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Capoeira: A Fábrica de Neurotransmissores

Atividades prazerosas com a arte capoeira otimizam o bem estar, a alegria e o mais importante: viciam!

Diversos estudos e comprovações científicas (e porque não também empíricas; ou seja; baseada na prática e na vivência) em relação aos benefícios das práticas corporais e atividades físicas planejadas apontam para a necessidade de tal estilo de vida para as pessoas ou ao menos um esforço para cumprir a meta de 30 minutos de exercícios ininterruptos 03 ou 04 vezes por semana. Ainda neste sentido, a OMS (Organização Mundial da Saúde) preconiza que para a pessoa não se caracterizar sedentária, ela deve dar no mínimo 10.000 passos diários. Então, adquira um pedômetro (aparelho que monitora distância e passos) e veja se consegue atingir tal marca. Imaginando o estilo de vida das pessoas atualmente, em principal nas grandes metrópoles, esta resposta nem precisaria de aferição. Seria NÃO. Levando-se em consideração as tecnologias advindas do capitalismo (Karl Marx já previa isto há tempos) e a escassez de tempo das pessoas.

Estranho é que mesmo com tanto incentivo e informação, um número significativo de pessoas, ou seja, uma parcela enorme da sociedade, ainda não se deu conta da tamanha necessidade de em se realizar atividades físicas planejadas e levão um padrão de vida parcialmente ou totalmente sedentário. Parcial, pois existem os “boleiros por uma noite” que justificam o seu sedentarismo relatando jogar aquele futebol uma vez por semana com os colegas. Dois tempos de 20 minutos, a maior parte do tempo fatigado (cansado) e ainda correndo um risco enorme de uma lesão muscular ou ainda de uma parada cardíaca súbita (o que não é raro de se ver nas famosas quadras society espalhadas pelo mundo) e depois do jogo muita carne vermelha, álcool e cigarro. Será que isto não é ser sedentário? E os totalmente imóveis, que até para comer não saem do carro. Preferem as longas filas onde se pede a “refeição” (no geral lanches e refrigerantes) e come-se ali mesmo olhando o pára-brisa do automóvel. Estes possuem uma rotina diária que alterna carro, elevador, mesa, computador, elevador, carro, sofá e cama. Leia novamente com calma: carro, elevador, mesa, computador, elevador, carro, sofá e cama e agora pense se não funciona assim mesmo! E no dia seguinte a mesma rotina e os mesmos problemas causados pelo stress da vida agitada, má alimentação, hipocinética (ausência de movimentos) e escassez de lazer e recreação.

Vamos ser realistas aqui, certamente que houve um aumento de praticantes regulares de atividades físicas planejadas e periódicas. Hoje, os parques e as praças estão sendo mais freqüentadas, as academias ganham a cada dia mais adeptos, as praias estão repletas de pessoas realizando algum tipo de exercício físico e mesmo as ruas estão sendo usadas e adaptadas para práticas corporais como caminhadas, corridas, ciclismo ou qualquer outra prática que movimente o corpo. Mas se fossemos dimensionar isto, certamente a parcela de acomodados e sedentários seria muito, mas muito maior em ralação aos ativos.

Todos nós sabemos que o tempo hoje em dia é um vilão para muitas pessoas. Jornadas incansáveis de trabalho, o trânsito das grandes metrópoles, as responsabilidades financeiras e sociais e o apego fiel a moderna “caixinha” ou “caixona” que liga o cidadão ao mundo; a TV. E agora outro sonho de consumo que está cada dia menor (em tamanho) e maior (em vendas); os PC´s; sedutores e altamente envolventes!

Incrível como se ouve por ai as mil e uma desculpas para não se iniciar um programa de exercícios ou até mesmo um encontro com amigos para uma simples caminhada.                 Prorroga-se ao máximo aquela matricula na academia, o compromisso de estar três ou quatro vezes por semana no parque para caminhar e quando se vai empurrando isto literalmente com a barriga, que certamente a esta altura já deve estar bem grande, espera-se o primeiro dia do ano para dizer: a partir do ano que vêm em janeiro, começarei a me cuidar. E de janeiro passa para fevereiro e daí para março e por ai vai até aguardar pelo próximo ano. Certamente, estas pessoas ainda não sentiram na pele (e na mente) a agradável sensação de bem estar, conforto e alegria proporcionados por uma boa aula de caráter aeróbio ou uma sessão de trabalhos com pesos.

Pós-exercício, o corpo tende a liberar diversos neurotransmissores que ativam a produção de hormônios destacando entre esses a beta endorfina, a serotonina, a noradrenalina e a dopamina que proporcionam diversas sensações ligadas ao prazer, alegria e bem estar corporal. É comum também, em conseqüência ao programa de exercícios realizados, a melhora do descansar, do repouso e do sono. O corpo busca por um equilíbrio maior, regulando diversas funções enquanto nos encontramos em estado de metabolismo basal, ou seja, em sono profundo.

Outro fator importante que observamos quando se adere às práticas de exercícios físicos dirigidos é a atenção voltada para a alimentação. A pessoa passa a se preocupar mais em se alimentar de maneira adequada eliminado alguns exageros e prestando a atenção ao que ingere pré treino, pós treino e também no decorrer do dia. Só não se pode neste momento achar que após uma sessão de exercícios, pode-se ingerir aquele pedaço recheado de bolo ou aquele lanche com muitas calorias só porque acabou de malhar. Mero engano. Se a pessoa gastou 500 calorias em sua sessão de exercícios e logo após ingere 700 ou 800 calorias entra em saldo positivo. Positivo! Que bom não é? Não! Saldo positivo de calorias; e conseqüentemente de tecido adiposo, ou seja: gordura visceral e também subcutânea. Se ingerir mais calorias do que se gasta, é esta a conseqüência: aumento na balança. Mas não de massa muscular magra, mas sim de gordura; a vilã. Mas será que é mesmo tão vilã assim?

Certamente não, a gordura tem função primordial no organismo. Além de fornecer energia (calorias/combustível) para as práticas rotineiras, ela também tem função termo regulatória e de transporte de nutrientes em especial de vitaminas. Desempenha também papel primordial quanto à produção hormonal e todos os seres humanos dependem dela sim. Só que de maneira balanceada. Ao contrário, ela pode se transformar em sobrepeso ou ainda obesidade mórbida o que não é raro de se ver hoje em dia. Aliás, é bem comum. São as pessoas que já encontram dificuldade de mobilidade/locomoção e os órgãos internos já se encontram com o funcionamento prejudicado em decorrência de tanta gordura corporal (visceral e subcutânea). Aí que entram as famosas cirurgias para redução estomacal, lipoaspirações e demais técnicas incisivas de controle de peso. Em muitos destes casos a questão está ligada com problemas de produção hormonal e fogem um pouco do controle das próprias pessoas. Eu disse um pouco porque muitos demoram a fazer um diagnóstico médico e assim estabilizar esta questão com medicações específicas, a realização de uma dieta balanceada sem excessos e o início a um programa de exercícios dirigidos.

Trabalhar com práticas corporais com esta população (obesos/obesos mórbidos) requer muito conhecimento, em razão da falta de condicionamento físico, a dificuldade de mobilidade, a debilidade de certos órgãos vitais e a sobrecarga nas articulações, tendões e ossos ocasionada pelo grande volume de massa corporal. Qualquer erro na prescrição de exercícios pode levar a lesões e assim prejudicar ainda mais o paciente/aluno. O certo é que esteja bem ou mal diante da balança, não se pode vacilar.

O lance é realizar um “auto-investimento” e aderir o mais rápido possível á um programa de exercícios físicos. Leia novamente. Um programa de exercícios físicos, planejado e periódico e não qualquer atividade física única, solta e solitária. Algo que conte com certo planejamento realizado por um profissional da área médica que tenha continuidade. Falaremos desta tal “continuidade” à frente!

Este investimento certamente trará inúmeros retornos positivos como bem-estar e também a sobrevida. Quem não quer ganhar alguns anos a mais hein?

Uma dificuldade que as pessoas geralmente encontram ao começar um plano de exercícios é a falta de vontade em realizar este programa. Certamente, se a pessoa vai forçada, ela irá desistir. Se não sente prazer em levantar pesos, irá parar. Se não gosta de esteiras e bicicletas ergométricas, também irá parar. Se não curte as aulas de caráter aeróbio incrementadas com ritmos alucinantes, não seguirá. Veja, são inúmeras opções e cabe a pessoa encontrar o que gosta e o que sente prazer em realizar. Se não gosta de pesos, encontre alternativa trabalhando com o próprio peso do corpo. Se não gosta de correr em esteiras, procure um local ao ar livre como opção.

A este ponto o leitor deve estar se perguntando: O que este texto faz em um site específico de capoeira. Resposta: esta modalidade é uma fantástica opção para as pessoas que encontram dificuldade em dar seqüência a um plano de exercícios (a tal continuidade). A capoeira envolve ludicidade com esporte, ritmo com malhação e o mais importante: é periódica; tem seqüência. Os treinos ocorrem três ou quatro vezes por semana com duração de uma hora á uma hora e meia (para os menos empolgados) e traz consigo aquela disciplina que as pessoas na verdade querem de um programa de exercícios. Vejo pessoas que furavam treinos em sala de musculação semanalmente e que após iniciarem as aulas de capoeira mudaram radicalmente de conduta, com poucas faltas e maior compromisso de presença nas aulas. Lógico que isto não funciona a todos. Nem caberiam todos em nossas salas de treino Há pessoas que preferem trabalhos de musculação, outras lutas, outras aulas predominantemente aeróbias com acompanhamento musical. Mas o segredo é encontrar algo que a pessoa goste; que sinta falta e que tenha continuidade. A continuidade e o prazer na realização é fundamental para um programa de exercícios entrarem no hábito da pessoa. Se a desistência ocorrer logo nas primeiras sessões, certamente esta pessoa terá dificuldade em tentar novamente.

