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A CAPOEIRA “SOFISTICADA” DO SÉCULO XXI: Entre a felicidade da potência e a potência da felicidade

A CAPOEIRA “SOFISTICADA” DO SÉCULO XXI: Entre a felicidade da potência e a potência da felicidade

Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin

Você já parou pra pensar um pouco nos infinitos jogos que fez, ou vistes fazerem, onde a sua preocupação, ou a do(a) outro(a), estava mais no olhar do espectador da roda, do que “efetivamente” na conexão com o (a) parceiro(a)? Já percebeu que as vezes a gente fica mais preocupado com a beleza do movimento, do que com sua eficiência no jogo? Neste texto falaremos um pouco desta “sofisticação”, que nem sempre está a serviço do objetivo central do jogo – o diálogo. Vamos lá?!

Buscando algo que pudesse fazer analogia com esta temática, fomos beber na fonte do termo “sofisticação sexual”, que está cunhado na obra de Alexander Lowen – discípulo de Wilhelm Reich, em seu livro “Amor e Orgasmo”, e este define que, em contraponto à um passado de proibições e restrições das questões relativas a sexualidade (seja na infância e adolescência, seja nas civilizações que nunca preparavam-nos para mergulhar neste universo como tabú), atualmente vivemos uma fase em que é preciso fazer sexo o tempo inteiro, gostando disso sobre todas as coisas, explorando todas as variações de parceiros e de técnicas sem a mínima implicação afetiva e cuidado consigo, sendo todos aqueles que escapam desta nova faceta, considerados sexualmente problemáticos ou fora do tempo.

Nesta nova forma de vida, o desempenho performático é mais importante do que a experiência em si, pois os sentimentos cedem lugar a uma necessidade exagerada de impressionar a outra pessoa, sendo o ato sexual uma grande encenação e não a manifestação de sentimentos pelo parceiro. Neste sentido, para Lowen, este comportamento é uma camuflagem que oculta a imaturidade, os conflitos e as ansiedades sexuais provocadas pela neurose da vida em sociedade.

Para Reich, a lógica do patriarcado, a sociedade de consumo, as restrições da sexualidade nas crianças e nos jovens, por uma “moral” castradora, tem desenvolvido neuroses nos adultos que são desdobradas em problemas por exemplo como a ejaculação precoce para homens ou dificuldade de ereção, sendo estas expressões da “sofisticação sexual” que nos acomete, pois a necessidade de impressionar o outro determina uma busca desenfreada pela performance esvaziada de implicações ritualísticas com tudo que se faz, sendo este mesmo comportamento ocasionado por ansiedades, medos, culpas e frustrações que impedem a plena realização orgástica/felicidade.

Pense conosco… Quando observamos as rodas de capoeira na atualidade seria possível perceber uma analogia perfeita com a “ejaculação precoce“, pois os jogos duram uma fração de segundos (com suas exceções), e estão investidos de uma grande dose performática, são tensos, e, na maioria dos casos, representam a expressão neurótica do século XXI, pois são protagonizados por pessoas que, em comparação ao ato sexual, estão mais preocupadas em chamar a atenção (vaidade) do que com a experiência ritualística daquilo que o berimbau determina no contexto do jogo, do que um “diálogo que permita a conexão, ou uma conexão que permita o diálogo”.

Estes traços neuróticos, que estão em mim, em ti, ali, são fruto desta nossa sociedade, infectada pelo moralismo castrador que gera uma busca desenfreada por compensações, desenvolvendo uma autoconfiança artificial e afetada, gerando uma necessidade extrema de demonstração de uma “potência fake”, tudo isso para diminuir a infelicidade inconsciente pela impotência orgástica (assumamos aqui a potência orgástica como a incapacidade de acessar a felicidade segundo Reich).

Ou seja, a impossibilidade de desfrutar um bom jogo de capoeira – com perdas, ganhos e muita sintonia, pelo medo ou ansiedade na exposição e na possibilidade de demonstrar minha fragilidade daquele minuto, dificulta uma experiência no tempo necessário de amadurecimento da dinâmica ritualística, ocasionando uma eterna frustração que faz com que eu, você ou o(a) outro(a), todos capoeiras “adoecidos”, tenhamos que comprar sucessivas vezes o jogo numa tentativa de sanar o vazio interior por sua “incapacidade” de se conectar com o contexto para além de si mesmo.

Para nós, salvo melhor juízo, a busca por alternativas ao problema dos jogos de capoeira de poucos segundos e as compras desenfreadas está em dois fatores principais, sendo o primeiro deles o reconhecimento de que a capoeira, não sendo uma ilha social, não funciona “isolada” das mazelas psicológicas que afligem os seres humanos no mundo “civilizado”, logo, a solução precisa ser conjuntural.

Este primeiro fator nos conduz a segunda estratégia que é focada na especificidade da capoeira e seus praticantes, ou seja, educando os mestres para uma referência ancestral iniciática que respeite o tempo de amadurecimento ritualístico da arte e referende o “sentir” em detrimento de uma performance esvaziada e artificial, estaremos preservando grandes valores ancestrais que de fato edificam uma prática de capoeira mais genuína.

Concorda? “Sem”corda? Faça uma breve pesquisa e veja a “capoeira das antigas”, passei pelo jogos filmados das primeiras décadas deste século. Onde estava a intencionalidade dos capoeiras? Na câmera que o filmava? Na plasticidade do movimento? Ou majoritariamente no cuidado com a belicosidade do outro? No cuidado com todos os meneios que o parceiro de jogo poderia ofertar como desafio? De certo que nestas décadas já eram fortes as tendências que falamos acima porém, veja como tudo parece que tomou rumos mais neuróticos, menos conectados – em contrapondo a era da conexão tecnológica?

É gozado… (risos)… Mas a real é que não conseguimos “gozar” de um bom jogo de capoeira exatamente como temos dificuldades de “gozar” com plenitude a vida em sociedade. Que possamos aceitar que, como dizia Vinicius de Moraes… “A vida não é brincadeira, amigo… A vida é arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida.” Saravá!

