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Dezembro 2005

Vendo Artigos de: Dezembro , 2005

Mestre Ananias: 81 voltas ao mundo

Caros amigos,

Venha brincar, se divertir, distrair e vadiar a Capoeira e o Samba de Roda na "Vila dos Vinténs" no aniversário do Mestre Ananias.

 

São 81 ANOS de vida e mais de 50 anos em São Paulo e nós paulistanos temos a chance de comemorar junto a esse grande Mestre baiano, o que simboliza a presença e continuidade sociocultural de matriz africana no Brasil, a Capoeira e o Samba de Roda. 

 

Dia 13 de dezembro de 2005 (TERÇA) a partir das 19h. Até 22:30hs 5,00 (Homem e Mulher), após 10,00M e 15,00H. Mandem seus nomes para a lista de desconto no 5,00M e 10Hviladosvintens@gmail.com

Vila Cultural Itaim " Rua Henrique Chamma, 20 Itaim

 

Um grande abraço

 

O Samba do Recôncavo Baiano acaba de ser declarado pela UNESCO como Patrimônio Imaterial e Oral da Humanidade, assim o "Samba Sem Vintém" tem a honra de receber a presença do representante que há muito contribui para nossa capital. Salve Mestre Ananias!!!

 

Rodrigo Bruno Lima

 

Uirapuru Assessoria Cultural

www.uirapurubr.com.br

 

Fonte: Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

Capoeiras Italianos: Un “Giro” al Brasile

Grupo de Capoeiras Italianos visitam o Brasil, passando por São Paulo, Rio e Bahia.
Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br
Edição 53 – de 11/dez a 17/dez de 2005
São José dos Campos – SP
Dezembro de 2005


Quando regressei de uma turnê pela Europa (Out/05), onde tive o prazer de visitar Portugal, Espanha, Itália e Alemanha, programei-me para rever os amigos de São Paulo, sendo alguns deles mestres de capoeira. Um dos primeiros locais que visitei foi o Terreiro de Mestre Pinatti, Rua do Vergueiro, 2684, próximo ao Metro Ana Rosa.
Ao chegar ao espaço, local onde Pinatti mantém sua academia, tive a grata surpresa de encontrar um grupo de Capoeiras italianos, recém chegado de Roma, cidade que tive o prazer de conhecer semanas antes, bem acompanhado por minha italianíssima esposa Keila Cornetta.
É sobre este grupo de ítalo-capoeiras nossa crônica de hoje.
 
1. Capoeiras Italianos no Brasil
 
            O grupo de Capoeiras chegou ao Brasil no dia 29 de Outubro, desembarcando no Aeroporto Internacional Franco Montoro, em Guarulhos, São Paulo. Do aeroporto seguiram de Van para o litoral sul, mais precisamente para a cidade praiana de Guarujá.
            O alegre e festivo grupo (Ah, Itália!) estava assim composto: Grupo Lembrança Negra de Mestre Canhão, representado pela Instrutora Daniele, Piãozinho, Azulão, Espoleta (foi também aluna do Mestre Samuca) e Nicole (filha de Mestre Canhão). Também participava do grupo um representante do grupo Topázio (de M.Valmir & M.Dinho), sendo este representante aluno do professor Tássio (Roma).
            No quando de minha visita, mestre Pinatti não hesitou em colocar uma roda de improviso para os capoeiras italianos "brindarem o encontro", jogando com os alunos da casa. Berimbau afinado e o jogo comendo solto. Em dado momento mestre Pinatti fez a senha e pediu para que eu também aderisse à Roda. Foi como jogar o sapo n´água.
            Aliás, sempre que visito o campo de mandinga do Pinatti, trato de dar algumas voltas do mundo com seus alunos, ao que ele, mandingueiramente, complementa:
 
            – O lobo perde o pêlo, mas não perde o vício.
 
Para ler mais; clique aqui

Mato Grosso do Sul: Alunos dos Parques e Centro Cultural se apresentam domingo

Os alunos dos cursos de oficinas de arte realizadas pela Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul participam hoje de uma grande celebração artística. Assim como aconteceu ontem, neste domingo também será realizada uma variada mostra de arte no Teatro Aracy Balabanian, com entrada franca.

