Blog

ter

Vendo Artigos etiquetados em: ter

Homem de Gelo no Botafogo, Jefferson vira Gato Negro na capoeira

Goleiro mostra desenvoltura no esporte e diz que é preciso ter muito jogo de cintura para passar por determinadas situações do futebol

Agilidade, flexibilidade, concentração e disposição. Tudo isso contribui para o sucesso de um bom goleiro. Mas essas características também podem influenciar no bom desempenho em outro esporte: a capoeira. O show visual proporcionado pelo jogo pode ser comparado, inclusive, às defesas de um profissional do futebol. Que o diga Jefferson, camisa 1 do Botafogo.

Nascido na Bahia, onde a capoeira tem raízes fortes, ele pratica o esporte desde os sete anos. O goleiro conta que dividia o tempo entre as peladas com os amigos e as rodas ainda em São Vicente, em São Paulo. Porém, teve que deixar o hobby de lado, pois, desde os 15 anos, vive do futebol. Mas voltou a sentir o gostinho da capoeira na manhã desta quinta-feira, no Aterro do Flamengo, um dia após a vitória por 4 a 1 sobre o Madureira, no Engenhão, pela terceira rodada da Taça Guanabara.

Conhecido como Homem de Gelo, tamanha sua frieza durante os jogos e treinos em General Severiano e no Engenhão, Jefferson deixou para trás o semblante fechado, o olhar fixo e o estilo de poucas palavras para relembrar a infância. Vestiu o novo uniforme, colocou a corda e foi mostrar seu gingado. Tudo banhado a muitos sorrisos e brincadeiras com os 20 jogadores do grupo Abadá-Capoeira, que tem sede no Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro.

– No futebol, os treinos e os jogos exigem mais um pouco de concentração e seriedade. Não pode levar tudo na brincadeira. Mas, ao sair do futebol, somos outros, precisamos de algo como a capoeira para distrair. É isso que faço. Nas horas de lazer procuro me distrair um pouco – disse o goleiro, que chegou acompanhado de sua esposa Michele e a filha Nicole, de dois anos.

Nem mesmo o 1,90m atrapalhou o goleiro. Acostumado a voar debaixo das balizas, Jefferson fez estripulias no Aterro do Flamengo. Depois de sua exibição, ganhou o apelido do grupo: Gato Negro. O giro no ar também foi batizado: o pulo do gato. Cansado após sua participação, ele disse se sentir mais preparado para os treinos físicos e saiu satisfeito de voltar a praticar capoeira.

– Cansa, exige muito, mas é legal. Faz parte. Só é preciso ter cuidado, porque ajuda, mas pode causar lesões – disse o goleiro, que garantiu que o técnico Joel Santana sabia do jogo de capoeira.

A ginga que mostrou na roda de capoeira é a mesma que o ajuda a sair de situações complicadas no dia a dia do futebol. Jogo de cintura não falta ao goleiro, que é um dos líderes da equipe alvinegra e ídolo da torcida.

– Tem que ter ginga em todos os sentidos para administrar algumas coisas que acontecem no futebol.

É preciso também ter jogo de cintura com as brincadeiras dos integrantes do Abadá-Capoeira. Havia apenas um botafoguense entre os 20 jogadores que se encontravam na roda. Logo de cara, o goleiro avisou que só jogaria com o alvinegro. Depois de ouvir algumas provocações do flamenguista Anderson Silva, o professor Parafuso, o camisa 1 foi defendido por Leonardo Lenine, o Barata.

– Eles estão é preocupados, se sentindo ameaçados.

 

Sonho com a volta para Seleção

 

O sucesso com a camisa do Botafogo em 2010 fez com que Jefferson fosse convocado por Mano Menezes para a Seleção Brasileira. Porém, ficou fora da última lista, já que o treinador optou por não convocar atletas que atuam no Brasil. Mas um nome chamou a atenção. O goleiro Julio César, do Inter de Milão, que defendeu a amarelinha nos últimos anos e participou da Copa do Mundo na África do Sul, voltou a ser chamado.

– Desde que fui convocado, sabia que o Julio César ia voltar. Mas também penso em voltar à Seleção e vou continuar trabalhando no Botafogo para ter novas oportunidades.

 

Fonte: http://globoesporte.globo.com

Capoeira REDE SOCIAL e preservação

Não devemos nunca esquecer que a capoeira vem do oprimido, desfavorecido e excluído, é arte que representa a vitória e valorização de uma cultura antes marginalizada, escravizada e violentada. Todos temos por obrigação valorizar essa arte. Viver bem e aproveitar tudo que ela possa nos proporcionar como modo de vida e até mesmo profissão, isso não é ofensa, afinal muitos lutaram no passado para que pessoas como eu por exemplo pudessem viver no exterior, constituir família, ajudar parentes, e poder ter acesso a bens de primeiras necessidades ou até os tidos como fúteis.

Acho que Ofensa é aproveitar tudo o que de bom ela tem para oferecer (Não falo aqui apenas das lideranças de grupos, mas dos seus alunos também) e esquecer sua origem e seu valor ancestral, se cada um compreender isso, pensará que ela deve retornar das faculdades, academias de luxo, escolas e das classes com mais condições educativas, financeiras e sem problemas de alimentação e emprego para estender a mão para a enorme quantidade de pessoas ainda no esquecimento social e violentadas de diversas maneiras pelas concepções e velocidade da sociedade moderna.

