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Junho 2015

Vendo Artigos de: Junho , 2015

Livro: Capoeiras e valentões na história de São Paulo

Lançamento na capital paulista do livro “Capoeiras e valentões na história de São Paulo”

Este livro é um desafio a todos os amantes da capoeira e uma rica fonte de informações para pesquisadores interessados em conhecer mais sobre a cultura afro-paulistana.

O desafio aos capoeiristas é abrir os olhos para perceber que as raízes dessa arte marcial vão muito além da África ou dos portos do Rio de Janeiro e de Salvador.

Para o estudo científico, este livro contribui no sentido de buscar uma melhor compreensão de costumes e tradições do século XIX existentes na província de São Paulo, que desapareceram ou deram origem a outras práticas, no início do século XX.

Uma obra que traz informações relevantes sobre temas tão distantes quanto a formação da Faculdade de Direito de São Paulo e as origens das escolas de samba paulistanas.

 

Serviço:

Próximo dia 15/07/2015, 18h30, na livraria Martins Fontes da Avenida Paulista

Capoeira ensina sobre respeito e pode afastar jovens do crime

Igualdade. Inclusão. Respeito. Disciplina. Conceitos necessários para qualquer esporte. Mas, quando se trata de aulas de capoeira e boxe chinês, todos os dias, no bairro Messejana, os ideais viram realidade e podem mostrar outros caminhos, inclusive, quem sabe, para os 85 meninos da área que cometeram atos infracionais este ano. O mestre David dos Santos Barbosa, 33, dedica todas as suas noites para as aulas de capoeira.

A iniciativa, que acontece desde 1998, já desfez barreiras geográficas do tráfico de drogas e, para David, a adrenalina e o desafio dos saltos podem substituir muitos dos prazeres dos entorpecentes. “Quando você entra em um ambiente desses encontra amigos e o berimbau te deixa em êxtase”, convida.

Achar ajuda é difícil, e os olhos fechados do poder público para a periferia tornam a transformação social que previne o crime ainda mais rara. De acordo com o mestre de capoeira, a realidade da periferia não é conhecida pela maior parte da sociedade, o que instiga à atual insegurança. “Por isso, os testemunhos de quem já esteve no meio do furacão, do crime, são importantes. Eles mostram como saíram e mostram que a capoeira pode ser um dos caminhos”, acredita.

Adriano Alves, 17, sabe dos benefícios que as aulas trazem. “Além de ser uma boa atividade física, ajuda a desenvolver a parte social da gente, porque tem a inclusão. E ainda é um lugar para se divertir”. Sobre as dificuldades da adolescência, principalmente se a criminalidade estiver por perto, oferecendo o que não se pode ter com tanta facilidade, Adriano diz que a capoeira vai além. “A prática da capoeira te tira disso, te dá outro foco”. (Sara Oliveira)

 

Saiba mais

Bairros com maior incidência de atos infracionais (2015)

Bom Jardim (113)

Messejana (81)

Pirambu (74)

Vicente Pinzon (70)

Centro (46)

FONTE: Relatório da Unidade de Recepção Luiz Barros Montenegro/STDS, para onde são levados todos os jovens de 12 a 18 anos apreendidos em Fortaleza.

http://www.opovo.com.br/

Programa antidrogas da PM promove atividades com pais e filhos

Apresentação de capoeira entreteve crianças e adultos no Parque da Cidade

Em tempos de discussão sobre redução da maioridade penal e aumento da violência, os jovens são preocupação constante de pais e autoridades. Visando   evitar que crianças e adolescentes se envolvam com drogas, o Programa Educacional de Resistência (Proerd) da Polícia Militar, em parceria com Secretaria de Justiça (Sejus), fez evento no Parque da Cidade para conscientizar e entreter as famílias.

Durante a manhã de ontem, no estacionamento 10, houve atrações como caminhada, jogos de capoeira, slackline, aulas de zumba e ensaio de uma ala de escola de samba. “O objetivo é envolver a comunidade e chamar atenção para a prevenção contra os narcóticos”, explica o sargento Leandro José. “A ideia era criar um encontro atrativo para os vários públicos atendidos, incluindo pais e crianças até o 7º ano”, completa.

O militar lembra que a metodologia do Proerd envolve conscientizar os jovens na hora de tomar   decisões. “Tratamos de orientar as crianças para não se afastarem dos pais”, exemplifica José. Para ele, o importante é evitar a ociosidade.

Desde 1992

Popularizados junto ao programa desde 1992 – ano em que foi criado –, os mascotes tanto da polícia quanto do Proerd estiveram presentes. O lobo-guará e o leão  cumprimentaram crianças, acenaram de cima de um furgão e dançaram ao som  da música-tema. “Proerd é o programa. Proerd é a solução. Lutando contra as drogas. Ensinando a dizer ‘não’”, cantaram.

As pequenas Beatriz,   10 anos, e Sofia,   2, gostaram das fantasias e se divertiram ao lado dos pais, o eletricista Guilherme Luis de Souza,   35 anos, e a governanta executiva Francineide Carneiro,   33. “Acho excelente esse trabalho de prevenção, até porque temos muitos exemplos ruins onde moramos, em Santa Maria”, diz o pai.

