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Capoeira Mulheres

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Nos caminhos e trilhas de Dandara

É agradecendo à organização institucional Akanni, especialmente Reginete Bispo, minhas parceiras e parceiros de equipe, todas as Dandaras, meu mestre de Capoeira, professor e amigo, Paulo Antônio da Costa e ao universo inteiro que minhas palavras se entrelaçam entre sentimentos de amor, gratidão, alegria, satisfação, encorajamento, docilidade, pureza e muita sabedoria. Conhecimentos adquiridos, amizades, verdadeiras pontes humanas, com as quais oportunamente ampliamos nossas habilidades, transfiguramos atitudes comportamentais, culturais, sociais e políticas na sociedade como um todo.

Oportunidade convergente, positiva, coesa, duradoura, principalmente para a vida das mulheres, sobretudo nós mulheres negras. Nossa participação política, que historicamente fora destituída dos poderes de decisão e de intervenção na sociedade, agora se consolida em torno das crescentes políticas públicas, gerando novas perspectivas de vida, valorização pessoal, reconhecimento coletivo, sentimentos de pertencimento e de justiça junto às mulheres empoderadas nas comunidades, bairros, vilas, favelas, quiçá do mundo!

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Formatura do curso de formação política e construção do pensamento crítico para mulheres negras, promovido pelo instituto Akanni e UFRGS. (Divulgação)

Acreditar que as mudanças de fato ocorram na esfera global, é alimentar, fomentar e promover novas metodologias e práticas, especialmente através do esporte e da cultura. É abrir portas para uma sociedade mais plena, digna e atuante de forma crítica no meio em que vivemos. Logo teremos mais saúde, mais educação e vida digna. Sem dúvida, a educação é a ferramenta mais potente e eficaz na vida de qualquer indivíduo. Não somente para uma boa articulação na sociedade, mas sobretudo para alcançar e assegurar direitos constituídos democraticamente. Mas para além disso, absorver os conteúdos escolares, acadêmicos e desenvolver de fato, aprendizagem integral e qualificada, dinâmica e plural nos processos de ensino aprendizagem.

Estas são fortes razões, dentre outras percepções que o Projeto Primeiros Passos, Iniciação à Capoeiragem: Uma Proposta Capoeiristica com Mediações Pedagógicas nas Escolas Públicas, vem concretizando-se. Ele é uma criação inspirada através das vivências da cultura afrobrasileira e africana e a religiosidade inserida nas teorias e práticas desenvolvidas junto à Escola de Capoeira Guerreiros, instituição pela qual, traz essencialmente nas ações pedagógicas, o elo facilitador para a construção da cidadania e a liberdade extraída nos fundamentos da arte capoeira.

Um dos objetivos principais e metas estabelecidas projetadas nos processos metodológicos, é expandir o pensamento dos alunos e alunas, onde todos e todas possam trabalhar a coordenação motora através da ludicidade com brincadeiras africanas e indígenas, conhecendo a historicidade dos povos e estabelecendo ligações com as suas vivências. Ampliar o diálogo a partir do jogo da capoeira favorece a aprendizagem, o desenvolvimento e a liberdade de forma progressiva, oportunizando práticas lúdicas, inclusivas, processuais e coletivas. Aprimorando assim a flexibilidade, o equilíbrio, a destreza corporal, aliviando as tensões do dia a dia, proporcionando criatividade e liberdade de movimentos, manifestando desejos, emoções e principalmente transformando sonhos em realidade motivados pelas práticas da capoeiragem.

Em tempos de conflito acirrado, seja ele pela desvalorização da educação, seja pela mercantilização do ensino, cujos objetivos incidem diretamente no aumento da desigualdade social, é importante ter em mente de forma a despertar a conscientização constante dessa problemática que fere os direitos humanos, sobretudo da criança, jovem ou adolescente em vulnerabilidade social, pois, quem assegurará seus direitos enquanto cidadão e cidadã em meio a esse mundo caótico?

As potencialidades da educação, cujas metodologias implementamos nos mais diversos espaços de atuação contemplam com muito sucesso a população que se apodera desses saberes diversos e plurais. Uma educação mais aberta, menos hierárquica, menos burocrática, com possibilidades de participação comunitária democrática efetiva e de valorização do ser humano integralmente, é o que precisamos.

Nesta trajetória, onde buscamos incansavelmente dar continuidade à um legado de luta com ações anti racistas e de combate a toda e qualquer forma de violência, construção e reconstrução identitária, equidade para as mulheres, vamos reivindicando através de nossas pautas, políticas públicas de ações afirmativas para minimamente suprir as necessidades e reverter um quadro de dor e sofrimento.

Projetos que ao longo da história foram adormecidos, excluídos dos espaços de poder de decisão se tornam concretos, reais e transformadores onde as vertentes do universo afro-brasileiro são jorradas abundantemente e assim eternizamos nossas vivências no mundo numa imensa explosão de ideias e conhecimentos conectados. Resgatados e transformados na maior e melhor vivência, estimulada e enriquecida pela arte desenvolvida dentro de um contexto de luta pela resignificação sociopolítica, cultural e afetiva.

