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Aconteceu: Campeonato Acreano de Ladainhas Canto das Senzalas

1° Campeonato Acreano de Ladainhas Canto das Senzalas promete se consolidar como parte do calendário cultural da cidade de Rio Branco.

Evento vai reunir na capital mestres capoeiristas de outos Estados e  aconteceu no Cine Teatro Recreio – Acre

A realização foi da Federação Acreana de Capoeira (FAC), através do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura, financiado pelo governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour (FEM).

É através do diálogo harmônico entre luta, dança e musicalidade que surge uma das mais belas expressões de arte e cultura, a capoeira. Genuinamente brasileira, traz em suas raízes as histórias de batalha e sofrimento de um povo, que mesmo subjugado por uma sociedade escravocrata transformou tristeza em alegria ao som de palmas e cantorias, acompanhadas por berimbaus e tambores, em um gingado único que reflete toda nossa brasilidade.

Há quem diga que um bom capoeirista é aquele que valoriza a musicalidade em meio à atividade que pratica, e foi pensando justamente nisso que a Federação Acreana de Capoeira elaborou um campeonato focado na faceta musical, tão própria dessa expressividade cultural, que além de luta e dança é também música.

A programação comporta uma série de atividades, sendo elas realizadas em diferentes espaços: cerimônia de abertura (Cine Teatro Recreio), oficinas (sala de artes marciais do Sesc), batizado integrado (miniginásio do Sesi) e o campeonato propriamente dito(Cine Teatro Recreio).

As oficinas são destinadas aos alunos das sete associações ligadas à federação: Capoeira Educar, Capoeira Nagô, Cordão de Ouro, Abadá Capoeira, Acre Brasil, Capoeira Cajueiro e Grupo Candeias. Da mesma forma, o batizado integrado é um grande encontro, uma confraternização entre os mais novos e os mais experientes capoeiristas de Rio Branco. Em média serão 350 crianças e adolescentes a serem batizados, entre eles meninos e meninas da APAE e do Centro de Ensino Especial Dom Bosco.

O Campeonato de Ladainhas está aberto a todos aqueles que queiram participar, e as inscrições só se encerram uma hora antes do início da competição. Além dos concorrentes, o evento conta com a participação especial de mestres como Luiz Renato (SP), Suassuna (SP), Catitu (SP), Kao (DF), Onça (GO), Risadinha (BA), Coruja (SP), Professor Gibi (SP) e Professor Invertebrado (SP).

Fundada em 1992, a FAC tem como objetivo difundir a cultura afro-brasileira, através da Capoeira. “E isso só é possível pela união dos grupos em busca de um bem maior, a capoeira” relata o contramestre Caju, da Capoeira Cajueiro.

 

Cristiane Albuquerque (Assessoria FEM)

O legado das senzalas

Filha de escravos africanos e nascida em terras brasileiras, a capoeira camufla arte marcial em dança, contagia e gera paixões aqui e no resto do mundo.

A história da capoeira se funde com a própria história do Brasil. Embora seja possuidora de raízes africanas, é no solo brasileiro que ela realmente se firmou e floresceu até os dias de hoje.

Causadora de grandes polêmicas, a mesma capoeira que gerou – e ainda gera – certa resistência e preconceito, também suscita grandes paixões. Nilson Rosa, 45, conheceu a arte cedo – aos 16 anos – e se identificou. Hoje, além de diretor da Secretaria Municipal de Cultura eTurismo, Nilson é mestre de capoeira, algo que para ele é um sonho que se tornou realidade.

Assim como os outros esportes, este também traz vários benefícios à saúde. Dentre eles, a melhora da condição física e o retardo do envelhecimento. Mas o diferencial também está presente nos benefícios não físicos. “A capoeira ensina o ser humano a ser mais humano. Ela é o tempo inteiro igualdade e união”, conta o mestre Nilson.

Mas se há tantas vantagens, qual é o motivo de o preconceito ainda existir? Para o mestre, é simples: “As pessoas tem resistência ao que é invisível e desconhecido. Por ter sido criada pelos escravos, a capoeira tem a famade ser algo para os desocupados”. Embora muita coisa da história não esteja escrita, o mestre Nilson passa seu conhecimento aos alunos, contando para eles as histórias do folclore brasileiro e o legado deixado pelos escravos. “Ainda que a capoeira pareça distante, esta arte originada como forma de autodefesa camuflada em dança está mais do que presente em nossasvidas.

Se antes os escravos viviam em senzalas e tinham como inimigo comum o senhor de engenho, hoje moramos em cidades e enfrentamos a dureza do cotidiano”.

Em Jaú, a capoeira está em sua sexta geração. A primeira delas contou com o mestre Bimba, que treinou diretamente com os escravos e passou seus conhecimentos ao mestre Suassuna. O mestre Suassuna ensinou Nino, que por sua vez foi mestre de Betão.

Quando Betão faleceu, Nilson – que já treinava há cerca de 10 anos – se tornou mestre, e hoje passa aos seus alunos a arte capoeirística, até o dia em que alguém se levante e então seja um mestre da sétima geração em Jaú.

A capoeira é uma mistura de tradições e segredos, de golpes e gingas. É como disse o mestre Pastinha, “jeito de escravo com ânsia de liberdade. Seu princípio não tem método, e o seu fim é inconcebível ao mais sábio dos mestres”.

 

Fonte: http://www.redebomdia.com.br/Noticias/Viva/62690/O+legado+das+senzalas