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“A Victoria do Jogo Brasileiro: Capoeira Versus Jiu-Jitsu”

Estávamos em 1909. A Marinha de Guerra do Brasil tinha acabado de contratar, diretamente do Japão,  um grande campeão e professor de jiu-jitsu, o Senhor Sada Miako. Foi o que bastou para despertar, em atuante grupo de acadêmicos de medicina, a idéia de um tira-teima com a capoeiragem brasileira. Apresentaram, como oponente ao japonês, o campista (Município de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro), o Senhor Francisco da Silva Cyríaco, mais conhecido como Cyríaco Macaco Velho. Francisco da Silva,  mestre de vários desses universitários,  era considerado um dos maiores, senão o maior capoeira brasileiro da época.

Depois de natural relutância, autoridades (inclusive autoridades militares) e o Sr. Pachoal Segreto, proprietário-administrador do  Pavilhão Internacional, resolveram aceitar o desafio.

Em muito pouco tempo, Brasil e Japão tomaram conhecimento do resultado da luta.   Cyriaco, com surpreendente rabo-de-arraia  vencera o campeão que, perplexo, não aceitou a revanche que, ainda no tablado, lhe foi oferecida pelo capoeira.

Dentre as diversas reflexões que o episódio e os registros fotográficos sugerem, neste momento, destaco quatro:

1. Se houve  luta pública de capoeira, aprovada e presenciada por autoridades civis e militares, como continuar afirmando que a Capoeira só foi liberada (?) pelo Presidente Getúlio Vargas, décadas mais tarde,  através de decreto específico (e fantasma), logo após o presidente assistir roda exemplar?

2. A adoção de um grande capoeirista por grupo de acadêmicos de medicina, coincidência ou não, voltou a acorrer algumas décadas mais tarde, em Salvador. Talvez um grupo menor de acadêmicos, mas extremamente dedicado e competente, sendo impossível e injusto não destacar a importância de dois deles:1. O cearense José Cisnando Lima, estudioso também de  outras lutas e conhecedor, como Bimba, do precioso livro  de Annibal ZUMA Burlamaqui); e 2. Ângelo Decânio Filho, também praticante de judô, que hoje em dia, forte e atuante, no alto de seus 83 anos, é considerado a mais importante fonte de informação e intérprete da chamada Luta Regional Baiana.

3. Pelo tipo de ginga e pela  distinção dos trajes de Cyriaco realmente faz sentido considerar, como fez o Jornal do Capoeira (com muito humor), se esta não seria a linhagem do sempre elegante Mestre Leopoldina.

4. A deplorável insensibilidade crônica da grande maioria dos mestres, contramestres e pesquisadores do Rio de Janeiro para a importância da Capoeira do Rio Antigo em geral, e da capoeira de Cyriaco em particular. Pena que tenha faltado um Decânio no grupo de alunos de Cyriaco, pois, neste caso, ele não estaria tão esquecido pelos cariocas, fluminenses e brasileiros em geral (com as raras e honrosas exceções de sempre). Em que pese, é claro, o histórico movimento que fizeram os alunos de Cyriaco que culminou no confronto em tela.

A victoria do jogo brasileiro: capoeira versus jiu-jitsu

Ironicamente ouço falar mais deste passado heróico do Rio de Janeiro quando viajo. Foi o que aconteceu em visita recente a Aracaju, Sergipe (para detalhes recomendo navegada no Jornal do Capoeira, editado pelo Miltinho Astronauta), onde fui agraciado com valioso presente: um pacote de revistas antigas, publicadas no Rio, então capital federal e distribuídas por todo Brasil. Por elas, entre outras preciosidades, verifico que o famoso conjunto de fotos publicado na Revista Careta (sobre Cyriaco), foi também publicado, em várias outras. Com mais ou menos fotos.  Como está havendo crescente interesse para esta parte ainda encoberta da História da Capoeira, aproveito essa crônica para publicar uma variante do famoso conjunto de fotos feito por ocasião da histórica vitória do  Capoeira sobre o Campeão de Jiu-Jitsu:

“Cyriaco, como todos sabem, venceu em poucos minutos, no tablado do Concerto Avenida, o até então invencível Miaco, professor japonez da luta jiu-jitsu. Cyriaco, natural de bom gênio, mas destro e conhecedor de capoeiragem como poucos quis repetir a dose, no que não consentiu o japonez vencido. Isto vem provar mais uma vez as vantagens da capoeiragem como exercício, que há longo tempo preconizamos pelas columnas do Jornal do Brasil, vantagens que subiriam mais se fosse methodizado o exercício, expurgados os golpes misteriosos e mortaes”. (Revista da Semana, 30 de maio de 1909 – Domingo – Anno IX – 472)

André Luiz Lacé Lopes – Fórum Virtual – fevereiro/2006

 

 

Carolina Soares a voz da mulher na capoeira lança o seu quinto CD

Cantora profissional desde os 16 anos de idade, Carolina se dedica a musica o tempo inteiro, sua convivência com o publico da capoeira se deu através do contato direto em rodas e grandes eventos e meios sociais, dos quais Carolina fez parte ativa nas organizações. A cantora sentia falta de uma voz feminina nas rodas e exaltar mais ainda a presença da mulher. Foi assim que no ano de 1999 teve a ideia em de gravar o seu primeiro disco “Cantigas de Capoeira como você nunca ouviu antes”.

Sempre dirigida por Adriano Chediak (editor da Revista Capoeira), o CD foi de cara um sucesso estrondoso, ganhando espaço na mídia e levando aos leigos o som melodioso das cantigas de roda. Foi capa com matéria central no encarte “estadinho” do Jornal Estado de São Paulo e saiu em matérias de destaque de importantes veículos de comunicação como: Correio Brasilense, Jornal do Brasil, Estado de Minas, entre outros. Levou também a Capoeira para a TV em grandes emissoras como SBT, Record, Bandeirantes e na TV Globo gravou a vinheta dos 30 anos de aniversário do Programa Esporte Espetacular em ritmo de Capoeira.

Sua voz de timbre forte e seu carisma encantaram o universo da capoeira que era quase 100% masculino. Compôs grandes sucessos da capoeira como: “Vai ter Brincadeira”, “Vou Cantar pra Você”, “Capoeira não pode parar”, “Canto na areia”, “Capoeira de Menino” e “Mulher na roda” que virou um hino entre as mulheres.

Carolina Soares hoje é considerada a “voz feminina” da Capoeira, e acaba de lançar o seu quinto CD de capoeira, permitindo com isso fazer turnê de participações em eventos da capoeira em todo Brasil e em vários países europeus, como Grécia, Turquia, Polônia e Itália, sempre levando para os ouvidos e corações dos capoeiristas uma verdadeira lição de superação de como produzir um conteúdo já aprovado. Tem também se tornado madrinha de grandes projetos de inclusão social de crianças e jovens pelo Brasil inteiro.

A maior curiosidade do público é se ela treina capoeira, se ela é praticante assídua das rodas, sua resposta é sempre serena “Não pertenço a grupo algum, sou patrimônio da capoeira, e minha contribuição é através da musicalidade, cantando eu dou volta ao mundo, saltos acrobáticos e posso mandingar até onde eu tiver energia”.

 

Carolina Soares hoje é considerada a “voz feminina” da Capoeira, e acaba de lançar o

Serviço:

 

Data: 23/06/2013

Horario: 16 horas

Local: Bar Brahma

Av São João esquina com Av Ipiranga

Centro – São Paulo

(ao lado da estação de metrô Praça da República)


Para saber mais da cantora e adquirir o seu novo CD:

www.carolinasoares.com.br


Pungada dos Homens & A Capoeiragem no Maranhão

MESTRE BAMBA, do Maranhão

Jornal do Capoeira – 30.Julho.2005

Hoje, 29/07, fui ao Centro Histórico me informar sobre o Tambor-de-Crioula e a Punga, movido pela curiosidade de um artigo do Jornal do Capoeira -Capoeira em Sorocaba -em que é mencionado pelo Autor, Carlos Carvalho Cavalheiro, em que no Maranhão a Capoeira receberia também o nome de “Punga”, ligado àquela dança… achei estranho, pois nunca ouvira falar nisso… dei uma olhada no material que tenho sobre folclore maranhense e achei [em Reis, José Ribamar Sousa dos -Folclore Maranhense, Informes. 3 ed. São Luís : (s.e.), 1999, p. 35 -Tambor-de-Crioula]: “Caracteriza-se pela PUNGA ou UMBIGADA, onde é verdadeiramente observada em sua coreografia  a participação destacada da mulher”. Dançam o Tambor-de-Crioula apenas mulheres, cabendo aos homens, a percussão dos tambores. Nada relacionado com a Capoeira …

Procurei em outros autores alguma relação entre “punga” e “capoeira”, e não achei nada. Então fui ao Centro de Cultura Popular “Domingos Vieira Filho”, procurar alguns pesquisadores que pudesse me dar alguma informação, e também não haviam ouvido falar de que a Capoeira, enquanto manifestação cultural, fosse chamada de “punga”, conforme informa o ilustre pesquisador sorocabano. Conforme já publicado no nosso Jornal do Capoeira, havia o uso de “capoeira” ou “carioca”, o que estamos buscando ainda o que seria a “carioca”.

Voltei disposto a escrever um artigo, questionando essa informação. Então ouvi um toque de berimbau. Vinha de um sobrado, e a placa “Escola de Capoeira Angola “Mandingueiros do Amanhã””. Subi e encontrei Mestre Bamba… aproveitei a oportunidade para entrevistá-lo para uma nova pesquisa que estou realizando,junto com minha filha, sobre a relação “capoeira e renda”, para sua monografia de graduação em Economia. Já tinha o seu perfil, do Livro-Álbum sugerido pelo Mestre André Lace -e que em breve deverá ser publicado pelo Jornal do Capoeira. De nossa conversa -mais de duas horas -perguntei se sabia alguma coisa sobre “uma capoeira” denominada “punga””. “Já ouvi falar …” foi a resposta.

Pronto! Resolvido. Não haveria necessidade de contestar a informação do ilustre mestre paulista. E havia novidade para a história da capoeira … Falou-me Mestre Bamba -Kleber Umbelino Lopes Filho, nascido na Madre Deus, bairro de São Luís, em 12.04.1966, desde os doze na Capoeira, nove ensinando, e um (comemorou ontem) como Contramestre: dá aulas em um “Projeto Ago”, do grupo G-DAM, no município de Itapecurú-Mirim, junto a remanescentes quilombolas; no Povoado de Santa Maria dos Pretos encontrou uma variação do Tambor-de-Crioula em que os homens participam da roda de dança – Pungada dos Homens – em que utilizam movimentos semelhantes ao da capoeira -no entendimento de Mestre Bamba, esses movimentos foram descritos por Mestre Bimba -; os “desafiantes” ficam dentro da roda, um deles agachado, enquanto o outro gira em torno, “provocando”, através de movimentos, como se o “chamando”, e aplica alguns golpes com o joelho -a punga -:

  • Pungada na Coxa -também chamado “bate-coxa”, aplicado na coxa, de lado, para derrubar o adversário; segundo Bamba, achou-o parecido com a “pernada carioca” ou mesmo com o “batuque baiano”;

  • Pungada Mole -o mesmo movimento, aplicado nos testículos, de frente; aquele que recebe, protege “as partes baixas” com as mãos …

  • Pungada Rasteira/Corda -semelhante à “negativa de dedos (sic)”, de Bimba;

  • Queda de Garupa -lembra o Balão Costurado, de Bimba.

Mais, Mestre Bamba informou que há um vídeo, em que registrou todos os movimentos usados na “pungada dos homens”, identificando os golpes… ficou de disponibilizar… há a possibilidade de converter em fotografia…

Na saída, deu-me um jornal -Jornal Pequeno -em que é contada sua história (anexa).

