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Festas e rituais da Bahia são homenageados em samba enredo da Portela

“Madureira sobe o Pelô, tem capoeira / Na batida do tambor, samba ioiô / Rola o toque de olodum… lá na Ribeira / A Bahia me chamou”.

Era esse o som que se ouvia na quadra do River Futebol Clube na tarde deste sábado (03/12), no Rio de Janeiro. O estado da Bahia, representado pela Bahiatursa – na pessoa de Domingos Leonelli, secretário de turismo da Bahia -, foi homenageado pela escola de samba Portela no samba enredo do Carnaval 2012.

Na feijoada do Grupo Recreativo Escola de Samba Portela, a Bahiatursa e mais de 200 operadores e agentes de viagens baianos eram convidados especiais. Com muita alegria, Leonelli contou que a Bahia será destaque na “passarela do samba” durante 160 minutos no Carnaval do ano que vem.

“Em 2012, nosso Estado será homenageado por duas escolas de samba cariocas. A Portela homenageia com o enredo sobre rituais e festas baianos. Já a Imperatriz Leopoldinense destaca a Bahia ao homenagear Jorge Amado. É uma exposição extraordinária, além de ser uma honra, é claro”, disse.

Muito além do enredo, que deixa o Estado em evidência na mídia internacional por conta da visibilidade do Carnaval do Rio, a Secretaria de Turismo da Bahia tem realizado muitas ações para aproveitar ao máximo a exposição.

“É uma sorte muito grande e precisamos maximizar os efeitos desse momento. Estivemos com a Portela na última Abav, no Soccerex e,hoje, na feijoada. Convidamos mais de 200 agentes e operadores da Bahia. Em breve, a Bahiatursa também estará na reinauguração da quadra da Portela. E a Portela, aliás, também tem participado de ações na Bahia e participará do Salão de Turismo em março do ano que vem. Ontem, o Diogo Nogueira, sambista e portelense, participou de uma ação no Elevador Lacerda, em Salvador. E não pararemos por aí. Estamos trabalhando nas ações para o pós-Carnaval”, contou o secretário.

A presença da Bahia no Carnaval carioca atrai atenção para o Estado, divulga sua cultura e agrega benefícios econômicos. Entretanto, Leonelli destaca outro aspecto que é beneficiado. “É muito bom ver a Bahia, que é terra do samba, presente no Carnaval do Rio. O turismo se beneficia, é claro, mas essas oportunidades despertam o que o setor tem de melhor: as relações interpessoais”, comentou.

Quem estava presente também era Luiz Carlos Brasileiro, secretário de Cultura e Turismo de Maragojipe, a 120 quilômetros de Salvador. Ele contou que o a cidade terá uma ala exclusiva no desfile da Portela. “Nosso Carnaval é muito tradicional, com mascarados e tudo mais. A essência do samba nasceu no recôncavo baiano e agora tem reconhecimento internacional”, contou.

“Está ouvindo? Esse é o melhor samba enredo do Carnaval de 2012. Vai ganhar, com certeza!”, despediu-se Leonelli. Eram esperadas 3 mil pessoas no evento, que contou com a presença de representantes da Bahiatursa; da diretoria, bateria e musas da Portela; da rainha de bateria e atriz, Sheron Menezes; e do compositor baiano Nelson Rufino, além de show de Gilsinho e Seus Capangas.

 

Fonte: http://www.mercadoeeventos.com.br

De vento em Popa 2012

Mestre Jaime de Mar Grande e família Paraguassu convidam para o De vento em Popa 2012, entre os dias 4 e 8 de janeiro, quando será comemorado o sétimo aniversário da Associação Cultural de Capuêra Angola Paraguassu. Com o tema “O Centro da Roda é o Centro da Vida”, o De Vento em Popa, que é realizado anualmente na ilha de Itaparica, Mar Grande – Bahia é uma oportunidade de viver um universo cultural diferenciado, integrado com a comunidade local, de fazer novas amizades, além de desfrutar das belezas locais, conscientizando-se dos trabalhos de preservação e conservação ambiental na Ilha.

Em 2011, cerca de 300 pessoas de São Paulo, Rio Claro, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Maranhão, Salvador, nativos da Ilha e alguns estrangeiros visitantes passaram pelo evento. Para o ano de 2012, a ACCAAP oferecerá alojamento e área de camping aos amigos inscritos no evento.

Nos encontramos lá!

 

Forte abraço.