Axé!

 

Ei, psiu, gostou? Então por favor compartilha, para que juntos possamos ajudar nossa capoeira a refletir!

Escola de Capoeira Angola Resistência comemora os 125 anos de história do Mestre Pastinha

Entre os dias 31 de março e 6 de abril, a Escola de Capoeira Angola Resistência comemora os 125 anos de história do Mestre Pastinha, um dos principais mestres de Capoeira da história, com uma semana de diversas atividades.

Na programação da semana está uma exposição de fotos retratando um pouco da vida do Mestre Pastinha, a exibição do filme “Mestre Pastinha, Uma vida pela capoeira”,  roda de conversa, aula aberta de Capoeira Angola com professores, além de muita roda de capoeira.

As atividades acontecem em diferentes locais da cidade de Campinas e também em Hortolândia. Haverá rodas de capoeira na Praça Rui Barbosa, na Lagoa do Taquaral, na Estação Cultura, onde fica a sede da escola em Campinas, e nos núcleos de Hortolândia, Pirassununga e Barão Geraldo.

Mais informações em nosso site: www.escolaresistencia.com.br

Teresina – PI: Berimbau de Renda

BERIMBAU DE RENDA é um espaço pensado para fortalecer o movimento de mulheres capoeiristas.

O evento se lança como o 1º festival brasileiro de músicas de Capoeira direcionado à voz feminina, a ideia é proporcionar uma maior visibilidade e engajamento das mulheres que cantam e emocionam nas rodas de Capoeira.

BERIMBAU DE RENDA propõe ampliar as possibilidades de cada vez mais nós mulheres ocuparmos um espaço que também é nosso que por vezes abrimos mão por insegurança, vergonha ou por não existir um incentivo geral para que o espaço da mulher na capoeira seja cada vez mais visto e explorado.

BERIMBAU DE RENDA tem um foco no festival de canto, que nessa primeira edição não será competitiva, porém as músicas participantes deverão ser inéditas, mas não obrigatoriamente autoral , o evento é também uma plataforma de encontros entre mulheres capoeiristas, onde toda a essência da capoeira será abordada por meio de conversas, aulas, rodas e muita música, é claro.

BERIMBAU DE RENDA é inovador e conta com todas as capoeiristas para que seja um evento lindo, cheio de perfume, cheio de cor e de muito amor pela Capoeira.

Missão:

BERIMBAU DE RENDA tem como objetivo valorizar a voz feminina nas rodas de Capoeira.

 

Festival de Canto e Encontro de Mulheres Capoeiristas
22, 23 e 24>>agosto>>2014
teresina>>piauí>>brasil
[email protected]

Calendário da Conexão Carioca de Rodas nas Ruas

Um evento local e global, uma proposta para o uso coletivo dos espaços públicos no Rio de Janeiro com rodas de Capoeira Angola. Venha participar, colaborar e motivar-se com novas idéias e diferentes perspectivas e propostas para a cidade e para a Capoeira.

A local and global event, a collective proposal for the use of public spaces in Rio de Janeiro with Rodas Capoeira Angola held on the streets. Come to participate, collaborate and motivate yourself with new insights and different perspectives on the city and Capoeira.

 

Calendário da Conexão Carioca de Rodas nas Ruas / Calendario da la Conexión Carioca Ruedas en las Calles / Conexão Carioca timetable / Calendrier de Connexion Carioca:

1a Roda – Grupo Aluandê – Mestre Célio, Treineis Fagnon e Érida . Roda da Feira da Rua do Lavradio no 1o sábado de cada mês . a partir das 10:30hs . contatos – email: [email protected] [email protected] / cel: (21) 7459-8757 e 21 8535-1960 / website: aluandecapoeiraangola.blogspot.com

2a Roda – Grupo Casarão Capoeira Angola . Mestre Athayde Parreiras. Roda da Praça da Cantareira, Niterói na 2ª sexta de cada mês . a partir das 20hs . contato – email: [email protected] / (21) 2185334905 / facebook: www.facebook.com/groups/300091610060067/?fref=ts

3a Roda – Grupo Reconca Rio . Contramestre Fábio e Japa. Roda do Arco do Teles (praça xv) no 2o sábado de cada mês . a partir das 14hs . contatos – email: [email protected] / tel res: (21) 24258542 / facebook: https://www.facebook.com/reconca.rio?fref=ts

4a Roda – Grupo Kabula Rio . Mestre Carlão, Contramestre Leandro e Treinel Fátima . Roda do Cais do Valongo no 3o sábado de cada mês . a partir das 10:30hs . contatos – email: [email protected] / cel: (21) 79487969 / website: www.kabula.orgwww.kabula-rio.blogspot.com.br

5a Roda – Escola de Capoeira Angola . Contramestre B2 . Roda no 3o domingo dos meses de março, jun, set. e dezembro (roda trimestral) . Lagoa Rodrigo de Freitas/Corte do Cantagalo . a partir das 10hs . contato – e-mail:[email protected] / cel (21) 8705-7555 / site: www.escoladecapoeiraangola.com

6a Roda – Grupo Volta ao Mundo . Mestre Cláudio, Treineis Ludmila e Guilherme . Roda da Praça São Salvador no 4o sábado de cada mês . a partir das 15hs . contatos – email: [email protected] / cel: (21) 9973-5685 / facebook: www.facebook.com/claudio.chamine

7a Roda – Grupo Ypiranga de Pastinha . Mestre Manoel, Treineis Leandro e Cliff . Roda a Cinelândia na última sexta-feira de cada mês . a partir das 19hs . contatos – email: [email protected] / cel: (21) 68349642 / facebook: www.facebook.com/mestre.manoelwww.facebook.com/YpirangaDePastinhaMexico?fref=ts

8a Roda – Grupo Angolinha . Mestre Angolinha e Contramestre Japa . Roda do Museu a República no 5o sábado dos meses de março, jun, ago. e nov . a partir das 18hs . contatos – email: [email protected] / cel: (21) 9565-5586 (CM. Japa) / facebook: www.facebook.com/groups/120033824796149/?fref=ts

9a Roda – Conexão Caxias . Peixe de Caxias . Roda em Caxias no último domingo de cada mês . a partir 10hs . contatos – email: [email protected] / cel: (21) 9453-0260 M.Peixe e (21) 76457158 CM Grafitt / facebook: www.facebook.com/mestre.caxias?fref=ts

Durante o período do Conexão Carioca Internacional, os 9 grupos estarão de portas abertas para os visitantes internacionais e brasileiros. Todos serão bem-vindos as aulas e demais atividades nos espaços de cada grupo, durante os meses de Janeiro/Fevereiro (antes do carnaval 2014) e Junho/Julho (temporada da Copa 2014), quando estaremos realizando o Conexão Internacional.