Para a mãe, é importante fazer a caminhada e distrair a família no fim de semana, com atividades educativas, mas é indispensável comentar sobre o assunto em casa: “Mostramos coisas que vemos todos os dias. Eles ficam chocados e não querem entrar para essa vida”.

 
Motivação para trilhar um bom caminho
 
O cabo da Polícia Militar Iracildo Sena Martins, também conhecido como mestre Pezão, é instrutor do Proerd e estima atender a mais de 1,8 mil garotos e garotas, entre aulas de capoeira e o programa de prevenção às drogas. Ele acredita ser necessário manter os jovens motivados a progredir na vida. “A gente trabalha para que eles não parem de estudar e façam curso superior. Tudo para evitar que fiquem nas ruas”, ressalta.
 
Segundo o cabo Martins, o principal é elevar a autoestima dos meninos e mostrar a realidade que pode ser alcançada caso se empenhem. “Fazemos umas viagens, e como tem gente que nunca sequer saiu de casa, eles querem participar. Mas, para ir conosco, não pode beber ou parar de estudar”, explica.
 
atrações
 
O mestre deu aulas em um tatame cedido pela PMDF e apresentou, junto aos alunos, jogos de capoeira com temática indígena. Ao longo da manhã e no início da tarde, ainda houve aulas de zumba e distribuição de brindes.
 

 

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

4º Brasil Synchro Open: Dueto Brasileiro mostra sua “CAPOEIRA”

NADO SINCRONIZADO: DUETO BRASILEIRO MOSTRA SUA CAPOEIRA E UCRÂNIA FAZ HISTÓRIA COM DUETO MISTO

Rio de Janeiro/RJ – Ginga, aús e pontapés. Os movimentos típicos de capoeira foram parar na água na rotina técnica que dueto brasileiro de nado sincronizado Luisa Borges e Maria Eduarda Micucci apresentou nesta sexta-feira, 10/04, no 4º Brasil Synchro Open.

Esta é uma das coreografias que estão sendo trabalhadas para os Jogos Olímpicos Rio 2016, que acontecerão no mesmo palco do Synchro Open: O Parque Aquático Maria Lenk. A competição conta com nove países além do Brasil e entre eles a Ucrânia trouxe uma novidade: o dueto misto de Oleksandra Sabada e Anton Timofeyev. Os dois voltam à piscina no domingo e já entraram para a história como a primeira dupla mista a se apresentar oficialmente no país. Nove países além do Brasil disputa o Synchro Open, que vai até domingo, 12/04 (ver programa no final).

A dupla espanhola de Paula Klamburg e Ona Carbonell venceu a prova de dueto técnico com uma instigante e criativa coreografia baseada em eletrônica. As medalhistas de prata dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 somaram 88.489 pontos. Segundo Ona, esta é rotina que será apresentada no Mundial dos Esportes Aquáticos de Kazan. A Ucrânia da dupla Lolita Ananasova e Anna Voloshyna sempre na luta com o primeiro pelotão de potências do nado sincronizado ficou muito próxima, com 88.2350. As jovens chinesas gêmeas Qianyi e Liuyi Wang, em preparação para assumirem o posto de principal dueto do país, obtiveram 87.3220 e ficaram com o bronze. A dupla brasileira foi quarta colocada, com 81.0087.

A coreografia brasileira foi apresentada pela primeira vez nos campeonatos abertos da Alemanha e da França. Os testes valeram, pois a técnica canadense Julie Sauvé, baseada no que foi apresentado na Europa, já mudou radicalmente a rotina.

– Essa coreografia é o nosso rascunho. Até 2016 ainda vai mudar muita coisa e vai melhorar muito mais – disse Luisa.

As provas são divididas em rotina técnica e livre. A coreografia técnica do dueto já foi definida, apresentada e está sendo aperfeiçoada. No entanto, a rotina livre ainda é segredo para o público.

– Essa rotina técnica a gente colocou bem mais difícil, mais rápida. Vamos mudar com certeza muita coisa. A coreografia livre é surpresa. Só no Pan! – brincou Duda Micucci, confirmando que o tema livre de 2016 será mostrado nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em julho.

A manhã teve também a rotina livre combinada (Combo), prova em que na mesma coreografia acontecem momentos de solo, dueto e equipe. A Ucrânia (90.367), Brasil (84.9333) e seleção brasileira júnior (77.400) foram ouro, prata e bronze. A disputa contou também com os times do CIEL, da Parabíba (62.600) e da Universidade Técnica do Paraná (58.100). A equipe brasileira entrou com o tema “faroeste” e foi composta por Maria Bruno, Pamela Nogueira, Juliana Damico, Beatriz e Bianca Feres, Lara Teixeira, Sabrine Lowe, Maria Clara Coutinho, Priscila Japiassu, Giovana Stephan, Luisa Borges e Maria Eduarda Miccuci. A técnica Maura Xavier fez sua avaliação da estreia da competição.