 

Fonte: https://www.sul21.com.br
Nos caminhos e trilhas de Dandara (por Élida Machado)

Póvoa do Varzim: Sinhá Mandou Chamar

Póvoa do Varzim: Sinhá Mandou Chamar

Escola de capoeira VIVÊNCIA, realizará nos dias 8/9/10 de Março de 2019 o 5° encontro feminino “Sinhá Mandou Chamar” na cidade da Póvoa de Varzim, Portugal.

“O evento não tem a presunção de criar um evento só para mulheres, como se elas precisassem deste tipo de movimento para ter espaço dentro da nossa arte, o intuito do evento é valorizar as mulheres que trabalham a capoeira de forma profissional dando a comunidade em geral esta visão de que as mulheres também são grandes profissionais da nossa arte, sejam elas instrutoras, professoras, contramestres ou mestres.”  Diz Vilma (Instrutora Sindel)

A edição deste ano conta com a presença de integrantes de varias escolas de Portugal e Espanha, tais como: Muzenza, Agbara, Aruê, Jogo de Negro, Ginga Camará, Reliquia do Espinho Remoso, Alto Astral, Nagô, Sul da Bahia, Iandê, Batuqueiros, Porto da Barra, Maculelê entre outros.

Póvoa do Varzim: Sinhá Mandou Chamar Capoeira Mulheres Eventos - Agenda Portal Capoeira

Todas as aulas são ministradas por mulheres mas aberta a toda gente.

O evento é de organização da Instrutora Sindel (Vilma) da ECV – Póvoa de Varzim.

Mulheres da Pá Virada

Mulheres da Pá Virada

Caladas Nunca Mais! Documentário sobre luta e resistência de mulheres na capoeira.

O projeto

Olá a todas e todos, somos o Grupo de Estudos e Intervenção Marias Felipas. Somos um grupo de mulheres capoeiristas, pesquisadoras, educadoras, feministas e ativistas. Nosso encontro nas intersecções entre a pequena roda da capoeira e a grande roda da vida resultou na criação desse coletivo. Partilhamos interesses em aprender e atuar nas diversas esferas do universo da capoeira e o desejo de lutar criativamente contra as relações de opressão sexista que perpassam a capoeira. Realizamos encontros, estudos e atividades com foco nas questões de gênero, educação e capoeira e organizamos Rodas de Capoeira Feminista como forma de intervenção política. Participamos de eventos culturais, acadêmicos e também político-sociais, como o Fórum Social Mundial que ocorreu em Salvador em 2017.

 

APOIAR ESTE PROJETO

Um dos nossos projetos mais ousados, para o qual estamos aqui pedindo a sua ajuda, é a execução de um documentário chamado “Mulheres da pá Virada”. Nosso objetivo com este documentário é dar visibilidade à história das mulheres dentro da capoeira, e também denunciar a violência de gênero que, infelizmente, vem atrelada a essa história. Para isso dividiremos com o público histórias e trajetórias dessas mulheres, junto com uma pesquisa histórica sobre o papel da mulher na capoeira. Esse filme conta com a participação e colaboração de mais de dez mulheres capoeiristas, com perfis, gerações e linhagens de capoeira diferentes que irão mostrar as suas trajetórias.

Para realizar este ambicioso projeto procuramos editais públicos de apoio a Capoeira e ganhamos o Prêmio Capoeira Viva ano II, através da Fundação Gregório de Mattos com apoio da Prefeitura de Salvador. Este edital nos proporcionou uma verba de R$20.000,00 com a qual orçamos um curta metragem de 20 min, com um valor mínimo simbólico para as mulheres capoeiristas participantes.

No entanto, a importância política deste projeto dentro a luta maior pela emancipação da mulher é muito grande e nós precisamos ampliar a duração deste documentário para poder incluir mais entrevistas e relatos das capoeiristas, assim como material de pesquisa histórica. Queremos também levantar fundos para remunerar melhor as capoeiristas, mestras de saberes populares, artistas, professoras, estudantes que disponibilizaram do seu tempo e da sua energia para fazer parte desta luta conosco.

Precisamos de mais R$19.097,00 para fazer com que este documentário vire um longa-metragem, ampliando assim as diárias de gravação de 2 para 5 dias e alugando equipamentos de tomada de som de alta qualidade. Usaremos esta verba para ampliar a curadoria histórica, e desta forma resgatar a história não contada da mulher na capoeira. E, finalmente, iremos garantir uma contribuição real para essas mulheres participantes do documentário, que vivem da capoeira e pela capoeira, e vão se disponibilizar para contar essa/nossa história. Precisamos da sua ajuda para que isso aconteça. Se você é a favor da igualdade de gênero, da liberdade da mulher de se expressar e buscar sua felicidade livremente, ajude com qualquer quantia!!

Este projeto tem uma enorme importância política. Na atualidade vemos uma nova onda conservadora querendo nos extirpar dos nossos direitos adquiridos depois de muita luta e muitas perdas. O movimento das mulheres não é exceção, cada vez mais relatos de violência, tanto física quanto simbólica, aparecem nas redes sociais. A capoeira também é um desses cenários de relações machistas; encobertas pelo manto do discurso da “tradição”, as práticas sexistas de discriminação e violência contra a mulher se multiplicam.