DEU NO JORNAL PEQUENO – www.jornalpequeno.net

Quem passe, num rolé noturno pelo Centro da Cidade, sobretudo numa sexta-feira, subindo ou descendo a João Victal de Matos, rumo ao Largo do Carmo ou à Rua da Estrela (Reviver)… Chegando ao trecho que costura as Ruas da Palma e do Giz, não se poderá furtar à magia dos ritmos que ornamentam e cadenciam a Capoeira de Angola, que ali se manifesta entre solos e refrões, no compasso percussivo dos berimbaus e atabaques, do pandeiro, reco-reco, agogô e caxixi e sob o comando do Mestre Bamba

Eles são os Mandingueiros do Amanhã. Parar para ouvi-los, é encantar-se. E, uma vez encantado, o querer ver pra crer, sentir de perto, envolver-se nessa poesia acústico-cinética que se vai coreografando no gingado feiticeiro, se faz irresistível.

Assim, se você, passando por ali, uma noite dessas, ficar seduzido, tal qual pescador pelo canto da sereia, não tente quebrar esses encantos… Suba! Chegue lá… Sem delongas, sem cuidados: a ancestral, venerável, sábia Capoeira de Angola é fraterna, cordial, acolhedora… E o Bamba, na sua evidente simplicidade, é aquele que possui mesmo o carisma do Mestre -instrutor, orientador, conselheiro-amigo… Ali chegado, você será bem recebido. Não lhe faltará o sorriso alegre, a palavra amena, o convite para entrar e sentar, a água para beber, o clima para entrosar-se… E o companheirismo poderá ir-se formando, naturalmente, com a familiaridade conquistada nos contatos subseqüentes.

Estando lá, no recinto onde essa Capoeira se desenvolve (com muita alegria e animação), e estabelece como arte, artesanato, esporte e lazer, música, canto, dança, brincadeira, teatro… laboratório de expressão corporal, projeto educativo e de assistência social… doutrina, filosofia e escola de vida, você perceberá, numa leitura interativa, que tudo ali é temático e emblemático, no puxar dessas raízes transcendentais arraigadas no Coração da Mãe África: vasos, cortinas, quadros, painéis… conjuntos de berimbaus pendendo nas paredes… Toda a decoração (artesanal), enfim, articulada à natureza, se faz simbólica e evocativa de uma cultura ascendente, que remanesce, perpetuada no presente.

Olha lá! São 19:00h e os mandingueiros começam a chegar, caracterizados nas suas indumentárias (camisetas iconográficas -ou o que se pode inferir, o traje de gala dos capoeiristas: a veste branca, com a qual devem combinar os adereços). Vão entrando… E os mais devotos inclinam-se, tocam o solo e fazem o sinal da cruz. Vale ressaltar que, no contexto dessa ritualística, a sexta-feira é dia especial em que a tradição recomenda o branco. Não cabe, pois, o treinamento físico nem os fundamentos expositivos: sexta-feira é dia de roda. Roda (integrativa) de Capoeira.

E pronto: o espaço está aberto para o jogo. Mestre Bamba, solenemente de branco (da cabeça aos pés), toma posição na ala dos músicos, ensaiando os primeiros acordes, afinando e regendo a orquestra (monocórdia e percussiva), ao mesmo tempo em que vai solando os cantos (responsados em coro nos refrões), num variado repertório de inspiração cotidiana. Ao seu lado, a princesa Valdira, também de branco, ritmando o atabaque. Olhares e sorrisos se vão cruzando, em sintonia e mútua empatia, entre o casal. Os instrumentos já vibrando em harmonia… A onda sonora já contagiando, otimizando o ambiente… Mestre Bamba pondera e cala. Pede silêncio em volta. É preciso um reparo. Ouçamo-lo, que instrui, terna e docemente (retomando lições que já passara aos discípulos):

“Gente, não fiquem assim em duas filas, façam a roda! A Capoeira, nós já sabemos, é uma roda. Vocês lembram o que significa a roda? A roda é a integração, é a nossa união, a igualdade, a fraternidade… Quando ficamos em duas filas, assim de frente uns para os outros, ainda estamos separados e como que nos enfrentando. Em roda é que ficamos unidos e igualados. O mundo deve funcionar como uma roda, que move o carro da vida, com todo mundo de mãos dadas, solidário, um ajudando o outro”.

E assim falou o Mestre -que antes de ser o Bamba da Capoeira de Angola teve uma longa trajetória de trabalho e responsabilidade na luta pela sobrevivência…

Ele se chama Kleber Umbelino Lopes Filho. Sanluisense da Madre Deus (12.04.1966). Até os quatro anos de idade, freqüentou muito a Cohab, quando o pai ainda chefiava a família. “Minha avó paterna me levava muito pra lá, quando eu era menino”, ele diz. Depois é que, definitivamente, só lhe restou a Madre Deus, seu bairro natal, onde ele passou, praticamente, toda a infância, no trânsito da Rua do Norte para o Goiabal.

O pai (mecânico, caminhoneiro e motorista de ônibus, ainda vivo e residente no Tibiri, com outra família) separou-se deles, deixando a mãe, ainda muito jovem, os filhos pequenos, e ele (Kleber), o caçula, com apenas quatro anos, fato que o marcou profundo… “Sofri muito porque era agarrado com meu pai. Ele me levava pra assistir futebol”, ele confirma. E já em outra tonalidade: “Mas, minha mãe supriu tudo isso. Preencheu todos os vazios das minhas carências. Foi pai, mãe, amiga, educadora, foi tudo pra nós” -diz já refeito e altaneiro, orgulhoso dessa mãe admirável que se chamou em vida Marinildes Pinheiro Braga, mulher extraordinária, que “fazia de tudo para sobreviver e criar os filhos” -Kleber, Joarenildes e Itajacy: “lavava pra fora, era manicura, passando depois a cabeleireira, foi cobradora de ônibus, até arranjar um emprego fixo na Prefeitura. E nos fins-de-semana, ainda trabalhava no Clube Berimbau, fazendo a revista das mulheres”.         Essa heroína da família, entretanto, “faleceu em 2000, aos 53 anos, sem ter realizado o sonho da aposentadoria” -diz Kleber contristado.

Após a separação dos pais, a família, já incompleta, vai morar no fim da Rua do Norte, na fronteira com o Goiabal. Marinildes, então com 23 anos, procura o amparo dos pais. “Meu avô possuía, no fim da Rua do Norte, uma casa grande, com vários quartos pra alugar. Nós fomos morar no último”, relembra Kleber.

Iniciado no processo de alfabetização, em casa, estudando com a mãe, sua primeira escola foi a da União de Moradores da Madre Deus, onde ele cursou o primário (até a 4ª. série do Ensino Fundamental) e encontrou a sua “professora do coração”, a tia Zefinha que, nas suas próprias palavras: “foi a minha segunda mãe e uma mãe pra minha mãe”. Reiterando: “Tia Zefinha nos adotou, abaixo de Deus”.

Ainda com a palavra: “Concluído o primário na escola comunitária, o filho da tia Zefinha (Jorge Dias) me colocou pra estudar no Humberto Ferreira, no Canto da Fabril, pagando meus estudos até a 8ª. série. A partir daí, fui para o Coelho Neto, onde fiz todo o 2º. Grau (Ensino Médio). No Coelho Neto, fiz parte do time de futsal e fui campeão quatro vezes, ganhando prestígio na Escola. Fui bom aluno. Nunca dei desgosto pra minha mãe, em reconhecimento à luta dela”.

Para ajudar a mãe, ele começou a trabalhar muito cedo. Aos 14 anos, já “fazia bicos corriqueiros”, como: “carregar carradas de terra, vender água no Cemitério, pintar uma carneira”… Aos 17, vamos encontrá-lo no Sindicato dos Transportes, ajudando o padrinho Osmar Dias. De lá, foi para uma empresa de refrigeração (ar condicionado), a MC Dias, prestadora de serviços para o Banco Itaú, vinculado à qual, passou seis meses como faxineiro, limpando banheiros, etc. Nos intervalos, estudava. Dona Deusa (da Chefia do Banco), que o via sempre apegado aos livros e aos cadernos escolares, ficou sensibilizada e lhe deu uma oportunidade de entrar para o quadro de funcionários da Empresa. Ele começou como contínuo, passando a escriturário, chegando a Caixa. Nesse percurso ascensional, no Itaú, contou ainda com o apoio do gerente da Casa, ao qual rendeu homenagem, colocando no filho o nome de Mikael Kalil (como aquele se chamava). Passando-lhe a palavra: “No banco, pude ter melhores condições de dar conforto a minha mãe, de quem nunca me separei”.

E chegou o dia em que ele teve de sair do Itaú, numa dessas crises de contenção de gastos e de enxugamento do quadro de pessoal, por que passam as empresas financeiras. Na emergência de um novo trabalho, ele “pegaria o que aparecesse, fosse o que fosse” e assim foi. O próximo emprego foi na Gás Butano, “como pião carregador de botijão”. O gerente, então, descobrindo que ele era escolarizado, que já fora bancário, sendo, portanto, dotado de outras competências, digamos mais nobres, ficou constrangido e, não tendo melhor colocação a oferecer, o despediu. Ele foi para a Trevo pneus, ali trabalhando por dois anos, começando como motoboy, elevando-se, em seguida, à categoria de Caixa. Por último, militou na Cotepro -prestadora de serviços para a Caixa Econômica Federal -como digitador, ali ficando até maio de 2004, quando, por sugestão e orientação da princesa Valdira, abandonou tudo para devotar-se, exclusivamente, à Capoeira de Angola, com a qual selou um pacto profissional e missionário…

Seu primeiro contato efetivo (e afetivo) com essa modalidade de Capoeira data de 1978. Ele tinha 12 anos e começou a observar as rodas que professavam essa ginga/mandinga. “Eles não ensinavam crianças” -diz, referindo-se aos grupos que se reuniam e exercitavam ao ar livre, em espaços alternativos, pelas ruas da Madre Deus. Em 1980, conheceu o Mestre Eusamor (maranhense), hoje seu compadre, que o encaminhou na senda. Mas, é o Mestre Patinho, que vem a conhecer nos meados dos anos 90, que considera seu grande Mestre. E, à princesa Valdira (que conheceu também nesse período, quando tinha 27 e ela 17), ele deve esse encontro decisivo. Ei-lo que diz, num reconhecimento à princesa e ao Mestre):

“Valdira, é a pessoa que mais me incentivou e ajudou a me educar na Capoeira. Ela é a minha princesa, minha musa inspiradora, minha estrela-guia. Foi quem me levou pra conhecer o Mestre Patinho, no Laborarte, onde ela já treinava a Capoeira. Mestre Patinho é o meu Mestre, Meu Pai, na Capoeira de Angola. Foi ele quem me educou nessa Arte. Foi ele que me sagrou Mestre”.

Ele que já fora casado (aos 20) com Goreth, também da Madre Deus, mãe do seu primeiro filho Mikael Kalil (que teve de criar sozinho, com a ajuda da mãe Marinildes, pois a esposa os abandonou quando o primogênito tinha quatro anos), casou-se em segundas núpcias com a princesa Valdira (Valdira Barros, hoje advogada, militando no Centro de Defesa Marcos Passerini e Mestranda em Políticas Públicas, já em fase de defesa da tese de conclusão, na UFMA), com quem tem uma princesinha –Olga.