Um grupo de capoeira pode muito bem formar ideais de acção social, pode ser interventivo de forma direta nos problemas sociais, essa é uma tarefa difícil para qualquer liderança que queira lançar mão a obra neste aspecto, pois é um exercício que demora e custa muito, e que para entrar nas mentes e principalmente na atitude das pessoas que nos cercam nem sempre é passivo, temos de estar preparados para os avanços e recuos, para as vitórias e decepções, mas quando se acredita nesse tipo de ideal, mais cedo ou mais tarde a coisa acontece.

Claro que existem milhares de maneiras em que um grupo de pessoas pode ajudar, ou melhor ainda, um grupo de capoeira, por exemplo, em toda roda de capoeira pode-se pedir para os nossos praticantes trazerem um quilo de alimento e reverter os mesmos para projetos comunitários, podemos pedir roupa, remédios ou donativos financeiros, podemos dar aulas de graça em comunidades, participar com os alunos no apoio aos sem abrigos, fazer parte das mais diversas campanhas de intervenção Social, para ajudar basta querer.

Devemos também lembrar e procurar valorizar os Mestres mais antigos, os produtores culturais populares e retribuir sem pensar duas vezes, seja de que forma for, sempre que eles precisem, porque se eu assim como muitas lideranças devemos muito do próprio sucesso do trabalho a si mesmos, devemos muito mais a esses velhos Mestres. Vamos ainda, para que nossa arte possa continuar a possuir o valor ancestral, dizer não a cópia de CD´s da cultura que destrói a sobrevivência e produção da nossa arte, diga não ao aproveitamento das limitações financeiras de muitos Mestres para acender a “Mestrias” ou ter acesso ao saber e o aproveitamento deste mesmo saber sem nenhum tipo de escrúpulo, diga não em viver depreciando todos os que não fazem parte dessa onda de estética, cultura do corpo, e a dita “Técnica”, diga não a um único modelo musical da moda que sufoca o improviso o aprendizado oral e a diversidade que sempre existiu na capoeira, diga não a tentação do crescimento fácil na integração desmedida de “professores ou não” para poder ter mais uma bandeira de país anexada ao símbolo, como se tratasse de um vitória mas que na verdade simboliza a diluição da ligação ancestral do aluno com o Mestre e uma total falta de ética para com o outro Mestre, pelo menos ligue para ele antes, diga não a filiação por telefone, Internet, fax, Pombo-correio e sinal de fumo, diga não a falta de ética, falta de frontalidade e de respeito ao próximo, diga sim a uma roda de boa energia e a produção cultural, a ferramenta social e a entre ajuda, a rede da capoeira diversificada e a todos os que lutam por um mundo melhor, mesmo que seja esse pequeno grande mundo chamado capoeira.

Axé!!

C. Mestre Marco Antonio

“A mão que ajuda é mais sagrada que a boca que reza” Magnata

Cobrinha Verde: o discípulo de Besouro

Muito se diz sobre Besouro Mangangá. Muitas histórias, feitos, crendices. Pouco se sabe sobre sua vida de capoeirista, se procurava transmitir seus conhecimentos na capoeiragem, se tinha alunos. Muitos mestres antigos reivindicam inclusive parentesco com Besouro. Porém, do que se tem conhecimento, somente um reivindica ter sido seu aluno. Estamos falando do famoso Cobrinha Verde.

 

Em Santo Amaro, onde nasceu e cresceu, muitas outras pessoas o ensinaram capoeira, entre eles também os famosos Espinho Remoso, Canário Pardo e Siri de Mangue, mas segundo ele, foi com Besouro que aprendeu o principal. Nascido Rafael Alves França, Cobrinha Verde recebeu esse apelido de Besouro pela sua agilidade e destreza com as pernas, que era tanta que, em certa feita, ele enfrentou sozinho oito policiais com um facão de 18 polegadas, segundo conta o próprio.

 

Cobrinha Verde sai de Santo Amaro e ganha o mundo, mudando de cidade em cidade, procurando pouso em casas de parentes e em bandos de cangaceiros do sertão, como o de Horácio de Matos. Muitas aventuras, muitas cidades e amores até voltar para a Bahia

 

E, como todo mundo sabe, capoeira é boa pra se defender, mas não livra ninguém de bala, nem de morte, por isso fortalecer suas defesas com fé e orações foi o caminho escolhido por Cobrinha Verde. Conta Cobrinha que ele possuía um breve, também conhecido como patuá, que o livrava de muitos problemas. Como da vez que dispararam contra ele uma enorme quantidade de balas, e ele desviou todas na ponta de seu facão. Essas mandingas ele aprendeu em Santo Amaro com o velho Pascoal, um africano que era vizinho da sua avó, e segundo contava Cobrinha, esse breve que possuía era vivo e ficava pulando, quando era deixado num prato virgem, depois de utilizado por ele. Mas certo dia, conta Cobrinha, que o breve foi embora e o deixou, depois de um erro que ele havia cometido

Ter sido aluno de Besouro Mangangá é um privilégio para poucos, e assim ensinar se tornava um chamado da arte. Em 1937 começa a ensinar de graça, como gostava de enfatizar, na Fazenda Garcia, depois de ter saído do exército. Nessa época convivia com Bimba e outros capoeiras famosos como Aberrê. Mas com o passar dos anos e morte de muitos dos seus contemporâneos, ele foi o mais velho capoeirista em atividade no Brasil, e um dos únicos a conhecer a técnica de jogar com navalhas entre os dedos do pé.

Na sua vida de professor, muitos capoeiras famosos beberam na fonte desse mestre; João Grande é um deles, que diz ter treinado com ele no Chame-Chame nos domingos pela manhã. Como dividia trabalhos com Pastinha, outros capoeiras como João Pequeno também beberam da fonte desse mestre. Como conta mestre João Grande, freqüentavam esses treinos também Gato Preto, Didi, Bom Cabrito, Rege de Santo Amaro, entre outros.

