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Acre: Boxe, capoeira e kung fu: musa concilia lutas com estudo e profissão

Boxe, capoeira e kung fu: musa concilia lutas com estudo e profissão

Acreana que se destaca pela beleza é apaixonada pelo ringues e pela passarela. Conheça a musa do MMA acreano: Thayrine Mello, 19 anos

A atleta ressalta que no início teve dificuldades em ajustar os horários e o cansaço físico, mas os benefícios trazidos pelo esporte a fizeram superar os obstáculos. Para a acadêmica de direito, os três tipos de luta se complementam.

A beleza é o principal atributo, mas ela chama atenção mesmo é pela versatilidade no esporte. A acreana Thayrine Mello, de 19 anos, adiou suas competições no MMA, mas continua apaixonada por lutas. Agora, além do boxe, ela pratica capoeira e kung fu, em Rio Branco. O que começou por diversão virou vício. Sete meses após a estreia nos ringes, a bela jovem concilia os treinos das três modalidades, os estudos e a profissão de modelo.

VEJA ENSAIO FOTÓGRAFICO COM A MUSA DO MMA ACREANO!

– No começo foi difícil, mas com o tempo meu corpo se adaptou. Sou apaixonada pelo boxe, é meu preferido, ele me deu postura e defesa e isso ajudou nas outras modalidades. O kung fu me deu mais concentração. Surpreendeu-me. É uma arte aparentemente fácil, mas todos os movimentos são calculados e exigem muita força e resistência – explica.

Thayrine reconhece o valor da arte no esporte e define a importância da capoeira no seu dia a dia: uma mistura de todos os movimentos que pratica no boxe e no kung fu, com uma pitada a mais de ritmo e agilidade.

– A capoeira faz parte da cultura brasileira. Além de mesclar todas as artes é uma luta mais completa, mais artística, porque envolve um ritmo, uma dança, além de toda energia que existe nas rodas – frisa.

Pausa nos ringues

Thayrine estreou no MMA em abril deste ano contra a boliviana Miliane. Mas com apenas três meses de treino, a atleta perdeu o duelo. Apesar da derrota, ela destaca que a luta representa uma vitória pessoal.

– Lutei comigo mesma e contra o cansaço. Foi difícil, mas desci com a sensação de trabalho cumprido, com pouco tempo treinando, perdi por pontuação no ultimo Fight para alguém bem mais experiente.  Quando minha adversária me deu o primeiro knock down, logo no final do segundo Fight, meu corpo pedia para parar, mas não ia desistir, eu queria lutar até o fim – lembra.

A modelo afirma que a falta de tempo para treinar  para as competições adiou seu sonho de lutar profissionalmente. No entanto, a atleta  faz planos para voltar às disputas estaduais e destaca o aprendizado que obteve quando enfrentou a rival.

-No momento, não tenho condições de treinar para competir. Ano que vem talvez eu arrisque. Tirei uma grande lição da luta, adquiri mais disciplina e aprendi que derrotas também são necessárias. Foi um grande desafio absolver, mas teve grande importância no meu crescimento na arte – conclui.

 

Fonte: http://globoesporte.globo.com

Berimbau, a arma da feminilidade das mulheres Bantu

 

“Berimbau, a arma da feminilidade das mulheres Bantu. Após uma terrível batalha, a deusa protectora transformou o arco do guerreiro no primeiro instrumento musical da tribo, para que a música e a paz substituíssem as armas e guerras para sempre.”

 

Existe um facto que goza de certa autoridade, sendo que, quando se pesquisa sobre o berimbau africano, seja ele de que nome, origem, ou tamanho for, é impossível ignorar que o gênero feminino desempenha um papel extremamente considerável em relação aos arcos musicais.

A popularidade do berimbau cresceu transversalmente da arte afro-brasileira mais conhecida por Capoeira. A Capoeira, até certo ponto, era de acesso restrito a um ambiente masculino. Significantemente, as portas foram abertas para o sexo oposto e já se conquistou bastante espaço por meios de dedicação e empenho.

Porém, as mulheres na esfera capoerística ainda se encontram vítimas de regras discriminatórias, consideradas pela comunidade como tradição. Regras essas que não as permite tocar o berimbau e, em certos momentos, não poder participar durante a roda.

A mulher africana, apesar de viver em constantes normas estritas e rigorosas entre elas, sendo as responsabilidades matriarcas, no último centenário foi a que mais fortificou a presença, e a popularização do berimbau africano na plateia continental e internacional.

Através do som melódico e hipnotizante do instrumento de uma corda só, orgulhosamente canta-se cantigas de centenas de anos atrás, transmitidas pelos seus antepassados.

Canções que contam estórias das glórias dos seus povos, sobre a felicidade, a tristeza, o amor, o ódio, a paixão, a traição, as desventuras de casamentos e cantigas infantis.

Não somente a mulher é tradicionalmente considerada a base da família, mas também compõe, canta e constrói os próprios instrumentos que toca.

Cito duas personalidades da música tradicional Bantu-Nguni e herdeiras da tradição de tocadoras de arcos musicais, como a Princesa Zulu Constance Magogo e a Dona Madosini Mpahleni, que hoje em dia goza de noventa anos de idade.

Com esta chamada, conto com mais reconhecimento e consideração para com as mulheres, não somente na capoeira mas também no berimbau e outros instrumentos musicais.

 

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*Aristóteles Kandimba, angolano, pesquisador, cronista, cineasta e professor de capoeira Angola.
kandimbafilms.blogspot.com
https://www.facebook.com/pages/Angola-Ministry-of-Culture-Pictures-Events/150849848265087?fref=ts
(Mitologia Bantu-Nguni, Zulu – Africa do Sul)

 

Matéria sugerida por Nélia Azevedo – (Portuguesa)

Amazonas: Capoeirista vende “quase” tudo para competir no Brasileiro

Lucas (centro) vendeu eletroeletrônicos para viajar – foto: arquivo pessoal

Algumas pessoas cometem loucuras para ir a um show, comprar ‘aquela’ roupa ou realizar a viagem dos sonhos. No caso de Lucas Urquizes, 18, vender quase tudo o que tem foi a saída encontrada para representar o Amazonas no 16˚ Campeonato Brasileiro de Capoeira, de quinta-feira à sábado (5 a 7), em Belém (PA).

“Já vendi celular, notebook e emprestei dinheiro dos familiares. Até agora, arrecadei R$ 500 para as passagens (ida e volta), que custam R$ 1.600 por causa do feriado prolongado”, disse. Além dele, mais dez atletas de Manaus estão classificados para a competição, porém, esbarram na falta de recursos para garantir presença.

“Não vamos nem pela premiação, mas pela vontade de representar o Amazonas, que nunca ficou fora dessa competição”, disse o pentacampeão estadual.

Segundo o diretor-técnico da Federação Amazonense de Capoeira (FAC), mestre ‘Chaguinha’, 61, a pretensão era levar o grupo completo de capoeiristas. “A capoeira é um patrimônio cultural brasileiro e somos bicampeões (2008 e 2012). Já conseguimos passagem para mais longe. Não acredito que não iremos conseguir, pelo menos, duas para ir ao Estado vizinho”, lamentou.

Fonte: http://www.emtempo.com.br/

Entrevista: Mestre Adilson

 

Mestre Adilson concede entrevista a Mestre Kadu, no I Encontro Interno do Grupo Gunganagô, em dezembro de 2012.

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Mestre Capixaba enfrenta uma velha sina capixaba

Quem esteve no Sítio Histórico Porto de São Mateus em 2007 se emocionou com uma histórica roda de capoeira. Dentro jogavam dois monumentos: João Grande e João Pequeno. Este faleceu em 2011. João Grande, que em fevereiro fez 80 anos, há muito vive em Nova Iorque, ensinando a luta brasileira na multicultural Manhattan.