Precisamos dar voz a essas mulheres, dividir com o público suas trajetórias e estratégias de luta. Mostrar como mulheres viram capoeiristas, viram alunas, professoras, contramestras, mestras. Mesmo que muitas vezes não reconhecidas “oficialmente”, são mulheres guerreiras que toda a comunidade de mulheres na capoeira aceita e abraça enquanto referência. A luta pelo berimbau, pelo canto, pela liberdade de expressão corpórea, contra o assédio sexual, em prol do crescimento profissional dentro desse campo, é constante, é violenta e é extremamente necessária.

Queremos produzir um material que nesse sentido será inédito, pois trará a tona não só a história invizibilizada da mulher na capoeira, como também mostrará exemplos, referências de mulheres capoeiristas dentro dos seus diferentes contextos de prática e ensino da capoeira. Além disso, queremos denunciar a violência de gênero dentro da capoeira e apontar estratégias de luta e resistência neste campo.

Já passamos do momento silenciador e angustiante do ato violento, agora estamos indignadas, unidas somos mais fortes e queremos dizer ao mundo: Caladas nunca mais!

 

As Mulheres da Pá Virada, que participarão deste documentário são:

 

Adriana Albert Dias, conhecida como Pimentinha, nascida em 1975, começou capoeira em 1994, É historiadora, feminista, pesquisadora da capoeira. Escreveu o livro “Mandinga, Manha e Malícia: uma história sobre os capoeiras na Capital da Bahia”. Hoje faz seu doutorado na UFBA sobre capoeira e masculinidades. Co-fundadora do Grupo de Estudos e Intervenção Marias Felipas.

Alessandra Mattioni, conhecida como Alematt, nasceu em 1971. Começou capoeira angola em 2001 e é integrante do grupo Angoleiros do Mar. Alematt é professora de capoeira e co-fundadora do movimento Mulheres do Mar que realiza vários festivais em prol da valorização das mulheres na capoeira.

Catarina Aguirre, carinhosamente, chamada de Cata, nasceu em 1984. Começou capoeira regional no Sul da Bahia em 1998 e a partir de 2001 iniciou sua trajetória na capoeira angola. Faz parte de dois grupos de vadiação: Bando Maré de Março & Bando Anunciador. Atualmente Cata é professora de capoeira angola e dá aula no ginásio do Colégio Edgar Santos que fica no Garcia.

Celidalva Pinho Encarnação, conhecida como contramestra Brisa, nasceu em 1973 e começou capoeira em 1999. É uma das lideranças no grupo Angoleiros do Mar e co-fundadora do movimento Mulheres do Mar, ministra aulas de capoeira e participa de workshops de capoeira no Brasil e na Europa.

Christine Zonzon, cujo sobrenome virou apelido de capoeira, nasceu em 1958 e é capoeirista desde 1989, antropóloga, feminista, e pesquisadora da capoeiragem. É autora do livro “Nas rodas da capoeira e da vida: Corpo, experiência e tradição”, e atualmente desenvolve seu pós-doutorado na UFBA sobre experiências e representações de mulheres neste universo. Co-fundadora do Grupo de Estudos e Intervenção Marias Felipas.

Cleonice Damasceno Silva, conhecida como mestra Preguiça, nasceu em 1976. Começou capoeira em 1987, é e professora da Escola de Capoeira Regional Filhos de Bimba onde ministra aulas na sede que fica no Nordeste de Amaralina. Também desenvolve um trabalho com capoeira para meninas num projeto social na Ilha de Itaparica.

Isabela Maria Severo Nascimento Santana, conhecida como contramestra Tartaruga, nasceu em 1977. Em 1992 começou capoeira no grupo de capoeira Angola Palmares do qual faz parte até os dias de hoje. Atualmente ministra aula de capoeira na Academia Saúde em Patamares e participa de um projeto social em Castelo Branco.

Ivanildes Teixeira de Sena, carinhosamente chamada de Nildes, nasceu em 1968. Começou capoeira em 1986 no Centro Esportivo de Capoeira Angola, é idealizadora do Otá, Espaço de Convivência Sócio Cultural Cosmoafricana que é um ateliê de artes e estéticas literárias, visuais e corporais. Desenvolve atividades práticas e pesquisas com mitologia africana e capoeira angola em Foz de Imbassaí (BA).

Joana Pointis Marçal, Jô, como gosta de ser chamada, nascida em 1989, é capoeirista desde 2012, feminista e pesquisadora da capoeira. Joana realizou o seu mestrado na Pós-Afro, em Estudos Étnicos e Africanos, sobre Capoeira, identidade e Patrimônio Cultural Imaterial. Co-fundadora do Grupo de Estudo e Intervenção Feminista Marias Felipas.

Maria Luísa Pimenta, contramestra Lilu, nascida em 1973, iniciou capoeira em 1992 em Belo Horizonte. Em 2000 mudou-se para a Bahia para vivenciar melhor a capoeira. É co-fundadora do grupo de cultural Capoeira Malta da Serra em Lauro de Freitas. É, também integrante do Bando Anunciador da Capoeira Angola de Rua desde 2000. Escreveu e idealizou o livro “CAPOflora FaunaEIRA: uma arte brasileira”. É mestranda da faculdade de Educação da UFBA e co-fundadora do Grupo de Estudo e Intervenção Marias Felipas.

