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O menino que virou mestre de capoeira Pastinha

O menino que virou mestre de capoeira Pastinha

O livro, escrito por um jornalista, narra a história de mestre Pastinha (1889-1981), contextualizando-a no interior do contexto histórico da época. Fartamente ilustrado, além do texto escrito, o cenário do período também é reconstituído por meio de belas e elucidativas ilustrações.

A narrativa é lúdica, de fácil compreensão e muito fiel à biografia de Pastinha, como, por exemplo, quando descreve como o negro alforriado africano Benedito lhe ensinou a capoeira, o que mudaria para sempre a vida do menino Pastinha. Ele aprendeu que “na capoeira, a surpresa é um fundamento”. (p.16)

Ao final da obra, há o texto “A capoeira Angola”, aliás bastante didático, onde são mostrados os principais fundamentos da capoeira Angola, quais sejam: a ginga, a bateria de instrumentos, a importância do berimbau e sua origem, o ritual da roda, bem como os golpes e contragolpes.

Por fim, são apresentados os principais golpes desse jogo/luta/dança, como, por exemplo, a cabeçada e o rabo de arraia.

Como dizia mestre Pastinha: “Capoeirista é mesmo muito disfarçado, contra a força só isso mesmo”.

 

 

Barreto, José de Jesus. O menino que virou mestre de capoeira Pastinha; Cau Gomez, ilustrações. Salvador, BA: Solisluna Design Editora, 2011.

 

Por Letícia Vidor de Sousa Reis

 

Livro “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira”

Livro do jornalista José Barreto sobre Pastinha é um dos finalistas do Prêmio Jabuti e resgata a história da iniciação de Vicente Perreira Pastinha na arte da capoeira.

Salvador – O livro “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira” é um dos finalistas do 54º Prêmio Jabuti, na categoria infantil. Escrito pelo jornalista baiano José de Jesus Barreto, ilustrado pelo artista plástico Cau Gomez (mineiro radicado na Bahia) e editado pela Solisluna Editora – sediada em Lauro de Freitas – o livro resgata a história da iniciação de Vicente Perreira Pastinha na arte da capoeira. Nascido no Pelourinho, o menino aprendeu a jogar com o negro banto e ex-escravo Benedito e tornou-se o criador da Capoeira Angola da Bahia.

A lista de finalistas foi divulgada ontem à noite (20) e inclui nomes consagrados como Ziraldo, criador de “O menino maluquinho”, o contista Ignácio de Loyola Brandão e o poeta e cronista Fabrício Carpinejar. Em 2010, uma obra publicada pela Solisluna Editora ficou em terceiro lugar na categoria projeto gráfico do Prêmio Jabuti, com o livro “Rico Lins: uma gráfica de fronteira”, de Rico Lins.

 

O vencedor do 54º Prêmio Jabuti deve ser divulgado no dia 18 de outubro e a lista completa dos finalistas pode ser conferida no site da premiação: http://www.premiojabuti.com.br/resultado-fase1-2012

 

Pastinha foi lançado em fevereiro deste ano em Salvador e nos últimos meses foi apresentado na III Feira do Livro Infantil de Fortaleza e na V Feira Literária de Porto Seguro. A obra é o 11º título do catálogo infantojuvenil da Solisluna Editora, que tem 27 livros publicados. História, cultura afro-brasileira, não ficção, arte visual e poesia estão entre os temas mais recorrentes no catálogo geral da editora.

 

A história narrada em “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira” foi baseada em uma entrevista do capoeirista, datada de 1967. A partir desse material, o jornalista e escritor José de Jesus Barreto reconta essa trajetória, juntamente com os desenhos do artista gráfico Cau Gomez, que dão ao livro um toque de obra de arte.

 

http://www.jornaldamidia.com.br

Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira

História do capoeirista Mestre Pastinha ganha livro ilustrado

A vida e ginga de um jovem mulato que vivia nas ruas do Pelourinho, no Centro histórico de Salvador, é tema do livro “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira”, de José de Jesus Barreto e Cau Gómez, com edição da Solisluna Editora, que será lançado amanhã, às 18 horas, na Livraria Cultura no Salvador Shopping.

