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Janeiro 2008

Vendo Artigos de: Janeiro , 2008

Rio Grande do Sul: Capoeira foi tema do Patrulha Ambiental Mirim

Integrando as atividades do projeto, as ações do Patrulha Ambiental Mirim foram desenvolvidas na tarde de ontem com idosos e crianças. Eles receberam noções teóricas e práticas sobre capoeira da equipe da Associação de Capoeira Zumbi dos Palmares.

Os participantes aprenderam sobre a capoeira, a música e os instrumentos – berimbau, pandeiro, agogô, atabaque – bem como sobre a cultura geral. As atividades envolveram palestras, jogos, aulas práticas e teóricas de integração de grupo e fabricação de berimbaus.

O coordenador da Associação de Capoeira, Cláudio Pereira Oliveira, conhecido como Mestre Saci, disse que trabalha há 10 anos com projetos ligados à capoeira. O Mestre desenvolve também o Projeto Capoeira em Cena, com crianças do Bairro Getúlio Vargas objetivando a integração social, melhorando a auto estima dos pequenos.


A capoeira é um esporte que trabalha corpo e mente.

"Os praticantes aprendem a controlar o próprio corpo", diz o mestre Saci. "A idéia de realizar o projeto surgiu da necessidade de preservar a cultura da capoeira no Brasil que estava sendo deixada de lado", explica ele. É a primeira vez que o Mestre participa do Patrulha Ambiental Mirim e considera uma "experiência maravilhosa mostrar para esses idosos e acrianças o que é a capoeira de verdade", finaliza.

O Projeto Patrulha Ambiental Mirim é da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) e tem a colaboração da Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social (SMCAS), através do Programa Municipal de Apoio ao Idoso. As atividades são desenvolvidas todas segundas e sextas-feiras, na rua Maria Araújo, 470, no Cassino.

Fonte: http://www.jornalagora.com.br

Paraná: Crianças se encantam com capoeira no Viva o Verão

Entre as diversas atividades artísticas, culturais e esportivas da programação da Paraná Esporte no Viva o Verão, a aula de capoeira, todas às terças, quintas-feiras e aos sábados, na arena em Caiobá, tem chamado a atenção do público, principalmente o infantil.

Alguns participantes estão presentes nas aulas de capoeira desde o início de janeiro e já pensam freqüentar uma academia, ao retornar das férias. Este é o plano de Patrícia Beatriz, de 7 anos e que se diz muito feliz por ter conhecido a capoeira. “Nunca imaginei que era fácil e que exige da gente concentração e persistência para gingar o corpo conforme o ritmo da música”, disse.

O professor de educação física e capoeirista Adegmar José da Silva, conhecido como Candieiro, participa do Viva o Verão pela primeira vez e afirma estar satisfeito com os resultados obtidos das aulas de capoeira, implantadas este ano nas ações do Viva o Verão.

“A capoeira é mais que uma luta marcial, é uma arte que engloba várias artes como a música, a dança, o canto, construção de instrumentos musicais, história, cultura etc.”, destaca o Candieiro.

“A Paraná Esporte, através do seu diretor-presidente, Ricardo Gomyde e toda a equipe, está de parabéns pela implantação da capoeira na programação do Viva o Verão, pois tem sido um sucesso junto ao público e uma forma de quebrar o preconceito que existe por parte de algumas pessoas”, enfatiza Candieiro.

MEIO AMBIENTE – “Não jogue lixo nas praias, jogue capoeira”, este é o slogan da campanha de conscientização ambiental do Centro Cultural Humaitá, em parceria com o IAP (Instituto Ambiental do Paraná), no projeto Viva o Verão.

A ação tem o objetivo conscientizar as pessoas da necessidade em preservar e cuidar do meio ambiente. Dia 3 de fevereiro, a partir das 9 horas da manhã, na frente do palco em Caiobá, haverá uma conversa sobre conscientização ambiental e um aulão de capoeira com grupos do litoral, Curitiba e região metropolitana. Após isso, sairá um mutirão para recolher lixo em toda a orla, de Matinhos a Caiobá”.

“A idéia é repetir esse aulão e mutirão todos os anos, no mês de fevereiro. Queremos que isso tenha um efeito multiplicador e se estenda para as outras praias”, espera o professor Candieiro.

O evento estima reunir aproximadamente 300 pessoas e contará também com a presença de mestres da velha-guarda da capoeira paranaense como Sergipe, Kuntakinté da Bahia, Bacicco, Kuinkas e Pitón.