Rita de Cássia Santos de Jesus, conhecida como Mestra Ritinha, foi uma das primeiras mulheres a iniciar-se na capoeiragem. Nascida em 1964, começou capoeira em 1983 na Academia de mestre João Pequeno no Forte do Santo Antônio, no bairro onde nasceu e vive até hoje. Atualmente participa de eventos e realiza workshops no Brasil e no exterior.

Olivia Roberta Lima Silva, conhecida como formada Negona, nasceu em 1981, pratica capoeira desde 1996 e faz parte do grupo de Capoeira Porto da Barra. Também participa ativamente do Movimento Mulher na Capoeira tem Axé e em breve iniciará uma turma de capoeira apenas para mulheres em Salvador.

Viviane Santos Oliveira, conhecida como formada Princesa, nasceu em 1978. Começou capoeira em 1993 no grupo UNICAR (União Internacional de Capoeira Regional) na Pedra Furada onde dá aula no núcleo na Cidade Baixa. Faz parte do Coletivo Fortalece Capoeira, Orquestra de Berimbaus Afinados e do grupo percussivo Mãos no Couro. É integrante da Salvaguarda da Capoeira na Bahia ( GT SSA), na função de presidenta.


Orçamento

O montante arrecadado com essa campanha será utilizado para complementar o Prêmio Capoeira Viva ano II: dobrando o valor do cachê das capoeiristas participantes, transformando o documentário de um curta para um longa metragem adicionando mais 3 dias de gravações, ampliando o acesso e distribuição do documentário através da inclusão de legendas em inglês e português e cobrindo os demais custos adicionais referentes à ampliação do projeto, como locação de espaço, transporte e alimentação, além de uma ajuda de custo para as voluntárias.

Descrição/Valores

  • Gravação e edição5.750
  • Cachês capoeiristas7.050
  • Alimentação equipe500
  • Transporte500
  • Custos para exibição800
  • Legendas em inglês300
  • Transcrição do áudio500
  • Tarifa banco200
  • Ajuda de custo voluntárias300
  • Locação da Casa Rosada1.000
  • Sub total16.900
  • Total com 13% 19.097

 

Saiba Mais: https://www.catarse.me/mulheres_da_pa_virada

Sobre um bárbaro feminicídio em Cachoeirinha e sobre tantos outros

Sobre um bárbaro feminicídio em Cachoeirinha e sobre tantos outros

(por Aline Kerber*)

O triste feminicídio que ocorreu há uma semana em Cachoeirinha chocou muitos de nós. O Mestre de Capoeira Sombra, então com 42 anos, matou a sua esposa e mãe de sua filha de 2 anos, Luciane Guarezi, a facadas, supostamente por ciúmes, depois de fazê-la refém de cárcere privado por dois dias, conforme confirmaram pessoas próximas da vítima. Não houve mediações e registros policiais, pelo que se tem notícias. Os amigos e familiares não sabiam da gravidade e tampouco poderiam imaginar uma tragédia como esta, muito menos o Estado, fundamentalmente porque o Mestre Sombra foi sempre um homem íntegro, discreto, amigável, dócil, humanista e líder.

Vindo de uma família de poucos recursos financeiros na Granja Esperança em Cachoeirinha, desde novinho ele venceu e subverteu a sua condição com a ginga da capoeira e com a habilidade de reunir e liderar crianças e adolescentes da periferia através de projetos sociais. Esse trabalho transformou e salvou muitas vidas, sobretudo negras, e eu acompanhei bem de perto o início da trajetória dele. Fomos amigos por alguns anos na minha adolescência, pois ele frequentava a mesma academia que eu, no centro da cidade de Cachoeirinha, onde amigos agora choram pela incompreensão, pelo desalento e pela falta de palavras para nominar tamanha tragédia.

Ninguém entende esse crime horrendo. Quem busca respostas faz questionamentos totalmente errados, como este: “o que a esposa dele fez para isso acontecer?”. Outros dizem em posts nas redes sociais: “entre quatro paredes ninguém sabe o que aconteceu, ela pode ter provocado algo que lhe deixou transtornado e fora de si…”. Sabem o que motiva essas expressões? O mesmo que fez com Sombra matasse? Machismo. E desamor.

No machismo não se concebe a autonomia do outro, busca-se controlar as roupas e comportamentos da mulher, mensagens de celular, pensamentos, relações e convívios. Começa de forma sutil e termina, não raro, em morte.

Exatamente o que o Sombra não demonstrava aos seus amigos, familiares, alunos e mestres com os quais se relacionava. O Sombra e boa parte dos feminicidas têm esse perfil. Note-se que “Dica”, como era conhecido nos tempos de academia que frequentávamos nos anos noventa, era um grande educador social, guardava um sorriso e um abraço para cada pessoa, até externar a sua fúria, a sua raiva, o seu ódio e a sua crueldade nesse episódio que o levou à prisão em flagrante por conta do feminicídio praticado no fatídico sábado de 22 de dezembro deste ano que nunca termina.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Dica conseguiu algo muito difícil para um jovem negro de uma periferia brasileira como ele: sobreviver, sobreviver sem ser preso, sem se envolver com o crime e não ter sido vítima de um assassinato, quando jovem. É importante considerar que ele foi um case de jovem negro e pobre que conseguiu traçar a sua vida longe do crime, das drogas e das armas, sendo uma inspiração para muitos jovens da Região Metropolitana de Porto Alegre por conta da capoeira. A contrário senso, ele foi protagonista por 20 anos de uma história exemplar de superação e de inclusão social através da arte e do esporte.