Era uma vez … um menino mulatinho, esperto e miúdo nascido no Pelô que, depois de muito brincar e brigar na rua, tornou-se o maior de todos os mestres da Capoeira Angola da Bahia. O nome desse menino virou lenda, mundo afora, mas a história de Mestre pastinha é real e está contada, tim-tim por tim-tim neste livro de José de Jesus Barreto e Cau Gomez com edição cuidadosa da Solisluna Editora e que será lançado dia 27 de janeiro às 18 horas na Livraria Cultura no Salvador Shopping.

O livro “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira” conta, em letras e desenhos, a história verdadeira de como o mirrado menino Vicente Ferreira Pastinha, nascido na Rua do Tijolo, Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, no ano de 1889, aprendeu o jogo da capoeira, ainda guri, tornando-se, de meados do século XX em diante, o criador e maior de todos os mestres da Capoeira Angola da Bahia, uma arte que ganhou o mundo. A história da iniciação do menino, através dos ensinamentos do negro banto e ex-escravo chamado Benedito, foi contada pelo próprio Pastinha, numa entrevista datada de 1967, e é recontada no texto do jornalista e escrevinhador José de Jesus Barreto e também através dos desenhos do artista gráfico Cau Gomez, ilustrações que dão ao livro um toque de obra de arte, um encantamento a mais para os olhos de crianças, jovens e adultos.

Com 32 páginas ilustradas em cores e duas fotos do Mestre Pastinha feitas por Zélia Gattai na primeira metade dos anos 1960, o livro “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira” editado pela Solisluna Editora, com edição, design e projeto gráfico de Valéria Pergentino, Enéas Guerra e Elaine Quirelli. Impresso em papel couché pela Gráfica Santa Marta.

  • SERVIÇO

LANÇAMENTOS DO LIVRO “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira” Autores: José de Jesus Barreto e Cau Gomez Solisluna Editora QUANDO: Dia 27 de janeiro, às 18 horas ONDE: Livraria Cultura do Salvador Shopping PREÇO: R$35,00 
+ CONTATOS (outras informações e entrevistas): Solisluna Design Editora: 71 3379.6691 – 9964.4817 valeria@solislunadesign.com.br José de Jesus Barreto: 71 3378.7703 – 9911.4654 zedejesusbarreto@uol.com.br Cau Gomez: 71 3240.4079 – 8898.4079 caugomez@uol.com.br 
Mandinga

Além da história da iniciação e das pernadas de Pastinha pelas ruas da cidade, o livro toca nos ensinamentos do Mestre: o significado da capoeira Angola, a importância do berimbau na roda do jogo e da ginga na arte da vida, além de mostrar os principais golpes da luta que também é dança, jogo, reza, manha, vadiação e arte… “é mandinga de escravo em ânsia de liberdade”, como bem ensinou o mestre. 
A idéia de fazer um livro para crianças e jovens sobre a figura de Pastinha, um mito, uma lenda baiana, surgiu com a da obra intitulada “Pastinha, O grande mestre da Capoeira Angola” , escrita pelos jornalistas José de Jesus Barreto e Otto Freitas. “Vimos que a história era curiosa, encantadora e se encaixaria muito bem em nossa proposta editorial de publicar livros para crianças e jovens que também agradam os adultos. Então, convidamos José de Jesus Barreto, autor de outros títulos de nossa editora, para essa parceria, sugerindo a elaboração de um novo texto apropriado, mais enxuto, numa linguagem voltada a esse público leitor que muito nos interessa; e o resultado nos agradou bastante”, conta a editora Valéria Pergentino, diretora da Solisluna.

Seu companheiro, que é também diretor da Solisluna, o editor, designer e artista gráfico Enéas Guerra, então de acordo com o autor do texto, convidou o premiado Cau Gomez para criar as ilustrações fundamentadas no escrito. “Os desenhos em cores de Cau são lindos, têm uma luz própria que dá um clima, um movimento e ambientam a história no tempo e no espaço em que tudo aconteceu, o centro antigo da cidade de Salvador numa determinada época de sua história, os sobrados e as ruas do Pelourinho, sua gente…”, comenta Enéas.