A programação destaca vários seguimentos artísticos, como a dança, o teatro, a capoeira e a música. A entrada é gratuita. "A mostra revela a importância de se estar realizando e promovendo ações continuadas em benefício direto às comunidades que têm menos acesso as atividades artísticas", assegura Pedro Ortale, diretor-presidente da Fundação de Cultura de MS.

Neste domingo, às 19h, os alunos da Oficina de Teatro abrem programação com Chorinho Doce, uma adaptação do livro homônimo de Adélia Prado. O encerramento será às 20h50, com os alunos da oficina de arte cincense.

Um dos destaques será a apresentação dos alunos da oficina de Dança Experimental com Portadores de Necessidades Especiais, ministrado pela professora Myla Barbosa. A primeira coreografia, Ensaio das Primaveras", será apresentada cinco portadores de deficiência auditiva. Os alunos portadores de necessidades especiais entram em cena logo em seguida com a coreografia "Peão de Amor".

A apresentação dos alunos é resultado das diversas oficinas que aconteceram em Campo Grande durante 2005 nos parques Jacques da Luz e Ayrton Senna e no Centro Cultural. O projeto é realizado pela Secretaria e Fundação de Cultura de MS.

Associação de Desenvolvimento Sócio – Cultural do Capuêra Angola

Salvador – Bahia
Convite especial
 
Convidamos , a todos para solenidadede posse da 1ª Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal , eleito na assembléia ordinária , realizada em 01 de agosto de 2005, da Associação de Desenvolvimento Sócio – Cultural do Capuêra Angola .
Vale salientar que esta instituição é de caráter sem fins lucrativos , e , que visa divulgar a Cultura a nível Internacional , onde teremos brevemente intercambio cultural com outros países.
No aguardo de vossa apreciação , aproveitamos para renovarmos o nosso grau de estima e profícua consideração.
 
Salvador- Bahia , 11\12\05
Atenciosamente
Jaime Martins dos Santos – Mestre Cúrio
Presidente

Mensagem de Final de Ano do Mestre Gilvan

MENSAGEM ESPECIAL PARA VOCÊ
 Sei que nesta jornada de 2005, nem tudo aconteceu do jeito que se esperava, mas se houveram espinhos, pelo menos, serviram para fortalecer a alma e fazer jus à luta por dias melhores.
Na ginga da vida, na roda do mundo, todo mundo ginga, a cada segundo no salto do tempo, no brilho do riso, dando rasteira nos desafios.
A grandeza de ser o que és, não se mede por troféus e nem por elogios adquiridos em méritos e sim, pela persistência em acreditar na bondade humana, pois onde há UMA VONTADE há sempre UM CAMINHO e onde há BOA VONTADE, haverá sempre MUITOS CAMINHOS.
Desejamos muitas felicidades e grandes realizações neste ano de 2006, repleto de axé, alegria e felicidade a todos os capoeiristas do mundo e familiares, a paz no coração, saúde eterna, muita vontade de vencer e persistência na busca de seus sonhos, pois o hoje é a semente e, o amanhã os frutos que os servirão em sua jornada.
São os sinceros votos da
Associação de Capoeira Ladainha
Associação Brasileira de Capoterapia
Mestre Gilvan
Brasilia DF

