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Dandara Baldez: Voz sem Medo 

Dandara Baldez: “Voz sem Medo”

“No ambiente que estávamos envolvidos todos me silenciaram. Você não pode falar disso agora…” #4 Dandara Baldez

2a temporada da websérie Voz sem Medo – Coletivo Ponto Art (1)

 
“Quem carrega o nome de Dandara, por si só, já evoca de forma única a ancestralidade e a resistência. Nascida em São Luis do Maranhão, onde através de sua avó herdou um vasto legado cultural Banto, Dandara percorreu os mais fecundos terreiros como a Casa Fanti-Ashanti, dialogando e aprendendo entre outros com a família Menezes, uma das mais tradicionais da cidade, composta sobretudo por mulheres de grande talento e devoção, inigualáveis guardiãs das manifestações populares maranhenses. Praticante da Capoeira Angola desde os cinco anos de idade, tornou-se mestra no grupo Capoeira Angola Canzuá. Pesquisadora e brincante, excele em diversos territórios das manifestações populares brasileiras, atuando em suas danças e tambores. Dandara desconstrói e reforça as tradições, num corpo que resiste, reconstrói e polemiza trazendo novas dimensões às linguagens, fazendo ecoar sua voz única que presenteia há 15 anos a cidade de Salvador. Lidera o coletivo do tambor de Crioula « Baiei na Bahia », um dos lugares onde reivindica sem cansaço o espaço do povo preto e seu protagonismo nas manifestações ancestrais da afro-diáspora. Quem a encontra em uma roda jamais esquece sua força, habilidade, beleza e maestria.”

Mestra Dandara Baldez (por Mônica Freire)

 

Dandara Baldez: Voz sem Medo Capoeira Portal Capoeira 1 Natural de São Luiz do Maranhão e residente na Bahia há 15 anos, Mestra Dandara Baldez começou a treinar capoeira aos 5 anos na casa-escola de sua avó. Aos 12 foi para a primera academia fora de casa, com o Mestre Betinho, e aos 14 começou a treinar Capoeira Angola com o Mestre Alberto Euzamor. Além da Capoeira Angola ela também é Mestre em Danças Populares pela UFBA e ministra aulas na turma de graduação desta Universidade.

 

MANIFESTO DAS MULHERES DO GT SALVADOR E REGIÃO METROPOLITANA DE SALVADOR DA SALVAGUARDA DA CAPOEIRA NA BAHIA (2)

Nós, mulheres que compõem o GT RMS da Salvaguarda da Capoeira na Bahia, mulheres atuantes – como tantas outras companheiras – no cenário da capoeira, viemos manifestar nosso posicionamento diante da repercussão sobre o risco de silenciamento de mais uma situação de violência de gênero na capoeira, a partir da ampla veiculação de um depoimento em vídeo, dado pela mestra Dandara Baldez e veiculado através do Youtube, pelo canal do Coletivo Ponto Art.

Nele, a mestra denuncia um abuso cometido por conhecido mestre de capoeira angola. Lamentável. Em seguida, também tivemos conhecimento de um vídeo com ampla veiculação em grupos de whatsapp, gravado pelo mestre Cobra Mansa, solicitando uma ‘oportunidade de diálogo’. Ocorreram, assim, algumas manifestações advindas de coletivos compostos de mulheres em sua maioria, repudiando o fato e prestando solidariedade à mestra. Há amplo registro dessa movimentação nas redes sociais. Elucidamos que a presente manifestação, se orienta pelas indicações (ou falta delas) do Plano de Salvaguarda da Capoeira da Bahia, construído em longo processo de reuniões coletivas, entre diferentes segmentos e territórios da capoeira no Estado da Bahia.

Nosso maior objetivo é entender essa lamentável denúncia de abuso sob uma ótica que pretende contribuir para o debate e para a nossa reflexão enquanto representantes múltiplxs e diversxs da capoeiragem e da sua Salvaguarda. Não entendemos como nossa função emitir julgamentos ou sentenças sobre xs envolvidxs e xs que se envolveram desde a veiculação do depoimento da mestra Dandara.

Contudo, a comunidade da capoeira necessita, com urgência, refletir coletivamente e falar sobre seus tantos, inúmeros e recorrentes episódios de abuso, e sobre os também inúmeros representantes da capoeira que os cometem e que prosseguem ilesos e equivocados, achando que nenhuma consequência há em seus atos que traumatizam vidas, silenciam pessoas e transformam a capoeira em um ambiente perigoso, não apensa para mulheres, mas também para meninas e meninos. Esse ambiente em que vemos com apreensão o envolvimentx de nossxs filhxs, é a Manifestação Cultural para a qual criamos tantas estratégias, buscando combater o preconceito social que sempre tratou a capoeira como coisa marginal e de marginais… (manifesto completo no final do texto) #

Na opinião deste site, É PRECISO ENTENDER que este coletivo de mulheres não representa a totalidade das mulheres da Bahia… temos de refletir e trazer outros coletivos para entender o contexto e assim podermos juntos compor um quadro mais amplo… entretanto o Grupo de trabalho entendeu se manifestar em virtude de uma causa maior… um debate recorrente onde cada vez mais estamos vendo inúmeros casos de violência e abuso, tendo como gatilho o depoimento de Dandara Baldez.