Não morreu somente a Luciane, morreu simbolicamente também o Sombra. Agora, um feminicida que demonstrou o tamanho do seu machismo, da banalização da vida, inclusive em relação à da sua filha Mariana. No entanto, creio, não estamos condenados eternamente aos nossos fracassos. Não desejo isso a ninguém e nem a ele. Espero profundamente que o Dica e todos os que estão à sua volta entendam o que aconteceu para o cometimento desse crime letal de gênero que vitimizou a Luciane e, pelo menos, outras 600 mulheres no RS nos últimos 7 anos, para que seja possível prevenir e enfrentar de forma mais séria e eficaz as violências contra as mulheres. Esse tipo de violência que atinge mulheres e outras vítimas diretas e indiretas, incluindo o homem feminicida e os homens que o cercam, sobretudo os mais jovens, filhos, sobrinhos e afilhados – para que não se reproduza esse mesmo padrão como mecanismo de elaboração dessa lástima feminicida.

Só superaremos essa problemática também coletiva se reduzirmos as desigualdades entre homens e mulheres, se respeitarmos as diferenças, os fracassos e até mesmo traições conjugais, reais ou imaginárias, por meio do diálogo aberto e amoroso, sobretudo com as pessoas com quem convivemos.

Os homens precisam abandonar essa “sombra” do machismo e sair da caverna, como nos ensinou Platão. De mestres de capoeira a ex-prefeitos, ninguém está livre da cultura patriarcal que habita em nós. Conhecer-se. Perdoar-se. Perdoar os outros. Persistir e reinventar-se!

Dica, como te conheci, reescreva tua história com músicas de capoeira, pois um Mestre pode lutar contra essa sina de tantos sofrimentos que maculam vidas promissoras, mesmo que a roda de capoeira seja na prisão. Viver na “sociedade do desempenho e do cansaço” e não na do “sangue” como insígnia de poder vai te custar bastante caro. E, ainda assim, não trará a vida da Luciane. Haverá luzes para além da escuridão que as tuas sombras desconhecem…

O que mais dizer aos seus alunos e seguidores? Nada pode justificar essa violência brutal. Isso é certo! Somos todos violentos. Precisamos reconhecer nossos medos, frustrações e tristezas para seguirmos, de forma saudável, com amor e liberdade, a gingar pelas rodas da vida. Precisamos de todos e todas nessa luta política de salvar vidas contra o machismo que assassinou e interrompeu de vez a vida de mais uma mulher na Região Metropolitana de Porto Alegre, assim como o da Lucia Valença, morta pelo ex-prefeito, Toco, de Estância Velha, que logo após se suicidou no litoral norte como para afogar a sua culpa por tamanha violência de gênero.

 

(*) Socióloga, Especialista em Segurança Cidadã, Diretora Executiva do Instituto Fidedigna.

 

Fonte: https://www.sul21.com.br/  – Aline Kerber

Capoeira é “gatilho” para o empoderamento feminino

Capoeira é “gatilho” para o empoderamento feminino

 

A cultura popular, a arte e o esporte são ferramentas que permitem resgatar a essência do ser humano, despertando valores que fazem mudar olhares e, consequentemente, geram mais respeito, empatia e compaixão, segundo a educadora física jundiaiense Aline Longui, de 35 anos. Capoeirista há 21, ela usa a expressão cultural para realizar projetos sociais, incluindo um somente com mulheres na cidade, dentro da proposta de empoderamento feminino e fortalecimento de identidade cultural.

“São reflexões acerca do resgate da nossa essência perdida enquanto mulher, mãe e profissional, que muitas vezes segue padrões impostos pela sociedade sem ao menos saber se ela está feliz ou não. A mulher, dentro do contexto histórico de uma sociedade patriarcal, deixou de lado seus sonhos e sua vida. E através da arte ela encontra caminhos e possibilidades”, diz Aline, que acredita que o empoderamento feminino é a consciência coletiva, expressada por ações para fortalecer as mulheres.

A luta para combater o machismo que segue enraizado na sociedade, mesmo em tempos modernos, é diária. Segundo a capoeirista, ainda há muito para percorrer e muita coisa já foi conquistada pela luta de mulheres na história. “Sem a luta do passado não seria possível a continuidade do presente. Muita coisa mudou, mas muito há de se fazer, pois ainda há muita desigualdade, preconceito e exclusão”, acredita. “A capoeira é muito similar. É a resistência de um povo, luta de libertação, igualdade e resiliência. Quilombos são criados a cada momento. Temos uma história, ancestralidade e identidade”.

A esperança é de um futuro melhor. E para isso, a educação é fundamental, com investimento em políticas públicas e formação vinda de casa. “Esporte, lazer e cultura, possibilitam caminhos que trabalham valores, como o respeito. Por isso que o investimento em políticas públicas possibilita oportunidades. Para ensinar valores não existe idade, mas acredito que as crianças são nossa esperança para o futuro”.

