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Aprovado o Dia Nacional da Capoeira

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (3) projeto de lei que institui o dia 20 de novembro como Dia Nacional da Capoeira (PL 7536/10). Como já havia sido aprovado pela Comissão de Educação e Cultura e tramita de forma conclusiva, o projeto segue agora para o Senado, a menos que seja apresentado recurso para que haja votação no Plenário.

O relator na CCJ, deputado Luiz de Deus (DEM-BA), defendeu a aprovação da proposta “por tratar-se de esporte de origem histórica de prática nacionalmente conhecida”.

De acordo com o autor da proposta, deputado Márcio Marinho (PRB-BA), “com a intenção e valorizar a capoeira e sendo o dia 20 de novembro o dia da consciência negra, data em que Zumbi dos Palmares, um dos líderes mais importantes da luta pela liberdade e contra o escravismo, perdeu sua vida, cremos ser relevante reafirmar nesta data o seu reconhecimento como patrimônio cultural, instituindo o Dia Nacional da Capoeira”.

 

Fonte: http://www.dm.com.br/

Bahia – Histórias de Resistência: Mestre de capoeira enfrenta desafios para preservar herança africana

João Carlos Lopes Almeida é o cordão branco do grupo Kilombolas, nome que faz referência a outro tipo de resistência do povo negro

João Carlos Lopes Almeida, 47 anos, funcionário público, ou simplesmente João do Morro, mestre de capoeira. O cordão branco do grupo Kilombolas abriu as portas de um dos seus núcleos, na escola Madre Judite, no Alto da Bola, no bairro da Federação, para o iBahia e contou as dificuldades que enfrenta todos os dias para manter o projeto social e fazer com que uma das maiores heranças africanas no Brasil resista ao tempo.

“Nasci no bairro da Fazenda Garcia e tive pais linha dura. Só pude praticar capoeira quando tive meu primeiro emprego, já que, enquanto eu era dependente deles, era regulado para onde eu iria. Minha liberdade eu só conquistei quando passei a trabalhar”, apresentou-se.

Para a capoeira, ele se apresentou aos 18 anos e, desde então, não se vê sem a roupa branca. O agente de fiscalização de meio ambiente já está à frente do projeto Kilombolas há 23 anos, mas tornou-se mestre apenas em 2013. Segundo João do Morro, o trabalho é árduo e por vezes já pensou em desistir, mas a consciência e a necessidade de resistir sempre falou mais alto. “Eu fui convidado por alguns amigos para participar de uma lavagem aqui no Alto da Bola, que existia na época. Dessa lavagem, o pessoal gostou e quis colocar a capoeira em um patamar mais sério dentro da comunidade, por não existir nenhum tipo de cultura do gênero. Eu aceitei e fui ficando, ficando. Não vivo da capoeira, o que é até bom para mim. Se eu vivesse talvez não desse para fazer isso com o amor que eu faço. Saio da minha casa todos os dias para dar aula às crianças às 18h e só retorno às 22h, então é cansativo, mas é gratificante”, diz.

Para João, o tempo no projeto foi importante para ele entender a importância da sua presença na vida dos seus alunos. O mestre do Morro viu de tudo em seu centro cultural — nome dado por ele mesmo —, mas graças a sua persistência e resistência, pôde participar ativamente da formação de jovens que hoje já cursam o nível superior. 

“A estrada foi longa e encontrei muitas pedras. Comecei novo com esse trabalho e foi muito difícil porque a área aqui é muito violenta. Perdi alunos por causa das drogas, com os policiais agindo, às vezes, até de forma truculenta. Isso me fez pensar por vezes em desistir. Muitas vezes, eles se envolvem [com o crime] porque dá o que a capoeira não dá, que é a parte financeira, aí o aluno cai no erro. Isso me deixava muito triste, então foi difícil segurar isso. Hoje, sou feliz porque tenho alunos que estão em faculdade federal, estadual. Para mim, isso é gratificante porque quer dizer que mudei um pouco a visão da comunidade aqui”, revelou.