During the Conexão Carioca Internacional, the 9 groups will open it doors to international visitors and Brazilians. All will be welcomed to come to our classes and other activities in the spaces of each group during the months of January / February (before Carnival 2014) and June / July (2014 World Cup season) when we will be holding the International Conexão Carioca Internacional.

Berlin: Malandragem da Capoeira 2013

Prezados Capoeiras,

Nos dias 11 a 13 de Outubro terá lugar o Malandragem da Capoeira 2013 em Berlim, no qual todos são bem-vindos.

O Malandragem da Capoeira é um encontro internacional de capoeira, organisado pelo Professor Ganso e [email protected] do grupo Preservação da Mandinga em Berlim.

O Grupo de Capoeira Preservação da Mandinga está este ano celebrando os seus 10 anos de existência, e a edição deste ano do Malandragem da Capoeira insere-se nestas celebrações.

O encontro deste ano contará com muitos treinos de movimentação e roda, aulas de música e samba de roda, muitas rodas de capoeira e uma oficina de construção de berimbau ministrada pelo próprio Mestre Ulisses. Devido ao elevado número de Instrutores participantes no evento, este ano haverá um treino avançado dirigido aos instrutores.

Como passo importante no trabalho do grupo em Berlim decorrerá também o batizado das crianças, e o batizado e troca de graduação [email protected] [email protected]

A não perder será a inevitável Malandragem Party, este ano com Roda de Samba ao vivo e projecção de vídeos de Capoeira.

Os Professores, Contra-Mestres e Mestres de outros grupos que queiram nos visitar e contribuir para o evento serão nossos convidados e bem-vindos em nossa humilde casa.

Informação para os participantes:
– A oficina de construção de berimbaus tem vagas limitadas, restrita aos participantes com inscrição completa, por ordem de inscrição.
– Se possível trazer instrumento para a aula de música.

Até breve, Axé!

Professor Ganso
Preservação da Mandinga

CONVIDADOS (em actualização):
Mestre Ulisses (Preservação da Mandinga, Portugal)
Mestre Maclau (Grupo União na Capoeira, Noruega)
Mestre Bailarino (International Capoeira Raíz, Alemanha)
Mestre Saulo (Capoeira IUNA, Alemanha)
Professor Dacor (Grupo de Capoeira União, Inglaterra)
Professor Bruno Baião (Capoeira Gerais, Alemanha)
Professor Cacheado (Grupo União na Capoeira, Noruega)
Professora Boneca (Grupo União na Capoeira, Noruega)
Professor Curinga (Preservação da Mandinga, Portugal)
e mais…

PROGRAMA (em actualização):
Sexta-feira
16:30 – 17:00 Boas-vindas e inscrições
17:00 – 19:00 Treino
19:00 – 22:00 Batizado e troca de graduação [email protected] [email protected] e Rodas

Sábado
10:00 – 12:00 Treinos
12:00 – 13:00 Rodas
14:30 – 15:30 Aula de música / Samba-de-roda
15:30 – 17:30 Treinos
18:00 – 19:30 Rodas

10:00 – 13:00 Oficina de construção de berimbaus

22:00 – 03:00 MALANDRAGEM PARTY

Domingo
12:00 – 14:00 Treinos
14:00 – 15:00 Rodas
16:00 – 17:00 Batizado das crianças
17:00 – 18:30 Roda de despedida

10:00 – 13:00 Oficina de construção de berimbaus

CONTRIBUIÇÕES:
3 dias 70 €
1 dia 35 €
Roda de 6a-feira 15 €
Construção de berimbaus +30 € (material incluído)

LOCAL (em actualização):
GymWelt
Ohlauer Strasse 24
10999 Berlin-Kreuzberg

CONTACTOS:
gansocapoeira @preservacaodamandinga.org
+49 – (0)176 – 67346900 (Professor Ganso)
+49 – (0)176 – 76077684 (Instrutora Girassol)

Capoeira e Educação Libertária para Formação de Sujeitos Autônomos

CAPOEIRA E EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA PARA FORMAÇÃO DE SUJEITOS AUTÔNOMOS
as práticas de ensino nas rodas de rua do RJ Omri Ferradura Breda Professor especializado em capoeira na Educação Infantil

 

Introdução

O ensino da Capoeira como ferramenta educacional foi amplamente difundido a partir da década de 1990, da creche à universidade em todo o território nacional. Entretanto, é associado a uma visão restrita que considera apenas os aspectos motores, musicais e artísticos da prática. O papel libertário histórico da Capoeira é geralmente negligenciado. O trabalho visa caracterizar a Capoeira como prática educativa transformadora no desenvolvimento da autonomia. São analisadas experiências educativas espontâneas em rodas de Capoeira desenvolvidas nas ruas. Os conceitos de autonomia, autoritarismo, liberdade e disciplina em nível político, social e individual são aqui enxergados em sentido amplo e relacionados diretamente com as teorias de educação libertária. Nesse sentido, tendo em vista a pluralidade de visões acerca do tema, recorri aos estudos de Michael Alexandrovich Bakunin, Alexander Sutherland Neill, Paulo Freire, Maurício Mogika e Silvio Gallo, entre outros. Concluo apresentando como a Capoeira se legitima em poderosa ferramenta pedagógica para uma educação democrática.

