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Tambor de Crioula e Grupo Gualajo animam o aniversário da Palmares

Músicos do Maranhão e da Colômbia encontram-se para celebrar a FCP

Hoje, quarta-feira, 19/08, a partir das 18h, a apresentação de Tambor de Crioula, grupo vindo do Estado do Maranhão, e do Gualajo, da Colômbia, abrilhantam a festa dos 21 anos da Fundação Cultural Palmares.

Manifestação cultural de raiz africana, o Tambor de Crioula é uma das mais fortes expressões culturais afro no Brasil. Praticada principalmente no Maranhão desde a época da escravidão, a manifestação foi inscrita pelo IPHAN como patrimônio imaterial da cultura brasileira, em novembro de 2007. Salvaguardar o Tambor de Crioula faz parte do projeto do governo federal de reconhecimento das formas de expressão que compõem o amplo e diversificado legado das tradições culturais de matriz africana no país.

Considerada uma das mais belas expressões culturais da dança dos descendentes de escravos, o Tambor de Crioula envolve dança circular, canto e percussão de três tambores e tem como seu santo padroeiro São Benedito – protetor dos negros.

Os tocadores e cantadores são conduzidos pelo ritmo dos tambores e das toadas, acompanhados da punga (ou umbigada): movimento coreográfico no qual as dançarinas, num gesto entendido como saudação e convite, tocam o ventre umas das outras. Cada cântico se inicia com um solista que canta toadas de improviso ou conhecidas, repetidas ou respondidas pelo coro, composto por homens que se substituem nos toques e por mulheres dançantes. Os cânticos possuem temas líricos relacionados ao trabalho, devoção, apresentação, desafio, recordações amorosas e outros. Para saber mais, só vindo até a sede da Fundação Cultural Palmares e assistir de perto a tradição do Tambor de Crioula.

O Grupo Gualajo traz da Colômbia ritmos da marimba.A marimba é um instrumento musical criado há séculos por tribos africanas e é fonte de inspiração de instrumentos de teclado, como o piano, o acordeon e o vibrafone.

O maestro José Antônio Torres Gualajo dedica-se à marimba há mais de 50 anos, estudando os mais variados ritmos que o instrumento pode ecoar. Conta a lenda, que ao nascer, a parteira de José Gualajo colocou-o em cima de uma marimba para cortar o cordão umbilical. Assim, ao ouvir a ressonância do instrumento logo ao nascer, somado à herança musical que seus pais lhe proporcionaram, Gualajo predestinou-se a ser um guardião da preservação de Marimba e de todos os ritmos que ela pode ressoar, como: currulos, aguabajos; jugas; andareles. Além de tocar, o maestro tornou-se um mestre no ofício de construir cada um dos componentes que constituem a marimba.

A iniciativa de trazer o grupo colombiano ao Brasil foi do Programa Regional de Apoio às Populações Rurais de Ascendência Africana da América Latina – ACUA.


Assessoria de Comunicação
Inês Ulhôa – assessora de imprensa (9966-8898) ines.ulhoa@palmares.gov.br
Jacqueline Freitas
Marcus Bennett
Telefones: (61) 3424-0164/ 0165/ 0166
www.palmares.gov.br

Teatro: Besouro Cordão de Ouro em Vila Velha

BESOURO CORDÃO DE OURO NO TEATRO VILA VELHA

Av. Sete de Setembro, s/n, Passeio Público
Campo Grande | 40 080-570
Salvador . Bahia . Brasil
Dias 13 e 14 de outubro(segunda e terça)as 20h

R$ 10 (inteira)
R$ 5 (meia)
Atenção ingressos limitados já a venda no local

GARANTA JÁ O SEU PRA NAO FICAR DE FORA!!!

Besouro Cordão de Ouro é um musical de Paulo Cesar Pinheiro em homenagem ao capoeirista mitológico que assim era conhecido. O palco se transforma numa grande roda de capoeira com atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis, numa verdadeira transposição da arte e das circunstâncias que consagraram o santoamarense Besouro Mangangá como mestre lendário. Um passeio pela formação de nosso povo, sua coragem, criatividade e resistência.