Consciência x Preconceito

Para João, o Dia da Consciência Negra representa mais um dia de reflexão e resistência aos preconceitos e dificuldades enfrentados pelo povo negro até aqui. “A consciência está na cabeça de cada um. Temos que ter consciência do que é certo e do que é errado, mas no geral, só é certo quando não afeta negativamente uma outra pessoa. É uma data simbólica, que está aí para a gente lembrar e está cada vez mais alerta. A gente precisa refletir. Não é só esse momento de euforia, de festa, como muitos estão vivendo a data. É o ano todo, todos os dias, temos que ter consciência e buscar fazer sempre o melhor. Se todos buscarem o seu objetivo, como eu tive o da capoeira, não tem preconceito que derrube”, analisa.

“A capoeira me fortaleceu muito em relação ao preconceito, pois é o local onde eu sinto que tenho mais valor. Onde eu chego sou respeitado. Ganhei um título através da capoeira e me sinto potente por causa dela. Sempre que presencio uma atitude racista eu penso: ‘poxa, sou um mestre de capoeira’. Isso tem valor para mim, então preconceito nenhum me abate”, acrescentou. A luta do Mestre João do Morro não acontece dentro da roda de capoeira. Na opinião dele, uma das grandes brigas que ele tem é com o preconceito de outras classes sociais à prática: “eles gostam do esporte, da luta, da dança, mas tem medo da origem. O que gera medo ou receio é de onde a capoeira vem”, opina.

Dificuldades

Sem muitos recursos para melhorar o projeto, João conta que a união sempre fez a força no grupo. “O projeto é de graça para todos os alunos. O pessoal não paga nada, mas muitas vezes arrumei um parceiro que arrumava as calças, as camisas. Hoje em dia, treinam filhos de ex-alunos meus e eles têm uma consciência. Eles viraram homens aqui, começaram a trabalhar. Não vou dizer que eles pagam, mas colaboram sempre para manter a escola. O que a escola nos oferece é apenas o espaço físico. Tudo o que temos é com o nosso próprio custo. Tem a manutenção no banheiro, água para os meninos beberem, instrumento para eles aprenderem a tocar e tudo isso é com o nosso próprio bolso. Eu, quando posso, compro, mas geralmente chamo os meus alunos mais antigos, fazemos uma vaquinha e compramos os materiais”, revelou.

O mestre acredita que o esporte pode tirar as pessoas da criminalidade e das drogas, mas finalizou a conversa com o iBahia fazendo uma crítica à falta de apoio do poder público aos projetos sociais. “A capoeira já está no mundo todo. Fiz um evento que a Bahia toda estava lá, mas isso ainda não foi visto pelos órgãos públicos. Acho que está faltando um apoio. O povo criou uma consciência aqui de que eu estou contribuindo para a formação desses jovens, mas eu não sei até quando eu vou aguentar isso. Tenho a minha vida particular, que às vezes fica até à parte. Posso até não chegar em casa porque, infelizmente, a violência está aí, mas sinto que se eu não estivesse aqui seria pior. Então queria que existisse um apoio dos órgãos públicos, para que isso se torne maior e melhor ainda”, pediu.

Mestre João do Morro segue em frente com duas certezas: o trabalho desenvolvido por ele é de fundamental importância para os jovens da comunidade e tem papel fundamental na preservação da cultura negra ao resistir a qualquer tipo de dificuldade financeira e ao mais perverso preconceito. Mais um exemplo de resistência e consciência a ser aplaudido.

*Sob a orientação de Diego Mascarenhas e Rafaele Rego.

Fonte: http://www.ibahia.com/

Artes da Capoeira – Documentário produzido pela TVE Bahia

A TVE Bahia traz uma homenagem aos grandes capoeiristas da Bahia com a exibição do “Artes da Capoeira” no Especial Consciência Negra.

O documentário é um misto de imagens e depoimentos dos grandes mestres da capoeira, com trechos com a participação de historiadores, músicos e outros artistas, que ajudam a conhecer melhor essa expressão cultural através de suas origens. Além de mostrar a importância histórica desse legado, a musicalidade, os movimentos, a forma de dançar e a religiosidade que envolve o ritual da capoeira estão presentes nesse documentário produzido pela TVE Bahia, com direção de Josias Neto.