Mestre Jaime de Mar Grande

 

De Vento em Popa 2012 – O Centro da Roda é o Centro da Vida

 

Programação

 

Quarta 04/01/2012

18:00 – (Re)abertura: o Centro da Roda é o Centro da Vida

19:00 – O Paraguassú em Cena – retrospectiva 2011

20:00 – Roda de Abertura

23:00 – O Samba de Paraguassú na Linha do Mar

 

Quinta 05/01/2012

15:00 – Ritmo com Mestre Jaime.

16:30 – Ensaio com Nenete e o Terno de Rosas (Grupo tradicional da Festa de Reis)

19:00 – Cortejo de Berimbaus – saída da ACCAAP até a Praça de Mar Grande

20:00 – Roda na Praça de Mar Grande

22:00 – Samba de Paraguassú na Linha do Mar na Praça de Mar Grande

 

Sexta 06/01/2012

06:00 – Alvorada e Bateria do Paraguassú

08:00 – Café da manhã coletivo (gastronomia da Ilha)

10:00 – Visita a Associação Sócio-ambientalista Pró-Mar:

– Um trabalho de preservação e conservação local

(histórico, trabalho e visita às praias do entorno)

17:00 – Roda de Aniversário na sede da ACCAAP

20:00 – Saída do Terno de Rosas (cortejo local)

22:30 – Confraternização de Aniversário

 

Sábado 07/01/2012

10:00 – Visita a comunidade do Baiacú

(histórico local e roda de capuêra)

13:00 – Almoço

14:30 – Samba com a comunidade

20:00 – Apresentação do teatro das crianças

21:00 – Samba de partido Alto

22:00 – Palco Livre

 

Domingo 08/01/2012

14:00 – Mesa de frutas

15:00 – Roda de encerramento: só não pode é desequilibrar!

18:00 – Samba de Roda

20:00 – Palco Livre

 

Informações pelos telefones:

 

Mestre Jaime <jaimedema[email protected]>

(71) 87204812 Oi

(71) 93046749 Tim

 

Budião

(71) 92529075 Tim

 

site: www.angolaparaguassu.com.br

email: [email protected]

O SAMBA DE RODA DE DALUA E MESTRE MAURÃO

Em novo projeto de CD, o percussionista Dalua e o Mestre de capoeira Maurão (Mauro Porto da Rocha) resgatam a importância da tradição oral, da musicalidade brasileira e de raiz.

No próximo dia 30 de novembro, às 22h30, o músico Dalua e o Mestre de capoeira Maurão lançam trabalho inédito no Estudio Emme, em noite organizada por Tutu Moraes.

 

O lançamento contará com participações especiais de Yaniel Matos (Pianista Cubano),

Nega Duda (Sambadeira de São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano), Leonardo Mendes ( Violonista de Santo Amaro da Purificação), e Cuca Teixeira ( Baterista de São Paulo e uma das maiores autoridades no assunto) e todos os integrantes do LADODALUA (www.ladodalua.com.br).

 

SOBRE O CD

O resgate da memória de um povo, seja por meio da música, das artes plásticas e dos rituais são os elementos que permitem com que a cultura renasça e se reinvente de tempos em tempos. Memória, ritual e pluralidade cultural são três conceitos que definem o novo projeto-álbum independente do percussionista brasileiro Dalua e o Mestre de capoeira Maurão, do Grupo Capoeira Mandinga.

 

“O Samba de roda de Dalua e Mestre Maurão”, com previsão de lançamento para o final de outubro em todo o país é um recorte das vozes e musicalidades de origens espontâneas que permitem ao Brasil um cenário único. Em dois CDs com um total de 24 faixas, domínios públicos, muitos ainda desconhecidos, ganham registro histórico. Em “Samba de Caboclo, Na minha viola”, “Na boca da mata “Chita do Brás”, “Vou tirar meu amor do samba” e “Dona da casa / Eu vi a pomba na areia”: o resgate da alegria e da característica musical que marcam os encontros de samba de roda.

 

Do desejo para a materialização foram dois anos de trabalho de pesquisa e de diálogo com os parceiros e com o produtor convidado, Guilherme Chiappetta. A percepção de que o canto, presente na tradição oral brasileira, era o protagonista dos trabalhos, fez com que Dalua, também produtor do álbum, optasse em gravar primeiro as bases (canto), e em seguida, com a participação de artistas convidados, traduzissem através de uma poética própria novas sonoridades, harmonias, melodias e ritmos. Este resultado pode ser conferido no primeiro álbum. Já no segundo, mantém-se o samba em seu estado bruto, sem a interferência de traduções ou linguagens. “Percebi, dentro da estrutura do samba de roda, uma série de novas possibilidades rítmicas, harmônicas e melódicas. Ousamos fazer isso. Novos arranjos e ilustres convidados escolhidos especialmente nos deram a honra de dividir o seu talento para realizarmos o CD 1”, aponta o músico Dalua, que também é Mestre de capoeira.