Em setembro próximo, mamãe Marinildes completará cinco anos de transição desta para a outra vida e a memória edificante dessa heroína que nunca desistiu de lutar pelos filhos que teve de criar só, com a ajuda de Deus e da tia Zefinha, ressoa forte na alma do Mestre Bamba, numa grande motivação para continuar essa luta, numa dimensão maior, em prol das crianças e dos jovens da Madre Deus e do Centro Histórico da sua Cidade. “Se não cuidarmos da criança e do jovem, vamos perdê-los para as drogas. É preciso criar oportunidades para que a nossa infância e juventude possa preencher sadiamente o seu tempo, encontrar um objetivo, um sentido na vida, que eleve a auto-estima delas, preparando-as para assumir a liberdade com responsabilidade”… Ei-lo que se expressa no seu idealismo.

E a Capoeira é o seu “abre caminhos”, o “carro-chefe” desses ideais. E nasce a Escola, fundada em 12.04.1996 (um aniversário do Mestre). Ele, que já liderava um grupo de capoeiristas integrado por jovens de 4 a 19 anos, vem a merecer desse povo uma festa surpresa, de aniversário, e então, emocionado, proclamou: “A partir de hoje nós somos uma Escola!” E batizou-a com o nome de “Mandingueiros do Amanhã“. Antes dessa proclamação, o grupo recebia aulas nas praças. Ele comprava sacos de açúcar, vazios, para fazer roupas, que sorteava entre o pessoal. Depois, passaram para a União dos Moradores, depois para a sede do Boi da Madre Deus, para Quintão, para o Quintinho… E o grupo ficou um ano parado, por falta de espaço, voltando a treinar nas praças. Mas, para a Escola, já solenemente consagrada e batizada, urgia um espaço definitivo, onde esta pudesse abrir-se mais para a comunidade. Essa oportunidade acontece com a ida de Abelha para a Holanda, deixando, para o grupo, o seu Cortiço do Abelha, ora transformado em Escola de Capoeira, funcionando nos três turnos, com aulas três vezes por semana: às segundas, quartas e sextas, e às terças, quintas e sextas, num programa que inclui “aula corporal, fundamentos sobre a Capoeira, história do negro, da Capoeira e toda a filosofia da Capoeira e do Mestre”. No momento, a Escola tem dois projetos em execução: o Solta Mandinga e o Orquestra de Berimbaus. O primeiro, empenhado na promoção de cursos gratuitos para crianças e jovens carentes, “conscientizando-os dos valores culturais e morais, imprimindo neles um sentido positivo para a vida”. O segundo, (uma homenagem ao Mestre Patinho), em que, crianças, jovens e adultos, formando uma orquestra, habilitam-se na percussão dos ritmos maranhenses: boi, tambor de crioula, cacuriá, lelê, mangaba, coco, caroço… Instrumentos são confeccionados pelos discípulos e vendidos para o público adepto. A orquestra já se apresenta, com sucesso, em espetáculos culturais, onde quer que seja, sobretudo na temporada junina.

Para o futuro, o sonho do Mestre Bamba é “viabilizar projetos sociais para o Centro Mandingueiros do Amanhã”, que é, na verdade, uma ONG” E tudo deveria, de preferência, funcionar na Madre Deus. “Está tudo na mão de Deus e da Madre de Deus”. E vamos ver o que Deus tem pra fazer…

GALERIA DE ANÔNIMOS ILUSTRES, por CORRÊA, Dinacy. GALERIA DE ANÔNIMOS ILUSTRES (Mestre Bamba). In JORNAL PEQUENO, São Luís, Sábado, 14 de junho de 2005, p.8 (Professora da Uema. Membro da AVL – Academia Arariense-Vitoriense de Letras).

Cordialmente,

 

Prof. Leopoldo Vaz, São Luis do Maranhão

Leopoldo Gil Dulcio Vaz

Professor de Educação Física do CEFET-MA

Mestre em Ciência da Informação

 

Fonte: http://www.capoeira.jex.com.br/

Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa

Hoje recebo a confirmação que este grande camarada e parceiro está de viagem marcada para as terras frias do hemisfério norte, com destino a Toronto (Canadá).

Toda a família irá fazer esta jornada em cumplicidade e nosso amigo Miltinho, como grande “paizão” estará acompanhado da companheira Keyla e do filhão Camilo (foto).

Desejamos um ótima estadia e sucesso profissional!!!

Em homenagem a este grande capoeira e amigo escolhemos uma matéria publicada no Jornal do Capoeira escrita pelo próprio Miltinho Astronauta.

Crônica sobre Capoeira, com algumas informações sobre a Pernada de Sorocaba e a Tiririca da capital paulista, ambas uma espécie de “capoeira primitiva” do Estado de São Paulo

Luciano Milani – Fevereiro de 2009

Nota do Editor:

À convite da Tribuna Metropolitana – um jornal quinzenal que circula nas zonas norte e sul da capital – tenho escrito algumas crônicas para uma coluna cujo título é Capoeireiro. O objetivo tem sido o de compartilhar informações e pontos de vistas sobre nossa Capoeira. No mês de Julho de 2005 publicamos uma crônica sob o título “Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa”. Com o lançamento do Documentário “Pernada em Sorocaba – Ginga Pela Arte…Ginga Pela Sobrevivência”, previsto para ocorrer dia 19 de Novembro de 2005 na Cidade de Sorocaba (SP), achei por bem republicar tal crônica também em nosso Jornal. É o que faço agora.

Capoeiristicamente,

Miltinho Astronauta


CAPOEIREIRO

Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa
Por Miltinho Astronauta – Julho/2005

Nota da Tribuna Metropolitana

Foi com imensa satisfação que inauguramos esta coluna Capoeireiro. Percebemos que amantes da prática da Capoeira – seja enquanto cultura, seja como esporte ou educação – já estão até colecionando nossas edições quinzenais. A seguir, respondemos algumas questões enviadas à nossa Redação: 1) nosso colunista desenvolve um trabalho de pesquisa do fenômeno da Capoeira em nosso Estado (Interior, Capital e Vale do Paraíba); 2) existe um projeto em andamento para cadastrar os mestres e capoeiras – dos mais antigos aos jovens mestres – das diversas regiões da Capital: Zona Oeste, Zona Leste, Zona Norte, Zona Sul e Centro; 3) interessados em colaborar com este projeto (Coletânea da Capoeira em São Paulo) podem escrever para nossa Redação, ou então enviar e-mail para o nosso Colunista. Como se diz na Capoeira, “vamos dar a Volta ao Mundo, Câmara…”.

Outro dia, recebi uma carta eletrônica (e-mail) muito elogiosa sobre as duas primeiras edições de nossa recém-inaugurada coluna CAPOEIREIRO. Lá pelas tantas, nosso interlocutor perguntou: “Existiu, realmente, Capoeira em São Paulo antes da chegada dos baianos e cariocas na década dos 60?”. De pronto lembrei-me de um corrido do Contra-mestre Pernalonga (Márcio Lourenço de Araújo), que hoje ensina em Bremen, Alemanha. “O meu barco virou / lá no fundo do mar / Se eu não fosse angoleiro / Eu não saia de lá”. Foi exatamente assim que me senti. Ou seja, se não estivesse amparado por documentos, lá estava levando minha rasteira.

De pronto, resolvi então trazer à público uma abordagem interessante que fiz sobre uma forma de “Capoeira a Lá Paulista”. Confesso, estava guardando o texto que ora apresento para um livro que estou escrevendo sobre a Capoeira de São Paulo. Mas para não deixar de “entrar na chamada” de nosso amigo Leitor, vamos então ao fio da meada.

1. CAPOEIRA GANHA O MUNDO

Hoje percebemos que o mundo todo se entregou aos encantos de nossa Capoeira. Ousaria dizer que nenhum esporte e/ou prática cultural levou tanto de um povo à outras nações como é o caso de nossa Capoeira.

Por exemplo, aqui no Brasil, praticamos o Box, o Judô e o Caratê, mas ninguém fala o inglês ou o japonês por conta disso. Dança-se o Balé e o Tango, mas não existem motivos para se especializar em Francês ou Espanhol.

Mas com a Capoeira é diferente. Por conta dela o português falado no Brasil tem sido falado em mais de 150 Paises. É isto mesmo! Segundo a Federação Internacional de Capoeira (FICA), presidida pelo Prof. Dr. Sérgio Vieira, nossa Capoeira já caminha para a segunda centena de paises onde a prática já faz parte do “cardápio” anual de eventos culturais e desportivos.

É até compreensível nosso português sendo falado neste “mundão de Deus”, uma vez que seria muito superficial praticar a Capoeira sem, por exemplo, compreender o real sentido de uma Ladainha, de um Corrido ou de uma Chula.

Ao mesmo tempo em que percebemos nossa Capoeira expandindo-se, dando sua magistral “Volta ao Mundo”, observa-se que mais e mais os praticantes (nacionais e principalmente do estrangeiro) estão buscando conhecer a verdadeira – e mais completa quanto possível – história da Capoeiragem.

2. CAPOEIRA, FOLCLORE & DINÂMICA

Prosa e SambaÉ fato que a Capoeira praticada em nosso Estado de São Paulo é fruto de um trabalho de resistência e divulgação realizado por mestres baianos e cariocas, vindos para cá a partir da década dos 50. Embora, sendo justo registrar que a grande maioria chegou entre meados dos 60 e início dos anos 70.

Em nossa Crônica Inaugural apresentamos o depoimento em livro do Folclorista Alceu Maynard Araújo (1967) atestando que levas de capoeiras foram soltas nas pontas dos trilhos (na cidade de Botucatu, entre 1890 e 1920, supostamente). Pelo depoimento, podemos inferir que Capoeiras (vindos da Capoeira Carioca) já perambulavam por nosso Estado, no final do século XIX e início do século XX.

Por falar em Capoeira Carioca, todo bom estudioso da cultura popular sabe que as manifestações raramente ocorrem em regiões de forma isolada geográfica e temporalmente. Tanto é que Mestre Edison Carneiro (excelente folclorista!) fez questão de deixar bem claro no título de um de seus livros (Dinâmica do Folclore), que tudo acontece dinamicamente. Em alguns casos manifestações se fundem, resultando em novas manifestações. Por exemplo, com a proibição da Capoeira em Pernambuco, aliado a questões político-social da época, resultou-se nosso Frevo! O bom capoeira sabe perceber que a “malícia” do bom “frevista” está ligado à ginga de um bom Capoeira. E é isto que eram no passado: capoeiras. No Rio de Janeiro, a perseguição à capoeiragem (que, funcional e socialmente não é o mesmo que capoeira) resultou na Pernada Carioca. Digamos que era a Capoeira que não se chamava Capoeira, mas que tinha a eficiência da mesma, tanto enquanto luta, como também como lazer.

3. PERNADA, TIRIRICA & CAPOEIRA PAULISTA

Em São Paulo também tivemos nossa “Capoeira primitiva”. Recentemente o historiador Carlos Carvalho Cavalheiro e o capoeira-pesquisador Joelson Ferreira têm se dedicado a estudar a Pernada de Sorocaba (interior paulista). Na essência, essa forma de manifestação tem todos os ingredientes básicos de nossa Capoeira: cantos (corridos e desafios); negaças; golpes desequilibrastes (rasteira!) etc. Em breve teremos um excelente documentário sobre o assunto. Aguardem.

Além da Pernada de Sorocaba, na Capital Paulista, tivemos também uma outra “espécie de capoeira”: a TIRIRICA. Aparentemente, tudo indica que, com a repressão de algumas manifestações (ai inclui-se a Capoeira, o Batuque e até mesmo a Religião Candomblé), o povo era obrigado a mascarar suas práticas, mudando formas de execução e nome de tais práticas.

A Tiririca Paulista era um misto de Capoeira com Samba. Era, então, uma capoeira com ritmo (diferente da Capoeira Utilitária do Paulista-Carioca Mestre Sinhozinho – Agenor Sampaio), mas sem a presença do Berimbau. Tinha canto de pergunta e resposta, e “jogava-se” ou “lutava-se ludicamente” em Roda.

