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A Confraria Carioca de Capoeira – C.C.C.

A CONFRARIA CARIOCA DE CAPOEIRA – (C.C.C.)

Nasceu de um grupo de amigos e com iniciativa do Mestres Burguês – Hulk – Arerê – Columar – King – Gegê – Edvaldo Baiano – Martins – Lua – Montana

A partir da necessidade de unir seus grupos com as seguintes propostas:

1- Trabalhar juntos com ideologias diferentes em prol da CAPOEIRA . (Esse é o nosso grande desafio)

2- Respeitar a individualidade de cada Grupo e de cada Mestre.

3- Enfocar uma comunidade de CAPOEIRA.

4- Os trabalhos de cada Grupo ou Mestre continuam individualmente mais, o objetivo principal é de reunir.

5- Juntar o saber popular com o saber academico.

6- Objetivo coletividade e não ao individualismo.

7- Pensar mais na CAPOEIRA e não no seu grupo.

8- O nosso grande instrumento é o diálogo.

9- Amadurecer a ideia de fazer um evento todos juntos.

10- NOSSO LEMA:

– RESPEITAR AS DIFERENÇAS

– HUMILDADE

– UNIÃO

A necessidade de manter o respeito aos fundamentos, o compromisso e seriedade com a Capoeira. A história da capoeira no Rio de Janeiro passa a ser vista com mais credibilidade quando há  forças, de companheiros com  o compromisso da nossa CAPOEIRA.  Respeitar as diferenças , humildade, união e seriedade com a capoeira. Isto é  a  CONFRARIA CARIOCA DE CAPOEIRA – (C.C.C.)

A CONFRARIA CARIOCA DE CAPOEIRA – C.C.C.

FUNDADORES:

EDVALDO BAIANO – MARTINS – KING – MONTANA – GEGÊ – COLUMA – ARERÊ – HULK – LUA E BURGUÊS.

LANÇAMENTO DA CONFRARIA DIA 27 DE FEVEREIRO DE 2010 GRANDE RODA NA PEDRA DO SAL (PRAÇA MAUÁ, Rio de Janeiro/RJ, Brasil)

O COLEGIADO DA C.C.C

CONFRARIA DE ESCRAVOS VOLTADA PARA A LIBERTAÇÃO DE OUTROS ESCRAVOS

Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa

Hoje recebo a confirmação que este grande camarada e parceiro está de viagem marcada para as terras frias do hemisfério norte, com destino a Toronto (Canadá).

Toda a família irá fazer esta jornada em cumplicidade e nosso amigo Miltinho, como grande “paizão” estará acompanhado da companheira Keyla e do filhão Camilo (foto).

Desejamos um ótima estadia e sucesso profissional!!!

Em homenagem a este grande capoeira e amigo escolhemos uma matéria publicada no Jornal do Capoeira escrita pelo próprio Miltinho Astronauta.

Crônica sobre Capoeira, com algumas informações sobre a Pernada de Sorocaba e a Tiririca da capital paulista, ambas uma espécie de “capoeira primitiva” do Estado de São Paulo

Luciano Milani – Fevereiro de 2009

Nota do Editor:

À convite da Tribuna Metropolitana – um jornal quinzenal que circula nas zonas norte e sul da capital – tenho escrito algumas crônicas para uma coluna cujo título é Capoeireiro. O objetivo tem sido o de compartilhar informações e pontos de vistas sobre nossa Capoeira. No mês de Julho de 2005 publicamos uma crônica sob o título “Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa”. Com o lançamento do Documentário “Pernada em Sorocaba – Ginga Pela Arte…Ginga Pela Sobrevivência”, previsto para ocorrer dia 19 de Novembro de 2005 na Cidade de Sorocaba (SP), achei por bem republicar tal crônica também em nosso Jornal. É o que faço agora.

Capoeiristicamente,

Miltinho Astronauta


CAPOEIREIRO

Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa
Por Miltinho Astronauta – Julho/2005

Nota da Tribuna Metropolitana

Foi com imensa satisfação que inauguramos esta coluna Capoeireiro. Percebemos que amantes da prática da Capoeira – seja enquanto cultura, seja como esporte ou educação – já estão até colecionando nossas edições quinzenais. A seguir, respondemos algumas questões enviadas à nossa Redação: 1) nosso colunista desenvolve um trabalho de pesquisa do fenômeno da Capoeira em nosso Estado (Interior, Capital e Vale do Paraíba); 2) existe um projeto em andamento para cadastrar os mestres e capoeiras – dos mais antigos aos jovens mestres – das diversas regiões da Capital: Zona Oeste, Zona Leste, Zona Norte, Zona Sul e Centro; 3) interessados em colaborar com este projeto (Coletânea da Capoeira em São Paulo) podem escrever para nossa Redação, ou então enviar e-mail para o nosso Colunista. Como se diz na Capoeira, “vamos dar a Volta ao Mundo, Câmara…”.

Outro dia, recebi uma carta eletrônica (e-mail) muito elogiosa sobre as duas primeiras edições de nossa recém-inaugurada coluna CAPOEIREIRO. Lá pelas tantas, nosso interlocutor perguntou: “Existiu, realmente, Capoeira em São Paulo antes da chegada dos baianos e cariocas na década dos 60?”. De pronto lembrei-me de um corrido do Contra-mestre Pernalonga (Márcio Lourenço de Araújo), que hoje ensina em Bremen, Alemanha. “O meu barco virou / lá no fundo do mar / Se eu não fosse angoleiro / Eu não saia de lá”. Foi exatamente assim que me senti. Ou seja, se não estivesse amparado por documentos, lá estava levando minha rasteira.

De pronto, resolvi então trazer à público uma abordagem interessante que fiz sobre uma forma de “Capoeira a Lá Paulista”. Confesso, estava guardando o texto que ora apresento para um livro que estou escrevendo sobre a Capoeira de São Paulo. Mas para não deixar de “entrar na chamada” de nosso amigo Leitor, vamos então ao fio da meada.

1. CAPOEIRA GANHA O MUNDO

Hoje percebemos que o mundo todo se entregou aos encantos de nossa Capoeira. Ousaria dizer que nenhum esporte e/ou prática cultural levou tanto de um povo à outras nações como é o caso de nossa Capoeira.

Por exemplo, aqui no Brasil, praticamos o Box, o Judô e o Caratê, mas ninguém fala o inglês ou o japonês por conta disso. Dança-se o Balé e o Tango, mas não existem motivos para se especializar em Francês ou Espanhol.

Mas com a Capoeira é diferente. Por conta dela o português falado no Brasil tem sido falado em mais de 150 Paises. É isto mesmo! Segundo a Federação Internacional de Capoeira (FICA), presidida pelo Prof. Dr. Sérgio Vieira, nossa Capoeira já caminha para a segunda centena de paises onde a prática já faz parte do “cardápio” anual de eventos culturais e desportivos.

É até compreensível nosso português sendo falado neste “mundão de Deus”, uma vez que seria muito superficial praticar a Capoeira sem, por exemplo, compreender o real sentido de uma Ladainha, de um Corrido ou de uma Chula.

Ao mesmo tempo em que percebemos nossa Capoeira expandindo-se, dando sua magistral “Volta ao Mundo”, observa-se que mais e mais os praticantes (nacionais e principalmente do estrangeiro) estão buscando conhecer a verdadeira – e mais completa quanto possível – história da Capoeiragem.

2. CAPOEIRA, FOLCLORE & DINÂMICA

Prosa e SambaÉ fato que a Capoeira praticada em nosso Estado de São Paulo é fruto de um trabalho de resistência e divulgação realizado por mestres baianos e cariocas, vindos para cá a partir da década dos 50. Embora, sendo justo registrar que a grande maioria chegou entre meados dos 60 e início dos anos 70.

Em nossa Crônica Inaugural apresentamos o depoimento em livro do Folclorista Alceu Maynard Araújo (1967) atestando que levas de capoeiras foram soltas nas pontas dos trilhos (na cidade de Botucatu, entre 1890 e 1920, supostamente). Pelo depoimento, podemos inferir que Capoeiras (vindos da Capoeira Carioca) já perambulavam por nosso Estado, no final do século XIX e início do século XX.

Por falar em Capoeira Carioca, todo bom estudioso da cultura popular sabe que as manifestações raramente ocorrem em regiões de forma isolada geográfica e temporalmente. Tanto é que Mestre Edison Carneiro (excelente folclorista!) fez questão de deixar bem claro no título de um de seus livros (Dinâmica do Folclore), que tudo acontece dinamicamente. Em alguns casos manifestações se fundem, resultando em novas manifestações. Por exemplo, com a proibição da Capoeira em Pernambuco, aliado a questões político-social da época, resultou-se nosso Frevo! O bom capoeira sabe perceber que a “malícia” do bom “frevista” está ligado à ginga de um bom Capoeira. E é isto que eram no passado: capoeiras. No Rio de Janeiro, a perseguição à capoeiragem (que, funcional e socialmente não é o mesmo que capoeira) resultou na Pernada Carioca. Digamos que era a Capoeira que não se chamava Capoeira, mas que tinha a eficiência da mesma, tanto enquanto luta, como também como lazer.

3. PERNADA, TIRIRICA & CAPOEIRA PAULISTA

Em São Paulo também tivemos nossa “Capoeira primitiva”. Recentemente o historiador Carlos Carvalho Cavalheiro e o capoeira-pesquisador Joelson Ferreira têm se dedicado a estudar a Pernada de Sorocaba (interior paulista). Na essência, essa forma de manifestação tem todos os ingredientes básicos de nossa Capoeira: cantos (corridos e desafios); negaças; golpes desequilibrastes (rasteira!) etc. Em breve teremos um excelente documentário sobre o assunto. Aguardem.

Além da Pernada de Sorocaba, na Capital Paulista, tivemos também uma outra “espécie de capoeira”: a TIRIRICA. Aparentemente, tudo indica que, com a repressão de algumas manifestações (ai inclui-se a Capoeira, o Batuque e até mesmo a Religião Candomblé), o povo era obrigado a mascarar suas práticas, mudando formas de execução e nome de tais práticas.

