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Biblioteca Alceu Amoroso Lima & O Autor na Praça: Centenário de nascimento de Maria Bonita.

Biblioteca Alceu Amoroso Lima & O Autor na Praça celebram o Dia Internacional de Lutas das Mulheres e o centenário de nascimento de Maria Bonita.

Maria Gomes de Oliveira nasceu no dia 8 de março de 1911 na Fazenda Malhada da Caiçara, na divisa dos municípios de Glória e Jeremoabo, na Bahia, recentemente a casa onde nasceu foi restaurada, pertence ao município de Paulo Afonso e recebe visitas de pessoas interessadas na história do Cangaço. Em 1929, aos 18 anos conheceu Lampião que visitava a Fazenda de seu pai, em 1930 ela é a primeira mulher a entrar no cangaço acompanhando o grupo de Lampião, tempos depois passa a ser conhecida popularmente como Maria Bonita. Para celebrar o centenário de seu nascimento e o Dia Internacional da Mulher, vamos realizar várias atividades no auditório da Biblioteca. Mais informações abaixo.

PROGRAMAÇÃO

19h00 – Exibição de vídeos documentários sobre as Mulheres e suas lutas

20h00 – Leitura dramática de um texto sobre Maria Bonita pela atriz Soraya Aguillera.

20h10 – Bate papo sobre Maria Bonita e o Dia Internacional da Mulher com Nalu Faria, psicóloga, integrante da SOF – Sempreviva Organização Feminista e membro da Coordenação nacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil e Antonio Amaury Correa de Araújo, pesquisador sobre Lampião e o cangaço, com 14 livros publicados sobre o assunto em 62 anos de pesquisa.

21h10 – Leitura de texto sobre Dia Internacional de Lutas das Mulheres

21h20 – Apresentações musicais com a Priscila Amorim acompanhada de violão e percusssão, com performances de dança por Fabíola Camargo e Ricardo Silva.

Durante o evento haverá exposição de livros sobre o tema, mostra de telas da artista plástica Leila Monsegur e do cartunista Junior Lopes e o artista plástico Jorge dos Anjos produzirá um quadro com o tema Maria Bonita e Dia Internacional da Mulher.

Serviço:

Dia Internacional de Luta das Mulheres e Centenário de nascimento de Maria Bonita

Dia 11 de março de 2011, segunda-feira, a partir das 19h.

Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima

Av. Henrique Schaumann, 777 – Pinheiros – São Paulo (SP) – Tel. 3082 5023 / 3063 3064

Produção: O Autor na Praça, SOF e o poeta Ricardo Carneiro e Silva.

Assessoria de Imprensa: Edson Lima – 9586 5577 – [email protected].

Apoio: Biblioteca Alceu Amoroso Lima / Secretaria Municipal de Cultura / Prefeitura do Município de São Paulo / SOF – Sempreviva Organização Feminista / AEUSP – Associação dos Educadores da USP / ARTVER.

 

A artista plástica Leila Monsegur participa do evento com apresentação de uma tela sobre Maria Bonita e no dia seguinte (12/03) abre sua exposição “Feminino, força da natureza”, com Pinturas e desenhos, onde o feminino é tanto imagem simbólica quanto força expressiva, força criativa e movimento, partindo das múltiplas facetas que encobrem/descobrem os arquétipos. Na abertura da exposição será realizado o encontro de leitura “Eléia leu”, sobre textos das escritoras Hilda Hilst, Pagu, Simone de Beauvoir e Clarice Lispector. De 12 março a 08 de abril – BP Alceu Amoroso Lima – 2ª a 6ª feira – das 8h às 17h / Sábados – das 9h às 16h. Saiba mais:http://www.leilamonsegur.wordpress.com

 

Dia Internacional de Luta das Mulheres também será celebrado com ato no dia 12 no centro de São Paulo – Em luta por autonomia e igualdade, contra o machismo e o capitalismo, milhares de feministas sairão às ruas de São Paulo mais uma vez para celebrar o Dia Internacional de Luta das Mulheres. Como este ano a data oficial caiu em pleno carnaval, o ato foi transferido para o dia 12 de março. A concentração terá início às 9h30 no Centro Informação Mulher, na Praça Roosevelt (R.Consolação, 605). De lá, as mulheres caminharão pelo centro da cidade, encerrando o ato na Praça da Sé. No próprio dia 8 de março, o bloco “Adeus, Amélia!” levará a mensagem das feministas à população paulista. A concentração terá início às 14h, no final do elevado Presidente Artur da Costa e Silva, o Minhocão (próximo à Avenida Francisco Matarazzo). Informações para a imprensa: Comissão de Comunicação do 8 de Março
Bia Barbosa (8151-0046); Camila Furchi (76655537 e 38193876) e Luka Franca (8752-2369) Saiba mais: www.sof.org.br.

 

Sobre Maria Bonita – Nasceu no dia 8 de março de 1911, no sítio Malhada da Caiçara, propriedade de seu pai, na divisa dos municípios Glória e Jeremoabo na Bahia, recentemente a casa onde nasceu foi restaurada, situa-se no município de Paulo Afonso e recebe visitas de pessoas interessadas na história do Cangaço. Depois de um casamento frustrado, Em 1929, aos 18 anos conheceu Lampião que visitava a Fazenda de seu pai, em 1930 ela deixa a casa de seus pais e se torna a primeira mulher a entrar para o cangaço acompanhando o grupo de Lampião, tempos depois passa a ser conhecida popularmente como Maria Bonita. Com Lampião, Maria Bonita teve uma filha de nome Expedita Ferreira Nunes e os gêmeos Arlindo e Ananias Gomes de Oliveira, assim como nasceram mais dois filhos, sendo natimortos. Morreu em 28 de julho de 1938, quando foi degolada ainda viva pela polícia armada oficial (conhecida como “volante”), assim como Lampião e outros nove cangaceiros no que ficou conhecido como “Massacre de Angico”.