Fonte: Agência Estadual de Notícias – Curitiba – BR
http://www.aenoticias.pr.gov.br

Bahia: Salvador sedia Encontro Internacional de Capoeira

Berço cultural da capoeira, Salvador sedia entre os dias 28 e 31 de janeiro, nas principais praças do Pelourinho, o IV Encontro Internacional de Capoeira – o Ginga Mundo. O evento, patrocinado pela Petrobras e organizado pelo projeto Mandinga – Associação Integrada de Educação, Artes e Esportes, reunirá representantes de vários países do mundo e já é considerado um divisor de águas na história dessa manifestação cultural. O encontro começa no Forte de Santo Antonio, dia 28, às 9h, com um café da manhã, e contará com a presença de autoridades do governo, mestres da capoeira, orquestra de berimbaus e representantes internacionais. Segundo o coordenador do Encontro, Jair Oliveira de Faria Júnior (mestre Sabiá), o evento vem fortalecendo os segmentos diferentes da capoeira, além de divulgar mais intensamente a arte no Brasil, uma vez que já ganhou reconhecimento internacional. "Já conseguimos um efeito multiplicador e o encontro será em abril na Bélgica", informa Sabiá. Um dos destaques do evento mais uma vez será o mestre de capoeira João Grande, que já conquistou o título de doutor honoris causa em Nova York pela divulgação da capoeira naquele país.

Mais de 163 países, segundo Sabiá, já desenvolvem estudos sobre a capoeira, principalmente nas universidades. Representantes do Japão, Rússia, Canadá, Suiça, Suécia, Inglaterra, Estados Unidos, entre outros países, e capoeiristas de diversos estados brasileiros, estarão se apresentando nos palcos e praças do Pelourinho. Manifestação afro-brasileira, desenvolvida por africanos escravos que viveram no Brasil, a capoeira está ajudando também a revitalizar outras lutas e danças africanas, a exemplo da Bassula – uma luta originária da Ilha de Luanda – e do moringue – luta inspirada na briga de galo e desenvolvida pelos africanos que trabalhavam nos canaviais. “O moringue estava esquecido na Ilha de Madagascar e de Reunion, mas a conquista de espaço alcançado pela capoeira ajudou a revitalizar essas e outras manifestações culturais africanas, que serão apresentadas também nesse evento”, diz Sabiá.

Estarão presentes também em Salvador os capoeiristas Lua Rasta, Cobra Mansa, Boca Rica, Neneu, Capixaba, entre outros. Uma homenagem será prestada aos capoeiristas João Grande e João Pequeno pela contribuição e serviços prestados à arte da capoeira. Serão apresentadas também as manifestações intituladas Ladja e Belé (da Martinica). O Brasil estará representado pelos grupos Berimbraw, Ganhadeiras de Itapuã, Samba de Lata, Samba Pandeiro e Viola, Maculelê de Santo Amaro, Frevo e Filhos de Gandhy. Ao longo do evento serão realizados palestras e seminários sobre a capoeira, sua história, importância cultural, social e econômica, levando em conta sua abrangência no Brasil e no mundo. Cada oficina terá a participação de aproximadamente 400 pessoas. No dia 31 será realizado o encerramento, que contará com a participação do Bando de Lua Rasta e o Afoxé Filhos de Gandhy. | O Mestre Sabiá atende pelo telefone (71) 9984-1278.

Fonte: Revista Fator – São Paulo – BR
http://www.revistafator.com.br

Bahia: Apesar de homenagem, capoeira tem pouco apoio

O tema escolhido para o Carnaval pela Prefeitura de Salvador este ano – Capoeira é ginga de corpo – homenageia a luta-esporte que colocou o Brasil no mapa das artes marciais mundiais. Tão tradicional como o próprio traje da baiana, entretanto, a capoeiragem, no restante do ano, não é a prioridade nas esferas culturais do poder público, seja municipal, estadual ou federal.

Oportunamente, para homenageá-la, uma roda com 1.500 integrantes está programada para a noite de quinta-feira de Carnaval no Pelourinho, contando com a presença de músicos do grupo mineiro Berimbrown. Outros eventos também estão marcados dentro do projeto Capoeira Ginga Mundo, entre os dias 28 e 31 de janeiro, no Pelourinho. O evento é produzido há quatro anos pela Associação Integrada de Educação, Artes e Esportes. Este ano, conta com o patrocínio da Petrobras e os apoios da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Estadual de Cultura (Secult) – a coincidência do evento com o Carnaval foi a sopa no mel para as instituições.