A Tiririca Paulista era um misto de Capoeira com Samba. Era, então, uma capoeira com ritmo (diferente da Capoeira Utilitária do Paulista-Carioca Mestre Sinhozinho – Agenor Sampaio), mas sem a presença do Berimbau. Tinha canto de pergunta e resposta, e “jogava-se” ou “lutava-se ludicamente” em Roda.

Sobre esta “espécie de capoeira” (assim se referiam a ela os “mais antigos” da Terra da Garoa) temos alguns depoimentos relevantes gravados no Centro de Estudos Rurais (CERU) e Museu da Imagem e Som (MIS), ambos da Universidade de São Paulo (USP). Em São Paulo podemos encontrar ainda alguns praticantes remanescentes ou contemporâneos de praticantes, que acompanharam a TIRIRICA em seu auge (décadas dos 30 aos 50). Para dar uma dica, para quem estiver interessado em saber sobre a Tiririca, os bons nomes são Oswaldinho da Cuíca, Toniquinho Batuqueiro e Seu Nenê da Vila Matilde.

O Próprio Mestre Ananias – renomado mestre da capoeira angola baiana – que chegou pela capital entre 1950 e 1960, vivenciou alguns momentos da Tiririca pelas bandas do Brás; Largo da Banana, ou mesmo pelas Praças da Sé e da República (reduto de muitos sambistas, tiririqueiros e capoeiras). Mestre Ananias é grande conhecedor de Samba de Raiz e de Capoeira. Eu arriscaria dizer que uma das cantigas que só ouvi mestre Ananias cantando (É tumba, menino é tumba…) pode ter sido “colhida” durante sua vivência com alguns praticantes da Tiririca. Faço tal suposição baseado em um documentário de Mestre Geraldo Filme (também cantador de Samba, e que conviveu com exímios jogadores de Tiririca), que em depoimento para o MIS, lá pelas tantas, soltou a letra da música que comento acima:

 

“É tumba, menino é tumba

É tumba pra derrubá

Tiririca faca de ponta

Capoeira quer me pega

Dona Rita do Tabulêro

Quem derrubou meu companheiro

Abra a roda minha gente

Que o Batuque é diferente

(coro)

Abra a roda minha gente

Que o Batuque é diferente”

Será que a origem é a mesma (Rodas de Tiririca)?


Miltinho Astronauta dedica-se, de forma independente, ao projeto “Coletânea da Capoeira em São Paulo”. O projeto conta com a colaboração de alguns pesquisadores, dentre eles Raphael Pereira Moreno e Carlos Carvalho Cavalheiro. Para obter mais informações, acesse o Jornal do Capoeira (on line) www.capoeira.jex.com.br ou escreva para miltinho_astronauta@yahoo.com.br. A foto de Mestre Ananias é de Autoria de Adilene Cavalheiro.

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

 

Curso de Capoeira – UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ BARRA, RIO

C A P O E I R A UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ BARRA, RIO

No próximo dia 22 de agosto, sábado, no Campus Akxe, será realizado mais um módulo do Curso de Capoeira, em nível de pós-graduação, sob a coordenação do doutorando João Perelli.
Contando com um corpo docente formado de mestres, professores e doutores brasileiros e do exterior, caberá ao administrador, jornalista e escritor André Luiz Lacé Lopes ministrar o módulo que versará sobre o tema “Processo de Institucionalização da Arte (Marcial) Afro-Brasileira da Capoeiragem”.

Curso de CAPOEIRA, nível pós-graduação
Universidade Estácio de Sá, Campus Akxé
Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, 2.900
Barra da Tijuca – CEP: 22631-052
Barra da Tijuca, RIO/RJ –
Data/Horário: Dia 22 de agosto de 2009, sábado, das 8 às 18 horas
Módulo: Processo de Institucionalização da Arte (Marcial)
Afro-Brasileira da Capoeiragem”.
Professor: André Luiz Lacé Lopes (currículo em anexo)

 

EMENTA

1. Breve apresentação do professor e do módulo. 2. Administração Geral, Administração Pessoal, Administração da Capoeira. 3. Institucionalização da Capoeiragem?  4. “Embranquecimento” e “Aburguesamento”. 5. Historiadores figurativos (RJ). 6. Textos históricos (RJ). 7. Capoeira e o Valetudo (RJ). 8. Roda (acadêmica) Livre.

 

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

Bloco I (30 min.)- Breve apresentação do professor e do módulo

1.  “Discípulo que aprende, mestre que dá lição”

2.  A Negaça na Capoeira e o Contraditório na Universidade

3. “Capoeiragem, três projetos fundamentais” (novo livro do palestrante)

4. Realismo do Tempo (Módulo): os dois últimos módulos são extras, como não se pode prever o grau de participação (perguntas & debates), dependerá da disponibilidade do tempo.

Bloco II – (30 min.) Administração geral, Administração Pessoal, Administração da Capoeira

1. Como definir Administração

2. Por que e como administrar nossa própria vida

3. Curso de Capoeira, custo & benefício

Bloco III – (120 min.) Institucionalização da Capoeiragem?

1.  “Institution Building Theory”, conceituação e distorções; possível relação com a Capoeira.

2.   Capoeiragem: origens, fundamentos, ideologia, filosofia e religião – Torre de Babel e o deus marketing

3.   Medidas urgentes, dois exemplos: Memorial da Capoeiragem e Atlas da Capoeiragem.

3.1 O “Movimento Internacional das Capoeiras” (Madrid, Europa), duas palavras, seis exemplos (Mestres Rui Villar,  Beija-Flor, Canela, Coruja, Guará e  Camaleão)

Bloco IV (120 min.) – “Embranquecimento” e “Aburguesamento”.

1.  Conceituação

2. “Blue Note” e o “Uncle Tom” na Capoeira?

2.1 Berimbau & Bateria

3. Parte Rítmica e Cantada

Bloco V (120 min.) – Historiadores figurativos (Rio de Janeiro)

  1. História da Capoeira pelos Jornais e Revistas
  2. Registros raros extremamente reveladores (e curiosamente desprezados)

Bloco VI (60) – Textos Históricos (Rio de Janeiro)

  1. Da lamentável escassez para uma abundância suspeita
  2. Registros raros extremamente reveladores (e curiosamente desprezados)

Bloco VII – Capoeira e o Valetudo – RJ (Opcional, caso haja tempo)

  1. Como e onde nasceu e como mudou de nome (Mixed Martial Art)
  2. A Capoeira no Valetudo
  3. Agenor Sampaio (Mestre Sinhozinho)

Bloco VIII – Roda (acadêmica) Livre. (Opcional, caso haja tempo)

  1. Afinal, o que é Capoeira? 2. A Magia da palavra MESTRE. 3. A indústria dos cordéis. 4. A Profissão de Mestre de Capoeira. 4.1 Discussões da  inúmeras “MINUTAS”. 4.2 Provisionamento. 4.3 Comissões & Subcomissões de Avaliação. 4.4 Mercado de Trabalho para o Profissional da Capoeira. 4.5 Aposentadoria e Pensão. 4.6 O Mestre de Capoeira no Exterior. 5. Os três projetos fundamentais. 6. Apelidos (Alcunha).  7. Capoeira & Diversas Roupagens – – O Conselho Nacional de Educação Física. 8. Capoeiragem & Negritude & Lei º 10.369, de 09.01.2003.  9. Capoeira e o Estado.  10. A Capoeiragem e o deus marketing – O Zelador e a Zeladoria.  11. A Internacionalização da Capoeiragem

Atenção

I  – Para potencializar o aproveitamento do Módulo, recomendo leitura prévia de dois pequenos textos:

  1. “Capoeiragem – Brazilian old street fight”. Atlas do Esporte no Brasil, pág. 396/398. Editora Shape, RJ.
  2. “Apresentação”. Capoeiragem no Rio de Janeiro, 4ª Edição. Editora Europa, RJ.

Ambos os textos estão à disposição dos alunos interessados (em disquete, para cópias). Os demais textos e figuras publicados no “Atlas do Esporte no Brasil” serão também discutidos ao longo do Módulo.

II –  Todos livros, CDs e DVDs comentados durante o Módulo podem ser encontrados na Biblioteca Amadeu Amaral, no Palácio do Catete, RIO/RJ.

 

BIBLIOGRAFIA

 

I – Referências básicas

 

A. Especificamente sobre capoeiragem:

 

SALLES, Vicente. Bibliografia crítica do folclore brasileiro: capoeira. Revista Brasileira de Folclore. Rio de Janeiro: Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, v. 8, n. 23, p. 79-103, jan./abr. 1969.

Pesquisa pioneira. Vicente Salles, além de redator chefe da Revista, era um dos principais pesquisadores da Campanha. Salles já publicou vários trabalhos sobre a Capoeiragem; trabalha, atualmente, na Universidade Federal do Pará

 

BIBLIOTECA AMADEU AMARAL. Capoeira: fontes multimídia. Rio de Janeiro: Fundação Nacional de Arte, Coordenação de Folclore e Cultura Popular, 1996.

Excelente e mais do que oportuno desdobramento da pesquisa de Salles, mas que, tenho a certeza, pode e deve será aprimorado. Não sem razão, portanto, constitui o mote de um dos anexos do presente trabalho. A Biblioteca Amadeu Amaral está situada dentro do complexo cultural do Palácio do Catete (Rua do Catete, 179, RIO / RJ).

B – História e Costumes do Rio de Janeiro e do Brasil

 

FONSECA, Gondim de. Biografia do jornalismo carioca – 1808/1918. Rio de Janeiro: Quaresma, 1941.

Contendo relação de todos os jornais e revistas cariocas que surgiram de 1808 a 1908, e um dicionário de caricaturistas. Fonte para pesquisa de fundamental importância para o pleno êxito do projeto “Memória da Capoeira”.