Veja o trailer da peça em: http://blogdovila.blogspot.com/

http://br.youtube.com/profile_videos?user=millermultitvldb&p=v

Ana Paula Black
Cridemar Aquino
Maurício Tizumba
Raphael Sil
Sérgio Pererê
William de Paula
Wilson Rabelo
Gilberto Santos da Silva "Laborio"
Letícia Soares
Marcelo Capobiango
Valéria Monã
Victor Alvim "Lobisomem"
Alanzinho Rocha
Iléa Ferraz
Direção:João das Neves
Direção musical: Luciana Rabello

TEATRO VILA VELHA
Av. Sete de Setembro, s/n, Passeio Público
Campo Grande | 40 080-570
Salvador . Bahia . Brasil
Referências: Próximo ao Hotel Tropical da Bahia
Palácio da Aclamação
Casa D’Itália

Sesc Senac Iracema: Espetáculo Besouro Cordão-de-ouro

O palco vai se transformar numa grande roda de capoeira com atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis, para ilustrar a vida de Besouro Cordão-de-Ouro, o Exu Kerekekê dos candomblés baianos. O espetáculo teatral Besouro Cordão de Ouro será apresentado nesta terça, 15, dentro da programação do Festival Palco Giratório. Com texto, músicas e letras inéditos de Paulo César Pinheiro, direção geral de João das Neves e direção musical de Luciana Rabello, o espetáculo fala sobre Manoel Henrique Pereira, o Besouro Cordão de Ouro, um lendário capoeirista da região de Santo Amaro, na Bahia.

No musical, diversas histórias envolvendo alguns dos feitos extraordinários atribuídos a ele são contadas por outros capoeirista. O elenco é formado apenas por atores negros, escolhidos em workshops do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro. O grupo contou com a coordenação e preparação corporal dos mestres Casquinha e Camisa.

Besouro, nascido em Santo Amaro da Purificação, deixou seu nome gravado nas rodas de capoeira por esse Brasil inteiro. Homem conhecedor de política, impunha respeito e temor aos poderosos daquele princípio de século XX na velha Bahia. Sua vida virou lenda. Além de capoeirista, também tocava violão e compunha sambas-de-roda e chulas.

SERVIÇO

Espetáculo Besouro Cordão-de-ouro hoje, 15, às 20 horas, no Sesc Senac Iracema (rua Boris, 90C – Praia de Iracema). Ingressos: R$ 6 e R$ 3. Informações: 3452 1242.

São Paulo: Da dança à luta: a história da arte que veio da África

João das Neves dirige oito atores negros no musical Besouro Cordão-de-Ouro, que narra o nascimento da potente capoeira

Apresentado no Festival de Teatro de Curitiba, ano passado, o musical Besouro Cordão-de-Ouro deixou o público siderado. Até duas senhoras desavisadas, que baixinho comentavam seu estranhamento no início, acabaram tomadas pela beleza das canções e pela força das interpretações – silenciaram. Ao final, aplaudiam calorosamente, emocionadas, surpresas. E não era para menos.

Dirigido por João das Neves, com texto do compositor, e poeta, Paulo César Pinheiro, autor de dez canções inéditas para a peça, oito atores talentosos e afinados, todos negros, e uma ambientação cenográfica, de Ney Madeira, que leva o espectador para ‘dentro’ da história, trata-se de um espetáculo original e envolvente, de qualidade ímpar. Depois de ter cumprido temporada no Rio – onde está indicado ao Prêmios Shell de direção, música e cenário – e passado por cidades como Brasília, Fortaleza e Belo Horizonte, estréia amanhã no Sesc Pompéia.

Besouro é o apelido de Manuel Henrique Pereira (1897 -1924), considerado o maior capoeirista de todos os tempos. Mas ao contrário de tantos outros musicais biográficos, esse passa ao largo daquela estrutura cronológica focada na vida pessoal do protagonista. Ainda que possamos acompanhar os passos dessa figura de impressionante dignidade, ao autor interessa sobretudo sua dimensão mítica. O espetáculo enfoca a luta pela afirmação da cultura africana em terras brasileiras, submetida, perseguida, mas tão potente que se recicla, miscigena, e mais do que resiste, floresce nesse atrito secular.

Ao longo do musical, é possível perceber como a capoeira brota dos rituais religiosos, por exemplo, como variação da dança sagrada de um orixá. ‘Há muito do candomblé na capoeira, mas o caminho inverso, entre luta e ritual, também se deu’, observa João das Neves. Há uma frase, na peça, que sintetiza essa transformação: ‘a capoeira foi concebida na África, mas nasceu no Brasil’. Por meio das narrativas da tradição oral – retrabalhadas poeticamente por Paulo César Pinheiro – o espectador entra em sintonia lúdica não só a mitologia africana, mas também com apropriações já dela feita pela arte brasileira, como na história do reino de Aruanda e da luta do santo guerreiro São Jorge contra o dragão da maldade.