 

Sobre Nalu Faria – É psicóloga, com especialização em Psicodrama Pedagógico (Getep) e em Psicologia Institucional (Sedes Sapienties). Atua na SOF desde 1986, onde desenvolve atividades de assessoria e formação feminista com grupos de mulheres, ONGs e gestores públicos. Coordenou várias publicações da SOF, como o boletim Mulher e Saúde (1993 a 2002), a Coleção Cadernos Sempreviva (dez livros desde 1997) e o boletim Folha Feminista (desde 1999). Com Sonia Alvarez e Miriam Nobre, organizou o dossiê “Feminismos no Fórum Social Mundial” para a Revista Estudos Feministas, publicada em 2003. É autora de vários artigos sobre o movimento de mulheres, entre eles “O feminismo latino-americano e caribenho: perspectivas diante do neoliberalismo”. Foi integrante do Conselho Diretor da Fundação Perseu Abramo de 1996 a 2004. É integrante da coordenação nacional da Marcha Mundial das Mulheres (MMM).

 

Sobre Antonio Amaury Correa de Araujo – Grande pesuisador sobre a história de Lampião e o Cangaço, já entrevistou em torno de 40 ex-cangaceiros, membros das forças policiais, pessoas da sociedade da época e familiares remanescentes sendo que a maioria dos depoimentos foram gravados que resultou em mais de 250 horas de registros. Teve como hóspedes em sua casacangaceiro, pelos mais diversos motivos: além da colaboração com depoimentos alguns aproveitaram a hospitalidade do mestre para tratamento de saúde, entre eles Dadá, mulher de Corisco, Zé Sereno, Balão, Criança Marinheiro, Dona Sila. Também esteve em sua casa por 23 dias o irmão de Lampião João Ferreira, que não entrou para o Cangaço. É bom destacar sua amizade com Maria Ferreira, Dona Mocinha, irmão de Lampião, que em 2010 completou 100 anos. Amaury é consultado, com freqüência por jornalistas, cineastas, professores universitários, alunos e estudiosos do cangaço do Brasil e outros países de uma forma geral. Na sua incansável busca de informações sobre o assunto, realizou mais de 7.000 entrevistas, por mais de 60 anos. É consultor sobre o assunto para várias Universidades do Brasil e do exterior. Em 1969, foi roteirista do grande clássico do cinema brasileiro “Corisco, o diabo loiro” em co-autoria com o diretor do filme Carlos Coimbra. Nos anos 70, tornou-se conhecido em todo o Brasil ao participar do “Programa 8 ou 800”, da TV Globo, respondendo sobre o assunto. Foi consultor e colaborou com a primeira edição do programa Globo Repórter em 1975, que tinha como tema o último dia da Vida de Lampião. Tem vários livros publicados, entre eles: “Lampião: Segredos e Confidências do Tempo do Cangaço”“Assim Morreu Lampião”;“Lampião: As Mulheres e o Cangaço”“Gente de Lampião: Dadá e Corisco”“Gente de Lampião: Sila e Zé Sereno”“De Virgolino a Lampião”“O Espinho do Quipá”; “De Virgolino a Lampião – 2ª edição” (estes três últimos em co-autoria com Vera Ferreira, neta de Lampião); “Lampião e Maria Fumaça”; “Lampião e as Cabeças Cortadas”, (ambos em co-autoria com Luiz Ruben F. de A. Bonfim, de Paulo Afonso – BA); “A Medicina e o Cangaço” (co-autoria com Leandro Cardoso Fernandes, de Teresina – PI); e o mais recente “Lampião – Herói ou bandido”, em co-autoria com Carlos Elydio Corrêa de Araújo. Amaury é sócio-fundador da União Nacional de Estudos Históricos e Sociais – UNEHS. Antonio Amaury em agosto estará participando em agosto do 2º Semninário do Cariri Cangaço em Joazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Missão Velha e Aurora, no estado do Ceará. Veja entrevista e comentários: http://lampiaoaceso.blogspot.com/2009/10/o-mestre-antonio-amaury.html.