Mas, fora estas coligações culturais de última hora, haverá um comprometimento mais sério com esta arte-luta ligada à resistência, ou tudo não passa de especulação afrocultural? Do ponto de vista do apoio nas esferas federal, estadual e municipal, pode-se dizer que a “farinha” ainda é pouca. Na Secult, não há nada específico para a luta nos programas de incentivo.

Fazcultura – Pelo Programa FazCultura, o único contemplado este ano foi o Grupo de Capoeira Dois Antônios, da Feira de Santana, que pretende implantar oito núcleos de capoeira em distritos e bairros da sua cidade de origem. A principal referência da cena capoeirana baiana é o Forte de Santo Antônio, que abriga cinco dos principais mestres na capoeira baiana. Após a reforma da fortificação, inaugurada pelo governo Paulo Souto em 2006, o espaço passou a ser referência.

Os baluartes da arte ali sediada são a academia de mestre João Pequeno de Pastinha (o grande homenageado do ano, pelos seus 90 anos); a Escola de Capoeira Filhos de mestre Bimba, dirigida por seu filho, mestre Nenel; a Oficina de Ladainhas e Corridos, com mestre Waldemar da Paixão; o Terreiro de Mandinga, com mestre Ezequiel; e o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho, de mestre Morais.

Cordeiros – Por sinal, Morais vê com ceticismo a homenagem que se quer prestar à arte-luta afro-brasileira na folia momesca de 2008. “Não é a primeira vez que a capoeira sai no Carnaval. O que falta refletir é de que forma sai. Todo ano, inclusive, saem os capoeiristas cordeiros ou os capoeiristas com caixa de isopor e só sendo capoeirista para transitar sem derrubar a caixa”.

O panorama atual foi discutido em um evento que homenageou os 90 anos de mestre João Pequeno, mês passado. Capoeirista e doutorado em ciências sociais aplicadas à educação pela Unicamp, Pedro Abib relembrou que “a capoeira Angola começou a ser abafada nas últimas décadas e praticamente desapareceria se, nos anos 80, os mestres Morais e João Pequeno não revigorassem a tradição”.

Funceb – A Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) também não tem proposta exclusiva à capoeira. Pela tangente, o seu edital Mestres da Cultura Popular contemplou um grupo de capoeira entre 25 selecionados, (foram 75 grupos ao todo), o Grupo Angola Cativeiro, de Santo Amaro. Cada contemplado ganhou R$ 6 mil para suas ações – 4% para a capoeira.

Por outro lado, explica a presidente da Funceb, Gisele Nussbaumer, a instituição promoverá Cursos Livres de Capoeira na Escola de Dança da Ufba, no Pelourinho. A parceria entre a Funceb e a escola oferece 25 vagas, mas apenas para alunos dos 5 aos 17 anos, com aulas gratuitas a serem ministradas pelos mestres Zambi e Tamarindo. Informações: 71-3322-5350.

Fonte: A Tarde On Line – Salvador, BR – http://www.atarde.com.br

Bahia: Golpes da boa malandragem

Evento realizado no Pelourinho tenta resgatar os macetes e trejeitos típicos da capoeira angola

A história da capoeira angola é tema do evento Linguagem da Malandragem iniciado ontem, no Pelourinho. O encontro, promovido pela Escola de Capoeira Angola Irmãos Gêmeos de mestre Curió, inclui oficinas programadas até quarta-feira, sempre nos mesmos horários – das 10h às 12h, e das 14h às 16h, na sede da escola, na Rua Gregório de Mattos. Com intuito de mostrar a importância da arte, mestres baianos renomados realizam, na quinta-feira, às 18h, uma mesa-redonda para uma discussão, que tem como alvo a forma mais tradicional da arte, que mistura luta e dança.

Integrante da mesa de discussões, mestre Curió, que dá nome à escola, afirma que encontros parecidos foram promovidos outras 19 vezes, sempre com o objetivo de resgatar os valores e a tradição da capoeira angola. “Aquela boa malandragem na capoeira já não é mais vista hoje em dia”, diz o mestre. Segundo Curió, a arte de raíz africana está quase desaparecendo. “Não vamos permitir que ela caia no esquecimento. Afinal, a capoeira está na nossa história e é parte do nosso passado”, lembrou Curió.

