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Entrevista: Mestre Adilson

 

Mestre Adilson concede entrevista a Mestre Kadu, no I Encontro Interno do Grupo Gunganagô, em dezembro de 2012.

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Mestre Capixaba enfrenta uma velha sina capixaba

Quem esteve no Sítio Histórico Porto de São Mateus em 2007 se emocionou com uma histórica roda de capoeira. Dentro jogavam dois monumentos: João Grande e João Pequeno. Este faleceu em 2011. João Grande, que em fevereiro fez 80 anos, há muito vive em Nova Iorque, ensinando a luta brasileira na multicultural Manhattan.

Essa bela página da história da capoeira foi escrita durante a primeira edição do Encontro Internacional e Jogos Abertos Acapoeira, organizado pelo Mestre Capixaba. Apesar disso, seis anos depois, o encontro chega à quinta edição tropegamente.

O evento deste ano, que acontece em Itaúnas (Conceição da Barra) entre os dias 21 e 25 de agosto, recebeu um único apoio oficial, oriundo da Secretaria de Estado da Cultura. Mesmo assim, via emenda parlamentar (do deputado estadual Sérgio Borges, do PMDB).

Realizado desde 2007, o encontro reflete uma interessante característica de seu organizador: o trânsito que ele tem por mais de 30 grupos. Por uma questão, digamos, cultural, grupos de capoeira são como que organizações que tendem a não estabelecer laços entre si. Os integrantes de um grupo só jogam com seus pares.

Mas aí, para Capixaba, não há vivência. Desde aluno, em meados dos anos 70, ele se movimentava entre os grupos rivais de Vitória. Hoje ele trabalha para a aproximação entre os grupos, processo que o encontro catalisa. Sua filosofia sustenta que laços mais estreitos significam intercâmbio cultural e, portanto, enriquecimento da capoeira.

Por isso o Encontro Internacional e Jogos Abertos atrai praticantes do Brasil e do mundo inteiro, de vários grupos, sem discriminar graduação. Já veio gente da EUA, Canadá, Alemanha, Áustria, Suécia, Espanha, Suíça, França, Hungria, República Techa, Colômbia.

Para esta edição estão previstas as participações de mestres e professores dos EUA, Áustria, Suíça, Espanha, Alemanha, Colômbia e Hungria: Mestre Preguiça (EUA), Professor Tapioca (Áustria), Professor João de Barro e Professora Bela (Suíça), Professor Bala (Espanha), Professor Pit Bull e Professora Pérola (Alemanha), Instrutor Tigrinho (Colômbia), Mestre Paulão (Hungria).

A principal atração será a formatura dos professores Rafael (Rio de Janeiro) e Sururu (Minas Gerais). É sempre comovente o solene momento em que as portas da capoeira se abrem para novos mestres. Rafael e Sururu acompanham Mestre Capixaba há quase três décadas. A ideia, agora, é viajar com os dois para alguns países e aprimorar com eles o ensino da capoeira.

Entre o final de maio e o final de junho deste ano Mestre Capixaba iniciou pela Espanha sua peregrinação de 30 viagens anuais. Grécia, Holanda e Alemanha vieram a seguir. De volta ao Brasil, mais avião: Rio Grande do Sul, São Paulo, Piauí, Roraima e Fortaleza. No final de setembro, já há compromisso agendado nos Estados Unidos.

Mestre Capixaba é um dos capoeiristas mais requisitados do mundo. Ao lado dos mestres João Grande (EUA), Camisa (RJ), Preguiça (EUA), Itapoã (BA), Tabosa (DF), Di Mola (Suécia) e Sabiá (BA), é um dos principais difusores dessa arte marcial genuinamente brasileira.

São 35 anos enfrentando viagens longas e rotinas exaustivas para levar um patrimônio imaterial brasileiro aos quatro cantos do globo – ele não sabe quantos países já visitou – e a incontáveis cantos e recantos do Brasil. Mas se diz cansado. Tanto que planeja um 2014 diferente: programou apenas duas viagens ao exterior, Austrália e Inglaterra, dois países ainda não visitados.

Fosse apenas as viagens que lhe provocassem os achaques do cansaço, ok, ótimo. Mas não. O mestre é mais uma ilustre vítima de um mal genuinamente capixaba. Fora das fronteiras estaduais, banham-lhe em honras, láureas, reconhecimento e respeito. Cá dentro, paira o silêncio.