Sobre esta “espécie de capoeira” (assim se referiam a ela os “mais antigos” da Terra da Garoa) temos alguns depoimentos relevantes gravados no Centro de Estudos Rurais (CERU) e Museu da Imagem e Som (MIS), ambos da Universidade de São Paulo (USP). Em São Paulo podemos encontrar ainda alguns praticantes remanescentes ou contemporâneos de praticantes, que acompanharam a TIRIRICA em seu auge (décadas dos 30 aos 50). Para dar uma dica, para quem estiver interessado em saber sobre a Tiririca, os bons nomes são Oswaldinho da Cuíca, Toniquinho Batuqueiro e Seu Nenê da Vila Matilde.

O Próprio Mestre Ananias – renomado mestre da capoeira angola baiana – que chegou pela capital entre 1950 e 1960, vivenciou alguns momentos da Tiririca pelas bandas do Brás; Largo da Banana, ou mesmo pelas Praças da Sé e da República (reduto de muitos sambistas, tiririqueiros e capoeiras). Mestre Ananias é grande conhecedor de Samba de Raiz e de Capoeira. Eu arriscaria dizer que uma das cantigas que só ouvi mestre Ananias cantando (É tumba, menino é tumba…) pode ter sido “colhida” durante sua vivência com alguns praticantes da Tiririca. Faço tal suposição baseado em um documentário de Mestre Geraldo Filme (também cantador de Samba, e que conviveu com exímios jogadores de Tiririca), que em depoimento para o MIS, lá pelas tantas, soltou a letra da música que comento acima:

 

“É tumba, menino é tumba

É tumba pra derrubá

Tiririca faca de ponta

Capoeira quer me pega

Dona Rita do Tabulêro

Quem derrubou meu companheiro

Abra a roda minha gente

Que o Batuque é diferente

(coro)

Abra a roda minha gente

Que o Batuque é diferente”

Será que a origem é a mesma (Rodas de Tiririca)?


Miltinho Astronauta dedica-se, de forma independente, ao projeto “Coletânea da Capoeira em São Paulo”. O projeto conta com a colaboração de alguns pesquisadores, dentre eles Raphael Pereira Moreno e Carlos Carvalho Cavalheiro. Para obter mais informações, acesse o Jornal do Capoeira (on line) www.capoeira.jex.com.br ou escreva para miltinho_astronauta@yahoo.com.br. A foto de Mestre Ananias é de Autoria de Adilene Cavalheiro.

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

 

Curso de Capoeira – UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ BARRA, RIO

C A P O E I R A UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ BARRA, RIO

No próximo dia 22 de agosto, sábado, no Campus Akxe, será realizado mais um módulo do Curso de Capoeira, em nível de pós-graduação, sob a coordenação do doutorando João Perelli.
Contando com um corpo docente formado de mestres, professores e doutores brasileiros e do exterior, caberá ao administrador, jornalista e escritor André Luiz Lacé Lopes ministrar o módulo que versará sobre o tema “Processo de Institucionalização da Arte (Marcial) Afro-Brasileira da Capoeiragem”.

Curso de CAPOEIRA, nível pós-graduação
Universidade Estácio de Sá, Campus Akxé
Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, 2.900
Barra da Tijuca – CEP: 22631-052
Barra da Tijuca, RIO/RJ –
Data/Horário: Dia 22 de agosto de 2009, sábado, das 8 às 18 horas
Módulo: Processo de Institucionalização da Arte (Marcial)
Afro-Brasileira da Capoeiragem”.
Professor: André Luiz Lacé Lopes (currículo em anexo)

 

EMENTA

1. Breve apresentação do professor e do módulo. 2. Administração Geral, Administração Pessoal, Administração da Capoeira. 3. Institucionalização da Capoeiragem?  4. “Embranquecimento” e “Aburguesamento”. 5. Historiadores figurativos (RJ). 6. Textos históricos (RJ). 7. Capoeira e o Valetudo (RJ). 8. Roda (acadêmica) Livre.

 

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

Bloco I (30 min.)- Breve apresentação do professor e do módulo

1.  “Discípulo que aprende, mestre que dá lição”

2.  A Negaça na Capoeira e o Contraditório na Universidade

3. “Capoeiragem, três projetos fundamentais” (novo livro do palestrante)

4. Realismo do Tempo (Módulo): os dois últimos módulos são extras, como não se pode prever o grau de participação (perguntas & debates), dependerá da disponibilidade do tempo.

Bloco II – (30 min.) Administração geral, Administração Pessoal, Administração da Capoeira

1. Como definir Administração

2. Por que e como administrar nossa própria vida

3. Curso de Capoeira, custo & benefício

Bloco III – (120 min.) Institucionalização da Capoeiragem?

1.  “Institution Building Theory”, conceituação e distorções; possível relação com a Capoeira.

2.   Capoeiragem: origens, fundamentos, ideologia, filosofia e religião – Torre de Babel e o deus marketing

3.   Medidas urgentes, dois exemplos: Memorial da Capoeiragem e Atlas da Capoeiragem.

3.1 O “Movimento Internacional das Capoeiras” (Madrid, Europa), duas palavras, seis exemplos (Mestres Rui Villar,  Beija-Flor, Canela, Coruja, Guará e  Camaleão)

Bloco IV (120 min.) – “Embranquecimento” e “Aburguesamento”.

1.  Conceituação

2. “Blue Note” e o “Uncle Tom” na Capoeira?

2.1 Berimbau & Bateria

3. Parte Rítmica e Cantada

Bloco V (120 min.) – Historiadores figurativos (Rio de Janeiro)

  1. História da Capoeira pelos Jornais e Revistas
  2. Registros raros extremamente reveladores (e curiosamente desprezados)

Bloco VI (60) – Textos Históricos (Rio de Janeiro)

  1. Da lamentável escassez para uma abundância suspeita
  2. Registros raros extremamente reveladores (e curiosamente desprezados)

Bloco VII – Capoeira e o Valetudo – RJ (Opcional, caso haja tempo)

  1. Como e onde nasceu e como mudou de nome (Mixed Martial Art)
  2. A Capoeira no Valetudo
  3. Agenor Sampaio (Mestre Sinhozinho)

Bloco VIII – Roda (acadêmica) Livre. (Opcional, caso haja tempo)

  1. Afinal, o que é Capoeira? 2. A Magia da palavra MESTRE. 3. A indústria dos cordéis. 4. A Profissão de Mestre de Capoeira. 4.1 Discussões da  inúmeras “MINUTAS”. 4.2 Provisionamento. 4.3 Comissões & Subcomissões de Avaliação. 4.4 Mercado de Trabalho para o Profissional da Capoeira. 4.5 Aposentadoria e Pensão. 4.6 O Mestre de Capoeira no Exterior. 5. Os três projetos fundamentais. 6. Apelidos (Alcunha).  7. Capoeira & Diversas Roupagens – – O Conselho Nacional de Educação Física. 8. Capoeiragem & Negritude & Lei º 10.369, de 09.01.2003.  9. Capoeira e o Estado.  10. A Capoeiragem e o deus marketing – O Zelador e a Zeladoria.  11. A Internacionalização da Capoeiragem

Atenção

I  – Para potencializar o aproveitamento do Módulo, recomendo leitura prévia de dois pequenos textos:

  1. “Capoeiragem – Brazilian old street fight”. Atlas do Esporte no Brasil, pág. 396/398. Editora Shape, RJ.
  2. “Apresentação”. Capoeiragem no Rio de Janeiro, 4ª Edição. Editora Europa, RJ.

Ambos os textos estão à disposição dos alunos interessados (em disquete, para cópias). Os demais textos e figuras publicados no “Atlas do Esporte no Brasil” serão também discutidos ao longo do Módulo.

II –  Todos livros, CDs e DVDs comentados durante o Módulo podem ser encontrados na Biblioteca Amadeu Amaral, no Palácio do Catete, RIO/RJ.

 

BIBLIOGRAFIA

 

I – Referências básicas

 

A. Especificamente sobre capoeiragem:

 

SALLES, Vicente. Bibliografia crítica do folclore brasileiro: capoeira. Revista Brasileira de Folclore. Rio de Janeiro: Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, v. 8, n. 23, p. 79-103, jan./abr. 1969.

Pesquisa pioneira. Vicente Salles, além de redator chefe da Revista, era um dos principais pesquisadores da Campanha. Salles já publicou vários trabalhos sobre a Capoeiragem; trabalha, atualmente, na Universidade Federal do Pará

 

BIBLIOTECA AMADEU AMARAL. Capoeira: fontes multimídia. Rio de Janeiro: Fundação Nacional de Arte, Coordenação de Folclore e Cultura Popular, 1996.

Excelente e mais do que oportuno desdobramento da pesquisa de Salles, mas que, tenho a certeza, pode e deve será aprimorado. Não sem razão, portanto, constitui o mote de um dos anexos do presente trabalho. A Biblioteca Amadeu Amaral está situada dentro do complexo cultural do Palácio do Catete (Rua do Catete, 179, RIO / RJ).

B – História e Costumes do Rio de Janeiro e do Brasil

 

FONSECA, Gondim de. Biografia do jornalismo carioca – 1808/1918. Rio de Janeiro: Quaresma, 1941.

Contendo relação de todos os jornais e revistas cariocas que surgiram de 1808 a 1908, e um dicionário de caricaturistas. Fonte para pesquisa de fundamental importância para o pleno êxito do projeto “Memória da Capoeira”.

“Muitas coleções de jornais que consultei na Biblioteca Nacional estão quase desfeitas. Se não forem restauradas acabarão em poucos anos, e o leitor do futuro só terá notícias delas através deste cartapácio”. Gondim de Fonseca, Rio, 1941

 

RIBEIRO, Ida Regina Gomes de Oliveira; SANTOS, Elza Elena Pinheiros dos (Comp.). Bibliografia Carioca. Rio de Janeiro: Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, 1995.

Catálogos de periódicos brasileiros microfilmados na Fundação Biblioteca Nacional, 1994.

BRASIL – histórias, costumes e lendas. Editora Três, São Paulo, 1975.

Interessante levantamento sobre cultura popular brasileira, com destaque para danças e  jogos. Além de mencionar, como não poderia deixar de ser, a capoeiragem,  permite perceber  a existência de íntimo parentesco do batuque, com o bambelô (Rio Grande do Norte), o caxambú (Minas Gerais),  o bate-coxa (Alagoas), o jongo, o côco ou zambê, a chula e a pernada carioca. Uma verdadeira tentação, em termos de “reserva de mercado”, na opinião de alguns poucos  professores de educação física excessivamente corporativistas.

BENCHIMOL, Jaime Larry.  Pereira Passos: um Haussman Tropical. Rio de Janeiro,

Secretário Municipal de Cultura, Turismo e Esportes, Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural, Divisão de Editoração, 1990. Coleção Biblioteca Carioca, 330 p. il.

Como já adiantamos, no corpo do livro, recomendamos também  leitura da crônica “O Barão Haussmann”, escrita pelo jornalista Arthur Dapieve (Jornal O Globo, 2 ago 2002).

C  – Métodos de Pesquisa

KAPLAN, Abraham. The Conduct of Inquiry – Chandler Publishing Company, 1964, USA.

Há uma tradição na Capoeira que, longe de desaparecer, vem crescendo atualmente:  a falação de todos os mestres  convidados em algum momento de uma Roda de Capoeira. Com prazer, constato que excelentes oradores continuam surgindo, verdadeiros filósofos da capoeira .. Claro, não faltam, também, discursos vazios, pretensiosos, fantasiosos e sem nenhuma base histórica ou lógica. Para esses, especial e urgentemente,  seria recomendável a leitura de resumo simplificado das idéias de Kaplan – perceptions, beliefs, biases, values, attitudes, emotions!  Talvez até bastasse traduzir algumas linhas que KAPLAN  dedica   ao permanente e muito comum risco de TENDENCIOSIDADE (“Bias” – p. 373).