 

Sobre Priscila Amorim – Apaixonada por música, especialmente pela música brasileira, no ano de 2002, decide buscar seu espaço e mostrar a singularidade da sua voz nos bares e espaços culturais de São Paulo. Através de amigos e fãs conhece o Clube Etílico Musical, espaço famoso por divulgar a mpb, onde absorve e intensifica sua afinidade com o samba e outros ritmos brasileiros. Filha de músico, autodidata por necessidade e natureza, sem receio de dividir seu dom, participou de shows memoráveis com personalidades do meio musical como Paulo Muniz, Carmem Queiroz, Oswaldinho da Cuíca, Alessandro Penezzi entre outros. Com muito entusiasmo e simpatia, fazendo da sua profissão o seu lazer, atualmente apresenta-se na noite paulistana cantando samba-raiz e mpb onde já recebeu para maravilhosas canjas a cantora Teresa Cristina, Adriana Moreira e também Teresa Gama do Clube do Balanço, abrindo também o show de Monarco da Portela, pelo Circiuto Original. Eventualmente participa de projetos paralelos para a prefeitura de São Paulo no Centro Cultural Vergueiro e para a prefeitura de Santana de Parnaíba em inesquecíveis shows dominicais. Gravou em 2006 uma faixa do show “Recado de Lá” produzido e arranjado por Oswaldinho do Acordeon. Em 2007 no seu próprio show “Cada lugar na sua coisa” convida o público a uma viagem pela música na sua essência, onde cada ritmo é explorado e expressado sem misturas, com arranjos bem elaborados mostrando toda sensibilidade e versatilidade da sua alma e de sua voz. Em 2009, fez uma temporada de shows no Bar Brahma e participou do carnaval paulista, compondo o coro, cantando samba enredo da escola Pérola Negra no Anhembi e em projetos “ Quartas Musicais” no Boteco Seu Zé, onde se apresenta semanalmente, cantando ao lado de Aloísio Machado, D Ivone Lara e Tia Surica. Agora, trabalha para gravar composições inéditas, interpretando composições de Fábio Henrique, Kiko Dinuci, Wesley Noog e também algumas releituras de D. Ivone Lara, Paulinho da Viola, Roque Ferreira, Ney Lopes e claro fazer muitas pessoas sambarem, até, quem bom sujeito não é.

 

Sobre Soraya Aguillera – Atriz formada no Teatro Escola Macunaíma em 1986, completa este ano 25 anos de carreira. Atuou em mais de 30 espetáculos,  alguns trabalhos premiados e de grande sucesso, como  A Vida na Praça Roosevelt de Dea Loher, A Mancha Roxa de Plínio Marcos, O Pranto de Maria Parda de Gil Vicente ou  Um lugar que Nunca Tive de João Fábio Cabral, entre tantos. Como atriz, conquistou elogios da crítica teatral em todos espetáculos que atuou. É também, Assessora de Imprensa e Arte Educadora em teatro.

 

Sobre Fabíola Camargo – Atualmente integra a Cia Corpos Nômades como bailarina. Participou do Grupo Minik Mondó da Coreógrafa Maria Mommenson em 2009. Foi Professora de Dança no Projeto Vocacional da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo no ano de 2009. Estuda Ciências Políticas na Escola de Sociologia e Política.

 

Sobre Ricardo Carneiro e Silva – É poeta e dançarino. Nasceu na cidade de São Paulo em 1979, ano do Carneiro no horóscopo chinês, na Vila Joaniza (Zona Sul). De família nordestina (Rio Grande do Norte e Bahia) e árvore genealógica dos Carneiros da Silva (avós maternos), Ricardo Aparecido Silva trabalhou em Cartório de 1996 à 2001, em 1999 conheceu a Soma – Uma Terapia Anarquista; onde o tesão de fazer poesia desabrochou, o tesão de jogar capoeira nasceu e a possibilidade de dançar plantou. Aclarou-se a intuição, o cartório para a minha vida seria uma contramão. Então a capoeira de angola passou  integrar o seu  viver de forma completa no Grupo de Capoeira Angola Omoayê até o fim de 2006. Trabalhou e ainda é um colaborador do projeto O Autor na Praça, onde organizou intervenções poéticas e urbanas, produziu e agitou no espaço Plínio Marcos. Hoje integra a Cia Corpos Nômades como dançarino e assistente de produção.

 

Sobre a SOF – Sempreviva Organização Feminista – É uma organização não-governamental, fundada em 1963 com atuação nacional. Contribui para consolidar um movimento feminista forjado nas lutas populares, que atua na conjuntura, gerando e alimentando alternativas à ordem neoliberal. A SOF realiza atividades de formação, de construção do conhecimento, de fortalecimento de articulações, além de publicações. Apóia e assessora organizações de mulheres, movimentos sociais, ONGs e órgãos de governo. E também faz parte do movimento de mulheres, no Brasil, e da REMTE (Rede Latino-americana Mulheres Transformando a Economia) e da Marcha Mundial das Mulheres, no âmbito internacional. Saiba mais: www.sof.org.br.

 

Sobre o livro “As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres”. – Para marcar este um século de organização e mobilização das mulheres, a SOF juntamente com a editora Expressão Popular publicam o livro “As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres”, de Ana Isabel Álvarez González, traduzido do espanhol. Sinopse do livro: Diversas são as histórias que tentam contar a origem do Dia Internacional das Mulheres, comemorado no dia 8 de março ao redor do mundo. Conhecer as motivações e desvendar os mitos e os fatos que deram origem ao 8 de março é o que nos traz o livro de Ana Isabel Álvarez González, agora traduzido para o português. A pesquisa realizada pela autora vai a fundo conhecer a história do movimento de mulheres socialistas do final do século 19 e início do século 20. Revela embates e contradições dentro do movimento socialista quanto ao reconhecimento da importância da igualdade entre os sexos e da libertação das mulheres. A luta das mulheres reivindicava o direito ao voto, ao reconhecimento como portadoras de bens e direitos, o acesso ao trabalho e ao espaço público. Ao se completar um século desde que as mulheres socialistas reunidas em Copenhague aprovaram a proposta do Dia Internacional das Mulheres, a recuperação do significado dessa data é uma contribuição importante para a reflexão sobre os desafios, as formas de organização e as reivindicações que mobilizam a luta das mulheres ainda hoje. A autora relata também os acontecimentos do trágico e marcante incêndio em uma fábrica nos Estados Unidos, onde mais de cem operárias foram mortas. Tal evento foi de suma importância para o desenvolvimento do movimento operário estadunidense, no entanto, a autora desconstrói o mito que o vincula à criação do Dia Internacional das Mulheres. O livro “As origens e a Comemoração do Dia Internacional das Mulheres” será lançado dia 13 de Março em Várzea Paulista (Av. Projetada ao lado do Espaço Cidadania e da Prefeitura) durante a 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres.