O mestre é ao mesmo tempo causa e efeito do fenômeno internacional em que se transformou a capoeira: hoje são cerca de 10 milhões de praticantes no mundo e um dos mais praticados no Brasil. É um dos muitos capoeiristas que deixaram a terra natal para semear as sementes da capoeira mundo afora. E, aí, cada lugar o levou a outro e mais outro e mais outro.

Ano que vem Mestre Capixaba celebra 40 anos de devoção à capoeira. Aprendeu os primeiros golpes com o irmão mais velho, numa época em que Vitória era dividida em grupos (Praia do Canto, Centro, Jucutuquara, agregando ainda Vila Velha), de capoeiristas ou não, que não podiam se cruzar. Do contrário, era briga.

Quem amainou as disputas e de certa forma aproximou os grupos chama-se Diabo-Louro, mestre baiano que chegou ao estado no início dos anos 70. Diabo-Louro transitava entre os grupos, dando aula em Jucutuquara e no Praia Tênis Clube. Outra iniciativa que quebrou o gelo foi a organização do 1° Campeonato de Capoeira.

Foi embora pouco depois, em meados da década, e deixou alunos para Mestre Binho, seu aluno mais graduado. Binho foi o primeiro mestre de Capixaba.

Quase 40 anos depois, Mestre Capixaba ainda insiste para que o santo de casa faça milagre. Mesmo experimentando o gosto da glória que o gênero conheceu de algumas décadas para cá, como expressão cultural legitimamente brasileira (algo que o mundo globalizado adora, como o samba, o choro, o carnaval), ele ainda não conseguiu.

Mestre Capixaba conhece os dois lados da capoeira: a marginalização e a celebração. No Espírito Santo, parece viver os séculos em que cada meia-lua escrevia no ar a história animalesca da escravidão colonial-imperial ou do preconceito republicano, quando em 1890 um decreto federal proibiu a capoeira, situação que só teve bom termo em 1935.

Demorou bastante para essa arte-marcial nascida nas senzalas e quilombos cativar os milhões pelo mundo que hoje a praticam. Esse é o lado bom da história, que Mestre Capixaba felizmente conhece bem. A ponto de ter vivido episódios marcantes no exterior.

Em Israel, a capoeira só perde para o Krav Magá em número de praticantes. Há alguns anos, uma universidade de Israel precisava da assinatura de um mestre de brasileiro para autenticar a cadeira de capoeira. Mestre Capixaba foi o responsável. O país não lhe era estranho: o grupo que integrava possuía representantes ministrando cursos e workshops por lá, dada a popularidade da capoeira em Israel.

Em 1989, a atriz Brook Shields, então um dos rostos mais venerados de Hollywood, lançou Brenda Starr, filme de aventura em que vive a destemida repórter homônima à película. Parte da história se passa no Brasil e a produção queria capoeiristas.

Jelon Vieira, pioneiro na introdução da capoeira nos Estados Unidos, mostrou um vídeo com Mestre Capixaba e Mestre Boneco (o ex-ator global Beto Simas). Assim Capixaba fez uma ponta no filmão hollywoodiano, distribuindo pernada em grandalhões russos.

Ainda nos Estados Unidos, ministrou workshop na respeitada academia de luta de Dan Inosanto, discípulo direto de Bruce Lee.

A longa experiência internacional conferiu a Mestre Capixaba o privilégio de ter discípulos atuando em diversos países. Nos Estados Unidos, os mestres Ary Ranha, Carioca e Bom Jesus; na Espanha, o Professor Bala; na Alemanha, os professores Arisco, Pitbull, Tapioca, Papa Léguas; na Áustria, o Professor Paçoca; na Suécia, o Professor Tim-Tim; na França, o professor Ticum; na Colômbia, o professor Felino; no Chile, o professor Urutum. Sem contar outros tantos instrutores.

Embora seja um dos grandes semeadores da capoeira no mundo, Mestre Capixaba optou por permanecer na terra natal. Mora em São Mateus, no norte do estado, desenvolvendo projetos sociais em escolas do município e da vizinha Conceição da Barra. A confiança nos benefícios físicos e morais da capoeira inspira ainda projetos em Itaúnas e nos quilombos de Angelim e São Domingos, tudo em Conceição da Barra.