O coletivo  MARIA FELIPAS (4) também de manifestou e deixou suas impressões através de mensagens privadas e através da nossa ferramenta de comentários, ONDE CONVIDAM À TODOS A ASSINAR E A LUTA PELO FIM DO SILENCIAMENTO DA VIOLÊNCIA SEXUAL E SEXISTA NA CAPOEIRA (ver comentários e CARTA DE REPÚDIO no final da matéria)

O outro lado da moeda

Mestre Cobra Mansa divulgou um video (3) nas comunidades whatsapp onde aborda suas crenças sobre a sociedade, sobre o entendimento do dialogo e as oportunidades de encontrar soluções… No video vemos um homem disposto a assumir de forma humilde seu comportamento, sem medo de expor suas atitudes e sua capacidade de entender que NÃO QUER DIZER NÃO!!! apesar de que no entendimento de muitas pessoas esta é uma barreira que jamais deveria ser transpassada, entendendo que o corpo é sagrado e o acesso a ele deveria ser somente possível com permissão explícita…

O VÍDEO COM DEPOIMENTO DO MESTRE COBRA MANSA, NÃO ESTÁ MAIS DISPONÍVEL.

 

DEVIDO A UM PEDIDO DO PRÓPRIO MESTRE PARA SER EXCLUÍDO DESTA MATÉRIA, ONDE NOS INDICA QUE O VÍDEO É PRIVADO E DEVERIA APENAS SER VISTO PELA RAM (REDE ANGOLEIRA DE MULHERES).

 

O Portal Capoeira entende ser necessário expor os fatos, ouvir a voz dos intervenientes e criar um espaço de dialogo e reflexão, JÁ QUE NADA DISTO AINDA FOI “JUDICIALIZADO” E NINGUÉM DEVE SER ACUSADO, JULGADO E CONDENADO sem o devido processo legal!
 
Estamos abertos ao dialogo… e convidamos o Mestre para esta conversa. Acreditamos que toda história deve ser contada e ouvida… para que possamos juntos chegar a um melhor entendimento…
 

COMUNICADO OFICIAL MESTRE COBRA MANSA

Mestre Cobra Mansa, emitiu um comunicado oficial (06/04/2020) sobre a “denúncia de Dandara Baldez”. Após diversas conversas, aceitou nosso convite para o diálogo. O Portal Capoeira, como um dos mais relevantes e democrático meio de comunicação especializado, pública em primeira mão o comunicado oficial, com o objetivo de entender a situação através dos olhos e dos sentimentos de “Cinézio Feliciano Peçanha”.
 
“Peço apenas que me ouçam (antes de me julgar) Eu reconheço a luta das mulheres, pois tenho a convicção e conhecimento de que lutam por uma causa legítima, no sentido de impedir que atuem como coadjuvantes quando, em verdade, deveriam também ser protagonistas. Isso não quer dizer que consegui me livrar totalmente dessa cultura machista na qual fui educado desde pequeno.
 
Gente, em relação ao assunto que diz respeito à Dandara, tudo não passou de um grande mal entendido. Foi um erro de julgamento meu, e só. O erro de julgamento veio do contexto no qual nos encontrávamos, que eu não quero tornar público para não expor mais pessoas e causar a estas pessoas o mesmo dano pelo qual venho sofrendo diante das conclusões e indagações completamente equivocadas. Nunca pensei que passaria por um “julgamento social” sem sequer ser ouvido; será que hoje sou eu quem precise lutar para comprovar minha idoneidade, que sou uma pessoa íntegra?!
 
Pois bem, o contexto no qual se deu o mal entendido pode explicar a situação pela qual me julgam sem saber, mas admito, nunca adotei, nem insisti, em qualquer postura inapropriada que viesse a ferir a honra da Dandara.
 
É fato que nós homens precisamos escutar nossas irmãs e companheiras, e tento escutar. Como é que nós mudamos?  Como é que podemos juntos mudar essa cultura de masculinidade falsa? Eu não sei as respostas certas, mas eu sei que é o trabalho de todos nós, e como mestres e mestras, temos mais responsabilidades, inclusive para não disseminarmos a cultura do ódio e do banimento social sem que antes seja dada a oportunidade do diálogo, e não do monólogo.
 
Então não omito que houve um grande mal entendido com a Dandara, de modo que este mal entendido foi rapidamente corrigido, tanto assim que tivemos uma reunião com ela e três outras pessoas em 2017, na qual demos o assunto por encerrado, mas neste momento – quase 03 anos depois -, começou essa campanha contra mim, por razões que não me parecem idôneas. Estão me transformando num assediador sistemático. Até pessoas que não me conhecem estão me julgando e me massacrando. Se coloquem no lugar do outro, usem a empatia; vocês gostariam desse tipo de julgamento sem ao menos serem ouvidas, sem que os fatos fossem apurados? Claro que não!
 
A pergunta que eu gostaria de colocar para quem me conhece: De todos os eventos que eu participei ao longo de muitos anos, de todos os mestres e mestras que organizaram esse eventos… tem alguma mestra ou mestre que pode reclamar do meu comportamento com suas alunas?
 
Peço que se manifestem para que as pessoas que estão me julgando possam ouvir outras vozes. Eu tenho plena consciência do que realmente aconteceu, e do que são acusações falsas. Agradeço sua atenção e a possibilidade de falar a minha versão dos eventos.”
 
Mestre cobra mansa.
 
Também entendemos que algumas medidas precisam ser tomadas em colaboração com a criação de ambientes mais seguros para mulheres na capoeira e em todas as manifestações ligadas direta e indiretamente a cultura popular, é preciso parar para refletir e pensar em ações que fomentem o entendimento do FEMINISMO e da responsabilidade de todos nós, que lutamos por uma capoeiragem sem preconceito, sem credo, sem raça e sem cor… fortalecendo e legitimando a luta anti-machista e patriarcal.
 