– A nossa avaliação é boa! As meninas mostraram progresso e as notas aumentaram, tanto no dueto quanto no combo. Tivemos boas nadadas. O dueto alcançou as metas que delimitamos, mas nós queremos sempre mais. Já recebemos elogios das outras seleções e o reconhecimento de evolução também é muito importante. Apesar de não ser um dos nossos principais objetivos (por fazer parte do programa olímpico) o combo se apresentou muito bem, mesmo com a ausência de Lorena Molinos, por lesão, na última semana, as meninas se recuperaram a fizeram uma bela apresentação – Maura Xavier

Dueto Misto: Uma prova que veio para ficar – Grande novidade da competição, o atleta Anton Timofeyev não parou de posar para fotos com as novas fãs e de dar entrevistas. Ele volta à piscina no domingo, onde se apresentará com Oleksandra na prova de dueto livre. Natural de Kharkov, com 26 anos e casado, Anton vai competir no Mundial de Kazan, estreia da prova em um Mundial da Federação Internacional de Natação. Ele afirmou que a esposa sempre o apoiou muito e que está seguro de uma medalha na competição na Rússia.

– Achei que a decisão da FINA em incluir a prova foi certa, pois o dueto misto é um bonito esporte. A apresentação pode ser um show. Eu treinava a natação da equipe de nado sincronizado e então comecei a praticar e a repetir os movimentos delas sem muitas pretensões. Treinei nado sincronizado de 2002 até 2007, depois parei e agora estou treinando outra vez há apenas três meses. Meu técnico me chamou quando se tornou oficial. Acho que vamos ganhar uma medalha em Kazan. Vamos competir com Rússia, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Turquia. Estes são os países que sei que estarão lá. Será histórico – disse.

O Brazil Synchro Open é realizado com recursos dos Correios – Patrocinador Oficial dos Desportos Aquáticos Brasileiros, e ainda do Bradesco/Lei de Incentivo Fiscal, Lei Agnelo/Piva – Governo Federal – Ministério do Esporte, Speedo, Sadia e Universidade Estácio de Sá. 

4º Brazil Synchro Open – 10 a 12/04 – Programação

10/04 – 18h10 – Solo Técnico

11/04 – 09h15 – Equipe Técnica – 12h15 – Solo Livre

12/04 – 09h15 – Dueto Livre – 12h15 – Equipe Livre

 


Matéria sugerida por Nélia Azevedo
http://www.cbda.org.br – Eliana Alves/ Souza Santos/ Mariana de Sá

Brusque: APAE & Capoeira

Alunos da Apae de Brusque participam de encontro de Capoeira

Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Brusque foi palco de um grande encontro na tarde deste sábado, 20 de junho. Com o ritmo de berimbaus e ao som do “Paranauê, paranauê-paraná” e outros cânticos, alunos da entidade que fazem parte do projeto de Capoeira participaram de uma grande roda, que contou também com a graduação e troca de cordas de alguns alunos. O evento reuniu alunos, professores, familiares, e praticantes do esporte, que fizeram da roda um momento de grande confraternização. 

Projeto em parceria

A Apae de Brusque desde 1999 tem parceria com o Grupo Camará, que conta com o trabalho voluntário do professor Sidnei Belz (Magal). Desde então, o projeto interrupto oportuna aos alunos da entidade a praticarem essa expressão cultural brasileira, que mistura esporte, dança, ginga e luta. “Aqui são feitas as melhores rodas. Não tem atrito, e o ambiente é sempre muito divertido. Além disso, quando estamos aqui na Apae, enquanto capoeiristas, todos têm o tratamento igual. Não tratamos ninguém de forma diferente, já que essa é uma roda como qualquer outra”, comenta o professor. 

Líder do grupo, Marcelo Backes Navarro Stotz, o “Mestre K.B.Lera”, explica que o projeto auxilia no desenvolvimento dos alunos, entretanto os benefícios também são para aqueles que participam do trabalho.“É uma terapia para nós estarmos aqui. Quando fazemos um encontro como esse, a lição maior é sempre para quem está de fora, já que o que esses alunos  trazem para gente é muito maior do que aquilo que nós podemos proporcionar a eles”, comenta.  Para o mestre, a atividade que historicamente uniu os africanos que vieram para o Brasil, na luta contra a escravidão, hoje une as pessoas de modo geral. “É com essa mesma intenção trabalhamos com grupos como o da Apae: para diminuirmos as diferenças e unirmos as pessoas, já que todos nós somos diferentes”, complementa. 

Alegria em praticar

Entre os alunos, a ansiedade era grande. Sentados um ao lado do outro, em forma de círculo, eles aguardavam a vez de entrar na roda e mostrar o que sabem fazer de melhor: com muita ginga, fizerem movimentos como armada, meia-lua, martelo, macaco, queixada, entre outros.

O aluno Jean Carlos Barni, um dos três que participa a mais tempo das aulas de capoeira, não deixava de lado a alegria de poder colocar os ensinamentos em prática. “É muito legal. Eu adoro participar e jogar com meus amigos”, declarou. O pai de Jean, Elídio Barni, foi um dos vários familiares que esteve no evento para prestigiar o filho. Segundo ele, muitas vezes outras atividades são deixadas de lado pela família, para que Jean possa participar dos encontros de Capoeira. “Tínhamos uma festa para ir agora à tarde, mas não fomos porque ele fez questão de vir aqui. Ele nunca falta nas aulas de Capoeira e sempre priorizamos essa atividade para ele, pois sabemos o quão importante isso se tornou”, revela.

