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Abril 2015

Vendo Artigos de: Abril , 2015

Documentário: O Dono da Capoeira

O Dono da Capoeira

Documentário sobre Anselmo Barnabé Rodrigues, o Mestre Sapo, fabuloso capoeira baiano que chegou em São Luis – MA (Brasil) na década de 1960, se radicou na cidade, e marcou profundamente a história da capoeira local a ponto de hoje ser possível afirmar que a capoeira do Maranhão se divide antes e depois dele.

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“Ele era um capoeira mesmo, não era um capoeirista. Não tinha esse negócio de o cara sacar faca, revólver, ele ia e ganhava …olha, esse cara jogava uma capoeira! Era incrível!” Mestre Firmino Diniz falando sobre o Mestre Sapo.

VENCEDOR DO 37 GUARNICÊ DE CINEMA 2014 : 1 – MELHOR DOCUMENTÁRIO (JÚRI TÉCNICO); 2 – MELHOR TRILHA SONORA (JÚRI TÉCNICO); 3 -MELHOR FILME CURTA MARANHENSE (JÚRI TÉCNICO).

  • Direção Geral São Luis nos 4 Cantos: Mavi Simão
  • Coordenação de Roteiro São Luis nos 4 Cantos: Carolina Benjamin
  • Coordenação de Direção São Luis nos 4 Cantos: Christian Caselli
  • Direção e Roteiro : Roberto Augusto Pereira
  • Assistente de Direção: Michelle Cabral
  • Produção Executiva: Maurício Simão
  • Direção de Fotografia: Paulo do Vale
  • 2ª Câmera: Ben-Hur Real
  • Assistente de Fotografia: Inaldo Aguiar
  • Produção de Base: Markin Araújo
  • Produção de Set: Nat Maciel
  • Assistente de Produção: José Carvalho
  • Som Direto: Felinto Reis
  • Edição: Slapzion
  • Trilha Original: Lilian Menlli e Alan Fonseca 

Elenco: Alan Fonseca, Giovani Carvalho , James Lopes; Ms Zé Manoel,  Eduardo Nascimento, Dr. Alberto Tavares, Ms Eusamor , Ms Paturi, Ms Patinho, Cláudio Vaz (Alemão), Sra. Graça Rodrigues, Ms Açougueiro, José Ribamar G. da Silva (Neguinho) Dr. Naasson , Prof. Dr. Mathias Rörig Assunção, Sérgio Farias Araújo (Bambolê), Ms Jorge Navalha, Contramestre Ary Leandro, Contramestre Bau, Contramestre Cabeleira, Prof. Pedro Ciro, Prof. Alan J., Prof. Francinaldo,  Nívea Fuzarca, Luzieth Andrade, Hellen Christinne,  Ms Ivan Madeira,  Prof. Cabeludo, Prof. Ademarques.

 

CCCB – Charangueiro Cantador

Contramestre Careca – CCCB – CHARANGUEIRO CANTADOR

Tem como meta manter sempre viva a Charanga da Regional (um berimbau e dois pandeiros), e seus cânticos metafóricos e/ou de sotaque. As Quadras e os Corridos na forma mais tradicional, além disso, preservar os ritmos da Regional expressando o valor e importância que tem o berimbau na composição da charanga, valorização do pandeiro (bode) e da assistência (palmas) na sustentação do ritmo, resgatar o côro feminino (Tijubinas) que sempre se fizeram presentes nas manifestações populares, e através das Quadras e Corridos demonstrar a riqueza ritmica e melódica dos cantadores.

 

Proposta:

  • Gravação anual de um CD.
  • Oferecer a comunidade da capoeira (praticantes, profissionais e simpatizes) um trabalho cultural privando pela qualidade dos cânticos assim como da parte ritmica.
  • Preservação da cantoria metafórica e de sotaque (Quadras e Corridos).
  • Distribuição a nivel nacional e internacional.
  • Firmar a importância da charanga da Capoeira Regional (um berimbau e dois pandeiros).
  • Resgatar o côro feminino (Tijubinas).
  • Preservar os ritmos da Capoeira Regional, assim como o ritual cantado.

 

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CHARANGUEIRO CANTADOR

 

CCCBCentro Cultural Capoeira Baiana

No dia 6 de julho de 2006, nasce o C.C.C.B. fundado por Gilmar Caldas Suarez, conhecido no mundo da capoeiragem por “Careca”.

Centro: Assim como os antigos capoeiras tinham seu ponto de encontro local onde se desenvolve atividades com objetivos determinados. O Centro é nossa escola, o ponto de encontro para difundirmos e divulgarmos a Capoeira Regional Baiana.

Cultural: Representa o conjunto de conhecimentos que adquirimos, seja na “Cultura Popular Brasileira” ou na “Cultura Fisica Regional Baiana”.

Capoeira: Nossa arte maior, a base fundamental da nossa escola.

Baiana: Representa a terra da capoeira, fonte do nosso conhecimento, nossa origem.

 

Visite: http://capoeirabaiana.net/

Londrina: “Memórias do Recôncavo – Besouro e outros capoeiras”

O Museu de Arte de Londrina vai exibir nesta sexta-feira (24), a partir da 16h30 o documentário “Memórias do Recôncavo – Besouro e outros capoeiras”, com entrada gratuita.