As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres.

De Ana Isabel Álvarez González.

Editora Expressão Popular – SOF – Sempreviva Organização Feminista, 2010. 208p., R$ 15,00

Saiba mais sobre o Dia Internacional das Mulheres: http://www.sof.org.br/publica/Dia_Internacional_da_Mulher-SOF-Em_busca_da_memoria_perdida-ATUALIZACAO2010.pdf

A guerreira Maria Felipa

Como lembrei no texto Onde estão as capoeiristas da história, em geral as mulheres capoeiras que se destacaram no passado ficaram esquecidas. Mas é importante conhecer a história dessas mulheres que são exemplo de coragem, persistência e determinação.

Uma dessas mulheres é Maria Felipa, a guerreira de Itaparica.

Maria Felipa de Oliveira viveu na Bahia no século XIX e teve um importante papel na Guerra da Independência, que ocorreu entre 1822 e 1824, para reafirmar a independência proclamada em 7 de setembro de 1822, até que esta fosse reconhecida por Portugal.

Na Bahia, assim como nas províncias de Cisplatina (onde atualmente é o Uruguai), Piauí, Maranhão e Grão-Pará, devido à concentração estratégica de tropas do Exército Português, as lutas foram mais acirradas. Quando a tropa portuguesa comandada pelo General Madeira de Melo tentou invadir a Ilha de Itaparica para controlar a guerra a partir da Bahia de Todos os Santos, Maria Felipa liderava as vedetas (vigias) da praia, um grupo de 40 mulheres que entrou no acampamento do exército português, atacou os guardas com galhos de cansansão, uma planta que provoca sensação de queimadura ao toque com a pele, e puseram fogo em 42 embarcações, promovendo baixas no exército.

Além de guerreira, Maria Felipa também atuou na gerra como enfermeira, socorrendo feridos, além de trazer para a resistência em Itaparica informações da guerra obtidas nas rodas de capoeira do Cais Dourado, para onde ia remando sua canoa.

Há quem acredite que Maria Felipa seja a identidade verdadeira de Maria Doze Homens, que ganhou este apelido após deixar doze homens no chão, porém não existe confirmação a respeito e há ainda outras versões, em uma das quais Maria Doze Homens teria sido companheira de Besouro Mangangá.

O atestado de óbito datado de 04 de janeiro de 1873, confirma que Maria Felipa sobreviveu à guerra e continuou levando sua vida na ilha por muitos anos, porém de seu nascimento nada se sabe.

A heroína foi retratada na obra de Ubaldo Osório, A ilha de Itaparica, e no romance Sargento Pedro, do escritor baiano Xavier Marques, onde são são contatos vários feitos atribuídos à capoeirista.

Fontes:

Capoeira Sou Eu

Conversa de Menina

Overmundo

Passeiweb

Wikipédia

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

A Cultura Popular perde um de seus grandes mestres

Mestre Biu Roque

A Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural lamenta a morte, ocorrida na última sexta-feira, de um dos maiores mestres da cultura popular brasileira. João Soares da Silva, mais conhecido como Biu Roque, tinha 76 anos e foi um dos mestres populares mais respeitados da Zona da Mata pernambucana. Mestre Biu, um dos contemplados no Prêmio Culturas Populares 2009 – Edição Mestra Dona Izabel, atuava como artista nos gêneros musicais tradicionais como o Coco de Roda, a Ciranda, o Maracatu Rural e as toadas de Cavalo Marinho.

Mestre Biu Roque, que nasceu no município de Condado e residia na cidade de Aliança, no Pernambuco, foi cortador de cana, começou a atuar como músico aos 8 anos de idade e liderava o grupo Cavalo Marinho Boi Brasileiro. Biu Roque também participava do Maracatu de Baque Solto Estrela Brilhante de Nazaré da Mata, e integrava o grupo Fuloresta liderado pelo cantor e compositor Siba.

“Ele era um músico muito especial, porque tinha uma voz única e uma grande precisão e potência musical”, afirma Sérgio Roberto Veloso de Oliveira, o músico Siba, que apesar de ser de Recife, trabalha há cerca de 20 anos com os músicos da região da Zona da Mata e tinha uma relação pessoal com o Mestre Biu. “Musicalmente eu aprendi muito com ele, mas ganhei, acima de tudo, um grande amigo”, recorda o artista.

Para o secretário da Identidade e da Diversidade, Américo Córdula, a perda do Mestre Biu, que participou do último Encontro dos Mestres do Mundo, realizado no mês de março, na cidade de Limoeiro, no Ceará, é muito significativa para o segmento de culturas populares. “É uma pena, mas a SID apoiará sempre a difusão da maestria de sua arte”, lamenta o secretário acrescentando que “com certeza, no céu, ele Mestre Salustiano, falecido recentemente, vão realizar uma grande sambada”.