Depois de se envolver numa cena curta fora da área de representação, o público acompanha o musical acomodado sobre almofadas colocadas em grandes cestos de vime em torno do círculo central de representação, mas os atores caminham por todo o ambiente. Pelas paredes, os mesmos versos cantados ou falados na peça. ‘É uma homenagem ao poeta Gentileza que escreve seus versos nos pilares de viadutos e muros no Rio.’

Projeto acalentado, e preparado durante longo tempo por Paulo César Pinheiro (leia na página ao lado), esse musical certamente ganhou muito com a direção de João das Neves, convidado pelo compositor. Dá para perceber no espetáculo também uma síntese de facetas desse homem de teatro – música, contação de histórias e arte politizada -, nascido no Rio, autor da peça O Último Carro, que iniciou sua carreira na década de 60 dirigindo os famosos shows do Teatro Opinião.

S
erviço

Besouro Cordão-de-Ouro. 90 min. Livre. Sesc Pompéia . Rua Clélia, 93, 3871-7700. 6.ª e sáb., 21h30; dom., 18h30. R$ 16

Fonte: http://txt.estado.com.br

Crônica: A capoeira em roda de besouro

Há pouco mais de um mês estive na casa de João das Neves e da cantora Titane em Lagoa Santa, Minas Gerais. Naquela agradável noite a conversa só não foi mais esticada porque ele estava de saída para fazer um trabalho no Vale do Jequitinhonha. Ele me contou da satisfação de estar fazendo a direção do musical Besouro Cordão de Ouro, de Paulo César Pinheiro, com um grande elenco e coordenação de capoeira dos mestres Casquinha e Camisa. Adiantou-me que talvez viesse ao Ceará com o espetáculo. Fiquei na expectativa de que tudo desse certo. Afinal, tratava-se da história de um lendário capoeira levada para o teatro por dois admiráveis artistas brasileiros.

De Confins a Fortaleza uma música não me saia da cabeça. Era ´Pesadelo´, de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós. Há anos que não há escuto, mas durante uma boa fase da minha vida essa composição foi uma grande companheira das minhas reflexões. Ainda hoje guardo o álbum duplo ´O Banquete dos Mendigos´ feito pelo compositor Jards Macalé e o disco ´Passarinho Urbano´, da cantora Joyce, ambos lançados na década de 1970 e que têm em seus repertórios essa bela canção de Paulo César Pinheiro a falar de muros que separam e pontes que unem, em pleno ocaso da ditadura militar.

O trecho da canção que insistia na minha lembrança dizia assim: ´Você nem me agarra / alguém vem me solta / Você vai na marra / Ela um dia volta / E se a força é tua / Ela um dia é nossa´. Uma canção que nem faz parte da peça, pois, tirando ´Lapinha´ todas as músicas do espetáculo foram preparadas especialmente para esse musical de sublimação da capoeira. O que aquela canção talvez estivesse me dizendo era como faz bem olhar as movimentações da vida no jogo do tempo. Besouro Cordão de Ouro, ou Besouro Mangangá, era em seu tempo um marginal e, hoje, uma curiosa figura da nossa galeria cultural.

Quando dei por mim o musical estava no Centro Dragão do Mar, dentro da programação do Circuito Cultural Banco do Brasil. Foram duas apresentações, feitas no sábado e no domingo passados. João das Neves montou uma inusitada instalação na área de baixo do planetário, com lonas e caixotes de madeira e um túnel com teto de pequenos cataventos ligando o palco ao saguão improvisado como entrada, por onde o público passava sugestivamente pelo velório do Besouro Mangangá. A configuração se completava com grandes painéis de citações musicais contornando o espaço da roda de capoeira.

O caixão do defunto, revestido com imagens de santos e fundo de espelho, mostrava a cara de Besouro que há em cada um de nós. O itinerário ritualizava a acolhida, reconstituindo referenciais sem dar o tom de coisa do passado. A história ia sendo contada naturalmente pelo excelente elenco de atores, dançarinos, músicos e cantores, enquanto vivenciávamos o acontecido. Todos éramos atores e platéia, sentados em círculo nas almofadas soltas, dentro de cestos e em cadeiras cobertas de preto. O teatro de João das Neves permite que o palco seja de todos.