A sessão de 52 minutos faz parte da programação da exposição “A capoeira dos sentidos” que vai até 30 de abril. O museu fica na rua Sergipe, 640, região central.


O documentário de 2008 foi feito pelo cineasta, capoeirista, músico e professor da Universidade Federal da Bahia, Pedro Abib.

A produção conta a história do surgimento da capoeira no Recôncavo baiano, local que concentrou grande parte do início da cultura afro-brasileira. São depoimentos de antigos moradores, mestres de capoeira, historiadores e pesquisadores, que junto a imagens raras ilustram a produção que conta a vida do capoeirista Besouro Mangangá, um dos mais conhecidos na história da modalidade.

A capoeira é considerada Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco e é parte da identidade brasileira. A exposição “A Capoeira dos sentidos” faz parte do projeto “Eu sou por que nós somos”, contemplado pelo Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras de 2014, promovido pelo Centro de Apoio e Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves (CADON).

Música: LADODALUA Apresenta Primeiro Álbum

RITMO, POESIA E MÚSICA BRASILEIRA DE QUALIDADE MARCAM O DISCO DE ESTREIA DO LADODALUA

Um projeto amadurecido por sete anos, sem a pressa habitual de se abrir ao mundo da indústria cultural. É com este espírito que o LADODALUA brinda o público com seu disco de estreia, intitulado com o nome do grupo. O trabalho está disponível em lojas físicas e virtuais com preços entre R$23 e R$25.

“Com um time experiente liderado pelo percussionista Dalua, grupo inova com intensa mistura de estilos”

O grupo, liderado pelo percussionista e mestre em capoeira Dalua, conta ainda com Emilio Martins (percussão), Cello Resende (cavaquinho e voz), Elder Costa (guitarra e voz), Edy Trombone (trombone, bombardino e percussão) e Dr. Otavio Gali (contrabaixo acústico e elétrico). No álbum LADODALUA, apresentam um repertório que mescla músicas autorais – gravadas pela primeira vez, mas já conhecidas do público do grupo -, como “Capoeira Camará” e “Eu sou desse chão”, e releituras de músicas da MPB, a exemplo de “Baião”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

A marca do disco é a percussão, assim como a simbiose entre ritmos afro-brasileiros e a influência do jazz, soul, funk, samba e rock. “Ficou acertado entre nós que a voz principal do nosso som seria a percussão, que é a matriz das reações corpóreas para o ritmo. Viemos da capoeira, que é um ponto comum entre os gostos de todos do grupo”, diz Dalua.

Para Dalua, produtor musical do grupo, o novo trabalho traz a possibilidade de colocar em prática uma identidade construída ao longo de sua carreira como músico de apoio nas bandas de Lenine, Luciana Mello, Jair Rodrigues, Ana Carolina e Maria Rita, entre outros: “A minha escola, além da capoeira, é a diversidade de artistas com que trabalhei. Para mim, e para todos os instrumentistas do grupo, já era chegada a hora de colocar nossas influências em prática com um trabalho em que pudéssemos nos escolher como parceiros”. 

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Outro ponto de destaque do disco é o trabalho gráfico de Gringo Cardia, que soube entender e valorizar as principais características do LADODALUA em um interessante encarte. Percebe-se uma minuciosa escolha nas figuras, sobretudo da capa; uma enigmática imagem de 1906 no interior de Minas Gerais. Trata-se de um retrato de época, flagrada em uma inauguração de igreja.

 

O disco pode ser adquirido na Livraria Cultura, por R$24,90, na loja Pops discos por R$23,00, e nas plataformas digitais ‘Itunes’, Spotify e Deezer.

 

FAIXAS:

  1. Baião (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)
  2. Eu sou desse chão (Dalua / Cello Resende)
  3. Capoeira Camará (Paulo Cunha)
  4. Samba Cubano (Lucas Santanna e Plinio Profeta). Participação especial: Shamarr Allen – voz e trompete
  5. Onde tem tambor tem gente (Elder Costa)
  6. Todo dia era dia de índio (Jorge Bem Jor)
  7. Saudade das minas (Dalua / Elder Costa / Emilio Martins / Celle Resende / Edy Trombone / Augusto Albuquerque)
  8. Parabolicamara (Gilberto Gil)
  9. Laço (Cello Resende)
  10. Berimbau (Baden Powell / Vinicius de Morais)
  11. Eu não tenho onde morar (Dorival Caymmi)
  12. Ladodalua (Cello Resende)

 

 

 

Mais informações: http://www.ladodalua.com.br/

 

Vídeos:                                                                                                                                                                             


Capoeira Camará: https://www.youtube.com/watch?v=o1EALrK0UAg

 

Teaser temporada Bourbon Street em 2010: https://www.youtube.com/watch?v=x2CD-ovBOfo


Facebook: https://www.facebook.com/ladodalua

 

Fonte: Luciana Zacarias | Pedro Sant’Anna           

Baobá Comunicação, Cultura e Conteúdo

Expoente da Capoeira Paulista, Mestre Caranguejo, lança segundo Disco

EXPOENTE DA CAPOEIRA PAULISTA, MESTRE CARANGUEJO LANÇA SEU SEGUNDO DISCO

 

Com o título “MESTRE CARANGUEJO E A POÉTICA DO BERIMBAU”, álbum contém 16 faixas autorais e terá show de lançamento em 26/4 no teatro do CEU Caminho do Mar

Para ser um bom capoeira é preciso ter um gingado que vai além dos golpes do jogo de origem afro-brasileira. A música é parte essencial desta tradição e por isso a composição é natural a muitos de seus praticantes, como Alberto Alves Barbosa, o mestre Caranguejo – um dos mais importantes capoeiristas vivos no Brasil. Lançado neste mês, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura, o álbum Mestre Caranguejo e a Poética do Berimbau contém 16 faixas autorais que resgatam as antigas cantigas, rimas e marcações do samba de roda, berimbau de barriga, entre outras tradições musicais afro-brasileiras.