A residência em São Mateus recobre-se também de um ato de reverência. Ali viveu o escravo Tedororinho Trinca-Ferro, apontado como criador da Capoeira Angola, ainda quando o município, como todo um naco do norte capixaba, pertencia à Bahia. Não deixa de ser uma atitude de resgate da ideia de que a Capoeira Angola carrega DNA capixaba.

 

Capoeirista, que não sabe quanto países já visitou, é um dos mais solicitados do mundo, mas ainda é ignorado na terra natal

 

Fonte: http://www.seculodiario.com.br

O que é mesmo a capoeira?

Jogo… Dança…. Luta….

É do senso comum dos capoeiristas pensar na Capoeira como uma prática polissémica que é simultaneamente um jogo, uma dança e uma luta. Se perguntarmos a um mestre mais experiente bem como a um novo praticante ambos podem sentir algum desconforto em classificar a capoeira em um campo estrito e preciso. Não sabemos conceituar o que somos ou no que nos tornamos mas sabemos o que não queremos ser. É essa forma enigmática do “decifra-me ou devoro-te” que torna certamente a capoeira uma arte instigante e curiosa.

Há uma certeza entretanto que nos acalenta e que também é do consenso geral dos praticantes, é de que a capoeira é uma arte. Sendo uma arte, concebemo-la como algo do campo da criatividade, da reinvenção e do imaginário. Convém deixar claro que se por um lado a polissemia da capoeira é algo delicioso é também angustiante e pouco didático. Sempre que tencionamos explicar a alguém, não capoeirista, o que ela é, caímos em explicações vagas que ela é uma dança em que se luta, um jogo em que se dança e por ai seguem as combinações. Para além disso o jogo do “ ser ou não ser “ deixa alguma angústia, afinal a pergunta fica sempre por responder. Sou daqueles que acredita que é bom ter certezas no que toca as nossas identidades, mesmo que sejam invenções confortantes.

Para mim há poucas dúvidas de que a capoeira, sendo uma arte, é uma arte marcial. Isso não exclui as suas peculiaridades e ligações mais intrínsecas ao campo da cultura, afro-brasileira em particular, nem tão pouco a restringe a parâmetros mais limitados que possamos conceber as artes marciais em geral, em particular as de origem oriental. Alguns pensam-na como uma filosofia, a da malandragem, como concebe o Mestre Nestor capoeira.

Foi exatamente o Mestre Nestor, cujos livros ainda fazem a cabeça de muitos praticantes no mundo, que primeiro lançou o lema: “No oriente existe o Zen, a Europa desenvolveu a psicanálise, no Brasil temos o jogo da capoeira”. Ora, quando falamos do Zen ou da psicanálise, falamos respetivamente de práticas de meditação, religião e ciência que permitem discernir a natureza humana, trata-la, fazê-la evoluir para níveis mentais mais elevados. Será que podemos enquadrar a capoeira nessa perspetiva atualmente? Ao compreende-la como uma arte marcial podemos conceber que ela pode cumprir esse papel emancipador do ser humano? No íntimo eu tenho as minhas dúvidas, mais por mero capricho prefiro acreditar que sim.

É possível aplicar a capoeira um conjunto de questões fundamentais que circundam também a existência humana, a vida. De onde vem a capoeira? Como ela se formou e o que ela se tornará? Não sabemos responder com total segurança a essas questões, tudo que se diga poderá ser mera especulação, ainda que tenha o crive acadêmico. Mas podemos acalentar algumas certezas a de que ela tem dado contributos importantes para as questões sociais e culturais das sociedades onde ela faz se presente.

Perguntei certa vez a um amigo estudioso do assunto qual era para ele, e até onde o seu conhecimento poderia alcançar, a origem da capoeira. Ele me respondeu que no seu entendimento não era uma questão histórica, que se podia provar por papéis a documentos acadêmicos, isso pouco interessava. Na verdade era uma questão ideológica, pois se dissermos que ela é afro-brasileira, por exemplo, estamos afirmando o papel do negro na sociedade brasileira e conferindo-lhe um certo grau de cidadania. Ou seja é enfim um posicionamento político.

De volta a frase do Mestre Nestor penso que caberá nas nossas reflexões sobre a capoeira questões mais profundas que, certamente os menos reflexivos sentirão dificuldades em compreender e acharão banais, pois a capoeira afinal joga-se apenas na roda e não carecerá de introspeção alguma. A capoeira ultrapassou limites inimagináveis, fronteiras geográficas, territórios culturais, limitações de gênero, classe, idade, enfim todas as contingências possíveis. Tudo isso por força de sua capacidade intrínseca de adaptar-se as mais hostis circunstâncias. No fundo, para quem as pratica sobretudo, ela diz muito sobre as nossas frágeis existências humanas e nos novos tempos globais que vivemos torna-se plena de significados.