BASTOS, Lilia da Rocha, Lyra Paixão e Lúcia Monteiro Fernandes. Manual para Elaboração de Projetos e Relatórios de Pesquisa, Teses e Dissertações. Editora Guanabara, 1979, 117 p.

Indo muito além de meia dúzia de sábias sugestões, Dra. Lilia da Rocha Bastos presenteou- o autor com um relógio de bolso suíço – verdadeira relíquia – para que ele pudesse melhor  controlar  e confirmar o longo e mandingueiro tempo de uma verdadeira “volta do mundo”  no Jogo de Angola. Na Capoeira do mundo, a rigor, não existe “volta do mundo”, no máximo, uma “volta (enlouquecida e circense) pelo quarteirão”…

D – Desporto e Capoeira

ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Editora SHAPE, Rio de Janeiro – 2005

Organização Geral, Lamartine DaCosta; Editoração, Ana Miragaya; Programação Visual, Évlen Bispo. Quase 1000 páginas! A Capoeira foi generosamente contemplada com dois longos textos, páginas de fotos e duas Notas surpreendentes sobre a existência da prática da capoeiragem na cidade de Niterói (Rio de Janeiro Antigo) e no Maranhão. Leitura para todo e qualquer professor de educação física e para os mestres de capoeira, especialmente aqueles que já começaram a ensaiar a elaboração de um Atlas da Capoeira para suas respectivas regiões.

II. Bibliografia utilizada e especialmente recomendada

 

1. Livros: Observação: Primeiro por ordem cronológica e

dentro do mesmo ano ,  por ordem alfabética

 

1890   –   AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 30. ed. Rio de Janeiro: Ática, 1997.

Livro comentado ao longo do presente trabalho. Recomend, especialmente, no capítulo X, a leitura atenta do confronto entre o capoeira Firmo e o português Jerônimo (armado com um varapau minhoto).

 

1907   –   “O.D.C.”.  Guia do capoeira ou ginástica brasileira. Rio de Janeiro: Livraria Nacional

Livro duplamente misterioso. Pelo seu autor que não quis aparecer e, sobretudo, pelo seu sumiço da Biblioteca Nacional. Annibal Burlamaqui, tempos atrás,  copiou todo o seu texto (“V – 267 – 1 – 4 – N.16” – não tinha, ainda, desaparecido da BN). Mas não teve, infelizmente, condição de reproduzir as figuras do livro o que seria, certamente, altamente revelador – estilo de jogo da época, movimentos, indumentárias etc. Zuma Burlamaqui, pessoalmente, entregou seu trabalho de cópia ao Dr. Lamartine Pereira da Costa que, por sua vez, repassou para mim. Enviei cópia para Mestre Bogado que teve por bem improvisar, com base no livro de Lamartine, as ilustrações dos escritos de “ODC”. Aliás, segundo Bogado, “ODC” não representa as iniciais do possível nome do misterioso autor; “ODC” significa, simplesmente, “Ofereço, Dedico e Consagro”. Segundo alguns pesquisadores chamava-se  Garcez Palha e foi oficial da Marinha. Pesquisando na Biblioteca da Marinha confirmei que realmente houve um oficial com esse nome, só que morreu muito antes d publicação da primeira edição do mencionado livro. Claro, nada impede que a família ou amigos possam ter resolvido publicar a obra após a morte do autor. Hipóteses…

 

1908 (1º Edição)  –   RIO, João do. A alma encantadora das ruas. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Departamento de Documentação e Informação Cultural, Divisão de Editoração, 1995. (Biblioteca carioca).

E, assim como as ruas, os bairros e as cidades também têm alma. Talvez, com uma ou outra exceção…

“Eu amo a rua”, assim João começa o seu livro. “Eu amo a capoeira de rua”, escreveria ele se o livro fosse específico sobre a capoeiragem. Leitura recomendável, especialmente o Capítulo PRESEPES:

“Aquele é o rei da capoeiragem. Está perto do Rei Baltasar porque deve esta. Rei preto também viu a estrela. Deus não esqueceu a gente. Ora não sei se V.Sª  conhece que Baltasar é pai da raça preta. Os negros de Angola quando vieram para a Bahia trouxeram uma dança chamada Cungu, em que se ensinava a brigar. Cungu com o tempo virou mandinga de S. Bento.

Mas pra que tudo isso?Isso, gente, são nomes antigos da capoeiragem. Jogar capoeira é o mesmo que jogar mandinga.

– Rei da Capoeiragem tem o seu lugar junto de Baltasar. Capoeiragem tem sua religião.Abri os olhos pasmados. O Negro riu.

V. Sª  não conhece  a arte? Hoje está por baixo. Valente de verdade só mesmo uns dez: João da Sé, Tito da Praia, Chico Bolívar, Marinho da Silva, Manuel Piquira, Ludgero da Praia, Manuel  Tolo, Moisés, Mariano da Piedade, Cândido Baianinho, outros… Esses “cabras” sabiam jogar mandinga como homens.

Então os capoeiras estão nos presepes para acabar as presepadas…

Em tempo:  João do Rio, em seu livro, registra a presença do berimbau no Rio.

1922 (2ª edição)  –  PEDERNEIRAS, Raul.  Geringonça carioca: verbetes para um dicionário da  gíria. 2. ed. rev.  e aum.  Officinas Graphicas do Jornal do Brasil, 49 p.

Geringonça carioca nasceu do vulgo hybrido, da mestiçagem que formou a nacionalidade. A primeira a destacar-se foi a do capoeira, essa entidade que teve foros de instituição, esse exercício que alcançou as principaes camadas da sociedade”. (Duas Palavras, p. 3).

Grande parte do livro de Pederneiras baseia-se na gíria específica dos capoeiras da época. Daí a importância de sua leitura.

1924–. Scenas da Vida Carioca – caricaturas. Segundo Álbum. Rio de Janeiro, .

 

1928  –   BURLAMAQUI, Annibal. Ginástica nacional (capoeiragem): methodizada e regrada. Rio de Janeiro: [s.n.], 1928.

Livro comentado ao longo do presente trabalho. Leitura obrigatória.

 

– ABREU, Plácido de. Os capoeiras. Rio de Janeiro: Escola Serafim Alves de Souza, [19–].

Ninguém ainda se deu conta, mas trata-se de um livro cult, talvez o maior de todos dentro da história da capoeiragem. Não será surpresa para mim se, um belo dia, virar um especial de TV.

 

1932  –  EDMUNDO, Luiz. O Rio de Janeiro no tempo dos vice-reis. 2. ed. rev. e ant. Rio de Janeiro: Athena, [1932]. il. Cap. 4: Aspectos da cidade e das ruas, p. 31-40.

Socialmente é um quisto, como poderia ser uma flor. Não lhe faltam, a par de instintos maus, gestos amáveis e enternecedores. É cavalheiresco para com as mulheres. Defende os fracos. Tem alma de D. Quixote” (Capítulo IV – Aspectos da cidade e das ruas).

 

_____. O Rio de Janeiro do meu tempo. Rio de Janeiro: BNH, [19–]. il. Edição especial.

O livro foi publicado, pela primeira vez, em 1938. A primorosa edição produzida pelo misteriosamente extinto Banco Nacional da Habitação inclui caricaturas geniais de J. Carlos, Calixto, Armando Pacheco, Raul Pederneiras e vários outros. Neste livro, o carioca Edmundo Lins (1878/1961) resume a história do lendário capoeirista Manduca da Praia (Capítulo 12 – A Vida de Cortiço, págs. 137/139). O carioca Edmundo  Lins pertenceu à Academia Brasileira de Letras, e foi um dos fundadores do Instituto  Histórico e Geográfico Brasileiro.

 

1944 (1º Edição)  –  AMADO, Jorge. Bahia de todos os santos. 21. ed. rev. e atualizada. São Paulo: Martins, 1971. 263 p.

O livro foi publicado pela primeira vez em 1944. Como todas as obras de Jorge Amado, esta também vem sendo reeditada constantemente e lançada em várias outras línguas pelo mundo afora.  A partir da 25 º edição, entretanto, como apontei no presente trabalho, um substancial e revelador parágrafo sobre Mestre Bimba  foi misteriosamente suprimido. Corte que, até agora, não mereceu nenhum comentário nas revistas e teses especializadas em Bimba.

 

1945  –  MARINHO, Inezil Penna. Subsídios para o estudo da metodologia do treinamento da capoeiragem. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1945.

Livro comentado ao longo do presente trabalho. Leitura fundamental.

 

–  OLIVEIRA, Valdemar de. Frevo, capoeira e passo. Recife: Ed. de Pernambuco, 1971. 145 p. il.

Referindo-se ao histórico episódio da prisão do capoeira Juca Reis, na pág. 81 de seu livro, Oliveira comenta: “O  exemplo repercutiu no país inteiro. A liquidação foi geral. As polícias estaduais se movimentaram, apoiadas no primeiro código Penal da República”.

A História da Capoeira, sem sombra de dúvida, passa por Pernambuco, e esse livro é uma das leituras de fundamental importância  para bem entendê-la. A base do livro foi um trabalho produzido pelo autor, em 1945,  e publicado, com destaque, no volume VI, do ano VI, do Boletim Latino-Americano de Música.

 

1946 –  MORAIS FILHO, Alexandre José de Mello. Festas e tradições populares do Brasil. Revisão e notas de Câmara Cascudo. 3. ed. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1946. 551 p. il.

–  “Capoeiragem e Capoeiras Célebres – Rio de Janeiro” é, certamente,  leitura obrigatória para todos nós. Dois exemplos:

“No Brasil,  especialmente no Rio de Janeiro, há uma subclasse que reclama distintíssimo lugar entre as suas congêneres e que tem todo o direito a uma nesga de tela no quadro da história dos nossos costumes – a dos capoeiras  (p. 444)”.

“Os capoeiras, até quarenta anos passados, prestavam juramento solene, e o lugar escolhido para isso eram as torres das igrejas (p. 446)”.

 

1961  –   LYRA FILHO, João. Sinais de sociologia dos desportos. [S.l.]: Confederação Brasileira de Desportos (Gestão João Havelange), 196l. Cap. 3: Miscigenação e capoeiragem.

Pequeno libreto contendo a palestra de João Lyra Filho, realizada no dia 25 de agosto de l960, no Clube de Regatas do Flamengo  (tinha que ser no Flamengo!). Importante registro que serviu de embrião para trabalho de maior fôlego, cuja leitura, considero obrigatória para qualquer pesquisador na área do desporto em geral, e da capoeiragem em particular: INTRODUÇÃO à SOCIOLOGIA DOS DESPORTOS!

 

1961 –     COSTA, Lamartine Pereira da.  Capoeiragem: a arte da defesa pessoal brasileira.

Rio de Janeiro: [s.n.], 1961.  63 p.  il.

_______.  Capoeira sem mestre.  Rio de Janeiro: Ed. de Ouro, 1962.  116 p. (Esportiva)

il.  (Esportiva).

Lamartine Pereira da Costa praticou capoeira, introduziu oficialmente a capoeiragem na Marinha, escreveu vários artigos e um livro específico sobre o assunto. Como professor de educação física escreveu centenas de artigos, coordenou dezenas de projetos a nível nacional e internacional.  Com o doutorado em Educação, além de professor universitário,  tornou-se um brilhante consultor internacional.

 

1965  –  CARNEIRO, Edison. Dinâmica do folclore. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965. 187 p.

Décadas atrás tive o prazer e a honra de entrevistar, no meu programa radiofônico “Rinha de Capoeira”, o brilhante e saudoso Professor Edson Carneiro. O mote básico da entrevista, como não poderia deixar de ser, foi “como diferenciar a dinâmica do folclore da estilização folclórica da capoeira contemporânea”?