Competição na Bahia

A capoeirista participou, no último final de semana, da fase final do Red Bull Paranauê – torneio que busca revelar os capoeiristas mais completos do mundo -, em Salvador, na Bahia. Ela representou o estado de São Paulo na primeira final de uma categoria exclusivamente feminina, ficando entre as oito melhores colocadas.

“Foi uma surpresa para mim e uma vitória, pois não tenho o costume de participar de campeonatos, mas como vi que era uma proposta diferenciada, procurando uma visibilidade histórica para a capoeira, que carrega uma bagagem cultural de resistência à opressão e valores que são construídos através de um povo que foi escravizado, trouxe momentos de reflexões e de aprendizados”, explica Aline.

Ela conta que, além da competição, participou de vivências com mestres renomados no mundo da capoeira, além de aulas sobre fundamentos dos toques, educação infantil na capoeira e afrobetização – empoderamento através de histórias de princesas e rainhas negras. “Foram dias de aprendizados, trocas e muita experiência até o momento da final. Então saímos todos com a sensação de campeões, pois vivemos uma experiência inesquecível”, afirma. “Como o Mestre Sabiá comentou, estamos em constante processo de construção”, completa Aline.

 

Fonte: FELIPE TOREZIM – FTOREZIM@JJ.COM.BR – http://www.jj.com.br/

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial

Anne Nathielly subiu ao pódio no 9º Campeonato Mundial de Capoeira do Muzenza

Pouco depois de uma semana que o Piauí virou notícia nacional com a escolha de Monalysa Alcântara como Miss Brasil, outra piauiense eleva o nome do Estado ao se tornar vice-campeã no 9º Campeonato Mundial de Capoeira Munzenza.

 

A jovem capoeirista Anne Nathielly, a Boneca, como é conhecida no mundo da capoeira, integrante do grupo Raízes do Brasil/JF-PI, competiu neste sábado 26 de Agosto no 9º Campeonato Mundial de Capoeira realizado pelo Grupo Muzenza, que aconteceu em Fortaleza-CE, com atletas do mundo inteiro.

 

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial Capoeira Mulheres Portal Capoeira

Maria Clara Melo acompanhada das capoeiristas que ficaram em 1° e 3° lugar na competição (A direita com a medalha de 2° lugar)

 

Boneca esteve representando José de Freitas a nível mundial e não voltará a sua terra de mãos vazias, pois a mesma consequiu medalhar, conquistando a terceira colocação, ficando entre as 3 melhores do mundo em sua categoria.

Aos 48 anos, Rosa Costa se torna a primeira mestra de capoeira de Santa Catarina

Mesmo com 35 anos no esporte, ela enfrentou dificuldade para conseguir a graduação

A primeira mestra de capoeira de Santa Catarina é natural de Florianópolis e moradora de São José. Rosa Cristina da Costa tem 48 anos, 35 deles se doando ao esporte e 18 ensinando crianças, jovens e idosos. O evento de graduação ocorre neste sábado (24), no Encontro Nacional de Capoeira, em São José, onde Rosa trocará a corda roxa e vermelha – de contramestra da escola Capoeira, Educação, Cultura e Arte – pela branca.

Há oito anos a roda de capoeira e o ofício do mestre de capoeira são reconhecidos como patrimônio cultural brasileiro pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Além disso, um projeto de lei do vereador Andrino de Brito está tramitando na Câmara de Vereadores de São José para criar o Dia Municipal da Capoeira, do Mestre e da Mestra de Capoeira na mesma data em que Rosa vai se formar.

O primeiro contato de Rosa da Costa com a capoeira foi aos 13 anos, incentivada por um cunhado, quando assistiu a uma roda na Berimbau de Ouro, academia pioneira no ramo em Florianópolis, pertencente ao mestre Pop. Ela sempre gostou de esporte, e quando decidiu fazer capoeira a família entendeu como sendo “só mais um”. Mas a diversão tomou outros rumos, e hoje, além de esporte, é a profissão e a vida da capoeirista.

O jogo/luta/brincadeira é originário do século 17 e um dos maiores símbolos da identidade brasileira, presente em todo território nacional, além de ser praticado em mais de 160 países, segundo o Iphan. Em Florianópolis, a capoeira chegou na década de 1970, e nessa época, a mesma em que Rosa começou, apenas três mulheres praticavam – e a inspiraram. Depois disso, suas referências passaram a ser masculinas, porque as mulheres não resistiam nos grupos, já que o esporte é predominantemente masculino.

Depois de treinar até o final dos anos 80, Rosa se arriscou no bicicross, se formou em pedagogia e educação física, fez pós-graduação e começou a dar aulas. Ela não aguentou ficar longe da capoeira, e ainda viu que o esporte poderia ser ensinado dentro das escolas. Nesse período, a capoeirista passou pelos grupos Nação, Au e pelo projeto Capoeira na Escola.