Se existe uma palavra que define o papel da Capoeira nas lutas sociais de que tomou parte, determinando seu papel como arma de resistência cultural, essa palavra é liberdade.

Por ser esse conceito tão temido e oprimido ao longo da História, o negro capoeirista1 sempre representou uma ameaça ao sistema político brasileiro, conhecido pela seletividade com que contempla as liberdades individuais e coletivas da elite social e das camadas populares.

A Capoeira, pela sua própria origem e ancestralidade, foi duramente perseguida, e seus praticantes foram dizimados pela ação do Estado. A partir da Era Vargas, contudo, a ideologia ufanista foi paulatinamente incorporando-a como símbolo da Pátria, “Esporte Nacional”. O turismo passou a consumi-la e a determinar uma nova estética, baseada em acrobacias impressionantes. A prática rebelde passou a ser aceita, mas somente de forma normatizada, regulamentada, institucionalizada. Formas sutis de arregimentação social se revelaram mais profícuas do que a mera repressão.

O objetivo de conceder legitimidade sob os auspícios do Estado era melhor para poder controlar, vigiar e, em última instância, suprimir o caráter transgressor da Capoeira. Não obstante, a capacidade de adaptação, de disfarce, de camaleonização da cultura negra permitiu a ela mudar em muitos aspectos, preservando sua essência, seu caráter libertário.

Neste trabalho serão analisadas as potenciais contribuições da Capoeira na área da Educação, especialmente no tocante ao desenvolvimento da autonomia, nos níveis individual e político, tendo em vista o ensino socialmente comprometido.

A relevância do tema é afirmada levando em conta a abrangência nacional da Capoeira, sua aplicabilidade e presença em todos os ambientes educacionais formais e não formais nos mais diversos níveis sociais e a efetividade dos resultados atingidos em inúmeras instituições educativas.

Os objetivos deste trabalho são: analisar as contribuições da Capoeira para a construção da autonomia; caracterizar a Capoeira como prática educativa libertária e refletir sobre a sabedoria ancestral da educação espontânea não institucionalizada das rodas de Capoeira realizadas na rua.

Metodologia

Os principais marcos teóricos utilizados na conceituação das relações entre liberdade e autonomia foram os estudos de Bakunin, Alexander Neill, Paulo Freire, Maurício Mogika e Silvio Gallo. Os autores pesquisados divergem em relação a várias questões. O objetivo neste trabalho não é analisar a obra deles, e sim dialogar com eles, relacionando seus estudos à potencial contribuição da cultura afro-brasileira à educação.

Foram analisados, in loco, aspectos relacionados à didática da Capoeira em rodas de rua, na condição de professor-pesquisador dessa arte desde 1991. As observações específicas quanto ao caráter politicamente transformador da Capoeira nas práticas institucionalizadas ou não estão baseadas nessa experiência pessoal.

Desenvolvimento

O trabalho interliga o campo da educação ao da política, da sociologia e do saber popular. Esse modelo se justifica pela impossibilidade de explicar os fenômenos ligados à Capoeira fora de uma visão sistêmica. Segundo Mogika (1999), “na pedagogia e na psicologia humanistas o ser humano é entendido como um organismo complexo, no qual são indissociáveis mente, corpo e sociedade, isto é, ele é um ser bio-psico-social” (p. 61). Esta também é uma das principais características da cosmovisão africana: encarar o homem como um ser integral, no qual mente-corpo-espírito-sociedade estão interligados. A Capoeira como prática educativa situa a África na vanguarda do pensamento humanista, muitos séculos à frente da filosofia compartimentalizada ocidental só recentemente voltada ao holismo.

Definindo a Capoeira

Tentar conceituar a Capoeira requer um exercício de imaginação, dada a pluralidade de perspectivas assumidas pelos diversos praticantes e estudiosos do tema.

É na própria diversidade, na capacidade de assumir perspectivas opostas sem que uma anule a outra, que reside a força da Capoeira. Arte marcial, esporte, dança, teatro, folclore, todas essas definições parciais já foram utilizadas na tentativa de conceituá-la. É necessário afirmar essas diferenças como facetas de um todo para compreendê-la como arte que pode e deve se adaptar às diversas contingências históricas e sociais. Mestre Pastinha2, poeticamente chamou-a de “mandinga de escravo em ânsia de liberdade”. Ao afirmarmos que a Capoeira é caracterizada por uma atitude de afirmação da liberdade desde a sua gênese (“mandinga de escravo em ânsia de liberdade”), acreditamos que solidificar conceitos seria restringir essa arte a uma doutrina estanque; “provocar o seu sepultamento, negar sua principal força seria a negação do princípio básico da liberdade” (GALLO, on line). Ou seja, podemos apresentar aspectos da Capoeira, não defini-la.

Aceitando essa premissa iremos, sem assumir reducionismos, priorizar para fins deste trabalho um corte epistemológico que afirme a Capoeira como arte educativa libertária e socialmente comprometida com a mudança.

Autonomia e educação para a liberdade

A prática libertária da Capoeira tem como objetivo favorecer o desenvolvimento da autodisciplina e da autonomia no educando. Não obstante, a vivência dessa filosofia na prática diária não ocorre sem conflitos. Sendo assim, antes de analisarmos as relações de ensino-aprendizagem na Capoeira é fundamental definir como iremos trabalhar os conceitos de autonomia, liberdade, licenciosidade, autoridade, autoritarismo e disciplina.