 

– LEMOINE, Carmem Nícias de.  Jogo de capoeira.   Tradições da Cidade do Rio de   Janeiro do século 16 ao 19.  Rio de Janeiro: Pongetti, 1965.     p. 226-233.

Lemoine exagera um pouco ao citar e louvar certo capoeira paranaense.

 

1972  –  SANTOS, José Francisco dos. Memórias de Madame Satã: (conforme narração a Sylvan Paozzo). [S.l.]: Lidador, 1972.

“Minha pessoa estava muito feliz naquela noite” – assim começa o livro de Satã!  Obra que deve ser lida, também, como  importante registro social e sociológico do Rio Antigo. Merecendo especial registro a maneira brilhante como o jornalista Sylvan Paezzo desempenhou o seu papel.

1974  – LYRA FILHO, João. Introdução à sociologia dos desportos. 3. ed. Rio de Janeiro: Bloch, [19–].

Leitura obrigatória, não sendo possível ler o livro todo, pelo menos, o Capítulo dedicado à Capoeira deve ser lido com especial atenção. Um Capítulo que deveria ser republicado, devidamente comentado por meia dúzia de especialistas no assunto.

 

1980  – PEIXOTO, Mário. Ipanema de A a Z: dicionário da vida ipanemense. [S.l.]: AACohen, 1980.

Preciosa fonte de informações para o presente trabalho.

 

1981  –  GOMES, Paulo, Mestre. Capoeira: a arte brasileira. [S.l.]: Centro de Capoeira Ilha da Maré, 198l.

O baiano Paulo Gomes fez-se mestre no Rio de Janeiro e teve seu melhor momento em São Paulo onde, infelizmente, foi covardemente assassinado. O livro é o escritor falando, quem o conheceu entende muito bem o que ora afirmo. Testemunhei, certa vez, Paulo Gomes jogar com todos os capoeiras de uma roda extremamente hostil. Saiu respeitado e admirado. Recomendo a leitura do livro.

 

1990  –  FREYRE, Gilberto. Ordem e progresso: processo de desintegração das sociedades patriarcal e semipatriarcal no Brasil sob o regime de trabalho livre. 4. ed. Rio de Janeiro: Record, 1990. clxix, 810 p.

Entre outras importantes reflexões, Freire oferece subsídios para um melhor entendimento sobre a famosa  e jamais bem explicada Guarda Negra: fiel ao Império, contra a República (o que, aparentemente, não faria sentido….).

 

1993 – DIAS, Luiz Sérgio. Quem tem medo da capoeira? 1890-1904. 1993. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1993. Livro premiado.

Preciosa fonte de informações para o presente trabalho.

 

1995 –  PETTEZZONI, Sérgio. RIO para não Chorar, Ed. Catau, RIO, 1995.

 

1996  – ANGELO, Decânio Filho. A herança de Mestre Bimba: filosofia e lógica africanas da capoeira. Salvador: [s.n.], 1996. Edição preliminar e personalizada.

Apresentação de Jorge Amado e Esdras Magalhães dos Santos. Ângelo Decânio foi  aluno e médico de Mestre Bimba, e conviveu com Cisnando Lima (“foi o primeiro aluno branco da classe social dominante em Salvador; Cisnando logo induziu o Mestre Bimba a enriquecer o potencial bélico da luta negra…”.  Pág. 112). Com profunda admiração, mas com singular realismo, Decano exalta a figura de Bimba. Com autoridade, as folhas tantas,  chama atenção para graves distorções que estão ocorrendo, atualmente, com a Capoeira Regional. Leitura recomendável.

– SANTOS, Esdras M. dos. Conversando sobre capoeira… São Paulo: JAC, 1996. 65 p.

Livro emocionado, desassombrado e extremamente informativo. Preciosa fonte de informações para o presente trabalho. Recomendo a leitura (há uma segunda edição em marcha).

2000 – CASTRO, Ruy. Ela é carioca: uma enciclopédia de Ipanema. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

Preciosa fonte de informações para o presente trabalho. Leitura recomendável.

 

– LESSA, Carlos. Metrópoles: o Rio de todos os Brasis. [S.l.]: Record, 2000. 478 p.

Leitura obrigatória para quem, além de Capoeira, queira entender também de

Rio de Janeiro e Brasil. Preciosa fonte de informações para o presente trabalho.

– Dias, Luiz Sergio. Da “Turma da Lira” ao Cafajeste. A Sobrevivência da Capoeira no Rio

de Janeiro  na Primeira República. Tese Doutoral.  Doutor em História pelo Instituto de Filosofia

e Ciências Sociais, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal  do Rio de Janeiro.  Livro de suma importância, mostra e demonstra que a Capoeiragem no Rio de Janeiro não acabou nem com as Maltas nem com Sampaio Ferraz (Chefe de Polícia, também Capoeira, continuou mascarada por outras denominações como “Turma da Lira”, “Cafajestes”, “Escovados”…

 

2. Jornais e revistas

 

1906 –  CAPOEIRA. Kosmos, Rio de Janeiro, v. 3, n. 3, mar. 1906.

Excelente artigo escrito pelo cronista Lima Campos, magistralmente ilustrado  pelo famoso Calixto. Valioso registro de uma época. Sem dúvida, um dos modelos didáticos pioneiros da Capoeira.  Leitura obrigatória.

 

1935  –  ANDRÉ Jansen em Salvador. Jornal O IMPARCIAL, Salvador, 25 out. 1935.

Breve, mas importante registro de uma das passagens de André Jansen por Salvador. Promotores de um grande  evento de pugilismo, inspirado em promoções similares realizadas no Rio de Janeiro, convidaram Jansen para inaugurar as apresentações  num confronto com Ricardo Nibbon (também do Rio, aluno dos Gracie).  Como preliminar, Mestre Bimba fez uma exibição com seus alunos.

——— André Jansen em Salvador. Jornal Diário de Notícias. RIO, 30 out. 1935.

O público carioca conhece sobejamente o sportista André Jansen, considerado o mestre absoluto da luta brasileira (a capoeiragem). Várias vezes André teve  ocasião de brilhar em nossas arenas, demonstrando sua technica  admirável, servida por uma valentia e uma resistência extraordinária.

…Jansen, o maior discípulo de Agenor Sampaio, Sinhozinho…

… O hospitaleiro povo bahiano vae ter occasião de apreciar o espírito combativo, a intelligência, dextreza e sagacidade do jovem sportista brasileiro”…

 

1949  –  REGRESSOU Mestre Bimba. A Tarde, Salvador, 07 mar. 1949.

Não concordando, mas também não proibindo lutas combinadas, Mestre Bimba voltou a Salvador fazendo declarações elogiosas sobre o desempenho da Regional nas apresentações  em São Paulo.

 

1953  – ANTÔNIO, Carlos. A ARTE dos “moleque de Sinhá” – Camarada bota sentido! Capoeira vai te Batê…”. Flan, Rio de Janeiro, 31 mai, 1953, 1. cad.:9; Última Hora, São Paulo, 25 abr. 1956:9.

Neste mundo cada vez mais dependente do marketing,   parece que só existiu  e que só existe quem está todos os dias na mídia. Mídia paga ou não. Daí a ignorância sobre a extraordinária Capoeira de Sinhozinho de Ipanema. Outro bom exemplo, ou melhor, outra boa injustiça pode ser registrada em relação ao Sr. Antenor dos Santos, mineiro, vice-presidente da Portela e um “animador da capoeira”. Nas décadas de 40/50 o Sr. Santos coordenava um grupo de bons angoleiros, na prática, comandados por Joel Lourenço do Espírito Santo. Estivemos, eu, Ney Alves (capoeira de Sinhozinho) e Paulo Castro, na casa de Joel, em Madureira. Não houve jogo, mas houve um papo que deveria ter sido gravado.

Em tempo: fui apresentado ao Mestre Joel pelo próprio “Antônio Carlos” (pseudônimo do querido e saudoso Professor Edison Carneiro).

 

1959  –  CAPOEIRISTAS baianos dançam no aeroporto. Diário Carioca, Rio de Janeiro, 10 abr. 1959.

 

1961- DANÇA de negros e arma de malandros: capoeira oficializada na Marinha. Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 30 mar. 1966, tablóide: 1.

Lamartine Pereira da Costa, com a cooperação dos Mestres Artur Emídio e Djalma Bandeira promove um curso de capoeira especialmente para oficiais e praças da Marinha.

Aliás, um grande mote, ainda virgem, é o papel das marinhas  – de guerra e mercante – na propagação e no intercâmbio capoeirístico nos portos brasileiros e do mundo.

 

1963  –  CAPOEIRA renasce no Rio com suas velhas tradições. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 dez 1963.

Reportagem de página inteira, com duas ilustrações (uma delas inspirou a capa do livro “A Volta do Mundo da Capoeira”). Gira em torno de uma “Operação Capoeira” deflagrada no Rio, registra a importância de Sinhozinho,Rudolf Hermanny, Cirandinha,  Artur Emídio e outros.

 

———–. CAPOEIRA comanda o espetáculo de folclore. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 jun 1966, 3. cad.: 1.

Toríbio foi quem melhor escreveu sobre a grandeza de Mestre Mário Santos e sobre os tempos áureos do Grupo Bonfim (sob o comando do próprio Mário e de Mestre Zé Grande com quem tive a honra de, também, dar uma pequena volta do mundo).

 

1968 –  SIMPÓSIO quer mudar capoeira. Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, 28 ago. 1968. (2) f. il.

——-  SIMPÓSIO chegou ao final sem decidir se capoeira é luta ou apenas folclore.  Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 ago. 1968. (2)f.  il.

O evento reuniu altas autoridades do governo, do esporte e da capoeira: Ministro Lyra Filho, Professor Edison Carneiro, Campeã Maria Lenk, Professor André Luiz Lacé Lopes, Dr. Lamartine Pereira DaCostaa, Dr. Ângelo Decânio, Professor Rudolf Hermanny e outros. Iniciativa bem intencionada, mas sem nenhum resultado prático. Especialmente o Jornal do Brasil reportou o evento de maneira  excessivamente crítica.

 

1974  – FESTIVAL de uma corda só traz ao Rio mestres da capoeira. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 21 jun. 1974. (1)f il.

Realizado no IBAM, RIO. Estratégia pioneira onde os concorrentes tinham que improvisar os versos em função de um jogo feito na hora. Participaram, entre outros, os mestres Zé Pedro (vencedor),  Paulo Afonso “Corvo”, Silas, José “Macaco Preto”, Adilson Victor, Alcino “Dentinho”, Adilson Faria, Luiz Américo e Paulão. Na multidisciplinar comissão julgadora (maestro, comunicador, sociólogo, professores de português e de educação física): Carlos Henrique Gomide, Orlando Mara, Lamartine Pereira da Costa, Alves Soares e Muniz Sodré.

1977  –  CURVELO, Ivan. Capoeira: a falta de rumos é processo de embranquecimento. Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, 24 abr. 1977. (4)f il.

Entrevista com o então Superintendente Administrativo do Clube de Regatas do Flamengo, sobre o processo de Institucionalização da Arte Afro-Brasileira da Capoeiragem.

1986  –  MACARTY, José. Quand la Capoeira rencontre le Moringue. Jornal Témoignes. Ilha de Reunião, 8 out 1986.

– L`HISTOIRE DE LA CAPOEIRA AU BRÉSIL. Jornal Témoignages. Ilha de Reunião, 9 out 1986.          – LE MORINGUE (CAPOEIRA!) à la Reúnion – sortir du fénoir une pratique culturel lê authentiquement réunionnaise. Jornal Témoignages, quotidien du parti communiste reunionnais. Ilha de Reunião, Oceano Índico, 11/12 out 1986

Observação: a partir dessas reportagens, várias outras surgiram no Rio de Janeiro (André Lacé) e, logo várias outras surgiram pelo Brasil afora.Famosa corrente já está modificando (novamente) sua própria história, passando a afirmar que nasceu do moringue…

 

BIBLIOGRAFIA

 

III. Capoeira  da Bahia

(registros mencionados no power point feito para esse Módulo)

1963  –   BIMBA, Mestre. Curso de capoeira regional. Salvador: [s.n.], 1963.