Atualmente, já presenciamos que alguns métodos de treinamento, em especial, ginásticas ritmadas com coreografias, se baseiam em alguns movimentos das lutas para comporem um sistema de exercícios aeróbios de alta intensidade. Com a capoeira não foi diferente. Seus movimentos, em especial os mais básicos, como a ginga e algumas variações de chutes e esquivas mais simples já estão sendo utilizadas em programas de aulas padronizados por empresas de fitness. O que pode mobilizar o praticante a buscar mais afundo os exercícios e movimentos da arte capoeira por uma questão lógica de curiosidade, encanto ou porque simplesmente funciona bem no processo de supercompensação (adaptação do organismo aos treinos).

Para os “capoeiras” mais tradicionais, ver alguns de nossos movimentos inclusos em  aulas que  nada tem a ver com um curso de capoeira é extremamente perturbador. Sinceramente não vejo problemas, pois isto de certa maneira divulga a nossa arte e pode despertar o interesse das pessoas para praticar a modalidade na sua íntegra com todos os fundamentos e tradições que encantam e envolvem as aulas de capoeira. Quem não viveu muitos anos envolvido com a capoeira e não esteve ali dentro no círculo mágico (na roda) nunca conseguirá conduzir uma aula rica e fundamentada. Então estes métodos de ginástica geral ajudam o nosso “marketing”.

Voltando aos treinos e seqüências nos treinamentos, se há disposição e certo tempo hábil, o ideal seria mesclar algumas modalidades para se obter uma resposta mais efetiva ainda. Uma ótima combinação; planejada e dividida ao longo da semana envolveria, por exemplo, trabalhos com pesos na sala de musculação, aulas periódicas de capoeira e trabalhos de natação e hidroginástica na piscina. Tudo isto voltado para cada indivíduo com treinamentos divididos e separados para não haver sobrecarga no trabalho corporal. Esta “meia verdade” de que “quanto mais melhor” nas práticas do corpo pode levar o indivíduo a exaustão com aulas de longa duração, excessos de pesos, distúrbios psicológicos como a vontade de realizar diversas modalidades no mesmo dia e tudo ao mesmo tempo (pasmem; há pessoas que passam incríveis 04 horas dentro de uma academia por dia!), o que atrapalha em muito a resposta dos exercícios ocorrendo efeito inverso em relação aos benefícios que as práticas corporais podem proporcionar. É onde entra a opinião do profissional para orientar e auxiliar o indivíduo a achar algo prazeroso e contundente para a sua saúde. E com todo este movimento pró-exercícios e qualidade de vida, a capoeira tem lugar em destaque. Basta o profissional que lida com esta modalidade atentar para os seus benefícios e oportunizá-la afinal capoeira meu camarada é tudo que a boca come! Salve.

Ricardo Augusto da Costa – Beija-Flor

Jornalista, Professor de Educação Física e Colunista do Portal Capoeira

Blog: bfcapoeira.vilabol.com.br

e-mail: [email protected]

Cia. Baobá de Arte Africana e Afro-Brasileira apresenta novo espetáculo Ancestralidade: “Herança do Corpo”

Nova montagem da companhia faz referências às heranças culturais africanas, e conta com direção e coreografias de júnia Bertolino, direção cênica Evandro Nunes, consultoria de Rui Moreira, preparação corporal Mestre João Bosco e direção musical de Mamour Ba.

As expressões artísticas que vigoram no tempo secularmente do continente-berço da humanidade à imensa afro-diáspora chamada Brasil, transmitidas pelo movimento, ritmo, batuque, teatro, canto e poesia. Em resumo, essa é a essência do trabalho da Companhia Baobá de Arte Africana e Afro-brasileira, coordenada pela bailarina, coreógrafa e atriz Júnia Bertolino.

O Espetáculo  da  Cia  Baobá de  Arte  Africana e  Afro-Brasileira ressalta os valores das culturas da África e suas respectivas heranças no Brasil, como a oralidade, ancestralidade e identidade. Todos esses elementos são representados nas esquetes: “Ritual da Graça”, o “abre-caminho” do espetáculo em que as mulheres – que predominam na companhia – dançam com asas de borboleta em reverência ao matriarcado das diversas sociedades africanas, entre os cantos entoam o verso “Filho Brasil pede benção à Mãe-África”; “Universo Feminino”, que ressalta o papel da mulher na comunidade com toda sua altivez, graciosidade e valores; “Djembola”, que segundo Mamour Ba, que deu o nome, em que as mulheres dançam pedindo chuva para a fartura da colheita; “Ginga do Corpo”, que presta homenagem ao mestre Pastinha e seus seguidores e à capoeira angola;  “Dança Ancestral”, momento de reverência e louvação aos orixás, e “Africana”, que faz reflexões sobre a dança afro na cena contemporânea. A direção musical é do músico senegalês Mamour Ba – que participa da trilha junto com seu filho Cheikh Ba -; com preparação corporal de Mestre João Bosco, da Cia. Primitiva de Arte Negra; cenário de Luciana dos Santos; figurino de Marcial Ávila e Lu Silva; e consultoria artística do bailarino e coreógrafo Rui Moreira, diretor da Cia. SeráQuê?.

 “Ancestralidade: Herança do Corpo” foi construído a partir de agosto, sendo um desdobramento do espetáculo anterior, “Quebrando o silêncio”. Agora, através do patrocínio da CEMIG, via a Lei Federal Rouanet de Incentivo à Cultura, a Cia. Baobá apresenta a nova montagem. No processo, os atuais 14 integrantes da companhia – entre bailarinos, atores e percussionistas – tiveram um momento de formação. O consultor do espetáculo, Rui Moreira, deu oficinas de dança contemporânea. Também participaram dos momentos de formação com os integrantes, Mamour Ba, com canto, dança e percussão da África; o percussionista Carlinhos Oxóssi, com oficinas sobre os ritmos da tradição religiosa afro-brasileira; Marquinho do grupo Encaixa Couro, sobre brincadeiras de roda e o batuque; Mestre João Bosco, com oficinas de capoeira angola e dança afro-brasileira, e Evandro Nunes, do Teatro Negro e Atitude, na preparação cênica.  

 

Sobre a Cia. Baobá

Criada em 1999, por Júnia Bertolino junto com o também bailarino e coreógrafo William Silva e o músico Jorge Áfrika, a Cia. Baobá de Arte Africana e Afro-brasileira surgiu para resgatar no cenário das artes cênicas de Belo Horizonte a representação e valorização das matrizes africanas presentes na identidade do povo brasileiro, retratados através da dança, música, poesia e teatro, a partir de pesquisas sobre a presença dessas matrizes no caldeirão da cultura nacional. Este ano Cia. Baobá completará dez anos de estrada e apresentar seu novo espetáculo de dança, intitulado “Ancestralidade: Herança do Corpo”. Concebido, dirigido e coreografado por Júnia Bertolino e direção cênica Evandros Nunes, sendo  que  o  primeiro  trabalho  da  Cia  é o  espetáculo Quebrando o Silêncio.  

 

Sobre Júnia Bertolino            

Com formação em comunicação social (jornalismo) e Antropologia com especialização em Estudos Africanos e Afro-brasileiro, Júnia iniciou-se na dança afro em 1995, no Centro Cultural da UFMG com o professor Evandro Passos, criador da Cia. de Dança Afro-brasileira Bataka. Nessa época, foi convidada para ser uma das bailarinas da Bataka, a primeira companhia a que pertenceu, com a qual viajou para apresentações na Itália, durante o Festival Internazionale del Folklore, em Roma. Foi bailarina convidada dos espetáculos “Brasil Mestiço” (1996) e “Kizomba – 500 anos”, da Cia. Danç’Arte de Marlene Silva.            

Em 1997, passou a integrar a Cia. de Arte Primitiva, dirigida pelo Mestre João Bosco, com quem aprimorou sua técnica na dança. Até que em 1999, fundou junto com Jorge Áfrika e William Silva a Cia. Baobá de Arte Africana e Afro-brasileira.            

Dentre muitas apresentações e espetáculos, em 2007, Júnia foi convidada para integrar o Coletivo Afro Minas, criado pelo bailarino Rui Moreira, para montar e encenar no Verão Arte Contemporânea o espetáculo “Thiossan” (na tradução em wolof quer dizer “tradição”), dirigido por Mamour Ba, em que dividiu palco com o próprio Rui e o Mestre João Bosco, com trilha do grupo Conexão Tribal African Beat, de Mamour. No cinema, destacam-se as participações nos filmes “Uma Onda No Ar” (2001), de Helvécio Ratton, e “Vinho de Rosas” (2003), de Elza Cataldo. No teatro, participou das peças “Besouro Cordão de Ouro” (2007), de João das Neves, e do espetáculo montado na 4ª edição do Festival de Arte Negra (FAN) pelo Coletivo FAN da Cena, intitulado “Árvore do Esquecimento”, dirigido por Grace Passô, Luis de Abreu e Jessé de Oliveira. Atualmente  faz parte da Diretoria de Arte do NEGRARIA – Coletivo de Artistas Negros/as.  