 
 

 
Ver mais:

(1) Masculinidade: Solon Diego Realização: Coletivo Ponto Art ( Jaqueline Elesbão, Nai Meneses e Anderson Gavião) Gravação: Gira Pompa (Malaika KB e Marise Urbano) Trilha sonora:Ives Padilha Intérprete de Libras: Gabriela Mattos (Pense Libras ) Locação: Casa Charriot www.coletivopontoart.com.br

(2) MANIFESTO DAS MULHERES DO GT SSA RMS SALVAGUARDA BAHIA

(3) O vídeo relativo ao Mestre Cobra Mansa foi veiculado por whatsapp, não encontramos em nenhuma plataforma de rede social.

(4) MARIAS FELIPAS – Grupo de Estudos e Intervenção Feminista na Capoeira  CARTA DE REPÚDIO: https://mariasfelipas.wordpress.com/2020/03/18/carta-de-repudio

Contatos com a Mestra podem ser feitos por e-mail e via redes sociais: Instagram

Capoeira de “Vênus”: Sentir o “feminino” não fere minha parte masculina

Capoeira de “Vênus”: Sentir o “feminino” não fere minha parte masculina

O espelho de Vênus é um círculo com uma cruz embaixo e é o símbolo astrológico do planeta Vênus. Este símbolo tem sua origem na mitologia grega, sendo o círculo apoiado na cruz a representação do espelho da deusa Afrodite (Vênus, na mitologia romana).

Nossa intenção nesta escrita é ponderar sobre alguns dos desafios da mulher na capoeira, considerando o “olhar” possivelmente contaminado pelo machismo estrutural que me assola cotidianamente, e também por isso, antecipadamente peço perdão pela fragilidade reflexiva dos parágrafos que seguem.

Ao longo de vinte anos pude conviver de perto com a experiência formativa de diversas mulheres, em particular daquela que se tornou minha companheira e mãe de meus filhos. Assim, mesmo com esse histórico, reafirmo que essa reflexão não pode ser tomada como verdade absoluta sobre as mulheres, pois se nem Freud conseguiu desvendar seus mistérios, eu não tenho a pretensão de faze-lo…..rsrsrsrsrs….Brincadeira, pois o texto de Freud reproduz o machismo da época, e, salvo melhor juízo, não expressa o que de fato as mulheres desejam.

Eu lembro que todos os desafios enfrentados na capoeira, quando se tratava da mulher, tinha sempre um plus, pois, meu foco era o jogo, o toque, o canto, a filosofia, já para ela, além desta demanda, vinha toda a carga cotidiana do machismo impregnado em homens e mulheres na capoeira, ou seja, o cara “roçando” na fila para jogar, a bateria inacessível mesmo tocando melhor que o homem, o jogo sempre na premissa de aceitação do julgo pela imposição da força física, mesmo jogando com outra companheira, a fala interrompida e/ou atropelada por alguém que só queria dizer quem “manda no pedaço”, dentre outras coisas.

Lembro de uma roda no interior da Bahia em que um capoeira, depois de superado no jogo, no canto e no toque, desafia a mulher verbalmente, afirmando…”Você deve procurar um tanque de roupa suja pra lavar”….Naquele momento eu só pensei em silenciar o rapaz no jogo, mas hoje penso que essa atitude não ajudaria a mudar a “cena” de respeito a mulher na capoeira, e sim fortaleceria o “lugar” de que elas sempre precisam da tutela protetiva masculina.

O exemplo acima nos aponta o quão nocivo pode ser quando um Mestre diz…”agora é só roda de mulheres” , ou “quero uma bateria só de mulheres”, ou “no meu evento teremos um momento só de mulheres”….”Na mesa da atividade tem que ter mulher pra ninguém falar mal”. Assim, o homem, do alto de seu lugar de poder, resolver ceder o espaço ao ser “inferior” mulher, que só tem “lugar”, graças a benevolência masculina….Que absurdo!…As vezes me sinto em um mundo bizarro, fortalecido por homens e mulheres em busca apenas de espaços de poder….E a capoeira como fica?

Outro dia me disseram que o caminho esta na garantia de direitos iguais para as mulheres, e eu particularmente sou terminantemente contra, pois direitos iguais para “desiguais” é o ato mais perverso de todos, pois pressupõe realidades/vidas iguais, e isso não condiz com o trato da diversidade, pois a água que pode matar a sede, também pode afogar, sendo a diferença de cada situação a condição da eficácia em favor de cada necessidade, ou seja, a igualdade na oferta de água a duas pessoas diferentes, desconsiderando as características individuais das mesmas e as circunstâncias de cada para receber a água, poderá tanto fazer mal como bem.

Prefiro crer que as mulheres precisam de equidade, que é a adaptação da regra a um caso específico, a fim de deixá-la mais justa.

Tenho sido um crítico ferrenho da incompetência na formação em capoeira de algumas mulheres, mas preciso ter o bom senso de reconhecer que todos temos responsabilidade nisso, pois já imaginou culparmos o “povo preto” por sua dificuldade cotidiana em busca de justiça social, desconsiderando toda a dívida histórica pelo processo de escravização?

Cantar, tocar, jogar e entender o ritual é obrigação basilar dos/as capoeiras, mas é importante equidade no “olhar”, sem contudo, transformar a mulher capoeira em uma espécie de “sub categoria” mal sucedida.