Essa bela página da história da capoeira foi escrita durante a primeira edição do Encontro Internacional e Jogos Abertos Acapoeira, organizado pelo Mestre Capixaba. Apesar disso, seis anos depois, o encontro chega à quinta edição tropegamente.

O evento deste ano, que acontece em Itaúnas (Conceição da Barra) entre os dias 21 e 25 de agosto, recebeu um único apoio oficial, oriundo da Secretaria de Estado da Cultura. Mesmo assim, via emenda parlamentar (do deputado estadual Sérgio Borges, do PMDB).

Realizado desde 2007, o encontro reflete uma interessante característica de seu organizador: o trânsito que ele tem por mais de 30 grupos. Por uma questão, digamos, cultural, grupos de capoeira são como que organizações que tendem a não estabelecer laços entre si. Os integrantes de um grupo só jogam com seus pares.

Mas aí, para Capixaba, não há vivência. Desde aluno, em meados dos anos 70, ele se movimentava entre os grupos rivais de Vitória. Hoje ele trabalha para a aproximação entre os grupos, processo que o encontro catalisa. Sua filosofia sustenta que laços mais estreitos significam intercâmbio cultural e, portanto, enriquecimento da capoeira.

Por isso o Encontro Internacional e Jogos Abertos atrai praticantes do Brasil e do mundo inteiro, de vários grupos, sem discriminar graduação. Já veio gente da EUA, Canadá, Alemanha, Áustria, Suécia, Espanha, Suíça, França, Hungria, República Techa, Colômbia.

Para esta edição estão previstas as participações de mestres e professores dos EUA, Áustria, Suíça, Espanha, Alemanha, Colômbia e Hungria: Mestre Preguiça (EUA), Professor Tapioca (Áustria), Professor João de Barro e Professora Bela (Suíça), Professor Bala (Espanha), Professor Pit Bull e Professora Pérola (Alemanha), Instrutor Tigrinho (Colômbia), Mestre Paulão (Hungria).

A principal atração será a formatura dos professores Rafael (Rio de Janeiro) e Sururu (Minas Gerais). É sempre comovente o solene momento em que as portas da capoeira se abrem para novos mestres. Rafael e Sururu acompanham Mestre Capixaba há quase três décadas. A ideia, agora, é viajar com os dois para alguns países e aprimorar com eles o ensino da capoeira.

Entre o final de maio e o final de junho deste ano Mestre Capixaba iniciou pela Espanha sua peregrinação de 30 viagens anuais. Grécia, Holanda e Alemanha vieram a seguir. De volta ao Brasil, mais avião: Rio Grande do Sul, São Paulo, Piauí, Roraima e Fortaleza. No final de setembro, já há compromisso agendado nos Estados Unidos.

Mestre Capixaba é um dos capoeiristas mais requisitados do mundo. Ao lado dos mestres João Grande (EUA), Camisa (RJ), Preguiça (EUA), Itapoã (BA), Tabosa (DF), Di Mola (Suécia) e Sabiá (BA), é um dos principais difusores dessa arte marcial genuinamente brasileira.

São 35 anos enfrentando viagens longas e rotinas exaustivas para levar um patrimônio imaterial brasileiro aos quatro cantos do globo – ele não sabe quantos países já visitou – e a incontáveis cantos e recantos do Brasil. Mas se diz cansado. Tanto que planeja um 2014 diferente: programou apenas duas viagens ao exterior, Austrália e Inglaterra, dois países ainda não visitados.

Fosse apenas as viagens que lhe provocassem os achaques do cansaço, ok, ótimo. Mas não. O mestre é mais uma ilustre vítima de um mal genuinamente capixaba. Fora das fronteiras estaduais, banham-lhe em honras, láureas, reconhecimento e respeito. Cá dentro, paira o silêncio.

O mestre é ao mesmo tempo causa e efeito do fenômeno internacional em que se transformou a capoeira: hoje são cerca de 10 milhões de praticantes no mundo e um dos mais praticados no Brasil. É um dos muitos capoeiristas que deixaram a terra natal para semear as sementes da capoeira mundo afora. E, aí, cada lugar o levou a outro e mais outro e mais outro.

Ano que vem Mestre Capixaba celebra 40 anos de devoção à capoeira. Aprendeu os primeiros golpes com o irmão mais velho, numa época em que Vitória era dividida em grupos (Praia do Canto, Centro, Jucutuquara, agregando ainda Vila Velha), de capoeiristas ou não, que não podiam se cruzar. Do contrário, era briga.

Quem amainou as disputas e de certa forma aproximou os grupos chama-se Diabo-Louro, mestre baiano que chegou ao estado no início dos anos 70. Diabo-Louro transitava entre os grupos, dando aula em Jucutuquara e no Praia Tênis Clube. Outra iniciativa que quebrou o gelo foi a organização do 1° Campeonato de Capoeira.

Foi embora pouco depois, em meados da década, e deixou alunos para Mestre Binho, seu aluno mais graduado. Binho foi o primeiro mestre de Capixaba.

Quase 40 anos depois, Mestre Capixaba ainda insiste para que o santo de casa faça milagre. Mesmo experimentando o gosto da glória que o gênero conheceu de algumas décadas para cá, como expressão cultural legitimamente brasileira (algo que o mundo globalizado adora, como o samba, o choro, o carnaval), ele ainda não conseguiu.

Mestre Capixaba conhece os dois lados da capoeira: a marginalização e a celebração. No Espírito Santo, parece viver os séculos em que cada meia-lua escrevia no ar a história animalesca da escravidão colonial-imperial ou do preconceito republicano, quando em 1890 um decreto federal proibiu a capoeira, situação que só teve bom termo em 1935.

Demorou bastante para essa arte-marcial nascida nas senzalas e quilombos cativar os milhões pelo mundo que hoje a praticam. Esse é o lado bom da história, que Mestre Capixaba felizmente conhece bem. A ponto de ter vivido episódios marcantes no exterior.

Em Israel, a capoeira só perde para o Krav Magá em número de praticantes. Há alguns anos, uma universidade de Israel precisava da assinatura de um mestre de brasileiro para autenticar a cadeira de capoeira. Mestre Capixaba foi o responsável. O país não lhe era estranho: o grupo que integrava possuía representantes ministrando cursos e workshops por lá, dada a popularidade da capoeira em Israel.

Em 1989, a atriz Brook Shields, então um dos rostos mais venerados de Hollywood, lançou Brenda Starr, filme de aventura em que vive a destemida repórter homônima à película. Parte da história se passa no Brasil e a produção queria capoeiristas.

Jelon Vieira, pioneiro na introdução da capoeira nos Estados Unidos, mostrou um vídeo com Mestre Capixaba e Mestre Boneco (o ex-ator global Beto Simas). Assim Capixaba fez uma ponta no filmão hollywoodiano, distribuindo pernada em grandalhões russos.

Ainda nos Estados Unidos, ministrou workshop na respeitada academia de luta de Dan Inosanto, discípulo direto de Bruce Lee.

A longa experiência internacional conferiu a Mestre Capixaba o privilégio de ter discípulos atuando em diversos países. Nos Estados Unidos, os mestres Ary Ranha, Carioca e Bom Jesus; na Espanha, o Professor Bala; na Alemanha, os professores Arisco, Pitbull, Tapioca, Papa Léguas; na Áustria, o Professor Paçoca; na Suécia, o Professor Tim-Tim; na França, o professor Ticum; na Colômbia, o professor Felino; no Chile, o professor Urutum. Sem contar outros tantos instrutores.