 

O projeto nasceu em 2009 durante os jogos de capoeira, onde ao final de cada encontro, Dalua e seu “tio-irmão”, o Mestre Maurão, “puxavam” com palmas os sambas para o encerramento.  A presença e a energia dos participantes resultavam em uma apresentação vivaz, digna de fazer surgir nos dois companheiros de trabalho, o desejo de mostrar ao público a simplicidade na riqueza deste universo da cultura popular brasileira.

 

Para ressaltar a multiculturalidade que define a obra, a participação especial do pianista cubano Yaniel Matos em “Samba de Caboclo”, permite um resultado sonoro surpreendente, ao utilizar o instrumento clássico com cantos africanos. Como contraponto, o lado rock in roll, com a presença de contrabaixos gravados pelo próprio Dalua nas faixas “Chita do Brás“, com participação de voz de Nega Duda e “Vou tirar meu amor do samba“. Para arrematar, o acordeon de Marcelo Jeneci em “Papai me bateu“ simboliza e celebra o encontro étnico e a diversidade presentes em nossa memória, e espalhadas ainda, pelos cantos do Brasil afora.

 

O UNIVERSO DE CORES E ESTÉTICA DA ÁFRICA

 

“Se olharmos de qualquer praia da costa litorânea brasileira, não avistaremos apenas a linha do horizonte, mas estaremos face a face com o continente africano”, define o produtor e músico Dalua, apontando o olhar e a simbologia que permeia o projeto gráfico do álbum.

 

Na capa e contracapa a imagem produzida pela fotógrafa Priscila Prade mostra o dorso de uma mulher e de um homem negro, semi mergulhados nas águas do mar, olhando na linha do horizonte e em busca das raízes étnicas brasileiras.

 

Sob a visão apurada do artista plástico e cenógrafo Gringo Cardia, o encarte é uma revisitação às cores, aos signos e à simbologia da estética de matriz africana. As ilustrações são estampas de tecidos trazidos pelo próprio artista durante suas inúmeras visitas ao continente.

 

O CD duplo “O Samba de roda de Dalua e Mestre Maurão” com gravadora independente e distribuído pela Trattore tem a previsão de chegada às lojas de CD´s e livrarias de todo o Brasil, a partir de novembro de 2011.

SERVIÇO:

SANTO FORTE PRODUÇÕES E ESTÚDIO EMME APRESENTAM:

 

TUTU RECEBE –  “O SAMBA DE RODA DE DALUA E MESTRE MAURÃO”

DJ TUTU MORAES

 

Ingressos

R$ 15, clientes Porto Seguro portadores da carteirinha;

R$ 20, com nome na [email protected];

R$ 30, na porta sem nome na lista.

 

Estúdio Emme – Av. Pedroso de Morais, 1036 – Pinheiros.

Abertura da Casa: 21h30

Início dos Shows: 22h30

Duração: 1h30

Capacidade da Casa: 600 pessoas.

Vallet no local.

Não recomendado para menores de 18 anos.
A casa aceita cartões e dispõe de chapelaria.

 

Ficha Técnica CD:

Produzido por: Dalua e Guilherme Chiappetta

Gravado, mixado e masterizado no estúdio Malakias, por

Guilherme Chiappetta, entre abril de 2009 a abril de 2011.

Valor Aconselhado: R$ 30,00

Gravadora: Independente

Distribuidora: Tratore

Projeto gráfico: Gringo Cardia

Fotos: Priscila Prade

 

Erika Alexandra Balbino

Baobá Comunicação, Cultura e Conteúdo

Rua Porangaba, nº 149, Bosque da Saúde

04136-020 – São Paulo – SP

+55 11 3482-2510+55 11 3482-6908

Orquestras infantil de Berimbaus, Niterói 1997

No ano de 1997 em Niterói, no bairro de São Domingos, algumas crianças se destacaram pela habilidade que mostravam na Roda da Capoeira e na sua parte rímica e musical. Dentre eles Wellington e Thiaguinho (ao centro e olhando à frente).