 

Ficha técnica:  

 

“Ancestralidade: Herança do Corpo”, da Cia. Baobá de Arte Africana e Afro-brasileira

Direção geral e coreografia: Júnia Bertolino

Direção Cênica: Evandro Nunes

Direção musical: Mamour Ba

Consultoria artística: Rui Moreira

Preparação corporal: Mestre João Bosco

Figurino: Marcial Ávila e Lu Silva

Cenário: Luciana dos Santos

Iluminação: Geraldo Otaviano

Cabelos e maquiagem: Dora Alves, Marisa Veloso e Lú Santana

Registro fotográfico e audiovisual: Netun Lima, Renata Mey e João Álvaro

Elenco: Júnia Bertolino, William Silva, Fred Santos, Alex Diego Tamborilar, Eric Delo, Jander Ribeiro, Evandro Nunes, Lu Santana, Lu Silva, Andréia Pereira, Gaya Dandara Campos, Gabriela Rosário, Camila Rievers,  Gilmara Guimarães e Marisa Veloso.

Elenco convidado: Mestre João Bosco

Músicos convidados: Mamour Ba e Cheikh Ba  

 

Serviços:

Espetáculos:  quebrando  o   silêncio  e  “Ancestralidade: Herança do Corpo”, da Cia. Baobá de Arte Africana e Afro-brasileira

 

Contato para show e informações: (31) 99176762  ou  3467-6762  

[email protected]   [email protected]   

site: http://www.myspace.com/ciabaoba

 

Lançamento do Cd Cultura Popular para a Paz

Gostaria de anunciar o lançamento do Cd Cultura Popular para a Paz, produzido cuidadosamente pelo Núcleo Holístico de Capoeira do Professor Feinho, do Centro Cultural Senzala.

São 25 músicas inéditas, 15 músicas de capoeira, 2 sambas, 1 repente, 7 músicas infantis e mais 18 faixas didáticas com toques de berimbau e atabaque. Mais um encarte com todas as músicas para acompanhar.

  • Composições:Feinho, Ciça e Fernanda
  • Músicos:Feinho, Ciça, Fernanda e Pantera
  • Produção gráfica:Pantera
  • Participações:Pezão, Pombo, Axé, Trovão e Victor

Nosso trabalho com a capoeira é estruturado em uma nova metodologia de ensino que une a metodologia e a tradição do Centro Cultural Senzala que tem como diretor o Mestre Peixinho, com a metodologia utilizada na UNIPAZ — Universidade Holística Internacional, que tem como reitor o doutor Pierre Weil, um dos pioneiros em trazer os conceitos holísticos e transdisciplinares ao Brasil. Esta metodologia criada pelo Professor Feinho tem como finalidade criar uma cultura de paz, possibilitando uma consciência holística. É uma metodologia não apenas efetiva de golpes, mas também afetiva, oferecendo saúde ao músculo mais importante do nosso corpo que é o coração.

A nossa missão é contribuir para a eclosão de uma Cultura de Paz na Capoeira e no Mundo. Para alcançar esta meta, foi necessário resgatar os elementos pacíficos e integrativos herdados pelos grandes mestres da nossa cultura, aliando-os a uma abordagem Transdisciplinar e Holística, que considera o todo e as partes, o sujeito da história e a história do sujeito, Ciência, Arte, Tradições Sagradas e Filosofia, Corpo, Emoções, Pensamento e Intuição. Nosso trabalho visa preservar a Capoeira e suas manifestações corporais, musicais, históricas, ritualísticas e culturais, ao mesmo tempo em que desenvolvemos as ecologias pessoal, social e ambiental.

“Não aguento mais corrente chega de criar feitor, capoeira é é muito mais enquanto aliada ao amor”

INFORMAÇÕES:

21 7833-5028
[email protected]
www.professorfeinho.blogspot.com

Visitem o MySpace e escutem algumas músicas!!! – www.myspace.com/

Esportivização de Práticas Corporais

Hoje ainda vivemos numa sociedade capitalista onde a população é dividida em classes sociais. Elas lutam por seus interesses buscando seus objetivos

O objetivo da classe trabalhadora, das camadas populares, tem origens históricas e uma conotação pela sobrevivência, ou seja, pelo direito ao emprego, ao salário, alimentação, habitação, saúde, educação, etc. São objetivos de condições  básicas  de   vida.

A classe proprietária tem como objetivo o de acumular riqueza, ampliar a margem de lucro, o patrimônio e de garantir sua posição privilegiada através do domínio do poder, estabelecida por uma ideologia dominante conquistada pela exploração. Não abre mão de seus interesses e nem pretende transformar a sociedade para uma mais justa onde todos tenham um tratamento digno de vida.

 

 

O domínio da classe proprietária é estabelecido por sua ideologia que nada mais é uma forma de alienação social que tem uma razão de pensar impondo seus interesses, seus valores, sua ética e sua moral a todos os indivíduos, desrespeitando as diversas culturas, os percursos históricos de cada etnia e suas posições sociais que se encontram. Nas escolas, nas universidades e toda a mídia faz a transmissão desta ideologia onde todos passam a assimilar esta consciência dominante e, o pior, a reproduzi-la.

 

 

Hoje, a razão estabelecida por esta ideologia dominante é apenas de ter lucro, de ampliar o lucro, que está à cima das questões básicas de sobrevivência onde todos, independentes de classe social, se comportam numa ótica individual soterrando o coletivo, o espírito comunitário, o próprio equilíbrio da natureza.

 

 

Desta forma, tudo que possa render lucro é absorvido neste sistema se transformando em mercadoria, em negócio, mesmo que tenha que se distanciar dos objetivos históricos, sociais e culturais que a gerou. Não escapa nada até mesmo o nosso corpo, nossa alma e nossas raízes.

 

 

O esporte que encontramos hoje tem uma conotação muito forte com o lucro, com o rendimento, para se sustentar na lei do comércio. Sua sustentabilidade esta diretamente relacionada com a amplitude do seu consumo.

 

 

Este processo que se encontra o esporte vem de uma concepção de uma prática corporal ocidental, traduzindo uma expressão de máxima produtividade mecânica do corpo incitada pela mente que está separada deste corpo, atendendo as regras de rendimento.

 

 

A partir desta ótica, as práticas corporais de outras culturas quando surge na sociedade tende a adecuar-se as regras de rendimento para sobreviverem no comércio das modalidades corporais, ou seja, a esportivização.

 

 

A esportivização de práticas corporais de outras culturas molda seus movimentos dando um caráter competitivo, mecanicista, distanciando-se de suas origens e de seus objetivos sócio-culturais.

 

 

É claro que tem outras maneiras de se fazer o esporte como por exemplo o esporte participativo, o educacional, tão bem colocado pelo professor Manoel José Gomes Tubino, em seu livro – Dimensões Sociais do Esporte; mas o que predomina na sociedade é o esporte de rendimento mesmo fora de seu contexto. Mesmo assim não se pode transformar qualquer prática corporal seja qual for o esporte desejado, pois se corre o risco de despoja-las de seus significados culturais.

 

 

O movimento do corpo nada mais é uma expressão com gestos, com ritmos, de sentimentos, de adornos e cores que significam a cultura e visão de mundo de cada povo construído ao longo do percurso histórico de cada um. Com muita certeza as práticas corporais da cultura ocidental são bem diferentes da cultura oriental, da africana, da indígena, etc. Todas elas têm sua importância pois traduzem visões de mundo diferentes com seus saberes e que estão presentes na composição da sociedade. Devem ser respeitadas porque formam a identidade de cada nação.

 

 

Um grande exemplo é a capoeira que já faz parte do currículo do curso de Educação Física. Mas quais capoeiras estão transmitindo nas Universidades ? A capoeira de Federação que almeja as Olimpíadas ? Ou a capoeira de academias que já mesclaram com outros fundamentos de artes marciais ? Ou a capoeira com a sua linguagem de resistência histórica que faz parte de uma totalidade cultural africana ?

 

 

Segundo Muniz Sodré “… a capoeira define-se como um jogo. Este termo não designa aqui simples distração, mas um conjunto ritualístico de procedimentos, voltados tanto para o combate contra um adversário como para a expressão do júbilo corporal, dentro do quadro histórico e mítico da etnia dita negro-brasileira, cujos valores são também ditos de tradição. Para o homem de tradição, ser não significa simplesmente viver, mas pertencer a uma totalidade, que é o grupo. Cada ser singular perfaz o seu processo de individualização em função dessa pluralidade instituída (o grupo), onde se assentam as bases de sustentação da vida psíquica individual”.

 

 

A capoeira faz parte de uma cultura africana onde o mundo visível (aiye) está entrelaçado com o mundo invisível (Orum) e que tramitam os ancestrais, as forças da natureza representadas pelos Orixás, compondo assim uma visão de mundo diferenciado que faz parte do sistema universal, no qual seu saber é muito transmitido pela  corporalidade.

 

 

A corporalidade faz parte da comunicação oral pois abrange varias formas de transmitir o saber. Marco Aurélio Luz descreve que : “dessas formas de comunicação, destaca-se a dramatização, que se compõe de diversos outros sistemas simbólicos que se combinam entre si, tais como  um sistema gestual que se exprime nas invocações, nas danças, cumprimentos, etc., num sistema musical polirítmico, composto também nos cânticos, KORIN, e dos poemas de louvação, ORIKI, dos sistemas de cores, do vestuário, das jóias e emblemas, das esculturas, etc., etc”.

 

 

A capoeira está concebida dentro desta cultura afro-brasileira. Sua construção vem destas raízes que estão presentes na alma do povo brasileiro. É preciso preservar a cultura popular porque ela traduz a vida, formada com o povo e com ele aprender seu sentido temporal, ajustado às várias etapas históricas do nosso caminhar.

 

 

Adulterar práticas corporais, com suas culturas, adequando por  forças externas, estranhas às suas origens e alheias às condições históricas que ajustam permanentemente sua expressão, significa soterrar nossas raízes.

