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A guerreira Maria Felipa

Como lembrei no texto Onde estão as capoeiristas da história, em geral as mulheres capoeiras que se destacaram no passado ficaram esquecidas. Mas é importante conhecer a história dessas mulheres que são exemplo de coragem, persistência e determinação.

Uma dessas mulheres é Maria Felipa, a guerreira de Itaparica.

Maria Felipa de Oliveira viveu na Bahia no século XIX e teve um importante papel na Guerra da Independência, que ocorreu entre 1822 e 1824, para reafirmar a independência proclamada em 7 de setembro de 1822, até que esta fosse reconhecida por Portugal.

Na Bahia, assim como nas províncias de Cisplatina (onde atualmente é o Uruguai), Piauí, Maranhão e Grão-Pará, devido à concentração estratégica de tropas do Exército Português, as lutas foram mais acirradas. Quando a tropa portuguesa comandada pelo General Madeira de Melo tentou invadir a Ilha de Itaparica para controlar a guerra a partir da Bahia de Todos os Santos, Maria Felipa liderava as vedetas (vigias) da praia, um grupo de 40 mulheres que entrou no acampamento do exército português, atacou os guardas com galhos de cansansão, uma planta que provoca sensação de queimadura ao toque com a pele, e puseram fogo em 42 embarcações, promovendo baixas no exército.

Além de guerreira, Maria Felipa também atuou na gerra como enfermeira, socorrendo feridos, além de trazer para a resistência em Itaparica informações da guerra obtidas nas rodas de capoeira do Cais Dourado, para onde ia remando sua canoa.

Há quem acredite que Maria Felipa seja a identidade verdadeira de Maria Doze Homens, que ganhou este apelido após deixar doze homens no chão, porém não existe confirmação a respeito e há ainda outras versões, em uma das quais Maria Doze Homens teria sido companheira de Besouro Mangangá.

O atestado de óbito datado de 04 de janeiro de 1873, confirma que Maria Felipa sobreviveu à guerra e continuou levando sua vida na ilha por muitos anos, porém de seu nascimento nada se sabe.

A heroína foi retratada na obra de Ubaldo Osório, A ilha de Itaparica, e no romance Sargento Pedro, do escritor baiano Xavier Marques, onde são são contatos vários feitos atribuídos à capoeirista.

Fontes:

Capoeira Sou Eu

Conversa de Menina

Overmundo

Passeiweb

Wikipédia

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

IPHAN – Programa Pró-Capoeira

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), disponibilizou para os capoeiristas, pesquisadores e instituições diversas que trabalham com a Capoeira cadastro online, que poderá ser acessado através de linque no site do Ministerio da Cultura. Vale lembrar que a Rede Nacional da Capoeira já havia disponibilizado um cadastro similar, que foi elaborado através de modelo enviado via internet em documento word para preenchimento dos interessados. Devido a importância de tal cadastro, naquele momentos acreditamos ser importante disponibilizar aos membros de nossa rede e àqueles que ainda não eram este pré cadastro. Isto só veio mostrar que estávamos certos. Portanto, camaradas, não percam tem, acessem o site do Ministério da Cultura e façam o seu cadastro. Este será o primeiro passo para a criação do Plano Nacional de Salvaguarda da Capoeira e vocês não vão querer ficar de fora, vão?

Você poderá encontrar as fichas nos linques abaixo, nas Superintendências Estaduais do IPHAN ou nos seguintes sites:

Abaixo seguem os linques para vocês fazerem o cadastro de acordo com o seu perfil:

  1. Se você ensina capoeira clique aqui;
  2. Se você quer cadastrar um grupo de capoeira clique aqui;
  3. Se você quer cadastrar uma entidade que agrega grupos de capoeira clique aqui;
  4. Se você é pesquisador de capoeira clique aqui;
  5. Se você quer cadastrar uma instituição de pesquisa sobre capoeira clique aqui;

Isto é muito importante para [email protected] nós. Divulgue para seus amigos, para suas redes. Vamos democratizar está informação para o maior número de pessoas possíveis.

Com meu AXÉ,

Mestre Paulão
@mestrepaulao
Coordenador da Rede Nacional da Capoeira

Capoeira grávida, pode?