“Pastinha é um naco simbólico de uma certa Bahia cantada por Caymmi, descrita por Jorge Amado, desenhada por Carybé… O mestre de capoeira, que era ainda um filósofo, um educador, um pensador popular de grande talento, ajudou também a construir com sua arte o mito da baianidade, escreveu um instigante capítulo da história de nossa gente mestiça” reflete o autor do texto, que conheceu Pastinha já bem idoso, na sua “academia” de Capoeira Angola, no Largo do Pelourinho, integrado à paisagem urbana de então.

O artista gráfico Cau Gomez ficou feliz com o resultado do trabalho: “É a história fantástica de um guerreiro do povo, um genuíno homem baiano, que com ritmo e mandinga, ensinou a arte da luta de resistência. Tentei passar isso com meu traço.”

“Pastinha – O menino que virou Mestre da Capoeira” é um livro de arte para crianças e jovens, que pode ser visto e lido com prazer, também, por meninos e meninas de todas as idades, mesmo crescidos, já adultos. Um trabalho educativo e coletivo, criado e realizado em harmonia plena: idéias, fotos, desenhos, cores, textos… Um regalo, digno das artes, manhas e sabedorias do pequenino e grandioso Mestre Pastinha, um símbolo da Bahia.

Nota de Falecimento: Mestre João Pequeno de Pastinha

MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA

Morreu, nesta Sexta feira (09/12/11), o Mestre João Pequeno, conhecido por seu trabalho na capoeira, um Mestre conceituado. Um Baluarte da Capoeira Angola.

Velório: 08:00hs da manhã

O enterro será realizado no cemitério parque bosque da paz as 16:00hs na av. aliomar baleeiro, nº 7370 (estrada velha do aeroporto) nova brasília 2201-4222

www.bosquedapaz.com.br/localização.cfm

O mestre nos deixa a lembrança da importância de se valorizar e se reconhecer os constituintes da nossa cultura popular enquanto vivos.

Mestre Pelé da Bomba

 

PRESTES A COMPLETAR 94 ANOS, UM DOS MAIORES ÍCONES DA CAPOEIRA PARTIU DEIXANDO-NOS MUITOS ENSINAMENTOS… MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA ERA SEM DUVIDA UM DOS SERES HUMANOS MAIS SÁBIOS E HUMILDES QUE ALGUMA VEZ CONHECI.

DONO DE UMA HERANÇA CULTURAL SEM IGUAL E DE UM AMOR INCONDICIONAL PELA NOSSA CULTURA O ÍMPAR CAPOEIRISTA IRÁ FICAR IMORTALIZADO PELA SUA OBRA, ENSINAMENTOS E POR TODA SUA ÁRDUA E RICA CAMINHADA…

Nós do Portal Capoeira, estamos profundamente sentidos e sensibilizados por este trágico acontecimento e gostaríamos de deixar toda nossa força e coragem para a “Grande Família PEQUENO”. Um abraço especial muito apertado e repleto de sentimentos para a amiga e parceira Nani de João Pequeno, neta e aluna deste baluarte da nossa cultura.

Fica nossa homenagem…. Segue a Cronica publicada em dezembro de 2009 de autoria de nosso querido Pedrão, que com certeza hoje se encontra muito triste…. Pedro Abib, que vive na bahia há muitos anos, era um “membro especial da família PEQUENO, além de aluno do Grande MESTRE.

 

Um Menino de 92 Anos

 

No último dia 27 de Dezembro um menino ficou mais velho. Esse menino que ainda insiste em se balançar quando ouve um pandeiro ou um berimbau, seja no passo miudinho do samba que aprendeu lá no Recôncavo, ou seja na ginga malandra que aprendeu com seu Pastinha, acabou de completar 92 anos.