As Bantas Coisas de Alagoas – culturas negras, passado e presente

Às comemorações da saga palmarina acrescentemos um olhar na dinâmica das culturas afro-alagoanas de hoje, e outro nas trajetórias que as fizeram como são
Mais um novembro de merecidas comemorações nacionais à consciência negra. Em Alagoas, deveríamos acrescentar uma necessária atualização: a de que fomos e continuamos a ser um território marcadamente afro-brasileiro. Esta poderia ser uma espécie de contrapartida do presente à saga palmarina do passado.
Ao menos em Maceió, em certa medida continuamos cegos e ignorando a cidade negra sobre este chão, e diante dos nossos olhos. Temos grande escassez de estudos sobre diferentes características da afro-brasilidade e insistimos, por isso mesmo, em não reconhecer a imensa força simbólica de tal pertencimento cultural. Na verdade, nos habituamos a envolver muita coisa sob o pano enganoso do folclore; quando disso se faz apenas o discurso da pretensa herança "comum" do "povo" ou da "alma alagoana". Vistos assim, muitos elementos étnicos que nos formam perdem a identificação de suas matrizes, empobrecendo a compreensão sobre nós mesmos.
O fato é que há uma África específica que nos habita desde aqueles primeiros navios do atlântico negro, nos meados do século XVI. Esta é, em grande medida, uma África dos povos de tronco lingüístico banto (ou bantu), e que está em nossas palavras, em nossas "gingas" e "mogangas"; rasteiras e umbigadas de tantas capoeiras, sambas e batuques. Em nossos fazeres, saberes e sabores diários que degustamos na ignorância de sabê-los negros, africanos, alagoanos, afro-alagoanos.
Por isso, leitor, quando pronunciar "gunga" você estará falando da praia alagoana, mas, provavelmente sem o saber, estará também se referindo a "berimbau pequeno". Se disser "mutange" ou "cambona" estará falando banto; e se der de ombros ou apontar com o queixo ou beiço, se dançar um samba de roda, se improvisar o "passo" num frevo rasgado, ou jogar uma capoeira de Angola, se utilizar a quase totalidade de nossas expressões informais para a sexualidade, mas, também ainda, quando se dobrar ante a força de um Preto Velho num terreiro Umbanda ou "Xambá" – linha de culto afro-brasileiro de influências banto e cabocla – saiba, você estará exercendo seu lado "banto".
O português praticado em Alagoas é de tal forma marcado pela presença banta que Rodolfo Garcia, em seu Dicionário de Brasileirismos, não hesitou em afirmar que por aqui esta influência foi maior que aquela herdada dos ameríndios. Mas não somente assim estão presentes as inúmeras referências bantas em Alagoas e no Brasil.
Dos povos bantu herdamos valores morais, espirituais, religiosos, estéticos, sociais e políticos, técnicas corporais, tecnologias agrícolas, comportamentos coletivos associativistas, modelos de organização familiar e outros. E é por isso que o africano não contribuiu com a cultura brasileira, pois quem contribui o faz "de fora"; ele a constituiu, isto é, a elaborou "por dentro".
O termo bantu deriva de "ba-ntu" , plural de mu-ntu (pessoa, indivíduo), e se refere a uma imensa família etno-linguística da qual descendia o maior contingente de escravos trazidos para o Brasil, aqui chamados angolas, cambindas, congos, benguelas, moçambiques, entre outras denominações. Foram negros bantos provenientes, sobretudo, dos atuais territórios de Angola, falantes do quicongo, do quimbundo e do umbundo, entre outras línguas; da República Democrática do Congo (Congo-Kinshasa, ex-Zaire) e da República Popular do Congo (Congo-Brazzaville), falantes do quimbundo e do quicongo, entre outras, que constituíram a força de trabalho africana espalhada inicialmente na costa brasileira, entre os séculos XVI e XIX, formando a quase totalidade dos negros cativos em Alagoas. Os rebeldes de Palmares, por exemplo, eram seguramente bantos, em sua maioria e talvez mesmo em sua totalidade.