Liberdade e autonomia

Bakunin defendia a liberdade como:

o direito absoluto de todo homem ou mulher de só procurar na própria consciência e na própria razão as sanções para os seus atos, de determiná-los apenas por sua própria vontade e de (…) serem responsáveis primeiramente perante si mesmos, depois, perante a sociedade (p. 74). Para Mogika, o termo liberdade significa irrestrição; já a autonomia seria

a capacidade de definir suas próprias regras e limites, sem que estes precisem ser impostos por outro: significa que aquele agente é capaz de se autorregular. Logo, na palavra autonomia estão implícitos, simultaneamente, a liberdade relativa do agente (…) e a limitação derivada da relação com o mundo natural e social (MOGIKA , 1999, p. 59). Na roda de Capoeira o jogador não é proibido de fazer o que quer que seja, pois se trata de um jogo sem regras formais; porém a liberdade do indivíduo é contingenciada por acordos tácitos estabelecidos na relação com as liberdades dos demais. Exemplificando: um capoeirista não é proibido de, num acesso de raiva, gratuitamente arrancar os dentes de outro com um chute, mas se o fizer será punido pelo meio social. A decisão e a responsabilidade pelo autocontrole ficam a cargo do indivíduo. É nesse sentido que a prática da Capoeira vai auxiliar na formação da autonomia, posto que, segundo Freire (1996, p. 107), ela se constitui

“na experiência de várias, inúmeras decisões, que vão sendo tomadas” e que “uma pedagogia da autonomia tem de estar centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em experiências respeitosas da liberdade”. É no domínio da decisão, da avaliação, da liberdade, da ruptura, da opção, que se instaura a necessidade da ética e se impõe a responsabilidade (idem, ibidem). Liberdade individual e licenciosidade

Concordo com Neill (1980) nas suas premissas básicas: 1) A liberdade trata dos direitos da pessoa; e 2) a licenciosidade consiste em ultrapassar os direitos alheios.

No exemplo citado, é clara a escolha que o indivíduo tem entre assumir um ou outro extremo; na prática da Capoeira, a capacidade de se disciplinar é o que garante ao jogador o gozo de sua própria liberdade.

Liberdade como valor político

A liberdade individual pregada pela Capoeira só se realiza em comunhão com a liberdade de todos, ou seja, esse conceito só pode ser vivido se estendido a todos. Bakunin (1980) entendia a liberdade de cada um como um valor que, longe de ser delimitado pela liberdade alheia, encontrava nela “sua confirmação e sua extensão ao infinito; a liberdade ilimitada de cada um pela liberdade de todos, a liberdade pela solidariedade, a liberdade na igualdade” (op. cit., p. 41). E ainda:

Não é verdadeiro que a liberdade de um homem seja limitada pela de todos os outros. Só sou livre quando minha personalidade, refletindo-se, como em inúmeros espelhos na consciência de outros homens livres (…), retorna-me reforçada pelo reconhecimento de todos. A liberdade de todos, longe de ser um limite da minha (…), é, ao contrário, sua confirmação, sua realização e sua extensão infinita (idem, p. 33). Portanto, nessa visão não há contradição entre a liberdade individual e conscientização política; pelo contrário, a primeira é condição complementar à segunda. Somente cidadãos autorregulados, autodisciplinados serão capazes de viver em “uma democracia participativa, em que cada pessoa participe ativamente dos destinos políticos de sua comunidade” (GALLO, on line).

Autoridade, autoritarismo e disciplina

A autoridade é uma qualidade que se demonstra pelo exemplo, pelo conhecimento e pelo respeito e empatia com o aluno. Ela não pode ser confundida com o autoritarismo, que se impõe na pressuposição de que o professor “sabe mais” (Capoeira, Biologia, Matemática) e deve ser “respeitado” por isso. Respeitado aqui significa ser ouvido sem contestação alguma por parte do aluno. A autoridade democrática, segundo Freire (1996), não necessita fazer discurso sobre si mesma, pois ela é uma realidade, assim como uma cadeira ou um sentimento.

Freire defendia que a autoridade do professor deve sempre ser acompanhada pela liberdade do aluno; somente dessa forma ela se legitima e oferece as condições para o surgimento da única disciplina que merece ser chamada como tal, a autodisciplina.

Resultado da harmonia ou do equilíbrio entre autoridade e liberdade, a disciplina implica necessariamente o respeito de uma pela outra. (…) O autoritarismo e a licenciosidade são rupturas desse equilíbrio (…), são formas indisciplinadas de comportamento. Assim como inexiste a disciplina no autoritarismo e na licenciosidade, desaparece em ambos, a rigor, autoridade ou liberdade (FREIRE, 1996, p. 89). A Capoeira de rua

A relação mestre-discípulo do período anterior era caracterizada pela liberdade dada ao aprendiz. A imensa maioria dos Capoeiras antigos passou por diversos tipos de ensinamento com diferentes mestres, sempre de forma não sistemática. Era no Mundo (e não na Academia) que se aprendiam os conhecimentos a serem aplicados no Mundo: a malícia, a malandragem, a violência, a arte. A Capoeira “acadêmica” sempre teve como contraparte as práticas livres de capoeiristas free-lancers, autônomos, desvinculados do sistema, que faziam da rua seu meio de expressão. Diferentemente de hoje, quando a maioria dos capoeiristas realiza rodas em seus próprios espaços, até a década de 1960 a norma eram as rodas de rua, feitas em praças públicas, feiras e festas populares. Essas manifestações espontâneas foram diminuindo de frequência nas décadas seguintes.

A Capoeira como capital cultural

Iremos analisar agora como as chamadas “rodas de rua” se caracterizam por espaços educacionais democráticos.

Tomemos como referência a chamada Roda Livre de Caxias, manifestação cultural realizada desde a década de 1970 no município de Duque de Caxias. Veremos como a trajetória da roda se confunde com a de seus fundadores. É a partir de seus exemplos concretos que demonstrarei o potencial transformador da Capoeira.

Rabelo (2005) narra o caminho traçado por esse grupo de jovens criados em áreas desfavoráveis da Baixada Fluminense, que souberam por meio da Capoeira transformar a adversidade em oportunidade.

Não bastasse a discriminação sofrida pela sua cor e classe social por parte da sociedade, esses jovens, por se recusarem a assumir os valores militarizados vigentes na época, eram também marginalizados no próprio meio da Capoeira institucionalizada. Buscaram, então, como alternativa, levar a Capoeira para a rua e dela fizeram a sua escola.