João Pereira dos Santos é o nome que recebeu por batismo. João Pequeno de Pastinha é o nome pelo qual é conhecido nos quatro cantos do mundo. Esse menino não é fácil mesmo não. Teimoso como ninguém, ainda insiste em jogar capoeira com a mesma malícia de sempre, enchendo os olhos de quem tem o privilégio de compartilhar esses momentos mágicos junto a ele.

mestre João Pequeno nasceu no município de Araci, no semi-árido baiano, mas ainda menino mudou-se com a família para Mata de São João, no Recôncavo, lugar sagrado de muitas histórias e façanhas de memoráveis capoeiras. Foi lá que o menino João teve o primeiro contato com a capoeira, através de Juvêncio, que era companheiro do lendário Besouro Mangangá, segundo nos conta o próprio João Pequeno. Em Mata de São João ele foi vaqueiro, agricultor e carvoeiro. Há alguns anos, quando fomos acompanhá-lo a uma visita a Mata de S. João, ainda ouvíamos pelas ruas algumas pessoas cumprimentá-lo, chamando-o pelo apelido pelo qual era conhecido na época: João Carvão.

Mais tarde, mudou-se para Salvador onde trabalhou durante um bom tempo como ajudante de pedreiro. Costumava vadiar em algumas rodas conhecidas da cidade como a do Chame-Chame, organizada por Cobrinha Verde ou a do Largo Dois de Julho. E foi numa dessas vadiagens pelo Largo Dois de Julho que João teve o encontro que marcou a sua vida: conheceu Vicente Ferreira Pastinha, o mestrePastinha. 

João nos conta que nesse dia, Pastinha convidou-o para participar da roda organizada por ele, que ficava no local conhecido por “Bigode”. Na semana seguinte lá estava João no “Bigode” e dali pra frente, nunca mais deixou a companhia do “seu” Pastinha, como João até hoje se refere ao seu mestre. Tornou-se então o principal trenel do Centro Esportivo de capoeira Angola, o CECA, que depois passou a funcionar na Gengibirra e posteriormente mudou-se para o Pelourinho.

E esse menino de 92 anos de idade continua ainda, com toda generosidade e simplicidade, transmitindo seus ensinamentos para quem se disponha a vê-lo jogando, a ouví-lo cantando ou contando histórias, ou simplesmente a observá-lo sentado na sua cadeira entalhada na madeira, de onde ainda comanda as rodas de sua academia, lá no antigo Forte Santo Antonio. Esse menino não tem jeito mesmo, se recusa a ficar velho…graças a Deus !!!

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Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

 

 

 

Menino Joel vai ganhar filme sobre sua vida

O pequeno capoerista, que morreu dentro de casa por bala perdida, ficou conhecido como garoto-propaganda em uma campanha do Governo do Estado

Lembra do pequeno Joel, que sonhava em ser mestre de capoeira assim como seu pai e morreu, aos 10 anos, dentro do próprio quarto, com duas balas perdidas, possivelmente vindas da polícia militar, no Nordeste de Amaralina? A história comovente deste baianinho, que fez o Brasil chorar com sua morte, vai virar o filme ‘Menino Joel’, assinado pelo cineasta Max Gaggino. No documentário, estão depoimentos do seu irmão e da mãe. 

“Um dia antes de falecer, ele acordou dizendo pra meu pai que ia estudar e que ia juntar a família dele e ia tirar daqui, porque aqui não tava dando pra viver mais; ele não queria crescer vendo o cotidiano da forma que estava sendo levado”, revela o irmão do garoto no filme.

Em um post na página oficial da produtora MaxFilmes, o diretor resume: “Gravação do documentário do Menino Joel…esperamos que seja algo revolucionário!”

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Mestre Camisa recebe título de Doutor Honoris Causa

A Universidade Federal de Uberlândia entregou , em 5 de maio de 2011, o diploma de DOUTOR HONORIS CAUSA a José Tadeu Carneiro Cardoso, o Mestre Camisa.