Vida e obra de um capoeira nesse mundo não são reconhecidas, então o maior medo de um capoeira como Cobrinha Verde, era morrer a míngua como Pastinha e Bimba. Sua profissão de pedreiro tinha rendido uma mísera aposentadoria, que não dava pra nada, mas que pelo menos não o deixava na mão. Sua fé também ajudava a não adoecer. O capoeira pra ter uma boa velhice, tem que trabalhar com outras coisas e não só viver da arte… Ô mundo injusto!

Bauru: Alberto faz da capoeira a sua causa

Ex-bancário, ele investiu recursos próprios para criar espaço para treinamento e divulgação da modalidade esportiva e cultural

Quando decidiu construir a Casa da Capoeira no Jardim Contorno, perto do residencial Camélias, o capoeirista Alberto de Carvalho Pereira Sobrinho, 44 anos, enfrentou resistência da vizinhança.

Conta que foi chamado para uma reunião e levou revistas de arquitetura para mostrar os projetos bonitos e modernos que o inspiravam. Não teve jeito. Ouviu que tudo o possível seria feito para embargar a obra. Encarou olhares tortos, ameaças de ter a vida transformada num inferno e fiscalização rigorosa.

Alberto não desistiu e a casa ficou pronta há quatro anos. Ex-bancário, ele usou o dinheiro da indenização trabalhista do Banespa e economias próprias para erguer o espaço de 180 metros quadrados, com área para treinamento, banheiros e biblioteca.

Preconceito

A resistência dos vizinhos tem relação com o preconceito à capoeira, justamente o que Alberto tenta combater. Ele idealizou a casa como um local para cursos, seminários, encontros e central de documentação e preservação da memória. Compra a briga de insistir com o poder público para incluir o esporte no currículo escolar da rede pública de ensino.

Alberto nasceu em Afogados da Ingazeira, no sertão de Pernambuco. Na adolescência, foi com a mãe e os irmãos para São Paulo. Viveu a saga dos nordestinos migrantes: trabalhou desde cedo e dividiu as despesas da casa com os seis irmãos.

A diferença é que a mãe fez questão de ser rigorosa com os estudos dos filhos. Todos saíram do Nordeste com o ensino médio concluído e, em São Paulo, conseguiram evoluir no mercado de trabalho.

Aos 14 anos, ele começou como boy numa construtora. Depois foi contratado pelo Hospital do Servidor, onde trabalhava meio período. Dividia o tempo entre o serviço, o cursinho e a capoeira, que o atraía desde a infância.

Começou a jogar com o professor Paulo Carioca, do grupo Netos de Amaralina. Descobriu a escola no metrô, quando o trem passava quase parando perto do antigo Carandiru e ele podia ver a placa.

“Fui lá e me matriculei”, lembra. Valores como a liberdade e a solidariedade, relacionadas à capoeira, foram os principais responsáveis pela aproximação.

Em São Paulo, fazia planos para o futuro com o irmão mais novo, Roberto. Queriam voltar a Pernambuco. Ele pretendia cursar agronomia e o irmão veterinária. Atenderiam o desejo da mãe de ver os filhos formados e teriam profissões que possibilitariam o trabalho junto a comunidades nordestinas.

Destino

A vida impôs outros rumos. Roberto, o caçula, morreu assassinado aos 23 anos. Alberto decidiu sair de São Paulo. Veio para Bauru, onde seguiu sua carreira de bancário até ser demitido sem justa causa do Banespa. Aqui conseguiu ir para a universidade. É formado em educação física pela Unesp e trabalha como professor em escolas estaduais e numa faculdade de Agudos, além das aulas na Casa da Capoeira e as atividades com o grupo Jogo de Dentro.

O capoeirista ainda não é mestre – e nem tem pressa.

Ele defende o conhecimento técnico do jogo associado à noção histórica e à percepção dos significados. Não concorda muito com quem é chamado de mestre apenas porque domina a parte técnica.

Um exemplo: o movimento que o capoeirista faz ao entrar numa roda simboliza a saída dos escravos do mundo real e a chegada ao universo lúdico. A rasteira, por sua vez, tem o significado de derrubar os problemas. Jogá-los no chão.

 

Dedicação é para ter reconhecimento

Não há arrependimento por causa dos investimentos financeiros e pessoais feitos na Casa da Capoeira, mas Alberto tem a sensação de impotência por ainda não ter conseguido vencer as disputas locais e unir os capoeiristas de Bauru em defesa do esporte, que também é manifestação cultural.

Ele garante que não desistiu de seu objetivo.

Sancionado em julho deste ano pelo presidente Lula, o Estatuto da Igualdade Racial reconhece a capoeira como desporto de criação nacional em todas as suas manifestações: esporte, luta, dança ou música.

Isso significa que está garantido o livre exercício da capoeira e também a possibilidade de reconhecimento público da prática.

O dono da Casa da Capoeira esteve recentemente na Câmara Municipal para divulgar aos vereadores e à população a regulamentação e pedir mais atenção à modalidade.

Mestre

Alberto pratica a capoeira regional, criada pelo Mestre Bimba, baiano de Salvador responsável por tirar a modalidade da marginalidade e torná-la mais popular, numa época em que havia o risco dela ser extinta, como aconteceu com outros folguedos que tiveram origem na escravidão e deixaram de ser praticados ao longo do tempo.

O documentário “Mestre Bimba, a capoeira iluminada”, conta a história de Manoel dos Reis Machado (1900-1974), descrito como o homem que dedicou a vida a dar dignidade à modalidade praticada inicialamente apenas por homens negros.