Embora a prática de exercícios durante a gravidez seja estimulada pelos médicos, a capoeira está longe de estar na lista dos esportes recomendados por eles. Um dos motivos é que os médicos logo pensam em uma roda, com pontapés, saltos e rasteiras. Outro motivo é que não é mesmo apropriado para uma mulher que não tem o hábito de praticar esportes, começar pela capoeira logo no período gestacional.

Mas a mulher que já é capoeirista, que já possui um bom condicionamento físico, pode continuar treinando ao engravidar, desde que tenha acompanhamento médico e tome os devidos cuidados.

As vantagens são a redução de sintomas comuns na gravidez, como o cansaço, inchaços, dores lombares, constipação, má circulação do sangue e varizes. Os exercícios também melhoram a oxigenação do bebê e a liberação de nutrientes para ele, ajudam no condicionamento físico da mãe, no controle do peso, atuam no estado psicológico da mulher, reduzindo as chances de depressão, melhorando a qualidade de vida e a autoestima, além de facilitar a recuperação pós-parto.

Entretanto, a capoeirista deve estar consciente de que o período gestacional não é o momento de aprender aquele movimento desejado que exige tanto equilibrio. Saltos, inclusive, são totalmente proibidos. Mesmo que sejam executados com perfeição e a capoeirista termine de pé, o simples impacto podem trazer complicações para a gravidez, como o descolamento da placenta, por exemplo.

Outros cuidados a serem tomados se referem à postura pois, ao se exercitar, é necessário respeitar a ação abdominal e o posicionamento da coluna. Também é importante evitar treinos em dias muito quentes, usar roupas leves, e beber bastante água, para manter a hidratação.

Para entrar na roda, a atenção deve ser redobrada, pois a capoeirista tem que estar ciente que, não é apenas ela que deve conhecer e tomar todos os cuidados exigidos nesse período, mas também o companheiro de jogo. Em caso de dúvida, melhor não jogar. Além disso, é importante ficar atenta ao cansaço e não abusar. O recomendado é que a grávida esteja sempre atenta ao ritmo dos batimentos cardíacos, que não devem ultrapassar 140 por minuto.

Vale reforçar que o acompanhamento médico é fundamental, pois os cuidados a serem tomados variam não só de acordo com o estado de saúde da mulher, mas também com o período gestacional em que ela se encontra. E, ao contrário do que muita gente pensa, os três primeiros meses de gravidez é que são considerados os mais críticos.

Referências:

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Alagoas: 1º Encontro Alagoano Feminino de Capoeira

A comunidade feminina capoeirista sabedor que o povo alagoano vem demonstrando cada vez mais um interesse por nossa cultura e tradição, sempre mantendo viva a chama do folclore brasileiro, vem pensando há tempos em realizar algo inédito no Estado de Alagoas: 1º Encontro Alagoano Feminino de Capoeira (1º ENAFEC).

Muitos eventos femininos já form realizados mas em Grupos de Capoeira e com presença dos homens. Este não tem Grupo e não terá participação masculina (exceto na roda mista). Nossa capoeiristas mostrarão neste evento que a mulher também tem um papel importante na capoeira.

Elas estarão se integrando e se conhecendo para que juntas possam mostrar sua força. Este evento será realizado no SESC Poço, nos dias 31/10 e 01/11/2009 e será uma forma de divulgar e conscientizar a população feminina como é importante a arte da capoeira.

Capoeira do Acre no Peru

Grupo chama a atenção de turistas de vários lugares do mundo durante Semana da Amazônia Brasileira em Cusco mostrando o esporte como ferramenta para integração

Não foram somente debates, seminários, exposições e rodadas de negócios que promovem o intercâmbio entre brasileiros e peruanos durante a Semana da Amazônia Brasileira, realizada em Cusco pelo Governo do Acre. O esporte também é uma ferramenta importante como incentivo à integração e esteve presente na agenda de atividades. Desde a última segunda-feira, 25, o Grupo Cordão de Ouro realiza apresentações e oficinas na Praça Regocijo, no centro da cidade peruana.

A altitude não ajuda muito os atletas. O ar rarefeito típico das regiões altas, pesa e diminui a pressão da atmosfera, causando grande dificuldade de respiração. A sensação de cansaço e falta de ar é grande. Mas não foi suficiente para tirar a disposição e a alegria típica de uma roda de capoeira.