“Muitas coleções de jornais que consultei na Biblioteca Nacional estão quase desfeitas. Se não forem restauradas acabarão em poucos anos, e o leitor do futuro só terá notícias delas através deste cartapácio”. Gondim de Fonseca, Rio, 1941

 

RIBEIRO, Ida Regina Gomes de Oliveira; SANTOS, Elza Elena Pinheiros dos (Comp.). Bibliografia Carioca. Rio de Janeiro: Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, 1995.

Catálogos de periódicos brasileiros microfilmados na Fundação Biblioteca Nacional, 1994.

BRASIL – histórias, costumes e lendas. Editora Três, São Paulo, 1975.

Interessante levantamento sobre cultura popular brasileira, com destaque para danças e  jogos. Além de mencionar, como não poderia deixar de ser, a capoeiragem,  permite perceber  a existência de íntimo parentesco do batuque, com o bambelô (Rio Grande do Norte), o caxambú (Minas Gerais),  o bate-coxa (Alagoas), o jongo, o côco ou zambê, a chula e a pernada carioca. Uma verdadeira tentação, em termos de “reserva de mercado”, na opinião de alguns poucos  professores de educação física excessivamente corporativistas.

BENCHIMOL, Jaime Larry.  Pereira Passos: um Haussman Tropical. Rio de Janeiro,

Secretário Municipal de Cultura, Turismo e Esportes, Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural, Divisão de Editoração, 1990. Coleção Biblioteca Carioca, 330 p. il.

Como já adiantamos, no corpo do livro, recomendamos também  leitura da crônica “O Barão Haussmann”, escrita pelo jornalista Arthur Dapieve (Jornal O Globo, 2 ago 2002).

C  – Métodos de Pesquisa

KAPLAN, Abraham. The Conduct of Inquiry – Chandler Publishing Company, 1964, USA.

Há uma tradição na Capoeira que, longe de desaparecer, vem crescendo atualmente:  a falação de todos os mestres  convidados em algum momento de uma Roda de Capoeira. Com prazer, constato que excelentes oradores continuam surgindo, verdadeiros filósofos da capoeira .. Claro, não faltam, também, discursos vazios, pretensiosos, fantasiosos e sem nenhuma base histórica ou lógica. Para esses, especial e urgentemente,  seria recomendável a leitura de resumo simplificado das idéias de Kaplan – perceptions, beliefs, biases, values, attitudes, emotions!  Talvez até bastasse traduzir algumas linhas que KAPLAN  dedica   ao permanente e muito comum risco de TENDENCIOSIDADE (“Bias” – p. 373).

BASTOS, Lilia da Rocha, Lyra Paixão e Lúcia Monteiro Fernandes. Manual para Elaboração de Projetos e Relatórios de Pesquisa, Teses e Dissertações. Editora Guanabara, 1979, 117 p.

Indo muito além de meia dúzia de sábias sugestões, Dra. Lilia da Rocha Bastos presenteou- o autor com um relógio de bolso suíço – verdadeira relíquia – para que ele pudesse melhor  controlar  e confirmar o longo e mandingueiro tempo de uma verdadeira “volta do mundo”  no Jogo de Angola. Na Capoeira do mundo, a rigor, não existe “volta do mundo”, no máximo, uma “volta (enlouquecida e circense) pelo quarteirão”…

D – Desporto e Capoeira

ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Editora SHAPE, Rio de Janeiro – 2005

Organização Geral, Lamartine DaCosta; Editoração, Ana Miragaya; Programação Visual, Évlen Bispo. Quase 1000 páginas! A Capoeira foi generosamente contemplada com dois longos textos, páginas de fotos e duas Notas surpreendentes sobre a existência da prática da capoeiragem na cidade de Niterói (Rio de Janeiro Antigo) e no Maranhão. Leitura para todo e qualquer professor de educação física e para os mestres de capoeira, especialmente aqueles que já começaram a ensaiar a elaboração de um Atlas da Capoeira para suas respectivas regiões.

II. Bibliografia utilizada e especialmente recomendada

 

1. Livros: Observação: Primeiro por ordem cronológica e

dentro do mesmo ano ,  por ordem alfabética

 

1890   –   AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 30. ed. Rio de Janeiro: Ática, 1997.

Livro comentado ao longo do presente trabalho. Recomend, especialmente, no capítulo X, a leitura atenta do confronto entre o capoeira Firmo e o português Jerônimo (armado com um varapau minhoto).

 

1907   –   “O.D.C.”.  Guia do capoeira ou ginástica brasileira. Rio de Janeiro: Livraria Nacional

Livro duplamente misterioso. Pelo seu autor que não quis aparecer e, sobretudo, pelo seu sumiço da Biblioteca Nacional. Annibal Burlamaqui, tempos atrás,  copiou todo o seu texto (“V – 267 – 1 – 4 – N.16” – não tinha, ainda, desaparecido da BN). Mas não teve, infelizmente, condição de reproduzir as figuras do livro o que seria, certamente, altamente revelador – estilo de jogo da época, movimentos, indumentárias etc. Zuma Burlamaqui, pessoalmente, entregou seu trabalho de cópia ao Dr. Lamartine Pereira da Costa que, por sua vez, repassou para mim. Enviei cópia para Mestre Bogado que teve por bem improvisar, com base no livro de Lamartine, as ilustrações dos escritos de “ODC”. Aliás, segundo Bogado, “ODC” não representa as iniciais do possível nome do misterioso autor; “ODC” significa, simplesmente, “Ofereço, Dedico e Consagro”. Segundo alguns pesquisadores chamava-se  Garcez Palha e foi oficial da Marinha. Pesquisando na Biblioteca da Marinha confirmei que realmente houve um oficial com esse nome, só que morreu muito antes d publicação da primeira edição do mencionado livro. Claro, nada impede que a família ou amigos possam ter resolvido publicar a obra após a morte do autor. Hipóteses…

 

1908 (1º Edição)  –   RIO, João do. A alma encantadora das ruas. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Departamento de Documentação e Informação Cultural, Divisão de Editoração, 1995. (Biblioteca carioca).

E, assim como as ruas, os bairros e as cidades também têm alma. Talvez, com uma ou outra exceção…

“Eu amo a rua”, assim João começa o seu livro. “Eu amo a capoeira de rua”, escreveria ele se o livro fosse específico sobre a capoeiragem. Leitura recomendável, especialmente o Capítulo PRESEPES:

“Aquele é o rei da capoeiragem. Está perto do Rei Baltasar porque deve esta. Rei preto também viu a estrela. Deus não esqueceu a gente. Ora não sei se V.Sª  conhece que Baltasar é pai da raça preta. Os negros de Angola quando vieram para a Bahia trouxeram uma dança chamada Cungu, em que se ensinava a brigar. Cungu com o tempo virou mandinga de S. Bento.

Mas pra que tudo isso?Isso, gente, são nomes antigos da capoeiragem. Jogar capoeira é o mesmo que jogar mandinga.

– Rei da Capoeiragem tem o seu lugar junto de Baltasar. Capoeiragem tem sua religião.Abri os olhos pasmados. O Negro riu.

V. Sª  não conhece  a arte? Hoje está por baixo. Valente de verdade só mesmo uns dez: João da Sé, Tito da Praia, Chico Bolívar, Marinho da Silva, Manuel Piquira, Ludgero da Praia, Manuel  Tolo, Moisés, Mariano da Piedade, Cândido Baianinho, outros… Esses “cabras” sabiam jogar mandinga como homens.

Então os capoeiras estão nos presepes para acabar as presepadas…

Em tempo:  João do Rio, em seu livro, registra a presença do berimbau no Rio.

1922 (2ª edição)  –  PEDERNEIRAS, Raul.  Geringonça carioca: verbetes para um dicionário da  gíria. 2. ed. rev.  e aum.  Officinas Graphicas do Jornal do Brasil, 49 p.

Geringonça carioca nasceu do vulgo hybrido, da mestiçagem que formou a nacionalidade. A primeira a destacar-se foi a do capoeira, essa entidade que teve foros de instituição, esse exercício que alcançou as principaes camadas da sociedade”. (Duas Palavras, p. 3).

Grande parte do livro de Pederneiras baseia-se na gíria específica dos capoeiras da época. Daí a importância de sua leitura.

1924–. Scenas da Vida Carioca – caricaturas. Segundo Álbum. Rio de Janeiro, .

 

1928  –   BURLAMAQUI, Annibal. Ginástica nacional (capoeiragem): methodizada e regrada. Rio de Janeiro: [s.n.], 1928.

Livro comentado ao longo do presente trabalho. Leitura obrigatória.

 

– ABREU, Plácido de. Os capoeiras. Rio de Janeiro: Escola Serafim Alves de Souza, [19–].

Ninguém ainda se deu conta, mas trata-se de um livro cult, talvez o maior de todos dentro da história da capoeiragem. Não será surpresa para mim se, um belo dia, virar um especial de TV.

 

1932  –  EDMUNDO, Luiz. O Rio de Janeiro no tempo dos vice-reis. 2. ed. rev. e ant. Rio de Janeiro: Athena, [1932]. il. Cap. 4: Aspectos da cidade e das ruas, p. 31-40.

Socialmente é um quisto, como poderia ser uma flor. Não lhe faltam, a par de instintos maus, gestos amáveis e enternecedores. É cavalheiresco para com as mulheres. Defende os fracos. Tem alma de D. Quixote” (Capítulo IV – Aspectos da cidade e das ruas).

 

_____. O Rio de Janeiro do meu tempo. Rio de Janeiro: BNH, [19–]. il. Edição especial.

O livro foi publicado, pela primeira vez, em 1938. A primorosa edição produzida pelo misteriosamente extinto Banco Nacional da Habitação inclui caricaturas geniais de J. Carlos, Calixto, Armando Pacheco, Raul Pederneiras e vários outros. Neste livro, o carioca Edmundo Lins (1878/1961) resume a história do lendário capoeirista Manduca da Praia (Capítulo 12 – A Vida de Cortiço, págs. 137/139). O carioca Edmundo  Lins pertenceu à Academia Brasileira de Letras, e foi um dos fundadores do Instituto  Histórico e Geográfico Brasileiro.