Livreto que acompanha as duas edições (1963 e 1985) do disco de Mestre Bimba “Curso de Capoeira Regional”. A 2ª edição sofreu, misteriosamente, pequena, mas significativa modificação no texto. Alteração comentada nesse Módulo.

1968  –  RÊGO, Waldeloir. Capoeira Angola: ensaio sócio-etnográfico. Salvador: Itapoã, 1968. 416 p. il.

Inegáveis bons aspectos, excelente contribuição, sobretudo, para estudos referentes  à mudança de foco ideológico que se pode perceber da Angola para a Regional.  Valendo registrar também a homenagem que prestou a São Paulo e ao Rio de Janeiro ao afirmar que Agenor Moreira Sampaio, Sinhozinho (pág. 14) era natural da Bahia. Pequena incorreção que foi repetida também pela Sra. Reila Gracie (Livro “Carlos Gracie”, pág. 297) em uma das vezes que mencionou o Senhor “Antenor” Sampaio.

Ambos os livros, mesmo assim, são fundamentais.

 

1986Almeida, U. (Mestre Acordeon). Capoeira, a Brazilian art Form. Berkeley: North Atlantic Books, 1986.

Em seu livro, Mestre Acordeon faz franco e desassombrado elogio ao  grande Mestre Artur Emídio de Oliveira, baiano de Itabuna, que não é nem “angola” nem “regional, é simplesmente um exímio capoeirista. Apenas um exemplo (existem muitos outros), mas, suficiente para fragilizar a “tese” da dicotomia “Angola & Regional”. Quem viu Artur jogando, décadas atrás, certamente, concordará com  Acordeon.

 

1991  –  MOURA, Jair. Mestre Bimba, a crônica da capoeiragem. Salvador: Fundação Mestre Bimba, 1993. 86 p. il.

Jair foi um dos melhores alunos de Mestre Bimba e é um dos melhores pesquisadores da capoeira baiana.  Livro muito citado, inclusive em dissertações e teses de mestrado. Muito informativo, com alguns pequenos  senões, como a parte que resume e comenta os resultados do confronto, em São Paulo,  de alguns alunos de Mestre Bimba (com ele presente) e  diversos lutadores locais.  Mestre Jair Perigo também preferiu não incluir  os resultados dos confrontos, dessa mesma equipe,  no Rio de Janeiro. Momentos importantes que felizmente, graças a livros, como o do Mestre Esdras Santos   estão bem esclarecidos e incorporados à História da Capoeiragem.

2008 – Capoeira – Textos do Brasil # 14. Publicação do Ministério das Relações Exteriores,

Livro já distribuído para todas as embaixadas brasileiras. Em que pese o título, que, salvo engano, parece englobar todas as capoeiras praticadas no Brasil, o livro concentra-se na capoeira baiana. Cheg a repetir ilustrações diversas, sobretudo as do argentino Carybé (brilhantes), ignorando por completo outras não menos brilhantes. Por exemplo ,as ilustrações geniais  do carioca Calixto (Klixto; com título e legendas revelando um sentido didático historicamente muito relevante).  Mesmo assim, o livro apresenta algumas curiosidades, como retorno à versão inicial sobre a origem da Regional: capoeira Angola enriquecida por movimentos e golpes de outras lutas (pág. 31). Insistência instigante tendo em vista que já começa a surgir, também uma nova versão onde a origem da Regional estaria no moringue da vulcânica  Ilha de Reunião. Ambas abandonando a versão baseada no Batuque. “Ou não”, como diria Mestre Caetano.

BIBLIOGRAFIA

V – Capoeiragem e Religiões Afro-Brasileiras

Elton Medeiros, grande compositor e poeta, administrador, mestre (inclusive de Candombe) e bom amigo, tempos atrás, Durante uma Fogueira de Xangô, recomendou e colocou à disposição alguns livros chaves nessa área:  Altair Pinto, Arthur Ramos, Câmara Cascudo, Édison Carneiro, Roger Bastide, Nina Rodrigues e outros. Mestre Elton chamou atenção especialmente para os trabalhos do Professor José Flávio Pessoa de Barros. Não por coincidência, Lúcio Sanfilippo, jongueiro de primeira (Bar do Ernesto, Lapa, todas as sextas-feiras; boa parte das músicas de jongo é utilizada também na Capoeira), na mesma época, convidou-me para ver uma Festa de Yabbas, na Casa Ilê Axé Omim, em Cachoeiras de Macacu.  Casa dirigida, justamente pelo Professor José Flávio, com pós-doutorado na Sorbonne. Impulso que faltava para ler as duas excelentes obras desse professor, oferecimento também do Sanfilippo:   “Olubajé, o banquete do Rei” e “A Fogueira de Xangô, o Orixá do Fogo”. Assim como praticamente todos os livros do não menos mestre Nei Lopes, considero leitura obrigatória para todo mestre de capoeira, especialmente aqueles que  esperam participar de cursos resultantes da  implementação da Lei nº. 10.369!

2005  – Lopes, Nei. KITÁBU, o livro do saber e do espírito negro-africanos. Editora SENAC, RIO, 2005

1999    –  Barros, José Flávio Pessoa de  A Fogueira de Xangô. NUSEG, UERJ

1999    –  Barros, José Flávio Pessoa de . Olabajé.  NUSEG, UERJ.

 

Longe de esgotar essa importante lista, permita-me caro aluno, recomendar especialmente mais uma leitura:

2004  -Ligiéro, Zeca. Malandro Divino – a vida e a lenda de Zé Pelintra, personagem mítico da Lapa carioca. Editora Nova Era, Rio de Janeiro.

Sem dúvida, outra leitura obrigatória, não apenas o canto “Ginga e malícia, samba e capoeira”, mas o livro todo.

 

 

Feliz Aniversário, mestre Squisito!

O capoeirista Reginaldo da Silveira Costa, Mestre Squisito, completa, em 11 de março de 2009, 56 anos de idade, nasceu em Montes Claros/MG no dia 11 de março de 1953, sendo filho de José Gomes Costa e Iracema de Paula, ambos mineiros, nascidos também em Montes Claros, já falecidos.

Parabéns e muitos anos mais de vida, com muita saúde, perseverança intemerata e ousadia intimorata para as mais puras realizações do espírito nas rodas da vida, nas marés sociais e na união familiar para que a capoeira continue a ter você na linha de frente a desbravar, a fomentar, a divulgar, a ensinar e a dignificar em tom maior e alto relevo o que é ser capoeira…

Mestre Squisito

“Seis de dezembro de 1974, sexta-feira, Academia Tabosa, quadra 505 Sul, sete da noite. Subo as escadas apressado com o coração disparado: era meu batismo de capoeira!

Mal consigo chegar ao vestiário e colocar a malha branca, novinha, colada no corpo que era o último modelo de uniforme lançado na Academia Tabosa. O ruído das pessoas, muitos mestres, muitos estranhos, um frio perpassa a barriga: é hoje! Troco atropeladamente a roupa e corro para o salão da academia, pois o Mestre já anuncia o começo da festa.

Todos se organizam em volta da roda. Parece que não cabe todo mundo e mesmo assim as pessoas se ajeitam e encontram uma maneira de ficarem o mais próximo possível. Berimbaus, pandeiros, atabaques, começam a orquestrar um ritmo afinado, produto de um ensaio que ninguém fez!

Yyêêêhhhhhhhhh!!!!!!! – Grita o Mestre Tabosa.

Aquele grito corta o ar e o tempo e transporta a todos para uma viagem mântrica através da História e reconta todas as agruras que já atormentaram a humanidade. É um grito de dor, contra a dor! A favor da liberdade, contra a escravidão! Exigia o fim do cativeiro, anunciava a festa!

Exorcizava todas as diferenças, exigia a igualdade! Respeitava a morte, mas anunciava a vida!

Fluía origem era o corpo, mas sua gênese era a Alma!

E o Mestre Tabosa solta a voz e começa a cantar: Ô luanda êh, pandêro! Luana êh Pará… E um coro de cem vozes responde: olêlê!!!!!!

E veio o meu arrepio, o meu primeiro arrepio de capoeira! Uma energia tão grande que os olhos se iluminaram de emoção, o coração disparou mais que o atabaque; a pele fez-se o corpo todo que pareceu expandir, inflado pela emoção e pelo axé!

Aquele eco ainda hoje percorre o meu coração e minha alma… Aquelas pessoas, a maioria pelo menos, não mais se encontram nessa Roda da Capoeira, estão por aí, na Roda da Vida, jogando a sua sobrevivência! Mas, dentro delas, na dimensão transcendental e atemporal do seu Espírito, cada uma guarda aquele eco, aquele grito, aquela roda!

Os Mestres que ali estavam são hoje parte daquele eco.

Meu Padrinho de Capoeira, Mestre Tonhão, onde quer que ele esteja, é hoje parte inseparável da minha vida na Capoeira!

A ele, e a todos os Mestres que estiveram presentes naquele momento, gostaria de poder entregar um prêmio inusitado: aqui está Mestre, o meu orgulho humilde de ter sobrevivido a todos os desvarios, percalços e barreiras que a estrada da vida me aprontou até agora e ter permanecido nessa roda de capoeira! Esse é o troféu mais significativo que posso lhe dar, a minha própria História, contada a partir de sua referência, do seu exemplo e do que você mostrou quando esteve presente naquele momento e que construiu adicionando sua energia àquela roda, àquele batismo, àquele grito, àquele arrepio! Naquele momento, você estava construindo a História da Capoeira, da capoeira de Brasília, do Brasil e do mundo! Você, Tonhão, Tarzan, Melquiades, Tranqueira, Sansão, Clodoaldo, Clodomir, Gil, Pombo de Ouro, Russo, Louro, Arraia, Monera, Adilson, Onça Tigre, Bertinho, Chibata, Vieira, Danadinho, Angoleiro, Fritz, Nenê, Beto, Jacinto, Cordeiro, Cabeludo, Periquito, Gavião, Leoná, Carlindo, Diabo-Louro, Futica, Cascavel, Rui, Alcides, e particularmente a Você, Mestre Tabosa, meu Mestre na Capoeira, e tantos outros, enfim, todos aqueles que fazem essa História, escrita a cada dia no labor dessa grande roda da vida, ao sabor dessa maravilhosa energia, que vem sendo reconstituída em cada um desses que fazem a passagem do bastão para a continuidade da História, da Capoeira, da nossa própria vida!

A eles essa homenagem quer chegar, a todos eles!”
 

Este texto foi gentilmente cedido ao Jornal do Capoeira por Danillo César “Canguru”, Editor do Jornal MUNDO CAPOEIRA, do Estado do Tocantins.

http://www.jornalmundocapoeira.com/?pg=noticia&id=447

Fonte: http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=1084

 

Mestre Squisito: skisyto@hotmail.com

Dr. Bimba…

Jorge Calmom, Jornalista, escreveu para o Jornal “A Tarde” uma crônica (artigo) sobre Mestre Bimba, onde cita Mestre Pastinha, a Capoeira Angola, outros Mestres de grande renome como por exemplo Aberê, Cobrinha Verde, Traíra, etc… e a “Homenagem” póstuma feita a Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, pela Universidade Federal da Bahia com o título de “Doutor Honoris Causa” e faz uma reflexão sobre a homenagem em causa…

Leiam na íntegra o artigo de Jorge Calmom, clicando sobre a imagem abaixo:
 
 
Agradecimento especial a Teimosia, por ter nos enviado este recorte do Jornal.