O Mestre Francisco Alexandre, conhecido como Xandão, está à frente do grupo que durante essa semana apresenta um pouco da riqueza desse esporte tipicamente brasileiro. A capoeira, segundo ele, sempre atrai a atenção de pessoas do mundo todo por seu ritmo e gingado. “Hoje estamos com unidades do grupo também aqui no Peru, abrindo turmas aqui, porque há um interesse grande pelo esporte”, afirmou.

Para o professor, participar da Semana da Amazônia Brasileira em Cusco foi um momento importante, e a capoeira contribuiu para o objetivo de promover a integração. Prova disso foram as rodas, sempre no fim da tarde, que reuniram pessoas de diferentes nacionalidades, seja para jogar ou simplesmente assistir batendo palmas. E depois da apresentação, quem quisesse, ainda podia participar da oficina de capoeira realizada na praça mesmo, ao ar livre. “O Governo do Estado está de parabéns pela iniciativa, e o esporte é sem dúvida um importante instrumento de integração. Apesar do cansaço, a gente não consegue ficar muito tempo na roda, mas isso não tira nossa satisfação e alegria em participar”.

A turista Sophia Laurant veio da França para passear em Cusco e não resistiu a uma parada na roda de capoeira. “Conheço muitos brasileiros na França que praticam o esporte. Por isso já conheço o esporte. Eu acho um esporte bonito porque é uma luta que mistura dança, e tem uns passos diferentes”.

O brasileiro Celso Bess mora em Cusco onde é professor de português. Ele disse que já esperava esse momento de integração entre os moradores dos dois países. “Não tem como não acontecer. E a partir de agora esse movimento vai acontecer muito mais rapidamente com a abertura da estrada no próximo ano e com iniciativas como essa, de promoção de conhecimento entre brasileiros e peruanos. Eu não conheço o Acre, mas com certeza irei em breve”, disse o professor após ter participado da roda. “Até eu que já estou acostumado com a altitude me cansei. Mas foi divertido”. 

* Pessoas de diferentes nacionalidades participaram da roda em praça pública (Foto: Sérgio Vale/Secom)

Fonte:  Agência de Notícias do Acre – http://www.agencia.ac.gov.br/

Aniversário de Mestre Brasília, 67 voltas ao mundo e muita capoeira…

Antônio Cardoso Andrade, Mestre Brasília, nascido em 29-05-1942, é também um dos pioneiros da Capoeira paulista. Aprendeu com mestre Canjiquinha, de quem foi discípulo e amigo dedicado.

Veio para São Paulo, gostou, acabou ficando. Praticava capoeira na antiga CMTC, com mestre Melo, e na academia do mestre Zé de Freitas, no Brás. Conheceu então mestre Suassuna, e juntos fundaram uma academia, a “Cordão de Ouro”, que viria a se tornar no pólo principal da Capoeira paulista. Joga com extrema elegância e habilidade.

Atualmente, Mestre Brasilia está ministrando suas aulas no Galpão do Circo, R. Girassol, 323, Vila Madalena, SP. É vice-presidente cultural da Federação de Capoeira do Estado de São Paulo, entidade filiada à Confederação Brasileira de Capoeira e à Federação Internacional de Capoeira; atualmente, é presidente do Conselho Superior de Mestres – seção São Paulo.

O Portal Capoeira presta esta singela homenagem a um dos precursores da capoeira em São Paulo e deseja muita paz, saúde e muita capoeiragem para este grande mestre!!!

Fica aqui também um abraço especial pois gostaria de deixar registrado o quanto é importante para mim ter tido em meu batizado… + – 1988/89 na Escola Paulista de Medicina em SP, sob a organização dos Mestres Flavinho Tucano e Dal, CDO a presença ilustre de Mestre Brasilia, por quem tive a honra de ser batizado… ainda lembro como se fosse hoje: Terno branco… sapato branco… chapeu branco… a elegancia e o bom gosto de um grande mestre…

Felicidades Mestre Brasilia!!!