Os bantos formaram uma civilização capital no processo de povoamento do continente africano. Acredita-se que ali a expansão humana ocorreu do Norte para o Sul, ou seja do Egito à África do Sul. Os agrupamentos mais antigos também se estabeleceram na região abaixo do Saara, a Noroeste. E deste ponto partiram os bantos e os chamados sudaneses. Enquanto os sudaneses permaneceram na rota Oeste-Leste, até o atual Sudão oriental, estacionando acima da linha do Equador, os povos bantu espalharam-se rumo ao Sul, sendo hoje encontrados majoritariamente tanto na África ocidental quanto oriental.
As influências lingüísticas do tronco bantu localizam-se, quer em línguas preponderantes quer minoritárias, nos seguintes países africanos: Camarões, Guiné Equatorial (parte do Gabão), Angola, Congo-Kinshasa (República Democrática do Congo), Congo-Brazzaville (República Popular do Congo), Ruanda, Burundi, Uganda, Quênia, Tanzânia, Zâmbia, Botsuana, Namíbia, Moçambique e África do Sul. São milhões de bantos falantes de mais de 450 línguas de um mesmo tronco lingüístico!
Para o Brasil, as maiores contribuições vieram das línguas quimbundo, umbundo e quicongo, grandemente incorporadas no português que falamos. No nosso país, e ao contrário do que se passara na costa africana, não tivemos a formação de uma língua de contato, uma língua geral entre africanos e portugueses, como o crioulo, tamanha esta influência de línguas bantos no falar brasileiro. Apesar desta forte presença, os negros bantus sofreram imenso preconceito no Brasil, e não apenas do homem comum, mas de intelectuais do porte de Caio Prado Junior, Sílvio Romero, Afrânio Peixoto, Manuel Diegues Jr., e até mesmo de militantes negros como Édison Carneiro. Via de regra, foram vistos como mais "atrasados", ou como mais "submissos" que outras etnias africanas aqui aportadas pela escravidão.
Portanto, não foram apenas os negros bantos os escravos trazidos para o Brasil. Em menor volume, e provavelmente apenas na fase final do escravismo (fins do século XVIII e primeira metade do XIX) aqui chegaram os chamados sudaneses – por referência ao antigo Sudão, reino que compreendia desde o atual Sudão oriental até a costa ocidental, no atuais Benin, Senegal e Nigéria. Dos sudaneses os escravos chamados "malês" eram islamizados, sendo os demais chamados genericamente nagôs, sobretudo dos grupos jeje-mina e nagô-iorubá, e nos trouxeram a religião dos orixás, tal como a conhecemos hoje pelos nomes de Xangô, Candomblé, Tambor de Mina e outras denominações. Os malês se tornaram famosos por suas revoltas urbanas na Bahia, com uma pequena presença em Alagoas; já os demais são, até hoje, reconhecidos na linguagem litúrgica dos cultos e nalguns termos incorporados ao português brasileiro. Muito provavelmente, para estes sudaneses foi vantajoso permanecerem freqüentemente nas cidades brasileiras, e em particular em Salvador. Com o "feitor ausente", obtiveram condições mais favoráveis à rebelião e/ou preservação da língua e das crenças. Para os bantos, restou uma presença mais "invisível" e mais antiga, mas muito mais dilatada em diferentes domínios: a língua portuguesa do Brasil, as artes culinárias, corporais, musicais, os bailados e danças dramáticas brasileiras.
Manifestações