 

 

Cláudio Accurso nos alerta para o risco destas adulterações: “É simplesmente, o de perda da identidade nacional, caminho inevitável à subordinação e ao desaparecimento da personalidade de um povo. Adulterar uma cultura com tudo que tem de tradição e forma de ser de uma coletividade significa nada mais nada menos que arrancar-lhe a memória. Quem perde a memória perde a capacidade de julgar conveniências; perde, portanto, a faculdade de estabelecer propostas que consultem seus interesses. Perder a memória é aceitar tutelas e suas conseqüências”.

 

 

Assim entendemos que existem várias práticas corporais e que deve ser respeitadas suas origens e seus significados. Não admitimos uma cultura dominante e que todas devam estar sob sua tutela, atendendo um sistema que visa apenas o lucro e convive com a exclusão social.

 

 

Referência Bibliográfica

  • Accurso, Anselmo da Silva. Capoeira: Um Instrumento de Educação Popular. Edição
    Independente. Porto Alegre, 1995.
  • Coletivo de Autores. Metodologia do Ensino de Educação Física. Cortez. São Paulo, 1992
  • Brandão, Carlos Rodrigues. O que é Educação. Brasiliense. São Paulo 1985.
  • Freire, Paulo. Educação e Mudança. Paz e terra. São Paulo, 1988.
  • Luz, Marco Aurélio. Agadá – Dinâmica da Civilização Africano-brasileira. SECNEB- Universidade Federal da Bahia. Salvador, 1995.
  • Rego, Waldeloir. Capoeira Angola – Trabalho Sócio-etnográfico. Itapuã. Salvador, 1985.
  • Santin, Silvino. Educação Física – Outros Caminhos. Ed. Da Escola Superior e Espiritualidade Franciscana . Porto Alegre,1990 .
  • Santin, Silvino. Da Alegria do Lúdico a Opressão do Rendimento. EST – Edições. Porto Alegre, 2001.
  • Sodré, Muniz. Mestre Bimba – Corpo de Mandinga. Manati. Rio de Janeiro 2002.
  • Sodré, Muniz. Capoeira e Identidade (Texto). Esporte com Identidade Cultural – Publicações INDESP. Brasília, 1996.

 

 

Anselmo da silva Accurso, professor de Educação Física, pós-graduado em Educação Popular.

Professor da disciplina de Capoeira da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS- RS,

Professor de Capoeira da Secretária Municipal de Esporte e Lazer – SME – POA/RS.

Professor da Associação Cultural de Capoeira Angola Rabo de Arraia – ACCARA.

Feliz Aniversário, mestre Squisito!

O capoeirista Reginaldo da Silveira Costa, Mestre Squisito, completa, em 11 de março de 2009, 56 anos de idade, nasceu em Montes Claros/MG no dia 11 de março de 1953, sendo filho de José Gomes Costa e Iracema de Paula, ambos mineiros, nascidos também em Montes Claros, já falecidos.

Parabéns e muitos anos mais de vida, com muita saúde, perseverança intemerata e ousadia intimorata para as mais puras realizações do espírito nas rodas da vida, nas marés sociais e na união familiar para que a capoeira continue a ter você na linha de frente a desbravar, a fomentar, a divulgar, a ensinar e a dignificar em tom maior e alto relevo o que é ser capoeira…

Mestre Squisito

“Seis de dezembro de 1974, sexta-feira, Academia Tabosa, quadra 505 Sul, sete da noite. Subo as escadas apressado com o coração disparado: era meu batismo de capoeira!

Mal consigo chegar ao vestiário e colocar a malha branca, novinha, colada no corpo que era o último modelo de uniforme lançado na Academia Tabosa. O ruído das pessoas, muitos mestres, muitos estranhos, um frio perpassa a barriga: é hoje! Troco atropeladamente a roupa e corro para o salão da academia, pois o Mestre já anuncia o começo da festa.

Todos se organizam em volta da roda. Parece que não cabe todo mundo e mesmo assim as pessoas se ajeitam e encontram uma maneira de ficarem o mais próximo possível. Berimbaus, pandeiros, atabaques, começam a orquestrar um ritmo afinado, produto de um ensaio que ninguém fez!

Yyêêêhhhhhhhhh!!!!!!! – Grita o Mestre Tabosa.

Aquele grito corta o ar e o tempo e transporta a todos para uma viagem mântrica através da História e reconta todas as agruras que já atormentaram a humanidade. É um grito de dor, contra a dor! A favor da liberdade, contra a escravidão! Exigia o fim do cativeiro, anunciava a festa!

Exorcizava todas as diferenças, exigia a igualdade! Respeitava a morte, mas anunciava a vida!

Fluía origem era o corpo, mas sua gênese era a Alma!

E o Mestre Tabosa solta a voz e começa a cantar: Ô luanda êh, pandêro! Luana êh Pará… E um coro de cem vozes responde: olêlê!!!!!!

E veio o meu arrepio, o meu primeiro arrepio de capoeira! Uma energia tão grande que os olhos se iluminaram de emoção, o coração disparou mais que o atabaque; a pele fez-se o corpo todo que pareceu expandir, inflado pela emoção e pelo axé!

Aquele eco ainda hoje percorre o meu coração e minha alma… Aquelas pessoas, a maioria pelo menos, não mais se encontram nessa Roda da Capoeira, estão por aí, na Roda da Vida, jogando a sua sobrevivência! Mas, dentro delas, na dimensão transcendental e atemporal do seu Espírito, cada uma guarda aquele eco, aquele grito, aquela roda!

Os Mestres que ali estavam são hoje parte daquele eco.

Meu Padrinho de Capoeira, Mestre Tonhão, onde quer que ele esteja, é hoje parte inseparável da minha vida na Capoeira!

A ele, e a todos os Mestres que estiveram presentes naquele momento, gostaria de poder entregar um prêmio inusitado: aqui está Mestre, o meu orgulho humilde de ter sobrevivido a todos os desvarios, percalços e barreiras que a estrada da vida me aprontou até agora e ter permanecido nessa roda de capoeira! Esse é o troféu mais significativo que posso lhe dar, a minha própria História, contada a partir de sua referência, do seu exemplo e do que você mostrou quando esteve presente naquele momento e que construiu adicionando sua energia àquela roda, àquele batismo, àquele grito, àquele arrepio! Naquele momento, você estava construindo a História da Capoeira, da capoeira de Brasília, do Brasil e do mundo! Você, Tonhão, Tarzan, Melquiades, Tranqueira, Sansão, Clodoaldo, Clodomir, Gil, Pombo de Ouro, Russo, Louro, Arraia, Monera, Adilson, Onça Tigre, Bertinho, Chibata, Vieira, Danadinho, Angoleiro, Fritz, Nenê, Beto, Jacinto, Cordeiro, Cabeludo, Periquito, Gavião, Leoná, Carlindo, Diabo-Louro, Futica, Cascavel, Rui, Alcides, e particularmente a Você, Mestre Tabosa, meu Mestre na Capoeira, e tantos outros, enfim, todos aqueles que fazem essa História, escrita a cada dia no labor dessa grande roda da vida, ao sabor dessa maravilhosa energia, que vem sendo reconstituída em cada um desses que fazem a passagem do bastão para a continuidade da História, da Capoeira, da nossa própria vida!

A eles essa homenagem quer chegar, a todos eles!”
 

Este texto foi gentilmente cedido ao Jornal do Capoeira por Danillo César “Canguru”, Editor do Jornal MUNDO CAPOEIRA, do Estado do Tocantins.

http://www.jornalmundocapoeira.com/?pg=noticia&id=447

Fonte: http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=1084

 

Mestre Squisito: [email protected]

Maranhão: Mestre Felipe morre aos 84 anos

Faleceu por volta das 20h30 de ontem, aos 84 anos de idade, Felipe Neres Figueiredo, o Mestre Felipe, um dos maiores mestres de tambor de crioulas do Maranhão. Ele estava internado no Hospital Universitário Presidente Dutra há duas semanas e ontem teve uma parada cardíaca, em decorrência de um efizema pulmonar e uma obstrução na uretra.

Mestre Felipe era natural de São Vicente Férrer e começou a tocar tambor aos três anos de idade. Atualmente ele comandava o Tambor de Crioula União de São Benedito – Mestre Felipe, com vários CDs gravados.

O corpo de Mestre Felipe deveria ser levado ainda na madrugada de hoje para a casa dele, na rua São Jorge, número 5, na Vila Conceição/Coroadinho, próximo à Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Mas será trasladado para a sua terra natal, à tarde ou amanhã, para ser sepultado, pedido feito pelo mestre.

Fonte: Jornal Pequeno – http://www.jornalpequeno.com.br

Foto:G.FERREIRA

Capoeira é luta de bailarino, é dança de gladiador!

DanceBrazil é uma Cia de dança composta por artistas de diferente formação: reúne profissionais de dança e profissionais de capoeira.

Foi fundada em 1977 em New York e em 1993 mudou para Salvador com objetivo de manter um contato mais forte com suas origens para depois traduzi-las no palco em uma linguagem contemporânea e expressiva.

Os trabalhos do coreógrafo e Mestre de capoeira, mais conhecido como Mestre Jelon, tem uma forte influencia da capoeira e se tornam uma mistura bem interessante de dança e de acrobacias típicas da capoeira.

Ritmos é o trabalho mais recente da Cia, no palco se misturam os rimos tradicionais brasileiros entre os quais samba e capoeira, tocados ao vivo pôr músicos baianos.

A tournée já foi pra varias cidades dos EUA e voltará em agosto em New York.
Nesse ano de 2008 Mestre Jelon foi reconhecido como “Patrimônio Nacional”, recebendo o premio “Tesouro Nacional” do National Endowment for the Arts.