Aluna de Curió, a mestra Jararaca considera muito importante a realização de um evento deste porte. “Os macetes, os trejeitos, a verdadeira malandragem da capoeira angola está sendo esquecida”, avalia a seguidora da arte. De acordo com o atual gestor do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) e administrador do Forte de Santo Antônio, Magno Neto, o novo projeto de gestão prevê a valorização de ações educativas, socais e culturais. “Planejamos desenvolver eventos das mais diversas linguagens e manifestações culturais e artísticas”, enfatizou Neto.

A programação continua na sexta-feira, às 18h, quando será celebrada uma missa na Igreja de São Francisco. Às 19h, os participantes farão rodas de capoeira, no Forte de Santo Antônio. No sábado, o evento será encerrado com a realização do tradicional caruru, a partir das 14h. Interessados em participar da programação devem se inscrever no local e obter mais detalhes através do telefone: 3321-0396. Outras informações sobre o Forte de Santo Antônio são através dos telefones 3117-1488 e 3117-1492, do e-mail fortesantoantonio@ipac.ba.gov.br ou pelo blog http://fortesantoantonio.blogspot.com.

Programação do evento

Hoje e amanhã: Oficinas de capoeira – das 10h às 12h e das 14h às 16h, na Escola de Mestre Curió, no Pelourinho.
Quinta-feira, às 18h, será realizada uma mesa-redonda com o tema Capoeira angola: Linguagem da malandragem.
Sexta-feira, às 19h, missa na Igreja de São Francisco, seguida de rodas de capoeira no Forte de Santo Antônio.
Sábado, às 14h, o evento será encerrado, com a realização do tradicional caruru, também no Forte de Santo Antônio.

Fonte: Correio da Bahia – Salvador, Brasil – http://www.correiodabahia.com.br

Rio Preto: Velhice com ginga e saúde

Idosos provam pela capoeira que faltam limites para o corpo humano de quem exercita a mente; prática reduz consumo de medicamentos e incidência de doenças

Com uma rasteira, os sintomas das mais variadas doenças caíram por chão. Ao aplicar uma tesoura, eles cortaram o consumo de remédios em até quatro vezes. Num rabo-de-arraia, eles mostram que elasticidade pode fazer parte da vida de pessoas de todas as idades.

Os idosos que participam do projeto Capoeira Sem Limites dão show de simpatia e alegria, além, claro, de ginga e dança. Não à toa, pois todos sentem efeitos benéficos no tratamento de problemas como diabetes, derrame, dores nas costas, insônia ou cirurgia no coração.

A aposentada Vera Pires, 57 anos, já teve quatro derrames. Ela chegou a consumir 17 comprimidos por turno do dia, ou seja, 51.

Depois que virou capoeirista, ela reduziu a quantidade de remédios para quatro por turno. “Também já emagreci 12 quilos e estou me sentindo uma gatinha”, revela Vera, mostrando também os benefícios para o corpo.

O professor Antônio Marcos da Silva, o Ceará, conta que o projeto segue o modelo Lian Gong, um tipo de ginástica terapêutica chinesa. Além de dar mais confiança aos participantes, os exercícios aumentam a elasticidade, mesmo daqueles que nunca fizeram alongamento na vida.

É o caso do ex-trabalhador braçal José Batista da Costa, 62. Quando entrou na capoeira, ele mal conseguia levantar o braço. Após um ano e meio, Batista faz coisas que até então considerava impossíveis.

“Agora minha mulher não precisa nem mesmo lavar as minhas costas”, conta em tom de brincadeira.

O grupo de 11 pessoas que treina na Policlínica Santo Antônio em Rio Preto tem idade entre 44 e 74 anos. A mais “vovó” da turma, Maria Lopes, 74, já passou por cirurgia da carótida, teve derrame e passou 15 dias em coma. Logo depois que se recuperou, ela entrou no projeto e hoje é uma das mais alegres participantes.

De mudança para Campinas, dona Maria não se vê mais fora de uma roda. “Terei de procurar algum lugar para praticar capoeira por lá também”, decreta.

O projeto também contribui com a resolução de outro problema da terceira idade: a socialização depois da aposentadoria. “Às vezes cuidamos só dos netos e não de nós mesmos. Aqui, somos amigos até demais, como em uma segunda família”, conta dona Maria.

Projeto da prefeitura existe há dois anos
O projeto Capoeira Sem Limites faz parte do programa Saúde em Movimento, desenvolvido pela Prefeitura de Rio Preto desde 2000. O objetivo é controlar doenças na terceira idade pela atividade física.

Segundo o coordenador do programa, Antônio Caldeira, são mais de 50 grupos na cidade, que buscam reduzir o consumo de medicamentos através de tipos de ginática terapêutica.