Mestre Cinésio Peçanha “Cobra Mansa”4 (radicado em Washington-DC, EUA), Mestre Rogério Peixoto (radicado em Kassel, Alemanha), e Mestre Jurandir Nascimento (radicado em Seattle – EUA), por meio da Capoeira, saíram da Baixada Fluminense para se tornarem “embaixadores culturais” brasileiros. Seus passaportes estão carimbados pelas dezenas de países por onde passam anualmente ministrando cursos de nossa cultura: Inglaterra, França, Alemanha e Finlândia. Para compreendermos como a Capoeira possibilitou uma educação autônoma para esses mestres, precisamos analisar as condições em que se deu a sua “formação escolar” na roda de rua. Tomaremos como exemplo a prática de seu atual guardião, Mestre (ou “Zelador”) Russo5.

A jornada de um intelectual orgânico brasileiro

Russo afirma em seus discursos públicos: “Só tive oportunidade de estudar até a admissão ao ginásio, os cinco primeiros anos; o resto foi a Capoeira que me fez “correr atrás”. Aprendi a oratória na prática de artista de rua, contando piada para manter o publico entretido ente um salto e outro por dentro de argolas incrustadas com facas”.

Russo é um orador popular; como percebido em seu discurso, a oratória pública foi exercitada inicialmente com o humor. Posteriormente, Russo refinou sua arte utilizando a própria Capoeira para suas reflexões filosóficas.

Durante a execução da roda, não raro interrompe seu andamento e mantém o povo que passa por lá atento às suas observações sobre variados temas. Por exemplo, partindo da discriminação sofrida no meio da Capoeira, Russo utiliza a indução, indo do particular para o genérico, para falar sobre a discriminação em geral, tocando publicamente em temas tabus, como preconceito de classe, cor, gênero, religião.

Após provocar a reflexão no público não capoeirista, Russo faz o caminho inverso: parte do geral para o particular, narrando como a sociedade de controle6 atua de tal forma que o Capoeira passa a reproduzi-la no seu campo individual, sem mesmo perceber a contradição entre a sua prática autoritária e a premissa básica da Capoeira, que é a liberdade.

Sem ter ouvido falar de Focault, Freire ou Gramsci, ele justifica a necessidade de falar em praça pública com o argumento de que “a palavra também é poder”; portanto, o povo pode e deve se utilizar dela. Sua erudição já lhe rendeu um livro publicado (RABELO, 2005) e diversos estudos acadêmicos sobre sua prática.

Howell (2004), a seu respeito, escreveu: “Russo é um “intelectual orgânico” respeitado pela coletividade. Apesar de pobre, já foi à Europa e aos EUA como convidado de honra. Sua formação foi puramente cultural e é um exemplo do potencial sucesso da educação cultural preconizada por Paulo Freire” (p. 21). A prática espontânea da Capoeiragem em espaços públicos e orientada para o povo auxilia na formação de uma consciência crítica em relação à cidadania e no desenvolvimento da autonomia. Mestre Russo é a prova viva disso.

Outro exemplo é a chamada Conexão Carioca de Rodas de Rua, liderada por diversos mestres de Capoeira desde o ano 2010. Esse movimento inclui, em um ambiente de não violência e de respeito mútuo, praticantes de diversas linhas de Capoeira, num processo educativo a que chamo “didática libertária das rodas de rua”.

A didática libertária da roda de rua

A maior parte das rodas de Capoeira leva o nome de quem as comanda, isto é: “Roda do Mestre Fulano ou Mestre Beltrano”. Isso não se dá nas rodas de rua. Em geral, elas se colocam com nomes dos logradouros que ocupam, muitas vezes escolhidos por serem locais representativos da cultura negra: Caxias, Arco do Telles, Cais do Valongo etc.

Em geral, a didática libertária da roda de rua tem como características principais a liberdade de ação igualitária; a descentralização da autoridade; a participação popular; e o internacionalismo, assim:

A liberdade de ação igualitária é a possibilidade de qualquer capoeirista, independentemente de seu grupo de Capoeira, idade, nacionalidade, tempo de serviço, status, posto dentro da Capoeira (mestre, professor, aluno) ou habilidade, se expressar musical, artística ou fisicamente sem receio de ser coagido ou reprimido por conta de sua condição. Na prática da roda isso se expressa no chamado “jogo de compra”, em que o capoeirista adentra a roda no momento em que julga apropriado, sem necessidade de pedir permissão a quem quer que seja. Na maioria das rodas esse procedimento resulta em desordem ou é desencorajado por conta da vaidade dos jogadores mais graduados, que insistem em se exibir um sem-número de vezes, nas rodas de rua não raro um jogo pode levar até vinte minutos sem interrupção. Minha teoria é de que a liberdade oferecida tende a gerar a autodisciplina. A descentralização da autoridade – Apesar da presença constante de diversos mestres na roda, estes não interferem constantemente em seu andamento, tampouco regulam a entrada ou o tempo de jogo dos participantes com a mesma rigidez autoritária que muitas vezes praticam em suas escolas. O controle é feito de forma tácita pela própria coletividade dos capoeiristas. Tende a imperar na rua o respeito pelo outro e, quando há excesso individual por parte de algum dos presentes, os demais zelam pelo bom andamento da roda, dialogando com este ou inibindo-o fisicamente. Acredito que essa falta intencional de uma autoridade central cria um clima de responsabilização coletiva pelo bem comum. “Neste sistema já não há propriamente poder. O poder baseia-se na coletividade, e torna-se a expressão sincera da liberdade de cada um, a realização fiel e séria da vontade de todos” (BAKUNIN, s/d, p. 60). A participação popular – Segundo Mestre Russo, um dos principais objetivos da roda de rua de Caxias é “devolver ao povo o que ao povo pertence: a sua própria cultura”. Ao contrário das rodas organizadas por grupos de Capoeira na rua, nas quais a participação popular costuma se restringir à condição de espectador, as rodas abertas caracterizam-se por serem de rua, ou seja, abertas ao povo, que ali atua de forma ativa. É comum a participação de mendigos, crianças de rua, esfarrapados e loucos lado a lado com capoeiristas profissionais. A liberdade é tão prezada que até mesmo “entidades espirituais” jogam7. O internacionalismo – Caracteriza-se pela afirmação da aceitação da alteridade e, consequentemente, pela negação a qualquer forma de discriminação na roda. A inimaginável cena de finlandeses, ingleses, americanos ou japoneses visitando a Baixada Fluminense é comum todos os domingos, na Praça do Pacificador, em Caxias, ou nas diversas rodas espalhadas pelas ruas do Rio. Esses estrangeiros são aceitos e participam de forma igualitária dentro de uma cultura notadamente brasileira. A Capoeira, sob essa ótica, de certa forma deixa de ser um “bem”, uma “posse” brasileira, e passa a ser uma cultura “brasileiro-universal”, pois essas pessoas são parte integrante do meio. É interessante perceber que, no imaginário popular, desde a fundação do Estado Novo a Capoeira tem sido representada como símbolo da Pátria, mas, paradoxalmente, atualmente tem botado em xeque a noção de identidade nacional, quando se une o enaltecido passado africano ao presente internacionalismo.