Atualmente, a até então contramestra dá aulas de capoeira na Apae de São José, no CAT (Centro de Atenção à Terceira Idade) e em seis escolas do município, e cada grupo ela afirma proporcionar um aprendizado diferente. “Meu público é diversificado, nos idosos é maravilhoso ver uma senhora de 70 anos brincando em uma roda. É claro que ela não vai ser uma exímia capoeirista, no formato que a sociedade impõe, mas ela está ali, inserida, se sentindo importante, as pessoas olhando para ela com carinho, respeitando, o que para mim não tem preço que pague”, justifica ela. Na Apae, a proposta é diferente. “Eles dão uma lição na gente o tempo inteiro, trazem alegria, é uma energia sincera, tem muito amor naquelas pessoas. Quando eu comecei tive receio sobre como atuar, mas foi algo fenomenal que eu não quero parar”, diz.

Mas é na escola que Rosa vê um retorno direto do que faz, muito além da profissão como educadora, mas como ser humano. “Minha alegria é ver aquela criança que passou pelas minhas mãos dizer que o que eu falei na aula ela levou para a vida. Que está estudando, trabalhando, nunca se envolveu com drogas, sabe discutir política, é honesta e respeita os outros. É incrível saber que você colaborou de alguma forma usando a capoeira como ferramenta para auxiliar alguém”, sintetiza.

Dúvidas e muito preconceito

Rosa Cristina da Costa afirma que o caminho até o título de mestra não foi fácil. Prova disso é que um homem capoeirista chega ao título máximo com 15 anos de experiência, enquanto ela, após 35 anos no esporte, ainda vê pessoas que conhecem seu trabalho duvidando do merecimento que reclama e persegue. “Ainda existe uma exigência muito grande do homem em enxergar a mulher no mesmo nível que ele, sentar na mesma mesa, conversar com igualdade, cantar, tocar, é muito preconceito. Por isso, poucas mulheres resistem às barreiras, como confrontar com o homem na roda para eles falarem que é boa e treinada. Poucas aguentam esse confronto diário”, aponta.

O título finalmente chegou este mês, pois, segundo ela, com o tempo o trabalho vai sendo reconhecido, divulgado, e aí chega um momento em que a sociedade capoeirística começa a chamar de mestre. “Acontece também de um mestre que te conhece e acompanha o teu trabalho falar que está na hora. Quem me chamou e disse isso foi o mestre Gringo, de Lages, que tem mais de 40 anos de experiência”, explica.

Rosa é determinada, afirma que confronta os homens, discute na roda e isso os incomoda, mas diz que é preciso se mostrar firme para provar que também tem qualidade, que estuda, que viaja o país pela capoeira e que procura passar as informações para os alunos da maneira mais adequada.

Perguntada sobre o que vai mudar com o título em mãos, Rosa diz que a responsabilidade será sempre a mesma, a diferença é que agora ela vai poder sentar à mesa de um evento com vários homens mestres e colocar sua opinião. “Sempre falo que agora é que eu vou aprender. Agora, não chegou o fim de nada. Agora é a parte mais difícil, o começo de tudo”, conclui.

 

Fonte: http://ndonline.com.br

KARIN BARROS, FLORIANÓPOLIS 

A capoeira interligando a vida das mulheres em todo o mundo

 
A presença da mulher na capoeira é um fenômeno histórico recente e imprime mudanças primordiais à sua prática. Muitas são as contribuições que estas trazem para este universo que reúne luta, dança, jogo, teatralidade e ludicidade, com repercussão nas suas vivenciais corporais e comunitárias, edificando saúde e qualidade de vida.
 

 

Palestrante

Rosângela de Costa Araújo (Mestra Janja)

Doutora em Educação pela USP, uma das fundadoras do Instituto Nzinga de Capoeira Angola. Professora e coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher da UFBA. Autora de livros e artigos sobre o tema.

 

Data

14/03/2016 a 14/03/2016

Dias e Horários

Segunda, das 19h às 21h30.

Local

 

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar
Bela Vista – São Paulo.

 

Valores

 

R$ 9,00 – credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 15,00 – pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 30,00 – inteira

 

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Teresina – PI: Iê Viva Mulher Capoeirista festeja participação feminina

Iê Viva Mulher Capoeirista

O evento vai acontecer na próxima quarta-feira (02), às 19 horas, no Clube de Jovens do Mafrense, conhecido como o Caldeirão da Capoeira do Piauí. Na oportunidade serão realizadas atividades como aula de Maculelê, treinamento de movimentação de capoeira e roda em comemoração ao mês das mulheres.

Mestre Touro, fala da importância do evento e espera a participação de várias mulheres: trabalhadoras, dona de casa, mães e todas amantes da arte capoeira que estarão juntas mais uma vez para fazer uma das coisas que mais gostam, que é jogar capoeira.

Touro lembra que a mulher na capoeira do Piauí vai aparecer nos anos 70, bem timidamente, pois nessa época existia muito preconceito, “comecei a prática da capoeira na década de 80, e mesmo nessa época ainda tinha pouca mulher praticando a capoeira, mas na década de 90 estourou a participação dela, principalmente nas escolas particulares que a maioria dos praticantes era do sexo feminino, nessa época também ganhou força no campo educacional a capoeira dentro do nosso estado, mas na virada do século a mulher já tinha presença marcante não só como praticante de capoeira, mas também na posição de comando, ministrando aula, organizando eventos, promovendo debates relacionado a participação da mulher, cobrando espaço de direito nas atividades realizadas na capoeira e combatendo o preconceito contra a mulher, engana-se quem pensa que a mulher na capoeira e só pra embelezar roda, a capoeira de nosso estado ganhou com a participação direta da mulher: ministrando aula, cantando e colocando energia na roda, que tem homens que não tem a mesma pegada, mulheres com contexto técnico e teórico, para discutir assuntos pertinente à nossa arte; não é à toa que grandes eventos feminino são realizados aqui e comandado por elas”.Enfatiza.