Para homenagear meu mestre e registrar seu reconhecimento como DOUTOR também pelos poetas populares da LITERATURA DE CORDEL, escrevi este pequeno poema intitulado “NA ARTE DA CAPOEIRA MESTRE CAMISA É DOUTOR”

 

NA ARTE DA CAPOEIRA MESTRE CAMISA É DOUTOR
Autor: Victor Alvim (Lobisomem)

Nesse mundo em que vivemos
É difícil imaginar
Por mais que nos esforcemos
É impossível vislumbrar
As surpresas que Deus guarda
Pro futuro revelar

Na década de 50
No interior da Bahia
O povo de Jacobina
Jamais imaginaria
O destino de mais uma
Criança que ali nascia

Dona Edésia sua mãe
Também não imaginava
O futuro de seu filho
Que no ventre carregava
E os caminhos que o destino
Para ele reservava

Nem tampouco seu Lindolfo
Seu pai podia prever
As estradas que seu filho
Viria a percorrer
E a bela história de vida
Que ele iria escrever

Nem Mari-inha a parteira
Não tinha a real noção
Da responsabilidade
E da divina missão
Que ajudava a vir ao mundo
Tão importante varão

Igualmente não sabia
E jamais faria tino
O próprio José Tadeu
Qual seria o seu destino
Pois brincar era a única
Preocupação do menino

Mas brincar é coisa séria
Foi assim na brincadeira
Que o menino Tadeu
Conheceu a capoeira
Dando seus primeiros passos
Pra uma caminhada inteira

Seu irmão Camisa Roxa
Que muito lhe ensinou
Duvido que àquele tempo
Sequer ele imaginou
Que o seu irmão mais novo
Chegaria onde chegou

E nem mesmo o Doutor Bimba
Como todo o seu reinado
Não acredito que ao menos
Houvesse desconfiado
Que aquele aluno menino
Herdasse seu doutorado

Mas a capoeira foi
Uma espécie de semente
Plantada no coração
De uma criança inocente
Encontrando solo fértil
E brotando lentamente

O menino foi crescendo
O tempo ia passando
Junto dele também ia
Sempre lhe acompanhando
O amor a capoeira
Cada vez mais aumentando

Todo tempo que podia
Estava em treinamento
A arte da capoeira
Carregava em sentimento
Pra onde quer que ele fosse
A levava em pensamento

Na fazenda, na escola
E nas horas de lazer
Quanto mais ele aprendia
Mais queria aprender
E os mestres desta arte
Gostava de conhecer

Deus então o colocou
Nas mãos de um professor
Muito mais que especial
Mais que mestre, um doutor
Manoel dos Reis Machado
Seu guia orientador

E a semente capoeira
Plantada no coração
Daquele jovem baiano
Recebeu a proteção
Regada por Mestre Bimba
Junto a sua plantação

Com sol quente ou chuva forte
Brisa mansa ou ventania
Tudo é vontade divina
Como o vento que um dia
Levou o mestre e o menino
Para longe da Bahia
No vestibular da vida

Passou com pouca idade
Agora o mundo seria
Sua universidade
Calouro inexperiente
Novato na faculdade
Estudante dedicado

Muito atento as lições
No trote do preconceito
Passou por humilhações
Sempre de cabeça erguida
Buscou suas soluções

Convivendo entre estudantes
De áreas convencionais
Medicina, arquitetura
E ciências sociais
Entre outras respeitadas
Carreiras profissionais

Foi cercado por pessoas
Com curso superior
Estudava a capoeira
Por ela tinha amor
E decidiu: – Nesta arte
Um dia vou ser doutor!

