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Luanda: JMPLA realiza exposição da arte de capoeira na Samba

Luanda – Uma exposição sobre a arte da capoeira decorre desde sábado no calçadão da Samba, em Luanda, no âmbito dos cinco anos da legião em Angola, numa promoção da JMPLA.

De acordo com o primeiro secretário municipal da JMPLA, Job Vasconcelos, que falava hoje, segunda-feira, à Angop, o acto que visa sensibilizar a juventude daquela circunscrição para a prática desportiva, será marcado pela demonstração de aulas ao vivo de capoeiras, entrega de certificados e outros.

Para o responsável, proporcionar momentos de lazer e desportivos a juventude é uma das acções daquela organização juvenil, no âmbito do programa de combate à delinquência e à prostituição.

Outro propósito deste evento é aproveitar de maneira correcta, as infra-estruturas que o governo vem proporcionando em prol do bem-estar da sociedade angolana.

http://www.portalangop.co.ao

Mestre brasileiro impressionado com desenvolvimento da modalidade em Angola

Luanda   – O director-geral do Instituto Internacional Terreiro Capoeira, Reginaldo Costa “Squisito”, disse hoje (sábado), em Luanda, estar impressionado com a forma como os jovens angolanos estão a desenvolver a capoeira.

O mestre, que falava à Angop, na cerimónia de baptismo e graduação dos novos capoeiristas, no ginásio Team Elite, afirmou que a capoeira tem origem em Angola e se desenvolveu no Brasil

“Digo isso porque aquando da escravatura, foram levados muitos negros angolanos para as Américas, que se divertiam com estes passos. É por este motivo que o Brasil, em homenagem a Angola, criou o estilo que se denominou capoeira Angola, já praticada em todo mundo”.

Por outro lado, o mestre de estilo capoeira Angola, Luís Marinheiro, disse que o estilo Angola é o mais antigo que o Brasil pratica.

O mestre com mais de duas década de capoeira no Brasil, com lágrimas nos olhos e  emocionado pela forma como foi acolhido na sua primeira visita ao país, afirmou que não tem dúvidas que a capoeira seja cultura de Angola.

Felicitou os mestres angolanos pela preservação da cultura e pelo trabalho que têm vindo a desenvolver na modalidade em Angola.

 

Fonte: http://www.portalangop.co.ao

EUA: I Encontro de Capoeira “O Bicho era Bimba”

Capoeira Luanda tem o prazer de convidar a todos para o “I Encontro de Capoeira “O Bicho era Bimba” organizado pelo Professor Macarrão, que acontecerá nos dias 4, 5, e 6 de junho em Oakland, CA, US. O evento contará com oficinas de Capoeira com os mestres Jelon, Itabora e Espirro Mirim. Além do batizado, acontecerá trocas de graduações e rodas de professores e mestres e com participação de capoeiristas de varios grupos e academias dos EUA.

A principal intenção do evento é promover meu primeiro Batizado de Capoeira e prestar a minha homenagem ao meu bisavó de Capoeira o Grand mestre Bimba, criador da Capoeira Regional. E com o objetivo de estabelecer, intercâmbio cultural com capoeiristas de outras u

nidades e area; – Divulgar, a Capoeira como uma pratica cultural-desportiva nos EUA; – Preservar as tradições e rituais ensinado pelo meu mestre; – Fomentar, o conhecimento e a prática de Capoeira na minha comunidade; – Contribuir para meus alunos o conhecimento da cultura Afro-brasileira e a prática do Jogo da Capoeira como uma filosófia de vida; – Motivar os alunos pela superação e conquista de uma nova fase na Capoeira.

 

 
 
 

Capoeira Luanda
246 West 38th Street, 8th floor
New York City, NY 10018
Tel – 212/382-0555
Fax – 212/278-8555

 
 

Cultura apontada como o principal elo entre o Brasil e Angola

O bom entendimento deve-se, principalmente, ao facto de os dois povos falarem a mesma língua e terem uma história comum. "São dois povos com história comum", destacou embaixador do Brasil em Luanda.

Luanda – O embaixador do Brasil em Angola, Afonso Cardoso, destacou, quinta-feira (6), em Luanda, a cultura como um dos principais elos de ligação entre os dois países.