Embora seja um dos grandes semeadores da capoeira no mundo, Mestre Capixaba optou por permanecer na terra natal. Mora em São Mateus, no norte do estado, desenvolvendo projetos sociais em escolas do município e da vizinha Conceição da Barra. A confiança nos benefícios físicos e morais da capoeira inspira ainda projetos em Itaúnas e nos quilombos de Angelim e São Domingos, tudo em Conceição da Barra.

A residência em São Mateus recobre-se também de um ato de reverência. Ali viveu o escravo Tedororinho Trinca-Ferro, apontado como criador da Capoeira Angola, ainda quando o município, como todo um naco do norte capixaba, pertencia à Bahia. Não deixa de ser uma atitude de resgate da ideia de que a Capoeira Angola carrega DNA capixaba.

 

Capoeirista, que não sabe quanto países já visitou, é um dos mais solicitados do mundo, mas ainda é ignorado na terra natal

 

Fonte: http://www.seculodiario.com.br

Iê dá volta ao mundo camará!

Da senzala para o mundo, a capoeira conquistou nações com sua arte, história, força e malandragem. Hoje, é o ritmo que o planeta não consegue deixar de amar

“Esta é a prova de que o mar leva… e o mar devolve: saímos dos porões amargurados dos navios negreiros e voltamos consagrados pela fraternidade da arte. Resistência da Capoeira… “, essas palavras fazem parte de um discurso do então Ministro da Cultura, Gilberto Gil, na sede da ONU em Genebra. E naquele dia, 19 de agosto de 2004, a Organização das Nações Unidas foi presenteada com uma roda de capoeira, com a presença de capoeiristas de várias partes do mundo. Mestres de capoeira e figuras políticas entusiasmaram-se com o ato, considerado o início do reconhecimento do movimento para a história do Brasil.

Desde que Getúlio Vargas retirou do código penal a punição pela prática da capoeiragem, considerada crime pelos anos de 1890, os capoeiristas resistiram às imposições governamentais de transformar a sua prática cultural em mero desporto regulado em papel, o que poderia descaracterizar o jogo de suas origens. Durante o período da ditadura, entre os anos de 1964 e 1985, houve uma série de projetos dos militares para os esportes em geral, inclusive a capoeira. Criou-se o Departamento Especial de Capoeira, vinculado à Confederação Brasileira de Pugilismo, coordenado por um militar. A Aeronáutica promoveu simpósios no Rio de Janeiro com o objetivo de homogeneizar as nomenclaturas de golpes e graduações para unificar a capoeira como arte de campeonato, como explica a historiadora e doutoranda, pela Fundação Getúlio Vargas, Vivian Fonseca.

– Ela foi reconhecida durante a década de 1970 como esporte, foi feito um regulamento técnico; não encontrou muito eco dentre os capoeiristas, mas de qualquer maneira foram ações que estiveram em pauta. Eu costumo dizer que neste período houve uma atuação muito autoritária sobre a capoeira. Nos simpósios foram chamados os mestres pra ouvir o que eles pensavam, só que havia uma proposta independente das opiniões divergentes. Na verdade, ele não conseguiu se concluir, mas houve essa tentativa de levar à frente e não teve uma consulta pública pra esse campo.

Após a ditadura, a capoeira já fazia sucesso no Brasil e no exterior e muitas vezes suas apresentações integravam parte dos cronogramas oficiais de grandes eventos, inclusive do governo, mas sem obter uma proposta de valorização para a arte genuinamente brasileira, como esclarece Vivian. Para a historiadora, a partir do governo Lula há um novo olhar pra capoeira, com uma maior percepção dos atores envolvidos, buscando a discussão e construção de uma política não autoritária, de cima pra baixo: “A partir do mandato da presidente Dilma, as ações ficaram meio desarticuladas, mais em função de cortes de orçamentos, rearranjo de prioridades, mas ainda há mobilização”.

Quatro anos depois do Ministro discursar na ONU, a capoeira finalmente se tornou Patrimônio Cultural Brasileiro, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN. Antes disso, porém, os capoeiristas ainda precisaram se organizar para ter suas demandas respeitadas. É o que conta a pesquisadora Vivian.

– Houve uma disputa com os conselhos de educação física sobre quem teria o direito de ministrar aula de capoeira, se seria o bacharel em Educação Física ou o mestre de capoeira. A partir daí houve um rearranjo no campo e os capoeiristas começaram a se articular um pouco mais politicamente.

 

ORIGEM E LEGADO

A capoeira surge com a escravidão, tendo seus primeiros registros encontrados a partir dos anos 1810. Ela se desenvolve na senzala como forma disfarçada de brincadeira, mas que serviria para a própria defesa dos escravos. A prática de jogos como a capoeira se desenvolveu em diversas partes do país, cada qual ao seu jeito, inspirada em diferentes lutas africanas.

No início do século XX, Manoel dos Reis Machado, mais conhecido como mestre Bimba, começou a desenvolver um novo estilo de jogo, que fundia movimentos da capoeira antiga, conhecida como Capoeira Angola, com o Batuque, jogo violento de pernadas praticado por seu pai. Mestre Bimba desenvolveu uma prática de capoeira mais voltada para a luta, atraindo muitos alunos, inclusive filhos de doutores e universitários, para sua academia. A esse estilo, mestre Bimba chamou Capoeira Regional. Ele desenvolveu técnicas e disciplinas e foi consagrado por seus discípulos como grande homem, lutador e sábio, que tornou aceitável para a sociedade brasileira muitos aspectos da cultura negra. Bimba cultivou 7 toques que determinavam o jogo de sua capoeira: São Bento (jogo rápido e duro), Cavalaria (também violento), Santa-Maria (que permite os floreios, acrobacias), Benguela (mais próximo da Capoeira Angola), Idalina (jogo alto e malicioso), Amazonas (sutileza e variação) e Iúna (para a exposição dos conhecimentos em ocasiões de festas). Bimba preservava as práticas do Candomblé e outros costumes antigos como, puxada-de-rede, samba-de-roda e maculelê.

Por outro lado, Vicente Ferreira Pastinha, mestre Pastinha, conseguiu manter viva a tradicional Capoeira Angola, sendo atualmente as principais vertentes praticadas da Capoeira aquelas preservadas ou desenvolvidas por ele ou Mestre Bimba, a Angola e a Regional.

Muniz Sodré, jornalista e emérito professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está entre aqueles que treinaram com Mestre Bimba na juventude. Ele escreveu o livro Corpo de Mandinga, que inspirou o documentário sobre o capoeirista lançado em 2007. Há uma grande admiração pelo mestre de Capoeira, sendo indiscutível o consenso entre seus alunos, doutores ou não, sobre a inteligência e sabedoria de Bimba. Muniz Sodré compara seu mestre ao filósofo alemão, quando diz em seu livro que “Bimba jamais ouviu falar de Nietzsche, mas filosofava de jeito parecido, porque jogava do lado do corpo, do pensamento não-conceitual, do sentimento do instante”. E, com empolgação, o ex-Diretor da Biblioteca Nacional discorre sobre a cultura de sua origem e de seu mestre:

– Eu percebi que, mesmo na esfera do que é ágrafo, que não tem escrita, do analfabeto, na esfera mais rudimentar aparentemente da cultura popular, há uma erudição. A capoeira tem um aspecto erudito por detrás. Bimba era analfabeto, mas era um sábio, realmente sábio, até falando, no comportamento dele. A capoeira junto com o candomblé me mostraram a força da cultura do povo. E isso mudou a minha vida… Porque eu estudei na Europa, sou professor de cultura europeia, mas minha visão, minha perspectiva vem daí, do candomblé e da capoeira.