Estando em Alagoas por muito tempo no espaço rural, na Zona da Mata dos engenhos de açúcar, o negro escravizado possibilitou (tirei o termo para") que hoje Alagoas seja tomada como um celeiro de manifestações folclóricas, em particular nas músicas e danças, como os pagodes -não confundir com o pagodão paulista – e os sambas, outros nomes dos cocos alagoanos, inúmeros como dança e canto, segundo ensina Aloisio Vilela: coco topado, remado, travessão, cavalo manco, trupé repartido, o sete e meio, o xipapá, o falado, o dobrado, o tranquiado, o de entrega, o de roda, o de "pareia", o coco solto, etc. Invenções rítmicas, coreográficas da cultura popular de Alagoas que, como se sabe, resultaram de um contexto – nos sentidos social, psicológico, político e cultural – muito específico, o da escravidão; e depois o do mandonismo senhorial de compadrio, esta forma de relacionamento bastante conhecida, às vezes adocicada na pena romântica da crônica condescendente dos resenhistas de nossas origens. Diegues Jr. lembra, a propósito, que manifestações como o coco seriam produtos gestados pelos empregados das fazendas, mas para uso coletivo nos pátios, isto é, uma produção cultural de mediação social, uma criação "para fora", para todos. Deste modo também, ao que parece, muitas características estéticas foram misturadas às formas lusitanas (ou ibéricas) e ameríndias de folguedos e festejos. Assim, não se deve esperar que as referências afro-brasileiras sejam apenas aquelas nítida e claramente reconhecíveis como "africanas".
Foram dessas realidades negociadas a partir das fazendas e engenhos alagoanos que brotaram formas culturais ambivalentes ou ambíguas quanto ao reconhecimento social dos teores de negro-alagoanidades que as preenchem. Isso transparece com nitidez no chamado "folclore negro", que para Alagoas os estudos de Abelardo Duarte listaram: as danças do coco alagoano, do buá, do bate coxa, e ainda do lundu; as músicas do esquenta-mulher e dos barbeiros; a literatura oral negra do ciclo do Pai João, das cantigas de ninar e dos adágios populares; a escultura, como a estatuária fantástica, radicalmente distinta da européia; as profissões "de ganho", como os vendedores ambulantes e as baianas quituteiras da velha Maceió, no centro e em Jaraguá, lembradas por Félix Lima Jr; e os folguedos populares, hoje mais ou menos vivos e mais ou menos mortos, como o Bumba-meu-Boi, o Reisado, o Guerreiro, as desaparecidas Taiêras, as Baianas, o Quilombo, e o finado Maracatú.
Ora, se essa influência está assim disseminada, "hibridizada" ou "sincretizada" na forma "afro-brasileira" ou "afro-alagoana", o esforço de conhecê-la (ou reconhecê-la) é aquele de evitar que sejamos, por exemplo e por ignorância, racistas de nós mesmos. Também é preciso considerar este processo de fusão de referências como estando em pleno vigor, o que evita o congelamento dessas referências no tempo e no espaço. Somos bantos sim, pelas centenas de gestos e expressões corporais, de grupos de capoeiras e bandas afro, pelos instrumentos musicais, pelos brincantes de folguedos, pela maneira com que professamos, aberta ou veladamente, crenças mágico-religiosas. E por falar em religião, foi do sistema de crenças banto, aliás, que veio boa parte dos elementos que integram os cultos umbandistas. E foi como religião sincrética que o Xangô (ou Candomblé) ressurgiu com força em nossa cidade, desde os anos duros do início do século XX. Não sem razão o nosso Candomblé tem se autodenominado de "traçado", isto é misturado de nagô com umbanda, de orixás, inquices e caboclos. Xangô com Umbanda, como se diz, por força das linhas bantas ditas "de Angola".
O elogio a este processo sutil de misturas culturais deve soar como um signo da vitória da cultura sobre a raça, como uma fórmula a evitar que a mestiçagem seja lida como mera ideologia do recalque, mas, bem ao contrário, que represente a exata medida de nossa auto-referência. Isto em vez de restringir alargaria a definição do ser alagoano, quanto à cultura que se supunha sob este rótulo existir, mas também quanto à composição social desse mesmo ser.