A praça localizada em frente à Casa da Capoeira, no Jardim Contorno, recebeu o nome de Mestre Bimba e é mantida por Alberto e outros vizinhos.

Ele adotou o espaço público. Há projeto de urbanização para o local, com pista para bicicross, espaço para caminhada, áreas de convivência e playground, no formato de roda de capoeira.

Outras metas

Também estão nas metas de Alberto conseguir que a Semel (Secretaria Municipal de Esportes) crie o cargo de técnico de capoeira, preenchido por meio de concurso público; a instalação de escola municipal de capoeira e a inclusão da modalidade como atividade curricular na rede municipal de ensino.

Hoje, ela já é ensinada como atividade extra em escolas da rede particular e em algumas unidades públicas.

Para a Casa da Capoeira, os planos são criar uma identidade visual e também um blog – tudo com o objetivo de divulgar o espaço e a manifestação esportiva e cultural que o local abriga.

Ah, é preciso informar.

Os vizinhos antes insatisfeitos não cumpriram a ameaça de infernizar a vida de Alberto, visto como estranho no Jardim Contorno quando chegou por lá com seus planos.

Agora ele e sua capoeira são bem vindos ao bairro.

A casa da Capoeira é uma associação de pessoas, interessadas na prática e fruição do jogo da Capoeira, entendendo o jogo como uma brincadeira SÉRIA.

 

A Capoeira, como todas as demais práticas corporais, enseja valores próprios que transcendem ao próprio jogo, “invadindo” outros espaços da nossa vida cotidiana, constituindo-se assim uma cultura própria.

Desse modo, o nosso interesse inicial é a prática, mas os nossos compromissos vão para além da prática:

  • Contribuir para a elevação do padrão técnico e cultural da capoeiragem da região de Bauru, através de ações diversas: cursos, workshop, seminários, encontros, etc.; através de seus próprios meios ou em colaboração com os poderes públicos e a iniciativa privada;
  • Contribuir para a preservação da memória e história da Capoeira na Região de Bauru, incentivando e realizando o trabalho de documentação dos vários espaços de prática e gravando em mídia eletrônica depoimentos dos Mestres responsáveis pela disseminação da prática na região;
  • Manutenção de uma biblioteca multimídia, que conte com livros, revistas, artigos, registros fonográficos (em vinil, k7 e CD) e registros cinematográficos (filmes, vídeoK7 e DVD); além da disponibilização desse material por meio eletrônico, resguardados os direitos autorais e/ou créditos aos autores.

 

Fonte: Agência BOM DIA – http://www.redebomdia.com.br/

De Chica da Silva à Pelé: O Negro Sem a Terra

PALMARES, UM PROJETO DE NAÇÃO: DE CHICA DA SILVA À PELÉ: O NEGRO SEM A TERRA

“A imaginação de construção da nação brasileira ficou restrita à terra, à sua posse, à distribuição e ao seu usufruto pôr uma etnia dominante”
(Luis Mir).

Este escrito é como que um ensaio a algumas considerações a serem feitas a respeito da obra de dois séculos a trás – a Transposição das Águas do São Francisco – já em meio-andamento meio-suspensa. Aquele canal é a primeira e a mais importante porta para a última e permanente das fronteiras agrícolas do Brasil. Tenho me referido ao último dos mercados nacionais do Mundo: a população negra. Todos os ciclos econômicos do Brasil foram queimados sem o negro. Salvo a industrialização, em um período breve, mas proveitoso. De todos os ciclos econômicos o negro não participou (se quer como consumidor privilegiado de algo) porque não teve Terra. Esta nova fase da agricultura permanente é inimaginável pensar-se o negro excluído da Terra.

O negro sem a terra ficará a mercê dos favores das atividades marginais. Do negro acabaram com a alforria; botaram no lugar o “direito-a”, ou seja pulou de Chica da Silva para “Pelé”. Um e outro tão atolados no dinheiro, quanto sem rumo – porque a ambos não foi dado a terra, – não tiveram “a” origem, portanto não tiveram para onde voltar. Antes até mesmo da educação terá de ser a Terra. A educação deverá ser atitude dele, negro. Antes de tudo, a indenização, composta de duas partes – a) terra; b) dinheiro, em espécie; e uma conseqüente – assistência técnica-comercial em diversas faixas e longo tempo, (calcadas na experiência para com os imigrantes europeus e japoneses, principalmente).

Chica deu aos filhos educação esmerada: da batina a passagem por academias romanas. Ainda assim tiveram o desfecho próximo ao do filho de Pelé: dos quatro filhos homens de Chica, de um sendo padre, dos outros três a debateram-se para ingressar no seio da nobreza – é tudo quanto se sabe; das 9 mulheres a maioria tornando-se freiras, não deixaram pegadas diferentes dos rastros das outras quatro, no que pese a educação de proa em colégios internos católicos. Tudo o mais foi o “sem-eira-nem-beira”, de quem não tem a terra; assim também não é discutido o filho do Pelé além das fronteiras de um princípio constitucional tão ilegítimo, perverso quanto irreal – o de que “todos são iguais perante a Lei”: São iguais os que têm a terra e desiguais os que não a tem. Todos nós sabemos o destino dos Pedro de Almeida, desde 1685, porque tiveram terra, nasceram com “o pé na Terra”, tinham para onde voltar a cada mexida na vida. Tinham a origem e na origem encontravam a própria origem – primos, tios, avós, amigos de infância com interesses comuns. Pelé e Chica, cada um a seu tempo, foi sorteado, no “regime da antiga quota” para servir de “cala-a-boca”. Quem de nós não ouviu o pito – ” racismo? que nada, olhe o exemplo de Pelé”. Vamos resumir algumas genealogias e seus fatos.