O que tenho percebido, em situações difíceis, é que sempre tentamos “jogar a sujeira para baixo do tapete”, transformando o outro/diferente em carrasco de nossa dor para aliviar nossa consciência de culpa, ou seja, tudo será sempre responsabilidade do “bicho homem”. Assim, mesmo reconhecendo todas as limitações, penso que existe um outro caminho, o da percepção de que juntos, homens e mulheres, podemos fazer uma capoeira diferente e melhor.

É preciso que possamos avançar para além do discurso que enviesa a luta e mascara a opressão, por exemplo, pagando profissionalmente o justo pela participação feminina em eventos, qualificando-as pela capoeira e não pelo decote da roupa e/ou suas curvas, escutando-as com os ouvidos da “alma”, auxiliando e se permitindo aprender pelo signo da diferença, enfim, nos permitindo “capoeirar” com elas.

 

Eiiii mulher..Psiu!
Nos ensina e ser/fazer diferente….

Axé.:

Fundação Cultural ILE: Projeto “Mestras de Capoeira”

Fundação Cultural ILE: Projeto “Mestras de Capoeira”

Salve meus amigos!

Somos a Fundação Cultural ILE,  uma organização sem fins lucrativos com sede em País de Gales no Reino Unido.

Trabalhamos para a preservação e difusão da Capoeira, seus fundamentos e tradições. Fazemos isso através de livros, CDs, documentários, festivais e outros. Nosso carro chefe é o Projeto Tributo ao Mestres, cujo principal objetivo é contribuir com os Mestres que estão em situações de risco sejam elas sociais, financeiras, emocionais, médicas ou afins. Todos os nossos esforços são para angariar fundos ou gerar fundos para esse fim.

Em 2016, lançamos nosso primeiro livro de Ilustrações, o tributo aos Mestres artbook que foi um sucesso.

Hoje temos a grande alegria de convidar todos a participar deste momento histórico na capoeira, onde honraremos as Mestras da nossa arte!

Faremos um livro com 30 ilustrações e com um texto para cada  ilustração contando um pouco sobre cada uma das homenagiadas.

Um momento mágico e histórico e você pode participar de várias formas desta homenagem.

Você pode fazer uma doação para que o projeto aconteça, ou você pode fazer contribuições e receber recompensas por isso.

Você pode inclusive fazer campanha dentro do seu grupo e participar como patrocinador recebendo e compartilhando as recompensas com o grupo todo.

Este é um trabalho histórico o primeiro em seu formato e o primeiro em homenagem as Mestras de Capoeira!

E a sua participação é fundamental

 

Fundação Cultural ILE: Projeto "Mestras de Capoeira" Notícias - Atualidades Portal Capoeira

CLIQUE NA IMAGEM PARA VISITAR A PÁGINA DO PROJETO

 

Hi Guys!

We are the ILE Cultural Foundation; a registered charity based in Wales.

We work for the preservation and diffusion of Capoeira, its foundations and traditions. We do this through books, CDs, documentaries, festivals and others. Our flagship project is the Tribute to Masters Project, whose main objective is to contribute to the Masters who are in risk situations whether they are social, financial, emotional, medical or otherwise. All our efforts are to raise funds or generate funds for this purpose.

In 2016, we launched our first book of Illustrations, the Tribute to the Masters art book, which was a success.

Today we have the great joy of inviting everyone to participate in this historic moment in capoeira. This is a vibrant, adventurous and compassionate project where we will raise funds to develop and publish a fresh, innovative and empowering illustration book that will, for the first time, show the face of our Mestras.  

It will be 30 illustrations with 30 texts telling a little story about each one.

A magical and historical moment and you can take part of it in different forms, making  a donation or you can make contributions and receive rewards.

You can campaign in your group and participate as a sponsor, sharing the rewards within the whole group.

This will be an historic book, the first in its format, and the first in honour of the Female Masters of Capoeira!

And your participation is fundamental!

 

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A história da poeta que se tornou a primeira árbitra de boxe do Brasil

A história da poeta que se tornou a primeira árbitra de boxe do Brasil

Marcia Lomardo será homenageada neste sábado

Neste sábado, a partir das 16h, 23 lutas formam a segunda etapa do circuito promovido pela Associação Carioca de Boxe (ACB), na academia Vittoria Club, no Pechincha. O torneio é simples, cumpre os requesitos básicos de segurança e está na base da pirâmide de um esporte que trouxe quatro medalhas olímpicas para o país nas últimas duas edições do megaevento. No card, apenas duas lutas serão entre mulheres. Mas o que chama atenção mesmo o nome do evento: Copa Marcia Lomardo.

Poeta, avô da Maya, nascida em Niterói, criada na Zona Sul carioca, Marcia Lomardo, de 59 anos e 1,54m de altura, não se considera uma pioneira nas artes marciais, mas foi a primeira árbitra de boxe do país. Por isso, a homenagem no Pechincha. Os eventos da ACB costumam levar nomes de pessoas que foram importantes para a evolução do esporte.

A relação de Marcia com a luta, entretanto, não se limita ao boxe. Tudo começou em 1978, quando ela era uma das raras mulheres a lutar capoeira, um esporte que ainda convivia com o rótulo de marginal.

– Lembro que uma vez, eu liguei para um amigo e o pai dele atendeu. Quando disse que eu era a Marcia, da capoeira, o pai dele me censurou. Disse que era um esporte marginalizado e que eu não poderia sair falando por aí que lutava capoeira. Digo lutar porque capoeira é uma luta – diz Marcia, que até hoje pratica o esporte.