Nesse novo encantamento do mundo inúmeras práticas ganham sentido, profanas e sagradas. O indivíduo ou os indivíduos buscam novas significações para as suas existências, novas formas de existir e ser para além das que habitualmente nos são concedidas a nascença. Somos brasileiros, espanhóis ou alemães por que nascemos em um determinado país que nos concedeu a cidadania, somos homens ou mulheres por que nossos órgãos genitais indicam um determinado género, somo brancos ou negros por que nossa pigmentação da pele assim o indica. Apesar desses traços indeléveis poucos somos tal como “naturalmente “ nos é concebido, mais ainda, somos o que nós construímos em nossas biografias. No jogo do “ser ou não ser “ a capoeira acaba por ter um papel determinante nos tempos pós-modernos e líquidos em que construímos a nossa maneira as nossas próprias identidades.

A Roda de Capoeira como patrimônio imaterial da humanidade

A Roda de Capoeira como patrimônio imaterial da humanidade: o Brasil expandindo seu prestígio por intermédio da capoeira

Há tempos, as artes marciais agiram e continuam agindo como um importante vetor de disseminação da imagem e prestígio dos países nos quais estas se originaram, sendo consideradas parte fundamental dos seus patrimônios culturais*. Dentre alguns exemplos mais conhecidos temos: Krav Maga, oriundo de Israel; Taekwondo, oriundo da Coreia do Sul; Kung Fu, oriundo da China; Muay Thai, oriundo da Tailândia; Judô, Karatê e Aikido, oriundos do Japão; e Capoeira, oriunda predominantemente do Brasil e reconhecida no mundo como a arte marcial autenticamente brasileira. E sendo parte do patrimônio cultural dos países supracitados, estas artes marciais possuem acentuada importância na construção de uma imagem positiva e favorável aos interesses destes países no cenário internacional, haja vista que o prestígio cultural de um país é um componente básico deSoft Power**.

Cabe destacar o fato de que, neste ano de 2013, o “Comitê do Patrimônio Imaterial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura” (UNESCO) vai avaliar a inclusão da “Roda de Capoeira” na lista representativa do “Patrimônio Imaterial da Humanidade”, candidatura que está sendo levada a cabo pelo “Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e tem como base um dossiê redigido a partir de pesquisas já realizadas no registro da “Roda de Capoeira e do Ofício de Mestre de Capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil”.

A se destacar, neste dossiê, as seguintes metas: a importância dos mestres de capoeira como divulgadores da cultura brasileira no cenário internacional, o que torna necessário pensar alternativas para facilitar o trânsito destes por outros países; o reconhecimento do ofício e do saber do mestre de capoeira, para que ele possa ensinar em escolas e universidades; a necessidade de criar mecanismos que facilitem o ensino da capoeira em espaços públicos; e um plano de manejo da biriba, madeira usada para confecção do berimbau e que pode ser extinta no correr dos anos.

Em adição, no intuito de incentivar sobremaneira a candidatura da “Roda de Capoeira”, o IPHAN vem empreendendo esforços e encaminhando aos grupos de “Capoeira do Brasil” uma lista de adesão a esta candidatura.

Torna-se necessário compreender o significam “Bens Culturais de Natureza Imaterial e Patrimônio Cultural Imaterial”. A “Carta Magna” brasileira de 1988, em seus artigos 215 e 216, ampliou a noção de patrimônio cultural ao reconhecer a existência de bens culturais de natureza material e imaterial. Segundo esta, os “Bens Culturais de Natureza Imaterial” dizem respeito às práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer, em celebrações, em formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas, e em lugares que abrigam práticas culturais coletivas. Quanto ao “Patrimônio Cultural Imaterial”, a UNESCO o define como as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural, definição esta que se encontra de acordo com a “Convenção da UNESCO para Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial”, ratificada, em março de 2006, pelo Brasil.