 

– ‘Séc. XVII, Henrique Dias, o “gov. dos pretos” e o Gov. Souto Maior, ambos lutaram para destruir Palmares. Da árvore Souto Maior, não preciso falar – estão entre fazendas e palácios -; e os “herdeiros Henrique Dias” – onde estão? Com certeza nalguma favela, ou dizimados, entre os Séc. XVII e XVIII, talvez nem chegaram ao Séc. XIX.

– Por que foram dizimados, bem antes, ou estão nalguma favela?

– Porque Não tiveram terra. Na família, é preciso dentre seus membros, uma parte considerável tê-la. É a referência, é para onde se possa “voltar”, num dado instante da vida, encontrar seus iguais.

– Por que não tiveram, se as terras de Palmares foram loteadas entre seus destruidores? Se o pagamento de tudo era a terra? Se todos os outros, de comandantes a soldados, a tiveram?

– Henrique Dias sendo negro não podia ter terra. Ainda hoje, o negro não pode! Sob mil disfarces, mas não pode. Há notícias de que ainda há demanda judicial inacabada com as terras de Palmares. As demandas de Jorge Velho, por mais e mais terra, chegaram à Republica. Não há um único processo, levantado até agora, envolvendo o negro Henrique Dias. Como não há registro de um palmo de terra destinada aos comandantes dos “Batalhões dos Henriques”. Por que? – Por ser negro!

 

Séc. XVIII, alguns dados sobre Chica da Silva – alforriada no pé do altar pôr e para unir-se a João Fernandes. Diziam do Contratador ser mais rico que o Rei de Portugal.

– Chica ficou viúva com muito dinheiro, tinha muita capacidade para ganhar dinheiro, porque não comprou terra? Não comprou porque não podia, não podia por ser negra. De Chica viuva – “negra alforriada não podia casar com seu senhor”; mas sem casar não poderia pertencer à irmandade religiosa dos brancas – Chica pertenceu às três: dos mulatos, dos pretos e dos brancos. Sem casar teria sepultura comum – foi sepultada na Igreja de São Francisco de Assis, em Tijuco, irmandade reservada à elite senhorial branca. O não casamento de Chica poderá ter sido artifício para tomarem-lhe a herança.

PONTINHA, uma ponte pequena? Lá isso não, uai! – OMILAGRE DA TERRA.

– Séc. XVIII, CHICO REI, também alguns dados. De Chico Rei sabe-se, com certeza tinha irmãos e parentes muitos. A história do ouro carregado nos cabelos é enganação, todos os negros tinham cabelo. E os donos das minas, seus capitães, eram o que foram, o que são: Chico Rei também foi sorteado na política da antiga quota, como “cala-a-boca”.

Um endereço, uma História: Há em Minas um lugar chamado PONTINHA, antes um lugar de Diamantina, hoje Município de Pompeu. “Esta pontinha de terra” a Padroeira vendeu a Chico Rei, pelo Padre Moreira. O Padre Moreira fez os documentos como sendo para uns parentes dele (padre) que haviam de chegar de Portugal, e para não ter desconfiança, deu o nome a todos de Fulano, Sicrano, MOREIRA… Antes da queima de Rui “pegou fogo” o cartório onde tinha a escritura dos MOREIRAS…. Dona Mariquinha, viúva dum figuraço, ainda moça, por amancebia entre os Moreiras, tomou-lhes as dores (pelo seu “pedacinho de ébano” diziam as más línguas), arranjou novos documentos, “tudo nos conformes”. E estão lá, para quem quiser ir conhecer. Com o advento do Estatuto da Terra, 1964, pouco tempo depois grileiros contumazes quiseram tomar Pontinha dos Moreiras. Alguns deles foram levados a Brasília… um outro padre, falavam do Dep. Monsenhor Arruda Câmara, de Pernambuco, os socorreu. Ainda apareceram falsas escrituras, noticiou-se muito este fato…. Estão lá os Moreiras, pé na Terra.

Séc. XX # XXI, Pelé pôde ter o dinheiro que teve; pôde ser o que foi (embaixador do café, plenipotenciário, Ministro de Estado) pôde ter até banco, (sistema financeiro), não pôde ter terra.

Que se aponte um negro, em qualquer lugar do Brasil candidato a um outro “Rei da Soja”, com léguas e léguas de terra, metendo a mão no Banco do Brasil – pode ser de jogador de futebol a ganhador de loteria.

Na região do São Francisco, onde restou o maior número de lugares habitados por negros, (dos fugidos aos libertos), em todo o vale das culturas irrigadas, com todo o conjunto de obras feitas com dinheiro público, de cunho Estado, a população negra, que não perdera a terra, está sem poder usar água, neste tempo de duas décadas, a mais.

 

André Pêssego, Berimbau Brasil – SP/SP

 

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

O Trabalhador da Capoeira

Capoeira por muito tempo foi sinônimo de vagabundagem, desocupação, malandragem, mal vista pela sociedade e tida como ameaça à moral e aos bons costumes. O poder sempre viu a capoeira como perigosa inimiga, capaz de desestabilizar a ordem política e social. Daí os capoeiras serem chamados de “desordeiros” e “vadios”, dentre outros adjetivos não menos pejorativos.

Mas o tempo foi passando e a capoeira pouco a pouco foi ganhando mais respeito e espaço na sociedade, graças ao trabalho de tantos mestres e capoeiristas que se dedicaram de corpo e alma, lutando pelo reconhecimento dessa manifestação da cultura afro-brasileira, que hoje é tida como um importante instrumento de educação em todo o mundo.