Entre as músicas de destaque do disco estão “Ojá, Ojá, Obá, Capoeira”, cuja melodia e letra se assemelham a um cântico de romaria, “Homenagem à mestre Cigana”, sobre uma das primeiras mulheres a serem reconhecidas no meio capoeirista, “Homenagem ao Saudoso Mestre Silvestre”, que conta como se deu o encontro entre Caranguejo e Silvestre, herdeiro de uma das mais importantes linhagens da capoeira, e “Talandê”, música composta para o CD que acompanha o livro “Num tronco de Iroko Vi a Aiúna Cantar”, editado pela Peiropólis, no qual interpreta Vovô Joaquim.

Sem formação musical acadêmica, Caranguejo canta à maneira dos antigos mestres, onde a letra parece descompassada em relação aos instrumentos que acompanham a canção, a voz e o berimbau, instrumento do qual o mestre é exímio tocador e construtor, são ouvidos ao longo de todo o álbum que revela a musicalidade da tradicional capoeira regional, onde o samba se faz muito presente.

Caranguejo é herdeiro de uma das mais nobres linhagens capoeiristas do Brasil. Aluno de mestre Silvestre, respeitado nome da capoeira Vera Cruz, uma das mais antigas da capital paulista, que descente dos mestres baianos Caiçara e Waldemar Paixão. Em 2010, recebeu o Prêmio Viva Meu Mestre, do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura.

Mestre Caranguejo e a Poética do Berimbau foi contemplado pelo Programa de Ação Cultura (ProAC) da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo. As canções são repletas de metáforas e fábulas que resgatam a trajetória do mestre entre a terra natal Bahia e São Paulo, Estado em que vive, passando pelo Rio de Janeiro, onde também morou.

Esse é o segundo trabalho do mestre, que lançou primeiro CD, Karimbé, há 10 anos, o instrumentista e compositor reuniu músicas de capoeira de sua autoria e de domínio público. Para o segundo álbum, tem como objetivo preservar uma tradição desconhecida por muitos jovens. “É uma maneira de trazer a História da cultura africana para o público, de honrar as tradições antigas”, afirma mestre Caranguejo.       

O CD Mestre Caranguejo e a Poética do Berimbau custa R$ 20 e terá show de lançamento, gratuito, no dia 26 de abril (domingo), às 15h, no teatro do CEU Caminho do Mar, em São Paulo.       

Faixas:

1. Caiapó (Na Casa da Coló)

2. Lapa do Bom Jesus

3. Óia Eu, Mano

4. Batuque Cabulado

5. Ojá, Ojá, Obá, Capoeira

6. Homenagem À Mestre Gigana

7. Dom da Sabedoria

8. É na Ladeira

9. Maculelê

10. Aruandê, Aruanda

11. Panela de Barro

12. A Poética do Berimbau

13. Boneca de Louça

14. Força da Natureza

15. Talandê

16. Homenagem ao Saudoso Mestre Silvestre

 

SOBRE MESTRE CARANGUEJO

Reconhecido com o Prêmio Viva Meu Mestre, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura, Alberto Aves Barbosa, o mestre Caranguejo é herdeiro de uma das mais nobres linhagens capoeiristas do Brasil. Nascido na Bahia em 1950 mudou-se aos 16 anos para São Paulo, onde foi aluno do mestre Silvestre, expoente da capoeira Vera Cruz, uma das mais antigas da capital paulista, que descente dos mestres Caiçara e Waldemar Paixão, ambos baianos. É o único graduado por Contra-Mestre por ele. Silvestre o deu-lhe o nome Caranguejo porque seu jogo de capoeira é para frente e para trás, da esquerda para a direita, parecido com um caranguejo. Foi educador na Fundação Casa de 1988 até 2014. Já ministrou oficinas de Capoeira e construção de berimbau em instituições municipais e estaduais por meio de ONGs e órgãos como Ballet Stagium, Rebelart, Instituto Mensageiro, Mamolengo, Cempec e Acervo Municipal da Memória e do Viver Afro-Brasileiro.

SERVIÇO

Show de lançamento Mestre Caranguejo e a Poética do Berimbau

Data: 26 de abril de 2015 (domingo), às 15 horas
Entrada: Gratuita
Local: Teatro do CEU Caminho do Mar (Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, 5241 – Jd. Lourdes / São Paulo-SP)
Capacidade: 184
Censura: Livre

 

Letícia Liñeira           
Baobá Comunicação, Cultura e Conteúdo

Vereador pede contratação de mestres de capoeira sem curso de Educação Física

A inclusão da capoeira na rede municipal de ensino foi tema de discussão na Câmara Municipal este mês.