Neste sentido, a preservação da Capoeira segundo este novo entendimento de patrimônio cultural despertou a atenção do governo brasileiro a partir de 2004, tendo se tornado uma política pública efetiva quando o então “Ministro da Cultura”, Gilberto Gil, esteve em Genebra (Suíça), na sede da “Organização das Nações Unidas” (ONU), acompanhado de inúmeros capoeiristas brasileiros, para um show em homenagem ao ex-embaixador brasileiro Sérgio Vieira de Mello. Nesta ocasião, o ex-ministro discursou sobre a expansão da Capoeira no mundo, destacando sua utilização como um instrumento de paz, e lançou o “Programa Brasileiro e Internacional para a Capoeira”, ações estas que podem ser vislumbradas no documentário “Capoeira – Paz no Mundo”, que foi realizado em Genebra, no dia 9 de Agosto de 2004, e contou com o financiamento do “Ministério da Cultura”.

Por outro lado, a Capoeira também é percebida como uma prática corporal e atividade de lazer hodierna, inserida no cenário e no contexto da modernidade, que oferece uma práxis única e peculiar que, mesclada com a herança histórica e sociocultural que traz em seu bojo, proporciona ricas oportunidades de utilização, podendo ser vista como uma proposta cultural de prática esportiva social. Desta maneira, dado seu aspecto multifacetado e polivalente, a Capoeira é compreendida como arte, dança, cultura, luta, arte marcial, jogo, esporte, música, folclore e filosofia, o que a capacita, plenamente, a ser encarada como um esporte que propicia uma elevada integração social[1]. No tocante a este aspecto, o “Estatuto da Igualdade Racial”, instituído pela “Lei nº 12.288, de 20 de Julho de 2010”, em seu título “Dos Direitos Fundamentaiscapítulo IIDo Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazerseção IVDo Esporte e Lazer”, em seu Art. 22 assevera que a Capoeira é reconhecida como desporto de criação nacional, nos termos do Art. 217 da Constituição Federal.

Cumpre registrar que o “Ministério das Relações Exteriores” (MRE), por intermédio da “Divisão de Operações de Difusão Cultural (DODC) é responsável pela difusão e promoção da Capoeira nos postos do Brasil no exterior, segundo os preceitos e agenda da política externa brasileira. À guisa de ilustração, nos campos de refugiados deShuafat, em Jerusalém Oriental, e em Jalazoun, na Cisjordânia, próximo a Ramallah, o governo brasileiro financia um projeto da “Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina” (UNRWA) que visa impulsionar a prática da Capoeira nestes territórios, iniciativa que partiu da ONG Bidna Capoeira, que implementou o ensino da Capoeira com sucesso nos campos de refugiados na Síria. Segundo à ex-representante do Itamaraty em Ramallah (Palestina) e atual Embaixadora do Brasil em Maputo, Ligia Maria Sherer, projetos de desenvolvimento cultural e de educação como estes devem ser consolidados[2].

Outrossim, a Embaixada do Brasil em Nairóbi (capital do Quênia) promoveu, em fevereiro do corrente ano, eventos culturais de apoio à Capoeira tanto em Campala (capital de Uganda) quanto em Nairóbi. Em Nairóbi, no “Museu Nacional do Quênia”, durante o festival “A Day of Cultural Expressions”, a Capoeira foi o chamariz para o festival, que contou com estandes brasileiros sobre a “2ª Expo Brasil na África Oriental”, que será realizada entre os dias 24 e 26 de Julho de 2013, em Nairóbi, e sobre a preparação dos megaeventos esportivos que o Brasil sediará. Já em Campala, integrantes do grupo “Senzala Uganda”, que é apoiado pela embaixada brasileira, promoveram inúmeras rodas de capoeira e oficinas abertas, as quais contaram com a presença de vários capoeiristas convidados, culminando com o primeiro batizado do grupo.

No entender dos segmentos envolvidos na inclusão da Roda de Capoeira como parte do Patrimônio Imaterial da Humanidade – IPHAN e governo brasileiro –, esta representa mais um passo na consolidação da Capoeira como expressão original do povo brasileiro que se oferece aos povos do mundo como prática, atitude de vida, pensamento, técnica, esporte, prazer, arte e cultura. Ademais, esta inclusão seria um pacto entre o Brasil e o mundo para aumentar as bases de expansão das raízes brasileiras, ou seja, um passaporte a mais para abrir fronteiras e dar o tom brasileiro no cenário internacional.

Deve-se ressaltar, contudo, que, embora essa inclusão venha a ocorrer, tal seria um ato de fortalecimento que não interferiria na autoria da Capoeira nem na autoridade dos mestres, pois a Capoeira continuaria fiel à sabedoria dos que a criaram, sem perder direitos nem sofrer intervenções em seu conceito ou prática.