Para a diretora Executiva da entidade, Sandra Helena de Almeida, o projeto ao longo dos anos feito em parceria com a Apae trouxe resultados muito melhores do que apenas a evolução física dos alunos. “Essa prática desenvolve uma série de habilidades, mas principalmente a interação e a relação uns com os outros. Ela só vem a acrescentar, pois e se estabeleceu uma amizade muito forte entre eles, e que faz muito bem”, completa. 

 Assessoria de Comunicação – APAE

Projeto transforma geladeiras velhas em bibliotecas

Movimento Periferia&Cidadania busca incentivar leitura em comunidades carentes do Grande Recife de forma simples

O que faz uma geladeira colorida em uma academia de capoeira, em Jardim Brasil II, em Olinda? O eletrodoméstico, grafitado pelos próprios alunos, crianças com idade entre 6 e 13 anos, desperta a curiosidade de quem entra no Centro Cultural Dinda. “Eu digo que tem água. O que mais poderia ter numa geladeira? Mas aí eles abrem e se surpreendem”, diz o mestre Arquimedes Nogueira, responsável pelo local. O conteúdo, realmente, é para um tipo diferente de sede e fome: a do saber. Cerca de 100 livros e gibis ficam guardados ali, usados pelos meninos e meninas que praticam capoeira, provenientes de comunidades carentes. A ação faz parte do projeto Geladeira Cultural, desenvolvido pelo movimento Periferia&Cidadania, e tem o objetivo de incentivar a leitura de uma maneira simples.

A ideia é do técnico em microscopia eletrônica do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Sergio Santos, 41 anos. Quando tem tempo livre, ele compra as geladeiras em ferro-velho e recolhe doações de livros infantojuvenis. “Levo os eletrodomésticos para associações de moradores e sedes de movimentos sociais em comunidades carentes do Grande Recife. Também estão no Colégio Militar e no IFPE (Instituto Federal de Pernambuco). A última geladeira foi entregue à comunidade Vila Santa Luzia, na Torre (Zona Oeste recifense). A ideia é promover o gosto pela leitura. Depois de instalada, deixo as crianças personalizarem do jeito que quiserem, com grafite”, revela.

O Centro Cultural Dinda recebeu uma das 27 geladeiras-bibliotecas há um ano e meio, para alegria da criançada. Luiz Henrique da Silva, 14, aluno de capoeira, acredita que os livros ajudaram no aprendizado. “Quando o professor atrasa, a gente pega um gibi para ler. Acho muito bom, porque tenho dificuldades para ler. Na minha escola, não tenho biblioteca”. O mestre Arquimedes mantém o espaço no quintal da casa desde 2010 e atende a 25 crianças. Ele reconhece a importância do equipamento. “Quando chegou, foi uma febre. A meninada pega pra ler e adora. Eles não têm outro acesso à leitura. Procuro incentivar”, comenta.

O maior desejo de Sérgio Santos é levar o projeto para escolas públicas. “Já apresentei a ação no III Fórum Mundial da Educação a pessoas de 22 países e a ideia foi adotada em outros sete Estados brasileiros, mas não consigo mostrar o projeto para a gestão local. Não demanda muito espaço, ajudaria a diminuir o déficit de 130 mil bibliotecas no País”, lamenta. A maior dificuldade é arrumar livros. “Compro o eletrodoméstico por R$ 30, algumas recebo como doação. Arco com muitos custos e não tenho condições de comprar muitos livros”, explica. Segundo dados do Censo Escolar realizado em 2013 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), apenas 36% das 9.861 escolas públicas e privadas da educação básica em Pernambuco dispõem de bibliotecas. 

Quem quiser ajudar pode fazer doações na Associação de Moradores de Jardim Brasil II, na Praça Alvorada, bloco N, apartamento 102, ou na sede do 29º Grupo de Escoteiros do Mar (Gemar) Exército da Salvação, na Rua Conde de Irajá, nº 108, bairro da Torre. Para entrar em contato, basta ligar para o telefone (81)98804-9745. 

 

Fonte: http://jconline.ne10.uol.com.br/

Documentário: Nego Bom de Pulo

Nego Bom de Pulo – Mestre Nô e a Capoeira da Ilha

 

“Uma história de amor à arte e à cultura e uma vida inteira dedicada à Capoeira. O documentário conta a história de Mestre Nô, um mestre baiano, hoje conhecido internacionalmente por sua tradição e seus fundamentos, que influenciou, de maneira direta, as primeiras gerações de capoeiristas em Florianópolis e contribuiu com a formação de uma identidade chamada de Capoeira da Ilha.”

A História não para. A Capoeira, manifestação de resistência cultural (efísica) afro brasileira faz parte da história do Brasil e de Florianópolis. Movimento contínuo. Atravessou dois séculos, escondida nos guetos, terreiros e quintais, proibida de ser praticada. Atualmente, mesmo sendo Patrimônio Imaterial Cultural do Brasil e do Mundo, permanece marginalizada.