 

1944 (1º Edição)  –  AMADO, Jorge. Bahia de todos os santos. 21. ed. rev. e atualizada. São Paulo: Martins, 1971. 263 p.

O livro foi publicado pela primeira vez em 1944. Como todas as obras de Jorge Amado, esta também vem sendo reeditada constantemente e lançada em várias outras línguas pelo mundo afora.  A partir da 25 º edição, entretanto, como apontei no presente trabalho, um substancial e revelador parágrafo sobre Mestre Bimba  foi misteriosamente suprimido. Corte que, até agora, não mereceu nenhum comentário nas revistas e teses especializadas em Bimba.

 

1945  –  MARINHO, Inezil Penna. Subsídios para o estudo da metodologia do treinamento da capoeiragem. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1945.

Livro comentado ao longo do presente trabalho. Leitura fundamental.

 

–  OLIVEIRA, Valdemar de. Frevo, capoeira e passo. Recife: Ed. de Pernambuco, 1971. 145 p. il.

Referindo-se ao histórico episódio da prisão do capoeira Juca Reis, na pág. 81 de seu livro, Oliveira comenta: “O  exemplo repercutiu no país inteiro. A liquidação foi geral. As polícias estaduais se movimentaram, apoiadas no primeiro código Penal da República”.

A História da Capoeira, sem sombra de dúvida, passa por Pernambuco, e esse livro é uma das leituras de fundamental importância  para bem entendê-la. A base do livro foi um trabalho produzido pelo autor, em 1945,  e publicado, com destaque, no volume VI, do ano VI, do Boletim Latino-Americano de Música.

 

1946 –  MORAIS FILHO, Alexandre José de Mello. Festas e tradições populares do Brasil. Revisão e notas de Câmara Cascudo. 3. ed. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1946. 551 p. il.

–  “Capoeiragem e Capoeiras Célebres – Rio de Janeiro” é, certamente,  leitura obrigatória para todos nós. Dois exemplos:

“No Brasil,  especialmente no Rio de Janeiro, há uma subclasse que reclama distintíssimo lugar entre as suas congêneres e que tem todo o direito a uma nesga de tela no quadro da história dos nossos costumes – a dos capoeiras  (p. 444)”.

“Os capoeiras, até quarenta anos passados, prestavam juramento solene, e o lugar escolhido para isso eram as torres das igrejas (p. 446)”.

 

1961  –   LYRA FILHO, João. Sinais de sociologia dos desportos. [S.l.]: Confederação Brasileira de Desportos (Gestão João Havelange), 196l. Cap. 3: Miscigenação e capoeiragem.

Pequeno libreto contendo a palestra de João Lyra Filho, realizada no dia 25 de agosto de l960, no Clube de Regatas do Flamengo  (tinha que ser no Flamengo!). Importante registro que serviu de embrião para trabalho de maior fôlego, cuja leitura, considero obrigatória para qualquer pesquisador na área do desporto em geral, e da capoeiragem em particular: INTRODUÇÃO à SOCIOLOGIA DOS DESPORTOS!

 

1961 –     COSTA, Lamartine Pereira da.  Capoeiragem: a arte da defesa pessoal brasileira.

Rio de Janeiro: [s.n.], 1961.  63 p.  il.

_______.  Capoeira sem mestre.  Rio de Janeiro: Ed. de Ouro, 1962.  116 p. (Esportiva)

il.  (Esportiva).

Lamartine Pereira da Costa praticou capoeira, introduziu oficialmente a capoeiragem na Marinha, escreveu vários artigos e um livro específico sobre o assunto. Como professor de educação física escreveu centenas de artigos, coordenou dezenas de projetos a nível nacional e internacional.  Com o doutorado em Educação, além de professor universitário,  tornou-se um brilhante consultor internacional.

 

1965  –  CARNEIRO, Edison. Dinâmica do folclore. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965. 187 p.

Décadas atrás tive o prazer e a honra de entrevistar, no meu programa radiofônico “Rinha de Capoeira”, o brilhante e saudoso Professor Edson Carneiro. O mote básico da entrevista, como não poderia deixar de ser, foi “como diferenciar a dinâmica do folclore da estilização folclórica da capoeira contemporânea”?

 

– LEMOINE, Carmem Nícias de.  Jogo de capoeira.   Tradições da Cidade do Rio de   Janeiro do século 16 ao 19.  Rio de Janeiro: Pongetti, 1965.     p. 226-233.

Lemoine exagera um pouco ao citar e louvar certo capoeira paranaense.

 

1972  –  SANTOS, José Francisco dos. Memórias de Madame Satã: (conforme narração a Sylvan Paozzo). [S.l.]: Lidador, 1972.

“Minha pessoa estava muito feliz naquela noite” – assim começa o livro de Satã!  Obra que deve ser lida, também, como  importante registro social e sociológico do Rio Antigo. Merecendo especial registro a maneira brilhante como o jornalista Sylvan Paezzo desempenhou o seu papel.

1974  – LYRA FILHO, João. Introdução à sociologia dos desportos. 3. ed. Rio de Janeiro: Bloch, [19–].

Leitura obrigatória, não sendo possível ler o livro todo, pelo menos, o Capítulo dedicado à Capoeira deve ser lido com especial atenção. Um Capítulo que deveria ser republicado, devidamente comentado por meia dúzia de especialistas no assunto.

 

1980  – PEIXOTO, Mário. Ipanema de A a Z: dicionário da vida ipanemense. [S.l.]: AACohen, 1980.

Preciosa fonte de informações para o presente trabalho.

 

1981  –  GOMES, Paulo, Mestre. Capoeira: a arte brasileira. [S.l.]: Centro de Capoeira Ilha da Maré, 198l.

O baiano Paulo Gomes fez-se mestre no Rio de Janeiro e teve seu melhor momento em São Paulo onde, infelizmente, foi covardemente assassinado. O livro é o escritor falando, quem o conheceu entende muito bem o que ora afirmo. Testemunhei, certa vez, Paulo Gomes jogar com todos os capoeiras de uma roda extremamente hostil. Saiu respeitado e admirado. Recomendo a leitura do livro.

 

1990  –  FREYRE, Gilberto. Ordem e progresso: processo de desintegração das sociedades patriarcal e semipatriarcal no Brasil sob o regime de trabalho livre. 4. ed. Rio de Janeiro: Record, 1990. clxix, 810 p.

Entre outras importantes reflexões, Freire oferece subsídios para um melhor entendimento sobre a famosa  e jamais bem explicada Guarda Negra: fiel ao Império, contra a República (o que, aparentemente, não faria sentido….).

 

1993 – DIAS, Luiz Sérgio. Quem tem medo da capoeira? 1890-1904. 1993. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1993. Livro premiado.

Preciosa fonte de informações para o presente trabalho.

 

1995 –  PETTEZZONI, Sérgio. RIO para não Chorar, Ed. Catau, RIO, 1995.

 

1996  – ANGELO, Decânio Filho. A herança de Mestre Bimba: filosofia e lógica africanas da capoeira. Salvador: [s.n.], 1996. Edição preliminar e personalizada.

Apresentação de Jorge Amado e Esdras Magalhães dos Santos. Ângelo Decânio foi  aluno e médico de Mestre Bimba, e conviveu com Cisnando Lima (“foi o primeiro aluno branco da classe social dominante em Salvador; Cisnando logo induziu o Mestre Bimba a enriquecer o potencial bélico da luta negra…”.  Pág. 112). Com profunda admiração, mas com singular realismo, Decano exalta a figura de Bimba. Com autoridade, as folhas tantas,  chama atenção para graves distorções que estão ocorrendo, atualmente, com a Capoeira Regional. Leitura recomendável.

– SANTOS, Esdras M. dos. Conversando sobre capoeira… São Paulo: JAC, 1996. 65 p.

Livro emocionado, desassombrado e extremamente informativo. Preciosa fonte de informações para o presente trabalho. Recomendo a leitura (há uma segunda edição em marcha).

2000 – CASTRO, Ruy. Ela é carioca: uma enciclopédia de Ipanema. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

Preciosa fonte de informações para o presente trabalho. Leitura recomendável.

 

– LESSA, Carlos. Metrópoles: o Rio de todos os Brasis. [S.l.]: Record, 2000. 478 p.

Leitura obrigatória para quem, além de Capoeira, queira entender também de

Rio de Janeiro e Brasil. Preciosa fonte de informações para o presente trabalho.

– Dias, Luiz Sergio. Da “Turma da Lira” ao Cafajeste. A Sobrevivência da Capoeira no Rio

de Janeiro  na Primeira República. Tese Doutoral.  Doutor em História pelo Instituto de Filosofia

e Ciências Sociais, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal  do Rio de Janeiro.  Livro de suma importância, mostra e demonstra que a Capoeiragem no Rio de Janeiro não acabou nem com as Maltas nem com Sampaio Ferraz (Chefe de Polícia, também Capoeira, continuou mascarada por outras denominações como “Turma da Lira”, “Cafajestes”, “Escovados”…

 

2. Jornais e revistas

 

1906 –  CAPOEIRA. Kosmos, Rio de Janeiro, v. 3, n. 3, mar. 1906.

Excelente artigo escrito pelo cronista Lima Campos, magistralmente ilustrado  pelo famoso Calixto. Valioso registro de uma época. Sem dúvida, um dos modelos didáticos pioneiros da Capoeira.  Leitura obrigatória.

 

1935  –  ANDRÉ Jansen em Salvador. Jornal O IMPARCIAL, Salvador, 25 out. 1935.

Breve, mas importante registro de uma das passagens de André Jansen por Salvador. Promotores de um grande  evento de pugilismo, inspirado em promoções similares realizadas no Rio de Janeiro, convidaram Jansen para inaugurar as apresentações  num confronto com Ricardo Nibbon (também do Rio, aluno dos Gracie).  Como preliminar, Mestre Bimba fez uma exibição com seus alunos.