Ele conta que outras prefeituras estão desenvolvendo a mesma experiência. “Temos de envolver usuários do SUS para que se responsabilizem pela própria saúde. Quem depende só do médico não se aplica.”

‘A capoeira mudou minha vida’

• Isaura Pereira, 52
Isaura Pereira conviveu com a epilepsia por cinco anos. Nos piores momentos, ela chegou a ter 15 crises por dia, quase uma por hora em que passava acordada. Sem encontrar solução, Isaura chegou a entrar em depressão. Desde que entrou na capoeira, ela não toma mais remédios ou sofre alguma crise

• Marlene Miranda, 44

A mais nova do grupo da Policlínica do Santo Antônio sofreu a vida toda com insônia. Sem conseguir solução em qualquer outra terapia, Marlene entrou na capoeira e em outros grupos do tipo Lian Gong, os quais pratica quatro vezes por semana. Hoje ela dorme melhor e mais rapidamente

• Vera Pires, 57
Vera Pires já sofreu quatro derrames, problema que a obrigou a tomar 17 comprimidos em cada turno do dia. Dos 51 que tomava, ela passou a consumir apenas 12 após entrar no projeto Capoeira Sem Limites. A auto-estima de Vera também aumentou, já que ela perdeu 12 quilos

• Dalva da Silva, 45
Dalva da Silva sofreu com dores nas costas e pressão baixa por oito anos. Ela tentou acupuntura e fisioterapia, sem sucesso. Ao entrar na capoeira, a dor passou. Ela parou e a dor voltou. Hoje, ela está no grupo e não pretende sair

Fonte: Bom Dia Rio Preto – http://www.bomdiariopreto.com.br

São Paulo: Da dança à luta: a história da arte que veio da África

João das Neves dirige oito atores negros no musical Besouro Cordão-de-Ouro, que narra o nascimento da potente capoeira

Apresentado no Festival de Teatro de Curitiba, ano passado, o musical Besouro Cordão-de-Ouro deixou o público siderado. Até duas senhoras desavisadas, que baixinho comentavam seu estranhamento no início, acabaram tomadas pela beleza das canções e pela força das interpretações – silenciaram. Ao final, aplaudiam calorosamente, emocionadas, surpresas. E não era para menos.

Dirigido por João das Neves, com texto do compositor, e poeta, Paulo César Pinheiro, autor de dez canções inéditas para a peça, oito atores talentosos e afinados, todos negros, e uma ambientação cenográfica, de Ney Madeira, que leva o espectador para ‘dentro’ da história, trata-se de um espetáculo original e envolvente, de qualidade ímpar. Depois de ter cumprido temporada no Rio – onde está indicado ao Prêmios Shell de direção, música e cenário – e passado por cidades como Brasília, Fortaleza e Belo Horizonte, estréia amanhã no Sesc Pompéia.

Besouro é o apelido de Manuel Henrique Pereira (1897 -1924), considerado o maior capoeirista de todos os tempos. Mas ao contrário de tantos outros musicais biográficos, esse passa ao largo daquela estrutura cronológica focada na vida pessoal do protagonista. Ainda que possamos acompanhar os passos dessa figura de impressionante dignidade, ao autor interessa sobretudo sua dimensão mítica. O espetáculo enfoca a luta pela afirmação da cultura africana em terras brasileiras, submetida, perseguida, mas tão potente que se recicla, miscigena, e mais do que resiste, floresce nesse atrito secular.

Ao longo do musical, é possível perceber como a capoeira brota dos rituais religiosos, por exemplo, como variação da dança sagrada de um orixá. ‘Há muito do candomblé na capoeira, mas o caminho inverso, entre luta e ritual, também se deu’, observa João das Neves. Há uma frase, na peça, que sintetiza essa transformação: ‘a capoeira foi concebida na África, mas nasceu no Brasil’. Por meio das narrativas da tradição oral – retrabalhadas poeticamente por Paulo César Pinheiro – o espectador entra em sintonia lúdica não só a mitologia africana, mas também com apropriações já dela feita pela arte brasileira, como na história do reino de Aruanda e da luta do santo guerreiro São Jorge contra o dragão da maldade.

Depois de se envolver numa cena curta fora da área de representação, o público acompanha o musical acomodado sobre almofadas colocadas em grandes cestos de vime em torno do círculo central de representação, mas os atores caminham por todo o ambiente. Pelas paredes, os mesmos versos cantados ou falados na peça. ‘É uma homenagem ao poeta Gentileza que escreve seus versos nos pilares de viadutos e muros no Rio.’