Escolas e academias de capoeira espalham-se por toda parte e esse fenômeno social da contemporaneidade é responsável por uma atividade profissional que cresce a cada dia, gerando cada vez mais empregos e oportunidades de trabalho para um grande número de pessoas envolvidas direta ou indiretamente na prática da capoeira.

Há muito se luta no Congresso Nacional Brasileiro pelo reconhecimento da profissão de capoeirista. Muitos projetos já foram discutidos, inclusive um deles muito polêmico por sinal, oriundo do Conselho Federal de Educação Física, que previa que o mestre ou professor de capoeira deveria obrigatoriamente ser diplomado por um curso superior de Educação Física.

Mais um ataque sofrido pela capoeira e pelos saberes populares em geral, que de tempos em tempos são perseguidos pelos representantes do poder que insistem em enquadrar, controlar, fiscalizar, pressionar, enfim, desqualificar uma prática tradicional que possui outra lógica, outro sistema de valores, outras formas de transmissão dos saberes, muito diferente dessa lógica capitalista que tudo quer controlar e dominar.

Um mestre ou um professor de capoeira, principalmente nos tempos atuais, deve sim preocupar-se em estar constantemente reciclando seus conhecimentos e qualificando-se continuamente para poder melhorar suas aulas e, consequentemente, atender melhor a seus alunos. Ele deve possuir conhecimentos da história do Brasil, da escravidão e das lutas sociais. Deve ter noções de música e psicologia, e também saber orientar as atividades físicas no que diz respeito a não colocar seus alunos em risco.

Mas para isso ele não precisa, obrigatoriamente, fazer uma faculdade de educação física Esses conhecimentos podem muito bem ser garantidos através da criação de cursos específicos, de curta duração, voltados para esse público, financiados pelo governo, no sentido de garantir a mestres e professores de capoeira uma formação integral e continuada. Mas exigir o diploma de educação física para o profissional de capoeira, já passa por uma intenção no mínimo espúria, por parte do Conselho Federal da área, de se criar reserva de mercado entre os profissionais de educação física. Somos totalmente contrários a essa iniciativa !

A capoeira deixou de ser sinônimo de vagabundagem. O trabalhador da capoeira é hoje o mestre, contra-mestre, trenel ou professor responsável pelo processo de ensino aprendizagem dessa arte-luta, em escolas, academias, centros comunitários, clubes, condomínios, etc… Ele deve ter sua profissão reconhecida e devidamente registrada no Ministério do Trabalho, com direito a todos os benefícios sociais de qualquer outra atividade profissional no Brasil.  Sem falar na obrigatoriedade de uma aposentadoria especial para os velhos mestres, coisa que há muito tempo já deveria ter sido garantida. Portanto camaradas, vamos à luta !!!

 

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.

Capoeira: o segredo da elasticidade do herói Jefferson

Rio – Foi com a elasticidade de um gato que o goleiro Jefferson defendeu o pênalti de Adriano e se transformou no herói do título carioca do Botafogo. Antes disso, já havia defendido duas penalidades contra o Santa Cruz, na Copa do Brasil. Agilidade e reflexo que o camisa 1 de 1,88m e 80kg muito bem distribuídos aprendeu ainda quando era um moleque nas rodas de capoeira de São Vicente (SP), onde nasceu.

Para conferir se o goleirão tem mesmo a capoeira no sangue, o ‘Ataque’ convidou o jogador para um desafio: participar de uma roda no Aterro do Flamengo com os mestres Burguês, Abano e Corumbá, do Grupo Muzenza de Capoeira (www.muzenza.com.br). E Jefferson não fez feio. Gingou, mostrou intimidade com o berimbau e o pandeiro e deixou claro que tem a capoeira no sangue de verdade.

“Eu tinha um primo que era mestre, era um negão, bem grandão. Todo dia à noite a gente fazia a roda. Desde os sete anos jogo capoeira”, revelou o goleiro, que roubou a cena ao fazer várias acrobacias na roda e trocar o semblante sempre sério do futebol por um largo sorriso no rosto.

Entre uma ginga e outra, Jefferson contou como a capoeira o ajudou no dia a dia da vida de goleiro. “A capoeira traz muita elasticidade. Tem que ter velocidade, agilidade nos movimentos, principalmente a gente que é goleiro, ali atrás”, explicou o camisa 1. “Até na hora do pênalti, na defesa, a capoeira vem me ajudando bastante”, enfatizou.

Apesar da ajuda extra, Jefferson lamenta ter abandonado as rodas nos últimos anos. “É uma pena que hoje não tenho tempo para participar das rodas. Mas a capoeira está no meu sangue, não é um esporte violento. É mais a dança, a elegância dos movimentos”.

Fruto da cultura popular da raça negra, Jefferson encontrou na capoeira um pouco das origens do seu povo. Origens das quais se orgulha muito, principalmente por ser um dos poucos goleiros negros que atuam no futebol brasileiro.

“Fico muito feliz com isso. O Brasil não tem muitos goleiro negros e é importante acabar com o racismo, com o preconceito”, ensina Jefferson. “Quem tem talento tem que permanecer e, graças a Deus, o Botafogo sempre abriu as portas para os negros”, ressalta.

 

Fonte: http://odia.terra.com.br

Abril pra Angola

APRESENTAÇÃO  

A Associação Cultural de Capoeira Badauê  apresenta aqui a vontade coletiva de organizar um momento de intensa vivência da capoeira angola e suas raízes: o Abril pra Angola. Em sua terceira edição o Abril pra Angola configura-se num evento que ganha cada vez mais destaque nacional e internacional, aprimorando sua abordagem nesta manifestação cultural afro-brasileira que representa uma vivência em forma de dança, arte, luta, jogo e ritual.