O Documentário, “Nego Bom de Pulo”, nos movimenta pelo tempo e pelo espaço. Registra a cidade no século passado, décadas de 1980 e 1990 pelo olhar de quem faz da capoeira oficio e vida. 

Apresenta a vida de Mestre Nô, baiano de Itaparica, e sua trajetória para o sul do Brasil, a caminhada do homem que é capoeira na roda e na vida. Revela o pensamento e o trabalho de toda uma geração de jovens capoeiras que se tornaram responsáveis pela valorização dos velhos mestres e seus fundamentos e pela formação de uma identidade chamada de Capoeira da Ilha.

Na tela a luz mais forte é para esses jogadores, capoeiras, que vindos de distintos lugares forjaram na cidade de Florianópolis, nas suas ruas, praças praias e mercado uma capoeira resistente, maliciosa, com combatividade e fundamento.

A Capoeira está no FAM – Festival Audiovisual do Mercosul e quem nunca viu venha ver!

Axé.

  • Diretor: Kiko Knabben
  • Cidade: Florianópolis, Canoas, Salvador
  • Estado: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia
  • País: Brasil
  • Categoria: Documentário
  • Duração: 83
  • Classificação Indicativa: Livre

Ficha Técnica:

  • Roteiro: Kiko Knabben, Giorgia Enae, Fábio Machado, Jô Capoeira, Danuza Meneghello, Mestre Pinóquio
  • Direção de fotografia: Kiko Knabben
  • Direção de arte: Giorgia Enae, Kiko Knabben
  • Montagem/edição: Kiko Knabben
  • Animação: Giorgia Enae, Kiko Knabben
  • Som direto: Pedro Broering
  • Edição de som: Kiko Knabben
  • Trilha Sonora Original: Missiva
  • Produção executiva: Fabio Machado

 

Pág do Facebook: https://www.facebook.com/negobomdepulo/

 

Quilombos urbanos de Belo Horizonte

Documentário retrata comunidades quilombolas de Belo Horizonte assistidas pela DPU.

Belo Horizonte – O documentário Vozes da resistência: os quilombos urbanos de Belo Horizonte, com argumento e direção de conteúdo do defensor público federal Estêvão Ferreira Couto – titular do Ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva da Defensoria Pública da União em Belo Horizonte – e direção geral de Zuleide Filgueiras, servidora da unidade, é um longa-metragem, com 1 hora e 40 minutos de duração, que tem como tema central a questão da regularização fundiária do território de três comunidades quilombolas da capital mineira: Luízes, Mangueiras e Manzo Ngunzo Kaiango.
 
Assistidas pela DPU em Belo Horizonte, as comunidades buscam a segurança jurídica do direito à propriedade, resistindo e lutando pela garantia de salvaguarda de seu território.
 
Apesar do termo quilombo remeter ao passado histórico do Brasil colonial e imperial e evocar a ideia da resistência à escravidão, o conceito de quilombo, abordado no documentário, ultrapassa o significado do binômio fuga-resistência, trazendo a atenção do espectador para a contemporaneidade, a partir da luta dos movimentos sociais por direitos e reparação no contexto atual das relações interétnicas brasileiras.
Além do enfoque na titulação das terras, o documentário mostra a importância do espaço do quilombo para a identidade quilombola, já que as comunidades relacionam-se com o território ocupado há muitos anos, compartilhando em grupo tradições e práticas culturais herdadas dos antepassados.
 
Participam como depoentes do documentário os defensores públicos federais Estêvão Ferreira Couto e Giêdra Cristina Pinto Moreira e algumas cenas foram filmadas nas dependências da DPU em Belo Horizonte.
 
Assista um fragmento de 6 minutos do documentário, cujo enfoque é a atuação da Defensoria Pública da União na causa quilombola.
O documentário completo, com 1 hora e 40 minutos de duração, tem previsão de finalização e lançamento para agosto de 2015.
 
{youtube}v=7L5GYLrRoRM{/youtube}
 
O vídeo mostra CAPOEIRA E MACULELÊ.
 

 
GMF/MGM
Assessoria de Comunicação Social
Defensoria Pública da União

Waldemar da Paixão Gravação Histórica de 1953

O Barracão

Mestre Waldemar construiu o seu barracão no morro que chamavam ainda do Corta-Braço no início dos anos 1940, não longe da Estrada da Liberdade.

Já existia na vizinhança o terreiro de candomblé dos Egugun de Tio Opê. Muitos trabalhadores baianos invadiram terras neste setor para constroirem as suas casas. 

O terreiro de mestre Waldemar localiza-se no célebre bairro proletário da Liberdade. Bairro de grande densidade de população, sem pretensões, esquecido da Prefeitura que se preocupa em embelezar e cuidar só daqueles trechos da Cidade do Salvador que se encontram à vista do turista. Quanto ao bairro da Liberdade, não é para “gringo” ver. Como todo bairro operário, não tem calçamento, é cheio de valas onde, em tempo de chuva, as águas apodrecem envoltas em nuvens de mosquitos; seus incontáveis casebres mal se têm de pé, e se o fazem é por pura teimosia. Abundam as vendolas onde se compra desde a jabá até a caninha. É um bairro repleto de vida e de movimento, corajoso e revoltado.