Mestre Touro orgulhoso e firme em sua vida de capoeira, conta que essa idéia do momento feminino no Caldeirão da Capoeira, surgiu da seguinte forma “essa atividade que estou fazendo surgiu ano passado com o propósito de movimentar a minha academia, onde solicitei para que todos fossem treinar com a calça da capoeira, mais a camisa teria que ser cor de rosa, todos foram e foi muito bom. Esse ano resolvi convidar mais as mulheres, elas gostaram muito da ideia, e dia 02 de março estaremos fazendo uma grande comemoração para todas elas, onde teremos a participação dos homens capoeiristas, alguns mestres, contramestres, professores, e alunos de um modo geral”.

Touro ressalta ainda: “quero dizer que participarão das aulas, atividades e rodas, homens e mulheres, mas o privilégio todo será para as mulheres.

“Tenho a satisfação de receber a todos em minha academia e de já deixo aqui meu agradecimento há todos”. Afirma.

 

Fonte: http://www.meionorte.com/

Brasília sedia encontro de mulheres capoeiristas

 
Debater a regulamentação da capoeira, a representação feminina e os impedimentos à cidadania plena da mulher dentro e fora dessa arte. Esses são os principais objetivos de roda de conversa que será realizada neste domingo (26), em Brasília, a partir das 10h, durante o quinto Encontro de Mulheres Capoeiristas.
 
Com apoio do Ministério da Cultura (MinC), o evento é promovido pelo Grupo Nzinga de Capoeira Angola e pelo Festival da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, o Latinidades.
 
Participarão do debate mestras e contramestras de capoeira, além de professoras que se destacam dentro desse universo historicamente masculino e machista. Também estarão presentes representantes da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, da Fundação Cultural Palmares e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entre outros.
 
Um dos temas abordados na roda de conversa será a lei 9696/1998. A legislação criou o Conselho Federal de Educação Física (Confef), regulamentou a profissão de educador físico e determinou que todas as atividades físicas e esportivas devam ser orientadas por profissionais de educação física.  
 
Segundo o presidente do Confef, Jorge Steinhilber, a exigência não é mantida para a capoeira em seu viés “artístico e cultural, como em casos de apresentações em teatros ou em realizações coreográficas”, mas é válida para a capoeira realizada para fins esportivos e de condicionamento físico.  
 
“A educação física não quer dominar a capoeira”, brinca o presidente. “E a exigência não se deve por conta de reserva de mercado, mas por conta de defesa do praticante. A lei 9696 foi aprovada para proteger a sociedade, para que todas as pessoas sejam atendidas por pessoas que tenham qualificação técnica, científica, pedagógica, didática e ética profissional”, explica.  
 
A capoeirista Rosângela Costa Araújo, mais conhecida como mestra Janja, no entanto, explica que a comunidade capoeirista rejeita essa posição. “A primeira vista, um projeto que trata da regulamentação da capoeira pode parecer uma coisa boa, mas precisamos ficar atentos, ler as entrelinhas, entender a quem realmente ela favorece”, diz. “Não queremos institucionalizar o atleta profissional da capoeira como um jogador de futebol. A capoeira vai mais além. A comunidade tem uma proposta que reconhece o aspecto educacional e formativo, que cria parcerias com as escolas e permite a autonomia dos grupos”, explica. 
 
O diretor da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SCDC/ MinC), Alexandre Santini, também participará do debate. Ele defende a formação tradicional do capoeirista. “Há várias opiniões até conflitantes a esse respeito. O que defendemos é o reconhecimento do capoeirista tradicional, que haja uma formação tradicional, com estudo do saber transmitido pela oralidade, pela prática da capoeira. Quem reconhece o mestre é o outro mestre”, afirma. 
 

Patrimônio da Humanidade

 
Uma das manifestações culturais mais conhecidas no Brasil e reconhecidas no mundo, a Roda de Capoeira recebeu, em 2014, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. 
 
Originada no século XVII, em pleno período escravagista, a capoeira desenvolveu-se como forma de sociabilidade e solidariedade entre os africanos escravizados e como estratégia para lidarem com o controle e a violência. Hoje, é um dos maiores símbolos da identidade brasileira e está presente em todo território nacional, além de ter praticantes em mais de 160 países, em todos os continentes. 
 
A Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira tiveram o reconhecimento do Iphan como Patrimônio Cultural Brasileiro em 2008 e estão inscritos, respectivamente, no Livro de Registro das Formas de Expressão e no Livro de Registro dos Saberes.
 
Cecilia Coelho
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura
http://www.cultura.gov.br/
 
 
Matéria sugerida por Nélia Azevedo
www.neliazevedo.com