Preconceitos e rótulos não preocupam Marcia, que vê a arte marcial como uma forma de expressão corporal. Em 1979, nasceu sua filha Ananda D’Ecanio, que desde cedo já acompanhava a mãe nas rodas de capoeira. Nos anos 1980, ela ingressou no jiu jitsu. Na década seguinte, procurou o boxe inglês e acabou vendo ainda mais de perto a rixa entre academias de jiu jistu e vale tudo, que marcaram os primeiros anos de um esporte que hoje é conhecido como MMA.

– Entrei na academia do Marco Ruas. E lá ela já estava fazendo uma certa revolução no esporte. Antes, existiam desafios entre lutadores para ver qual arte marcial era a mais eficiente. O Ruas foi um dos caras que começou a ver a importância de se treinar mais de uma arte marcial para ser um lutador mais completo – lembra Marcia.

Ruas se recorda bem de sua convivência com Marcia.

– A Marcia foi uma das minha primeiras alunas. Era muito dedicada. E assim como Pedro Rizzo deu continuidade ao esporte, dando aula, formando novos alunos – conta Ruas.

DE TOQUINHO A ‘THE WAILERS’

Na academia de Ruas, Marcia acabou se destacando a ponto de virar professora depois que ele se mudou para os Estados Unidos. Com uma noção mais completa de boxe, em 1997, Marcia viu um anúncio de um curso de arbitragem. Foi quando achou que estava sendo vítima de preconceito por ser mulher pela primeira vez desde que entrou no mundo das lutas.

– Me inscrevi e nada de me chamarem. A única coisa que me vinha na cabeça é que não estavam me chamando por eu ser mulher. Nunca sofri preconceito. Vitimismo também não combina comigo, mas eu não conseguia ver qualquer outro motivo para não me chamarem além do fato de eu ser mulher. Mas aí eu fui chamada e descobri que a demora foi porque a turma demorou a se fechar, não tinha quorum – explica.

Marcia nunca lutou em competições de boxe ou vale tudo. Sua carreira como árbitra de boxe encerrou-se em 2009. Na capoeira, ela fez apresentações importantes, que incluíam até facões. Perdeu a conta de quantas vezes se apresentou em rodas de capoeiras no palco para abrir shows no Circo Voador e Fundição Progresso, em uma lista de apresentações que vai de Toquinho a “The Wailers”, a banda do Bob Marley.

ÔNIBUS 174

Durante todo esse tempo, Marcia nunca deixou de dar aulas de capoeiras. Em determinado momento, ensinou crianças e adolescentes carentes no projeto “Se essa rua fosse minha”, do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Lá, conseguiu dar momentos de alegrias a um personagem marcante da história recente da cidade.

– Tinha um menino que ficava no canto da sala, se chamava Sandro. Ele era um dos mais velhos, tinha 12 anos, mas corpo franzino, mais parecia uma criança de seis anos. Os alunos faziam bullying com ele. Era meio arredio e muito carente. Ele gostava das aulas e sempre me cumprimentava na rua. Não acreditei, quando anos mais tarde, ele sequestrou o ônibus 174 e foi morto pela polícia. Reconheci assim que a televisão mostrou o rosto dele – lembra Marcia.

Marcia e sua filha Ananda, em 2007 – Berg Silva/4-5-2007

Marcia, aos poucos, foi criando um estilo diferenciado de dar aula unindo as artes marciais que domina com meditação e arte. O método ainda não tem nome, mas é conhecido como “aula da Marcinha”. Hoje, as rodas de capoeira foram trocadas por rodas de poesia, paixão que já cultivava desde antes de começar nas lutas – suas redações costumavam ir parar no mural do colégio.

“minhas datas pessoais

nunca coincidiram

com as datas da humanidade

inclusive

nesse momento

dentro de mim é reveillon”, diz uma das poesias desta pioneira do boxe nacional. Esta e outras mais podem ser vistas em seu site: marcialomardo.blogspot.com.br/.

Cronologia de Marcia nas artes marciais:

1978 – Início na capoeira

1982 – Começou a dar aulas de capoeira

1985 – Ministrou a palestra “A Mulher na Capoeira”, Circo Voador

1989 a 1991 – fez jiu jitsi com Carlson Gracie

1992 – Início no Boxe com Marco Ruas

1993 e 1994 – Deu aulas no projeto “Se essa rua fosse minha”

1997 a 2009 – Árbitra pela Confederação Brasileira de Boxe


Fonte: O Globo – http://oglobo.globo.com/esportes

por Victor Costa

Berimbau, a arma da feminilidade das mulheres Bantu

 

“Berimbau, a arma da feminilidade das mulheres Bantu. Após uma terrível batalha, a deusa protectora transformou o arco do guerreiro no primeiro instrumento musical da tribo, para que a música e a paz substituíssem as armas e guerras para sempre.”

 

Existe um facto que goza de certa autoridade, sendo que, quando se pesquisa sobre o berimbau africano, seja ele de que nome, origem, ou tamanho for, é impossível ignorar que o gênero feminino desempenha um papel extremamente considerável em relação aos arcos musicais.

A popularidade do berimbau cresceu transversalmente da arte afro-brasileira mais conhecida por Capoeira. A Capoeira, até certo ponto, era de acesso restrito a um ambiente masculino. Significantemente, as portas foram abertas para o sexo oposto e já se conquistou bastante espaço por meios de dedicação e empenho.