——— André Jansen em Salvador. Jornal Diário de Notícias. RIO, 30 out. 1935.

O público carioca conhece sobejamente o sportista André Jansen, considerado o mestre absoluto da luta brasileira (a capoeiragem). Várias vezes André teve  ocasião de brilhar em nossas arenas, demonstrando sua technica  admirável, servida por uma valentia e uma resistência extraordinária.

…Jansen, o maior discípulo de Agenor Sampaio, Sinhozinho…

… O hospitaleiro povo bahiano vae ter occasião de apreciar o espírito combativo, a intelligência, dextreza e sagacidade do jovem sportista brasileiro”…

 

1949  –  REGRESSOU Mestre Bimba. A Tarde, Salvador, 07 mar. 1949.

Não concordando, mas também não proibindo lutas combinadas, Mestre Bimba voltou a Salvador fazendo declarações elogiosas sobre o desempenho da Regional nas apresentações  em São Paulo.

 

1953  – ANTÔNIO, Carlos. A ARTE dos “moleque de Sinhá” – Camarada bota sentido! Capoeira vai te Batê…”. Flan, Rio de Janeiro, 31 mai, 1953, 1. cad.:9; Última Hora, São Paulo, 25 abr. 1956:9.

Neste mundo cada vez mais dependente do marketing,   parece que só existiu  e que só existe quem está todos os dias na mídia. Mídia paga ou não. Daí a ignorância sobre a extraordinária Capoeira de Sinhozinho de Ipanema. Outro bom exemplo, ou melhor, outra boa injustiça pode ser registrada em relação ao Sr. Antenor dos Santos, mineiro, vice-presidente da Portela e um “animador da capoeira”. Nas décadas de 40/50 o Sr. Santos coordenava um grupo de bons angoleiros, na prática, comandados por Joel Lourenço do Espírito Santo. Estivemos, eu, Ney Alves (capoeira de Sinhozinho) e Paulo Castro, na casa de Joel, em Madureira. Não houve jogo, mas houve um papo que deveria ter sido gravado.

Em tempo: fui apresentado ao Mestre Joel pelo próprio “Antônio Carlos” (pseudônimo do querido e saudoso Professor Edison Carneiro).

 

1959  –  CAPOEIRISTAS baianos dançam no aeroporto. Diário Carioca, Rio de Janeiro, 10 abr. 1959.

 

1961- DANÇA de negros e arma de malandros: capoeira oficializada na Marinha. Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 30 mar. 1966, tablóide: 1.

Lamartine Pereira da Costa, com a cooperação dos Mestres Artur Emídio e Djalma Bandeira promove um curso de capoeira especialmente para oficiais e praças da Marinha.

Aliás, um grande mote, ainda virgem, é o papel das marinhas  – de guerra e mercante – na propagação e no intercâmbio capoeirístico nos portos brasileiros e do mundo.

 

1963  –  CAPOEIRA renasce no Rio com suas velhas tradições. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 dez 1963.

Reportagem de página inteira, com duas ilustrações (uma delas inspirou a capa do livro “A Volta do Mundo da Capoeira”). Gira em torno de uma “Operação Capoeira” deflagrada no Rio, registra a importância de Sinhozinho,Rudolf Hermanny, Cirandinha,  Artur Emídio e outros.

 

———–. CAPOEIRA comanda o espetáculo de folclore. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 jun 1966, 3. cad.: 1.

Toríbio foi quem melhor escreveu sobre a grandeza de Mestre Mário Santos e sobre os tempos áureos do Grupo Bonfim (sob o comando do próprio Mário e de Mestre Zé Grande com quem tive a honra de, também, dar uma pequena volta do mundo).

 

1968 –  SIMPÓSIO quer mudar capoeira. Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, 28 ago. 1968. (2) f. il.

——-  SIMPÓSIO chegou ao final sem decidir se capoeira é luta ou apenas folclore.  Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 ago. 1968. (2)f.  il.

O evento reuniu altas autoridades do governo, do esporte e da capoeira: Ministro Lyra Filho, Professor Edison Carneiro, Campeã Maria Lenk, Professor André Luiz Lacé Lopes, Dr. Lamartine Pereira DaCostaa, Dr. Ângelo Decânio, Professor Rudolf Hermanny e outros. Iniciativa bem intencionada, mas sem nenhum resultado prático. Especialmente o Jornal do Brasil reportou o evento de maneira  excessivamente crítica.

 

1974  – FESTIVAL de uma corda só traz ao Rio mestres da capoeira. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 21 jun. 1974. (1)f il.

Realizado no IBAM, RIO. Estratégia pioneira onde os concorrentes tinham que improvisar os versos em função de um jogo feito na hora. Participaram, entre outros, os mestres Zé Pedro (vencedor),  Paulo Afonso “Corvo”, Silas, José “Macaco Preto”, Adilson Victor, Alcino “Dentinho”, Adilson Faria, Luiz Américo e Paulão. Na multidisciplinar comissão julgadora (maestro, comunicador, sociólogo, professores de português e de educação física): Carlos Henrique Gomide, Orlando Mara, Lamartine Pereira da Costa, Alves Soares e Muniz Sodré.

1977  –  CURVELO, Ivan. Capoeira: a falta de rumos é processo de embranquecimento. Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, 24 abr. 1977. (4)f il.

Entrevista com o então Superintendente Administrativo do Clube de Regatas do Flamengo, sobre o processo de Institucionalização da Arte Afro-Brasileira da Capoeiragem.

1986  –  MACARTY, José. Quand la Capoeira rencontre le Moringue. Jornal Témoignes. Ilha de Reunião, 8 out 1986.

– L`HISTOIRE DE LA CAPOEIRA AU BRÉSIL. Jornal Témoignages. Ilha de Reunião, 9 out 1986.          – LE MORINGUE (CAPOEIRA!) à la Reúnion – sortir du fénoir une pratique culturel lê authentiquement réunionnaise. Jornal Témoignages, quotidien du parti communiste reunionnais. Ilha de Reunião, Oceano Índico, 11/12 out 1986

Observação: a partir dessas reportagens, várias outras surgiram no Rio de Janeiro (André Lacé) e, logo várias outras surgiram pelo Brasil afora.Famosa corrente já está modificando (novamente) sua própria história, passando a afirmar que nasceu do moringue…

 

BIBLIOGRAFIA

 

III. Capoeira  da Bahia

(registros mencionados no power point feito para esse Módulo)

1963  –   BIMBA, Mestre. Curso de capoeira regional. Salvador: [s.n.], 1963.

Livreto que acompanha as duas edições (1963 e 1985) do disco de Mestre Bimba “Curso de Capoeira Regional”. A 2ª edição sofreu, misteriosamente, pequena, mas significativa modificação no texto. Alteração comentada nesse Módulo.

1968  –  RÊGO, Waldeloir. Capoeira Angola: ensaio sócio-etnográfico. Salvador: Itapoã, 1968. 416 p. il.

Inegáveis bons aspectos, excelente contribuição, sobretudo, para estudos referentes  à mudança de foco ideológico que se pode perceber da Angola para a Regional.  Valendo registrar também a homenagem que prestou a São Paulo e ao Rio de Janeiro ao afirmar que Agenor Moreira Sampaio, Sinhozinho (pág. 14) era natural da Bahia. Pequena incorreção que foi repetida também pela Sra. Reila Gracie (Livro “Carlos Gracie”, pág. 297) em uma das vezes que mencionou o Senhor “Antenor” Sampaio.

Ambos os livros, mesmo assim, são fundamentais.

 

1986Almeida, U. (Mestre Acordeon). Capoeira, a Brazilian art Form. Berkeley: North Atlantic Books, 1986.

Em seu livro, Mestre Acordeon faz franco e desassombrado elogio ao  grande Mestre Artur Emídio de Oliveira, baiano de Itabuna, que não é nem “angola” nem “regional, é simplesmente um exímio capoeirista. Apenas um exemplo (existem muitos outros), mas, suficiente para fragilizar a “tese” da dicotomia “Angola & Regional”. Quem viu Artur jogando, décadas atrás, certamente, concordará com  Acordeon.

 

1991  –  MOURA, Jair. Mestre Bimba, a crônica da capoeiragem. Salvador: Fundação Mestre Bimba, 1993. 86 p. il.

Jair foi um dos melhores alunos de Mestre Bimba e é um dos melhores pesquisadores da capoeira baiana.  Livro muito citado, inclusive em dissertações e teses de mestrado. Muito informativo, com alguns pequenos  senões, como a parte que resume e comenta os resultados do confronto, em São Paulo,  de alguns alunos de Mestre Bimba (com ele presente) e  diversos lutadores locais.  Mestre Jair Perigo também preferiu não incluir  os resultados dos confrontos, dessa mesma equipe,  no Rio de Janeiro. Momentos importantes que felizmente, graças a livros, como o do Mestre Esdras Santos   estão bem esclarecidos e incorporados à História da Capoeiragem.

2008 – Capoeira – Textos do Brasil # 14. Publicação do Ministério das Relações Exteriores,

Livro já distribuído para todas as embaixadas brasileiras. Em que pese o título, que, salvo engano, parece englobar todas as capoeiras praticadas no Brasil, o livro concentra-se na capoeira baiana. Cheg a repetir ilustrações diversas, sobretudo as do argentino Carybé (brilhantes), ignorando por completo outras não menos brilhantes. Por exemplo ,as ilustrações geniais  do carioca Calixto (Klixto; com título e legendas revelando um sentido didático historicamente muito relevante).  Mesmo assim, o livro apresenta algumas curiosidades, como retorno à versão inicial sobre a origem da Regional: capoeira Angola enriquecida por movimentos e golpes de outras lutas (pág. 31). Insistência instigante tendo em vista que já começa a surgir, também uma nova versão onde a origem da Regional estaria no moringue da vulcânica  Ilha de Reunião. Ambas abandonando a versão baseada no Batuque. “Ou não”, como diria Mestre Caetano.