Amapá: Operadora de telecomunicações aposta no Social e na Capoeira

Em visita aos dez maiores colaboradores da TIM no estado do Amapá, o coordenador estadual da companhia de telefonia móvel, Márcio Leite, fala sobre estratégias, ações sociais e sobre a importância da interção da comunidade em sua estratégia de negócios, utilizando a nossa capoeira como um importante meio de interarir e se comunicar com a sociedade da região.

Interessada não só em estender o seu mercado de negócios, a TIM visa estabelecer uma estreita relação com o público através de participações em ações sociais. Para exemplificar isso é só lembrar das lixeiras que foram doadas pela empresa multinacional durante a última edição do Macapá Folia. Ocorrida na Orla do Santa Inês, com o intuito de que o rio amazonas e a orla da cidade não fossem degradados. " Eu acredito que uma empresa como a nossa, hoje, não pode deixar de ter parceiros, até para estreitar esse vínculo de parceria, não só no fim do ano, mas durante ele todo. Nós tivemos, ao longo do ano, parcerias com bairros, interagindo diretamente com a comunidade, então, para nós, isso é bastante importante." Afirma Márcio.

Entre as ações sociais realizadas pela empresa, aconteceram também aulas de capoeira para a comunidade e serviços de orientação aos jovens, com a finalidade de fazer com que compreendessem o perigo das drogas. O Coordenador acredita que tal dedicação pode ser explicada pelo tipo de mercado que o país possui. " O mercado maranhense, por exemplo, é um mercado de troca. Lá, um aparelho serve como entrada na aquisição de outro. Aqui, o mercado é muito mais forte. Aqui o que ocorre é um mercado de venda. Aqui, em média se vende cerca de 50 mil aparelhos por mês e adquirimos mais ou menos 15 mil clientes novos. É um mercado que gira com um capital muito alto, apesar de toda essa crise que se fala." explica o coordenador estadual.

A longa conversa não ficou só no mercado da telefonia móvel. Otaciano Júnior apresentou os novos projetos que o Jornal do Dia prepara para o mercado local, em termos de investimentos tanto no seu pessoal quanto no seu maquinário. O aniversário da cidade e concomitantemente do Jornal, a festa do Prêmio Nossa Gente, a aquisição de uma nova rotativa – fator que prepara o Primeiro Diário do Amapá para uma alavancada frente às informações que vão ser repassadas em 2009.

O Diretor comentou em poucas linhas como o mercado consumidor costuma se comportar em determinadas épocas do ano, lembrando que o fato de não se melindrar tanto com a crise mundial se deve aos dois piores meses, considerado pela classe empresarial. " Julho e Novembro são considerados os piores, uma vez que a compra no comércio diminui. O consumidor se prepara nos meses anteriores para esse período de férias, e no caso das empresas é necessário se manter firme devido a queda nas vendas. Por isso, eu acredito que o amapaense não sentiu tanto quando a crise foi informada.

Márcio explica que a crise não intimidou os empresários amapaenses. " Esse temor foi passado pela televisão. Aqui, o mercado não se intimidou mesmo! Isso mostra a força do comércio amapaense e, principalmente, do consumidor." , diz. Até fevereiro de 2009, pelo menos nove antenas vão estar instaladas em Macapá buscando garantir um melhor sinal para os clientes da Operadora.

Limeira – SP: Projeto LUTA PELA CAPOEIRA

O projeto LUTA PELA CAPOEIRA é um resgate ao esclarecimento sobre o que é a Capoeira. Reconhecida recentemente como Patrimônio Cultural Brasileiro, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) do Ministério da Cultura, esta luta-dança, que tem mil facetas dentro do complexo e vasto acervo cultural brasileiro, sofre com a má informação tanto dentro do seu próprio meio de atividades, quanto do público em geral.

Como tudo – ou quase tudo em nosso país – há uma inversão de valores onde a Capoeira é ensinada como esporte, luta ou até mesmo como forma de condicionamento físico.
A Capoeira, além dos aspectos descritos acima, trata de dança, música, instrumentos diversos, expressão corporal, expressão de linguagem, folclore, arte, inclusão social, manifestação cultural, dentre outros.
Acima de tudo, serve de ferramenta para o aprendizado e cidadania, auto-estima de nosso povo, o que, na maioria das vezes, passa despercebido.

Na verdade todos estes aspectos citados acima estão inseridos dentro da Capoeira, mas nenhum deles consegue defini-la propriamente.

É Cultura Brasileira, criada no Brasil, e muitos ainda não sabem disso.
Relaciona-se com todos os adjetivos citados, mas não tem um entendimento adequado de toda sua extensão. É compreendida apenas como um ou mais aspectos, mas não está clara a real importância e definição desta manifestação cultural genuinamente brasileira.

Objetivo

O objetivo do projeto é esclarecer o que é a Capoeira, definir sua importância, principalmente para os professores que ensinam a parte prática e física, que é apenas um dos elementos que compõem sua complexa abrangência.

DETALHES DA PROGRAMAÇÃO

Será convidado um Mestre de Capoeira que tem sua competência comprovada durante muitos anos de atividade, e também uma formação dentro do aspecto educacional e cultural.
Teremos uma mesa de debates com profissionais capacitados em suas áreas, relacionadas com nossa cultura e co-relacionadas com a Capoeira.

Estarão presentes na mesa de debate:

Adalberto Mansur é jornalista e administrador de empresas, sendo pós-graduado em Comunicação Pública e Responsabilidade Social. Atualmente, é Secretário da Cultura de Limeira. Ainda na Prefeitura de Limeira, atuou como assessor de comunicações. Trabalhou em jornais e rádios da região, ao longo de 18 anos. Realiza projetos de comunicação e marketing para entidades e empresas, além de ser professor universitário em cursos de Comunicação Social, Marketing e Administração.

projeto LUTA PELA CAPOEIRAProfessor Augusto José Fascio Lopes, Mestre de Capoeira, conhecido como Baiano-Anzol, é formado por mestre Bimba em Capoeira Regional, onde possui dois cursos de Especialização. Também é Mestre Cordel Branco pela Confederação Brasileira de Capoeira. É autor do Livro Curso de Capoeira, Edições de Ouro, 1974, RJ. Foi introdutor da disciplina de Capoeira na Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ, sendo atualmente professor de Educação Física, com especialização em Educação. Atualmente, exerce o cargo de professor da cadeira de Capoeira na Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ e a chefia do Departamento de Lutas da Escola de Educação Física/UFRJ.

Regina Muller, antropóloga, autora do livro “Os Asuriní do Xingu: história e arte” e de vários capítulos de livro e artigos sobre xamanismo, arte e ritual indígena e performance artística. Doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo, com pós-doutoramento no departamento de Performance Studies/ New York University e livre-docente em Antropologia da Dança pela Universidade Estadual de Campinas.Foi responsável pela disciplina “Pesquisa Antropológica de Danças Brasileiras”no curso de graduação em Dança e atualmente orienta pesquisa sobre capoeira em nível de doutorado no Programa de Pós-graduação em Artes/ Instituto de Artes da UNICAMP. Realizou pesquisa sobre performance, interculturalidade e o corpo em movimento na cena contemporânea e atualmente desenvolve o projeto “ Performance e corpo em movimento no ritual indígena e na cena contemporânea”.

Roberto Bonomi, fotógrafo, editor do Jornal O PIU, vem fotografando a Capoeira por mais de 10 anos e pesquisando o assunto junto a livros, historiadores e mestres de Capoeira pelo mesmo período. Com uma grande experiência em publicações diversas, começou sua Carreira com o assunto Capoeira e fez parte da fundação da primeira revista de Capoeira nas bancas de todo país, além de ter participado em todas as novas publicações de revistas que ainda existem, no Brasil e exterior.

Serão convidados a participar grupos de Capoeira de Limeira e região, para apresentações durante o evento.
Será elaborado um questionário com as perguntas e respostas sobre o que é a Capoeira e quais são seus fundamentos dentro de suas raízes e manifestação cultural. Este questionário tende as ser um futuro manual de consulta, publicado no Jornal O PIU, nas edições de novembro (perguntas do questionário) e dezembro (respectivas respostas), que além de servir de base, fará o registro do evento, com informações detalhadas e material completo das atividades.
Convite para todos os órgãos de imprensa, formadores de opinião, historiadores, pesquisadores e afins, visando um maior aproveitamento das informações apresentadas e a continuidade de uma conscientização maior de nossa cultura no aspecto específico da Capoeira.
Cadastro dos interessados pela palestra final.

 

PROGRAMAÇÃO 21 de Dezembro

10h00 – Começa na Praça do Museu com uma breve explanação das metas traçadas e da programação, seguida da apresentação dos palestrantes.
11h40 – Apresentação para o público e mesa de palestrantes, com roda de Capoeira dos estilos e filosofia dos grupos convidados para as apresentações.
12h00 – Almoço
13h30 – Palestra com o Mestre de Capoeira na Praça do Museu, com a apresentação do que é a Capoeira e sua história. Será entregue o questionário publicado no Jornal O PIU (de novembro), para público e participantes, para que possam conhecer as perguntas mais relevantes sobre as raízes da Capoeira. Assim aguçaremos a curiosidade dos presentes, e despertaremos a vontade do conhecimento.
As repostas serão veiculadas no Jornal O PIU de dezembro, que será publicado no dia seguinte do evento, 22 de dezembro.
15h30 – Abertura ao público e participantes para perguntas, dirigidas à mesa, para esclarecimento das dúvidas.
17h00 – Intervalo do debate, com abertura da exposição fotográfica LUTA PELA CAPOEIRA, de Roberto Bonomi.
18h00 – Retorno à Mesa, para encerramento do evento, com roda de Capoeira de professores e mestres, na Praça do Museu.
18h30 até 20h00 – Palestra do Mestre convidado, na Biblioteca Municipal de Limeira, para os participantes previamente cadastrados.

Fonte: http://jornalopiu.blogspot.com

Presidente da FCP participa de debate sobre igualdade racial

Zulu Araújo falará sobre "A cultura afro-brasileira como patrimônio imaterial"  no projeto Forúm Jornal de Brasília

Amanhã, 9 de dezembro, o projeto Fórum Jornal de Brasília terá por tema a igualdade racial, entre as 9 e as 17 horas, no auditório da UDF (antiga UniDF), na 904 Sul. O ciclo de Fóruns do Jornal de Brasília tem o objetivo de promover a discussão entre imprensa, população e autoridades dos principais problemas do Distrito Federal.

No próximo Fórum, que contará, especialmente, com o apoio da Comissão de Jornalista pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF), serão focadas as seguintes questões: políticas de superação do racismo no Distrito Federal (11h), o desafio da imprensa e políticas de igualdade racial (14h) e um painel sobre o patrimônio imaterial da cultura afro-brasileira (16h). O evento se iniciará com uma palestra do ministro da Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, às 9h.

O presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, comporá a mesa, às 16h, que vai debater a cultura afro-brasileira como patrimônio imaterial, e que terá como mediador o jornalisa Jorge Eduardo, editor-chefe do Jornal de Brasília, e os debatedores Rose Coimbra, presidente do Conselho de Cultura do Distrito Federal, e Giorge Patrick, antropólogo da Superintência Regional do Distrito Federal do Iphan.

Assessoria de Comunicação
Inês Ulhôa – assessora de imprensa (9966-8898) ines.ulhoa@palmares.gov.br
Jacqueline Freitas – jacqueline.freitas@palmares.gov.br
Marília Matias de Oliveira – marilia.oliveira@palmares.gov.br
Marcus Bennett – marcus.bennett@palmares.gov.br
Telefones: (61) 3424-0164/ 0165/ 0166
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