Projeto acalentado, e preparado durante longo tempo por Paulo César Pinheiro (leia na página ao lado), esse musical certamente ganhou muito com a direção de João das Neves, convidado pelo compositor. Dá para perceber no espetáculo também uma síntese de facetas desse homem de teatro – música, contação de histórias e arte politizada -, nascido no Rio, autor da peça O Último Carro, que iniciou sua carreira na década de 60 dirigindo os famosos shows do Teatro Opinião.

S
erviço

Besouro Cordão-de-Ouro. 90 min. Livre. Sesc Pompéia . Rua Clélia, 93, 3871-7700. 6.ª e sáb., 21h30; dom., 18h30. R$ 16

Fonte: http://txt.estado.com.br

Entrevista Mestre Espirro Mirim

 

Mestre Espirro Mirim em entrevista exclusiva ao Portal Capoeira realizada em Lisboa durante o 10º Festival Internacional de Capoeira do Grupo Alto Astral (Contra-mestre Marco Antonio).

Para ouvir a entrevista com o

      Mestre Espirro Mirim

 

Histórico:

Mestre Espirro Mirim começou a capoeira, em Outubro de 1979, com Mestre Everaldo, com o apelido de “Mirim” somente. Em 1981 foi escolhido pela imprensa esportiva o melhor capoeirista daquele ano, a sua primeira formatura foi em 1984 em Fortaleza. No mesmo ano viaja para São Paulo e em 1985 integra-se ao Grupo Cordão de Ouro, onde o Mestre Suassuna lhe apelida de “Espirro”, para não fugir de suas origens une os dois apelidos “Espirro Mirim”

 

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Mestre Espirro Mirim – Lisboa 10º Festival Internacional de Capoeira Grupo Alto Astral

Em 1991 recebe a corda de Mestre. No ano seguinte faz sua primeira viagem para São Francisco (E.U.A.) a convite do Mestre Marcelo Pereira (Caverinha). Apartir deste ano (1998) inicia sua carreira internacional, ministrando durante 4 meses, curso na academia Cordão de Ouro em Orlando (Florida), nesse período fez apresentações da Disneylândia e a abertura da Miss Brasil (E.U.A.), em Miami. Todo ano viaja para Israel, onde participa do Batizado e troca de cordão do Grupo Cordão de Ouro.

Site: http://www.espirromirim.com/

 

* Agradecimento especial ao Mestre Espirro Mirim que durante o Festival de Capoeira em Lisboa, foi um dos destaques por sua simplicidade e simpatia. Vale ressaltar a fantástica performance da Estátua Viva.

Luciano Milani

Meninos Africanos & Berimbau de 3 cabaças

O nosso camarada Mestre Jeronimo, sempre atento as novidades e a fatos interessantes da internet, relacionados com a capoeira, nos enviou esta nota:

Meninos africanos (na europa) tocando um Gunga de 3 cabacas:

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Mais informação, história, etc, sobre o instrumento eerofone culturalmente conhecido no Brasil, Africa, etc, como birimbau, urucungo, berimbau, rucumbo, bucumbumba, humbo, hungu, gunga, berimbau-de-barriga, gobo, etc… (Clique aqui)

Veja também na Galeria de Fotos do Portal Capoeira, a coleção de Fotos Históricas e Curiosidades com o tema: Berimbaus

Mestre Jeronimo Capoeira – ‘Iconoclast JC’
www.myspace.com/mestrejeronimo
http://br.geocities.com/jeronimocapoeira/

Bahia: Forte protegido

Vigilante, a capoeira tem no Santo Antônio uma espécie de lar com o qual mantém relação de amparo mútuo

“Nasci para ser contestadora”, diz a capoeira, sentada aqui em frente, personificada sobre o banco de madeira no salão que aguarda os pingos de suor se tornarem muitos na roda de logo mais. Ela agora está tranqüila, é mestre Moraes, honra e glória do Forte do Santo Antônio, seu lar. Quase um quartel de convivência naquele quadrilátero que um dia foi erguido para defender a cidade, ocupado por gente que queria manter a arte nobre, negra, necessária para deixar acesa a chama da História da Bahia. Hoje são tempos melhores e o mestre abre o sorrisão durante a conversa. Mas nem sempre foi assim.