A integrante do Colegiado de Culturas Populares, Joana Corrêa, também acredita que o falecimento do Mestre Biu Roque seja uma grande perda para a cultura brasileira. “Um mestre que sem dúvida viverá em nossa memória”. Rejane Nóbrega, artista, educadora, pesquisadora e também conselheira do Colegiado de Culturas Populares afirma ter ficado sentida com a morte do artista. “Ainda bem que sua voz e sua maestria vão ficar para sempre nas nossas memórias e nos nossos ouvidos”, finaliza ela, recitando alguns versos de uma de suas canções: “Maria, minha Maria / Meu doce da melancia / Vem ver o belo luar / Que a tua ausência reclama / Ô que noite tão preciosa / Não deve dormir quem ama”.

 

Comunicação SID/MinC

Telefone: (61) 2024-2379

E-mail: [email protected]

Acesse: www.cultura.gov.br/sid

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Reeducação Alimentar e Qualidade de Vida

Qualidade de vida Curso é uma parceria entre a Associação Capoeira na Periferia e duas nutricionistas

A Associação Cultural, Educacional, Esportiva e Saúde Capoeira na Periferia fechou parceria com as nutricionistas Maria das Graças Carvalho de Souza e Flávia Granato, formadas pela Unimep – Universidade Metodista de Piracicaba – para realização de cursos de reeducação alimentar, destinado a crianças, jovens e adultos.

“Reeducação alimentar é para a vida inteira e o curso tem por objetivo atingir a melhoria da saúde, proporcionando melhor qualidade de vida às pessoas que aprendem a se alimentar de maneira correta e na hora certa”, explica Maria das Graças.

A metodologia do curso vai empregar folder informativo, filme, teatro e oficinas diversas, como do uso de ervas que podem substituir o sal, o cozimento de legumes e o resgate dos chás do tempo das nossas avós. “A duração do curso será de seis meses, com sala de no máximo de 50 participantes que também poderão sugerir temas durante as aulas”, diz Flávia Granato. A nutricionista ressalta que a alimentação tem relação direta com algumas doenças, como a hipertensão e a obesidade, e a oficina vai também tratar dessa pauta.

“Em se tratando de nutrição, tudo pode, desde que se saiba dosar. Até água em excesso é prejudicial, é preciso buscar o equilíbrio, conhecer os alimentos, fraccionar as refeições”, ensina Maria das Graças. Ela observa que os casos de desnutrição em crianças, que eram tão comuns, se transformaram em um número muito elevado de obesidade, relacionado à maneira errada de se comer, à vida sedentária e outros fatores. “O que vemos hoje são doenças em crianças, como o colesterol alto, que não existia antigamente”, diz a nutricionista.

Para as profissionais, a reeducação alimentar para dar resultado e chegar a quase 100%, toda a família deve participar. “Reeducação é para todos, indiferente de quantos quilos você tem quer reduzir”.

As inscrições para o curso poderão ser feitas às segundas, quartas e sextas, a partir de segunda-feira, dia 26, no horário comercial, na sede da Associação Capoeira na Periferia, avenida 31 de Março, 2213, no Jardim Pacaembu. O telefone é 3035-3329. O coordenador da entidade, José Manoel do Nascimento, informa que o curso é gratuito para as crianças matriculadas na Associação e será cobrada uma taxa de R$ 25,00 para as demais pessoas interessadas.

OUTRAS INSCRIÇÕES.

A Associação Capoeira na Periferia, fundada em 1999, passa a contar com o trabalho do sociólogo Edy Carlos de Souza como coordenador de projetos. Atualmente estão abertas as inscrições para o curso de capoeira, em diversos horários; aulas de ginástica para adultos, em parceria com a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Atividades Motoras; e aulas de hip hop, pop e black.

SERVIÇO

Associação Cultural, Educacional, Esportiva e Saúde Capoeira na Periferia
Avenida 31 de Março, 2213, Jardim Pacaembu
Telefones: 3035-3329 e 8116-5461

 

http://www.gazetadepiracicaba.com.br

Onde estão as capoeiristas da história?

Quem já teve curiosidade, interesse, ou mesmo sentiu necessidade de conhecer mais sobre a história das mulheres na capoeira, sabe o que é frustração.

Com um pouco de persistência se encontram nomes como Rosa Palmeirão, Maria Doze Homens, Nega Didi, Calça Rala e Maria Pára o Bonde, mas as informações não vão muito além.

Mesmo sobre o pouco que encontramos há muitas dúvidas, pois não se sabe situar com precisão a linha que divide o que é história real e o que é lenda.

Até mesmo sobre Dandara, grande guerreira do Quilombo de Palmares e esposa de Zumbi, atualmente não há mais do que duas linhas na Wikipédia, tão conceituada enciclopédia online.

Mas a falta de informação não é de espantar quando lembramos da discriminação sofrida pelo negro e sua cultura, e do preconceito sofrido pelas mulheres. Na soma, a mulher capoeirista recebeu discriminação em dobro, e sua importância para a história não foi reconhecida.

Trata-se de um erro que não deve ser relevado. A capoeirista de ontem ainda pode e deve ser tema de muita pesquisa. As histórias devem ser contadas e as informações precisam ser reunidas, documentadas e disponibilizadas a quem tem interesse de conhecer e passar a diante.