E em todas as matérias
Gostava de estudar
A história da capoeira
Muitas formas de treinar
Sua musicalidade
Compor, tocar e cantar

Aprendeu a ensinar
E criou seu próprio jeito
Convivendo entre os bambas
Foi tratado com respeito
Procurando agir certo
E fazer tudo bem feito

E o aluno se tornou
Um professor dedicado
Continuou estudando
Sem ficar acomodado
Tornando-se um grande mestre
Cada vez mais respeitado

E o Mestre Camisa hoje
É uma árvore sagrada
Com sua raiz bem forte
Por toda a Terra espalhada
Sua madeira é de lei
Sua sombra abençoada

Que tem galhos muito fortes
E dá frutos aos milhões
Suas folhas se renovam
Por diversas gerações
Suas flores mais bonitas
Se eternizam em canções

Semente que Deus criou
Ele eternizará
O Jardineiro Sagrado
Da árvore cuidará
Na história da capoeira
Meu mestre é um baobá

Em mais de quarenta anos
Estudando sem parar
Todo tempo a enfrentar
Os preconceitos tiranos
Sofrendo com desenganos
Resistindo com vigor
Com fé, trabalho e amor
À cultura brasileira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Viajando o mundo inteiro
Divulgando a nossa arte
Ensinando em toda parte
Do Brasil e do estrangeiro
É um orgulho brasileiro
Exaltando o valor
Desse povo sofredor
Honrando a nossa bandeira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Muitos mestres e doutores
De várias modalidades
Grandes universidades
Solicitam-lhe favores
Enaltecem seus valores
Tratando lhe com louvor
Elogiam seu labor
Por nossa Terra inteira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Luiz Gonzaga no baião
No choro foi Pixinguinha
No Candomblé Menininha
No cangaço Lampião
Zumbi contra a escravidão
Pelé como jogador
Tiradentes foi senhor
Da inconfidência mineira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Gandhi na sabedoria
Garrincha foi no driblar
Jesus Cristo em perdoar
Castro Alves na poesia
Freud em psicologia
Deus é como o Criador
Grande Otelo como ator
Cartola foi da Mangueira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

As forças da natureza
Doutoras em perfeição
O mar em imensidão
As florestas em beleza
O céu doutor em grandeza
Em sutileza é a flor
Sol e fogo em calor
Em água é a cachoeira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Rio de Janeiro, 05 de maio de 2011
Autor: Victor Alvim (Lobisomem)

1º Campeonato Aberto de Capoeira no Rio Grande

Nos dias 22 e 23 de janeiro, acontece, na Praia do Cassino, o 1º Campeonato Aberto de Capoeira no Rio Grande.

O evento envolve oito categorias. Entre elas estão pré-mirim, mirim, infantil, juvenil iniciante, aluno avançado, graduado, instrutores e professores. As duas últimas categorias terão, além de troféu e medalhas, premiação em dinheiro para os primeiros colocados.

O campeonato é organizado por Diego da Silva Pereira (Graduado Pipoca), do Grupo de Capoeira Liberdade da Cidade do Rio Grande, criador da URCAP – União Riograndina de Capoeira e atual presidente da Superliga Riograndina de Capoeira. Diego também é idealizador do Projeto Menino Mandingueiro, criado em janeiro de 2010, que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, em bairros da periferia.

O projeto acontece todas as terças e quintas, na Associação do bairro Getúlio Vargas, das 18h às 20h, e as quartas-feiras, no Ginásio da Igreja da Barra, das 19h às 20h. A organização convida todos os capoeiristas e simpatizantes a participar desse campeonato.

 

Fonte: http://www.jornalagora.com.br/

Pequeno capoeirista de Torres é exemplo de superação

Menino de 11 anos se esforça para vencer dificuldades impostas por doença

As palmas batem enquanto o pandeiro e o berimbau tocam. João Gabriel Schultz crava as mãos ao chão e com um misto de força e concentração joga as pernas para o ar. O menino de 11 anos surpreende a roda de capoeira com mais um movimento próximo da perfeição. Ele volta a “ficar de pé”, engatinha para as bordas da roda e observa os colegas naquela que é uma das aulas em que mais gosta.

A cena descrita poderia ser costumeira entre as tantas escolas de Torres em que é possível praticar capoeira como atividade complementar. Para João Gabriel, fazer parte desta rotina faz com que a palavra “costumeira” ganhe outro significado. Ele sofre de uma doença chamada artrogripose. Nasceu assim. O atrofiamento dos membros inferiores se deu quando o cordão umbilical enrolou-se em seus calcanhares e impediu o desenvolvimento das pernas durante a gestação.