BIBLIOGRAFIA

V – Capoeiragem e Religiões Afro-Brasileiras

Elton Medeiros, grande compositor e poeta, administrador, mestre (inclusive de Candombe) e bom amigo, tempos atrás, Durante uma Fogueira de Xangô, recomendou e colocou à disposição alguns livros chaves nessa área:  Altair Pinto, Arthur Ramos, Câmara Cascudo, Édison Carneiro, Roger Bastide, Nina Rodrigues e outros. Mestre Elton chamou atenção especialmente para os trabalhos do Professor José Flávio Pessoa de Barros. Não por coincidência, Lúcio Sanfilippo, jongueiro de primeira (Bar do Ernesto, Lapa, todas as sextas-feiras; boa parte das músicas de jongo é utilizada também na Capoeira), na mesma época, convidou-me para ver uma Festa de Yabbas, na Casa Ilê Axé Omim, em Cachoeiras de Macacu.  Casa dirigida, justamente pelo Professor José Flávio, com pós-doutorado na Sorbonne. Impulso que faltava para ler as duas excelentes obras desse professor, oferecimento também do Sanfilippo:   “Olubajé, o banquete do Rei” e “A Fogueira de Xangô, o Orixá do Fogo”. Assim como praticamente todos os livros do não menos mestre Nei Lopes, considero leitura obrigatória para todo mestre de capoeira, especialmente aqueles que  esperam participar de cursos resultantes da  implementação da Lei nº. 10.369!

2005  – Lopes, Nei. KITÁBU, o livro do saber e do espírito negro-africanos. Editora SENAC, RIO, 2005

1999    –  Barros, José Flávio Pessoa de  A Fogueira de Xangô. NUSEG, UERJ

1999    –  Barros, José Flávio Pessoa de . Olabajé.  NUSEG, UERJ.

 

Longe de esgotar essa importante lista, permita-me caro aluno, recomendar especialmente mais uma leitura:

2004  -Ligiéro, Zeca. Malandro Divino – a vida e a lenda de Zé Pelintra, personagem mítico da Lapa carioca. Editora Nova Era, Rio de Janeiro.

Sem dúvida, outra leitura obrigatória, não apenas o canto “Ginga e malícia, samba e capoeira”, mas o livro todo.

 

 

História: Gangues do Rio de Janeiro

 

No início do século 19, grupos de capoeiristas usavam as ruas cariocas para exibir suas habilidades e resolver as diferenças. Enquanto a polícia reprimia os lutadores, a elite temia uma revolta dos escravos.

O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro. Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto. De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real.

Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas. Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso. Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista. A arte marcial (ainda) não era um crime. Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.

Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19. A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou "capoeiras") nas ruas.

Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer. Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791. Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruído engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.

Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar. Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade.

Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos. Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.

Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em "maltas". Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar.

"As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças", diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850). Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras, historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.

Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial. Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeirateria nascido em senzalas ou quilombos.

"A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana", afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17. Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra "capoeira" é mencionada sem se referir à luta.

Esse era o nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio. Esses estivadores negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias para ver quem era o mais hábil. O nome "capoeira" teriapassado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa.

Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade. Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.

A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico. "Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim, para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares", diz Soares.

As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório públicoficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.

A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa. Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser malvista.

A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem. Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando "capoeiragem".

Chibatadas e servidão

 

A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras. Mas ela passou a ser acrescida de castigos corporais. Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante. Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banidas.

No Brasil de dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados, que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas. Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861).

A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá. Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias – os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.

O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras. Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, ele foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio).

O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos. Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados. Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.

Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exemplo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado "uma bofetada de mão aberta".

Mas, mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para, quem diria, manter a ordem. Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos.

Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados. Foi uma demonstração de poder e tanto.

Guerra nas ruas

O ano de 1831 foi marcado pela oposição dos liberais ao reinado de dom Pedro I. Eles acusavam o imperador de discriminar os brasileiros e cometer abusos. Em contrapartida, portugueses defendiam a manutenção do monarca e de antigos privilégios. Os ânimos andavam exaltados.

Em 11 de março os portugueses enfeitaram janelas e sacadas de suas casas e comércios na região da Candelária. Saudavam o imperador, que chegava de uma viagem a Minas Gerais.

Quando passeava pela rua da Quitanda, o sapateiro negro José Antônio foi insultado por um grupo de lusos. Eles exigiam que ele e suas duas acompanhantes tirassem do braço os laços que ostentavam, com as cores da pátria brasileira.

Os três se recusaram e se queixaram à polícia sobre a agressão. A partir daquele momento, o acirramento entre portugueses e brasileiros entrou numa escalada sem volta.

Durante o dia 13, enquanto militares se insurgiam contra o "imperador tirânico", um grupo de negros armados de paus ocupou as ruas ao redor do largo da Carioca bradando "constituição" e "independência". Os monarquistas saíram a campo com o apoio de marinheiros e caixeiros portugueses.

Xingamentos deram lugar a pedras, cacos e garrafas. Capoeiras distribuíam golpes certeiros enquanto os brancos se defendiam como podiam. Foram feitos disparos de pistolas e pelo menos dois negros caíram mortos. A multidão se dispersou, temporariamente.

O temporal que caiu sobre a cidade naquela noite acalmou os ânimos, mas os conflitos seguiram. Já era madrugada do dia 15 quando uma patrulha da polícia evitou que mais de mil homens armados se digladiassem em pleno Paço Imperial.

A sorte de dom Pedro, contudo, foi selada por esses episódios, conhecidos como "as noites das garrafadas". A elite brasileira e o Exército seguiram pressionando por mudanças no regime, até que, em 7 de abril de 1831, o monarca abriu mão do trono em favor do filho de 5 anos. Como o menino era jovem demais, os liberais assumiram o governo, no período chamado Regência.

O apoio dado pelos capoeiras à queda do imperador, entretanto, não garantiu a eles nenhum privilégio. Pelo contrário: o sucesso de sua atuação nos conflitos de rua acabou sendo interpretado pela elite como uma ameaça.

Afinal, se voltassem a agir juntas, as gangues de escravos do Rio representariam um sério perigo para os senhores. Dessa forma, os primeiros anos do período regencial foram marcados pela expectativa de um levante da chamada "gente preta".

O temor acabou se traduzindo em repressão. Mas a Polícia da Corte não fez uso só da força. Com táticas de espionagem e delação, ela sufocou uma a uma todas as agitações promovidas sob a liderança dos capoeiras.

A pior ocorreu em1835, com a repercussão da Revolta dos Malês, iniciada em 25 de janeiro, em Salvador. Contida na Bahia em dois dias, a insurreição acabou não chegando ao Rio.

Os poucos negros que tentaram insuflá-la foram detidos. Nos anos posteriores, as gangues não conseguiram atuar de forma coesa. Isoladas, eram presas fáceis para as autoridades e não tinham força para articular um movimento que exigisse direitos e liberdade.

"Os cativos não representavam um grupo social coeso. A população escrava brasileira era fragmentada", afirma o historiador Soares. "Se aqui tivesse havido uma suposta unidade racial, pensamento só vigorante a partir do fim do século 19, a escravidão teria sido eliminada em dias, como ocorreu no Haiti."

Nem mesmo a abolição da escravidão e a proclamação da República serviram para acabar com a repressão contra os capoeiras. Em 11 de outubro de 1890, foi promulgado o código penal do novo regime.

Em seu artigo 402, ficou estabelecida uma pena de dois a seis meses de prisão para quem praticasse a arte marcial nas ruas. Para os chefes das maltas, essa punição seria aplicada em dobro, enquanto os reincidentes poderiam ficar presos por até três anos. A capoeira, finalmente, havia se tornado crime, para o alívio da elite que vivera amedrontada por quase um século.

Fonte: Aventuras na História – historia.abril.uol.com.br/

Do lenço de seda à calça de ginástica

Mestre Gil Velho explica as semelhanças e diferenças entre as maltas cariocas e as gangues pernambucanas no século XIX e reflete sobre a perda de personalidade sócio-cultural da capoeira

Ainda hoje, muito se discute sobre as origens da capoeira. Mas as perspectivas do debate estão atreladas aos diversos discursos que vestem sua imagem moderna, a esportiva. Parte-se de idéias construídas, e não de práticas sociais espontâneas.

A capoeira carioca está historicamente imbricada às maltas de capoeiras da cidade e à “filosofia da malandragem carioca” dos anos 1800. A baiana, por sua vez, está ligada à cultura negra baiana e especificamente ao candomblé. No Recife, ela se manifesta nas gangues de rua Brabos e Valentões.

Para analisarmos a essência da capoeira, temos que voltar no tempo e considerar o contexto da realidade sócio-cultural de espaços com registros identitários e territoriais dela. Neste olhar, destacam-se dois loci: Rio de Janeiro e Recife. Estes dois centros urbanos eram, no século XIX, os maiores pontos de comunicação com o resto do mundo, onde mais circulava gente, idéias, comércio. As zonas portuárias permitiam a troca de idéias entre nichos sócio-culturais semelhantes.

No século XIX, diversos movimentos ligados ao universo portuário apresentaram formas de organização identitária e territorial semelhantes. Eram as gangues de rua, movimentos sociais anárquicos que tinham como ponto de conexão o porto.

O Rio de Janeiro era a capital que tinha aberto seu porto. E Recife representava a face revolucionária da colônia, com suas insurreições contra o absolutismo português, como a revolução de 1817, um ensaio para a independência, cinco anos depois.

A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira, e em Recife, com as gangues de rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês) em Paris e das maltas de fadistas de Lisboa do século XIX. A semelhança pode ser constatada, por exemplo, no vestuário – lenço de seda no pescoço – ou no instrumental de combate – navalha, porrete, bengala etc. O que mais chama atenção, no entanto, é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos.

Por outro lado, as perspectivas identitárias e territoriais próprias dão a cada movimento sua sócio-fronteira, com espaços personalizados dos atores em seus próprios contextos sócio-culturais. A capoeira marca sua presença em grupos de sócio-fronteiras a partir de meados do século XIX, no Rio de Janeiro com as maltas e no Recife com as gangues. Nessas cidades, os grupos disputavam os espaços demarcados identitariamente e tinham suas próprias manifestação rítmicas.