Aqueles meninos estavam praticando a capoeira angola a pouquissimo tempo e já mostravam que “iam dar o que falar”. E realmente começaram a jogar uma capoeira bonita de se ver. Um deles, o Wellington (filho da Vera) parecia flutuar no jogo, sapateava e mandingava. Todos o elogiavam e ele já começava a dar trabalho a alguns marmanjos da capoeira, que quando jogavam com o garoto tinham que se calçar de precauções, para não escorregarem de encontro ao chão.

Bons tempos aqueles da Cantareira, incríveis eventos os do Projeto Todo dia São Domingos, no Casarão. Inesquecíveis Sambas pelos quais depois o espaço ficou tão conhecido: o famoso Samba do Casarão! Local onde bambas se apresentaram … artistas que hoje entoam suas vozes nos melhores bares e casas de shows do Rio e do Brasil.  Nomes como Tereza Cristina e Galloti, Pedro Lima e Teresa Pineschi, Seu David da Portela e o seu grupo, Tio Samba e muitos outros deixaram sua marca nas lembranças de muitos que lá estiveram.

O tempo passa a memória permanece!

A partir dessa semana estaremos postando diariamente algumas fotos do Projeto todo Dia São Domingos e de uma época que muitos tem saudades e boas memórias.

Obs. se você participou do Casarão de São Domingos ou da Cantareira e tem alguma foto que deseja compartihar com agente basta enviar para [email protected] A foto poderá ser selecionada e postada no nosso site.

Fonte: Kabula Art’s & Culture – http://kabula.org

Fabricando uma estética da Capoeira : uma visão do documentário Fly Away Beetle

Verificamos que tem havido, nos últimos anos, uma produção crescente de documentários e filmes sobre a capoeira. Contudo, essa produção desde sempre existiu, embora circunscrita ao âmbito nacional e quase sempre envolta a outras temáticas da cultura afro-brasileira. Não era de espantar que esse crescimento exponencial se verificasse se tomarmos em conta o processo acelerado de globalização da capoeira e as apropriações diversas que a indústria cultural faz da cultura popular no mundo.

Um dos melhores exemplos de difusão da capoeira através dos meios audiovisuais foi o filme Only the Strong, lançado em 1993 e que no Brasil ganhou o nome de Esporte Sangrento. Visto em todo mundo, por milhares de jovens, o filme inspirou uma geração de praticantes que, não tendo acesso ao ensino formal da capoeira, deram início à sua prática através do filme. Mas não é isso que nos interessa de todo no filmes sobre a capoeira, se não a sua capacidade de gerar uma estética performativa que prende-se à invenção de um certo exotismo, de uma etnicidade, de uma tradição e uma certa tropicalidade que se reinventa ao longo dos tempos. O que seria do samba sem a figura eminente de Carmén Miranda, que ajudou a projetar o estilo musical por além-fronteiras e subscrever-lhe a certidão de nascimento como símbolo nacional brasileiro. Na década de trinta a cantora realizou, entre outros, dois filmes importantes, A voz do Carnaval e Banana da Terra, onde canta a celebre canção “O que é que a baiana tem?”, de Dorival Caymi. O mesmo ocorreu com o tango, que reforçou a sua argentinidade com os filmes realizados por Carlos Gardel na primeira metade do século XX. Nos exemplos citados do samba e do tango, observamos que, já em tempos idos, as indústrias cinematográfica e fonográfica andavam de braços dados na fabricação de símbolos e imaginários de uma certa estética da cultura popular que se, por um lado, levava audiências ao cinema, por outro, vendia discos. No que toca a capoeira, as trocas simbólicas tem favorecido, por conveniência, ambas as partes. Em verdade, podemos dizer que, de uma maneira geral, as artes visuais sempre se valeram da capoeira como elemento de exploração artística e estética ao mesmo tempo que fabricavam uma esteticidade para a capoeira. Veja-se os exemplos das pinturas de Carybé e as fotografias de Pierre Verger, tão famosas, hoje, em todo mundo.

Poderíamos aqui trazer um elenco muito vasto de filmes nacionais e internacionais que trataram a capoeira: Barravento, O pagador de Promessas, Dança de Guerra, Cordão de Ouro,, Pastinha: uma vida pela capoeira, Capoeira Iluminada, Mandinga in Manhattan, Besouro, entre outros tantos que escapam a essa lista. Fly Away Beetle surge na sequência desses filmes e, de uma certa forma, como uma extensão de todos, sobretudo os de caráter documental, embora na sua linguagem estética se afaste deles.