JUSTIFICATIVA

A Capoeira Angola no Estado do Ceará está em processo de construção de sua identidade.  Apesar de ter desenvolvido um campo de ações importante e de já ter obtido projeção internacional, no Estado do Ceará a capoeira angola ainda pode ser considerada nova e pouco representada nos eventos que ocorrem aqui. O Ceará se ressente da oportunidade de um encontro de estudo e fomentação de um público novo a fim de se tornar referência enquanto centro de formação  de CAPOEIRA ANGOLA. Além disso, o evento é motivado pela criação de um momento de intensa vivência da capoeira angola e suas raízes ancestrais. Ora sabemos que a capoeira angola oferece a possibilidade do individuo que a exercita reconhecer as suas raízes e a importância da cultura africana para a formação e construção das práticas cotidianas. Essa afirmação da origem e da cosmovisão africanas faz muita falta no Ceará onde ainda impera a falsa idéia de não haver negros nem raízes africanas relevantes. Assim, um encontro como o nosso permite fortalecer nos praticantes de capoeira angola um senso de ancestralidade e pertencimento étnico de valorização e reconhecimento das africanidades.

OBJETIVO GERAL

– Promover um momento de intenso estudo e vivência da prática de capoeira angola e sua ancestralidade africana.

Homenagem: O céu esta mais cheio de Luz!

O céu esta mais cheio de Luz!
(por Robson de Almeida, formado Leopardo)
Cheguei as 5h da manhã. Estava fotografando uma festa de Debutante, na Faria Lima, em SP.

O cansaço me consumia e em pouquíssimos minutos já estava em um sono profundo.

As 11h24 acordo com o toque do meu celular. Assustado, olhei no visor e vi que era uma ligação da Marinheira, grande amiga e irmã de capoeira.

Há aproximadamente dez dias o Mestre Carapau, meu primeiro Mestre de Capoeira, a quem devo boa parte da minha jornada como praticante desta arte, teve um agravamento muito forte de sua saúde. Afligido pela Diabetes e com os dois rins sem funcionar, além de diversas outras enfermidades e circunstâncias adversas, o Mestre Carapau foi internado e entrou em coma. Passados alguns dias ele saiu do coma por si só, porém teve que ser induzido novamente para que pudesse dar continuidade ao tratamento necessário.

Mediante a situação em que se encontrava, os temores de uma notícia pior começaram a rondar a todos. Uma onda de fé e energia positiva tomou conta daqueles que o conheciam, mas não se pode negar que um sinal de alerta passou a rondar nossas vidas.

Enfim, foi hoje, ao receber o telefonema da Marinheira, que soube da triste notícia. Mestre Carapau partira, por conta de uma parada cardíaca e de morte cerebral.

Nosso Mestre Maior, “um grande capoeira”, se foi na madrugada do dia 12 para o dia 13 de março de 2010.

José Paulo Dias Carapau, Mestre Carapau como era conhecido, nasceu em 12 de fevereiro de 1948, só sendo registrado no mesmo dia de 1951, na cidade de Porto Ferreira, SP.

Iniciou sua vida nos esportes com seis anos de idade, treinando Judô, arte na qual seguiu até a faixa preta, segundo dan, e leciou no período de 1965 a 1970. Um aluno de Judô, o “baianinho”, capoeirista discipulo do mestre Traíra, o apresentou a capoeira, e foi ai que tudo começou.

Mestre Carapau iniciou suas aulas de capoeira com Antônio Gonçalves de Mello, o Mestre Mello, em Porto Ferreira mesmo, e foi lá que treinou, ajudou o Mestre Mello a dar aulas, se formou e, em 5 de abril de 1975 fundou o Grupo de Capoeira Angolinha.

Em 28 de fevereiro de 1980, o Mestre Carapau fundou a Academia Sindicato dos Eletricitários, em São Paulo.

Mestre Carapau foi um dos precursores da Capoeira no ABC Paulista. Foi secretário e Presidente do Conselho Fiscal da Federação Paulista de Capoeira. Criou normas, regulou campeonatos, festivais e representou a capoeira paulista, assim como a do Grupo Angolinha de Capoeira, em diversas oportunidades, sempre com vigor, astúcia e determinação.

Mestre Carapau é um daqueles homens que não mediu esforços para ver um sonho de honestidade e honra ser realizado. Muitas vezes tirou da própria família para ajudar irmãos de capoeira. Em outras foi duro, rígido, porém consciente de que aquele era o caminho necessário para que o respeito fosse a pedra fundamental de um sonho que nasceu com seu Mestre, o Mestre Mello, mas que se tornou sua luta, seu objetivo de vida.

Mestre Carapau é um daqueles homens que merecem ter ladainhos contando suas paripécias, ter homenagens em títulos de eventos, ter seu nome resguardado como tantos já passados pela história dessa arte libertadora.

Mestre Carapau é como um ícone na Capoeira. Triste daquele que não sabe de sua idônea história. Feliz daquele que teve o prazer de conhecer um homem de tamanha luz, um verdadeiro guerreiro.

A comunidade capoeira, em especial o Grupo Angolinha e principalmente a Assossiação de Capoeira Angolinha – Rudge Ramos, chora sua ida, porém tem o orgulho de dizer que em nossa luta houve um guerreiro de tamanha sabedoria e coragem, um homem-mito, que fez história e agora será uma lenda.

Salve Mestre Carapau. Que em sua nova morada o senhor tenha a oportunidade de rever e reviver momentos memoráveis de sua vida, encontrar certos “mandioquinhas” e proliferar seus “ditos pirulitus”.