Homenagem Portal Capoeira
Luciano Milani
Portal Capoeira

Capoeira e Identidade Cultural

O assunto é: Capoeira e Cultura:
 
Roda de Capoeira em comemoração ao Dia da Cultura e da Ciência. Roda Realizada no Distrito Federal no Ministério da Culutra. O Ministro Gilberto Gil, toca berimbau, canta na roda e fala da Importância da capoeira como elemento de divulção da nossa cultura pelo mundo e também como elemento formador de nossa identidade cultural.
 
Nosso ativo parceiro Fábio Moreira de Araújo (Mestre Onça) nos envia uma matéria sobre o tema com uma abordagem bastante atual, dentro deste contexto remomendamos que assistam ao video e saboreiem o texto.
 
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Capoeira e Identidade Cultural

Para compreendermos um pouco mais a importância da capoeira como elemento formador das nossas raízes culturais, é necessário fazermos um retrospecto histórico para entendermos o contexto do seu surgimento e de outros elemento culturais como o carnaval e a música.  Em análise ao contexto histórico,  da situação do indígena brasileiro, observamos a sua importante contribuição na formação étnica do nosso povo. Notamos que no caso particular  dos indígenas, houve uma destruição dos seus valores  culturais que os identificavam como seres humanos.  Os europeus (portugueses), ao chegarem à América, encontraram esta terra habitada por seres humanos: milhões de índios. Por pensar que  estavam chegando as Índias, deram  a esses habitantes o nome de índios. Essa denominação permanece até hoje, mesmo depois de ter percebido o engano. Perguntas que muita gente faz até hoje é: Qual a sua origem? Como foi o seu contato com os brancos? “ A verdade consiste no seguinte: quando os portugueses chegaram já havia toda uma organização social dos indígenas, mesmo não sendo  grupos totalmente homogêneos. Os indígenas já dominavam conhecimentos nas áreas  de astronômia, ecologia, veneno de caça e pesca, tapiragem, borracha. Nas artes tinham conhecimento sobre a pintura corporal, plumagem, arte em pedra, madeira, cerâmica, desenho, música e dança”. (1)

“… Existiu todo um processo colonizador do qual os índios brasileiros foram vítimas. Primeiro foram cativados para o trabalho de exploração do Pau Brasil, em seguida a sua troca por objeto que exerciam fascínios e por último, veio a escravização e a tentativa de fazê-lo trabalhar na lavoura da cana-de-açucar…” ( Galleano apud, Piletti 1991. P. 20 ).  Dentro desse processo de aculturação, muitos índios que conseguiam sobreviver eram submetidos  a um processo de descaracterização  cultural  através da catequese e da própria convivência com o branco. Dessa forma, muitos foram perdendo a sua identidade cultural, substituindo seus valores, crenças e costumes pelos valores, crenças  e costumes do colonizador europeu.  Transformaram-se em seres marginalizados e explorados dentro da sociedade dos brancos.

(01)PILETTI, Nelson. História do Brasil. Ed. ÁTICA, 1991. Pp. 18/19.

Os índios dos Brasil perderam  a sua identidade, mas sempre-se rebelaram contra os colonos que tentavam escarvizá-los e muito desses grupos foram quase que totalmente exterminados. Em várias regiões mais rica do país, os senhores de engenho resolveram trazer escravos africanos para suas plantações.  Por volta de 1.550 teve início a presença negra no Brasil (chegaram da África os primeiros navios negreiros com escravos, aportando-se  em várias regiões do país). O tráfico tornou-se  uma atividade bastante lucrativa e milhares de negros foram trazidos para o  novo continente. Iniciou-se  um longo processo de formação da população étnica brasileira. “… A formação  da população brasileira originou-se  de três grupos  o indígena, o branco e o negro.  Do cruzamento entre esses diferentes grupos resultou o elemento étnico que genericamente chamamos de mestiço ( caboclo, mulato e cafuzo). O mestiço constitui-se  a origem do povo brasileiro. O caboclo é o resultado do cruzamento  do branco com o índio, o mulato é o cruzamento do branco com o negro e o cafuzo e o cruzamento do negro com o índio…”(2)

Dessa forma, o Brasil vai se  transformando num verdadeiro mosaico étnico cultural. Começam  a surgir as tradições  e lendas do nosso folclore.  A palavra folclore vem do inglês FOLK-LORE   “Pensamento popular”, criada pelo estudioso William Thomas. Folclore é a maneira de sentir, agir e pensar de um determinado povo. Entre  as principais brincadeiras e lendas ligadas ao nosso folclore temos: A brincadeira de vaqueiros, a vaquejada, o bumba meu boi, o carimbó, a caatira, caipora, curupira, mula sem cabeça, saci-pererê, lobisomem. “ Temos as festas populares na Bahia como o afoxé, que é o sagrado participando do profano. Essa é a única festa religiosa que os membros do candomblé (de origem jeje-nagô) terão que cumprir.