Além de Muniz Sodré, Bimba fez discípulos que permanecem na capoeira até hoje, tanto na Bahia, preservando a capoeira Regional, tal como ele criou, como pelo resto do país e mundo afora. Hoje, nome dos mais conhecidos da capoeira e grande propagador da arte pelo mundo, Mestre Camisa, que também foi aluno de Bimba – seguindo mais que os passos, a forma inovadora de pensar de seu mestre – é o fundador do grupo Abadá Capoeira, conhecido por ter um jogo próprio, que mescla as sequências de Bimba com novos estilos de esquiva e de golpes. Ele chegou ao Rio de Janeiro em 1972, com 17 anos, e logo começou a ensinar o que sabia de capoeira, um pouco do que tinha aprendido com o mestre somado à capoeira de rua que praticava antes da mãe permitir que frequentasse a academia. Mestre Camisa diz que a proibição de treinar com Bimba por parte de sua mãe era uma espécie de castigo, “não tá indo bem na escola, então não vai pra capoeira”.

Camisa começou ensinando aos colegas no bairro da Lapinha, em Salvador o que tinha aprendido na rua e, ao adquirir mais conhecimentos na escola de Bimba, reforçou para seus primeiros alunos como se jogava a capoeira. Bimba desenvolveu seu método em 8 sequências básicas, de onde resultava todo o jogo da capoeira Regional, e era isso que Camisa ensinava na primeira escola em que começou a dar aula, assim que chegou ao Rio. Ele conta que sentia falta de alguma coisa, de um jeito novo, esclarecimento, experiência, porque era muito jovem:

– Comecei a dar aula numa escola aqui no Rio e fui adaptando ao meu jeito, pela deficiência… ele tinha uma estrutura lá, com vários alunos formados e aqui eu não tinha nada. Passei a dar aula em outros lugares e a encontrar capoeiristas também, que jogavam de uma forma diferente. E com o tempo, eu fui tirando a experiência e o resultado de cada lugar. Fazia as rodas no fim de semana e cada um ia trazendo alguma coisa, de forma espontânea e fui estudando em cima disso, da necessidade, porque era meu ganha-pão. Tinha que ter resultado.

Mestre Camisa, ora questionado por alguns capoeiristas, que o consideram um transgressor da Capoeira tradicional, ora admirado como uma extensão de Bimba, por continuar a criar e instituir formas e regras numa nova escola de aprendizagem, faz crescer por todo o mundo a Abadá Capoeira, criando mecanismos de comprometimento social e ambiental, pensando formas de expandir a profissionalizar a capoeira. Um de seus próximos planos é criar uma escola profissionalizante da Abadá Capoeira, com categorias que atendam aos diversos níveis de escolaridade de seus capoeiristas, e que seja reconhecida pelo Ministério da Educação. Dentre aqueles que o apoiam e enxergam em Camisa um eco do grande espírito de Bimba, está o professor Muniz:

– Mestre Camisa tem no mundo mais de 40 mil alunos, é mais que uma universidade! Onde estão esses alunos? Na China, no Japão, em Israel, na Rússia, na Hungria. São alunos de alunos e ele é chamado constantemente pra fazer batizado, pra dar curso nesses lugares, vive viajando. É uma universidade invisível que ele comanda. Eu vi na Alemanha, na França, moças jogando capoeira muito bem e cantando chulas de capoeira sem saber falar português, mas cantando sem sotaque em português. Isso foi uma coisa que me emocionou muito, aqueles gringões grandes, fortes, jogando capoeira. E você vê que é uma coisa que não se enraizou, não foi a partir de adido cultural de embaixada, não foi a partir do nível escrito, foi dessa prática que não envolve dinheiro – claro que se eles vão dar um curso, eles vão cobrar, mas não é dinheiro que se contabiliza como investimento, é o salário dele. É uma arte que se propaga sem dinheiro, não é como o espetáculo do futebol… E isso vai penetrando. Já se disse que a capoeira ia acabar, com a vinda dessas artes marciais, como karatê, jiu-jitsu, mas, pelo contrário, a capoeira vai crescendo porque ela tem esse fundo cultural. A capoeira não é só luta. É luta, dança, canto… Talvez seja a única arte marcial que se pratica de forma alegre… Todo capoeirista que jogou com Bimba era um fominha de jogar. É como o Camisa conta, quando subia a escada e ouvia o berimbau tocar, o coração começava a bater bum bum bum bum bum bum… Todo mundo queria jogar!

 

DO BRASIL PARA O MUNDO

Lila Sax é americana e reside na Alemanha há 12 anos, mesmo tempo em que começou a jogar capoeira. Ela conta que estranhamente a capoeira foi a sua porta de acesso para a sociedade alemã, tendo inclusive aprendido o idioma a partir do esporte. Foi na capoeira que fez seus primeiros amigos e que encontrou um espaço naquele país. Hoje ela é antropóloga mas seus planos são de prosseguir com o jogo e se profissionalizar cada vez mais no esporte. Ela é uma das mulheres mais graduadas na Europa e, por conta de suas viagens pelo continente para competições e eventos, tornou-se muito conhecida no meio, inclusive no Brasil. Ela faz parte do grupo Abadá Capoeira. A principal bandeira levantada por Lila tem relação com o fato de ser mulher. Ela acha importante que as pessoas saibam que todo mundo pode jogar capoeira, que uma mulher estrangeira é capaz de jogar bem, cantar bem, tocar instrumento, como qualquer outro capoeirista.

– A diferença da capoeira, e eu acho que isso que atrai muito as pessoas, é que tem um lugar pra todo mundo. Se você não gosta de lutar, você vai dar mais ênfase ao lado musical da capoeira, vai aprender as músicas, as acrobacias e a história da capoeira; se você não gosta de música nem da acrobacia, vai dar mais ênfase ao lado da luta, vai chutar, dar galopante, banda… E é por isso que o pessoal lá fora, que faz judô, muay thai, eles vem pra capoeira e veem que tem um espaço pra todo mundo e que todos são aceitos, o que muitas vezes não é possível em outros esportes. E o legal que, independente de idade, altura, de flexibilidade, de deficiência, as pessoas fazem capoeira.

Já Luiz Carlos dos Santos Sobrinho, mais conhecido como Cao Capoeira, saiu do interior do estado do Rio, Campos dos Goytacazes, em busca de oportunidades para desenvolver suas ideias que desde muito jovem envolvem a Capoeira. Por causa do jogo, ele se formou em Educação Física e, no meio de sua graduação, fez um intercâmbio pela Alemanha, onde conheceu excelentes universidades que, segundo ele, valorizam bastante a pesquisa, principalmente na área técnica. No Brasil, ele chegou a conseguir uma bolsa para pesquisar na área de História da Capoeira, mas o projeto não conseguiu ir adiante, por falta de apoio. Após concluir o bacharelado, retornou à Alemanha e apresentou uma proposta de projeto para mestrado ao Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, uma universidades de elite no país. Sua ideia, que logicamente envolvia capoeira, foi aceita. Morando há quase dois anos na Alemanha, ele já pensa em temas para prosseguir com o doutorado em Karlsruhe:

– Infelizmente no Brasil a gente vê que não tem assim um apoio tão grande pra essa área de pesquisa. O conhecimento que tenho desenvolvido no Instituto, aplico na minha dissertação de mestrado, que é sobre capoeira, suas esquivas e o nível de lesão mecânica que essas esquivas podem causar principalmente nas articulações do joelho e do tornozelo. É do senso comum que capoeira faz mal pro joelho, pelos seus movimentos baixos, de chão. E a minha ideia é quantificar a lesão mecânica que ocorre nas articulações quando o capoeirista realiza esquivas específicas, entender isso melhor. Esse é um primeiro passo para mais tarde a gente otimizar a técnica, talvez alterar pequenas coisas, adaptar a capoeira para que pessoas de mais idade ou com problemas articulares também possam praticar de forma menos lesiva e, quem sabe mais à frente, usar esse conhecimento no desenvolvimento de uma metodologia de capoeira reabilitativa, para pessoas que tem problemas em joelho, tornozelo, aplicar a capoeira de forma adaptada e dosada como forma de reabilitação.