Parte 1
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Parte 2
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Parte 3
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Videos postados pelo parceiro e colaborador Teimosia

 

Artes da Capoeira fez parte da programação especial da TVE Bahia, em homenagem ao 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, com filmes e documentários que colocam a identidade negra  em destaque, ressaltando a importância e valorizando a cultura afro-brasileira.

Toda a programação da TVE Bahia pode ser conferida, também, através do portal www.irdeb.ba.gov.br.

ASCOM – Assessoria de Comunicação
Secretaria de Comunicação do Estado da Bahia

IRDEB / TVE Bahia / 107.5 Educadora FM

[email protected]
[email protected]

“MUSICAPOEIRA” – consciência musical para capoeiristas

O que é?

Capoeira é Musica em Movimento. O curso de MUSICAPOEIRA se baseia nessa premissa e cria condições para o desenvolvimento da consciência musical para capoeiristas, possibilitando assim o aumento da conexão ritmo-jogo.
A partir de exercicios e dinâmicas corporais em grupo, o curso de Musicapoeira fornece ferramentas para que cada um consiga reconhecer e superar suas dificuldades, mensurar seus conhecimentos e aprimorar sua performance assim como as rodas em que participa, construindo um instrumental prático e teórico para aprendizagem autônoma.

Como?

A partir de exercicios de canto,  toque e jogo que necessitam de pouquíssima experiênica musical, democratizando o conhecimento e permitindo a evolução invdividualizada, tanto de principiantes quanto de professores. O estudo de discos e videos clássicos de Mestres como Pastinha, Bimba e Caiçara é feito em profundidade, utilizando como suporte teórico as notações corporais e escritas do renomado método de educação musical “O Passo”.

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Quem?

Ferradura é capoeirista formado pela Escola de Capoeira Angola do Mestre Marrom e desenvolve o Projeto Brincadeira de Angola, referência em Educação Infantil. O curso de Musicapoeira foi criado a partir da experiência do autor com o circo-teatro, a dança e a música.

SP: Virada Cultural Afro

A cantora Margareth Menezes levará o seu Movimento AfroPop Brasileiro para o encerramento da Virada Cultural Afro, que acontece em São Paulo, no próximo 20 de novembro.

O show é gratuito e acontece, a partir das 20 horas, no Vale do Anhangabaú. “Estou muito feliz em participar deste ato expressivo de reconhecimento pela contribuição do povo afrobrasileiro. Lembrar da luta pelo fim da escravidão é reviver os motivos que temos para cantar a igualdade”, comentou a artista.

Esta será a primeira vez que as programações especiais pelo Dia da Consciência Negra, na capital paulista, ocorrem de forma ininterrupta, desde o dia anterior, 19 de novembro, em vários pontos da metrópole.

 

Maria Ísis


IMPRENSA – Margareth Menezes
55 71 9103.0374 | 3237.0066
[email protected]
www.margarethmenezes.com.br

Livro reúne textos sobre temática negra e analisa a sociedade brasileira

Com o objetivo de chamar a atenção da sociedade brasileira para as formas de preconceito e discriminação e seus efeitos sobre as relações políticas e sociais, Sueli Carneiro, filósofa e fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, produziu Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil. A obra traz uma abordagem crítica dos comportamentos humanos e propõe alternativas de superação da intolerância ao outro.

No próximo dia 12, às 19 horas, haverá noite de autógrafos, promovida pela editora Selo Negro Edições e a Livraria Martins Fontes. Composto por uma coletânea de textos, o livro apresenta os principais avanços na superação das desigualdades criadas pela prática da discriminação racial – indicadores sociais, mercado de trabalho, consciência negra, cotas e outros.

Sobre educação, Sueli registra a recente conquista da obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas públicas do País. A obra destaca também o debate contemporâneo sobre miscigenação racial no Brasil, racismo no universo infantil e o combate ao racismo no trabalho. Fundamental para educadores, pesquisadores, militantes e estudantes de todos os níveis de ensino, o volume faz parte da Coleção Consciência em Debate.