E a capoeirista que batalha hoje deve ser valorizada e ter seus trabalhos e conquistas reconhecidos, pra que seu nome e seus feitos constem na história de amanhã.

Fonte: capoeiradevenus.blogspot.com

RankBrasil: Capoerista mais idosa em atividade

Fica a menção honrosa ao pessoal do RankingBrasil pela homologação do “recorde” conquistado por Maria Luiza Coelho da Silva, de 60 anos que segundo a entidade é a “Capoeirista Mais idosa do Brasil”. Porem acredito que existam muitas outras Capoeiristas em atividade que merecam esta homenagem…

Luciano Milani

 

O RankBrasil homologou o recorde conquistado por Maria Luiza Coelho da Silva, de 60 anos, ela é a “Capoeirista Mais idosa do Brasil”.

Maria Luiza é natural da cidade de Jacobina – BA, mas começou a praticar a capoeira na cidade de Rio Grande – RS com 53 anos de idade incentivada pela filha Cláudia que também praticava o esporte.

Dona Maria Luiza confessa que no começo encontrou um pouco de dificuldade, mas que todas foram superadas, e que hoje em termos de esporte a capoeira representa tudo pra ela, “é bom ter uma atividade física, principalmente quando a idade vem chegando, faz bem para todo o meu sistema, corpo, mente e saúde”.

Além de capoeirista Dona Maria Luiza faz dança do ventre, está terminando um cursinho pré-vestibular para química e pretende cursar educação física já que praticando a capoeira descobriu o amor pelos esportes.

Para a recordista entrar para o RankBrasil é poder deixar um legado para a capoeira e para todos os capoeiristas, e dedica seu feito também para os netos e bisnetos.

O Livro dos Recordes Brasileiros parabeniza a conquista de Dona Maria Luiza e deseja muitas felicidades e realizações em seus próximos objetivos.

 

Redação: Raquel Susin – http://www.rankbrasil.com.br/Recordes/

 

Condenada por assassinar capoeirista

Maria Bárbara Berengher, de 40 anos, foi condenada a 12 anos de prisão pelo assassinato do fundador da capoeira no Mercado Modelo, mestre “Di Mola”. O julgamento que demorou 10 horas aconteceu na manhã de anteontem, no Fórum Ruy Barbosa, presidido pelo juiz Vilebaldo Freitas e pelo promotor, representante do Ministério Público Estadual (MPE), Luciano Assis.

A família de Domingos André dos Santos, que estava aos 49 anos na época do crime, mais conhecido como mestre “Di Mola”, luta por justiça há nove anos. “Sei que não vamos ter ele de volta, mas agora a justiça foi cumprida”, desabafou a esposa da vítima, a cabeleireira Júnia Onofre.

Conforme os familiares do capoeirista, o crime aconteceu no dia 16 de outubro de 2001, dia do aniversário de “Di Mola”, que foi comemorado com uma festa em sua residência, em Pituaçu. Segundo Júnia, a vítima foi levar um irmão até um ponto de ônibus, quando encontrou com Maria Bárbara próximo à sua casa e ela desferiu um tapa no seu rosto.

Ao retornar, o capoeirista, acompanhado da esposa, foi tirar satisfação com a agressora, quando começou uma nova discussão. Porém, a acusada conseguiu golpear o mestre, quando este se encontrava distraído.

“Di Mola” foi socorrido para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos provocados com perfurações de faca na barriga. Maria Bárbara chegou a ficar presa na época, mas, por estar grávida e ter se apresentado à polícia, respondia o processo em liberdade. No julgamento, ela chegou a confessar o crime e chorou várias vezes, demonstrando arrependimento.

Mestre “Di Mola” era muito conhecido nas rodas de capoeira do Mercado Modelo, pois foi um dos fundadores da roda de capoeira no local. Suas gingas e saltos realizados na capoeira de rua se transformaram em cartão-postal da Bahia, e o levaram a representar a arte e ser reconhecido em diversos países

Fonte: http://www.tribunadabahia.com.br

Prêmio Culturas Populares 2009

Divulgada lista com mais projetos habilitados para concorrer à premiação

A Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SID/MinC) publicou nesta quarta-feira, 2 de dezembro, no Diário Oficial da União (Seção 3, página 20 a 23), lista com os projetos habilitados ao edital do Prêmio Culturas Populares – Edição Mestra Dona Izabel.

Os proponentes, que tiveram seus recursos deferidos, concorrem a uma das 195 premiações, no valor de R$ 10 mil, sendo 60 na categoria de mestres e 135 na categoria de grupos/comunidades formais e informais. Os trabalhos de avaliação começaram nesta terça-feira, 1º de dezembro, em Brasília, e se estendem por cinco dias.

O secretário da SID/MinC, Américo Córdula, destacou o sucesso do Prêmio Culturas Populares 2009: “Tivemos um recorde de inscritos este ano, um total de 2.788 iniciativas de todas as regiões do país”, comemorou. Também informou que a premiação será distribuída de acordo com a demanda por estado.

Do total de propostas inscritas, 1.977 foram habilitadas – 51% da região Nordeste, 30% do Sudeste, 8% do Sul, 7% do Norte e 4% do Centro-Oeste. Dentre os projetos concorrentes, 1.113 são de mestres; 601 de integrantes de grupos/comunidades informais e 263 de integrantes de grupos/comunidades formais.