 

A CAPOEIRA EXPORTADA

Segundo o professor Acúrsio Esteves, formado em Educação Física pela Universidade Católica de Salvador e pesquisador da arte da Capoeira, o jogo começou a ganhar asas para fora do país a partir da década de 1950. Ele conta que mestre Bimba, mestre Pastinha e alguns outros mestres de Salvador, começaram a fazer, além da capoeira que eles ensinavam em suas academias, shows folclóricos que tinham como público-alvo os turistas que vinham conhecer o Brasil. Com uma visão crítica sobre a exportação da capoeira como elemento exótico do nosso país, o professor escreveu o livro A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento. Ele sintetiza suas conclusões sobre a origem da difusão mundial da capoeira, a partir da formação de grupos parafolclóricos, formados no Brasil e levados para outras partes do mundo, a convite de estrangeiros. Para Acúrsio, esses grupos começaram a se estabelecer no exterior e seus integrantes iniciaram uma nova vida nesses países, dando aulas de capoeira para estrangeiros. O professor elenca o que considera os grandes difusores da capoeira pelo mundo afora, em ordem cronológica:

– Elas saíam do grupo e começavam a desenvolver uma atividade própria, particular. Depois vieram as academias de capoeira, que foram criando filiais no Brasil inteiro. E o processo foi esse, de uma forma bem resumida: primeiro pelo viés da cultura, depois pelas academias e, em terceiro plano, começaram a vir as publicações, os livros, e por último o cinema. Outro viés muito importante e bem recente é a divulgação pela internet, através de sites como o Portal Capoeira, do Professor Luciano Milani. Desde 2005 que Luciano Milani, capoeirista brasileiro, residente em Portugal há 10 anos, criou o Portal Capoeira, principal meio de comunicação direcionado ao capoeirista na atualidade, com uma média de 3 a 4 mil acessos por dia, segundo o editor do site. Atualmente, o Portal possui cerca de 20 colaboradores, sendo os mais atuantes o jornalista de Brasília Mano Lima e os professores baianos Pedro Abib e Acúrsio Esteves. Desde quando criou o site, ele mantém contato com capoeiristas do mundo todo, principalmente do Brasil, a fim de fortalecer as trocas sobre toda a cultura que envolve a capoeira. Dessa forma ele desenvolveu uma sólida amizade com mestre Decânio, discípulo de Bimba e médico em Salvador, foi o grande responsável e incentivador que possibilitou a criação do portal, diz Milani:

– A ideia básica do Portal é reunir o maior número de informações possíveis. Nós temos trabalhos de teses, mestrados, doutorados, livros, músicas, vídeos, matérias mesmo, subdivididas em diversas categorias. A nossa ideia é criar esse núcleo de cultura e conhecimento da maneira mais vasta possível, porém com coerência e muita responsabilidade. Aqui na Europa eu percebo que há muita preocupação com a pesquisa. Tenho muitos amigos desse meio que são professores, bastante preocupados com a disseminação da capoeira no sentido cultural mais aprofundado. Foi a partir de 2007 que o site ganhou importância, por conta do filme mestre Bimba, Capoeira Iluminada. O filme Mestre Bimba Capoeira Iluminada é um documentário de 2007 realizado pelo carioca Luiz Fernando Goulart que conta a história de Bimba através de seus antigos discípulos, historiadores e antropólogos, suas ex-esposas. Ele é rico em imagens antigas, inclusive vídeos feitos do próprio mestre. Ele é inspirado no livro Corpo de Mandinga, do Muniz Sodré. Sobre o Mestre Pastinha existe o documentário “Pastinha! Uma Vida Pela Capoeira”, realizado por Antonio Carlos Muricy, no ano de 1998.

 

CAPOEIRA E FILOSOFIA

Em 12 de junho de 1996, a Universidade Federal da Bahia concedeu, após 22 anos de sua morte, o título de Doutor Honoris Causa a Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba. Por tudo que aquele negro forte e mitológico representou para o reconhecimento da capoeira, desde a atração que exerceu sobre os doutores que depois vieram a ser capoeiristas, até o reconhecimento por Getúlio Vargas da capoeira como cultura popular e não mais crime, conforme registrava o código penal. Pela institucionalização da capoeira com regras e disciplina, sem perder, no entanto, a alegria.

O professor Muniz Sodré, que parece simpatizar bem com o alemão Friedrich Nietzsche, principalmente quando fala de mestre Bimba, também diz em seu livro que o filósofo “jogava capoeira com o pensamento, em especial quando se referia ao corpo como ‘um edifício coletivo de diversas almas’”. E Muniz prossegue no mesmo livro: “Na capoeira, assim como na filosofia de Nietzsche, o corpo pensa. Pensamento e corpo pertencem à ordem do diverso, isto é, a uma simultaneidade de coisas compreensíveis e incompreensíveis que raramente passam pela consciência. “

 

 

Áurea Maria Xavier Pereira Gomes

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Livro: Capoeira e Religiosidade (Espiritualidade)

Para alguém que foi criado na Europa ocidental, onde a religião, em grande parte, foi remetida para o domínio privado de cada pessoa, e que chega ao Brasil e vê os adesivos colados na parte de trás do carros dizendo “100% Jesus”, ou “Deus é fiel”, é como um pequeno choque cultural. Mesmo sabendo que o catolicismo ainda está forte na América do Sul, a ideia (talvez ultrapassada) do iluminismo, na qual a religião é apenas um estágio antes do laicismo e do conhecimento científico, é uma convicção que está fortemente impregnada na minha consciência.

Ver gente que exprime tão abertamente a sua ligação com uma religião, quase de uma maneira comercial, sem ser necessariamente muito conservador nem atrasado, é uma coisa que, no início, é difícil de aceitar ou compreender. Quando se entra no mundo da capoeira, uma arte marcial brasileira, também se percebe as ligações entre capoeira e as várias religiões, como as religiões dos afrodescendentes.

Estas religiões são interligadas e até fonte das demais expressões culturais africanas, que foram trazidas pelos escravos dos vários países da África no tempo de cativeiro. Religiões que por razão de sobrevivência segundo vários2  – foram trazidas ao sincretismo com a religião dominante dos senhores, o catolicismo. Ao lado disso ainda existem as crenças dos índios, de quem eu sabia muito menos, mas que na história da capoeira também têm um papel, com a pluralidade de religiões e crenças que existem entre eles3.

Como um holandês quase ateu vai conseguir entender este mundo de interligações e conexões religiosas que formam parte da base deste arte marcial que é a capoeira?
Na sociedade holandesa (como numa grande parte da Europa ocidental) a influência aparente da religião é muita mais fraca do que no Brasil: as igrejas ficam cada vez mais vazias e são utilizadas como centros culturais ou mesquitas4.