O Ato Institucional no5 fazia pipocos ecoarem pelas avenidas, mas Pedro Moraes Trindade estava em alto-mar, na viagem entre a sua terra e o Rio de Janeiro, o fuzileiro naval segue para fazer curso pela Marinha. Na recém-destituída capital federal, iria dar seqüência ao que tinha aprendido anos antes, nas ruas ocupadas por prostitutas e meliantes. Era ali, em uma portinha original de um casarão remanescente, no Largo do Pelourinho, 17, na academia do mestre Vicente Ferreira, o Pastinha, hoje restaurante do Senac, que os mestres João Grande e João Pequeno o ensinaram a voar no molejo da luta batizada com aquele país irmão-colônia. “Mas lá no Rio ninguém conhecia Angola”, reverbera, indignado, com o estilo que o acompanha até hoje. A solução foi passar o conhecimento, estava formado o primeiro grupo para fluminenses, que começaram a perceber que a Bahia é mais África do que aparenta. O som do berimbau no clube Gurilândia, escola primária de classe média, ecoava em Botafogo.

O AI-5 pára tudo no país, mas ela avança. E já em 80, ainda no Rio, mestre Moraes funda o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho, o GCAP. “Não me interessava perder a identidade com as minhas origens”, diz como quem dá um martelo, marca terreno. Três anos depois, volta às raízes e busca, em Salvador, um espaço para dar continuidade ao grupo. É o pós-ditadura, o recomeço.

O forte é legal, é mais ou menos perto do velho largo, mas está repleto de moradores de todos os becos imaginários, verdadeiros sem-tetos que ocupam e fazem a história em Salvador. Ainda assim, foi entrando. “A escola funcionava ali em cima, era o lugar de mestre Ezequiel antes de ele morrer”, aponta para o céu, na direção do antigo primeiro andar, onde existiam celas, derrubado na mais recente reforma do espaço, motivo de controvérsia, conforme dito.

A situação era difícil. “Teve dia de eu entrar aqui e o tiroteio começou a acontecer”, lembra ele, resistente.

Abandonado, o forte vivia ao léu, não havia chaves para trancar o portão principal. Cada um tinha a da sua cela, da sua sala.

A essa altura, já havia acontecido a transferência dos presos, realizada em 1978, para o Presídio Regional, no bairro da Mata Escura. O Estado inicia as investidas, como uma batalha na qual, dessa vez, o forte não é parte na contenda, e sim, o objeto a ser conquistado. Em 80, é feita a proposta de transformar o forte em centro de cultura popular, sob o projeto do arquiteto Paulo Ormino. No ano seguinte, são iniciadas as obras de limpeza e reparo para o centro, que não vinga.

E os anos passam. Ilê Aiyê deixa a senzala do Barro Preto e ali faz os ensaios. Grupos de rock encontram no lugar palco bom para shows. Antes, o bloco carnavalesco Os Lord’s também ensaia para, na época, os três dias de Carnaval. A capoeira dali não sai, sempre à espreita, vigilante. Assiste a tudo, certa. “Foram cortadas água, luz, não tinha segurança. E a gente segurou a onda”, orgulha-se o mestre Moraes.

Em 97, surge novo projeto que tenta transformar o forte em casa das filarmônicas. Após o início das obras, são descobertos elementos de valor arquitetônico, como a cisterna que hoje ocupa o centro do pátio. Nova paralisação dos trabalhos.

A bandeira angolana, pregada que está no teto do salão, começa a tremular justamente quando acontece a virada da história da capoeira no Forte de Santo Antônio. Finalmente, as tratativas são iniciadas com a Secretaria de Cultura para transformar o lugar em forte da capoeira, em 2004, ano em que Moraes, multi-artista, concorreu ao Grammy – um dos prêmios mais importantes da música mundial –, com o disco Brincando na roda. Dessa vez, as obras seguem em ritmo alucinante para, no final do ano passado, estarem prontas.

Nesse ínterim, nem tudo são flores. Relações tensas nasceram naturalmente. E briga boa é com ela. Quiseram criar crachás para quem fosse jogar no forte. “Dizer quem é quem? Para um capoeirista? Todos são capoeiristas e basta”, esbraveja o mestre. “Ela não é para ser vista como folclore. Ela questiona a postura do poder”, abre a meia-lua inteira, sopapo, ele que é professor da língua inglesa, na rede estadual de ensino médio e fundamental, além de mestrando em história social na Ufba, o que o também credencia para aqui falar o idioma da sua gente, vencedora.