INTERESSE PÚBLICO – Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil foi organizado a partir da sistematização de uma série de artigos publicados na imprensa brasileira que convidam o público a refletir sobre o incremento de ações violentamente discriminatórias, abrindo caminho para o debate sobre direitos humanos e as limitações da democracia brasileira.

Um das perspectivas levantadas na importante publicação diz respeito à idéia distorcida de parte do imaginário social brasileiro, de que determinados seres humanos são mais ou menos humanos do que outros, levando ao caminho perversamente estruturante da naturalização da desigualdade de direitos.

RESPEITO – Segundo a escritora, as identidades estruturadas a partir de etnias, gênero, orientação sexual ou religiões ainda não são devidamente respeitadas, tornando o ambiente social totalmente corrompido. “O racismo é uma ideologia que não penaliza apenas sua vítima, ela faz com que o racista também seja um ser humano menor, não seja um ser humano completo, por ser incapaz de aceitar a diversidade”, ressalta.

Sueli Carneiro acredita na força e no trabalho das organizações que lutam pelo cumprimento de políticas públicas voltadas para a eliminação de atos de intolerância praticados contra descendentes de africanos e outros grupamentos socialmente vulneráveis. Ela recorre à legalidade dos poderes governamentais para defender a punição desses atos, que se contrapõem à legítima demanda dos afro-descendentes.

 

  • Para ler as primeiras páginas do livro, acesse o endereço: http://www.gruposummus.com.br/indice/40046.pdf

Salvador sedia Marcha Nordestina Pela Paz e Não-Violência

Organizações do movimento social, estudantes e grupos culturais participam da Marcha Nordestina Pela Paz e Não-Violência, que acontece no dia 10 dezembro (sexta-feira), com saída às 15h, do Campo Grande em direção a Praça Municipal de Salvador. A Marcha traz à tona com grande ênfase, o clamor e a denuncia pelo fim de todos os tipos de violência, discriminação e violações dos Direitos humanos.

 

A Marcha Nordestina é uma iniciativa do Mundo Sem Guerras, organismo internacional que atua ha 15 anos no campo do pacifismo e da não-violência. Na Bahia foi implantada e coordenada pelo InconPaz –Instituto de Consciência, Formação pela Cultura da Paz e a Não-Violência Mundo sem Guerra.

 

Esse organismo foi o idealizador da 1ª Marcha Mundial Pela Paz e Não-Violência do planeta, que aconteceu do dia 2 de outubro de 2009 a 2 de janeiro de 2010, esse trajeto mundial que iniciou na Nova Zelândia e terminou na Cordilheira dos Andes teve duração de 90 dias, passou por mais de 90 países e 100 cidades nos cinco continentes, cobriu uma distância de 160.000 km por terra. Foi recebida por governantes de todas as esferas e líderes religiosos, e contou com adesões de personalidades do campo acadêmico, político, social, cultural e desportivo.

 

Com sua passagem no Brasil a Marcha Mundial Pela Paz e Não-Violência mobilizou vários estados, em Salvador aconteceu no dia 17 de dezembro de 2009, e teve o apoio da Prefeitura Municipal de Salvador, do Governo do Estado da Bahia e dos movimentos sociais, onde foram realizadas inúmeras ações como forma de chamar atenção para o alto índice de violência e também para gerar uma nova consciência baseada na paz e não-violência.

 

 

PARTICIPE DA MAIOR MOBILIZAÇÃO PELA PAZ DA HISTORIA E LEVE SUA MENSAGEM DE PAZ!

“Para que se escute o clamor de milhões de pessoas que querem a paz, o fim das guerras e de todas as formas de violência”

 

SERVIÇO:
O quê? Marcha Nordestina Pela Paz e Não-Violência
Quando? 10 de dezembro de 2010 (sexta-feira), às 15h. 
Onde? Saída do Campo Grande em direção a Praça Municipal de Salvador

Concentração? 14h, no Campo Grande.