Lá, o raciocínio –o racionalizar de todos os fenómenos e o secularismo estão fortes e puxaram a fé para o domínio privado, se é que ainda existe. Neste domínio, o catolicismo batalha espaço com as várias formas de protestantismo, as religiões orientais, e o secularismo. Em 2008 o CBS (Instituto Central da Estatística holandês) fez uma pesquisa na qual 29% do povo holandês se considerou católico, 19% protestante (reformado, luterano, evangélico), 4% muçulmano, 6% disse ter outra religião (judeu, hinduísta, budista, cristão ortodoxo) e 42% sem religião5. Movimentos pentecostais estão presentes de maneira marginal e as religiões dos afro-descendentes não desempenham um papel significante para a sociedade.

Isto não é apenas uma enumeração de dados religiosos; isto nos diz algo sobre a sociedade onde isto acontece, que é bem diferente da sociedade brasileira. Não só porque tem relativamente menos fiéis, ou porque eles estão divididos de uma maneira diferente. É também porque quando vemos a religião como uma parte fundamental da cultura, a presença ou a ausência de uma oumais religiões, tem uma forte influência naquela sociedade.

Como consequência, chegamos a uma primeira divisão entre as culturas holandesa (e “o mundo ocidental”, como gostamos de dizer na Europa) e a brasileira. Temos que entender primeiro que para o africano que foi trazido para o Brasil, como para o indígena, mas também para o ‘catolicismo popular’6 , os aspectos da vida estão muito mais interligados do que o Europeu (ainda) reconhece7.

Não há uma divisão “secular”: sua religião determina o trabalho que você faz, a comida que você come, e como resolve os problemas físicos. A religião, para a maioria dos holandeses e no mundo ocidental tornou-se uma coisa particular, privada, que você pratica aos domingos na igreja. Mas para uma grande parte das pessoas em outras partes do mundo, as ligações religiosas existem em contexto pessoal e social. Para o europeu, estas coisas estão bem separadas.

A razão desta diferença é tema para um outro debate, e aqui não há espaço para entrar8. O que importa para meu propósito é que esta diferença existe. Porque, mesmo a situação social e religiosa na Holanda (e Europa ocidental) sendo bem diferente daquela que encontrei no Brasil, a capoeira se espalhou e se desenvolveu em ambos os países e continentes.

Claro que o berço da capoeira é o Brasil, e que ela tem muito mais história lá, e um nível alto que é mais amplo espalhado. Mas no fundo a capoeira ficou a capoeira. Há jogadores bons na Europa (e nos outros continentes) que podem se meter com qualquer um no Brasil, que entendem o jogo, sabem dos rituais e de tudo o mais. Não-Brasileiros que dão aula e se tornam contramestres e até mesmo mestres.

Tem gente cantando sobre a escravidão, sobre os orixás, os santos, fazendo orações, mesmo sem nunca terem vivido esta cultura. Não se consideram (necessariamente) religiosas, e as religiões ‘ligadas’à capoeira são, na grande parte, alheias à eles, porque não fazem parte da situação social onde eles vivem.

Como explicar este fenômeno? Como uma cultura que às vezes é tão diferente, é tão ‘facilmente’ incorporada no mundo inteiro por pessoas de culturas totalmente alheias, até que ponto os praticantes de capoeira incorporaram uma certa religiosidade ou espiritualidade que faz parte desta cultura onde a capoeira nasceu? Será então que a capoeira leva a uma certa religiosidade das religiões que são parte da cultura brasileira, ou devemos entender este fenômeno de uma maneira diferente?

Para começar a entender isto, considero as religiões e crenças de um ponto de vista acadêmico, quer dizer racionalizado, até mesmo categórico e talvez um pouco abstrato. Então eu não imagino falar sobre a espiritualidade de cada um, ou como todos os capoeiras convivem ou praticam suas religiões, ou qualquer outro aspecto que seja pessoal, individual.

Fé é fé e tem pouco de acadêmico;  ela também não é entendida por todos os fiéis da mesma maneira. E estou também consciente que a capoeira tem uma significação diferente para cada um que a pratica. O que eu procuro aqui é tentar entender uma parte deste fenômeno com os instrumentos e conhecimentos acadêmicos que eu tenho ao meu dispor9.

 

2. Ferretti (1997), Vassallo (2009)

3. Subsistem hoje tribos em um número muito pequeno, face o que houve antes. Mesmo assim, depois de cinco séculos de genocídios e agressões, distribuem-se em diferentes etnias e algumas nações indígenas; várias tribos com suas culturas próprias e, em seu interior, com sistemas religiosos peculiares. Mesmonos casos em que inúmeros do seus membros já se converteram a alguma confissão cristã. Então não é uma vaga espécie única de religião com um misterioso deus supremo: Tupã. Brandão, (2004) Mas a influência destas religiões e crenças no mundo de capoeira ainda é pouco pesquisada.

4. O que provavelmente também não vai durar muito tempo, vendo que os muçulmanos no ocidente já pensam de outra maneira sobre qual deveria ser a papel da sua religião dentro a sociedade.

5. CBS, 2009

7. Esta antiga forma de catolicismo ibérico politeísta forma parte central do meu argumento. Por isso vou entrar nesta forma mais adiante.

8. Por exemplo, só na maneira de preparar a comida já existem hábitos e costumes baseados na crença. E para quem é filho de santo, sabe-se que não pode comer alguns alimentos, de acordo com o santo.

9. Se a causa desta diferença foi o iluminismo europeu ou o desenvolvimento das sociedades modernas que passavam certo nível de complexidade e assim atingiram um alto nível de funcionalidade diferenciada onde não se pode manter a universalidade social de uma visão de mundo essencialmente religiosa, (Luckmann (1990) ou que há outras explicações, eu deixo para o leitor.

 

Dolf van der Schoot[email protected]

Baiano radicado no Rio, Mestre Camisa levou a capoeira a mais de 60 países

O peregrino capoeirista foi para o campo e fundou ‘quilombo moderno’

RIO – “Não tem erro. É só dirigir até Itaboraí e pegar a estrada para Cachoeiras de Macacu. Me liga quando estiver chegando que eu espero vocês na segunda queijaria”, diz o Mestre Camisa, pelo telefone, informando as coordenadas do sítio onde ele mora e organiza encontros nacionais e internacionais e aulas de capoeira. O sotaque é a mistura equilibrada de um baiano radicado no Rio que, há 16 anos, foi morar no interior do estado. Encontramos o capoeirista na RJ-116 e seguimos sua picape numa estradinha de barro espremida entre uma encosta e um charco. Logo depois de um enorme pé de açaí, fica a entrada do sítio, um lugar idílico, onde pavões, araras, gansos e papagaios ficam soltos o tempo todo. Voam embora, mas voltam. Há uma capelinha de São Jorge no pé de um pequeno morro e, espalhados num imenso gramado, amplos quiosques construídos para o treino da arte que, como define Camisa, “engravidou na África e nasceu no Brasil”.

 

 

— Este lugar é um quilombo moderno, de resistência contra o estresse da cidade grande — explica José Tadeu Carneiro Cardoso, de 58 anos, que batizou o local de Centro Educacional Mestre Bimba, em homenagem ao criador da chamada capoeira regional e seu mentor na adolescência em Salvador. — Luto para preservar a memória dele. A capoeira é patrimônio imaterial do Brasil. A melhor forma de manter sua história é cuidar do legado dos mestres.

Camisa deixa seu pequeno paraíso e vem ao Rio pelo menos duas vezes por semana, para acompanhar aulas e participar de reuniões. Está sempre confabulando algo. No momento, organiza o recém-criado Instituto Mestre Camisa e trabalha na produção do festival que, em agosto, vai comemorar os 25 anos da Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte-Capoeira (Abadá-Capoeira), criada por ele. Mais de cinco mil “seguidores” estarão na Fundição Progresso, na Lapa, para três dias de shows e atividades envolvendo as artes da capoeira (dança, luta, música, artesanato etc).