O vereador Elmar Goulart (SD) reiterou em requerimento enviado ao prefeito Paulo Piau (PMDB) solicitação de cumprimento dos artigos 21 e 22, da Lei Federal nº 12.288 (Estatuto da Igualdade Racial). De acordo com o dispositivo legal, “o poder público fomentará o pleno de acesso da população negra às práticas desportivas, consolidando o esporte e o lazer como direitos sociais. A capoeira é reconhecida como desporto de criação nacional, nos termos do art. 217 da Constituição Federal”.

A lei ainda estabelece que a atividade de capoeirista será reconhecida em todas as modalidades em que a capoeira se manifesta, seja como esporte, luta, dança ou música, sendo livre o exercício em todo o território nacional. Além disso, “é facultado o ensino da capoeira nas instituições públicas e privadas pelos capoeiristas e mestres tradicionais, pública e formalmente reconhecidos”.

Elmar, durante sua apresentação na Câmara, destacou a importância do reconhecimento do mestre de capoeira, frisando que, de acordo com a referida lei, “a inclusão dos mestres tradicionais de capoeira nas instituições públicas e privadas não os obriga a serem formados na área de Educação Física, como está sendo cobrado pelo município de Uberaba, principalmente nos Cemeas”, disse.

“Elmar pede contratação de mestres de capoeira sem curso de Educação Física”

Capoeira. No dia 15 de julho de 2008, a capoeira foi reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro e registrada como Bem Cultural de Natureza Imaterial. Segundo o site da Educar para Crescer, a criança que pratica capoeira aprende não apenas a jogar, como também a cantar e a tocar. Além de aprimorar o controle emocional, estimulando a observação e a defesa, quando necessária, ao contrário de incentivar a agressividade e a violência. “Recomendado para alunos de 3 a 11 anos, o jogo de capoeira ajuda de inúmeras maneiras o desenvolvimento tanto de meninos quanto de meninas. Ela difunde o valor da defesa, e não do ataque; ajuda na formação moral; desenvolve e amplia a cognição; desperta a curiosidade infantil; promove o desenvolvimento físico; estimula o controle emocional e combate as inibições.”

 

Fonte: http://jmonline.com.br/

Encontro de Capoeira Angola – Associação de Capoeira Angola Relíquia de Espinho Remoso

Nos próximos dias 8, 9 e 10 de Maio, a cidade do Porto – Portugal será palco do Encontro de Capoeira Angola que contará com a presença especial de Mestre Zé do Lenço (José Alves).

Este evento é promovido pela Associação de Capoeira Angola Relíquia de Espinho Remoso, com sede em Salvador da Bahia – Brasil e representado no Porto por Contramestre Fantasma (Wellington Ribeiro).

Mestre Zé do Lenço é o responsável máximo pela Associação de Capoeira Angola Relíquia de Espinho Remoso em Salvador, um dos mais conceituados e antigos mestres de Capoeira Angola, exímio fabricador de instrumentos e respeitadíssimo transmissor de cultura capoeiristica!!!

Mestre Zé do Lenço ministrará várias sessões de capoeira que envolvem aulas de musicalidade (canto e toque de instrumentos), de confeção de instrumentos musicais e de movimentação de capoeira angola. Este encontro, que terá lugar em vários locais da cidade do Porto, conta ainda com a presença especial de Mestre Barba Branca (Gilberto Reis) de Salvador – Bahia – Brasil, discípulo de Mestre João Pequeno de Pastinha e responsável pelo Grupo de Capoeira Angola Cabula, presente no Brasil e em França.

Para mais informações por favor contactar Contramestre Fantasma (tlm. 913 207 105; ribeirowellington977@gmail.com).

Venham vadiar no toque do berimbau! Axé!!!!

 

Inscrições

 

https://www.facebook.com/fantasma.reliquiaespinhoremoso

Os Africanos e a Capoeira no Século XIX

OS AFRICANOS E A CAPOEIRA NO SÉCULO XIX *** SETE PORTAS DA BAHIA***

Manoel Querino (1864- 1923) era um indivíduo que viveu a sua juventude na segunda metade do século XIX, sendo o seu depoimento o de alguém que, se não participou, presenciou a cultura da capoeira desenvolvida por alguns grupos sociais.

Em seu trabalho Costumes Africanos no Brasil,descreve um encontro entre grupos:

“O domingo de Ramos fora sempre o dia escolhido para as escaramuças dos capoeiras. O bairro mais forte fora o da Sé; o campo de luta era o Terreiro de Jesus. Esse bairro nunca fora atacado de surpresa, porque os seus dirigentes, sempre prevenidos, fecharam as embocaduras, por meio de combatentes, e um tulheiro de pedras e garrafas quebradas, em forma de trincheiras, guarnecia os principais pontos de ataque, como fossem: ladeira de São Francisco, São Miguel, e Portas do Carmo, na embocadura do Terreiro. Levava cada bairro uma bandeira nacional e ao avistarem-se davam vivas à sua parcialidade. Terminada a luta, o vencedor conduzia a bandeira do vencido.”

Manoel Querino registrou a capoeira a partir de confrontos espaciais entre o grupos representativos dos bairros da cidade de Salvador, algo como um grande espetáculo que se consagra nos conflitos de rua e projeta seus símbolos e rituais. O autor afirma que os capoeiras possuíam uma cultura corporal própria, que revelava sua identidade social; e apresentava dois tipos de capoeiras: os profissionais e os amadores. Estes não usavam sinais característicos, mas se exibiam nas contendas entre os grupos.