(02) COELHO, Marcos Amorim. Geografia do  Brasil. ED. Moderna, 1992. P. 101.

“ O afoxé é  um candomblé adequado ao carnaval. Temos também o candomblé que é um ritual ou culto africano, trazido pelos escravos negro durante o período colonial. Temos também na Bahia a festa de Iansã ou  Santa Bárbara, a festa da Conceição da praia no dia 08 de dezembro, a procissão de nosso Senhor Bom Jesus dos Navegantes, a festa da Ribeira, festa de Iemanjá, Pesca do  xaréu ( nas praias de amaralina e itapuã), lavagem do Bonfim, que é a Segunda maior festa popular da Bahia depois do carnaval e acontece na manhã  da terceira Quinta feira do mês de janeiro”. (3)

Roberto Mamata (1993), na sua obra intitulada “ Carnavais, Malandros e Heróis”,  faz uma análise sucinta e detalhada dos valores e atitude  das pessoas. Segundo o autor da obra existem dois tipos de pessoas que identificam a nossa brasilidade. O primeiro é a figura de  do malandro (estudada sobre a figura de pedro malassartes). Aqui o malandro é um ser deslocado de regras formais da estrutura social, fatalmente excluído do mercado de trabalho, aliás definido como totalmente individualizado e avesso ao trabalho. E o segundo é o renunsciador (Augusto Matraga, personagem de Guimarães Rosa). Este se fecha num mundo totalmente seu, deixando de lado prazeres e valores sociais.

Roberto Damata (1993) apud Reis (1996), A música popular é cheia de representações, são manifestações concretas, elabora, reflete, representa e dramatiza certos valores da sociedade brasileira, tornando-os importantes, e cheios de sentido e intencionalidade. A capoeira, o carnaval e a música são elementos importantes na formação  da nossa cultura. Nesse pequeno ensaio, não vamos fazer um estudo minuncioso e detalhado de todos os seus aspectos, buscaremos as relações e contribuições desses elementos na formação da nossa identidade cultural. A música popular brasileira tem participação importante enquanto elemento de expressão popular. Em análise ao dálogo existente nas cantigas dos negro Ortiz (1951) apud, Rego (1968), examinou seus vários aspectos mostrando sua importante contribuição como elemento formador das  nossas raízes culturais.

(3) AMADO, Jorge. Bahia de Todos os Santos – Guias de ruas e Mistérios,  Ed. Record, 1986. Pp. 128-143.

“ O conceito de “cultura popular” se confunde, pois, com a idéia de conscientização.  Subverte-se dessa forma o antigo significado que assimilava a tradição à categoria de cultura popular.  “ Cultura Popular”, não é, pois, uma concepção de mundo das  classes subalternas, como e para Gramsci e para certos folcloristas que se interessam pela mentalidade do povo” (4)

Hermano Vianna (1995) apud Reis (1996), faz uma análise da história do samba como expressão  cultural e  identidade nacional brasileira.  A partir da década de 30, começa  um processo de reconhecimento de identidade  de povo “sambista”. Existia ainda uma tendência de transformar o samba em rítimo nacional do brasileiro. O samba passaria então de rítimo subversivo da ordem à música nacional e oficialmente aceita. As músicas cantadas nas rodas de capoeira tem valor historicamente consagrados para a vida social do brasileiro, seja do ponto de vista etnográfico, histórico e cultural. Essas cantigas falam da vida do negro (as senzalas,  a escravidão, os quilombos etc…). A capoeira surge dentro desse contexto como uma manifestação cultural brasileira. Essa  era a única arma que o negro  dispunha para livrar-se do sistema opressor, que lhe retirava toda essência como ser humano.