Porém, as mulheres na esfera capoerística ainda se encontram vítimas de regras discriminatórias, consideradas pela comunidade como tradição. Regras essas que não as permite tocar o berimbau e, em certos momentos, não poder participar durante a roda.

A mulher africana, apesar de viver em constantes normas estritas e rigorosas entre elas, sendo as responsabilidades matriarcas, no último centenário foi a que mais fortificou a presença, e a popularização do berimbau africano na plateia continental e internacional.

Através do som melódico e hipnotizante do instrumento de uma corda só, orgulhosamente canta-se cantigas de centenas de anos atrás, transmitidas pelos seus antepassados.

Canções que contam estórias das glórias dos seus povos, sobre a felicidade, a tristeza, o amor, o ódio, a paixão, a traição, as desventuras de casamentos e cantigas infantis.

Não somente a mulher é tradicionalmente considerada a base da família, mas também compõe, canta e constrói os próprios instrumentos que toca.

Cito duas personalidades da música tradicional Bantu-Nguni e herdeiras da tradição de tocadoras de arcos musicais, como a Princesa Zulu Constance Magogo e a Dona Madosini Mpahleni, que hoje em dia goza de noventa anos de idade.

Com esta chamada, conto com mais reconhecimento e consideração para com as mulheres, não somente na capoeira mas também no berimbau e outros instrumentos musicais.

 

{youtube}yEve7Yrw8iM{/youtube}

*Aristóteles Kandimba, angolano, pesquisador, cronista, cineasta e professor de capoeira Angola.
kandimbafilms.blogspot.com
https://www.facebook.com/pages/Angola-Ministry-of-Culture-Pictures-Events/150849848265087?fref=ts
(Mitologia Bantu-Nguni, Zulu – Africa do Sul)

 

Matéria sugerida por Nélia Azevedo – (Portuguesa)

Carolina Soares a voz da mulher na capoeira lança o seu quinto CD

Cantora profissional desde os 16 anos de idade, Carolina se dedica a musica o tempo inteiro, sua convivência com o publico da capoeira se deu através do contato direto em rodas e grandes eventos e meios sociais, dos quais Carolina fez parte ativa nas organizações. A cantora sentia falta de uma voz feminina nas rodas e exaltar mais ainda a presença da mulher. Foi assim que no ano de 1999 teve a ideia em de gravar o seu primeiro disco “Cantigas de Capoeira como você nunca ouviu antes”.

Sempre dirigida por Adriano Chediak (editor da Revista Capoeira), o CD foi de cara um sucesso estrondoso, ganhando espaço na mídia e levando aos leigos o som melodioso das cantigas de roda. Foi capa com matéria central no encarte “estadinho” do Jornal Estado de São Paulo e saiu em matérias de destaque de importantes veículos de comunicação como: Correio Brasilense, Jornal do Brasil, Estado de Minas, entre outros. Levou também a Capoeira para a TV em grandes emissoras como SBT, Record, Bandeirantes e na TV Globo gravou a vinheta dos 30 anos de aniversário do Programa Esporte Espetacular em ritmo de Capoeira.

Sua voz de timbre forte e seu carisma encantaram o universo da capoeira que era quase 100% masculino. Compôs grandes sucessos da capoeira como: “Vai ter Brincadeira”, “Vou Cantar pra Você”, “Capoeira não pode parar”, “Canto na areia”, “Capoeira de Menino” e “Mulher na roda” que virou um hino entre as mulheres.

Carolina Soares hoje é considerada a “voz feminina” da Capoeira, e acaba de lançar o seu quinto CD de capoeira, permitindo com isso fazer turnê de participações em eventos da capoeira em todo Brasil e em vários países europeus, como Grécia, Turquia, Polônia e Itália, sempre levando para os ouvidos e corações dos capoeiristas uma verdadeira lição de superação de como produzir um conteúdo já aprovado. Tem também se tornado madrinha de grandes projetos de inclusão social de crianças e jovens pelo Brasil inteiro.

A maior curiosidade do público é se ela treina capoeira, se ela é praticante assídua das rodas, sua resposta é sempre serena “Não pertenço a grupo algum, sou patrimônio da capoeira, e minha contribuição é através da musicalidade, cantando eu dou volta ao mundo, saltos acrobáticos e posso mandingar até onde eu tiver energia”.

 

Carolina Soares hoje é considerada a “voz feminina” da Capoeira, e acaba de lançar o

Serviço:

 

Data: 23/06/2013

Horario: 16 horas

Local: Bar Brahma

Av São João esquina com Av Ipiranga

Centro – São Paulo

(ao lado da estação de metrô Praça da República)


Para saber mais da cantora e adquirir o seu novo CD:

www.carolinasoares.com.br


Mulher e a Capoeira foi tema de evento no Centro de Criatividade

Neste sábado, dia 02 de junho, o Centro de Criatividade abrigou o evento ‘Aúa Ananã – Mulher na Roda é Pra Jogar’. A programação teve início às 15h e contou com palestra, apresentações artísticas, oficinas (capoeira angola, capoeira regional, maculelê, samba de roda e percussão), sorteios de brindes e desfile da capoeirista mais bela do Estado.

O evento, que conta com apoio da Secretaria do Estado da Cultura (Secult), pretende reunir mulheres, crianças e idosos em uma tarde de muitas atividades. Segundo uma das organizadoras, Nagile Gama, o objetivo do evento é despertar o olhar para o papel da mulher na sociedade tendo como viés a capoeira.