O documentário traz o depoimento de alguns mestres respeitados como guardiões, ainda vivos, da capoeira, a exemplo de Boca Rica, Olavo dos Santos e Cobra Mansa. Para além disso, traça o percurso de vida de Roque Batista, jovem que tendo saído dos meios mais desfavorecidos da capital baiana, foi resgatado da marginalidade para tornar-se um professor de capoeira. O enredo não é de todo desconhecido para nós capoeiristas: a capoeira como prática de resgate dos mais desfavorecidos e a capital baiana, abrigo dos principais interlocutores da tradição da capoeira, em verdade a Meca da capoeira para alguns e epicentro da cultura afro-brasileira.

Para além dos renomados mestres e de Roque Batista, destacamos que o filme tem muitos outros personagens secundários que, apesar da sua pouca visibilidade, desempenham um papel importante no discurso que o filme apresenta em suas entre-linhas. Falo dos capoeiristas que, em visualização mais acelerada, deferem golpes num bailado típico da capoeira contemporânea. A exibição dos corpos e dos cenários urbanos da capital baiana ressaltam uma estética da capoeira morena e tropical. Chama a atenção que grandes partes das tomadas são feitas ao ar livre, nas praças, Igrejas e locais públicos onde se joga bola, onde a baiana vende seus produtos e coexiste a capoeira. São essas mesmas cenas que, em  Fly Away Beetle, contrastam com os depoimentos dos mestres mais antigos, Boca Rica e Olavo dos Santos, os quais, por meio de suas próprias histórias, nos transportam para uma época de uma capoeira marginal, violenta, perseguida, desvalorizada, repudiada pela sociedade. É através dessa relação que Fly Away Beetle nos apresenta um paradoxo e ,certamente, o que o filme trás de mais importante. A capoeira, prática desenvolvida no Brasil por escravos africanos e seus descendentes diretos – assim como o samba e outras manifestações de matrizes africanas, até pouco tempo relegadas ao status de “coisa de preto” – completou a sua transição entre polos opostos, deixando de ser vista pelas elites como “um dos fatores da nossa inferioridade como povo”, alcançando os meios artísticos e constituindo, hoje, um dos símbolos da nossa identidade nacional. No entanto, a história de Roque Batista aparece no filme para nos lembrar que, apesar da capoeira ter chegado em Hollywood, a população afro-brasileira continua confinada à marginalidade, à pobreza e à miséria, carentes de projetos sóciais ou de uma tábua-de-salvação como o samba, o futebol ou a capoeira, que lhes resgate da exclusão social.

No mais, vale a pena estabelecer uma relação entre Fly Away Beetle e o filme Besouro, lançado no ano passado. Besouro, cuja história se passa na velha Bahia, trás a figura de Mestre Alípio, que tal como os Mestres Olavo, Boca Rica e Cobra Mansa, representam o mestre ancião, guardião das tradições, mestre de Besouro. Recordamos também que Besouro passa grande parte do tempo na mata selvagem, onde entranha-se com os seres da floresta e a sua tropicalidade espiritual. O Besouro de Fly Away Beetle é Roque e a sua mata é a selva urbana de Salvador, recheada de perigos que conduzem o homem a desordem social, ao caos e a entropia. O seu elemento de metamorfose de homem em inseto voador é a capoeira, mágica, negra, mestiça, tropical, ancestral, ritualizada num mundo cada vez mais secularizado.

Apesar da obviedade e da natural desconstrução que se impõe, não posso deixar de enfatizar que em grande parte a capoeira tem de fato estado a serviço da cidadania e do resgate da cultura afro-brasileira. Roque Batista é um entre tantos brasileiros a quem a capoeira deu existência, seja por que tornou-se um dos divulgadores da arte, seja por que o filme inventou-lhe o personagem na vida e em particular no mundo da capoeira.

A conversão do popular em objeto estético é uma magia que o cinema bem sabe fazer, adoçada pelas imagens da não menos mítica capoeira, em tempos pós-modernos. Não espanta que a estreia do filme na Europa fez-se em duas grandes metrópoles pós-coloniais como Lisboa (Universidade de Lisboa) e nos auditórios de Londres, onde as platéias globalizadas consomem o que na periferia mundial se produz. Roque and roll, afinal, são produtos globais.