Angolafobia
Por que é importante retomar esses laços afro-alagoanos?
Não fosse para gerar informação e atualização seria, ainda, para não pararmos nas generalidades sabidas, de gostos senhoriais e ainda tão vivos mesmo que extemporâneos, e que em salões ou colunas de jornais a tudo dilui numa confraternização sem fim da "gente alagoana".
É necessário retornar às pistas sugeridas nos poucos autores locais que se debruçaram sobre as afro-alagoanidades (à frente de todos, Abelardo Duarte), dispersas ou ofuscadas pela característica violência de nossa formação social. Foram séculos de ignorância, ironia e preconceitos, que obliteraram a clareza e obviedade do nosso cotidiano real, sem as mistificações discursivas, literárias ou outras. A vida real desta gente crescida no sururu, no mungunzá e no pé-de-moleque.
Quais seriam, então, os mais reais representantes desta África escondida em nós? Seriam quilombolas, papa-méis e, hoje, cata-papéis. Porque a pobreza herdou os negros alagoanos, e deu uma cor escura à pele da miséria. Esta gente apelidada de povo, mas, contudo, sempre exibida num corpo desossado como um polvo.
Insistimos em falar da Nega Jujú, uma imagem bem nossa e bela, mas, olhando direitinho, uma negra imaginária, uma "negra maluca" criada nos anos da era Vargas, naquela pequena, pacata e provinciana Maceió. Tudo bem, a Nega Jujú é mesmo um de nossos patrimônios imateriais.
Ora, mais importante e mais real, patrimônio esquecido, foi a Marcelina; porque negra real de terreiro, negra de Xangô, que apanhou com o pau do ódio às coisas de África, essa lembrança que se quis apagar com uma sova na gente crédula de seu passado.
Foi numa Alagoas – e numa Maceió – senhorial, violenta, e branca em sua vontade de negar-se a si mesma, que se calaram todos os que tinham voz ante o massacre das casas de cultos afro-brasileiros. E o pau cantou, deitou e rolou naquela noite de 1 de fevereiro de 1912. Eis aí uma data que ainda nada diz para quem dela poderia fazer a lei de seu reconhecimento e de sua memória social. Assim como o 20 de novembro, data nacional, por que não esta data local sobre a mesma causa? Ou continuaremos calados?
Calados ficaram todos os homens de voz daqueles anos duros e intolerantes: poetas, acadêmicos, políticos, jornalistas. Neste caso, poder-se-ia dizer, a riqueza herdou os envergonhados "homens bons", ditos de boa cepa ou "de família".
Não deixa de ser sintomático sobre a eficácia desta violência – chamada também de "operação Xangô" – e do silêncio que produziu, o fato de que já em 1935, quando lança o seu livro Folk-Lore Negro do Brasil, Arthur Ramos ainda se referir ao massacre de 1912 como "batidas policiais", quando hoje sabemos ter sido uma ação coletiva civil e de oposição ao governo de então. Foi justamente por não se tratar de ações policiais, corriqueiras em todo o país, que o "quebra de 1912" é acontecimento único de intolerância religiosa no Brasil. Um vexame histórico, uma vergonha secular da terra da liberdade! A partir de 1912, algumas coisas parecem ter mudado para sempre.
Maracatú (palavra banto)? Nem pensar nisso por aqui. Não, isso já seria, então, demais; pois o indisfarçável Xangô ou Candomblé (palavra banto) estava contido nessa gente de Maracatú. Melhor seria, e na prática o foi, trocá-lo por fórmulas mais brandas e católicas. Que tal uma igreja se fazendo chapéu? Mil vezes a Calunga se querendo santa. Ficou tão esquecido e ofuscado entre nós o Maracatú que Abelardo Duarte conta que por ocasião da IV Semana Nacional de Folclore de 1951, que se passou em Maceió, Théo Brandão quis organizar um grupo deste folguedo mas desistiu, pois "não havia jeito das "Baianas" do Maracatú dançarem no ritmo conhecido; só dançavam no ritmo das Baianas."
Tire-se, então, os batuques e umbigadas de tão bantas feições. Coloque-se em seu lugar algum passo quebrado dito mais folclórico, pincelado de lusitanismos e indianismos. Enfim, nada de tanta Angola em Alagoas. Uma agonia ou uma angolia? Angolofobia. Aliás, e a propósito, angola era como os portugueses se refeririam ao Reino de Dongo, e vem o termo do banto Ngola , ou "o divino".
E se poderia ler sossegadamente o belo poema erudito: "que medo danado de negro fujão". A poesia negra? Só se for na versão erudita. Lembranças do rio Congo? Só se for na poesia de Raul Bopp.
Congo, antigo reino banto aonde, à foz do rio de mesmo nome, chegou a expedição portuguesa de Diogo Cão em 1482, reino que de tão grande deu quatro novas nações africanas. Do Congo nem as congadas, correntes no Brasil, foram para nós atrativas. Na porta de nossas igrejas, nada, ou quase nada, dessas bantas "bagunças". Nada de tambores, nada de tão real e negra presença de África. Era um medo danado. Manuel Diegues Jr., no seu "O Bangüê (palavra banto) das Alagoas", insuflado pela pena de Alfredo Brandão deste repete o argumento do catolicismo dos escravos daqui, que assim "não se deram à prática de cerimônias religiosas próprias". Por isso, facilmente exterminamos os Maracatús – na verdade, poderíamos aceitá-los, desde que como uma folclórica e caricatural "Nega da Costa"; pois até mesmo como Taiêras deixamos morrer.
O mestre Félix, lá de Jaraguá, do Xangô e do Maracatú, naquela velha Maceió humilhada desapareceu das ruas. Quem quiser, no entanto, poderá encontrá-lo nos jornais dos anos 1930, brincando novamente o Carnaval, mas com adequado folguedo lusitano!
Ao horror dos Palmares, impregnado em séculos de senzalas bem seguras e de negros bem aprisionados, acrescentemos essas nossas maldades tardias: primeiro, aquela da Cabanada e seus negros "Papa-méis"; depois, de modo exemplarmente alagoano, a maldade do quebra-quebra de 1912. Quando veio este massacre dos terreiros, fizemos até festa sobre os pertences sagrados daquela gente (hoje, coleção Perseverança do Xangô alagoano, no IGHAL); humilhando por décadas a fé alheia, e impondo-lhes ou o total silêncio ou o Xangô "rezado" baixo, como ficou conhecido.
Por último, enforcamos o derradeiro rebelde negro do escravismo no Pilar, à margem do mesmo Mundaú que corria também logo ali abaixo da Serra da Barriga (mais uma vez o poeta Jorge de Lima, em Serra da Barriga: "Mundaú te lambeu, Mundaú te lambeu"). E assim fechamos por último, e com "chaves de ouro", o capítulo brasileiro do pânico à negritude altiva ou rebelde.
E depois? Bom, sempre esquecemos de dizermos negras até as lembranças recentes de um Moleque Namorador ou de um "Ras Gonguila", brincantes maiores do Carnaval; às vezes até da recentíssima Joana Gajurú, e de tantos outros personagens já agora bem esquecidos por nossa cegueira histórica.