Manoel Quirino faz menção à existência dos cantos e dos instrumentos musicais, e finaliza sua descrição sobre a capoeira baiana, afirmando que somente no Rio de Janeiro o praticante ” constituía-se como um elemento perigoso.

Manoel Quirino presenciou os capoeiras em Salvador, local em que nasceu, e no Rio de Janeiro, onde se tornou vereador.

 

Por mestre Yrapuru DZ, Historiador da Capoeira; arauto do clã dos Palmares pesquisador de História, e História Geral.

O “renascimento” da capoeira no Rio de Janeiro

 

A capoeira no Rio de Janeiro retomou sua força coletiva apartir de meados do séulo XX 

 

A antiga capoeiragem das maltas que dominaram as ruas do Rio de Janeiro, capital do Imperio (1822-1889), fora desarticulada pela polícia assim que foi instaurada a ordem repúblicana no país. Luis Sérgio Dias, em “Quem Tem Medo de Capoeira”, defende que a capoeiragem encontrou assim sua “morte”. O que significa dizer que a capoeira perdia sua força agregadora, desfazendo-se as associações de capoeiras, as maltas, por conta da ação repressiva da polícia sob o comando de Sampaio Ferraz (chefe de polícia), o Cavanhaque de Aço.

Na primeira metade do século XX a capoeira sobrevive no cotidiano dos malandros, dosbambas, que tinham aprendendido os movimentos corporais e outras heranças culturais dos antigoscapoeiras. Este período de transição na história da capoeira carioca, entre a antiga capoeiragem dasmaltas e os atuais grupos de capoeira, encontra seu termo com a chegada de três capoeiristas baianos: Mestre Artur Emídio, Mestre Paraná e Mestre Mário Buscapé foram os primeiros a ensinar a capoeira em academias no Rio de Janeiro, em um momento que a esportização e “modernização” da capoeira estabelecia parâmetros que serviram como base de nossas tradições capoeiristas atuais.

As escolas formadas por Artur Emídio, Mestre Paraná e Mário Buscapé nas década de 1950 serviram como importantes fontes de estruturação da capoeira “moderna” no Rio de Janeiro. Atuando a partir da região da Leopoldina (região que comprrende os bairros que acompanham a antiga linha férrea ramal Leopoldina, atual Gramacho-Central), mais precisamente nos bairros de Higionópolis, Bonsucesso e Olaria, seus alunos e ensinamentos serviram de matéria-prima no desenvolvimento de uma rede de capoeristas de onde se multiplicaram grupos de capoeira que se espalharam pela cidade, sobretudo Zona Norte, pelo Brasil e pelo mundo.

 

Fonte: http://grupoterracapoeira.blogspot.pt/

Capítulo 7 – Veneno da Madrugada

 

CAPOEIRISTAS

PULP FICTION TROPICAL

 

Nestor Capoeira

capítulo 7

 

Finalzinho do capítlo 6/Intermezzo

Uma pena; era uma coroa gostosona e, apesar de não sacar porra nenhuma, era inteligente nos papos.

Fim do cap. 6

 

capítulo 7

 

VENENO-DA-MADRUGADA

 

FUTEBOL DE AREIA

Veneno conheceu os dois filhos do ilustre senador, Carlinhos Piu-Piu e Delano Bule, na primeira vez que veio a Copacabana com sua mãe, cozinheira num apê perto da rua Inhanga. Isto foi por volta de 1958, e Veneno tinha uns 12 de idade.

Nos fins de semana, o patrão e a patroa viajavam com a família pra Friburgo, e Veneno vinha de Japeri passar os feriados com a mãe.

Veneno era um menino negro, morava num longíncquo subúrbio, completamente desenturmado; era impossível imaginar que, dez anos depois – aos 20 e poucos de idade -, ele já seria uma lenda urbana entre os jovens da movimentada Zona Sul carioca.

Foi o futebol de praia que inicialmente abriu as portas de Copacabana para Veneno.

No começo, acostumado a jogar em campo de terra batida, em terreno baldio, estranhou a areia; a bola não rolava, era difícil dar um drible, correr na areia macia era desgastante. Mas assim que pegou a manha, rapidamente se tornou um destaque das peladas infanto-juvenis.

Começou a disputar o Campeonato de Praia Junior; jogava no Lá Vai Bola; e logo – tinha apenas 12 anos, mas era um garoto alto e taludo – já disputava vaga no time dos adultos.

Dois anos depois, no subúrbio, Veneno já era “o rei do comércio de amendoin e bala puxa-puxa” da linha de trem Central-Japeri.

Paralelamente, num outro universo de fins-de-semana, começava a se destacar como uma das promessas do futebol de praia semiprofissional da rica Zona Sul.

Num fim de tarde de sábado, após um jogo na praia de Ipanema na altura da Praça General Osório, Veneno começou a fazer nome: arreganhou o Ricardão, capitão do Lá Vai Bola, primo do Carlinhos Piu-piu e do Bule, e respeitado como playboy porradeiro em toda Copacabana, Leme, e até mesmo Ipanema – box na academia Santana, jiujitsu com os Gracies, capoeira de Sinhô.