Segundo Gallo, a noção de identidade nacional foi concomitante à criação do Estado-nação:

a constituição dos Estados-nações europeus foi um empreendimento político ligado à ascensão e consolidação do capitalismo, sendo, portanto, expressão de um processo de dominação e exploração”; portanto, “é inconcebível que a construção de uma sociedade libertária possa se restringir a uma ou a algumas dessas unidades geopolíticas às quais chamamos países (on line). Ainda a esse respeito, no ideal de Bakunin (1980), seria necessário reduzir

o assim chamado princípio da nacionalidade, princípio ambíguo, cheio de hipocrisias e de armadilhas, princípio de Estado histórico, ambicioso, ao princípio muito maior, muito simples e único legítimo, da liberdade: cada um (…) tem o direito de ser ele próprio, e ninguém tem o direito de impor-lhe seus costumes, sua vestimenta, sua língua, suas opiniões e suas lei; cada um deve ser absolutamente livre em si.< Todas estas ideias estreitas, ridículas, criminosas, de grandeza, de ambição e de glória nacional são boas apenas (…) para enganar os povos e amotiná-los uns contra os outros, para melhor submetê-los (idem, ibidem, p. 57-58). A liberdade e a prosperidade das nações deveria levar à superação das diferenças regionais, “à comunicação entre todos os países, à abolição das fronteiras, dos passaportes e das alfândegas” (idem, ibidem, p. 91).

Ao defender a igualdade entre capoeiristas brasileiros e estrangeiros, a Capoeira supera o nacionalismo e se afirma como elo entre os povos. As rodas de rua são um encontro ecumênico, pluriétnico e multicultural. A didática da rua é a didática da Capoeira libertária, e em sua vivência a democracia se afirma.

Conclusão

As práticas da Capoeira ilustram o modo como se poderia aplicar o conhecimento popular na Educação, em uma concepção libertária e democrática. Porém, para que a autonomia individual se realize em ato político democrático, é necessário que o indivíduo se imbua de responsabilidade social, o que, entre outras coisas, num país como o Brasil significa fazer da ação pedagógica um instrumento de transformação social.

A ação política na Capoeira se caracteriza pela luta social em prol de uma sociedade justa que recuse a discriminação e as desigualdades sociais. Cada sujeito tem responsabilidade pela conscientização dos demais. Por isso é fundamental encarar a formação do sujeito autônomo como condição para a mudança.

Segundo Bakunin (s/d, p. 31), “a liberdade dos indivíduos não é absolutamente um fato individual (…). Nenhum homem pode ser livre fora e sem o concurso de toda a sociedade humana”.

O educador cultural deve estar sempre a favor da mudança, se quiser se fazer merecedor de seu papel. A mudança estimula seu aluno homem-mulher-criança a não se resignar diante dos inúmeros mecanismos de controle da liberdade que nos impedem de viver nossa condição humana em plenitude.

 

Bibliografia

ABREU, Frede. O barracão de Mestre Waldemar. Salvador: Zarabatana, 2003.

ÄLLIEZ, Eric (org.). Gilles Deleuze: uma vida filosófica. São Paulo: Ed. 34, 2000.

ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. Petrópolis: Vozes, 1998.

BAKUNIN, Michael Alexandrovich. Textos anarquistas. Porto Alegre: L&PM, 1980.

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BÉZIERS, Marie-Madeleine. O bebê e a coordenação motora. Rio de Janeiro: Summus, 1992.

BREDA, Omri. A Capoeira como prática educativa transformadora. Anais do I Seminário de Educação e População Negra. Niterói: PENESB/UFF, 2005.

BRINCADEIRA DE ANGOLA. Capoeira para crianças no Rio de Janeiro (on line). Disponível em: www.brincadeiradeangola.com.br. Consultado em 05 ago. 2012.

CORTELLA, Mário Sérgio. A escola e o conhecimento. São Paulo: Cortez, 2002.

COUTINHO, Daniel. O ABC da Capoeira Angola: os manuscritos de Mestre Noronha. Brasília: Defer, 1993.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir – história da violência nas prisões. Petrópolis: Vozes, 1987.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1992.

______. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GALLO, Sílvio. Anarquismo e Filosofia da Educação. Disponível no site suigeneris.pro.br. Acesso em 02 out. 2005.

HOBSBAWM, Eric; RANGER, Terence. A invenção das tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.

HOWELL, George. Playing in the street: resistance, violence and identity in the suburbs of Rio de Janeiro. Anthropology dissertation. London: Goldsmith’s College, 2004.

MOGIKA, Maurício. Autonomia e formação humana em situações pedagógicas: um difícil percurso. São Paulo: Educação e Pesquisa, 1999.

NEILL, Alexander Sutherland. Summerhill – Liberdade sem medo. São Paulo: Ibrasa, 1980.

RABELO, Jonas. Capoeiragem – expressões da roda livre. Rio de Janeiro: Impresso, 2005.

SODRÉ, Muniz. Mestre Bimba, corpo de mandinga. Rio de Janeiro: Manati, 2002.

SOLER, Reinaldo. Jogos cooperativos para a educação infantil. Rio de Janeiro: Sprint, 2003.

