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Julho 2019

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Lutador com projeto social é o Madureira, personagem de “Malhação”, da vida real

Lutador com projeto social é o Madureira, personagem de “Malhação”, da vida real

Quando tinha 15 anos, Marcos Pakito já estava com a enxada na mão batalhando por um futuro melhor. Capinava os terrenos da vizinhança no Sargento Roncalli, em Belford Roxo. Fazia o serviço rapidinho e corria para a sede da associação de moradores. Lá, o garoto ficava sentadinho assistindo ao Mestre Ninguém dar aulas de capoeira. Um dia, o professor o convidou para participar da aula e ele explicou que não tinha dinheiro. A resposta do capoeirista mudaria toda a sua vida:

— Ele disse que eu podia fazer porque ninguém pagava nada, não. Ali eu pensei que eu queria ter um projeto social também para retribuir — conta o agora Mestre Pakito, de 45 anos, depois de um carreira como lutador profissional de muay thai e finalmente conseguir abrir a sua escolinha gratuita de luta, no bairro Andrade de Araújo.

Da capoeira, ele passou para o muay thai, aos 18 anos, e foi nessa modalidade que fez a vida. Foi bicampeão Brasileiro, teve 15 lutas profissionais com apenas três derrotas e depois passou a dar aula. Primeiro, ficou empregado nas academias. Mas aquilo o incomodava. Ele queria dar aulas de graça para quem precisava. Conseguiu há três anos, quando criou o Escola de Campeões.

— Eu tinha que ajudar a minha mãe, e aí não podia me dedicar somente ao projeto social. As coisas foram melhorando, consegui parceiros e agora posso me dedicar a esses alunos — conta Pakito, que também dá aulas gratuitas no Faixa Preta de Jesus, de Nova Iguaçu, um dos maiores projetos sociais da Baixada: — Agora meus garotos estão continuando a minha caminhada.

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A história do lutador de Belford Roxo poderia ter inspirado a criação de Madureira, o personagem de Henri Casteli, na atual temporada de “Malhação”, da TV Globo. Na novela, o ator interpreta a vida do rapaz que venceu na vida após aprender muay thai com um mestre e, para retribuir, resgata jovens de áreas carentes com o esporte.

— Fui criado na periferia de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, onde nasci e fui criado em volta de duas favelas. Já teve um momento em que policiais acharam que eu não morava lá. Falaram para mim: “Não era para você estar aqui. Não tem de se misturar”, tudo porque eu era louro de olho claro. Eu respondi que eles eram meus amigos da escola — conta Henri Casteli , que se mudou para Duque de Caxias no começo da carreira para a fazer os primeiros trabalhos como ator no Rio.

O Madureira da vida real conhece bem as dificuldades pelas quais passam os personagens adolescentes que chegam ao projeto social da “Malhação”. Pakito conta que tem orgulho quando vê um dos seus garotos mudando de vida através da luta.

—Eu seria o cara mais feliz do mundo se conseguisse colocar um aluno meu para lutar no Glory, o maior evento da modalidade. Mas eu não penso nisso. Se eu pegar uma criança dessa e ela virar um cidadão, já é a melhor coisa para mim — diz Pakito: — O que eu quero é recuperar a criança que vem da comunidade, do vício, de querer matar, roubar. Eu quero trabalhar a cabeça dela e mostrar que a vida não é isso. Tenho alunos assim, que agora são trabalhadores, estão no quartel. Essa é a ideia. É a melhor ideia do mundo para mim. Pensar que eu tirei do tráfico e hoje eles são pai de família respeitados.

Além de vencer na vida, os alunos da Escola de Campeões estão vencendo nos ringues. Walace Marcos, de 22 anos, o Mascote, já ganhou, entre outros, o Carioca, o Brasileiro e o Pan-Americano. Já Joyce Lima, também de 22, levou um estadual, uma Liga Carioca e uma série de campeonatos menores.

— Mas o esporte não é só para quem quer lutar, seguir carreira. O muay thai é ótimo para a saúde e o condicionamento físico. Mantém eles ativo, tira das ruas, afasta das drogas — conta Pakito: — Para quem quer perder peso e não quiser fazer academia também é ótimo porque os músculos ficam ativos. E não só para os jovens, mas todas as idades podem ser beneficiadas. A pessoa sedentária que começa a treinar vai querendo fazer cada vez mais.

Fonte: https://extra.globo.com/noticias