Ricardo Nascimento

Geógrafo

Mestre em Sociologia da cultura

Doutorando em Antropologia

Professor de capoeira

E O SAMBA SEM VINTÉM, TÁ TOCANDO ONDE?

Há 11 anos em São Paulo, Capoeiras alunos do Mestre Ananias se uniram a alguns amigos, sem pretensões, para sambar um repertório seleto e pouco ouvido em rodas de samba. Resolveram tocar informalmente no bar de um amigo, o Ó do Borogodó, que na ocasião não tinha proposta musical definida. Os encontros aconteciam toda 3ª feira na calçada em frente ao cemitério e a cada semana mais e mais pessoas fechavam a rua para curtir o samba… foi batizado então o Samba Sem Vintém. No Ó do Borogodó o grupo tocou por 1 ano e meio.

Ainda no ano de 2000, fomos convidados a fazer um samba no Café do extinto KVA, antecedendo o show do forró Arrumadinho. Foram cinco anos importantes na formação do grupo, convivendo com forrozeiros de grande valor como Rouxinol Paraibano e Fuba de Taperoá, além de sambistas como Germano Mathias, sem contar os inúmeros anônimos que fizeram parte dessa roda de samba. Foi nessa época que Mestre Ananias (convidado para cantar com o grupo) iniciou o que hoje é o samba de roda Garoa do Recôncavo.

Até o ano de 2007, corremos roda nos bares da noite paulistana, festas e projetos pela cidade, o que hoje já não acontece nesse âmbito comercial.

Em sambas na Casa Mestre Ananias, feitos por alguns integrantes do Samba Sem Vintém, foi reacendida a chama e a vontade de sambar à antiga moda do grupo. O velho e bom repertório do grupo será lembrado nesse domingo, em verso e prosa, com uma festa que espera contar com a presença de todos aqueles que, ao nos encontrarem, sentem saudade daquele tempo e perguntam: – “E o Sem Vintém, tá tocando onde?”

Pelo apreço ao bom samba, pela reverência, respeito e carinho de tantos que o Sem Vintém volta, à sua moda, e pretende firmar seu encontro a partir deste agosto de 2011.

 

Da formação original : Alexandre Arruda, Candi, Cássio Portuga e Rodrigo Minhoca, junto a outros camaradas. Veja um pequeno vídeo com o grupo.

 

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Onde: Casa Mestre Ananias

Quando: Domingo, 28 de agosto

Horário: 16h às 19h

Após 19h, samba de roda Garoa do Recôncavo

 

Entrada Gratuita (o evento conta com o apoio da Playtech e o arrecadado no bar e no churrasco [rojão] será revertido ao projeto social que acontece na Casa Mestre Ananias). Hoje, o projeto tem 32 crianças e adolescentes envolvidos nas aulas de Capoeira, Artes Integradas, Violão e Teatro (clique aqui).

 

(A arte da ilustração deste post é de Fê Guimarães)

CD “CAPOEIRA DE BESOURO” vence 2 categorias no Prêmio da Música Brasileira

CD “CAPOEIRA DE BESOURO” de Paulo Cesar Pinheiro vence 2 categorias no Prêmio da Música Brasileira

A CAPOEIRA se fez presente e vencedora no tradicional e respeitado PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA que em sua 22a edição premiou o cd “CAPOEIRA DE BESOURO” de Paulo Cesar Pinheiro como vencedor das duas categorias a que concorreu: Melhor Álbum Regional e Melhor Projeto Visual.

A cerimônia de premiação aconteceu no último dia 6 de julho no Teatro Municipal do Rio de Janeiro onde Paulo Cesar Pinheiro recebeu os troféus ao lado de Zeca Pagodinho, Monarco, Mauro Diniz, Emílio Santiago, Alcione, Elba Ramalho, Arnaldo Antunes, Lulu Santos, Vanessa da Mata, Roberta Sá, Zezé Di Camargo e Luciano entre outros vencedores das demais categorias.

O cd “CAPOEIRA DE BESOURO” produzido por Luciana Rabello, é uma homenagem a Besouro Mangangá, à capoeira, à Bahia, ao Brasil. Nada mais natural e bonito que tenha sido abraçado e apresentado ao mundo através do olhar e das bênçãos de Maria Bethânia – legítima e fiel filha de Santo Amaro da Purificação, que lançou o cd através de seu selo/gravadora QUITANDA.