 

LEILA DINIZ

Ipanema, nos 1960s, é lembrada e cultuada por ser o lar da Bossa Nova – Tom Jobim, João Gilberto, Vinicius de Moraes, Nara Leão -; do Cinema Novo – Rogerio Esganzela, Glauber Rocha -; pela sua carismática musa, a luminosa atriz Leila Diniz de Todas as mulheres do mundo, do Domingos de Oliveira; por sua praia; e principalmente por seus bares e butequins frequentados por diferentes gerações de artistas talentosos e iluminados boêmios – o Jangadeiros, o Veloso, o Zepelin.

Mas quem, na juventude, viveu aquela Ipanema; certamente vai se lembrar de outras mumunhas.

Na década de 1960, a zona sul carioca – aliás, a zona norte tambem – era dividida em gangues de adolescentes da classe média e alta. Em Ipanema, entre outras, tínhamos a turma da (rua) Barão da Torre; em Copacabana, a da Miguel Lemos e a da Praça do Lido; logo ao lado, a turma do Leme; e por aí afora.

A rapaziada, especialmente nas noturnas de sexta e sábado, ficava pelas esquinas trocando ideia, bebendo cerveja em pé na porta do botequim; alguns tomavam bolinha – anfetaminas tipo Pervertim -; outros já subiam o morro e compravam uma mutuca de maconha que vinha embrulhada em papel de jornal – a cocaína ainda era pouco conhecida.

Dali, do papo na esquina, os mais cascudos saiam para roubar carro e fazer pega de madrugada nas ruas desertas. Mas a maioria ia curtir alguma festinha; se a festa era em terra inimiga, era certo que a porrada ia comer. O arsenal da rapaziada incluia canivete de mola, soco inglês, e chicote de fio de aço; mas os mais famosos primavam pela porrada mano-a-mano com algum cara de destaque da turma inimiga.

Surgiram nomes como Rodolfo Hermany, um desportista que mais tarde foi campeão sul-americano de judô; Rickson Gracie, talvez  o maior lutador de jiujitsu brasileiro de todos os tempos.

E tambem aqueles com um pé na boêmia e na marginalidade como Cirandinha. E, mais tarde, já em 1970 no período da ditadura militar 1964-1984, Mariel Mariscott, um policial civil com pinta de galã italaiano, chefe dos Homens de Ouro – um esquadrão da morte (o que, hoje, chamamos “milícia”) que dominava as noites, as drogas, e a prostituição de Copacabana, e era informalmente ligado à Escuderie LeCoq formada por policiais e afins barra-pesados que homenageavam o lendário e recentemente falecido detetive LeCoq.

Era no fim daquelas lutas mano-a-mano memoráveis que a violência se alastrava pela plateia composta, em sua maioria, pelos jovens das gangues antagônicas. O barulho só terminava com a chegada da radio-patrulha chamada pelo telefone por algum respeitável morador escandalisado – “Meu Deus! Isto é uma total falta de respeito! A decadência dos valores morais e familiares! Onde isto tudo vai parar?”.

Os jornais, o rádio, e a incipiente televisão – que tinha estreado alguns anos antes, na década de 1950 -, faziam eco; ressoavam em harmonia alarmista apontando os perigos da Juventude Transviada, algo que já tinha até rendido um filme de Holywood com ninguem menos que Marlon Brando no papel principal de um motoqueiro rebel without a cause.

Muitos dos jogadores de futebol de areia pertenciam a uma dessas turmas. Aliás, não era raro a porrada rolar, até mesmo, nos jogos oficiais do campeonato.

 

UMA INSTITUIÇÃO DE GENTIS-HOMENS

Outra instituição curiosa da Ipanema e Copacabana dos 1960s eram as bichas velhas.

Homens cultos, educados, ricos, fluentes em várias línguas, verdadeiros cavalheiros, filhos solteirões de famílias tradicionais que transitavam nesta Faixa de Gaza entre o submundo do crime, o futebol de areia, o novo cinema e a nova música, os caretésimos e elegantes e bregas clubes exclusivos e excludentes – Country Club, Hípica, Caiçaras -, os chás com as velhas tias rococós nas tardes de quinta-feira.

Alguns eram ligados ao teatro ou à opera ou ao ballet; outros eram antiquários, especialistas nas artes plásticas; e por aí afora.

Era uma instituição – as bichas velhas – perseguida pela mentalidade machista, estigmatizada pelos preconceitos vitorianos, maldita pelos padres católicos apesar de vários serem pedófilos. Seus “afiliados” e membros muitas vezes apareciam nos jornais como vítimas de tragédias e eventos sangrentos, macabros, e hediondos.

E qual o terrível crime destes senhores?

Nenhum, exceto o de serem total e loucamente apaixonados pela pele bronzeada e pela carne dura daqueles bad boys de araque da tal Juventude Transviada.

Muitos daqueles delicados e alienados gentlemen acabaram bancando garotões da classe média baixa; enfiando-os quase à força na PUC, a caríssima universidade católica da classe média alta e da burguesia; casando o “sobrinho” com alguma dondoquinha deslumbrada e arranjando-lhe um emprego com o sogro reticente:

– O Cesário Alexandrijo me falou muito bem do namorado da Cristiana.

– Eu não te falei, Alfredo Romualdo? Você ve maldade em tudo. O rapaz é trabalhador, sério, bem-educado e, o mais importante, esta completamente apaixonado pela nossa filha.

– É… pode ser. Mas eu acho o Cesário Alexandrijo meio esquisito.

– Como assim?

– Meio estranho. Essa mania do ballet clássico, das noites de estreia no Teatro Municipal… não sei não.