Falando aos jornalistas por ocasião do lançamento do livro "Capoeira", no Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor), o diplomata adiantou que, apesar da vertente económica ser forte nas relações entre os dois estados, é o lado cultural que mais se tem feito sentir na cooperação.

“Textos do Brasil 14 Capoeira”, editado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

A edição traz fotografias de Pierre Verger e desenhos do Carybé, que ilustram entrevistas e artigos de pesquisadores, mestres de capoeira e autoridades ligadas à cultura brasileira, na qual se destacam as significativas implicações da capoeira para a cultura e a vida social, como modalidade de jogo, dança, música e oportunidade para inserção social.

A capoeira é um arte que está fortemente relacionada com a história africana e que marcou profundamente a cultura brasileira.

A obra será apresentada pelo mestre Vila Isabel, do Núcleo de Capoeiragem Beribazau de Brasília e dois mestres brasileiros de capoeira de Angola, mestre Cobra Mansa e Mestra Janja. Para quem quiser apreciar a arte, será realizada uma roda de capoeira pelo grupo de capoeira Abadá, do Núcleo da Casa de Cultura Brasil-Angola.

"É na cultura que os dois povos mais se entendem. É um facto que temos comprovado com a vinda de artistas brasileiros a Angola e a ida de angolanos ao Brasil. Todos eles são bem recebidos e os seus produtos são bem entendidos e consumidos", realçou.

Segundo o diplomata, o bom entendimento deve-se, principalmente, ao facto de os dois povos falarem a mesma língua e terem uma história comum. "São dois povos com história comum e que se entendem perfeitamente", adiantou Afonso Cardoso.

O lançamento do livro faz parte da programação da semana do Brasil em Angola, que tem o seu ponto alto com a realização de um espectáculo, com a artista Elba Ramalho, e um show de humor com Renato Piaba. As informações são da Angop.

 

Aconteceu: VIII Ginga Fest

Batizado e troca de cordas – Capoeira Luanda Mogi Mirim-SP

Em parcerias com a Prefeitura Municipal de Mogi Mirim (Departamento de Promoção Social e Departamento de Cultura e Turismo) aconteceu o oitavo Ginga Fest organizado pelo Núcleo Capoeira Luanda – Mogi Mirim.

O Projeto Capoeiragem começou em janeiro de 2005 com a Supervisão do Contra Mestre Guerreiro e do Instrutor Xavante e com a coordenação da pedagoga Graziete Bronzatto.

Desde seu início e até hoje as aulas de Capoeira e Danças afro-brasileiras são ministradas voluntariamente por Luciano Jannuzzi, Graduado Sofrimento,instrutor de capoeira e professor de Educação Física.
Esse ano participaram do evento cerca de 80 alunos com idade entre 3 e 18 anos.

No dia seguinte, 22 de junho aconteceu o quinto batizado e troca de cordas em Andrada/MG onde o Instrutor Marcão (núcleo-Capoeira Luanda- Andrada) no clima de maior festa, batizou mais de 100 aluninhos com idade entre 4 e 18 anos.

Bahia: XI Encontro Internacional Capoeira Luanda – ALMA AFRICANA

Agosto deste ano, o Instituto de Artes Urbanas da Bahia se movimenta e promove o:

XI ENCONTRO INTERNACIONAL CAPOEIRA LUANDA

ALMA AFRICANA

 

Homenagem a Professora Emilia Biancardi de Ferreira e aos saudosos mestres pela sua contribuição em Capoeira e a Cultura Afro-Brasileira

06 à 11 de Agosto de 2007 – Salvador – BA

 
Assim como o candomblé, o samba, o jongo e os blocos afro e afoxés, a Capoeira é uma manifestação cultural que, antes de mais nada, preservou os valores negros e africanos.

O jogo de Capoeira pode ser considerado uma luta, uma brincadeira ou uma dança, que tem na manutenção do equilíbrio do corpo e da mente seu principal objetivo.

A Capoeira comprova a importância de constantemente termos que adotar uma nova atitude diante da vida; antes de mais nada, a Capoeira se mostra capaz de estabelecer mudanças.

Hoje, ela cruzou as fronteiras e já se encontra em mais de 100 paises.

 

Jelon Vieira
(mestrejelon@mac.com)

www.mestrejelon.com

África: Jovens exortados a aderir à arte para evitar delinquência

Benguela, 11/05 – O representante da Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte Capoeira (Abada) em Benguela, Salustiano Lucas, apelou hoje, nesta cidade, aos jovens a abraçar a modalidade artístico-cultural, no sentido de buscarem harmonização social e pacificação espiritual.
A aderência a esta arte, sublinhou, permitiria desenvolver a ideia de não enveredar à delinquência.
 