Essa homenagem as artes tradicionais premia artistas que se destacam para sua excelência e sua contribuição ao patrimônio artístico da nação.

Por: Raphael Silva de Novaes (Graduado Fogo)

Como foi participar da montagem de um espetáculo?

Participei da criação de alguns espetáculos, como: “Retratos da Bahia” 2005, ”Desafio” 2006, “Ritual” 2007 e “Ritmos“ que foi criado recentemente em 2008.
É sempre bom ter a experiência de estar participando de novos espetáculos e novas criações, pois a coreografia acaba vestindo na gente e ficando natural do nosso corpo.
Nunca é fácil!

É sempre um trabalho intenso, sutil e bem elaborado para obter bons resultados, para isso a capoeira me ajudou com a disciplina, a concentração e o trabalho do corpo.
Vivo uma experiência única, pois incluir a capoeira em uma outra área é muito interessante.
Por min o mais importante é manter a raiz e a essência da capoeira sempre viva, ou seja, continuar sendo capoeirista em todo momento!

Por: Paulo Edson da Silva (prof. Chuvisco)

Como vive o fato de ser um capoeirista dentro de uma Cia de dança?

A experiência tem sido boa e valida. Meu inicio foi muito difícil por não ter no meu corpo a linguagem da dança (contemporânea, moderna, balê ou afro). Mas essa fase com tempo passou, porque fui adquirindo conhecimentos através das aulas de dança que temos que fazer todos os dias antes dos ensaios. Paralelamente as minhas dificuldades com a dança, vi os dançarinos passando pelo mesmo processo que passei mas com a Capoeira. Como a dança foi muito difícil para min, a Capoeira foi para os dançarinos que estavam entrando na mesma época no DanceBrazil.

Como foi seu encontro com a dança?

Em 2002 ao reencontrar o mestre Jelon (hoje meu mestre), em Goiânia, no evento de Capoeira, fui convidado para ir a Salvador para participar de umas aulas de dança com o DanceBrazil.
Ele queria ver como eu assimilava movimentos de dança com capoeira. Confesso que no inicio não fui tão bem, mas o mestre acreditou em min dizendo que eu precisava de muito trabalho para mudar meu corpo. Então, continuei indo a Salvador por dois anos para participar dos ensaios e continuar meus treinos de dança com o DanceBrazil. Depois de três anos indo e voltando a Bahia entrei no DanceBrazil (2005) para participar da minha primeira tournée nos EUA, com a coreografia "Retratos da Bahia" de autoria do mestre Jelon. Mas infelizmente, meu visto foi negado e só consegui viajar em 2006 participando de "Retratos da Bahia” e "Desafio".

DanceBrazilComo é processo de formação do show ?

A única experiência que tenho com dança é com o DanceBrazil.
O mestre sempre nós da espaço para ajuda-lo com idéias de movimentos. E agora sou o professor de Capoeira do DanceBrazil portanto tenho uma grande responsabilidade: ensinar capoeira para os dançarinos e trazer movimentos novos para que sejam explorados por eles dentro do trabalho que está sendo criado.

A idéia sempre vem do mestre: ele que escolhe o tema, sempre que termina uma coreografia já está falando de outra!

O processo de criação do mestre é muito interessante: a primeira semana ele faz muitos laboratórios com os dançarinos e capoeiristas usando os movimentos de dança e da capoeira. Para ele, tudo tem que fazer sentido, os movimentos não podem simplesmente só ser “um movimento”: eles tem que significar algo dentro do tema que ele visualizando.
Por exemplo o balé "Ritmos" mostra exatamente o que Dias Gomes fala na poesia dele "…simbiose perfeita de força e ritmo, poesia e agilidade, única em que os movimentos são comandados pela música e pelo canto…"

Para o mestre criatividade é como uma estrada, onde nela viajamos com destino á perfeição.
A Capoeira e a dança percorrem um caminho diferente, pra chegar, no final, ao mesmo lugar!

(Fotos gentilmente cedidas por Mestre Jelon)

Maiores informações sobre show:

[email protected]

Buffalo Dance Festival
http://www.buffalo.edu/community/ub_on_the_green.html

Central Park SummerStage
http://www.summerstage.org/index1.aspx?BD=20534

Santa Fé, New Mexico
http://www.aspensantafeballet.com/3/3d.html

Aspen Dance Festival
http://www.aspensantafeballet.com/3/3d.html

ÁGUA DE BEBER & desconto de 50% para capoeiristas

O espetáculo foi construído a partir de uma associação entre a música, o corpo em movimento e a reflexão sobre a capoeira e seus aspectos. O texto foi criado a partir de notícias de jornal entre o fim do século XIX e início do século XX, entrevistas atuais com mestres e estudiosos da capoeira como os Mestres Camisa e Nestor Capoeira, o escritor Muniz Sodré, o antropólogo Bernardo Conde e a neurologista Dra. Rosali Correia e o livro “SANTUGRI” de Muniz Sodré, cujas histórias curtas de “mandinga e capoeiragem”, remetem aos segredos, mitos e negaças de personagens como Besouro, Querido de Deus, Madame Satã e muitos outros.

A proposta cenográfica do espetáculo inclui a projeção de imagens, escolhidas pela artista plástica Brígida Baltar, que permeiam as cenas.

A música ao vivo, cujos temas afro-brasileiros, transcendem a tradição da capoeira, está bem presente, pontuando e dando ritmo ao espetáculo.

ÁGUA DE BEBEROutra riqueza desse trabalho está na expressividade do corpo impregnado pela capoeira, nas metáforas e associações com o comportamento cotidiano.

Além de apresentar uma visão histórica da capoeira, o espetáculo apresenta personagens que contam histórias fantásticas, convidando o público a ingressar no universo da capoeiragem. Água de Beber agrada aos capoeiristas e ao público em geral, apresentando as infinitas possibilidades que existem dentro desse manancial de criatividade que é a capoeira.

O DIRETOR

“Depois de 30 anos praticando, observando e estudando a capoeira, resolvi finalmente amadurecer este projeto, que há muito esperava nos arquivos a oportunidade de se concretizar. Trata-se de uma volta às origens, pois foi através da capoeira que descobri as possibilidades do meu corpo em movimento, da expressão da minha voz e do meu ritmo dentro de um grupo. A capoeira é uma fonte de inspiração inesgotável, à qual eu sempre retorno para matar a sede. Uma arte que se transforma e se molda como a água, de acordo com o contexto que se vive no espaço e no tempo do ritual de uma roda de capoeira. “Água de Beber” é uma reflexão atual sobre a capoeira, trazendo, não uma, mas muitas visões acerca de uma das manifestações mais ricas da nossa cultura popular”.

CLÁUDIO BALTAR

FICHA TÉCNICA

DIREÇÃO, CONCEPÇÃO E ROTEIRO: Cláudio Baltar
CO-DIREÇÃO: Fabianna de Mello e Souza
SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO E FIGURINO: Valéria Martins
DIREÇÃO MUSICAL E TRILHA: Rafael Rocha, Fábio Leão Pequeno e Sérgio Cebolla
PROJEÇÃO E PROGRAMAÇÃO VISUAL: Brígida Baltar
ILUMINAÇÃO: Aurélio de Simoni
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Andréa Cals
FOTOS: Andréa Cals e Mico Preto
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Ana Coll
ADMINISTRAÇÃO: Beatriz Sant’Ana
PREPARAÇÃO JOGO DOS BICHOS: Mestre Camisa
PREPARAÇÃO JOGO DE DENTRO: Marron Capoeira
TREINAMENTO DE MÁSCARAS: Fabianna Mello e Souza
VOZES EM OFF: Rodrigo dos Santos, Muniz Sodré, Bernardo Conde
CORDEL: Parafina, Lobisomem e Leão Pequeno
MÚSICA DAS MALTAS E MÚSICA FINAL: Bernardo Palmeira
MÚSICA “ÁGUA PRA VIVER”: Lobisomem e Cebolão
ESTÚDIO E MIXAGEM: Bernardo Palmeira
CONFECÇÃO DAS MÁSCARAS: Clívia Cohen
CONFECÇÃO DE INSTRUMENTOS: Sérgio Cebolla e Marcos China
CONFECÇÃO DE FIGURINOS: Maria das Graças Silva
ADEREÇOS: Cida de Souza
OBJETOS DE CENA: Marcos China
OPERADOR DE SOM E PROJEÇÃO: Filipe Farinha
OPERADOR DE LUZ: Daniel Galvan
ELENCO: Rodrigo dos Santos; Sérgio Cebolla; Fábio Leão Pequeno; Davi Mico Preto; Fábio Negret; Charles Rosa
REALIZAÇÃO: Intrépida Trupe

 

Serviço:

SESC TIJUCA – RUa Barão de Mesquita, 539 – Rio de Janeiro

Sexta, sábado e domingo as 20 horas

Ingressos a R$ 12,00 inteira e R$ 6,00 meia.

Capoeiristas pagam meia entrada.

Curso de “Capoeira Terapêutica” ou “Psicossomaterapia”

É uma nova modalidade de terapia indicada para todas as idades e condições físicas. Fruto de estudos, observações teóricas e práticas fundamentadas através da Filosofia, Psicologia e resultados excelentes. Nosso método de ensino vem de um longo trabalho, esforço, dedicação, contínua vigilância e superação de nosso próprio sistema, depois de muitos anos de haver dedicado ao ensino da Capoeira, e práticas de terapias afins.
Considerando os benefícios que a capoeira propicia colocamos a sua disposição, um ambiente de tranqüilidade, um novo e fantástico mundo de cultura física, mental e espiritual, cuidadosamente elaborado, por nosso Instituto visando um único objetivo: seu bem estar. Temos um objetivo em comum a Capoeira Terapêutica e, somos motivados pelo desejo de servir, de nossa parte você terá toda a garantia de SUCESSO.
Sozinhos somos ponto de vista. Solidários seremos união. E juntos alcançaremos nossos objetivos. ( RIVAIL, D.H. Léon.)