 

Cabe salientar que, figurando, também, como esporte olímpico, o Judô e o Taekwondo têm propiciado aos países medalhistas olímpicos um acentuado prestígio e visibilidade no cenário internacional.

** Conceito cunhado por Joseph Nye, presente no livro Bound to Lead, publicado, inicialmente, em 1990.

 

Fonte: http://www.ceiri.net

Tucumã Brasil: “Capoeira pede ajuda!!”

A capoeira pede ajuda!!

Talvez seja um fenômeno atual…Talvez venha de bastante tempo atrás…O fato é que cada vez mais pessoas e mestres preocupam-se mais com os seus “bolsos” do que com o desenvolvimento geral da capoeira.

Claro que é preciso viver de capoeira ao invés de “sobreviver”, mas devemos pensar: em que colaboramos com o desenvolvimento da capoeira em modo geral?
Vejo brigas por poder, escudos de grupos, federações, mestres e afins…

Já esta na hora de tudo isso mudar.

Esta na hora de lutarmos por melhorias dentro de nossa arte.

Esta na hora de fazermos mais pela capoeira…Esta na hora de deixar que camisas e bandeiras de grupos falem mais alto do que os interesses da capoeira em geral.

Esta na hora de gritarmos com todas as forças e sermos ouvidos!!!

Esta na hora de reivindicar o que é nosso por direito.

É a hora de mostrarmos do que somos capazes, se não morreremos na praia….

Nossos mestres precisam de nós, Nossos alunos precisam de nós, A sociedade precisa de educação, cultura, saúde e musicalidade, a capoeira tem tudo isso e muito mais…

Comece a fazer um pouco, para que o pouco se torne muito!!!

Muito axé!!!

Fonte:

TUCUMÃ BRASILhttp://www.tucumabrasil.com.br/

 

  • Veja também: www.coletivocapoeira.com


11º Festival de Capoeira do Grupo Arte Nossa

Prezados

Mestres e Professores,

Venho por este meio comunicar que se irá realizar o 11º Festival de Capoeira do Grupo Arte Nossa, nos dias 20 e 21 de Abril.

 

Programação:

– Dia 20 de Abril:

Nuclisol – Jean Piaget – Unidade de Arcozelo – Vila Nova de Gaia

. 10 horas – Aula de Capoeira com Mestres e professores convidados

. 11 horas – Aula de Maculele e Roda Capoeira

.12 horas – intervalo para almoço

Ginásio Virgin Active – Vila Nova de Gaia

16 horas – Aula e roda de Capoeira com Mestres e professores convidados

Centro Cívico de Olival em frente á Igreja Matriz (Eb1/JI )

17h30 – Aula de Capoeira com Mestres e professores convidados

Jantar Aniversário do Grupo :

Bombeiros Voluntários de Coimbrões :

21 horas – jantar: 7,50 euros por pessoa( feijoada brasileira + 1 bebida ) + musica ao vivo e show de Capoeira

Nota: reservas ate 10 de Abril ( inscritos no evento terão o jantar grátis)

Dia 21 de Abril:

– 16 horas : Baptizado e troca de cordas

Local: Arrábida Shopping ( a confirmar)

Preço de participação no evento:

– 25 euros por aluno : inclui as aulas nos diferentes locais + t-shirt do evento + Jantar

Fly Away Beetle (O Voo do Besouro) disponível no i-Tunes

Fly Away Beetle (O Voo do Besouro)

Finalmente disponível no i-Tunes o premiado filme Capoeira: Fly Away Beetle!

Sinopse:

Três renomados mestres (Olavo dos Santos, Boca Rica e Cobra Mansa) reúnem-se neste documentário para contar sobre as condições histórico-culturais que ajudaram a dar forma à Capoeira. Apresentando diferentes perspectivas, seus depoimentos falam desde a violência na Capoeira durante os seus primórdios até os benefícios que a mesma oferece na atualidade à jovens vítimas da exclusão socioeconômica.

O documentário também conta a história real de Roque Batista, um ex-menino-de-rua que encontrou na Capoeira a chance de escapar da pobreza e da violência das ruas. Em sua luta para melhorar de vida, Roque se torna um professor de Capoeira com a missão de ajudar outros jovens em situação de risco.