“Eu até chorei, quando vieram me avisar…..”

Fonte: http://cidadaoeu.blogspot.com/2010/03/obrigado-mestre.html

MinC quer TVs como forma de distribuir produção regional

O Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SID/MinC), Américo Córdula, manifesta desconforto com a concentração de controle midiático por poucos grupos. Segundo ele, a mídia no País está na mão de “cinco famílias” que não colaboram na divulgação da cultura local.

No 1° Encontro Internacional da Diversidade Cultural em Salvador, ele manifestou preocupação com a política de concessões das TVs, dizendo que é um “problema para o qual o governo ainda não encontrou caminhos”. Apesar de ser a favor das cotas de exibição de filmes nacionais, afirma que o Ministério da Cultura, quando tentou adotar políticas semelhantes, encontrou pelo caminho a força dos lobbys dos grupos midiáticos.

Confira a entrevista de Córdula ao Terra:

“A principal reivindicação dos movimentos pela diversidade cultural é uma ruptura com a ideia de mercantilização da cultura, inclusive com a defesa da exibição de produções nacionais com cotas de telas. Como o senhor vê isso?
A questão das cotas de tela é importante para regulação. Se deixamos em aberto, ninguém se preocupa em mostrar a nossa produção. A cota é uma forma de regulação, de mostrar nossa produção. Quando a França começou esta discussão nos anos 1970 era justamente para evitar o que existe hoje, 95% das salas de cinema exibem a indústria norte-americana.

Isso não segue a lógica de mercado, a procura do público não seria esta?
Se você não tiver espaço para exibir a cultura nacional você vai consumir o que as “majors” (grandes corporações) querem para o mundo. O desastre é que esta produção não traz apenas entretenimento, mas também a cultura, a roupa, o relógio, os bens de consumo, e você acaba perdendo a identidade local. O que nós temos que fazer é equilibrar isso, por isso as cotas. Elas passam a ser importantes porque o mercado não tem o menor interesse ou preocupação em veicular o conteúdo nacional. A grande discussão é esta, quando vamos regular o conteúdo, a regionalização da produção, a questão das rádios e TVs comunitárias, as concessões do uso da TV, que é outro problema que o governo federal ainda não conseguiu apontar caminhos.

Qual seriam estes caminhos, na sua opinião?
Não adianta fazer um esforço na produção da cultura se o principal meio de divulgação da cultura são os meios de comunicação. Temos que trabalhar junto, estamos trabalhando na proteção das diversidades culturais mas a gente não tem o canal de divulgação da cultura. Não se trata de reserva, mas de abrir espaços para poder distribuir nossos conteúdos.

As pessoas querem consumir mais cultura brasileira, querem ver filmes nacionais, por exemplo?
Querem consumir, claro. Se você der espaço e mostrar e formar, as pessoas vão. Mas se não tem possibilidade de acesso. Por exemplo, temos dentro do Minc uma política para games brasileiros, porque você vê hoje todo jovem com seu joguinho, mas não tem jogos nacionais, então estamos fomentando. Não tem a escala que deveria ter, mas a partir do momento em que trouxermos os temas da cultura brasileira para os games, como a capoeira, que são tão excitantes quanto os blockbusters dos jogos…

E agora uma grande produção nacional sobre capoeira.
Exato, estamos lançando o Besouro, com a mesma tecnologia de Matrix e quetais. Quer dizer, temos condição de fazer, não precisamos consumir só de fora. Estamos de igual para igual. Com a democratização dos recursos podemos produzir em qualquer lugar do mundo. A Índia está aí de prova. Por que eles podem ter uma Bollywood e nós não?

Não é uma contradição o Brasil estabelecer cotas para games e produções enquanto luta por abertura para vender os seus produtos em outros mercados?
Não propomos ainda cotas, não há nenhuma ação. Estamos discutindo a democratização de conteúdos. Tentamos fazer isso no começo da gestão do Gilberto Gil, mas as cinco famílias que controlam a mídia conseguiram derrubar isso com seus lobbys. Não existe nada relacionado a cotas ainda. Eu acho importante para regulação, mas não há ainda nenhuma política de cotas em relação ao audiovisual.

O senhor falou que as concessões precisam ser revistas, mas como?
Precisamos dos meios de comunicação para chegar ao público e chegar ao público. Seria importante ter uma política de estímulo à produção local. Se você mora no Rio ou em São Paulo não vê uma produção do Amapá, do Pará. A gente precisa, de fato, saber em que medida podemos explorar isso. A discussão é esta, de que TV queremos ver. Dar a oportunidade de ver que estamos fazendo bons produtos que podem ser assimilados. Precisamos criar repertório, acabamos vendo mais do mesmo. Temos que ter esta preocupação. Ter uma indústria de animação. Temos muito filmes sem salas para que eles passem. Temos que criar uma forma de nos livrar de uns poucos grupos que controlam a produção e distribuição de cultura.

Se for o governo controlando, tudo bem?
Não, acho que se você colocar a mídia na mão de cinco, tá errado também. Você deixa de fora uma produção enorme. Mas também não podemos ficar à mercê dos grupos porque isso não funciona. Você está colocando produtos que trazem sempre um retorno financeiro para estes grupos e deixa de fora conteúdos.

Como fica a lógica de mercado?
A diversidade hoje é a palavra de ordem do momento. O refrigerante mais vendido do mundo ganha milhões se vendendo como a bebida da diversidade cultural. Ele se apropria de um conceito. Não é isso, diversidade cultural é consumir suas bebidas locais.

(O repórter viajou a convite da produção do 1° Encontro Internacional da Diversidade Cultural).

 

Fonte: http://diversao.terra.com.br/