O cd “CAPOEIRA DE BESOURO” contou com a participação dos capoeiristas Victor Lobisomem e Mestre Camisa que tocaram os berimbaus ao lado dos renomados músicos Maurício Carrilho(violão), Celsinho Silva(pandeiro), Paulino Dias(atabaque e percussão) e Luciana Rabello(cavaquinho).

A carreira de Paulo Cesar Pinheiro teve inicio com Besouro, quando o poeta em parceria com Baden Powell venceu a Bienal do Samba com “Lapinha” – samba imortalizado na voz de Elis Regina, composto sobre refrão recolhido em rodas de capoeira:

“Quando eu morrer me enterrem na Lapinha/Calça-culote, paletó-almofadinha.”

Assim, sem ter idéia da carreira que iniciava e da grandeza do que iria construir na nossa música, Paulo adentrava os portais da música e da poesia, aos 16 anos, conduzido pelas mãos da CAPOEIRA e de Besouro Mangangá.

Em 2006, foi montado o musical “Besouro Cordão de Ouro”. As músicas do cd foram feitas originalmente para esta peça que também Recebeu o Prêmio Shell de Teatro na categoria Melhor Música e Direção Musical! E o Besouro continua seu voo.

A comunidade da CAPOEIRA agradece a PAULO CESAR PINHEIRO a oportunidade de levar nossos BERIMBAUS e a música da nossa arte a mais um reconhecimento de nosso valor através do PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA !

Festa, Capoeira, Frevo e Samba

Todos sabemos que a contribuição africana para a formação da cultura brasileira é imensa. Os africanos trazidos para cá como escravos, acabaram sendo os principais responsáveis por constituir algumas das características mais marcantes da nossa cultura: a musicalidade, a espontaneidade, a expressividade corporal e a criatividade presente nas mais variadas manifestações das culturas tradicionais de nosso povo.

Nesse sentido, a capoeira, o frevo e o samba, são três das manifestações de nossa cultura que reúnem essas características herdadas dessa ancestralidade africana. Essas expressões têm muita coisa em comum, mas principalmente, chama-nos atenção o fato de estarem sempre ligadas à festa: algo sobre o que, nós brasileiros, diga-se de passagem, entendemos muito bem.

O samba, que surge em nosso país em diversos locais, assumindo diferentes formas e sotaques, sempre esteve ligado à necessidade dos africanos e seus descendentes em festejar, dançar, cantar, beber e comer, enfim, compartilhar seus momentos de alegria, mesmo apesar do duro sofrimento a que eram submetidos no passado, e de certa forma ainda hoje no presente. A festa sempre fez parte do samba – e o samba da festa. Onde quer que se juntem pessoas nesse país para comemorar alguma coisa, o samba quase sempre se faz presente.

A capoeira, que se constituiu como uma estratégia de enfrentamento à violência do regime escravagista e do poder opressor em nosso país, teve como cenário de expansão e consolidação justamente as famosas “festas de largo” no início do século XX, em Salvador da Bahia. É justamente nessas festas populares – como Bonfim, Iemanjá e Conceição da Praia – que se inicia o processo de afirmação e aceitação social da capoeira através dos grandes mestres que começam a ganhar notoriedade nesses espaços, tais como os famosos Bimba, Pastinha, Noronha, entre outros.

E o frevo, que ao que tudo indica, surgiu a partir dos blocos carnavalescos do Recife e Olinda, no início do século XX, onde a rivalidade entre essas agremiações, fazia com que houvesse o enfrentamento entre elas, quando os caminhos se cruzavam durante a festa. Por isso, a necessidade de haver valentões dispostos a esses enfrentamentos – geralmente capoeiristas, que iam à frente desses cordões e, ao som das orquestras de metais e percussão, evoluíam com seus passos ágeis e coreografias bem desenhadas, dando origem à essa dança tão popular no carnaval de Recife e Olinda.

Percebemos então, que o sujeito social que freqüentava cada uma dessas manifestações era o mesmo, ou seja, o capoeirista era também o dançarino de frevo e vice-versa. Isso acontecia também com o sambista no Rio de Janeiro, que inclusive se vestia de forma muito parecida com o capoeirista da época: terno branco, chapéu de palha, lenço de seda no pescoço, e muitas vezes também a famosa navalha. Sem falar na perseguição policial que ambos sofriam, por serem tidos como vadios, marginais e capadócios.

 

Esses elementos nos dão pistas interessantes para tentarmos compreender o contexto social desse período histórico, onde esses sujeitos sociais: o capoeira, o sambista e o dançarino de frevo, compartilhavam do mesmo universo e transitavam com muita desenvoltura nesses ambientes, tendo como pano de fundo, justamente, a festa.