Estávamos na mesma cumbuca, na mesma roda, no mesmo jogo animado com berimbau, pandeiro, tambores, cavaquinho e violão. Alanzinho, Anna Paula, Cridemar, Gilberto (Labório), Iléa, Letícia, Raphael, Sérgio Pererê, Victor (Lobisomem), William e Wilson contaram e cantaram os feitos de Besouro. Na apresentação de Fortaleza Maurício Tizumba, do grupo Tambo-le-lê, foi substituído pelo próprio João das Neves. A dinâmica desse teatro facilita a alternância de contadores, embora João, na simplicidade dos grandes, tenha comentado para mim logo depois: ´Você precisava ter visto essa parte feita pelo Tizumba´.

João das Neves vem do teatro de rua do Centro Popular de Cultura da UNE e do teatro de protesto praticado nos anos 1960 pelo Grupo Opinião, do qual foi um dos fundadores. É um diretor que cruza décadas sem arredar pé do compromisso de dar dignidade à arte brasileira. Com o espetáculo Besouro Cordão de Ouro ele contribui para pôr a capoeira na roda, seguindo a sina de produzir reflexões sobre as contradições da sociedade brasileira. A capoeira é uma expressão original de interpenetração cultural da porção de brasilidade que veio das gentes africanas.

A palavra capoeira significa espaço da mata que foi queimado para cultivo da terra. Foi em descampados assim que negros, caboclos, cafuzos e mulatos desenvolveram os golpes de defesa disfarçados de dança que, genialmente simplificados, conseguiram ser transmitidos por gerações e, mesmo ainda muito aquém do seu potencial, já fazem parte da paisagem mental brasileira. Reconhecida por ser uma manifestação marcial com ginga diretamente associada à pegada rítmica do berimbau e por ser um sofisticado diálogo de corpos, a capoeira é uma arte de convivência, na qual os participantes se revezam no jogo, com respeito e senso de reciprocidade.

Trabalhos como esse de Paulo César Pinheiro e João das Neves dão maior importância à capoeira por contribuírem para reforçar sua inscrição no que somos e temos de valores comuns. O musical Besouro Cordão de Ouro põe na roda a oportunidade de usufruirmos da capoeira como usufruímos da feijoada. Não se trata de uma expressão que representa outra, nem de representação do que passou, mas da expressão em si e sua confirmação como dimensão poética, ritual, coreográfica e marcial do cotidiano, na interlocução com a memória e a história do Brasil.

Besouro Mangangá nasceu em Santo Amaro, na Bahia das últimas décadas do século XIX, e morreu nas primeiras décadas do século XX, quando a capoeira ainda era proibida. Suas façanhas estão citadas na literatura, na música e, sobretudo, na cultura oral. Chegou ao mundo poucos anos antes da abolição da escravidão e viveu exatamente no período em que a elite colonial resistia à integração dos escravos à sociedade. O apelido de besouro foi uma atribuição do imaginário popular ao fato de Manoel Henrique Pereira ter o dom de desaparecer, de sair voando, quando a encrenca ameaçava seu corpo fechado para facas e balas. Mas não era um besouro qualquer, era Besouro Mangangá, o temido marimbondo de picada venenosa e dolorida.

Muitas histórias são atribuídas a Besouro, especialmente aquelas que exaltam a importância da capoeira como uma manifestação que veio da sobrevivência. A peça conta que ele era um grande escuneiro, conhecedor dos ventos e das marés. Foi assassinado covardemente pelas costas num ataque de faca da palmeira Ticum. Ele teria chegado a colocar as tripas para dentro do bucho e navegar até um pronto-socorro, mas acabou morrendo. Parece que só tinha 24 anos, ninguém sabe ao certo. Tomava partido dos fracos contra os donos de engenhos e batia nos policiais que prendiam seus amigos.

As tiradas de sambas e chulas de Mangangá misturaram-se ao cancioneiro nacional. Sucessos carnavalescos como Fita Amarela, de Noel Rosa (1910 – 1980) teriam sido inspirados em um tema de batucada sugerido por Almirante (1908 – 1980) e que dizia mais ou menos assim: ´Quando eu morrer / não quero choro nem nada / só quero ouvir o samba / rompendo a madrugada´. Esses versos, atribuídos a Besouro, também serviram de base para a composição de Lapinha, música de Paulo César Pinheiro e Baden Powell que dá o tom da peça dirigida por João das Neves.