Capoeira Terapêutica ou Psicossomaterapia.

No Oriente existe o Zen; A Europa desenvolveu a Psicanálise; No Brasil temos o jogo da Capoeira.
(Nestor Capoeira)

É nova modalidade de terapia. Tem suas bases em atividades de Educação Física milenar, na Filosofia: oriental e ocidental, na Psicanálise, na bioenergética e na capoeira. É uma arte associada à terapia que prepara o homem para viver melhor (convivendo pacificamente e buscando a resolução dos seus problemas).Tendo uma atitude positiva perante a vida e se comportando em vista de um objetivo maior, coletivo.Visa a preparação da mente e do corpo de modo que as pessoas adquiram recursos mais adequados para realizar ideais nobres e éticos, desejáveis no meio social.

Desde os povos primitivos passando pela Antigüidade oriental até os dias atuais os exercícios físicos continuam merecendo destaque. No Oriente antigo podemos deduzir uma classificação onde identificamos finalidades de ordem guerreira, terapêutica, esportiva e educacional, aparecendo sempre a religião como pano de fundo, como todas as realizações orientais.

A civilização Grega marca o inicio de um novo ciclo na história com o aparecimento do mundo civilizado ocidental. A Filosofia pedagógica que determinou os caminhos a serem percorridos pela educação grega tem o grande mérito de conjugar a Educação Física com a intelectual e a espiritual. Postulava, dessa forma, o mais significativo de todos os princípios humanistas, pois o homem somente é humano enquanto completo. Sendo a educação Integral refletida na frase “mente sã em corpo sadio”. Em A República, Platão fala por intermédio de Sócrates a respeito do ideal da educação grega que unia a ginástica à música (esta concebida como cultura espiritual).

Chegando à Idade Média e ao Renascimento, encontramos vários pensadores renascentistas que dedicaram suas reflexões à importância dos exercícios físicos. Da Vinci estudou e escreveu sobre os movimentos dos músculos e articulações, um dos primeiros tratados de biomecânica que o mundo conheceu. Rabelais defende práticas naturais para a educação e, por isto, os jogos e os esportes deviam ser explorados. Montaigne exaltava a importância da atividade esportiva, quando defendia que não só a alma deve ser enrijecida, mas também o corpo. Francis Bacon defendia a execução de exercícios naturais, havendo estudado a manutenção orgânica e o desenvolvimento físico pelo aspecto filosófico.

Rousseau e Locke dedicaram especial atenção aos exercícios físicos. Suas teorias evidenciavam os aspectos benéficos da vida do campo e ao ar livre, com a prática de jogos, esportes e ginástica natural. Influenciado por Rousseau, o educador Pestalozzi orientou a ginástica por parâmetros médicos, objetivando correções de postura. Passando por Denizard H. L. Rivail com a concepção espiritual de homem; chegamos a Freud, que estabelece as bases do funcionamento psíquico criando a psicanálise e formando vários adeptos. Reich foi um destes que optou pôr seguir o seu próprio caminho desenvolvendo nova visão no tratamento dos pacientes descobrindo a energia orgone e a vegetoterapia. Alexander Lowen, discípulo de Reich, baseado nas teorias de seu mestre formula e publica o livro Bioenergética. Roberto Freire descobre a Somaterapia conjugada a Capoeira enquanto meio para lidar com os problemas físicos e psicossociais.

No livro A Alma é o Corpo, R. Freire coloca que: “A palavra Somaterapia surgiu em 1973 para designar o tipo de trabalho que realizava na época”. Discípulo de Wilhelm Reich, já passara a terapeutizar o corpo (Soma, em grego) de seus clientes. “A teoria da Soma deriva das transformações operadas nas descobertas de Freud pelo pensamento crítico de Reich”. Dá como exemplo disso, a obra Análise do Caráter, de Wilhelm Reich, que parte da psicanálise e termina abrindo as portas para a Bioenergética, que se consolida com seu livro A Função do Orgasmo. No campo propriamente psicológico, em última análise, a Soma tem origem no que se convencionou chamar de pesquisas neo-reichianas em Bioenergética, especialmente no trabalho de Alexander Lowen. Por esta razão, R. Freire utiliza o próprio Lowen para realizar a passagem de Freud à Bioenergética, passando por Reich e terminando por explicar como esses caminhos desembocaram na síntese da Soma.

Na obra A Arma é o Corpo, Freire diz ser a Soma uma terapia anarquista, como a criou e desenvolveu. Explica também por que a “Soma está agora associada definitivamente à Capoeira, que provou ser o melhor e o mais completo exercício para a liberação bioenergética, bem como a forma ideal e mais brasileira de levar as pessoas ao necessário enfrentamento interpessoal que possibilite a sua libertação como ser social”. Ao justificar essa associação, Freire lembra que a Capoeira foi, no Brasil, a arma utilizada pelos negros escravos para a libertação. “Neste período de escravização psicológica (neuroses), a juventude brasileira agora pode dispor da Soma – Capoeira, para a sua libertação”. Na fala do prof. Gladson O. Silva, do Centro de Práticas Esportivas da USP: “A Capoeira é um dos trabalhos corporais mais completos que se conhece, pois sua prática envolve o uso de vários grupos musculares, além de melhorar as condições cardiorrespiratórias e os reflexos”. Em decorrência temos hoje a Capoeira Terapêutica, ou seja: a Psicossomaterapia.

 

 

Inscrições abertas

Início dia 13/05/2008.
Horário: das 19:30 as 21:00, terças e quintas. Ou aos sábados das 15:30 as 17:30.
Local: INCORE (Instituto de Convivência Renovação).
Rua Marechal Hermes da Fonseca, 60 – Vila Carvalho – Sorocaba.
Tel: 3233-6355 hor. Comercial ou 9726-7016.

Cuide do Corpo e da Mente – Numa combinação única de exercícios físicos e mentais que integram: Saúde, Qualidade de Vida e auto-conhecimento.

Maria de Lourdes P. Santos. CREFITO; 3/8587-TO
Eduardo A. Santos. CREF: 9458 –T/SP, pedagogo, pós-graduado em psicologia pela USP e mestre de capoeira.

A Esportivização da Cultura Capoeirana: Dilemas e Desafios das Políticas Públicas para o Setor

Introdução

Atualmente, há um debate polêmico com contornos indefinidos no meio capoeirano que se remete ao campo em que essa manifestação deve se situar: no campo do esporte ou no da cultura? O fato é que, paulatinamente, vem acontecendo um processo de esportivização da capoeira no Brasil e sua intensificação deu-se a partir da década de 1970, por ocasião da vinculação dessa manifestação da cultura afro-brasileira à Confederação Brasileira de Pugilismo (CBP). Esse tratamento esportivo a ela dispensado foi, ao longo dos tempos, incrementado por competições, festivais, torneios etc, fomentados por algumas ações institucionais, como, por exemplo, os campeonatos organizados pela CBP, pela Confederação Brasileira de Capoeira (CBC)[1] e pelos Jogos Escolares Brasileiros (JEB’s)[2].

Entre os que debatem o fenômeno da esportivização no interior das práticas corporais em geral podemos encontrar vários autores que fundamentam suas críticas sob o argumento de que as manifestações da “cultura corporal de movimento” , ao serem esportivizadas, passam a ser tratadas de forma unidimensional e fragmentada, à medida que aspectos constitutivos relevantes inerentes às mesmas, como historicidade, determinantes sócio-políticos, subjetividade, exercício do lúdico, são subestimados em detrimentos de outros que caracterizam a lógica esportiva, como competição, racionalização, regramento, rendimento etc. No Brasil, podemos citar, entre outros autores: Bracht (1987, 1992 e 1997), Bruhns (1993), Castellani Filho (1988), Kunz (1991, 1994 e 1996) e Oliveira (1994).

A inclusão da capoeira no rol das práticas esportivas representa uma situação inusitada. Trata-se de uma manifestação oriunda das camadas subalternas, dos negros-escravos, que durante muitos anos foi condenada e proibida pelo poder constituído. Segundo Rego (1968), "o capoeira desde o seu aparecimento foi considerado um marginal, um delinqüente, em que a sociedade deveria vigiá-lo e as leis penais enquadrá-lo e puni-lo" (p. 291).

Ao adentrar o mundo esportivo, a capoeira passa a incorporar códigos e valores diferentes daqueles que a moldavam por ocasião de seu surgimento. Ela pode estar sendo recodificada, regrada e normatizada, negando, possivelmente, alguns dos seus elementos essenciais, como a o exercício do lúdico e espontaneidade.

Este artigo tem por objetivo analisar criticamente o processo histórico[3] de esportivização da capoeira a partir de suas relações com as instituições, os códigos e as legislações que regem o esporte nacional.

As considerações aqui apontadas podem servir como subsídios para a adoção de políticas públicas para o setor. A preocupação aqui não é identificar os indícios embrionários ou explícitos de conservação ou contestação dos valores impregnados no contexto da capoeira, sejam eles advindos da lógica esportiva ou cultural, nem tampouco defender o que é certo ou errado, mas tentar evidenciar a trama que se processa no interior dessa manifestação, a partir de arranjos e rearranjos traçados pelos sujeitos e instituições que com ela se envolvem.