CONTATOS:
Comitê – Salvador/Bahia
E-mail: [email protected]
(71)9936.5046/ 9282-3166 / Ademir Santos 
(71) 9911-9165 / Jeã Moreno 

Assessoria de comunicação:

(71) 9151-0631 / Hamilton Oliveira (Dj Branco)– [email protected]

Semana da Consciência Negra: Florianópolis promove dialógos com comunidade

Dia de Zumbi dos Palmares contará com caminhada, debates e apresentações culturais

Para promover a igualdade social, Florianópolis é cenário da Semana da Consciência Negra até o dia 24. Com o tema Diálogos com a Comunidade, o evento contará com
palestras e debates, oficinas de arte negra, mostra de vídeos, apresentações artísticas, exposição das atividades desenvolvidas por projetos sociais, em diferentes pontos da Capital.

A Caminhada da Diversidade Cultural e Religiosa, em comemoração ao Dia Nacional da Umbanda, abriu a programação na manhã desta segunda-feira. Na terça-feira, o tema “População Negra e Emancipação Social” será discutido às 19h, no auditório Paulo Sturart Wright da Assembleia Legislativa, seguido de uma homenagem às tradições de matrizes africanas.

Dia de Zumbi dos Palmares

O ponto alto da Semana da Consciência Negra será no próximo sábado, Dia de Zumbi dos Palmares. Para homenagear o líder negro, a programação especial contará com café da manhã no Palácio Cruz e Souza e a Caminhada das Expressões Culturais e Religiosas pelas ruas do Centro, reverenciando os locais da memória da população negra.

Para as 10h, está marcada a realização de um painel em homenagem às personalidades negras de Florianópolis. Na programação ainda estão previstas roda de capoeira, apresentações artísticas com Africatarina, Abadá Capoeira, Escola de Samba Mirim Os Mensageiros da Alegria, Escola de Samba Mirim da Consulado, Batukaé, Ilha Palmares, Cedep e Centro Escrava Anastácia e Dandara. 

A programação continua com Arma-zen, Hip Hop, Amigos do Samba, Torresmo à Milanesa, Samba da Saia, alas da Velha-Guarda da Copa Lord, Consulado, Unidos da Coloninha e Protegidos da Princesa, a partir das 14h.

::: Confira a programação completa no site da Coordenadoria de Políticas Pública

DIARIO.COM.BR

Dandara: esposa, mãe e guerreira

Herói negro conhecido pela luta contra a opressão negra no Brasil, Zumbi dos Palmares é lembrado por sua luta e sua coragem no Dia da Consciência Negra, celebrado no próximo sábado.
Diz a sabedoria popular que por trás de todo grande homem, existe uma grande mulher. Prefiro dizer “ao lado”, mas o fato é que com Zumbi não foi diferente. Esposa de Zumbi e mãe de seus três filhos, Dandara foi muito além do papel de esposa, se tornando uma verdadeira guerreira.
Conforme informações do professor de história Kleber Henrique, no blog Cuca Livre, Dandara, como todos no quilombo, plantava, trabalhava na produção de farinha de mandioca, aprendeu a caçar, e, além disso, aprendeu a lutar capoeira, empunhar armas e liderou as falanges femininas do exército palmarino.
Dandara participou de todos os ataques e defesas da resistência de Palmares e não tinha limites para defender a liberdade e a segurança do Quilombo.
A esposa de Zumbi compartilhava a posição do marido contra o tratado de paz assinado por Ganga-Zumba. Entre outras negociações, o acordo requeria a mudança dos habitantes de Palmares para as terras no Vale do Cacau. Dandara, assim como Zumbi, via o tratado como a destruição da República de Palmares e a volta à escravidão.
Dandara morreu em 6 de fevereiro de 1694, após a destruição da Cerca Real dos Macacos, uma batalha sangrenta que deixou centenas de mortos. Ainda assim, acredita-se que ela se suicidou para não voltar a ser escrava, atirando-se da da pedreira mais alta de Palmares. Zumbi, que sobreviveu ferido a esta batalha, morreu no ano seguinte em 20 de novembro, data em que atualmente é celebrado o Dia da Consciência Negra.

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Cultura afro é destaque de debates e apresentações

Valorizar a contribuição imprescindível da raça negra na cultura local e difundir a integração social de grupos afros no município. Com este propósito, a cidade festejou a etnia de destaque em todo o país por sua bagagem cultural, comemorando o Dia da Consciência Negra no último sábado.