Bruno César Cavalcanti
Professor de Antropologia e pesquisador do Laboratório da Cidade e do Contemporâneo (LACC) do Departamento de Ciências Sociais da UFAL.Juntamente com a Profª Rachel Rocha, realiza a pesquisa Mapeamento Cultural Afro-brasileiro de Maceió, LACC/Afro-Atitude/Universidaids MEC/MS/UFAL.

O Grupo Negaça Capoeira Angola agradece a todos que estiveram presente durante este ano

O grupo Negaça que neste ano completou 10 anos de existência… e esperamos que complete mais 10 + 10 + 10 …. tem uma fórmula simples de sucesso: A parceria e a humildade…
Cercado de amigos de grande estima e valor… os angoleiros do Negaça vem desenvolvendo um trabalho de base onde todo o carinho e o amor pela capoeira transborda… contagiando a tudo e a todos…
Fica aqui o meu agradecimento por ter o privilégio de estar entre os amigos do Grupo Negaça.
Luciano Milani

O Grupo Negaça Capoeira Angola agradece a todos que estiveram presente durante este ano.
 
Ano onde conseguimos realizar a grande maioria de nossos objetivos;
Ano em que revimos e fizemos novos amigos;
Ano em que o Grupo Negaça Capoeira Angola completou 10 anos;
Ano em que montamos nossa Sede;
Ano em que pudemos ver nosso Mestre Cavaco sorrir novamente;
Ano onde realizamos diversas Vadiações no Barracão e no Trianon;
Ano que fomos visitados;
Ano em que fizemos diversas visitas;
Ano que somente quem está ao nosso lado sabe o que passamos;
Ano onde aprendemos diversas coisas, dentre elas a Amizade, o Respeito e o Companheirismo, mas não somente nas horas alegres como também nas horas tristes, choramos mas também demos muitas risadas, mas somente com muita luta chegamos a onde queriamos.
 
Mas tudo isso graças a Muitos Amigos, AMIGOS antigos e os novos que vem nos acompanhando nesta luta, alguns como:
M.Jaime de Mar Grande, M. Ananias, M. Bigo e Alunos, M. Limãozinho, M. Brasilia, M. Pedro Feitosa e Alunos, M. Ratinho,
M. Zequinha e Alunos, Dofona e Alunos, M. Garcia e Alunos, M. Baixinho, CM. Pernalonga (Alemanha), M. Marrom e Alunos, M. Jeronimo, M. Dinho Nascimento, M. Raimundinho e Alunos, M. Meinha,  M. Zé Boneco, M. Roxinho, M. Fábio ( EUA ), Prof.Moreno e Alunos,  CM Martinho e Alunos, Prof.Topete e Alunos ( Abraço M. Pé de Chumbo), Prof. Azul, Prof. Marajó e Alunos, Prof. Rui Takeguma e Alunos, Cabelo e Alunos, Minhoca, Rafaelzinho, Rafaelzão, Candi, Falamansa, Bodão, Marcelo Toldo, Pepelegal, Ana Alice, Max ( França ), Bocó, Nene, Dedê, Miltinho, Milani, Tucano, Catraca, Gibi, Corujinha, M. Maurão, Aberrê e todos os alunos do Grupo Negaça Capoeira Angola, amigos que dentre muitos outros que sempre quando podem aparecem para brincar um pouquinho da nossa Capoeira.
 
Para o ano que entra, esperamos dar continuidade nos nossos projetos e ampliar nossas conquistas, esperamos de portas abertas aqueles que ainda não conhecem nosso espaço, espaço que em 2006 pretendemos fazer vários encontros e para aqueles que já conhecem o caminho, fiquem avontade.
Encontros que sempre estaram com as datas marcadas em nosso site, onde estaram as fotos para nos lembrarmos dos bons momentos que passamos.
 