Por forma a expandir a capoeira, os atletas da cidade de Benguela praticam a modalidade em locais públicos, segundo disse hoje à Angop Salustiano Lucas.
 
A província de Benguela tem duas academias de capoeira e 150 praticantes, prevendo-se a abertura, ainda este ano, de uma escola para a prática da modalidade na cidade do Lobito.
 
A capoeira é praticada em Angola há dez anos, nas províncias de Luanda, Benguela e Huambo.
 
Fonte: AngolaPress – Luanda, Angola:
http://www.angolapress-angop.ao/noticia.asp?ID=530962

Capoterapia e Hidrocapoeira

Capoterapia e Hidrocapoeira . O novo milênio traz novas idéias aos métodos e às técnicas em … ver trabalhos como esses da Capoterapia, que unem os conceitos da terapia …
 
O novo milênio traz novas idéias aos métodos e às técnicas em todas as áreas, na capoeira idem. Estudos diversos mostram que, se bem trabalhada, a capoeira é benéfica ao indivíduo de qualquer idade. Muitos mestres de capoeira são formados a cada ano e com eles surgem novas formas de se trabalhar a capoeira na sociedade. A capoeira que era antes um esporte de excluídos transforma-se numa ferramenta de inclusão social. Crianças, jovens, adultos e idosos juntam-se em rodas para cantar, pular e bater palma festivamente com a idéia de jogo limpo, não mais de guerra e conflito, mas com um intuito lúdico de promover o bem-estar e o pensamento coletivo, lembrando sempre da difícil trajetória da capoeira na história do Brasil. É empolgante ver trabalhos como esses da Capoterapia, que unem os conceitos da terapia de grupo com os movimentos e ritmos da capoeira, assim como os da Hidrocapoeira que unem a hidroginástica (um esporte nascido híbrido) com a capoeira. O rosto negro da capoeira não é mais visto por uma ótica malthusiana. A capoeira resurge cada vez mais como intrumento de identifidade nacional, mas sua territorialidade é difusa e tem o poder de transformar qualquer terreiro, quadra de esporte ou praça do mundo num pedaço do Brasil.
 
Quando venho de Luanda eu não venho só 2x
Trago o corpo cansado, coração amargurado, saudade de fazer dó
Quando venho de Luanda eu não venho só 2x
Fui preso à traição, trazido na covardia,
Que se fosse luta honesta de lá ninguém me trazia
Na pele eu trouxe a noite, na boca brilha o luar
E no corpo a capoeira presente dos Orixás
Quando venho de Luanda eu não venho só 2x
Trago ardendo nas costas o peso dessa maldade
Trago ecoando no peito um grito de liberdade
É grito de raça nobre, grito de raça guerreira
É o grito da raça negra, é o grito de capoeira!
Quando venho de Luanda eu não venho só 2x

 

http://geocities.yahoo.com.br/capoterapia2000/
http://geocities.yahoo.com.br/terapiadoabraco/
http://www.watsubrasil.com/hidrocapoeira.html
www.magnorocha.blogger.com.br

Escola de semba

Nas ruas de Luanda, os angolanos reaprendem sua cultura depois de 40 anos de guerra civil.
e redescobrem seus laços com o Brasil
 
 
 
 
texto e fotos: Ricardo Beliel, de Luanda
publicado: Edição 158


 
 
Os inúmeros mercados ao ar livre de Luanda, a capital angolana, há sempre um pequeno grupo de músicos cantando, em seus próprios dialetos, canções de terras distantes e esquecidas. Um desses músicos é o ex-soldado Tomás Dalakutola, que ficou cego após a explosão de uma granada num combate em Kalandula, no norte do país.
 
 
Feito a mão
Não é raro que músicos façam seus
instrumentos, como os tambores
ngoma
(acima), moldados a partir de troncos de
árvores, ou as marimbas (abaixo).