E ao lado de Moraes, no salão ali ao lado, está o mestre João Pequeno de Pastinha, o discípulo nonagenário. Completou no último dia 27. A dupla da salvação. “Se não fossem esses dois capoeiristas, o forte já estaria destruído”, altiva a voz outra personificação. Agora, estamos no vale que um dia foi palco de manifestações do candomblé, terreiro famoso, lá está outro adepto. José Leal trabalha hoje na Cesta do Povo do Ogunjá e traz na lembrança aquelas recordações de quando ficou à frente das obras para a recuperação do forte como o burocrático gerente de patrimônio imobiliário do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac). “Eram diversas famílias entre drogados, homicidas, prostitutas, traficantes e alguns por necessidade que ocupavam o local”, lembra. “Algumas famílias tiveram indenização pecuniária, enquanto outras foram relocadas para outras partes da cidade”.

Leal informa que o forte encontra-se situado na área poligonal traçada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o tombamento do Centro Histórico de Salvador. “Lá é o ponto limítrofe”, explica ele, que participou das terceira, quarta e quinta etapas de reforma do Pelourinho.

Recorda de dois grandes aprendizes e braços-direitos do mestre Pastinha. João Pequeno e João Grande, que resolveu mudar de ares e hoje está na Califórnia, nos Estados Unidos. De Pequeno, reverencia-o como o pioneiro no espaço ao fundar, em 1982, o Centro Esportivo de Capoeira Angola (Ceca). “Tudo aquilo ali é fruto da capoeira, ela e o forte historicamente se complementam”, diz.

O mundo também é uma roda. Jogam capoeira aproximadamente oito milhões de pessoas no mundo em mais 180 de países. Só na rede mundial de computadores, já são mais de três mil sítios.

O entusiasmo cresce. A idéia é criar uma forma compartilhada de gestão entre o Estado e a Capoeira, com maiúscula mesmo, elevada à condição agora oficial de transformadora da sociedade. E recrudescem os esforços para que ele se torne uma política pública, independente do governo que esteja aí. “É uma obrigação constitucional preservar a memória de um povo e a capoeira está nesse contexto”, advoga Leal.

Existem ainda propostas nobres a serem postas em prática como a preservação da biriba, árvore da qual se faz o berimbau. “Se não for dela, o instrumento é falso”, determina.

A agora vibração está presente ao falar dos mestres que hoje dão seqüência à arte e à luta dos irmãos Moraes e João Pequeno: Curió, Boca Rica, Nenel. E, claro, dos trabalhos de reforma.

“Eram mesmo lendas as histórias de túneis que ligam o forte de Santo Antônio ao do Barbalho e para o Comércio, que teriam sido feitos pelos jesuítas, não tem nada lá.”, esclarece. “E a cisterna descoberta tem autonomia para até 750 mil litros de água”. E conclui, conclamando: “a capoeira não aceita tutela, ela parte para o confronto. Que agora é o político”.

De volta ao forte, em uma confortável sala recém-inaugurada na antiga administração, sente-se o choque térmico com o ar-condicionado trabalhando bem. O atual gestor do lugar, Magno Neto, representante da Secretaria da Cultura, rabisca as prováveis futuras atrações do Santo Antonio, que não se resumirão à capoeira. “Vamos fazer alguns shows aqui, mas nada muito pesado, algo mais intimista para preservar o lugar”, adianta.

A presença constante de um representante do Estado dentro do forte é algo novo. E, antes de se ajustarem – capoeira e o Poder Público, – tensões se formam. Os capoeiristas ainda não engoliram a rusga criada no último 20 de novembro, dia da Consciência Negra. Com uma programação definida, com várias rodas para comemorar a data, receberam ofício 48 horas antes solicitando que a programação fosse suspensa para que fosse realizada uma premiação de uma regata internacional que acabava de acontecer. “Foi um desrespeito e não mudamos nada”, reclama o mestre Moraes. Os dois eventos aconteceram simultaneamente.

Um mês depois, a paz está selada. Ou não, pode ser apenas uma trégua. E a renovação é necessária e aí gritam lá do largo perguntando ao seu vigia se o espaço está aberto à visitação.

Resposta afirmativa, lá vem curioso o carpinteiro Leonardo Cruz, já sem as mãos dadas com o filho Júnior, 9 anos. Pára na cisterna recém-descoberta, espia as grandes fechadas que dão acesso aos salões. “Quero que meu filho seja capoeirista”, diz ele. “Já joguei muito, gostava daquela capoeira malandra”, sorri.

A noite chega. Com ela, mestre Moraes.
O Forte de Santo Antônio terá ainda muitos anos de vida.

Fonte: Correio da Bahia, Brasil – http://www.correiodabahia.com.br