Mestre Gil Velho As maltas eram confrarias cujos nomes variavam de acordo com a localidade em que se estabeleciam – seus espaços de sócio-fronteiras. A malta da freguesia de Santana, por exemplo, chamava-se “Cadeira da Senhora”, a de Santa Rita era conhecida como “Três cachos” ou “Flor da Uva”, a do bairro de São Francisco, “dos Franciscanos”, a da Glória, “Flor da Gente”, a da Lapa, “Espada”, e a do Campo da Aclamação era chamada de “Lança” ou “malta de São Jorge”.

Estas maltas dividiam-se em dois grupos (“nações”) rivais: os Nagoas e Guaiamus. Tinham seus sinais característicos e suas saudações típicas, assim como juramento e preces faziam parte de seu ritual. Participavam de todas as manifestações cívicas e festas populares e eram vistas durante as paradas, precedidos pelos caxinguelês (aprendizes), que vinham gingando à frente dos batalhões durantes as paradas.

No Recife, os grupos de capoeira se organizavam de forma semelhante, porém mais atrelados às manifestações rítmicas. As bandas militares foram as primeiras organizações rítmicas absorvidas pelos espaços iniciais de sócio-fronteiras da capoeira. A partir das Bandas do 4º Batalhão de Artilharia e o Hespanha, do Corpo da Guarda Nacional, os grupos criam duas unidades sócio-fronteiriças: O Partido do 4º ou “Banha Cheirosa” e o partido Hespanha ou “Cabeças Secas”.

A partir desta perspectiva identitária territorial, a capoeira pernambucana travou verdadeiras batalhas através de suas pernadas, sua ginga solta, aliadas à bengala, ao porrete, à navalha, à faca etc. Dos espaços rítmicos, o frevo – ritmo proveniente dessas estruturas de bandas e o passo da aguerrida comunicação dos capoeiras – era a última de suas brincadeiras.

A perda da identidade social

A capoeira do século XIX morre com o advento da República, tanto no Rio e como no Recife. Inimiga da capoeira, ela chega com uma proposta de reformas sociais e urbanas, criticando a organização e a expressão popular da sociedade brasileira, principalmente no que diz respeito à mestiçagem étnica e cultural. Sua proposta alternativa seria baseada no modelo cultural europeu republicano e qualquer coisa que estivesse fora desses princípios era desconsiderada.

Sob influência do positivismo europeu, a república introduz mudanças que alteraram a estrutura do espaço cultural carioca. Entre essas, estava a alteração da forma da malha urbana, com a destruição do morro do Castelo e a introdução sobre a nova geoforma de uma estrutura arquitetônica semelhante ao centro da cidade parisiense – largas avenidas, ruas ventiladas e arborizadas. Este processo é associado à imposição de hábitos culturais visando à melhoria da qualidade de vida da cidade, que naquele momento sofria de uma série de males produzidos pelo baixo padrão de infra-estrutura de saneamento.

Essas mudanças alteraram os nichos e a geografia culturais da cidade. Espaços de expressões culturais foram perdidos, desarticulando a forma de organização urbana e quebrando a dinâmica interativa das comunidades que a compunham. Assim, com a alteração de elementos essenciais do contexto social da capoeira, o processo que a personalizava se alterou. Desaparecidas, as maltas são substituídas pela solitária figura do malandro. Malandro é um indivíduo e a malta, um grupo social.

A capoeira das maltas do Rio e dos Brabos do Recife foi desmobilizada em menos de dois anos. Toda uma história de mais de quarenta anos se desfez.

A capoeira esportiva

Quando o universo interpretativo da origem e identidade da capoeira muda, há uma ruptura da capoeira como movimento social. Nasce uma capoeira sem identidade social, construída a partir dos discursos intelectuais, tanto o carioca como o baiano.

A capoeira atual tem toda sua construção relacionada aos discursos nacionalistas do final do século XIX e começo do XX, em duas linhas básicas: a capoeira carioca, com sua “ginástica nacional”, e a baiana, com seu “projeto regional”.

Mestre Gil Velho A ginástica nacional, descrita por Aníbal Burlamaqui em seu livro “Gymnastica Nacional (capoeiragem) Methodizada e Regrada”, herdeira das maltas e da malandragem, é representada por Sinhozinho, que ensina a “capoeira de sinhô” – uma capoeira para briga de rua a partir de 1930, usada por Madame Satã e os malandros da Lapa.

A capoeira regional, de Mestre Bimba, ligada ao candomblé e outras manifestações culturais negras da Bahia, está nos romances e personagens de Jorge Amado: há valentões e desordeiros e também jogadores mais lúdicos, como Samuel Querido-de-Deus.

O discurso da luta regional, auxiliado pela construção do método de Bimba, se estabelece como hegemônico. Talvez a falta de uma origem como movimento social da capoeira em Salvador tenha facilitado a construção desta proposta de capoeira, que chega aos dias de hoje e espalha-se pelo mundo todo.

Mas, fruto de uma construção racionalizada, essa capoeira contemporânea, esportiva, esconde a fragilidade da falta de uma personalidade sócio-cultural.

* Gil Cavalcanti, o Mestre Gil Velho, geógrafo, é coordenador do Projeto Memorial da Capoeira Pernambucana, do Programa Capoeira Viva, do Ministério da Cultura, 2008

 

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional

 

Saiba mais:

Referências bibliográficas

Capoeira ou frevo? – Vídeo mostra ritmos pernambucanos em sintonia com a capoeira

Centro de Referência da Capoeira Carioca

Aconteceu Macaé /RJ: I ENFECAP MACAENSE

Aconteceu nos dia 27,29 e 30 de setembro em Macaé /RJ o I ENFECAP MACAENSE

I encontro feminino de capoeira, com cursos, palestras, coquetel e música ao vivo para a mulherada e muita capoeira.

Teve também o I jogos Feminino de capoeira.

Compareceram ao evento os grupos: Abada capoeira, Chapéu de couro, Elite carioca, SBC, Cruzeiro do Sul, Capoeira Brasil, Eu Capoeira, Raízes de Aruanda, Beira do Cais, elite Brasil Capoeira, Angonal Capoeira, Gicap.

Classificação nos jogos

Categoria A

1º Clara (Bebê) SBC – Sistema brasileiro de capoeira
2º Gisele (Beterraba) Capoeira Brasil
3º Tamires SBC – Sistema brasileiro de capoeira

Categoria B

1º Vanessa Santiago – Escola de capoeira Beira do cais
2º Eloísa – Escola de capoeira Beira do cais
3º Índia – Afroart-Brasil Capoeira

Categoria Graduadas

1º Andressa( De miojo) Afroart-Brasil Capoeira
2º Vanessa ( Merendinha) Afroart-Brasil Capoeira
3º Arisca Elite carioca capoeira

Categoria Monitoras/Instrutoras e Professora

1º Professora KIKI – Afroart-Brasil Capoeira
2º Monitora Trakina – Gicap
3º Instrutora Preguiça Elite Carioca capoeira
4º Instrutora Daniele Leite – Angonal capoeira

Mestres Presentes

Mestre lingüiça Capoeira Brasil /RJ
Mestre Montana Cruzeiro do sul/RJ
Mestre Jackson
Mestre Tão Eu capoeira /RJ
Mestre Sambureco – Sistema brasileiro de capoeira

I ENFECAP MACAENSE

Contramestres

Bahia Sistema brasileiro de capoeira
Corisco Elite Carioca

Professores/instrutores/monitores/graduados

KIKI – Afroart-brasil
capoeiraPreto – Afroart-brasil capoeira
Ordack – Afroart-brasil capoeira
Batmam – Escola de capoeira Beira do cais
Buchudo – Escola de capoeira Beira do cais
Pit Boy – Eu capoeira
Ninja – Afroart-brasil capoeira
Mais novo – Afroart-brasil capoeira
Kong – Elite Carioca capoeira
Nego – Sistema Brasileiro de capoeira
Pacato – Afroart-brasil capoeira
Q.humano – Afroart-brasil capoeira
De- miojo – Afroart-brasil capoeira
Bolado – Afroart-brasil capoeira
Campeiro – Afroart-brasil capoeira
Bacum – Afroart-brasil capoeira
Arisca – Elite carioca capoeira
Preguiça – Elite Carioca capoeira
Papel –
Angélica
Trakina – Gicap
Big boy – Afroart-brasil capoeira
Merendinha – Afroart-brasil capoeira
PC – Escola de capoeira Beira do cais
Topete – Escola de capoeira Beira do cais

Patrocínio
Sindtob

Apoio Corporativo
Petrobrás

Organização: Prpfª KIKI
Supervisão: Mestre Grande
Realização :Afroart-Brasil Capoeira
Visite :
www.afroartbrasilcapoeira.com.br
E-mail Afroartbrasilcapoeira@hotmail.com
Orkut : Afroart-Brasil

Entrevista Mestre Gil Velho

Gil Clementino Cavalcanti de Albuquerque Filho (Mestre Gil Velho), filho de Gil clementino Cavalcanti de Albuquerque e Maria Amélia Campelo Cavalcanti de Albuquerque, nasceu em Recife em 1948.

1 – Qual foi seu 1º contato com a capoeira?