Alternando entre entrevistas, filmagens raras e exibições contemporâneas de Capoeira, Fly Away Beetle conta as histórias desses indivíduos e, ao fazê-lo, conexões com a escravidão, Candomblé e magia são trazidas à tona. Alusões ao legendário Besouro Preto nos levam a um encontro com esta figura mística e enigmática, tão lenda quanto personagem histórico, detentor dos segredos da magia africana.

Fly Away Beetle é um daqueles filmes que mescla lindas imagens, ação e documentação à uma mensagem relevante e pertinente, não só aos capoeiristas, mas à sociedade como um todo. Para além de um documentário em formato tradicional, Fly Away Beetle nos leva para dentro da vida desses indivíduos, de forma que possamos perceber, ao menos por um breve momento, o que realmente é a Capoeira. Mais do que um relato histórico, é uma penetração artística na Capoeira.

O filme pode ser adquirido via i-Tunes no seguinte link:

https://itunes.apple.com/us/movie/capoeira-fly-away-beetle/id619870821

Grupo de capoeira mobiliza comunidade no combate à dengue

Ação consistiu em recolher materiais que acumulam água parada, limpeza e conscientização da comunidade

O Centro Cultural de Capoeira Águia Branca, com apoio da Zoonoses e da Secretaria Municipal de Saúde de Uberaba, promoveu, ação de combate ao mosquito da dengue no bairro Fabrício e proximidades.

A mobilização contou com a participação de alunos, familiares, amigos e profissionais da Zoonoses, e consistiu em recolher materiais que acumulam água parada, limpeza e conscientização da comunidade. A ideia partiu de Ubiracy Galvão, o Mestre Café, que pretende realizar esse movimento nos próximos sábados, cada dia em um ponto diferente.

De acordo com Núbia Nogueira, mais conhecida como Professora Puma, que também faz parte da organização, o intuito é alertar a população para a gravidade do problema na cidade.

No fechamento das visitas, haverá uma roda de capoeira aberta. “É mais para chamar a atenção, pois a dengue é um problema preocupante e o mestre observou que passam os anos e sempre o ciclo da doença volta. Se não houver campanhas educativas será difícil combater, pois é uma questão que a comunidade precisa se sensibilizar para a necessidade de prevenir o desenvolvimento do mosquito. Mais importante do que a coleta de materiais é essa conscientização de cada um”, destacou Núbia.

A professora contou que o grupo passou de casa em casa levando informações sobre como combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. “Tivemos um profissional da Zoonoses acompanhando o grupo e a Secretaria cedeu luvas, sacos de lixo e um caminhão para recolhermos aquelas coisas que não dá para colocar no saco de lixo. Além disso, anotamos os casos de caixas d’água sem tampa, que nós não pudemos resolver e vamos repassar à Zoonoses, para que coloquem as tampas que faltam.

Os locais que apresentaram risco ou que o morador não quis receber o grupo também indicamos. Não podemos manipular o larvicida, por isso foi necessário o profissional nos acompanhando”, esclareceu Núbia Nogueira.

 

Fonte: http://www.jmonline.com.br

Fundação de Cultura abre Oficina de Capoeira Ilê Camaleão no Centro Cultural

A Fundação de Cultura do governo de Mato Grosso do Sul dá início a Oficina de Capoeira Ilê Camaleão, do Mestre Liminha (Antonio Lima). As aulas acontecem de terça a sexta-feira, das 19h às 21 horas na sala Ateliê do Centro Cultural José Octávio Guizzo.

A Oficina de Capoeira Ilê Camaleão faz parte das atividades do Programa Educativo do Centro Cultural José Octávio Guizzo A primeira aula é gratuita e o valor da mensalidade é de R$ 60,00. O curso vai até dezembro e as vagas são limitadas.

A capoeira, com o decorrer dos anos, deixou de ser apenas uma luta e se transformou em um conceito cultural que empolga tanto brasileiros quanto turistas estrangeiros.

O grupo Ilê-Camaleão existe desde 1990 e é um dos representantes de Mato Grosso do Sul nos encontros nacionais de capoeira, apresentando sempre sua arte de gingar e cantar ladainhas.

 

Serviço: O Centro Cultural José Octávio Guizzo está localizado na Rua 26 de agosto, 453. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3317-1795 ou com o Mestre Liminha, através do telefone 9233-4249.

 

Fonte: http://www.midiamax.com