Deixamos aqui um Grande Abraço, desejando a todos um Feliz Natal e que em 2006 o Seus Objetivos também possam ser alcançados.
 
São os votos do GRUPO NEGAÇA CAPOEIRA ANGOLA – MESTRE CAVACO.
 
 
Veja as fotos da roda de encerramento do ano:
Barracão da Fábrica do Mestre Cavaco: http://www.negaca.com/031205%20barracao.htm
 
Apoio:
O Berimbau Instrumentos Musicais
Fone : (55-11)-6901-1365
http://www.negaca.com/oberimbau.htm

Não deixem o Tendal Fechar – Tendal da LAPA em sp

NÃO POUPE TEMPO, NEM ESFORÇOS…
Após 16 anos de existência, o Espaço Cultural Tendal da Lapa corre o risco de fechar.
A Prefeitura do Município,  o Estado  e a Subprefeitura Lapa, propõem que o Tendal seja transformado em um poupatempo, ignorando sua história e sua importância não só
para a região, como para toda a cidade de São Paulo.
Atualmente o espaço cultural oferece  24 oficinas gratuitas  para para a população, do teatro à escultura, passando pela dança, graffiti, canto, circo, mosaico e gaita.
Além de oferecer espaço para ensaios, exposições, shows, teatro, concertos e convivência. Tudo sempre gratuito.
Se você não concorda com o fim da Casa de Cultura, envie um email de protesto para as autoridades abaixo, com cópia para vivaotendal@uol.com.br . Eles são os responsáveis pelo fechamento da Casa de Cultura.
 
Paulo Magalhães Bressan – Subprefeito da Lapa
lapa@prefeitura.sp.gov.br , paulobressan@prefeitura.sp.gov.br 
Roberto Nappo – Chefe de Gabinete da Subprefeitura Lapa
rnappo@prefeitura.sp.gov.br 
Rosângela Mota Zanetti – Coordenadoria de Ação Social – Sub Lapa
rzanetti@prefeitura.sp.gov.br  
Carlos Augusto Calil – Secretário – Secretaria Municipal da Cultura – SMC
ccalil@prefeitura.sp.gov.br
Celino Cardoso- Deputado Estadual PSDB
ccardoso@al.sp.gov.br   – (11) 3886-6772/3886-6773
Vera Lucia Tokairim – Superintendência Poupatempo
vtokairim@sp.gov.br
Getúlio Cesar de Paula – Ouvidor do Poupatempo
gpaula@sp.gov.br
Acesse tambémo site:  www.vivaotendal.cjb.net e saiba como contribuir para que o tendal não feche. Seu apoio é muito importante!
O Tendal da Lapa fica na rua Guaicurus, 1100 – Lapa – SP
vivaotendal@uol.com.br

Escola municipal realiza projeto sobre cultura afro-brasileira

 A Escola Municipal Fernando de Souza Romanini, de Coronel Sapucaia, através da sua diretora Leila Gonzato, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação realizou na semana passada um projeto sobre a cultura afro-brasileira, que foi apresentado no pátio da escola.

O evento lembrou o Dia da Consciência Negra, que no Brasil é comemorado em 20 de novembro, data que foi instituída através de lei federal. Na oportunidade a assessora técnica da Secretaria de Educação, Gesira Lebero Lens, que representou o secretário municipal de Educação, Tito, ministrou palestra sobre aspectos da cultura negra no Brasil e no Mundo.

Falando dos costumes e tradições, Gesira também pediu ao público que esteve presente que valorizasse suas origens, defendendo seus direitos e ajudando a combater o racismo que, infelizmente, ainda é muito grande no país. “Afinal todos nós sabemos muito bem que perante Deus somos todos iguais”, afirmou Gecira.

A segunda palestra foi ministrada pelo professor de capoeira Edinilson Rodrigues, o “Zulu”, que falou sobre a origem da capoeira no país, além de fazer uma belíssima apresentação de alguns golpes e como usá-los de maneira sadia e que não venha a incentivar a violência.

Estiveram prestigiando a palestra vários professores, diretores e alunos, dentre outros a diretora da Escola Maurício Rodrigues de Paula, Maria Alves de França e seus alunos do período noturno, também os alunos da Escola Estadual Eneil Vargas e demais visitantes.