Besouro Cordão de Ouro é uma obra com muitas teses. Por alguns instantes, durante o espetáculo, cheguei a recordar da música que me acompanhara no avião: ´O muro caiu olha a ponte da liberdade guardiã´. Se ela veio à minha memória sem ser chamada, com a intenção de me ajudar a sentir o musical, acho que fez muito bem.

www.flaviopaiva.com.br
flaviopaiva@fortalnet.com.br

Sistema Verdes Mares – http://verdesmares.globo.com

Costa do Sauípe: I Encontro Mundial de Capoeira

A Costa do Sauípe, um dos destinos turísticos mais visitados do país, realiza nos dias 7 e 8 de setembro o 1º Sauípe Capoeira e Cultura, encontro mundial de capoeira. O empreendimento, localizado a 76 quilômetros do Aeroporto Internacional de Salvador, receberá atletas de diferentes regiões do Brasil e de outros países como Canadá, EUA, Austrália, México e Argentina. O evento contará, ainda, com show de encerramento da Banda Olodum.

Com o objetivo de promover a cultura e as belezas naturais do litoral norte da Bahia, a ação terá oficinas de berimbau, instrumento musical de percussão usado para marcar o ritmo da luta, além de aulas de capoeira, artesanato e axé, gênero musical muito difundido na região. As atrações acontecerão na Praia da Oca, espaço já utilizado pelos hóspedes para a prática de esportes como futebol e vôlei de praia, atividades aquáticas, caminhadas na areia, entre outros. No local, os visitantes assistirão ao Capoeira Show, apresentação com os principais mestres da luta.

Já a Vila Nova da Praia, centro de entretenimento e lazer que reproduz o clima de uma vila do interior da Bahia, traz intensa programação cultural aos visitantes da Costa do Sauípe. No local, ocorrerão rodas de capoeira, oficinas de berimbau e palestras sobre a história da luta que teve origem com os escravos africanos.

Além disso, a programação da Costa do Sauípe reserva noites temáticas com shows e atrações musicais. Um dos destaques será a apresentação do Olodum, no dia 8, a partir das 21h, no Mercado do Dendê. À frente da banda, o vocalista Tonho Matéria, também mestre de capoeira, terá participação especial junto aos demais capoeiristas.

Durante a semana do evento, os hóspedes terão a oportunidade de conhecer os costumes do povo nordestino e da cultura brasileira através de shows de samba, axé e outros ritmos regionais. Além disso, uma Noite de Oferendas reserva momentos especiais e de muita introspecção aos turistas na Vila Nova da Praia. Os visitantes serão apresentados aos orixás, às baianas, aos filhos de Gandhy, tradicional bloco de carnaval baiano formado exclusivamente por homens, além dos capoeiristas e demais personagens da cultura regional.

 
Fonte: Final Sports – http://www.finalsports.com.br

O Carimbó e o Mestre Verequete

Um homem simples, de chapéu na cabeça e voz firme se transforma em rei quando está em meio a tambores, numa roda de carimbó. Esse é Augusto Gomes Rodrigues, o Mestre Verequete, ícone da cultura paraense.

No próximo dia 15, nessa sexta feira, Tv capoeira (Instituto Jair Moura) exibirá o documentário chama Verequete falando sobre Carimbó com comentários do historiador Luis Augusto Leal….
 
Contamos com a presença de todos.

 

O CARIMBÓ E O MESTRE VEREQUETE

O termo "carimbó" aparece em seus primeiros registros como o nome de um instrumento musical de percussão. Sua definição mais antiga consta no Glossário Paraense de Vicente Chermont de Miranda, publicado em 1905. Conforme Chermont, o carimbó seria um “tambor feito de madeira oca e coberto, em uma de suas extremidades, por um couro de veado”. Tal definição, ainda hoje, serve para explicar o formato do instrumento e apresentar suas principais características.

No entanto, a palavra carimbó, na atualidade, significa muito mais do que apenas o nome do tambor. Abrange, na verdade, todo um conjunto musical que vai do instrumento à dança. Corresponde a um tipo de manifestação específica de algumas áreas do Pará e mesmo do Maranhão. Ele se caracteriza pela utilização de dois tambores (carimbós), que deram nome à música e à dança, além de outros instrumentos próprios como a onça (nome local dado à cuíca), o reco-reco (instrumento dentado feito de bambu), a viola, etc. Também se conhece uma variante musical do carimbó que possui o mesmo nome (chamado de “carimbó eletrônico”), mas que, ao invés da marcação rítmica com os tambores característicos, utiliza uma bateria eletrônica e guitarras.
 