“A partir desse evento nós pretendemos montar um grupo só de mulheres para mostrar a força que a mulher tem na sociedade. E pretendemos usar a capoeira como um meio, e não como um fim. Esse será o pontapé inicial para uma luta maior”, explica Nagile.

A participação de mulheres e crianças no evento será gratuita, já os homens terão que pagar uma taxa simbólica de R$ 5. Mais informações pelos telefones (79) 9955-4664 e o 8863-7943.

Ascom Secult

Aconteceu: III Congresso de Mulheres Capoeiristas: Protagonismo da mulher

Na perspectiva de promover a integração das mulheres de capoeira do Ceará de estados vizinhos, será realizado de 24 a 26 de maio o III Congresso de Mulheres Capoeiristas: Protagonismo da mulher. O evento que tem apoio da Prefeitura de Fortaleza, através da Secretaria de Esporte e Lazer (Secel), é uma promoção da Associação Zumbi de Capoeira e do Grupo Cordão de Ouro.


Durante três dias, serão realizadas palestras, feiras da cadeia produtiva da capoeira e oficinas ministradas por mestras e contramestras na área. No evento, haverá também espaço para recreação infantil, garantindo às mães a participação integral nas atividades do congresso. Toda a programação busca chamar a atenção da sociedade para a atuação das mulheres na valorização da cultura afrodescendente e discutir o espaço já conquistado por elas.

A abertura acontecerá no Cuca Che Guevara (Av. Presidente Castelo Branco, 6417) na quinta-feira (24), às 19h, com acolhida de instrutoras e professoras de grupos de capoeira de Fortaleza. Haverá ainda a formação de rodas abertas de capoeira e de samba. Na sexta-feira (25), também às 19h, no ginásio Paulo Sarasate (Rua Ildefonso Albano, 2050), será realizada a palestra “Protagonismo da Mulher”, que discutirá a evolução feminina na capoeira. A exposição será feita pela mestra Janja, de Salvador, pela professora Tina, da Paraíba, e pelas mestras Carla e Paulinha, ambas de Fortaleza. 

As oficinas, ministradas por mestras e contramestras, acontecerão no sábado (26), das 9h às 12h e das 14 às 17h, no Armazém da Capoeira (Av. José Bastos, 287). No final da tarde, haverá o encerramento com danças populares, como a ciranda, e com a apresentação do Movimento Feminino, que realiza rodas itinerantes em vários pontos de Fortaleza. A abertura e a palestra são gratuitas e abertas ao público. Já as oficinas terão investimento de R$ 20,00 e as inscrições serão feitas durante o congresso, nos locais das atividades. 

Serviço

III Congresso de Mulheres Capoeiristas

Data: De 24 a 26 de maio
Local: Cuca Che Guevara (quinta), ginásio Paulo Sarasate (sexta) e Armazém da Capoeira (Sábado)
Horário: 19h (quinta e sexta-feira) e das 9h às 17(sábado)
Contato: Mestra Carla – Coordenadora do Congresso (3105.1351) 

Fonte: Secel

João Pequeno foi para Terras de Aruanda

“Quando eu aqui cheguei, a todos eu vim louvar…”

Deve ter sido assim que mestre João Pequeno de Pastinha cantou quando chegou em terras de Aruanda, lugar mítico, para onde se acredita vão os mortos…que nunca morrem…como se crê em África !

Assim como João cantou tantas vezes essa mesma ladainha, onde quer que chegava para mostrar sua capoeira angola aos quatro cantos desse mundo … êita coisa bonita de se ver ! O velho capoeirista tocando mansamente seu berimbau e cantando…dando ordem pra roda começar. Os privilegiados que puderam compartilhar com João Pequeno esses momentos, sabem bem do que estou falando.

Foram 94 anos bem vividos. Aposto que daqui não levou mágoa, não era de seu feitio. Inimigos também não deixou, sua alma boa não permitiria. Partiu como um passarinho, leve e feliz, como vão todos os grandes homens: certeza de missão cumprida.

Deve estar agora junto de seu Pastinha, naquela conversa preguiçosa, que não precisa de muita palavra, que só os bons amigos sabem conversar. E seu Pastinha deve estar orgulhoso de seu menino. Fez direitinho tudo que ele pediu: tomou conta da sua capoeira angola com toda a dignidade, fazendo com que ela se espalhasse mundo afora. A semente que seu Pastinha plantou, João soube regar e cultivar muito bem. Êita menino arretado esse João Pequeno !

Nunca foi de falar muito. Só quando era preciso. E nessa hora saía cada coisa, meu amigo ! Coisa pra se guardar na mente e no coração. Mas muitas vezes falava só com o silêncio. Do seu olhar sempre atento, nada escapava. Observava tudo ao seu redor e sabia a hora certa de intervir, mostrar o caminho certo, quando achava que o jogo na roda tava indo pro lado errado. Até gostava de um jogo mais apertado, aquele em que o capoeira tem que saber se virar pra não tomar um pé pela cara. Mas só quando via que os dois tinham “farinha no saco” pra isso. João nunca permitiu que um jogador mais experiente ou maldoso abusasse de violência contra um outro inexperiente ou mal preparado.

Quando tinha mulher na roda então, aí é que o velho capoeirista não deixava mesmo que nenhum marmanjo tirasse proveito de maior força física ou malandragem pra cima de uma moça menos avisada no jogo, coisa comum na capoeira que é ainda muito machista. A não ser que ela tivesse como responder à provocação na mesma moeda. E era cada bronca quando via sujeito tratar mal uma mulher na roda, misericórdia ! Afinal, ele sempre dizia que “a capoeira é  uma dança, então como é que você vai tirar uma mulher pra dançar e bater nela ?“. Não pode !