– Não sabe, não? Claro que voce não sabe, Alfredo Romualdo. Voce não sabe de nada. É um grosso, um retrógado, só sabe ganhar dinheiro; não tem a mínima sensibilidade para as artes, para a cultura, para as coisas refinadas da vida. Aí fica inventando estas histórias, como se o Cesário Alexandrijo fosse um pervertido, um – Deus que me perdoe! – um homosexual.

– Eu não disse isto, meu amor…

– Não disse, é verdade; mas insinuou, que é muito pior. Voce sabe onde o Cesário Alexandrijo vai celebrar o aniversário de 46 anos? Na casa da Estelita Estella!

– ?

– Tá vendo! Voce não sabe nem quem é a Estelita Estella! É a mulher do Doutor Rivelino Roberto de Souza Transcepto! É, ele mesmo! Aquele que voce vive bajulando mas não arranja nada. Aposto que se o Cesário Alexandrijo murmurar uma palavrinha a teu favor, a música vai ser outra.

– Voce acha? De verdade?

 

Como vemos, havia uma grande diferença entre o Rio de Janeiro – com sua praia, seus intelectuais, músicos e artistas -; e Belo Horizonte – com sua Família, Tradição e Propriedade (onde Toninho Ventania estava vivendo, naquele momento). Mas, num ponto, a suingante metrópole a beira-mar coincidia com a canhestra e interiorana capital das finadas minas de ouro: o preconceito e a perseguição às bichas.

Preconceito que se estendia aos crioulos, aos paraíbas, etc etc etc. Embora, é  verdade, o preconceito era menor no Rio devido a influência da mentalidade e dos valores de uma boêmia ilustrada e luminosa que durou, infelizmente, somente até aproximadamente 1980/85.

Já em 1990, vemos, se hoje olharmos retrospectivamente, o aparecimento de uma outra gira no Rio – e tambem no Brasil, e em muitas parte do mundo. Um outro lance cuja face mais óbvia e visível e o computador, a Internet, e os telefones celulares.

E assim caminha a humanidade.

 

BOSSA NOVA NA AREIA

Naquele sábado memorável em 1960, apesar do futebol de areia ser oficialmente “amador”, havia um generoso prêmio em dinheiro para ser distribuido entre a equipe vencedora – cortesia de Cesário Alexandrijo, um elegante senhor de cabelos grisalhos e olhos azuis, filho de uma tradicional família carioca.

 

Cesário Alexandrijo, apesar do calor, assistia ao jogo vestido calças de flanela inglesa branca, blazer azul-marinho com botões dourados, um chiquérrimo foulard de seda francês enrolado no pescoço, sapatos de amarrar de camurça cor de gelo feitos sob medida em Milão, e um fino Pateck-Phillip de ouro com correia de legítima pele de crocodilo no pulso – esse negócio de ecologia, de espécies ameçadas, e buraco de ozônio ainda era algo distante, lá longe além do horizonte.

O mordomo havia trazido cadeiras de praia de vime e um enorme guarda-sol. Numa mesinha de armar via-se um enorme balde de prata cheio de gelo para resfriar os martinis que Cesário Alexandrijo degustava intercalados com canapés de salmão defumado, caviar, e patê foi-grass.

Veneno, com 14 anos, era o caçula do time de futebol de areia, o resto da rapaziada tinha entre 18 e 30 de idade.

Apesar de não ser canhoto, jogava de ponta-esquerda; Piu-piu era o talentoso centro-avante; Delano Bule e Ricardão – capitão da equipe – jogavam no meio-da-campo.

Curiosamente – embora isto não tenha nada a ver com nossa estória – Tom Jobim, que tinha sido aluno de capoeira de Sinhozinho em Ipanema, atuava de beque recuado, e no segundo tempo atacou de goleiro; e Vinicius de Moraes bebia seu uísque escocês – o “cachorro engarrafado” – sentado à sombra do para-sol de Cesário Alexandrijo – Vinicius foi adido cultural em Paris na época em que o pai de Cesário era embaixador.

Naquele dia, Carlinhos Piu-piu estava em tarde de sábado inspirada, balançou a rede quatro vezes; o Lá Vai Bola ganhou de goleada.

No final da pelada, Piu-piu foi carregado em triunfo até o calçadão; ao chegar lá abraçou Veneno – que tinha lhe servido três gols de bandeja – e urrava: “Esse é um verdadeiro veneno! Um verdadeiro veneno!”.

Um conhecido olheiro do  Fluminense se aproximou da dupla e trocou uma ideia.

 

 

MANDUCA DA PRAIA

 

O extraordinário e, muitas vezes, cinematográfico perfil de alguns capoeiristas – “não havia índios, só caciques” – não é uma característica recente. Aparentemente sempre foi assim.

Vejam só o caso do Manduca da Praia, um capoeira que tocou o terror no Rio de Janeiro por volta de 1860; cem anos antes do jogo de futebol de areia que estávamos relatando.

No meu Rio de Janeiro,

se a minha memória não falha,

o maior capoeira foi Manduca da Praia.

Mandingueiro!

      – côro: era Manduca da Praia!

O corte da navalha!

      – côro: era Manduca da Praia!

O golpe que não falha!

      – côro: era Manduca da Praia!

Mandingueiro!

      – côro: era Manduca da Praia!