Augusto Gomes Rodrigues – mestre Verequete nasceu em um lugar conhecido por "Careca" que fica localizado próximo à Vila de Quatipuru, no município de Bragança, em 26 de agosto de 1926. Seu pai, Antônio José Rodrigues, era oficial de justiça, marchante de gado e músico. Sua mãe, Maximiana Gomes Rodrigues, faleceu quando Verequete tinha apenas três anos de idade. Tal acontecimento antecedeu a primeira migração de Verequete para outro município. Ele, juntamente com seu pai, passou a residir no município de Ourém. Aos doze anos de idade mudou-se sozinho para Capanema, onde trabalhou como foguista, e em 1940 chegou a Belém, indo morar em Icoaraci (antiga Vila de Pinheiro). Neste período, Verequete trabalhou como ajudante de capataz na Base Aérea da cidade e subiu de posto até chegar a ser ajudante de agrimensor. Quando deixou de trabalhar na Base, Verequete exerceu outras atividades para garantir sua subsistência. Foi arremate de vísceras, açougueiro, marchante de porco e outros, no entanto a experiência de trabalho na Base Aérea marcaria para sempre sua vida, pois foi durante este trabalho que ele perdeu seu nome original (Augusto Gomes Rodrigues) e passou a ser identificado como Verequete. Por trás deste nome tão diferente existe uma história muito interessante que pode ser contada pelo próprio Augusto Gomes Rodrigues, ou Verequete. Uma história que ele não se cansa de contar:

 
Eu gostava de uma moça; então ela me convidou para ir ao batuque que eu nunca tinha visto. Umas certas horas da madrugada o Pai de Santo cantou "Chama Verequete". Eu era capataz da Base Aérea de Belém, na época da construção, cheguei na hora do almoço e contei a história do batuque… Quando acabei de contar, me chamaram de Verequete.

Chama Verequete, ê, ê, ê, ê
Chama Verequete, ô, ô, ô, ô
Chama Verequete, ruuuum
Chama Verequete…
Chama Verequete, oh! Verê
Oi, chama Verequete, oh! Verê
Ogum balailê, pelejar, pelejar
Ogum, Ogum, tatára com Deus
Guerreiro Ogum, tatára com Deus
Mamãe Ogum, tatára com Deus
Aruanda, aruanda, aruanda, aruanda ê
Mandei fazer meu terreiro
bem na beirinha do mar
mandei fazer meu terreiro
só pra mim brincar
 
Augusto Gomes Rodrigues - Mestre Verequete

 

Fonte: Instituto Jair Moura e Overmundo 

Fidelidade às raízes negras em “Besouro Cordão-de-Ouro”

Sucesso no Rio, sucesso em Curitiba, a montagem que trás o lendário Personagem de "Besouro Cordão-de-Ouro" conquista e agrada por onde passa…
É a magia do universo da Capoeira!!!
 
Luciano Milani
Fidelidade às raízes negras em "Besouro Cordão-de-Ouro"
por GISELE ROSSI – GAZETA DO POVO ONLINE
O musical “Besouro Cordão-de-Ouro” encerrou sua participação no 16º Festival de Teatro de Curitiba (FTC), deixando saudades. No início da última sessão, na noite de domingo (25), quem estava dentro da Casa Vermelha, pôde ouvir os gritos de “Queremos assistir! Queremos assistir!”, das pessoas que ficaram de fora, porque não conseguiram a entrada para assistir ao espetáculo. Os ingressos, para a pequena temporada, se esgotaram antes do início do Festival. Quem garantiu a entrada, passou por uma vivência interessante, de reconhecimento da cultura negra no Brasil.  Ricardo Sodré/JLM Produções 
    
A música “Lapinha”, que possui um refrão de autoria de Besouro (personagem que inspirou a montagem), “Quando eu morrer/Não quero choro nem vela/ quero uma fita amarela/ gravada com o nome dela”, é o ponto de partida para o musical, escrito e concebido por Paulo César Pinheiro, compositor de “Lapinha”, em parceria com Baden Powell, entre outras músicas. A canção ganhou novos versos para o espetáculo. Ao todo o musical apresenta dez canções, cantadas ao toque do berimbau e que apresentam nas letras, um pouco da história de Besouro e da vida dos negros no Brasil. As músicas são cantadas resgatando os seguintes toques do berimbau: Jogo de Dentro, Jogo de Fora, São Bento, Angola, Cavalaria, Benquela, Barravento, Iúna, Samango, Santa Maria e Besouro. Assim os cantos, que pareciam de uma tradicional roda de capoeira, ganharam ares de uma primorosa MPB.
 