 
Crítica Social ao Fenômeno da Esportivização

Cumpre aqui explicitar que o esporte é um dos mais expressivos fenômenos do mundo contemporâneo. Na esteira do capitalismo, expandiu-se a partir da Europa para todo o mundo e se transformou em expressão hegemônica no campo da cultura corporal de movimento.

Numa visão menos elaborada, esporte significa qualquer forma de exercitação física (jogos, lutas, danças e ginástica) cujo objetivo, para muitos, está associado a uma compensação do desgaste sofrido em decorrência do trabalho; ou então, a uma forma de canalizar o comportamento agressivo, ou ainda, a uma forma de satisfazer a necessidade de pertencimento a um coletivo. No sentido de entender melhor esse fenômeno, convém destacar que o esporte, tal como conhecemos nos dias de hoje, é resultado de um complexo processo de modificação de elementos da cultura corporal de movimento, que teve origem na Inglaterra, no século XVIII, a partir das transformações dos jogos populares pela nobreza inglesa, em decorrência da industrialização e da urbanização, que levaram a novos padrões de vida, com os quais aqueles jogos eram incompatíveis (DUNNING, citado por BRACHT, 1997, p. 10).

As características básicas que caracterizam o que poderíamos chamar de planeta esporte podem ser resumidas em: competição, rendimento físico-técnico, recorde, racionalização e cientifização do treinamento. É importante observar que tais características estão intimamente sintonizadas com os princípios que regem a sociedade capitalista.

Valter Bracht (1997) reconhece que o fenômeno esportivo é multifacetado, no entanto, identifica a supremacia de duas vertentes no seu interior: a) esporte de alto rendimento ou espetáculo e b) esporte como atividade de lazer. O esporte como atividade de lazer deriva do esporte de alto rendimento ou de espetáculo, mas também se apresenta de forma diferenciada em relação ao sentido interno de suas ações.

No bojo desse hegemônico fenômeno da cultura corporal de movimento, algumas críticas são levantadas, principalmente no contexto acadêmico, no que diz respeito aos seus valores humanos e sociais. Os fundamentos dessas críticas foram sistematizados por Bracht (1997) e estão consubstanciados, principalmente, nos pressupostos da teoria marxista ortodoxa, que analisa o esporte como elemento de reprodução da força de trabalho, nos da teoria crítica da Escola de Frankfurt, nos da teoria do “corpo disciplinado” de Michel Foucault e nos da teoria sociológica de Pierre Bourdieu.

É interessante destacar que tais críticas, mesmo que esporádicas e assistemáticas, remontam o início do século XX. Algumas delas estiveram associadas a movimentos sociais bem definidos, como, por exemplo, o movimento ginástico e esportivo organizado a partir de 1913 pelos trabalhadores da Bélgica, da Tchecoeslováquia, da França, da Inglaterra e da Alemanha, a partir de uma “Internacional Esportiva”. Os eventos esportivos e as olimpíadas dos trabalhadores aconteciam sem o uso do cronômetro, de fitas métricas e tabelas de resultados, exploravam exercícios lúdicos, as atividades coletivas e cultuavam gestos simbólicos de solidariedade. Este movimento realizou três grandes olimpíadas de trabalhadores e produziu grande quantidade de documentos que expressavam várias críticas ao chamada esporte “burguês”.

As críticas elaboradas a partir dos pressupostos de orientação frankfurteana (Teoria Crítica) tinham como referência básica o neo-marxismo expresso nas obras de Hebert Marcuse, Theodor Adorno, Max Horkheimer e Jürgen Habermas. Bracht (1997, p. 26 e 27), apoiado em Salamun, sumariza duas teses da Escola de Frankfurt que transpareceram na crítica ao esporte de forma mais pronunciada: a) a tese da coisificação ou alienação, segundo a qual nas sociedades industrializadas e no mundo do trabalho, a sociedade e os homens não são aquilo, que em função de suas possibilidades e sua natureza, poderiam ser. Neste caso, as relações se efetivam a partir de uma razão instrumental ou racionalizada, coisificando-as; b) a tese da repressão e manipulação, na qual a sociedade moderna altamente tecnologizada, industrializada e desenvolvida, representa um sistema de repressão, dominação e manipulação.

A partir dessa leitura, é possível afirmar que o esporte assume a função de estabilizador do sistema social como um todo, e pelo fascínio que exerce, muito bem monitorado pela mídia eletrônica, atua como um desvio da atenção das coisas que realmente garantem uma vida digna e como um atenuador das tensões sociais. Enfim, um elixir compensatório para amenizar as insuportáveis condições materiais em que vive a maior parte da população. “Assim, diluem-se as energias necessárias para uma transformação das condições societárias, que são assim inibidas e não acontecem. Todo gol comemorado no esporte é, na verdade, um gol contra a classe trabalhadora” (BRACHT, 1997, p.28).

Um outro aspecto destacado por Bracht (1997), refere-se à função ideológica do postulado da igualdade de chances no esporte. “A igualdade formal de chances no esporte pressupõe uma correspondente forma de sociedade. Tal idéia nega a fundamental desigualdade de chances inerente à sociedade capitalista e eleva o princípio esportivo da igualdade de chances a um princípio geral da sociedade” (p. 29).

As críticas ao esporte com base nos pressupostos do pensamento de Michel Foucault apontam que o mesmo promove disciplinação e controle do corpo através do treinamento e da manipulação, tornando-o uma peça da sociedade. Enquanto Adorno percebia o controle dos corpos através da manipulação psíquica, via meios de comunicação de massa, Foucault percebia tal integração sendo concretizada através de procedimentos disciplinares de corpos, levados a efeito por instituições como a escola, a fábrica, a prisão etc. Nesse raciocínio, o esporte moderno pode ser interpretado como disciplinador do corpo. Por intermédio do poder que circula e atua em cadeia em todas as instâncias sociais, o corpo é disciplinado não só no sentido “negativo” da repressão, mas também, no sentido “positivo” da manipulação/estimulação. A partir dessa ótica, o corpo já não tem linguagem própria, ele não se exercita, é exercitado, não é senhor de si, mas escravo de várias agências, como os clubes, os esportes, as torcidas, os quartéis etc., que os transforma em algo regulado, condicionado, fechado às experiências sensíveis.

As críticas ao esporte com base nos pressupostos da teoria da educação (socialização) de Bourdieu partem do princípio de que o consumo e prática do esporte contribuem para a reprodução das diferenças de classe. Segundo ele, o esporte traz consigo a marca de suas origens: além da ideologia aristocrática que aparentemente o propaga como atividade desinteressada e gratuita, perpetuada pelos rituais de celebração, “contribui para mascarar a verdade que realmente interessa, tanto nos dias de hoje quanto em sua origem (…)” (BOURDIEU, 1983, p.143).

Essas críticas endereçadas ao esporte em geral e ao de rendimento, de forma mais contundente, parecem não abalar a trajetória desse fenômeno. O esporte tornou-se unanimidade mundial, conquistou poder e é capaz de criar eventos que seduzem a maior parte da população do planeta, como a Copa do Mundo as Olimpíadas, por exemplo. Juntamente com a mídia, divulga padrões de comportamento de alto poder de contágio. Provoca histerias coletivas e, no caso do futebol, no Brasil, é capaz de desencadear comoção nacional e fazer com que todos (ou quase todos) seus habitantes se orgulhem de serem brasileiros, apesar das gritantes diferenças de classes sociais. Mas, por mais contundentes que sejam as críticas, por mais que tantos já tenham desaconselhado a sua prática, Kunz (1994, p. 44) destaca que “ninguém conseguiu abalar ou ameaçar, este tipo de esporte, mais do que ele próprio, nos últimos tempos” . E apresenta dois problemas muito sérios no mundo inteiro que podem levar à sua autodestruição: “o treinamento especializado precoce e o uso do doping” (p. 45).

As Propostas de Esportivização da Capoeira

O autor pioneiro a defender a capoeira como esporte foi Mello Morais (1893/1979) que na década de 1890 já sinalizava com a possibilidade da capoeira se transformar em “esporte nacional”. Como integrante das elites brancas da virada do século XIX, Mello Morais se utiliza de alguns argumentos realçados de positividade: a capoeira era esporte, era mestiça e era nacional. Para justificar seus postulados inverte praticamente todos os elementos dessa manifestação, construindo um “passado glorioso” para a mesma e destituindo o que ela tinha de “mal e bárbaro”. Com isso dá os primeiros passos no lento processo de transformação desse símbolo étnico em esporte.

Em 1928, o escritor Coelho Neto publicou o artigo “Nosso Jogo”, no qual apresenta uma proposta pedagógica de inclusão da capoeira nas escolas civis e militares, chamando a atenção para a excelência da capoeira como ginástica e estratégia de defesa individual. No mesmo ano, Aníbal Burlamaqui publica o livro: Ginástica Nacional (Capoeiragem) Metodizada e Regrada, onde apresenta regras para o jogo esportivo da capoeira (REIS, 1997).

Em 23 de julho de 1953, em Salvador, Mestre Bimba, o criador da Capoeira Regional[4], fez uma exibição com os seus alunos para Getúlio Vargas, no Palácio da Aclamação, ocasião em que ouviu do então Presidente da República: “a capoeira é o único esporte verdadeiramente nacional” (ALMEIDA, 1994, p. 44).

Outros autores apresentaram estudos sugerindo a transformação da capoeira em esporte institucionalizado. Entre eles, destaca-se o professor Inezil Penna Marinho[5]. Atualmente percebe-se que o movimento rumo ao processo de esportivização da capoeira tem adquirido mais vigor. Sob o discurso da necessidade de se organizar melhor para produzir mais, boa parte dos capoeiristas está adotando a lógica do sistema esportivo. Atualmente já são mais de vinte federações estaduais vinculadas a CBC.