— Ele acabou nascendo de cesária. Dificultou demais o parto. No pré-natal os médicos não viram nada, estava com peso bom, com tudo certinho — explica a mãe, Sônia Souza.

João Gabriel nasceu com 3,220 quilos e 49 centímetros em 23 de novembro de 1999. Passou três dias no hospital sem que os médicos conseguissem diagnosticar que tipo de doença fazia com que os dois pés ficassem dobrados para dentro. A mãe conta que passaram a entender o problema dele apenas um mês e 15 dias depois do nascimento.

— Tenho de correr a Porto Alegre porque o médico não conhece o problema dele.

João Gabriel usa as mãos para se locomover. Engatinha com desenvoltura pelos corredores da Escola Estadual de Ensino Fundamental Manoel João Machado. Isso quando não está ziguezagueando pelos colegas dirigindo seu triciclo – adaptado para os pedais serem usados com as mãos. Normalmente, chama atenção dos pais dos colegas e acaba ganhando a simpatia dos adultos. É o caso de Amilton Teixeira. Pai de uma menina que também estuda na Manoel João Machado, ele se encantou pelo guri ao vê-lo passar voando com o triciclo em uma noite de poesias. Acabou virando uma espécie de “padrinho” de João Gabriel. Teixeira e alguns amigos se juntaram e deram ao menino um computador, uma mesinha e uma cadeira. Ainda falta o triciclo novo que já mandaram encomendar.

— Eu vi aquele menininho abaixado. Depois descobri que ele não conseguia andar. Ele é cativante, um exemplo de vida. Me emociono de ver a perseverança dele. Acho que me ajudou mais do que estou ajudando ele — revela Teixeira.

Em dezembro, dois acontecimentos serão decisivos para João Gabriel. Colorado fanático, ficará de olho no Mundial de Clubes em Abu Dhabi, de camisa do inter e bandeira na mão. No final do mês, dia 22, terá uma consulta no Hospital São Lucas da PUCRS para definir como poderá ser feita a “remodelagem” das pernas. Como já foram feitas duas cirurgias nos pés, a única chance de ele vir a andar seria a colocação de um fixador na lateral dos membros inferiores. A mãe já faz contas: o aparelho custa entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.

— O médico não garantiu e falou até na possibilidade de amputar, porque o problema é a canela e o pé. Se der certo em uma das perninhas, fazemos a outra, se não, temos de ver — projeta Sônia.

 

Alexandre Ernst | alexandre.ernst@zerohora.com.brhttp://zerohora.clicrbs.com.br/

Projeto Ginga Menino, do Grupo Capoeira Aliance, obtém títulos

O Projeto Ginga Menino, do Grupo Capoeira Aliance, é uma iniciativa social que vem gerando proveitosos frutos a partir do trabalho realizado pelo mestrando Binha. O movimento leva a arte da capoeira para diversos bairros de Maringá e cidades da região, contando com mais de 250 participantes.

E a iniciativa já se reflete nos resultados que componentes têm conseguido nas competições no Estado e até nacionais, apesar das dificuldades com a ausência de patrocínios.

No mês de setembro, por exemplo, os alunos conseguiram 23 vagas para disputar, em Araras, São Paulo, a segunda edição do Word Champions de Capoeira (Jogos Mundiais).

Mas a falta de recursos permitiu que apenas quatro componentes viajassem para o evento. Duas honrosas posições foram conquistas. Jonathan Henrique Resende Botelho da Silva foi quarto colocado na categoria 14 a 16 anos e o mestrando Binha obteve o vice-título entre os profissionais.

No início deste mês, o Grupo Capoeira Aliance, através do Projeto Ginga Menino, se destacou no Festival Nacional de Capoeira, em Paranavaí. Onze títulos foram conquistados pelos alunos com idades entre 4 e 15 anos.