A experimentação na ambientação também apresentou um resultado positivo. Ao entrar no ambiente a impressão é de que íamos assistir uma roda de capoeira no Barracão do Waldemar, endereço famoso de Salvador (BA), na década de 1950, onde aconteciam rodas de capoeira. Mas logo se descobriu que a peça começava com um velório e após alguns minutos o público foi convidado a entrar em outro ambiente, que lembrava uma senzala, onde as pessoas se acomodaram em cadeiras, almofadas e cestos. Visualmente, o espetáculo apresentou um cenário simples e monocromático, como era a vida dos negros recém-libertos, no início do século 20. Os atores, espalhados pelo espaço, iam relatando a vida do valente capoeirista, através da música e das histórias que ficaram conhecidas e chegaram até os dias de hoje apenas pelo boca-a-boca, das pessoas que o conheceram ou ouviram falar de Besouro Preto. No fim, o público foi convidado à participar da roda de capoeira.
 
Foi uma experiência bacana e fiel ao que se fala do famoso personagem. Destaca-se a direção de João das Neves, que estava na cidade junto com a equipe da peça. Diretor de teatro consagrado, que trabalhou com o grupo Opinião, na década de 1960; dirigiu shows de artistas como Chico Buarque, Milton Nascimento, Baden Powell; realizou a Missa dos Quilombo, no Rio de Janeiro em 1988, e também dirigiu o Tributo a Chico Mendes com o Grupo Poronga, no Acre, entre outras atividades, Neves levou o público a passear pelo espaço até chegar à roda da capoeira, onde tudo se passa, deixando o espetáculo leve e agradável. Junto com Pinheiro, apresentaram a figura humanizada de um homem que era tido como desordeiro, mas que na verdade usava de sua valentia para se defender, e apesar da fama de mal era uma boa pessoa.
 

Teatro: Paulo César Pinheiro cria musical para capoeira

RIO – Depois de ler ‘Mar Morto’, livro de Jorge Amado, Paulo César Pinheiro se apaixonou pela história de Besouro, um dos maiores capoeiristas de todos os tempos.
 
O músico, que já compôs várias canções sobre o mito, como ‘Lapinha’, eternizada na voz de Elis Regina, estréia como autor teatral no dia 15, no Centro Cultural Banco do Brasil, com o musical ‘Besouro Cordão-de-Ouro’. “É um personagem riquíssimo, e acho interessante recuperar a história de um ícone tão brasileiro”, conta Paulo César.
 
Dirigido por João das Neves, o espetáculo conta histórias de Besouro através de nove músicas, de autoria de Paulo César. “Minha idéia inicial era fazer um CD, mas quando surgiu a oportunidade de realizar um musical, adaptei as composições para o teatro”, explica o autor, garantindo que o projeto inicial do álbum não foi abandonado. “Ainda não sei quando o disco vai ser gravado, mas deve ser no início de 2007”, afirma.
Para auxiliá-lo na produção e ensinar a arte da capoeira aos atores, todos negros e escolhidos depois de workshops realizados no próprio CCBB, Paulo César pediu a ajuda de dois mestres da arte, Casquinha e Camisa. “Conheço o Camisa há muito tempo, e Casquinha foi indicado por ele. Apenas dois atores sabiam capoeira, e a ajuda deles foi fundamental para que o espetáculo ficasse bonito”, acredita.
Besouro Cordão de Ouro
 
CCBB Rio de Janeiro
Teatro III
De 15 de dezembro a 28 de janeiro às 19h – De quarta a domingo
O palco vai se transformar numa roda de atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis, para ilustrar a vida de Waldemar de tal, Besouro Cordão-de-Ouro, o maior capoeirista de todos os tempos da Bahia. O espetáculo musical em sua homenagem conta histórias através de mestres capoeiristas transformados em personagens como Canjiquinha, Bimba, Caiçara, Rosa Palmeirão, Pastinha, entre outros. Texto, músicas e letras inéditos de Paulo César Pinheiro – que escreve pela primeira vez para teatro. Direção de João das Neves. Direção musical de Luciana Rabello. Iluminação: Paulo César Medeiros. Cenografia: Ney Madeira. Figurino: Rodrigo Cohen. Elenco: Capoeiristas e atores selecionados das Cias. Nós do Morro e Companhia dos Comuns.
 