A simplicidade, a generosidade, a humildade, a paciência, a sabedoria, a fala mansa e contida, sem necessidade de intermináveis discursos de auto-promoção, eram as características mais notáveis de João Pequeno, próprias de um verdadeiro mestre. Muito diferente do que se vê na grande maioria dos mestres da atualidade, diga-se de passagem, que auto-proclamam sua importância para a capoeira, que fazem e acontecem… que batem no peito e falam, falam, falam.

Nesses quase 20 anos de convivência muito próxima a João Pequeno, tive o privilégio e a oportunidade de aprender algumas das mais caras (e raras) lições de vida e humanidade, que jamais teria aprendido em qualquer universidade, nem sequer poderia obter através de algum diploma qualquer que fosse. Esse homem analfabeto que nunca frequentou os bancos da escola, foi responsável por um legado de ensinamentos que orientam milhares e milhares de pessoas em nosso país e também no mundo todo, que reconhecem o valor de João Pequeno como um dos mais importantes mestres da cultura popular e da tradição afro-brasileira de todos os tempos.

João Pequeno representa a voz de todos os excluídos, marginalizados, oprimidos que através da capoeira encontraram uma forma de lutar e resistir, manter viva a tradição de seu povo e dar legitimidade a uma cultura que foi sempre perseguida e violentada nesse país. O velho capoeirista soube conduzir muito bem sua missão de liderança, responsável pela recuperação da capoeira angola a partir da década de oitenta do século passado, quando após a morte do Mestre Pastinha, se encontrava em franca decadência. Quando se instalou no Forte Santo Antonio em 1981, João iniciou a partir de sua academia um movimento importantíssimo de revalorização da capoeira angola, fazendo com que ela se difundisse e se consolidasse como expressão da tradição popular afro-brasileira, presente hoje em mais de 160 países.

Mas João Pequeno nunca precisou ficar afirmando isso por aí, nem tampouco dizer da sua importância para a capoeira. João é considerado um dos grandes baluartes da capoeira angola, mas ele nunca saiu proclamando isso para ninguém. Na sua humildade nos ensinou que o reconhecimento de valor do mestre tem que vir dos outros, da comunidade da qual faz parte e nunca do próprio discurso muitas vezes carregado de vaidade e arrogância. João simplesmente jogava e ensinava sua capoeira. E por isso era grande !

E de lá, das terras de Aruanda continuará a iluminar os caminhos de todos nós.

João Pequeno não morreu !

por Pedro Abib

discípulo do mestre João Pequeno

 

Dica do Editor:

Portal Capoeira recomenda uma visita: 
Mestre João Pequeno de Pastinha

Curso Gênero, Raça e Etnia

Tem início nesta quarta-feira, dia 31 de agosto, o Curso Gênero, Raça e Etnia Para Jornalistas, resultado da colaboração da Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj e ONU Mulheres. Tendo como local o Sindicato dos Bancários, das 18h às 22h, haverá parte teórica e outra prática, com a jornalista Cleidiana Ramos. O mini-curso segue na quinta-feira, no mesmo local e horário. Esta era uma antiga reivindicação do Núcleo de Jornalistas Afrobrasileiros doSindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, que está completando dez anos de existência.

A procura por parte de jornalistas e estudantes de Jornalismo superou a expectativa, criando uma lista de espera. O número de vagas inicialmente previsto de 50 participantes, aumentou para 60 visando atender um universo maior de interessados. A cobertura em tempo real vai estar no portal do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul – www.jornalistas-rs.org.br, no blog do curso – generoracaetniaparajornalistas.wordpress.com, e respectivas redes sociais.

 

A redação fala sobre gênero, raça e etnia: Folha de S. Paulo, Correio Braziliense, CBN, TV Brasil, Rádio Nacional e Grupo RBS

Este material foi gerado para o Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas. Agradecemos às/aos colegas pelo tempo cedido no meio da correria do trabalho e pela riqueza do debate: Eliane Cantanhede, Jacqueline Saraiva, Jorge Freitas, Luiz Armando Vaz, Mara Régia, Maria Honda, Rosana Hessel, Tereza Cruvinel e Vicente Nunes. A “conversa entre jornalistas” faz parte da metodologia do Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas, que tem o objetivo de evidenciar os desafios e as possibilidades traçadas por profissionais com atuação em redações de jornal, rádio, TV e internet. A “conversa entre jornalistas” é bastante objetiva e não foge do assunto nem mesmo quando a cobertura de gênero, raça e etnia parece uma questão difícil de responder. Disponível também no www.youtube.com/grejornalistas.

 

Eliane Cantanhede – colunista da Folha de S. Paulo e colaboradora da Globo News

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Jacqueline Saraiva – repórter do Correio Web

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Jorge Freitas – repórter de Economia do Correio Braziliense

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Mara Régia – jornalista e apresentadora da Rádio Nacional Amazônia

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Maria Honda – produtora da Rádio CBN

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Luiz Armando Vaz – radialista e repórter fotográfico do Grupo RBS

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Rosana Hessel – repórter especial do Correio Braziliense

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Tereza Cruvinel – diretora-presidenta da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) | Vídeo 1 – notíciaVídeo 2 – melhoria da cobertura diária |

Vicente Nunes – editor de Economia do Correio Braziliense

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