Vai ser uma celebração da própria vida de Camisa. Ele tinha 16 anos quando veio parar no Rio ao final de uma turnê que costurou o país com apresentações de capoeira e música baiana. Antes de criar seu próprio método de ensino e filosofia, o nordestino integrou o Grupo Senzala durante anos. O primeiro aluno foi um gaúcho que tinha visto o show do “Furacões da Bahia”. Na época, Camisa ainda morava num quartinho da academia em Laranjeiras onde dava aulas. Hoje, ele bate no peito ao dizer que ensinou capoeira a milhares de pessoas no mundo.

O capoeirista já esteve em mais de 60 países para ministrar palestras e cursos. Este ano, foi inaugurado o Complexo Residencial Mestre Camisa, conjunto habitacional na cidade de Romilly-sur-Seine, na França. Por causa do seu trabalho de pesquisa e divulgação da cultura brasileira, recebeu até título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Uberlândia. Além disso, a Abadá-Capoeira está envolvida em mais de 150 projetos sociais. São cerca de 15 mil pessoas beneficiadas com aulas gratuitas. Há ainda campanhas sociais, com nomes como “Capoeirista sangue bom”, de doação de sangue para o Hemorio, e “Meu berimbau pede paz”, contra a violência. Mestre Camisa virou uma espécie de diplomata da cultura nacional.

— Pessoas de vários países aprendem a jogar e querem saber como surgiu nossa arte. A história da capoeira é mais importante que o jogo. O que é mais bonito que o homem lutar pela liberdade? — argumenta Camisa, referindo-se ao nascimento da luta, criada por escravos para se defender dos feitores dos engenhos. — Como eu só falo português nas aulas, os gringos aprendem até o idioma. Não tem tradução para palavras como ginga e manha.

Sob a perspectiva da divulgação da capoeira, o sociólogo e professor Muniz Sodré atribui ao baiano lutador a sucessão do Mestre Bimba, de quem também foi pupilo.

— Camisa tem uma cabeça universitária sem nunca ter passado por faculdade. Sabe misturar a prática do jogo com o sentido de preservar a cultura. Além disso, é um “poliartista”, que luta, canta, compõe e toca bem o berimbau — elogia Sodré. — A capoeira faz mais pela cultura brasileira no exterior do que adidos culturais em embaixadas.

Em suas viagens, sempre como convidado para eventos, Camisa viveu de tudo. Terremotos no Japão a bombardeios em Israel. Durante um voo doméstico em Angola, ficou sabendo que o aeroporto da cidade de Benguela, para onde estava indo, havia sido atacado (o país africano estava em guerra civil). Hoje, a frequência das viagens diminuiu bastante. O mestre prefere ficar perto da mulher e dos três filhos, com idades de 33, 23 e 13 anos, todos de casamentos diferentes.

— Eles moram no Rio, mas passam o fim de semana comigo. Chega de viajar tanto. Sem gastar um centavo do meu bolso, percorri o mundo. Agora, deixo as pessoas virem ao meu quilombo respirar ar puro.

O retorno ao campo

A ida de Camisa para o interior foi a volta ao campo do menino de Jacobina, no extremo norte da Chapada Diamantina. Ele passou a infância “brincando de capoeira na rua”. O irmão mais velho, Camisa Roxa, foi quem mostrou que o assunto era coisa séria. Depois da morte do pai, quando o garoto tinha 9 anos, a família foi toda morar em Salvador. Camisa se formou com Mestre Bimba e, aos 16, partiu na turnê nacional organizada pelo irmão. O Rio era a última parada. Eles se apresentaram em locais como o Canecão e o Teatro Opinião e, ao final, parte da trupe partiu num navio rumo à Europa. O adolescente ficou para trás.

— Chorei quando vi o navio zarpar, no cais do porto. Mas rasguei ali mesmo a passagem de volta para Salvador. Cheguei a dormir na rodoviária, fingindo que estava esperando ônibus. Mas consegui me fixar.

Décadas se passaram até Camisa decidir que o campo é seu lugar. O intuito da mudança foi levar o trabalho social ao interior. No sítio, ele dá aulas a crianças e forma professores. Também promove encontros com centenas de pessoas, que além de treinar capoeira, fazem trilhas e cavalgadas. Tudo faz parte do conceito da capoeira ecológica. O mestre promove rodas no meio do mato e planta árvore para fazer berimbau. Criou até um “berimbau vivo”, amarrando a corda no tronco de uma árvore.

— O Camisa sempre descobre o caminho para fazer. No festival, em agosto, ele quer lançar o título de “notório fazer” — diz Perfeito Fortuna, presidente da Fundição Progresso e amigo do mestre desde que ele se apresentou no Circo Voador, em 1982, quando a lona estreou no Arpoador. — Não existe a expressão notório saber? Às vezes, quem sabe fazer não faz. Mas quem faz sempre sabe. E o Camisa faz.

Fonte: http://oglobo.globo.com

Rio de Janeiro: A roda do Cais de Valongo

O cais do Valongo situa-se na zona portuária do Rio de Janeiro e desde sempre manteve uma relação com a cultura afro-brasileira, seja pelo fato de ter sido um entreposto de escravos no Rio ou por ter sido frequentada por capoeiristas, babalorixás e yalorixás, sambistas e outros personagens da cultura popular carioca. O cais do Valongo ele próprio sofreu alterações urbanas ao longo do tempo, como em 1893 quando foi alargado para receber a imperatriz que casaria com D.Pedro II e chamado de Cais da Imperatriz.

A roda do Cais de Valongo foi idealizada por Carlo Alexandre Teixeira da Silva, conhecido na capoeiragem como Mestre Carlão. O Mestre começou o seu trajeto na capoeira Angola nos anos 80 e fez parte de uma geração de capoeiristas no Rio que participou na revitalização da capoeira Angola, mas também, na sua difusão para fora do Brasil. Mestre Carlão residiu em Londres, idealizou alguns espetáculos de teatro com performatizações híbridas entre o teatro e a Capoeira Angola, mas também organizou um dos mais importantes eventos da capoeira londrina, o Movement for change.

De retorno ao Brasil para residir novamente no Rio, consta que Mestre Carlão foi dar aulas próximo ao Cais do Valongo e deu se conta da importância do lugar e da necessidade de criar a volta daquele espaço simbólico um movimento. As rodas do Cais do Valongo têm um carácter temático, tendo sido a primeira dedicada a Prata Preta, líder negro contra a revolta da vacina. A roda também é frequentada e conta com a intervenção de personalidades importantes que pensam a capoeira, a cultura negra e a cidade do Rio como o jornalista Décio Teobaldo e o historiador Mathias Assunção. A ideia central da roda, na compressão do Mestre Carlão, é “ocupar os espaços públicos e históricos para fincar o pé nos locais que estão cada vez mais controlados”. Segundo o mestre existe um “choque de ordem” na ocupação dos espaços públicos em que os gestores municipais criaram regras estritas de utilização que limitam a ação dos agentes da cultura popular na rua. Na perspetiva do Mestre Carlão e de outros agitadores culturais da capoeira carioca, a área do Cais do Valongo tem sido muito visada pela especulação e os investidores, seja por seu carácter histórico e o valor do solo urbano, mas sobretudo pelos avultados investimentos que ali se pretendem fazer. Para além da roda, outros grupos tem feito na praça as suas intervenções como grupos de Jongo, o bloco carnavalesco Prata Preta e inclusive grupos indígenas.