Comissão de Seleção

A Comissão de Seleção conta com 32 membros e é formada por antropólogos, pesquisadores, representantes de fóruns, instituições do segmento e técnicos/dirigentes do Sistema MinC, além de três mestres que tiveram suas iniciativas contempladas em editais anteriores. Confira os integrantes:

  • Adriana Cabral (SID/MinC)
  • Anglaé D’Ávila Fontes de Alencar (Comissão Nacional de Folclore-SE)
  • Alberto T. Ikeda (Universidade Estadual Paulista)
  • Ana Maria Ângela Bravo Villaba (SID/MinC)
  • Angélica Salazar (SID/MinC)
  • Aparecida Teixeira de Fátima Paraguassú – Mestra Fátima Paraguassú (Fórum de Culturas Tradicionais do Estado de Goiás)
  • Catarina Ribeiro (Ponto de Cultura A Bruxa Ta Solta-RR)
  • Cecília Mendonça (Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular-MG)
  • Cleri Fichberg (Secretaria de Estado de Cultura-DF)
  • Daniel Castgro Dória de Menezes (SID/MinC)
  • Fernanda Buarque (Coordenação de Diversidade da Secretaria de Estado da Cultura-RJ)
  • Geovana Jardim (Projeto Vozes dos Mestres-MG)
  • Gilberto Augusto da Silva – Mestre Gil do Jongo (Jongo e Conselho de Mestres do Fórum Permanente para as Culturas Populares-SP)
  • Giselle Dupin (SID/MinC)
  • Henrique Jorge Pontes Sampaio (Fórum Metropolitano das Culturas Tradicionais-PE)
  • Hirton Fernandes Jr. (Núcleo de Culturas Populares e Identitárias – Secretaria de Estado da Cultura-BA)
  • Isabelle Cristine da Rocha Albuquerque (SCC/MinC)
  • Jairo Araújo (Fundação Cultural do Piauí-PI)
  • Katharina Döring (Fórum de Cultura Popular-BA)
  • Letícia Vianna (Iphan/MinC)
  • Lia Maria (FCP/MinC)
  • Lucas Alves (Museu do Cavalo Marinho-PE)
  • Luiz Cláudio M. Ribeiro (Comissão Espiritosantense de Folclore-ES)
  • Marcelo Manzatti (SID/MinC)
  • Margareth Gondim (Fundação Curro Velho-PA)
  • Maria Acselrad (Universidade Federal de Pernambuco)
  • Patrícia Dornelas (SID/MinC)
  • Pedro Domingues (SPC/MinC)
  • Ricardo Calaça (Instituto Olhar Etnográfico-DF)
  • Taís Garone (FCP/MinC)
  • Thais Teixeira de Siqueira (Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília)
  • Volmi Batista (Fórum das Culturas Populares do DF e Entorno)

 

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3ª Semana da Capoeira de Santa Maria

A cultura está em festa: Festival no CDM marca o encerramento da 3ª Semana da Capoeira de Santa Maria

O toque dos berimbaus, as palmas e os cantos darão o ritmo da programação de hoje à noite, no Centro Desportivo Municipal (CDM). A partir das 20h30min, a capoeira tomará conta do local em um festival que marca o encerramento da 3ª Semana da Capoeira de Santa Maria. O evento é uma promoção da Associação de Capoeira de Rua Berimbau, e faz parte das comemorações do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.

Desde sábado, estão sendo realizadas oficinas gratuitas de capoeira em diversas escolas e centros comunitários de Santa Maria. Nas aulas, voltadas principalmente para crianças da periferia da cidade, foram ensinados, além das técnicas da capoeira regional e de angola, toques de berimbau e danças típicas da cultura afro-brasileira, como maculelê e jongo. A iniciativa, explica um dos coordenadores da Associação de Capoeira de Rua Berimbau, Luiz Antônio Loreto, o mestre Militar, ajudou a difundir a capoeira em todos os cantos de Santa Maria.

– As oficinas foram bem-aceitas nas comunidades, até porque tivemos a preocupação de descentralizar as atividades. Nossa intenção é levar a capoeira às comunidades mais marginalizadas, porque ela tem uma linguagem mais próxima daquelas pessoas. Cada vez mais percebemos que a capoeira funciona como um bom instrumento de educação – avalia o mestre Militar, com a experiência de quem pratica a capoeira há 20 anos.

De graça – Para quem quiser conferir o encerramento da 3ª Semana da Capoeira de Santa Maria, a entrada no CDM é de graça. E as atrações serão muitas. Além da participação de 10 grupos de capoeira do Rio Grande do Sul, o evento definirá os campeões do 1º Festival de Toques de Berimbau, concurso realizado durante as oficinas. Também haverá um grande batizado, iniciação de quem pratica a capoeira. A previsão é que 70 alunos sejam graduados esta noite.

– Será uma grande festa. Vamos reunir novos e velhos capoeiristas de Santa Maria – ressalta Militar, que é discípulo do mestre Biriba.

A Associação Capoeira de Rua Berimbau conta com cinco núcleos de atuação na cidade – CDM, Centro Comunitário Perina Morosini, em Camobi, ocupação da gare, Vila Maringá e Escola Municipal Darcy Vargas. A ideia é ampliar as atividades para 10 núcleos em 2010.