 

A Musicalidade de Waldemar

Waldemar marca a sua diferença de conceito com os músicos usando o termo gritar*, tratando-se de cantar para a capoeira. Nem ele, nem Mestre Bimba aceitaram o violão em suas capoeiras. Até hoje, é costume que os membros da charanga sejam capoeiristas.

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*gritar — Esta diferença de estilo vocal certamente faz parte de uma repartição geral dos papeis entre homens e mulheres na Bahia da época, na qual a capoeira é uma atividade masculina. Uma cantiga de capoeira affirma explicitamente: Quem bate pandeiro é homem / Quem bate palma é mulher. No samba e no candomblé somente os homens batem os tambores, enquanto as mulheres sacodiam o shekerê, batem palmas e cantam. Waldemar talvez usa o termo gritar tanto para afirmar a sua masculinidade que para se diferenciar dos cantores de radio.

 

Estética é Importante…

A pintura do berimbau, inventada por Waldemar, foi adoptada por muitos, mas não por todos. Ao menos Mestre Bimba não a aprovava (Shaffer 1977:26-27).

De acordo com as nossas medidas, uma diferença de um tom não pode ser alcançada com um berimbau maior do que 1.20m, tamanho conforme ao relatório de Shaffer 1977:21 sobre os berimbaus de Waldemar, de quem o autor recolheu também uma medida logicamente baseada no tamanho da mão, sete palmos. No caso, um palmo só pode ser a distância do pulso à ponta dos dedos, aproximadamente 17 cm.

 

Fama e Reconhecimento

Pode-se relembrar a apreciação de Waldeloir Rego dezeseis anos mais tarde: Waldemar da Paixão – como bom capoeirista antigo, a sua fama corre paralela à de Mestre Bimba. Quanto às gravações recentes, testemunham na maior parte dos casos de uma construção inteiramente diferente, que repercuta, cremos, outro conceito do jogo.

 

Gravações Históricas de 1953

 

Textos extraídos do site: http://www.capoeira-palmares.fr “Capoeira no terreiro de mestre Waldemar EUNICE CATUNDA” e adaptados ao Artigo pelo Editor.

 

 

{youtube}v=VvDKPXF4WSU{/youtube}

 

Waldemar da Paixão, o Mestre da Liberdade

Revista Capoeira N°07, ano II

 

No último número desta Revista tratamos do desenvolvimento recente da capoeiragem na Bahia, fazendo referências a alguns dos personagens que fizeram o elo do passado das famosas rodas de rua com a realidade que vivemos hoje. Trata-se de uma linha sinuosa, e essa ligação histórica é muito difícil de ser traçada. Felizmente esse percurso vem sendo cuidadosamente reconstruído com o trabalho dedicado de pesquisadores como Frederico Abreu, Carlos Eugênio, Jair Moura, mestre Itapoan, Marcos Bretas, Letícia Reis, Antônio Liberac e alguns outros. Não nos preocupamos, nesse momento, em esgotar e nem mesmo detalhar o assunto, o que seria realmente impossível nos limites dos artigos publicados e, também, pelas nossas próprias limitações. De qualquer forma, o artigo anterior serve como uma brevíssima introdução ao tema que agora vamos abordar. 

Para isso, vamos nos valer de algumas referências a esse capoeira na bibliografia e, principalmente, do depoimento prestado em 1989, há dez anos portanto, para um projeto desenvolvido pelo Ministério da Educação, do qual o autor deste artigo teve a oportunidade de participar, juntamente com outros capoeiristas e pesquisadores, como mestre Itapoan e o saudoso mestre Ezequiel. Naquela ocasião, mestre Waldemar, com 71 anos de idade e sofrendo de mal de Parkinson, nos recebeu em sua casa com toda a gentileza e simplicidade que caracteriza o povo baiano. Foi um dos momentos mais singelos e importantes pelos quais já passei em minha vida. 

Temos visto que a comunidade da capoeira tem despertado a atenção para a vida do mestre Waldemar e sua enorme contribuição ao desenvolvimento da nossa arte-luta. Um bom indicador disso são as cantigas entoadas nas rodas, muitas das quais já fazem referência à importância desse homem, que durante muito tempo esteve quase esquecido por nós capoeiristas. Aos poucos vamos rompendo os limites da dualidade mestre Bimba/mestre Pastinha em busca de outros personagens reais, com histórias e estórias riquíssimas sobre seu cotidiano e sua vida na capoeiragem. No livro Bahia: imagens da terra e do povo, publicado em 1964, Odorico Tavares descreve uma roda de domingo à tarde no barracão de Waldemar no Corta-Braço, na Estrada da Liberdade, destacando as qualidades do mestre como cantor: 

“Com os tocadores ao seu lado o mestre levanta a voz, iniciando o canto. Os jogadores, em número de dois, estão de cócoras, à sua frente. É lenta a toada que o mestre canta, como solista e já os capoeiras acompanham-no em movimentos mais lentos ainda, como cobras que começam a mover-se: olhe o visitante atentamente, como aqueles homens nem ossos tivesses, seus membros parecem que recebem um impulso quase insensível, de dentro para fora. (…) Os homens não se tocam para defesas e ataques que se sucedem em imprevistos segundos. É um milagre em que a violência de um ataque resulte em outro ataque, em que ninguém se toca, ninguém se fere, ninguém se agride. É combate, é baile que dura duas horas.” 