Nasci em Recife, capital de Pernambuco, no final da década de 40, século XX. Venho de uma família tradicional, os Cavalcanti de Albuquerque, cuja história se confunde com a própria história do espaço pernambucano. A mistura de elementos indígenas, lusos, holandeses e afro na sua formação, me transmitiu uma memória genética que flui nos meus insight e interagem no meu processo vivencial.
Assim, quando meu Pai se muda para o Rio de Janeiro, no inicio da década de 50, passo a simbiotizar esta perspectiva genética com a leitura da realidade percebida do espaço carioca. Torno-me um pernambucano carioca, com uma passagem rápida por Copacabana e um pouso longo em Ipanema, onde passo minha infância e adolescência.
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Mestre de Capoeira, aos 67 anos, é homenageado na TATAME

No final deste mês, Mestre Arthur Emídio de Oliveira, um dos baloartes da capoeira carioca estara completando 77 anos de vida e 70 anos de vida capoeirística.
O Portal Capoeira sugeriu uma merecida homenagem ao Mestre e destacou o pessoal da capoeiragem carioca através da chamada ao jogo do camarada Joel Pires, que por sua vez acionou Mestre André Lacé e outros capoeiristas para colaborarem nesta tarefa.
 
Em resposta a esta chamada, encontramos um texto de outubro de 2006, publicado na Revista TATAME, revista especializada em Lutas, onde um aluno de Mestre Arthur Emídio é homenageado.
 
Desde já desejamos vida longa a Mestre Arthur Emídio e os nossos sinceros votos de felicidade e paz para toda a "malta" carioca.
Aluno do mestre Arthur Emídio, que fez uma luta de exibição (Capoeira x Jiu-Jitsu) em 1955, com Mestre Hélio Gracie, dentro da academia Gracie, que na época ficava na Av. Rio Branco, no Centro do Rio de Janeiro, Mestre Celso completou 67 anos no dia 24 de outubro. A comemoração ocorreu no dia 28 de outubro com um churrasco e uma roda de capoeira, onde alunos e ex-alunos como o várias vezes campeão brasileiro de Muay Thai Ângelo Sérgio, prestigiaram o mestre e participaram da roda.
 
– O Celso é aluno do Artuhr Emidio, famoso mestre da capoeira carioca. Ele foi formado junto com os mestres Eduardo, Luis Eduardo (Luizão), Milton e também o Mestre Russinho. Destes, só o Milton e o Celso estão em atividade – contou Elton, um dos alunos de Mestre Celso. 'O Ângelo Sérgio, que é campeão de Boxe-tailandês e Vale-Tudo já teve aulas com o mestre', contou Elton. Hoje o Mestre Celso dá aulas no Clube de Sargentos e Suboficiais da Marinha no Bairro do Cachambi, no Rio de Janeiro. A TATAME parabeniza o mestre Celso, que aos 67 anos continua em plena atividade e ensina a Capoeira para todas as idades.
 
Revista Tatame: www.tatame.com.br

Escravos, Capoeira, capoeiragem

O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro. Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto. De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real.

Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas. Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso.

Ø      Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista.

o       A arte marcial (ainda) não era um crime.

§        Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.

Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19. A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou "capoeiras") nas ruas.

Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer. Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791. Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruindo engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.

Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar. Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade.

Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos.

Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.

Ø      Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em "maltas". Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar.

Ø      "As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças", diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850).

o       Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras[1], historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.

§        Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial. Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeira teria nascido em senzalas ou quilombos.[2]

Ø      "A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana", afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17.

o       Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra "capoeira" é mencionada sem se referir à luta.

§        Esse era o nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio[3].

·        Esses estivadores [4] negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias [5] para ver quem era o mais hábil.

§        O nome "capoeira" teria passado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa. [6]

o       Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade. Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.

A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico.

Ø      "Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim, para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares", diz Soares.

o       As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório público ficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.

A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa. Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser malvista. [7]

A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem. Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando "capoeiragem".

 

Chibatadas e servidão

A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras, que passou a ser acrescida de castigos corporais.

Ø      Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante.

o        Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banidas.

No Brasil de dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados, que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas.

Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861).

Ø      A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá[8].

o       Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias,  os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.

O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras. Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio).

O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos. Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados. Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.

Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exemplo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado "uma bofetada de mão aberta".

Ø       Mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para manter a ordem[9].

o       Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos.

o       Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados.

Uma demonstração de poder e tanto!

 

Guerra nas ruas

O ano de 1831 foi marcado pela oposição dos liberais ao reinado de dom Pedro I, que acusavam o imperador de discriminar os brasileiros e cometer abusos.

Em contrapartida, portugueses defendiam a manutenção do monarca e de antigos privilégios.

Os ânimos andavam exaltados.

Em 11 de março os portugueses enfeitaram janelas e sacadas de suas casas e comércios na região da Candelária. Saudavam o imperador, que chegava de uma viagem a Minas Gerais.

Quando passeava pela rua da Quitanda, o sapateiro negro José Antônio foi insultado por um grupo de lusos, que exigiam que ele e suas duas acompanhantes tirassem do braço os laços que ostentavam, com as cores da pátria brasileira.

Ø      Os três se recusaram e se queixaram à polícia sobre a agressão. [10]

A partir daquele momento, o acirramento entre portugueses e brasileiros entrou numa escalada sem volta.

Durante o dia 13, enquanto militares se insurgiam contra o "imperador tirânico", um grupo de negros armados de paus ocupou as ruas ao redor do largo da Carioca bradando "constituição" e "independência". Os monarquistas saíram a campo com o apoio de marinheiros e caixeiros portugueses.  Os xingamentos deram lugar a pedras, cacos e garrafas. Capoeiras[11] distribuíam golpes certeiros enquanto os brancos se defendiam como podiam. Foram feitos disparos de pistolas e pelo menos dois negros caíram mortos. A multidão se dispersou, temporariamente.

O temporal que caiu sobre a cidade naquela noite acalmou os ânimos, mas os conflitos seguiram. Já era madrugada do dia 15 quando uma patrulha da polícia evitou que mais de mil homens armados se digladiassem em pleno Paço Imperial.

  • A sorte de dom Pedro, contudo, foi selada por esses episódios, conhecidos como "as noites das garrafadas".[12]
    •  A elite brasileira e o Exército seguiram pressionando por mudanças no regime, até que, em 7 de abril de 1831, o monarca abriu mão do trono em favor do filho de 5 anos. Como o menino era jovem demais, os liberais assumiram o governo, no período chamado Regência.

Ø      O apoio dado pelos capoeiras [13] à queda do imperador, entretanto, não garantiu a eles nenhum privilégio.

o       Pelo contrário: o sucesso de sua atuação nos conflitos de rua acabou sendo interpretado pela elite como uma ameaça.

§        Afinal, se voltassem a agir juntas, as gangues de escravos do Rio representariam um sério perigo para os senhores.

Dessa forma, os primeiros anos do período regencial foram marcados pela expectativa de um levante da chamada "gente preta". O temor acabou se traduzindo em repressão, mas a Polícia da Corte não fez uso só da força. Com táticas de espionagem e delação, ela sufocou uma a uma todas as agitações promovidas sob a liderança dos capoeiras.

A pior ocorreu em1835, com a repercussão da Revolta dos Malês, iniciada em 25 de janeiro, em Salvador. Contida na Bahia em dois dias, a insurreição acabou não chegando ao Rio.

Os poucos negros que tentaram insuflá-la foram detidos.

Nos anos posteriores, as gangues não conseguiram atuar de forma coesa; Isoladas, eram presas fáceis para as autoridades e não tinham força para articular um movimento que exigisse direitos e liberdade.

Ø      "Os cativos não representavam um grupo social coeso. A população escrava brasileira era fragmentada", afirma o historiador Soares.

o       "Se aqui tivesse havido uma suposta unidade racial, pensamento só vigorante a partir do fim do século 19, a escravidão teria sido eliminada em dias, como ocorreu no Haiti."

§        Nem mesmo a abolição da escravidão e a proclamação da República serviram para acabar com a repressão contra os capoeiras. Em 11 de outubro de 1890, foi promulgado o código penal do novo regime. Em seu artigo 402, ficou estabelecida uma pena de dois a seis meses de prisão para quem praticasse a arte marcial nas ruas.

·         Para os chefes das maltas, essa punição seria aplicada em dobro, enquanto os reincidentes poderiam ficar presos por até três anos.

Ø      A capoeira, finalmente, havia se tornado crime, para o alívio da elite que vivera amedrontada por quase um século.

 

O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro.

Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto.

De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real.

Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas.

Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso.

Ø      Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista. A arte marcial (ainda) não era um crime. [14]

o       Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.

Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19.

A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou "capoeiras") nas ruas.

Ø      Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer.

o       Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791. [15] Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruído engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.

Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar.

Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade.

Ø      Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos.

o       Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.

§        Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em "maltas". Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar.

Ø       "As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças", diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850).

Ø      Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras, historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.

o       Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial.

§        Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeira teria nascido em senzalas ou quilombos. [16]

Ø      "A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana", afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17.

o       Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra "capoeira" é mencionada sem se referir à luta.

o       O nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio. Esses estivadores[17] negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias para ver quem era o mais hábil. O nome "capoeira" teria passado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa.[18]

Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. [19]

As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade.

Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.

A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico.[20]

"Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim, para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares", diz Soares.

As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório público ficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.

A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa.

Ø      Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser malvista.

o       A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem.

Ø      Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando "capoeiragem[21]".

 

Chibatadas e servidão

A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras.,que passou a ser acrescida de castigos corporais.

Ø       Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante.

Ø       Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banida[22]s.

No Brasil de dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados[23], que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas.

Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861).

A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá. Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias, os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.[24]

O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras.

Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, ele foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio).

O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos.

Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados.

Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.

Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exemplo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado "uma bofetada de mão aberta".

Ø      Mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para, manter a ordem.

Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos.

Ø      Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados.

Uma demonstração de poder e tanto!


[1] Grifo AADF

[2] Idem

[3] Idem

[4] Observe-se que esta é uma atividade da população portuária. Grifo e observação de AADF.

[5] Idem

[6] Capoeira como sinônimo de capoeirista. Nota AADF

[7] Grifo AADF

[8] Idem

[9] Idem

[10] Grifo AADF

[11] Idem

[12] Idem

[13] Capoeirstas.Nota AADF

[14] Grifo AADF

[15] Idem

[16] Idem

[17] Idem

[18] Por metonímia. Nota AADF

[19] Idem

[20] Grifo AADF

[21] Idem

[22] Idem

[23] Idem

[24] Idem