 
Ele seus amigos Joaquim Leovela e Pedro Salvador fugiram da guerra na província do Malanje para cantar as histórias de seu povo nas ruas da capital. As músicas são interpretadas por Tomás numa viola de três cordas, a kambanza, enquanto os outros dois ditam o ritmo com garrafas, zagaias e tambores ngoma. Longe dos fuzis e morteiros, os três dividem um pouco da esperança de resgatar a cultura popular oculta pela fumaça dos combates por décadas. Uma cultura que começa finalmente a ecoar na viola de Tomás e na bateria das "escolas de semba". Sim, semba, com "e" mesmo, o ritmo que ganha cada vez mais as ruas do Carnaval angolano e deixa à mostra os inegáveis laços desta terra com o Brasil.
 
O resgate da cultura angolana é um fenômeno em evidência. Como Tomás, muitos deixaram as agruras da guerra na província do Malanje para tentar a sorte na música pelas ruas da capital.
 
São quase sempre histórias dramáticas, como a do quarteto de adolescentes Tunjila Tuajokota, que faz sucesso nas transmissões da Rádio Nacional de Angola. Dois deles perderam a visão em conseqüência do sarampo contraído numa fuga pela savana que durou dois anos.
Adotados durante a guerra pelo diretor musical Dumay Missete, os garotos descobriram o sucesso, mas não perderam as raízes: o repertório no estilo diémbe só é executado depois de aprovado por um grupo de anciãs de uma comunidade de migrantes malanjinos na favela de Palanca.
Oficialmente terminada em 2002, a guerra civil angolana durou 40 anos, deixou 1 milhão de mortos e provocou danos, muitos deles irreversíveis, na diversidade cultural do país. Embora unidos pelo português, kikongos, kimbundus, umbundus, lunda côkwes, mbundas, nyaneka-humbis, helelos, ociwambos e khoisans falam cada um seu dialeto e mantêm tradições próprias. Para fugir da guerra, muitos desses grupos abandonaram suas terras ancestrais, mas não sem antes perder grande parte da população adulta nos combates. Por pouco, diversas manifestações centenárias da cultura oral não foram pelos ares numa explosão de minas.
 
Em Luanda, há sempre um pequeno grupo de músicos nos diversos mercados ao ar livre
 
Preocupado em salvar esse tesouro, um grupo de voluntários liderados por Amarildo da Conceição criou o Núcleo Nacional de Recolha e Pesquisa da Literatura Oral. Eles saem à procura dos mais velhos nas comunidades de refugiados caçando endas, contos, narrativas genealógicas, receitas medicinais e espirituais, danças, músicas e até mesmo poemas guardados há gerações. "Os depoimentos são colhidos a mão, sob o risco de perda de várias passagens desse sábio discurso", lamenta Amarildo. Embora não seja realizado um censo desde 1981, calcula-se que 60% dos 11 milhões de angolanos sejam analfabetos.
 
Os axiluandas, moradores da Ilha de
Luanda, vivem da pesca e cultivam
tradições como a festa de Kianda,
semelhante à nossa Iemanjá



 
 
 
No bairro Operário, o som do batuque anuncia
o ensaio do Grupo Experimental de Dança Tradicional Kilandukilo. Dançarinos e músicos deixam a casa branca de esquina e colocam uma grande marimba sobre um tapete de palha estendido no chão de terra e enchem as ruas com seus tambores ngoma. Sob as ordens de Maneco Vieira Dias, fundador e diretor do grupo, os dançarinos exibem a seus vizinhos as coreografias baseadas em tradições tribais. Aos poucos, platéia e dançarinos confundem-se numa grande festa. Por um momento a guerra é esquecida e são todos tomados por uma nostalgia única de suas origens. A saudade de um tempo em que viviam em paz nas florestas do Kwanza Norte e do Malanje ou nas savanas do Huambo e do Bié. Luanda é hoje uma cidade de imigrantes – só que são todos angolanos.
 