Mestre Waldemar, tendo iniciado a prática da capoeira em 1936, já com 20 anos de idade, foi discípulo de Canário Pardo, Peripiri, Talabi, Siri-de-Mangue e Ricardo de Ilha de Maré: “Eu pedi a esses homens para me ensinar, para eu poder ficar profissional. Pra eu dizer que sabia, e sei mesmo. Aprendi capoeira”, afirmou o mestre. Começou a ensinar capoeira em 1940, ano em que se iniciam as apresentações na Estrada da Liberdade: “Antes era ao ar livre. Depois eu fiz um barracão de palha e os capoeiristas da Bahia vinham todos para cá, para jogar”. Aos poucos, a roda do mestre Waldemar foi se tornando um dos mais importantes pontos de encontro dos capoeiras baianos. Outros locais de reunião da capoeiragem eram, como afirmamos no artigo anterior, o Alto de Amaralina, onde mestre Bimba organizava rodas aos domingos: o tradicionalíssimo Largo do Pelourinho, onde a capoeiragem acontecia sob a direção de mestre Pastinha, e o Chame-Chame, onde ocorria a também famosa roda do mestre Cobrinha Verde. Waldemar nos conta um pouco dos personagens das antigas rodas, falando dos “valentões”: 

“Tinha uns que usavam a navalha na cabeça e jogavam com o chapéu. Comprava um chapéu na loja, e não fazia ziguezague na copa, nada. Da forma que vinha eles usavam. Chapéu era canoado, copa redonda, que era a navalha presa com uma tira de borracha. Eu jogava de chapéu, mas não usava nada. Eu não quis usar essas coisas não. Sempre eu quis ficar de fora de zoada, de barulho. (…) Então esse valor eu tenho até hoje. Todo mundo me aprecia, todo mundo gosta. Chega aqui de ponta a ponta, não tem quem fale de mim, em assunto nenhum. Sei tratar todo mundo bem, não maltrato pessoa nenhuma”. 

É interessante observarmos que nas antigas rodas da capoeiragem, a literatura confirma isso, ocorriam eventualmente conflitos provocados pelos chamados “valentões”. Mas essas figuras vivenciavam o ambiente da capoeira dentro de determinados limites, sobretudo respeitando os mais antigos e reconhecidos como mestres. O respeito ao mestre é, de fato, uma característica marcante da boa tradição da capoeira, e vemos os velhos mestres contarem com orgulho a posição que conquistaram nas rodas de seu tempo: 

“Barulho eu não tive com ninguém, porque eu sempre fui respeitado, nunca ninguém me desafiou. Se me desafiava para jogar, mestre que aparecia aqui, a minha cabeça é que resolvia. (…) Me respeitavam muito, os meus alunos. E não tinha barulho, porque eu olhava para eles assim, eles vinham pro pé de mim e ninguém brigava”. 

O mestre se emocionava ao contar sua história, e a emoção era mais forte quando nos falava da hora em que jogava:

“Quando em tava jogando, eu dizia: toque um angola dobrado. É embolado, ninguém dá um salto. É um por dentro do outro, passando, armando tesoura, se arriando todo. Parece que eu to vendo jogar. Eu joguei muito. (…) Eu gostava de jogar lento, pra saber o que eu faço. Pelo meu canto você tira. Eu canto pra qualquer menino jogar, e ele joga sem defeito. Para os meus alunos eu digo que vou cantar e eles já sabem o que eu quero: são bento pequeno. É o primeiro toque meu. Para o outro tocador eu digo: ‘de cima para baixo’, e ele sabe que é são bento grande. Para a viola eu digo: repique, e ele bota a viola pra chorar”. 

Assim, vamos aos poucos tentando nos transportar para aquele universo das rodas tradicionais, em que a figura do mestre era quase sagrada, respeitada por todos pelo seu saber e suas qualidades demonstradas na roda, no toque dos instrumentos musicais e nas cantigas. Mestre Waldemar, além de grande jogador, era também conhecido como um dos maiores cantadores da capoeira da Bahia: “Tenho orgulho inda na minha garganta, de gritar minhas ladainhas. Canto amarrado da capoeira angola. Isso eu não achei quem cantasse mais do que eu. Ainda não achei. Se mulher pariu homem, pra cantar não se cria…”. Perguntando sobre como se formava a “orquestra” da capoeira, o mestre nos disse: 

“Primeiramente um bom berimbau tocando. Três berimbaus: um berra-boi, um viola e um gunga. Depois, agora nessa moda nova, apareceu o atabaque, mas eram três pandeiros, três berimbaus e um reco-reco. E o instrumento que acompanha o berimbau, para ajudar o berimbau, o caxixi, e tinha o agogô. Depois que colocaram o atabaque em roda de capoeira, mas não tinha isso”. 