É importante perceber que essa intervenção dos capoeiristas em parte tem um carácter de reforço cultural da atividade, ocupando e intervindo nos espaços público, fazendo notar-se como uma atividade que é popular e que esta em diálogo com os grupos sociais que ocupam a urbe carioca. Mas tem também e principalmente um carácter político e militante em favor da cidade, do direito de manifestar-se nela através da cultura e opondo-se a qualquer forma de elistismo e segregação socio-espacial que os poderes públicos pensem em instituir. Perceba-se também que a roda do Cais do Valongo trás uma proposta de ação para a capoeira Angola no Rio de janeiro. Para além da roda em si, há um tema, ocorrem palestras e podem eventualmente ocorrer intervenções de outras ordens, dentro do contexto de organização da roda. No decorrer dessa proposta outos líderes de grupos também dinamizaram as suas rodas na rua, construindo um movimento espontâneo, mas que vibrava a partir de um sentimento comum de intervir na cidade e engajar a Capoeira Angola numa ação conjunta e assim criou-se a Conexão Carioca de Rodas na Rua, como uma iniciativa dos capoeiritas de integrar as rodas já existentes na rua num mesmo fim. Os grupos envolvidos nessa iniciativa são: Grupo Volta ao Mundo – M. Cláudio (Roda na Praça São Salvador, Laranjeiras); Grupo Kabula Rio – M. Carlão, CM. Leandro, Treinel Fátima (Roda do Cais do Valongo); Grupo Ypiranga de Pastinha – M. Manoel (Roda na Cinelândia, Centro); Grupo Aluandê – C.M Célio (Roda da Feira do Lavradio, Rua do Lavradio); Grupo Valongo – Treinel Maicol e Pedro Rolo e Roda da Praça XV com Prof. Fábio-Pezão do Instituto Uka – Casa dos Saberes Ancestrais.

A roda do cais do Valongo está para continuar. Para além do ritual da capoeira angola e da mandinga e teatralidade dos seus jogadores, a roda do Cais do Valongo é um casamento de várias intervenções artísticas. Já foram produzidos vídeos, realizadas palestras, experimentações fotográficas em que se destaca o trabalho da fotógrafa Maria Puppim Buzanovsky e estão marcadas outras intervenções.

O Rio pulsa e reflete sobe si mesmo na roda do Cais do Valongo.

 

Ricardo Nascimento

Geógrafo – Doutorando em Antropologia pela Universidade Nova de Lisboa

 

Rodas de Capoeira and the Public Art Movement

Rio de Janeiro has always been a city known for its unique beauty, home of cheerful and welcoming people. But now, in addition to the natural beauty and the typical brazilian kindness, we also want to show that our culture, specifically the popular one, still has a value which is not yet known to the public, national and international, to their fullest potential, artistic, cultural, philosophical and historical.
The cultural movement known as “Conexão Carioca de Rodas na Rua” (Carioca Connection of Rodas held on the Street) for almost one year, has developed an innovative proposal which includes 7 groups of Capoeira Angola, promoting a series of Rodas and presentations in public spaces in Rio, with the aim of showing that the culture of Brazil surpasses and does not accept the stereotype and cliché in which we were placed over the centuries, the one which still imagines a Brazil made of beach, forest, football and a carnival that lasts 365 days.
Besides the “Rodas” we have been doing lectures, film recording and photography shoots in order to bring awareness, political consciousness and critical thinking about the Afrobrazilian history and so.
The big events that are coming to Brazil has created an ideal environment to transform many of such misconceptions about us.
Well, the time has come for the people of Brazil show that its value goes far beyond the labels created by propaganda and prejudice. The opportunity to deconstruct the grotesque and reinvent what has always existed is knocking at our door and we do not intend to waste it once again. The Public Art and its protagonists, now has the determination and the voice of thousands of artists and thinkers to say what we think, what we do and how we want to do.
Come and learn about this Cultural Movement that is giving the example of how to organize, gain attention, respect, visibility and attract the public.
The rodas has returned to the street to stay! So, come to Rio de Janeiro to meet and participate in this cultural and political action!

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  • See all the videos of the Cais do Valongo Roda / “Conexão Carioca”, which been made in order to promote awareness and disseminate our ideas and actions: 7th Roda do Cais do Valongo – https://vimeo.com/user12575042Photos by Maria Buzanovsky

 

In September 2012, invited by Master Carlão, I began my photographic shootings of the “Cais do Valongo Roda”, but my initial contact with Capoeira and the group Kabula is older, having been a student of Contramestre Leandro Bicicleta. From the first photo session in that Roda, the main goal was to show intimate moments which could reveal the ritual of Capoeira Roda, its movement and body language of the players or the details of the berimbau and also the other percussion instruments. It has been privileged with absolute focus, a look from the inside the game itself, which I got through my experience within the world of Capoeira as a practitioner and scholar of the history of this cultural manifestation.

I believe that the difference in my work, in addition to the plasticity and beauty inherent in all aspects involved in the ritual, and the game of Capoeira Roda portrayed, is concentrated in special moments and angles which I use for these photos.

It is precisely the perspective from the heart of the Roda that attracts both the general public, as well as the protagonists themselves, when they see themselves in the photographs and the signs of their culture, such as the berimbau and the “atabaque” (capoeira traditional drum), the “chamada de Angola” step or a beautiful “rasteira”. Thus, they identify temselves with the images because they feel a portion of their most private emotions portrayed out of their bodies. I believe this is due to the great success that, to my surprise, the photos reached on social networks, through which I have been receiving affectionate messages from capoeiristas from around the world, who appreciate my work.

Beyond the ritual of Capoeira Angola, from “mandinga” and theatrics of its players, the idea is to provide the combination of various artistic actions and interventions. In addition to the photographic shootings it has been produced videos and lectures with the participation of scholars and artists who think capoeira, the black culture and the city of Rio de Janeiro. The aim is therefore to stimulate greater insight into Capoeira, as a Brazilian Intangible Cultural Heritage, broadcasting its ritualistic aspect, it recognition as an important part of the history of Brazil and african-Brazilian cultural heritage and above all, lead to reflection on its role and political action in the present.

Maria Buzanovsky

 

siga os clipes das Rodas do Cais do Valongo | follow the Roda do Valongo teasers

7a Roda do Cais do Valongo
6a Roda do Cais do Valongo
5a Roda do Cais do Valongo

 

Carlo Alexandre

Kabula Rio & London

Diretor Artístico / Mestre de Capoeira Angola

web: www.kabula.org

Cel. 21 7948.7969 tim |

Skype: carloalexkabula1

Mestre cego inspira jovens na capoeira

Às vezes, um problema que parece intransponível é, na verdade, só um obstáculo que, quando se percebe, já passou. João Carlos, conhecido como mestre João Kanoa, é um mestre de capoeira do Rio de Janeiro que ficou cego aos 32 anos. “Nos primeiros seis meses ficava pensando “como vai ser minha vida agora”. Mas meus alunos me incentivaram a dar aula assim. A principio eu mesmo achei que era loucura, depois eu vi que dava pra fazer.”

João não sabe muito bem como faz essa proeza. “Como um cara cego dá aula de capoeira? Assim, uma explicação bem correta nem eu tenho. Eu sei que eu chego lá e dou aula”. Mas sabe muito bem de onde vem sua inspiração: “As crianças passam a energia deles para mim.”

E assim mestre Kanoa segue dando suas aulas e passando sua sabedoria a seus alunos. “Não existe um problema que ele não possa superar.”

Conheça mais essa história no Documento Yahoo!

 

  • http://br.noticias.yahoo.com/video/documento-yahoo-mestre-cego-inspira-120208011.html