 

Por volta de 1860, as maltas já se agrupavam em dois grandes grupos, os Guaiamús e os Nagoas.

Mas, além dos “pequenos grupos que passam a ser encarados como aglomerados criminogênicos”; e além das “maltas associadas aos políticos e homens de poder”; existia também “o negro individualisado”.  Dentre todos, o que ficou mais famoso foi Manduca da Praia, imortalizado em várias canções de capoeira.

Alexandre Mello Moraes Filho (1844-1919) viveu há cerca de cem anos no Rio de Janeiro e conheceu pessoalmente o terribilíssimo Manduca da Praia. 

O escritor Moraes Filho faz parte do grupo, denominado por Líbano Soares, de “cronistas e pioneiros”, e “sua obra tem o tom da contemporaneidade mesclado com a ideia de ‘luta nacional’, que vai dar o ritmo da produção literária (sobre capoeira) nos 40 anos seguintes”.

 

A LUTA NACIONAL

A  ‘luta nacional’  é a ideia da capoeira como “capoeira-luta-esporte”, castrada de suas origens culturais negras e marginais:

– Fez a cabeça de muitos intelectuais e jovens militares cariocas no começo dos 1900; a maioria dos cronistas da época vão primar em “resgatar” a capoeira de seu passado, de “maltas e navalhas”, de “negros e mulatos”, transformando-a na “Luta Nacional”;

– A ideia da Luta Nacional  teve sequência durante 1930-1950 com Getúlio Vargas  e sua retórica do corpo, que privilegiava a Educação Física.

Na décda de 1940, através um decreto de Vargas, a capoeira saiu da marginalidade e pode ser ensinada “em recinto fechado, e com alvará de polícia”, inaugurando a atual era das academias. Getúlio imaginava que a capoeira poderia ser transformada numa “ferramenta pedagógica popular de apoio” ao trabalho da Educação Física; corpos jovens, disciplinados e saudáveis, para alimentar um Estado moderno como uma máquina.

– A concepão de capoeira como a Luta Nacional reviveu, mais uma vez, durante a ditadura militar de 1964-1984, com a aprovação de ilustres figuras como o pof. Inezil Pena Marinho que, ainda sob as diretrizes gerais da “retórica do corpo” de Vargas, publica em 1945 o seu Subsídios para o estudo da metodologia e treinamento da capoeiragem (RJ, Imprensa Nacional).

– Chegou até nossos dias – a ideia da Luta Nacional – defendida por vários mestres, ilustres professores como o prof. Oscaranha da Educação Físca da UFRJ, e tambem pela CBC (Confederação Brasileira de Capoeira, um orgão oficial do governo que pretende “orientar e divulgar a capoeira”).

– Esta concepção de “como a capoeira deve ser praticada e ensinada” – uma Luta Nacional com campeonatos, juízes, cronometragem dos rounds, etc. – sempre esteve em oposição à ideia de uma “capoeira-arte”, e/ou à “capoeira-cultura”, defendidas por outras facções de mestres.

 

OS CRONISTAS E O CAVALEIRO DAS TREVAS

Mas nem todos cronistas do Brasil Império estavam total e completamente motivados pela criação de uma capoeira-luta brasileira. Por exemplo, Luis Edmundo (1878-1961), no Rio de Janeiro do tempo dos Vice Reis:

O capoeira, sem ter do negro a compleição atlética, ou sequer a fisionomia rígida e sadia do fidalgo potuguês, é no entanto um ser que toda gente teme e a própria justiça, por cautela, respeita.  Encarna o espírito da aventura, da malandragem, da fraude; é sereno e arrojado… 

Toda sua força reside nesta destreza elástica que assombra e adiante da qual o tardo europeu vacila e atônito o africano se transtroca.

As descrições barrocas, góticas, dark, notívagas, de Luis Edmundo, são dignas dos modernos roteiros de filmes comerciais épicos, e de ação, do tipo “Batman, o cavaleiro das trevas”. 

 

(O capoeira) encarna o espírito da aventura, da malandragem e da fraude; é sereno e arrojado, e na hora da refrega ou da contenda, antes de pensar na choupa ou na navalha, sempre ao manto cozida, vale-se de sua esplêndida destreza, com ela confundindo e vencendo os mais armados e fortes contendores.

… neste manejo inopinado e célere a criatura é um ser que não se toca, ou não se pega, um fluido, o imponderável.  Pensamento. Relâmpago.  Surge e desaparece…

É cavalheiresco para com as mulheres.  Defende os fracos… 

Por vezes, quando a sombra da madrugada ainda é um grande capuz sobre a cidade, está ele de joelhos compassivo e piedoso, batendo no peito, beijando humildemente o chão em prece, diante de um nicho iluminado qualquer.  Esta rezando pela alma do que sumiu do mundo, do que (ele, o capoeira) matou.

 

Todas estas, um tanto alucinadas, “viagens” – Luta Nacional, “Cavaleiro  das trevas”, etc. -, que já rolavam na imaginação dos malucos-beleza dos 1800s, não nasceram exclusivamente das fantasias e da imagiação de seus autores. Certamente tambem foram fortemente influenciadas por inesquecíveis e impressionantes personagens que realmente existiram e flanaram pelas ruas do Rio nos 1800s e início dos 1900s.

Entre estes, certamente se destacou o Manduca da Praia.

 

 

Fim do capítulo 7