Nicolly da Silva (4 a 6 anos) e Guilherme Rodrigues (13 a 15) ficaram com o primeiro lugar no pódio em suas respectivas categorias; Marcelo Pancieira (10 a 12 anos), Tathiane Zambeli ((11 a 13 anos), Maicon Pancieira (13 a 15 anos) e Joaquim Vinicius (graduados) voltaram com vice-títulos; a terceira posição foi conquistada por Victoria Neves (11 a 13 anos), Douglas Frantiesco (graduados), Rosiane Lugao (amadora feminina) e mestrando Binha (profissional). Resultados que, no geral, deram aos maringaenses a segunda posição entre todas as equipes. O objetivo do grupo agora é conseguir apoio para disputar o Brasileirão de Capoeira, evento que terá a cidade de São Paulo como sede no mês de dezembro.

 

O Diário do Norte do Paraná – http://www.odiario.com

Pastinha: Filosofia e Poesia

Em homenagem à Vicente Ferreira Pastinha, o Portal Capoeira exalta o Mestre, propondo a toda comunidade capoeirística o “VIVA  PASTINHA”.

Um mês dedicado a Vida e Obra deste Grande Homem e Mestre de Capoeira.
Dia 05 de Abril, Mestre Pastinha iria completar 121 anos, se estivesse “fisicamente vivo”…

Deixo-vos com a excelente crônica do Grande Amigo e Colaborador do Portal, Pedro Abib.

Luciano Milani

PASTINHA: FILOSOFIA E POESIA

A história do Brasil é recheada de fatos e personagens surpreendentes. Alguns desses impressionam pela força de sua personalidade, pela dimensão de seus atos, pela sabedoria de suas palavras e pela importância de seu legado.

Estou falando de Vicente Ferreira Pastinha – o Mestre Pastinha. Mulato franzino, filho de um comerciante espanhol e uma negra vendedora de acarajé, tornou-se um dos símbolos mais importantes não só da capoeira, mas de toda cultura afro-brasileira.

Nascido no dia 5 de abril de 1889 em Salvador, Pastinha conta que aprendeu capoeira ainda menino, com um ex-escravo chamado Benedito, que frequentemente via Pastinha apanhando de um menino mais velho, na rua, em frente à sua casa. O velho escravo então chamou o menino Pastinha e disse que ia lhe ensinar uma coisa, e que ele nunca mais ia apanhar desse menino. Foi assim que Pastinha se iniciou nas artes da capoeiragem.

Aos 12 anos, Pastinha entrou para a Marinha e chegou a ensinar capoeira por lá. Depois disso, mesmo trabalhando em diversas profissões como engraxate, vendedor de jornal e na construção civil, o seu envolvimento com a capoeira não diminuía. Porém, Pastinha ficou sumido por um bom tempo, cerca de 20 anos, e desse período não se tem nenhuma notícia sobre ele. Ele só reaparece já no início dos anos 40, quando então é apresentado ao guarda civil Amorzinho, e assume o Centro Esportivo de Capoeira Angola, que o tornou famoso. Foi lá que ele construiu os alicerces que serviram de base para a constituição da capoeira angola nos moldes que conhecemos nos dias de hoje.

Pastinha assumiu um papel de destaque na capoeira por possuir uma grande capacidade de liderança e, sobretudo, por conseguir elaborar toda uma filosofia em torno dessa manifestação, que foi capaz de elevar a capoeira do lugar de onde se encontrava – a marginalidade e a contravenção – para tornar-se um dos mais importantes símbolos da cultura nacional. Os seus manuscritos, organizados com muito carinho pelo mestre Decânio e posteriormente publicados, são um legado para as futuras gerações e constituem-se como um verdadeiro tratado de filosofia humanista, além do seu caráter profundamente poético.

A capoeira espalhou-se pelos quatro cantos do planeta, e mestre Pastinha é reconhecido no mundo inteiro por ter sido um dos nomes mais importantes na luta pela preservação de uma cultura que foi historicamente perseguida e violentada, mas que hoje goza de um enorme prestígio, onde quer que um berimbau soe seus acordes. Devemos isso a ele. Salve Mestre Pastinha – o Guardião da Capoeira Angola !!!

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.