Fontes:

Frevo: Dança e estilo de música nasceram ao mesmo tempo

O que é o frevo? Um tipo de música, uma dança? Embora nos dias de hoje as duas coisas se confundam, a palavra “frevo” originalmente se referia, segundo os especialistas no tema, à parte musical da conhecida manifestação popular – o “passo” seria, portanto, a dança corresponde ao estilo musical. Mas a verdade é que frevo, nos dias de hoje, significa música e dança. É impossível separar as duas coisas. Mas nem sempre foi assim.
 
O pesquisador Leonardo Dantas Silva afirma que não é possível determinar quem veio primeiro, se o frevo ou o passo. Na verdade, ele concorda com o pesquisador Valdemar de Oliveira. O lendário folclorista escreveu no livro “Frevo, Capoeira e Passo”, em 1971, que dança e música nasceram ao mesmo tempo, e foram fruto de um choque, no mínimo, excêntrico: a capoeira e as marchas militares.
 
O que aconteceu foi um fenômeno interessante e peculiar. Em meados do século XIX, as cerimônias de troca de guarda nos quartéis exigiam que as bandas militares desfilassem pelas ruas, várias vezes por dia. Aos poucos, praticantes da capoeira – geralmente negros, ex-escravos e pessoas egressas das camadas mais humildes da população do Recife – desenvolveram o hábito de acompanhar os cortejos, executando passos de dança improvisada.
 
O pesquisador Francisco Augusto Pereira da Costa definiu assim, em 1974, o ‘capoeira’: ““O nosso capoeira é antes o moleque de frente de música, em marcha, armado de cacete, e a desafiar os do partido contrário [ou seja, as bandas rivais], que aos vivas de uns, e morras de outros, rompe em hostilidade e trava lutas, de que não raro resultam ferimentos, e até mesmo casos fatais!”.
 
Dantas Silva explica que naquela época o frevo não era diretamente associado ao Carnaval. “As bandas militares desfilavam durante o ano inteiro, e a capoeira ganhou acompanhamento musical, formando o embrião do frevo”, afirma.
 
Segundo o historiador e folclorista pernambucano, registros nos jornais da época mostram que o Governo de Pernambuco ficou tão preocupado com as primeiras manifestações daquela dança que proibiu a capoeira em 1856, quando os praticantes da nova arte já dançavam o passo durante os desfiles militares, embora a palavra “frevo” ainda não fosse pronunciada.
 
Por que a proibição? Porque eram desfiles violentos: os dançarinos, quase sempre negros e pobres, brandiam porretes ou facas, e não era raro que a dança descambasse para a violência. “Os capoeiras adotavam uma banda marcial como a de sua preferência, e considerava adversário quem não compartilhasse da mesma ‘torcida’. Pernadas, golpes com pau de quiri, espetadas com faca, punhal eram distribuídos com os partidários da banda adversária”, escreveu o jornalista e crítico de música José Teles.
 
A proibição não era exclusiva do Recife, tendo ocorrido também no Rio de Janeiro. Enquanto no sudeste a proibição foi obedecida à risca, em Pernambuco ela não valeu por muito tempo. Ruy Costa, autor do livro “História Social do Frevo”, vislumbra nesta fase a associação do frevo à época do Carnaval.
 
Mais rebeldes e afoitos, os antigos ‘capoeiras’ diminuíram os cortejos dançantes, encontrando um refúgio razoavelmente seguro para praticar sua arte: os clubes carnavalescos de rua, que começavam a nascer pelas mãos das classes mais baixas. A nova dança passava a ficar mais restrita à comemoração do Carnaval. Aos poucos, o frevo ia tomando forma.
 
Por Rodrigo Carreiro
Da Redação do pe360graus.com
 
Fonte: http://pe360graus.globo.com/diversao360/matler.asp?newsId=64166
 
 


Foto: "Frevo", foto tirada por Pierre Verger em Recife, em 1947; obra do francês tem 60 mil imagens