Engajado às comemorações nacionais alusivas a data, o município de Parnamirim foi palco de manifestações culturais e debates com a realização do Fórum de Música e Cultura Afro, no auditório da Escola Municipal Augusto Severo.

Apresentações culturais exaltando a diversidade criativa da raça negra, além de propostas de valorização de uma etnia que compõe de forma predominante a história da sociedade brasileira, foram foco de debates, em que representantes da comunidade quilombola Moita Verde, secretários municipais, vereadores, integrantes de grupos de capoeira do município e da Bahia estiveram presentes.

Como porta-voz da comunidade Quilombola, Silvana dos Anjos, representante de Moita Verde, revelou entusiasmo pela realização do evento em Parnamirim e aproveitou a oportunidade para solicitar a implantação de uma coordenadoria de igualdade racial. “Tudo que vem sendo feito pela comunidade só mostra que o poder público está realmente ao lado da população negra de Parnamirim, mas ainda é preciso um órgão específico para reivindicar políticas públicas para os negros”, argumentou.

A presidente da Fundação Parnamirim de Cultura, Vandilma Oliveira, como responsável pela promoção do evento afirmou que a prefeitura tem compromissos com a comunidade negra e, por isso, além de apresentações culturais, o fórum promoveu discussão de propostas. “Oferecemos um momento de integração, de extrema relevância para o município. Em que debatemos diversos assuntos que, certamente, irão contribuir para a melhoria de políticas públicas que dignifiquem ainda mais as contribuições da população negra para o desenvolvimento de Parnamirim”, declarou.

A partir da realização do Fórum representantes da Federação de Capoeira do Rio Grande do Norte desenvolveram discussões importantes à classe, como a aprovação da lei que obriga o ensino da cultura afro-brasileira nas escolas, a importância da capoeira na história do Brasil e o reconhecimento da capoeira como patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Para o presidente da Federação, mestre Marcos, “Foi um dia de muitas discussões e com um saldo bastante positivo, pois tratamos de temas relevantes e essenciais a tradição e divulgação da capoeira”, declarou.

Durante a solenidade, o prefeito Maurício Marques aproveitou para divulgar a assinatura de um convênio na ordem de R$ 9,1 milhões com o Ministério das Cidades que beneficia Moita Verde. “Esse convênio inclui a regularização fundiária, pavimentação, drenagem e a construção de 130 casas”, informou.

Sobre o pedido de uma coordenadoria de igualdade racial solicitada pela representante da comunidade, o prefeito disse que irá analisar a possibilidade com especial atenção.

Capoeira

A programação do Dia da Consciência Negra no município incluiu apresentações de grupos de capoeira de municípios circunvizinhos como Natal, Macaíba, Extremoz e São José de Mipibu, além da participação de capoeiristas reconhecidos no circuito nacional e internacional que também participaram do Fórum de Música, Dança e Cultura Afro, na Praça da Paz de Deus, realizando apresentações gratuitas.

O professor de capoeira da Fundação Parnamirim de Cultura, Igor, entusiasmado com a repercussão e o sucesso de público do evento, esclareceu que as apresentações dos grupos na praça, embora evidenciadas no Dia da Consciência Negra, são provenientes de um projeto amplamente difundido na região, o “Capoeira Escola Comunidade”, que vem sendo realizado em 10 escolas do município com crianças, adolescentes e grupo de idosos do Parque Industrial. “Esse foi um momento propício para a sociedade parnamirinense conhecer um pouco mais sobre o projeto desenvolvido nas escolas que é motivador para a efetivação da inclusão social”, comentou.

Convidados de destaque, os renomados mestres de capoeira angola, tradicional de Salvador (BA), mestre Ciro (aluno do mestre João Pequeno considerado o mais velho capoeirista vivo do país) e mestre Gildo Alfinete (primeiro capoeirista a levar a capoeira para o exterior) participaram do Fórum, partilhando a arte esportiva que dominam com destreza.

Fonte: Tribuna do Norte – http://tribunadonorte.com.br/