Segundo Ortiz (1995), existe na história da intelectualidade brasileira uma tradição em que diferentes momentos histórico procurou definir-se a identidade em termos de caráter  brasileiro. Sérgio B. Holanda buscou as raízes do brasileiro na “cordialidade”, Cassiano Ricardo na  “bondade” e Paulo Prado na “tristeza”, outros estudiosos procuram encontrar a brasilidade em eventos sociais ou ainda na índole malandra do ser nacional com fez Damatta.

(04) ORTIZ, Renato. Cultura Brasileira & Identidade Cultural. Ed. Brasiliense, 1995. P. 72

“… Se por um lado a identidade cultural preservada se apresenta como uma questão de sobrevivência em oposicão a uma estrutura excludente, por outro lado surge o problema da possibilidade da preservação dessa identidade no contexto da modernização…” (5). Sabemos que a cultura é um processo dinâmico, influencia e sofre influências constantemente. A capoeira como parte importante de nossas manifestações culturais não pode ficar imune a essas transformações. Hoje a capoeira está sofrendo um processo de massificação aceleradíssimo , que pode estar levando-a a descaracterização enquanto arte-luta. Seria  possível, hoje, praticar aquela capoeira do passado com todos os seus rituais? Achamos que é importante analisarmos, entendermos e conhecermos a sua tradição cultural, ligada as suas raízes  para que possamos criar e recriar, inventar e reinventar, não deixando acontecer o mesmo que aconteceu com as sociedades indígenas. Preservando assim, as suas essências, sem descaracterizá-la como manifestação  autêntica da cultura do nosso povo.

(05) VIEIRA, Luiz Renato, Cultura Popular e Marginalidade, in  Revista de Educação e Filosofia –  Vol. 04 nº 08 jan/jun 90.

 
Um abração,
Mestre Onça
Beribazu-DF

Semana Decanio: Uma Homenagem ao Mestre

Angelo Augusto Decanio Filho, nascido numa segunda feira, 12/02/1923, completa este ano 86 voltas ao mundo…

O Portal Capoeira, seus colaboradores, parceiros e amigos iniciam uma singela homenagem a este discípulo de Mestre Bimba, a este grande cidadão da Bahia e do Mundo e um dos principais mentores deste Projeto.

Mais do que um aluno do grande Mestre, Decanio, foi sem duvida um dos companheiros mais chegados de Manuel dos Reis Machado…

Foi médico, amigo, conselheiro, filho, irmão e um dos principais responsáveis pela criação e documentação da “Luta Regional Baiana”.

Durante a SEMANA DECANIO, publicaremos textos de sua autoria, selecionados pelos amigos e camaradas de Mestre Decanio, juntamente com homenagens, fotos e pequenos fragmentos de média.

Uma importante dica é a visita obrigatória ao site CAPOEIRA DA BAHIA, organizado pelo dinâmico e incansável Mestre Decanio

Mestre Decanio, a quem considero um grande amigo, um exemplo… e acima de tudo o Pai do Portal Capoeira!!!

 

Leia todos os artigos relacionados:

Semana Decanio, uma homenagem ao Mestre.
11/02/2009 até 19/02/2008 no Portal Capoeira.

Luciano Milani

 

Downloads da Capoeira

O Portal Capoeira provem uma enorme biblioteca virtual com os mais importantes documentos, manuscritos, músicas, livros, videos e biografias da capoeira. Uma importante e fundamental ferramenta de conhecimento!

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Cambuci ganha “nova Roda de Capoeira”

O Tradicional bairro do Cambuci, em São Paulo, acaba de ganhar uma importante "atração" em um dos seus endereços mais famosos: O Largo do Cambuci.
Trata-se de Uma Roda de Capoeira Angola organizada pela Associação Cultural de Capuera Angola Paraguaçu, sob a batuta do carismático Mestre Jaime de Mar Grande.
 
Parabéns a todos os envolvidos pela escolha deste importante espaço!
Esperamos que esta roda torne-se um encontro tradicional de grandes figuras e assim como a a Roda da Republica, seja um celeiro de grandes nomes da capoeira.
 Cambuci ganha nova Roda de Capoeira
Roda Realizada no dia 11 / 03 / 2007 – Largo do Cambuci – SP
 
Associação Cultural de Capuera Angola Paraguaçu
Organizada Por Mestre Jaime de Mar Grande e seus Amigos