegado Sampaio Ferraz, foi uma namorada que aquele tirou desse;
5. Ao visitar o Museu Espacial da Aeronáutica, considerando que Santos Dumont viveu na mesma época de Cyriaco, especulou-se sobre a possibilidade do golpe “Vôo do Morcego” ter nascido de uma conversa entre os dois. Concluiu-se que, brevemente, a famosa “máfia”  explicará o que realmente aconteceu.
 
Enquanto conversávamos, aqui no Rio de Janeiro estava ocorrendo – espero eu – marcante mobilização da capoeirada carioca e fluminense, tendo como objetivo principal tomada de posição em relação ao Pan Americano de 2007. Assunto da próxima crônica.
 

Gingando: Algumas das repercussões da viagem ao Brasil

Em Abril estive no Brasil, onde  em merecidas férias aproveitei o tempo livre para pesquisar capoeira “na fonte”… mantive uma extensa agenda na qual constavam encontros com mestres como o Mestre Decânio, Mestre Pelé da Bomba, Mestre Pinatti, Mestre Jaime de Mar Grande, Mestre Cavaco, Mestre Boca Rica, Mestre Neco, Mestre Jean Pangolin, Mestre Wellington, Mestra Janja, Mestre Gagé, Mestre Bola Sete dentre outras personalidades da capoeira. Agendadas também estavam visitas à instituições como a Associação Brasileira de Capoeira Angola e academias como a Fundação Mestre Bimba.
 
Dentro das várias visitas e conversas com renomados mestres e camaradas da capoeira em Salvador, tivemos gratas surpresas e tres ótimas possibilidades de parcerias e projetos futuros em prol da capoeiragem… uma das mais valiosas parcerias firmadas foi sem dúvida nenhuma a "formalização de um site" dentro do Portal Capoeira, para a Associação Brasileira de Capoeira Angola – ABCA.
 
Esta necessidade foi verificada durante uma conversa que tive com Mestre Boca Rica no Terreiro de Jesus, onde o carismático mestre ficou fascinado com a ideia de poder ter um site próprio na internet… "Milani, poço lhe pedir um favor… faça um site pra mim…" assim disse Mestre Boca Rica…  e nesta hora uma luzinha acendeu e a idealização da construção do site da ABCA e de uma página para cada mestre do concelho… começou a aflorar… Depois foi Mestre Gajé que também gostou da ideia, Mestre Pelé da Bomba e por Último a conversa com Mestre Bola Sete, presidente da ABCA, onde ficou decidido a implementação do Projeto de construção do web site da associação e a presença dos mestres do concelho na internet, através do site da ABCA em Parceria com o Portal Capoeira.
 
Para iniciarmos este projeto estamos contando com a fundamental ajuda da ABCA. Com a participação de Mestre Bola Sete e de seu aluno Eulálio Cohin, Mestre Pelé da Bomba, Mestre Boca Rica e Mestre Gajé e os demais mestres do concelho.
 
Mestre Bola Sete, Gajé, Boca Rica e El Torito
 
Esperamos que o site da ABCA seja um grande sucesso, e que sirva para esta associação alargar suas fronteiras e propagar seus conhecimentos… e informações. Servindo também como canal de ligação e contato com os mestres do concelho onde cada visitante poderá conhecer um pouco mais sobre cada mestre e entrar em contato diretamente com eles…

* Em breve estaremos publicando alguns trechos de entrevistas gravados com os mestres da ABCA.
Luciano Milani