Maringá: Dinho Nascimento reinventa os sons

Dinho Nascimento, um dos maiores percussionistas do País e descobridor de novas sonoridades a partir do berimbau, faz show hoje na cidade de Maringá, no Centro Cultural Sucena, dentro de festival afro.

O copo de vidro desliza sobre a corda do berimbau e surge o som de banjo, o instrumento do blues. O resultado inesperado é obra de Dinho Nascimento, 58 anos, capoeirista, cantor, compositor e percussionista baiano radicado em São Paulo, no Morro do Querosene – um encrave de artistas nordestinos no bairro do Butantã, próximo à Universidade de São Paulo (USP).

O artista acrescenta novas sonoridades à música brasileira, como mostram os CDs “Berimbau Blues” (que venceu o Prêmio Sharp em 1997), “Gongolô” (2000) e Ser-Hum-Mano (2006), dirigido pelo filho Aluá Nascimento.

As canções de Mestre Dinho passeiam pelo afoxé, samba de roda, capoeira, maculelê, maracatu, tambor de crioula, salsa, rap e reggae. O percussionista mistura esses ritmos a instrumentos inusitados, como o berimbau viola, de sonoridade aguda; o gunga; o berra-boi, com som grave; o berimbaixo; e o berimbum, um berimbau supergrave com corda de contrabaixo e que é invenção do próprio artista.

Nos anos 80, Dinho saiu de Salvador para fixar residência em São Paulo, no Morro do Querosene, onde mora até hoje. Na capital paulista, conheceu a coreógrafa húngara Maria Duschenes, que estava no Brasil para dar aulas de dança.

“Ela pediu que fizesse uma música para uma coreografia, mas queria algo inovador com o berimbau”, lembra. Ele aceitou o pedido e foi para casa em busca da invenção. “Estava com um copo de água na mão, encostei o vidro na corda do berimbau e ouvi o som de banjo e disse: ‘Caramba, isso é blues no berimbau”, conta.

“Lembro que fiquei assustado comigo mesmo e me perguntava se deveria ou não mostrar isso à Maria (a coreógrafa). Acabei mostrando e ela gostou.”

Dinho estará em Maringá hoje à noite para um show no Recanto Romano, a partir das 21 horas. O show faz parte do 9º Mega Evento Afro-brasileiro, promovido pelo Centro Cultura Sucena.

O percussionista estará acompanhado de mais dois músicos: Gabriel Nascimento (pandeiro e djemb — um tipo de tambor) e Cecília Peligrini (voz e percussão). A apresentação contará com berimbau blues, samba de roda, toque de mestre, ladainhas de capoeira, além de músicas do folclore. Antes do show, será servido um jantar afro-brasileiro, com cuscuz, feijão de corda e quibebe.

Doze anos após o lançamento de “Berimbau Blues”, Dinho conta que o som do banjo no instrumento africano ainda impressiona o público. “Antes de gravar o disco, alguns torciam o nariz para a novidade e diziam que eu estava mudando a cara da capoeira”, conta.

Hoje, a reação é de espanto, mas deixou de ser negativa. “O blues é um estado de espírito e o berimbau tem tudo a ver com o blues. O toque do berimbau é solene, é ele que dita o ritmo da roda de capoeira.”

O artista baiano acompanhou e participou de gravações com Tom Zé, João Donato, Pena Branca e Xavantinho, Renato Teixeira, Inezita Barroso, Zé Ketti, Clementina de Jesus, Osvaldinho da Cuíca, Batatinha, Alcione, Marcos Suzano, Walter Franco, Flávio Venturini, Tetê Spíndola e Renato Borghetti. No cenário internacional, tocou com Bill Close e Kewin Welch. Dinho já levou seu show para Portugal, Espanha, Estados Unidos, Alemanha, Cuba e Inglaterra.

Suas composições foram parar na trilha de espetáculos de dança de Maria Duschenes, Ioshi Morimoto, Clive Thompson, Klaus Viana, e Lia Robato, entre outros. No cinema, as músicas de “Berimbau Blues”, sonorizaram trecho do documentário “Cine Mambembe – o cinema descobre o Brasil”, de Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi.

Além do show de Dinho Nascimento, o Centro Cultural Sucena promove uma oficina de montagem de atabaques, hoje, das 9 horas às 17 horas. No sábado, haverá roda aberta e campeonato de capoeira. No domingo, serão realizadas oficina com Dinho Nascimento e a 9ª Mostra da Cultura Afro-brasileira.

Orquestra de 13 berimbaus

Treze crianças do Morro do Querosene, em São Paulo, e amigos de Dinho Nascimento formam a Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene. Ao todo, são 13 berimbaus. Os instrumentistas interpretam toques de capoeira, samba de roda e canções da música popular.

A orquestra existe há 25 anos, mas somente há quatro passou a se apresentar formalmente ao público. A apresentação mais recente foi para uma plateia de 200 crianças na Universidade de São Paulo (USP), na última quarta-feira.

Dinho conta que a orquestra surgiu nos encontros que ele promovia em uma praça do Morro do Querosene. Lá, reunia amigos e crianças para tocar berimbau e jogar capoeira.

Nesta semana, a Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene foi uma das 300 contempladas para serem Pontos de Cultura. O grupo deve receber R$ 180 mil, divididos em três anos, para aplicar no projeto. O investimento é do Ministério da Cultura e da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

Fonte: http://www.odiariomaringa.com.br/