A festa sempre teve lugar de destaque na cultura brasileira, e talvez isso explique um pouco do nosso espírito alegre, nosso bom humor e nossa postura otimista diante das dificuldades da vida. São nos espaços festivos que exercitamos nossa sociabilidade, nosso sentido comunitário, nosso compartilhar de dores e alegrias, nossa sentido de pertença e identidade. A capoeira, o samba e o frevo, são ótimos exemplos desse exercício de cidadania. São manifestações que possuem o forte poder de agregar pessoas em torno da celebração, do encontro e da valorização da vida.

 

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

Carta Aberta: Grupo Botequim

O Grupo Botequim, fundado há 5 anos, tem feito um movimento de valorização do samba brasileiro através das rodas de samba que realiza em vários locais da cidade de Salvador.

As rodas são gratuitas e com uma participação crescente de pessoas interessadas na valorização de nossa cultura. Todos podem cantar, sambar, tocar instrumentos, e muitas vezes até compartilhar da comida servida pelos anfitriões dessas rodas. Esse é o verdadeiro sentido de comunidade, e é nisso que o Grupo Botequim acredita: a força do samba como manifestação agregadora de pessoas e de valores.

O Grupo Botequim foi convidado recentemente para representar a cultura brasileira num Festival Internacional de Música na cidade de Munique – Alemanha que acontece agora em julho. Além disso, o grupo já tem agenda em algumas casas noturnas de Paris – França, para o mesmo período.

Vários contatos foram feitos com instituições públicas e privadas, governos federal, estadual e municipal, editais públicos, etc…e não conseguimos o apoio para a compra das passagens aéreas, já que o festival não se responsabiliza pelas mesmas.

Em função disso, o Grupo Botequim tem feito várias ações no sentido de tentar levantar fundos para essas passagens como: passar o chapéu nas rodas de samba, eventos, venda de CDs, etc… e graças a esse esforço, e com a contribuição da comunidade que nos acompanha, já conseguimos comprar metade das passagens.

Porém ainda faltam algumas passagens para que o grupo possa viajar completo, e por essa razão, nos dirigimos à comunidade na tentativa de solicitar àqueles que se disponham, a contribuir com algo muito simples: A TRANSFERÊNCIA DE SUAS MILHAS DE EMPRESAS AÉREAS, para a compra dessas passagens que faltam.

Acreditamos que com a força de nossa comunidade, conseguiremos o nosso objetivo de representar com dignidade a cultura brasileira através do samba, que tanto respeitamos e valorizamos.

Àqueles que se disporem a contribuir, pedimos que entrem em contato com Daniela, nos números: 91357966 e 34994744 ou pelo e-mail: [email protected]

Nossos sinceros agradecimentos

 

Grupo Botequim

Samba & Semba: Lançamento da Revista “Brasil-Angola”

Meu caros membros e amigos da AABA

Em especial os que se encontrarão em Brasilia ou no em torno. Estaremos realizando ao som de um bom samba e um bom  semba*, estaremos realizando em Brasilia no dia 17 de junho a partir das 20h0, no Restaurante da Tia Zélia, o evento de lançamento do 6º Numero da revista “Brasil-Angola”, que completa este mês um ano de existência.

Este periódico que se consolida como um instrumento importante na difusão e no incentivo de uma maior intercâmbio entre Brasil e Angola entra no seu 2º ano com muitas novidades e energia para continuar seu caminho e cumprir sua missão. A revista vive da participação e incentivo dos dirigentes e sócios da AABA, dos amigos de Angola e da África, em especial a de lingua oficial portuguesa, da colaboração dos profissionais e dirigentes angolanos e demais parceiros daquele pais.
É e se propôe uma ferramenta a contribuir dentro das limitações postas para que o Brasil conheça mais Angola e participe do processo de recosntrução deste pais de forma ainda mais efetiva, levando, sobretudo a nossa experiência e alegria ao irmão povo angolano.

Participe, divirta-se conosco e contribua para com esta missão que se propôe a AABA.

Dia 17 de Junho
Horário: As 20h00,
Local:RESTAURANTE TIA ZÉLIA(vide o convite em anexo)
Vila Planalto, lote 8, Casa 8, Brasilia!

Confirme presença por e-mail: [email protected]
www.brasilangola.com.br

Até lá.

Abraços
J.Junior