Essa forma de organização da capoeira pelo víeis esportivo tem encontrado muitas resistências, tem sido alvo de ácidas críticas e tem servido mais para atender interesses pessoais e/ou corporativos do que para organizá-la efetivamente.

É importante reafirmar que a ação institucional que fomentou a vinculação da capoeira ao contexto esportivo foi o seu reconhecimento como modalidade esportiva pela Confederação Brasileira de Pugilismo (CBP), em 1º de Janeiro de 1973. Tal reconhecimento, e conseqüente regulamentação, não encontrou ressonância por parte de expressivo número de líderes da capoeira nacional. O que pode ser observado é que o vínculo com a CBP pouco contribuiu para o crescimento e organização da capoeira em geral. Com a criação da CBC, em 1992, fica explícita a adoção de uma política esportiva para esta manifestação. A clara intenção de padronização, normatização e unificação de procedimentos dão a tônica do discurso para evitar, segundo seu primeiro presidente, “que curiosos e aventureiros a tornem uma grande confusão internacional e venha a desaparecer por completo” (CONFEDERAÇÃO RESPONDE, 1997, p. 4).

O fato é que isso não ocorreu e a capoeira ganhou o mundo nos últimos anos e esse fenômeno não ocorreu sob a égide do esporte, mas fundamentalmente, como símbolo da cultura brasileira.

A inclusão da capoeira nos Jogos Escolares Brasileiros (JEB’s) a partir de 1985 foi também um dos grandes motivos que contribuiu para o fomento da esportivização da capoeira. A capoeira então se projeta ao fazer parte da mais representativa festa dos esportes estudantis no Brasil.

As tentativas de se organizar e normatizar a capoeira vêm contribuindo para a sua evidência no cenário esportivo brasileiro. Entretanto, muitas dessas tentativas esbarram, na maioria das vezes, em diversos impasses e conflitos de lideranças ávidas em verem seus projetos pessoais serem contemplados pelas políticas públicas de fomento ao esporte.

O que se questiona em relação a essas tentativas de padronização da capoeira dentro dos contornos do esporte de rendimento, é se elas não estariam negando a pluraridade dessa manifestação cultural, bem como os seus valores sócio-históricos e culturais arquivados em seus rituais cantos e gestos. Com uma boa dose de irreverência e fértil imaginação, os capoeiristas que discordam dessas estratégias vem chamando essa capoeira padronizada de “capoeira shopping center”.

Considerações Finais

Á luz do que foi apresentado, procuraremos apontar alguns dilemas que permeiam as políticas públicas para o setor.

O fato é que a capoeira ainda carece de uma consistente política pública que dinamize o seu potencial formador tanto no campo esportivo como no campo cultural. As iniciativas levadas a cabo pelo poder público ainda são rarefeitas e pontuais como, por exemplo, o programa “Ponto de Cultura” , encampado pela Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura (SPPC/MinC), lançado em março de 2005, com aporte de R$ 1 milhão e 850 mil, para a implementação de dez “pontos de cultura” para a capoeira na cidade de Salvador.

No discurso proferido para representantes das Nações Unidas, em Genebra, no dia 19 de Agosto de 2004, o Ministro da Cultura do Brasil proclamou que “não foi fácil para a capoeira colocar o pé no mundo” e transformar-se numa arte planetária. “Muitas foram as adversidades enfrentadas ao longo da história: preconceitos sociais e raciais, perseguições policiais e rejeição das elites”. Na ocasião, anunciou que o governo brasileiro estava disposto a fazer uma reparação histórica em relação a esta manifestação dos africanos escravizados no Brasil e, naquela tribuna européia, diante de diplomatas do mundo inteiro, promoveu o lançamento das bases de um futuro Programa Brasileiro para a Capoeira.

Torna-se necessário, nesse momento, retomar o sentido político original da capoeira, ou seja, os motivos subjacentes e as circunstâncias em que ela foi criada. Produção cultural dos negros à época da escravidão, serviu como estratégia corporal de libertação e pautou-se pela contestação às regras de dominação social.

Assim, ao contrário do esporte, cuja mensagem principal está centrada nos princípios básicos da sobrepujança e das comparações objetivas, que têm como conseqüência imediata o selecionamento, a especialização e a instrumentalização (KUNZ, 1991), a mensagem da capoeira embutida em seus gestos, rituais e cânticos sugere indeterminação, ruptura e ambigüidade, onde a arte e a mandinga, ao refletirem uma interioridade, uma visão própria de mundo, incompatibilizam a padronização e o regramento.

Para Bracht (1997, p. 70) o esporte é:

uma atividade com um conjunto de regras de fácil compreensão, ao contrário por exemplo, das regras do jogo político que são complexas e muitas vezes não transparentes. O resultado de uma competição é anunciado imediatamente após o seu encerramento e não deixa dúvidas (…). A simplicidade de sua linguagem, faz possível que um jogo de futebol seja entendido e apreciado tanto aqui no Brasil, quanto na China, por exemplo.

A visão de que para termos bons capoeiristas teríamos que ter campeões soa como uma hipocrisia. Obviamente, não estamos aqui defendendo a total ausência de rendimento. Isso é impossível, mas sugerindo, como propõe Kunz (1996), um “rendimento como algo necessário mas não obrigatório” (p. 101). Nesse sentido, estamos de acordo com Valter Bracht quando destaca:

A idéia defendida e disseminada (e falsa) é a de que para motivar e termos uma população ativa esportiva e fisicamente precisamos de heróis esportivos que atuariam como exemplos, análoga à idéia de que para construirmos bons carros de passeio precisamos desenvolver carros de formula l.(BRACHT, 1997, p. 83)

A ambigüidade parece ser um componente intrínseco da capoeira, quando vista sob a lógica da cultura popular. Numa análise aligeirada ela pode denotar indeterminação, incerteza, dúvida, mas isso não é uma falha, defeito ou carência de um sentido, como destaca Chaui (1989). Trata-se de uma propriedade que contém ao mesmo tempo várias dimensões simultâneas.

É dentro dessa concepção multifacetada que as políticas públicas para a capoeira devem ser geridas. Ou seja, através de programas interministeriais e intersetoriais que envolvam as diversas interfaces da capoeira. As políticas públicas poderiam contribuir enormemente para o fomento desta que é um dos principais veículos de divulgação da cultura brasileira.

 

Referências

ALMEIDA, Raimundo C. A. de. A saga de Mestre Bimba. Salvador: Ginga Associação de Capoeira, 1994.

BOURDIEU, Pierre. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983.

BRACHT, Valter. A criança que pratica esporte respeita as regras do jogo …capitalista. In: Vitor Marinho de Oliveira (org.). Fundamentos pedagógicos: Educação Física. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1987.

Educação Física e aprendizagem social. Porto Alegre: Magister, 1992.

Sociologia crítica do esporte: uma introdução. Vitória: UFES/CEFD, 1997.

BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei n. 85/95 do Sr. José Coimbra. Reconhece a capoeira como um desporto genuinamente brasileiro e dá outras providências, 1995.

BRUHNS, Heloísa Turini. O corpo parceiro e o corpo adversário. Campinas-SP: Papirus, 1993.

CASTELLANI FILHO, Lino. Educação Física no Brasil: a história que não se conta. Campinas: Papirus, 1988.

CHAUI, Marilena. Conformismo e resistência: aspectos da cultura popular no Brasil. 3ª Edição. São Paulo: Brasiliense, 1989.

CONFEDERAÇÃO RESPONDE. Jornal Muzenza: o informativo da capoeira., Ano 3, n. 28, p. 4, 1997.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino da Educação Física, São Paulo: Cortez, 1992.

KUNZ, Elenor. Educação Física: ensino e mudanças. Ijuí: UNIJUÍ Editora, 1991.

Transformação didático-pedagógica do esporte. Ijuí: UNIJUÍ Editora, 1994.

O esporte na perspectiva do rendimento. Diretrizes curriculares para a educação física no ensino fundamental e na educação infantil da rede municipal de Florianópolis-SC. NEPEF/UFSC-SME, 1996.

MARINHO, Inezil Penna. A ginástica brasileira: resumo do projeto geral. 2ª Edição. Brasília: Autor, 1982.

MORAIS FILHO, Melo. Capoeiragem e capoeiras célebres. In: Festas e tradições populares. São Paulo: EUSP/Itatiaia, 1979.

OLIVEIRA, Vitor Marinho de. Consenso e conflito na educação física brasileira. Campinas: Papirus, 1994.

PIRES, Antônio Liberac Cardoso Simões. A capoeira no jogo das cores: criminalidade, cultura e racismo na cidade do Rio de Janeiro (1890-1937). (Dissertação de Mestrado), História, Campinas-SP, Unicamp, 1996.

REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico. Salvador: Itapuã, 1968.

REIS, Letícia Vidor de Souza. O mundo de pernas para o ar: a capoeira no Brasil. São Paulo: Publisher Brasil, 1977.

SALVADORI, M. A. B. Pedaços de uma sonora tradição popular (1890 –1950) (Dissertação de Mestrado) Campinas: Unicamp, Departamento de História. 1990.

SOARES, Carlos Eugênio Líbano. A negregada instituição: os capoeiras no Rio de Janeiro, 1850-1890. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1994.

VIEIRA, Luiz Renato. O jogo de capoeira: cultura popular no Brasil. Rio de Janeiro: Sprint, 1995.

FALCÃO, José Luiz Cirqueira

Dr., Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Mestre de Capoeira

Palavras-chaves: capoeira, esportivização, poder.