Na pronvíncia de Huila,
as mulheres pastoras
mumuilas indicam seu
status social pelo
número de colares
que ostentem



 

  
 
 
Luanda lembra a Salvador baiana. Tem também sua Cidade Baixa. Aqui, num velho sobrado construído pelos portugueses no século 19, reúne-se o mais antigo grupo de capoeira do país, o Abadá. Ao contrário do que possa parecer, a capoeira não nasceu em Angola. Foi trazida para cá pelo mestre brasileiro Camisa em 1996, quando fundou o grupo. Mas Cabuenha, Galo, Zinga, Catorze, Zindungo, Índio e Muxi, os decanos do Abadá, reconhecem na capoeira brasileira as influências de lutas seculares praticadas por seus ancestrais – como a ginga da bassula, da Ilha de Luanda, o jogo da kambangula e o n’golo, ambos de Benguela. O berimbau é idêntico ao que se toca no Brasil, embora por aqui eles o chamem de hungo.Samba, cafuné, canjica, capoeira, cuíca, farofa, fubá, ginga, jongo, quilombo e macumba são todas palavras que têm origem em Angola. Foram trazidas até nós nos porões dos navios negreiros, embarcadas com os escravos comprados no porto de Luanda há quatro séculos. Se mais de 5 mil quilômetros de Oceano Atlântico não conseguiram apagar a vigorosa e mágica influência da cultura bantu dos angolanos em nosso país, 40 anos de guerra civil também não puderam exterminar uma diversidade de manifestações culturais que na Angola de hoje continuam quase idênticas às da época em que navegaram os mares da escravidão.
Poemas, cantigas e lendas estão sendo gravados e anotados por voluntários na tentativa de manter viva a cultura
 
É também na Baixa que acontece o Carnaval de Luanda. Durante três dias, diversos grupos desfilam ao longo da Avenida Marginal, ladeada por um belo casario colonial. O ritmo preferido é o semba – que, como o nome propõe, é a origem do nosso samba. Há quem já sugira o nome de "escola de semba" a essas agremiações, embora o Carnaval angolano seja na verdade regado a uma verdadeira democracia de ritmos: kabetula, kazukuta, ndimba, varina, cidrália, dizamba e, é claro, o semba. Grupos como o Unidos do Caxinde, a União Operária Kabocomeu e a União Mundo da Ilha chegam a desfilar com mais de mil integrantes, acompanhados por uma pequena bateria composta por tambores, dikanza (reco-recos), cornetas, bumbos de lata, chocalhos e puítas (cuícas).
Os primeiros registros do Carnaval angolano datam de 1857, segundo um boletim oficial do Governo Geral. O documento chamava a atenção para a festa popular dos kimbundus que ocorria em Luanda e nas cidades de Cabina, Malanje, Benguela e Lobito. Por influência dos portugueses, os personagens principais da festa são reis, rainhas, princesas, condes, vice-condes e comandantes. Todos negros e com o semba no pé. As mulheres que dançam vestidas com panos multicoloridos são, em geral, peixeiras da Ilha de Luanda ou das comunidades de Samba Grande e Corimba ou quitandeiras dos bairros de Sambizanga e Kilamba Kiaxi. Mas há também mulheres no meio da bateria. Uma delas é Luciana Pedro, do União 54, que começou a tocar com a mãe na década de 40. Ela diz sentir-se satisfeita entre os homens. "Sem o som da banheira (uma espécie de bacia) que toco, eles não conseguem extrair bem a batida do batuque, porque a banheira serve para dar ritmo ao semba."
Passados os sangrentos anos de guerra civil, o Carnaval de Luanda ganha sabor de festa e se reaproxima cada vez mais da alegria dos carnavais de Salvador ou do Rio. Enquanto redescobrem o prazer de festejar, os angolanos também restauram os laços históricos com o Brasil. Lampejos de memória já surgem no país inteiro. Na Ilha de Luanda, 50 mil pescadores homenageiam em setembro as yanda, as sereias do mar, num culto que lembra muito a festa de Iemanjá. 
 
No passado, Angola influenciou a cultura e a língua no Brasil; hoje importa a capoeira e o amor pela música
 
 
Os reis e rainhas dos
grupos carnavalescos
remontam aos tempos
da colônia



 
 
 
 
 
No Arquivo Nacional estão guardados os registros de venda de escravos para o Brasil, com nomes que podem dar pistas da árvores genealógica de muitas famílias brasileiras. Na Baía do Mussulo fica o misterioso Museu da Escravatura, no mesmo lugar onde por três séculos levas de cativos eram vendidos e embarcados em navios negreiros rumo ao outro lado do Atlântico. Os músicos cegos do Malanje talvez nunca tenham lido as palavras do escritor angolano José Eduardo Angalusa. Mas certamente eles concordariam com o trecho em que ele afirma: "O passado é como o mar; nunca sossega".
 
 
Museu da Escravatura onde funcionou o
mercado de escravos que iam para o
Brasil