Mestre Siqueira na Roda do Cais do Valongo

No próximo sábado, o Conexão Carioca / Roda do Cais do Valongo recebe um convidado muito especial, o Mestre Siqueira, um dos pioneiros da Capoeira na Europa. Paulo Siqueira trará fatos, “causos” engraçados e fragmentos de sua longa estória no continente europeu. 

. onde: Cais do Valongo, Av. Barão de Tefé em frente ao C.C. da Ação e da Cidadania
. data: 20 jul. 2013
. horário: 11hs em diante
. convidado Roda dos Saberes: M. Siqueira (Escola de Capoeira Angola N’Zinga . Hamburg)

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7a Roda do Cais do Valongo
6a Roda do Cais do Valongo
5a Roda do Cais do Valongo

 

Carlo Alexandre

Kabula Rio & London

Diretor Artístico / Mestre de Capoeira Angola
webwww.kabula.org
Cel. 21 7948.7969 tim |
Skype: carloalexkabula1

Carolina Soares a voz da mulher na capoeira lança o seu quinto CD

Cantora profissional desde os 16 anos de idade, Carolina se dedica a musica o tempo inteiro, sua convivência com o publico da capoeira se deu através do contato direto em rodas e grandes eventos e meios sociais, dos quais Carolina fez parte ativa nas organizações. A cantora sentia falta de uma voz feminina nas rodas e exaltar mais ainda a presença da mulher. Foi assim que no ano de 1999 teve a ideia em de gravar o seu primeiro disco “Cantigas de Capoeira como você nunca ouviu antes”.

Sempre dirigida por Adriano Chediak (editor da Revista Capoeira), o CD foi de cara um sucesso estrondoso, ganhando espaço na mídia e levando aos leigos o som melodioso das cantigas de roda. Foi capa com matéria central no encarte “estadinho” do Jornal Estado de São Paulo e saiu em matérias de destaque de importantes veículos de comunicação como: Correio Brasilense, Jornal do Brasil, Estado de Minas, entre outros. Levou também a Capoeira para a TV em grandes emissoras como SBT, Record, Bandeirantes e na TV Globo gravou a vinheta dos 30 anos de aniversário do Programa Esporte Espetacular em ritmo de Capoeira.

Sua voz de timbre forte e seu carisma encantaram o universo da capoeira que era quase 100% masculino. Compôs grandes sucessos da capoeira como: “Vai ter Brincadeira”, “Vou Cantar pra Você”, “Capoeira não pode parar”, “Canto na areia”, “Capoeira de Menino” e “Mulher na roda” que virou um hino entre as mulheres.

Carolina Soares hoje é considerada a “voz feminina” da Capoeira, e acaba de lançar o seu quinto CD de capoeira, permitindo com isso fazer turnê de participações em eventos da capoeira em todo Brasil e em vários países europeus, como Grécia, Turquia, Polônia e Itália, sempre levando para os ouvidos e corações dos capoeiristas uma verdadeira lição de superação de como produzir um conteúdo já aprovado. Tem também se tornado madrinha de grandes projetos de inclusão social de crianças e jovens pelo Brasil inteiro.

A maior curiosidade do público é se ela treina capoeira, se ela é praticante assídua das rodas, sua resposta é sempre serena “Não pertenço a grupo algum, sou patrimônio da capoeira, e minha contribuição é através da musicalidade, cantando eu dou volta ao mundo, saltos acrobáticos e posso mandingar até onde eu tiver energia”.

 

Carolina Soares hoje é considerada a “voz feminina” da Capoeira, e acaba de lançar o

Serviço:

 

Data: 23/06/2013

Horario: 16 horas

Local: Bar Brahma

Av São João esquina com Av Ipiranga

Centro – São Paulo

(ao lado da estação de metrô Praça da República)


Para saber mais da cantora e adquirir o seu novo CD:

www.carolinasoares.com.br


Mestre Nininho: Acampamento e Treinamento de Capoeira em Tondela

Acampamento e Treinamento de Capoeira: Dias 05, 06 e 07 de Julho de 2013 em Tondela

A nossa ideia do Acampamento e Treinamento de Capoeira no verão é fazer com que os alunos tenham além do treinamento, momentos de lazer num ambiente saudável e agradável. O acampamento Também servirá de intercâmbio entre os alunos do grupo AGBARA e outros grupos que venham participar, onde a experiência vivida no acampamento ficará guardado na mente de todos os participantes.

 

LOCAL DO ACAMPAMENTO: PARQUE URBANO DA CIDADE DE TONDELA

Tondela é uma cidade no Distrito de Viseu, região Centro

A programação terá uma relação direta com a temática escolhida: AULAS DE CAPOEIRA, NUTRIÇÃO, como fazer o BERIMBAU, aulas de MÚSICAS de CAPOEIRA, CORRIDA NA PARTE DA MANHÃ, GINÁSTICA e para aproveitar faremos o LANÇAMENTO do LIVRO do MESTRANDO CINZENTO, QUE VEM DESENVOLVENDO UM GRANDE TRABALHO NO BRASIL E ESPANHA. Também aproveitaremos para fazer a entrega de graduações dos alunos do grupo AGBARA. As atividades serão desenvolvidas de acordo com as regras internas do GRUPO AGBARA. O Acampamento e Treinamento de Capoeira de Verão estarão abertas a todos os alunos, mestres, contra/mestres e professores. Alunos de outros grupos pagarão 30 euros, que poderá ser pago na hora.

Os alunos terão que respeitar as regras estabelecidas e os mais graduados.

Todos têm que trazer suas tenda.

 

Todos deveram ir com vontade e a mente aberta para jogar, cantar, tocar e participar na temática do acampamento as vaidades pessoais de cada um terá que ficar fora do acampamento. Todas as rodas de capoeira serão descontraídas para que todos participem. Nas rodas sempre vai haver jogo de angola e regional para que todos fiquem satisfeitos.

Coordenação do Acampamento

 

MESTRE NININHO

 

CONCTATOS: BANDAS 969794151 – TINTIN: 913307534

Email: [email protected]