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Capoeira, o golpe da esportivização

No toque do berimbau, num gingado singular e na dança acrobática, nasce a capoeira – manifestação cultural afro-brasileira, criada pelos negros escravos como forma de luta contra a opressão. Luta essa que se travou no plano físico e cultural. A arte secular até hoje sofre preconceito de tudo quanto é lado: do campo religioso, por ter vindo do candomblé; de etnia, por ser de origem negra; e pela sua prática ter começado nas ruas, então, logo vista como marginalização.

Percebemos que a capoeira é muito mais forte do que uma simples atividade física. Para corroborar ainda mais tal afirmativa, este mês foi   realizado o IV Festival Internacional de Capoeiragem, no Forte da Capoeira, em nossa capital, quando a elite mundial da prática pôde vivenciar e trocar experiências por meio de diversas atividades.

A capoeira é um elemento definidor de identidade brasileira porque agrega em uma única arte itens fundamentais: a religião, os movimentos corporais, a música, a história. No entanto, apesar dos atributos, mestres, contramestres e praticantes têm, de forma árdua, lutado para evitar que o patrimônio imaterial da humanidade seja esportivizado.

Ora, como um mestre conhecedor de toda essência da capoeira pode ser obrigado a ter graduação para ministrar aulas? O mestre não aprova esse método da esportivização por que, em sua visão, tal processo limitará a prática corporal a um caráter competitivo, mecanicista, distanciando-se de suas origens e de seus objetivos culturais.

A capoeira tem-se incorporado ao ambiente escolar nas aulas de educação física e atividades extracurriculares, mas para que essa prática esteja presente nas aulas faz-se necessário que o professor compreenda a importância da prática para o corpo discente. E é por essa relevância que os mestres não podem ser excluídos da ministração das aulas pois, além de ensinarem a história dos negros no Brasil, se dedicarão nos gestos, ritmos e movimentos da arte, facilitando o aprendizado dos alunos e influenciando nos comportamentos afetivo, criativo e lúdico.

Forçar um mestre de capoeira condicionando que este só poderá ensinar após a obtenção de um diploma acadêmico é o mesmo que exterminar suas raízes. Uma manifestação nascida nas senzalas, por meio de escravos em busca de uma vida digna e justa, que fez e que faz parte da história do nosso país, está sendo analisada sob a ótica esportiva.

Nossos mestres de capoeira merecem respeito e atenção porque, mesmo com tantas dificuldades e incompreensões, eles ainda têm um belíssimo trabalho de inclusão social, por meio do qual retiram jovens da ociosidade, resgatando a autoestima e orientando-os para a vida em sociedade.

 

Luiz Carlos de Souza  é vereador (PRB) de Salvador e presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Capoeira

* Luiz Carlos de Souza, natural de Pernambuco, nasceu no dia 20 de abril de 1972. Filho de Severino Carlos de Souza e Maria José de Souza, é o caçula de 12 filhos e conheceu de perto as dificuldades da vida no Nordeste onde, desde cedo, precisou trabalhar para ajudar no sustento da casa. Em outubro de 2012, foi eleito pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB) para seu 1º mandato (2013-2016) com 13.505 votos, sendo o 7º vereador mais votado.

Fonte: http://www.correio24horas.com.br/

Aprovado o Dia Nacional da Capoeira

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (3) projeto de lei que institui o dia 20 de novembro como Dia Nacional da Capoeira (PL 7536/10). Como já havia sido aprovado pela Comissão de Educação e Cultura e tramita de forma conclusiva, o projeto segue agora para o Senado, a menos que seja apresentado recurso para que haja votação no Plenário.

O relator na CCJ, deputado Luiz de Deus (DEM-BA), defendeu a aprovação da proposta “por tratar-se de esporte de origem histórica de prática nacionalmente conhecida”.

De acordo com o autor da proposta, deputado Márcio Marinho (PRB-BA), “com a intenção e valorizar a capoeira e sendo o dia 20 de novembro o dia da consciência negra, data em que Zumbi dos Palmares, um dos líderes mais importantes da luta pela liberdade e contra o escravismo, perdeu sua vida, cremos ser relevante reafirmar nesta data o seu reconhecimento como patrimônio cultural, instituindo o Dia Nacional da Capoeira”.

 

Fonte: http://www.dm.com.br/

Frente Parlamentar da Capoeira será lançada na quarta-feira

Será lançada na quarta-feira (5), às 16 horas, a Frente Parlamentar da Capoeira. O ato de lançamento ocorrerá no Hall da Taquigrafia, com apresentação de berimbaus durante o Hino Nacional. Às 16h30, deputados falarão sobre os objetivos da frente, na sala de reuniões da Comissão Mista de Orçamento.

Às 16h50, haverá apresentação de dança Puxada de rede, uma encenação de pescadores saindo do mar. Às 17h10, haverá apresentação de Roda Tradicional da Capoeira Regional.

O presidente da frente será o deputado Márcio Marinho (PRB-BA). O vice-presidente será o deputado Flávio Bezerra (PRB-CE).

Reconhecimento

Em 2008, a Câmara aprovou o Projeto de Lei 7150/02, do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que reconhece a prática de capoeira como profissão. O projeto aguarda votação no Senado.

Pela proposta, o capoeirista passa a ser considerado atleta profissional, apto a ser remunerado pela participação em eventos públicos ou privados. A capoeira já é reconhecida como manifestação cultural de dança, de luta ou de outras formas de competição.

 

Autor: Agência Câmara – http://www.jusbrasil.com.br