Sobre esse trecho, cabe uma observação: sabemos que não se pode estabelecer um padrão rigoroso de como se organizavam as rodas da antiga capoeira, em termos de instrumentação musical, o que se comprova pelos depoimentos de outros velhos mestres, como Caiçara, Bobó, Canjiquinha, Ferreirinha e outros. Entendemos essas diferenças, como afirmamos em outra oportunidade nesta revista, como próprias da cultura popular da qual a capoeira faz parte. Não podemos nos esquecer de que o improviso também é uma característica essencial da capoeira. A riqueza das antigas tradições da capoeira se encontra, segundo entendemos, em seus valores e fundamentos éticos e culturais, que são muito mais importantes do que detalhes como o número exato de cada instrumento que os mestres escolhiam para utilizar em sua roda. Outro comentário que pode ser feito também sobre a fala acima destacada diz respeito à utilização do atabaque: sabe-se que sua associação à prática da capoeira é anterior ao berimbau como se pode constatar, por exemplo, na gravura de Rugendas publicada em 1835. Naquela capoeira aparece um tambor, mas não há berimbau. No entanto, é provável que a prática da capoeiragem nas ruas com folguedo popular tenha, até mesmo por razões práticas, ocorridos por muitos anos sem a utilização de atabaques. Essa pode ser uma explicação para o fato de mestre Waldemar se referir ao uso do atabaque como “moda nova”. 

Retornando, então, ao depoimento do mestre da Liberdade, temos um importante relato sobre como ocorriam suas aulas. Há uma tendência a se pensar que nos círculos da capoeira tradicional o aprendizado estava restrito à convivência informal com o mestre. É verdade que a sistematização de aulas de capoeira, com métodos de ensino com maior rigor, tem na capoeira regional sua origem, mas tem-se identificado entre os mestres mais antigos da angola diversas e interessantes formas de transmissão de seu conhecimento adotadas já nos anos 30 e 40. A respeito do tema, mestre Waldemar nos informou como, em situações de ensino, sinalizava com gestos para os alunos determinando os movimentos que deveriam executar: 

“Eu ensinava na roda, mas tinha os dias de treino. Eles estavam jogando e eu fazia sinal pra fazer tesoura, fazia sinal pra chibatear. Fazia sinal pro outro abaixar”.

Assim, mestre Waldemar dava continuidade à tradição de ensino da capoeira angola, conforme aprendeu com diversos mestres, como já afirmamos. Referindo-se ao aprendizado com Siri de Mangue, antigo capoeira de Santo Amaro, disse-nos Waldemar: 

“Ele dava aquela volta e dizia: ‘Pegue na boca de minha calça’. Eu levava pra pegar na boca da calça dele e ele virava aquela carambola desgraçada e já cobria rabo-de-arraia. Quando eu ia levantando ele dizia: ‘Não levante não, lá vai outro’. Os alunos dele jogavam com a gente como que a gente já era bom. Chegava a riscar o chinelão, o sapato, deixar aquele risco. Naquele tempo tinha capoeira”. 

Observações dessa natureza são muito importantes nesse momento de grande expansão da capoeira nos meios esportivos, escolares e universitários, quando muitos dos novos pesquisadores e professores, muitas vezes pelas dificuldades de acesso às informações históricas, concentram-se em elaborar métodos de ensino em alguns casos sem aproveitar todo um conhecimento acumulado em tradições seculares.(…)

 

Revista Capoeira N°07, ano II (páginas 46 a 50)

 

Homenagem ao Mestre Brasília

Depois de ter comemorado na última sexta-feira dia 29/05/2015, na Vila Leopoldina – SP, os seus 73 anos de idade com muita alegria, Mestre Brasília, um ícone da capoeiragem e um dos precursores da capoeira em São Paulo, o Mestre, recebe também uma merecida homenagem aos seus 73 anos no espaço Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha.

Mestre Brasília vai à Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha falar sobre sua carreira, contar suas dificuldades, realizações e conquistas ao longo de sua vida.

O evento consiste em um bate papo, oficina de capoeira de Angola, e a roda de capoeira para finalizar.

 

Serviço: Programação Cultural

Junho – Dia 2 – Terça-Feira – 15h
 
 
Em homenagem aos seus 73 anos, Mestre Brasília vem à Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha

 

Mestre Brasília – Mais Informações:

 
O próprio Mestre Brasília ensina aos seus alunos no galpão do Circo, localizado na rua Girassol, 323 – Vila Madalena, 
 
Dias e horários: 2a e 4a feiras – das 19h as 22h 

Mais informações: (11) 3815-6147

 
História de Mestre Brasília:

Antônio Cardoso Andrade, nasceu em 1942 em Alagoinhas, Bahia. Discípulo de Mestre Canjiquinha, que por sua vez aprendeu capoeira com Antônio Raimundo – o legendário Mestre Aberrê. 

Brasília pratica capoeira desde 1959, foi um dos precursores desta arte no Estado de São Paulo, e conviveu com renomados mestres como: Bimba, Valdemar, João Pequeno e João Grande. 

Mestre Brasília, que em 2010 completou 50 anos de Capoeira, já gravou três discos reunindo composições próprias e obras do concionário de domínio popular brasileiro, gravou 2 DVD’s e escreveu o livro “Vivências e Fundamentos de um Mestre de Capoeira.”