Capoeira no Campo: Filhos de agricultores participam de oficinas
03 Abr 2007

Capoeira no Campo: Filhos de agricultores participam de oficinas

Já dizia a cantiga: "Ponha lá vaqueiro… ponha jaléco de couro… Ponha jaléco de couro… na porteira do cural…" Projeto pretende levar

03 Abr 2007
Já dizia a cantiga: "Ponha lá vaqueiro… ponha jaléco de couro… Ponha jaléco de couro… na porteira do cural…"
Projeto pretende levar arte, cultura e cidadania para o sertão de Orós. Os beneficiados são os filhos dos agricultores
 
Óros. Enquanto os produtores rurais estão preocupados com a estiagem que assola o campo, crianças e adolescentes, filhos de agricultores, estão tendo a oportunidade de participar de oficinas de arte, cultura popular e cultivo de horta. O projeto Jornada de Arte no Sertão de Orós está ajudando a mudar a vida de um grupo de jovens do distrito de Guassussê. Essa é a segunda edição da iniciativa, idealizada pelo músico e compositor Zé Vicente. O palco para a realização das oficinas é o Sítio Aroeiras. O espaço é amplo. No terreiro de casa, crianças e adolescentes que estudam regularmente em escolas da comunidade aprendem noções básicas de música, nas modalidades de flauta doce e canto, dança popular e CAPOEIRA, contação de histórias, hortas e mudas. Quem estuda pela manhã, participa das oficinas culturais no período da tarde e vice-versa. A idéia vem agradando os alunos dos sítios vizinhos. O projeto é destacado como uma verdadeira oportunidade de aprendizagem de novos conhecimentos, de arte e cultura popular, que geralmente não são ensinados no ensino regular.
As oficinas realizadas hoje são frutos de uma semente plantada pelo músico e compositor, Zé Vicente, em meados da década de 1990. “Na casa da tia Zefa, começamos a desenvolver atividades ligadas à produção orgânica de frutas, hortaliças e plantas medicinais”, disse. “O projeto desde o início contemplou oficinas de artes sobre temáticas da saúde, espiritualidade e educação ambiental”.
Em março de 2006, aconteceu a 1ª Jornada de arte na roça. Foram 12 dias de oficinas de educação musical, poesia, meio ambiente, hortas e mudas. “Aproveitamos o período propício das chuvas no sertão, tempo mesmo de plantar e curtir a mãe natureza”, explica.
 
Na primeira edição do projeto, participaram cerca de 150 jovens. Além das crianças e adolescentes, os pais participaram apoiando as ações, incentivando os filhos ou simplesmente foram admiradores. Nesse ano, o projeto cresceu e foi finalizado neste fim de semana, após 10 dias de atividades. Os alunos que participaram das oficinas de música em 2006, tiveram a oportunidade de iniciar aprendizagem sobre leitura de partitura. O professor, licenciado em música pela Universidade da Bahia, Enoque Norberto, que desenvolve projetos na área de educação ambiental, na Prefeitura de Camaçari, mostrou-se empolgado com o interesse e a facilidade de aprendizagem do grupo.
 
Trinta jovens tiveram a oportunidade de vivência de uma nova atividade, danças populares e capoeira. Acostumados ao ritmo do forró eletrônico que predomina nas rádios, crianças e adolescentes, praticaram passos do maracatu rural no estilo solto baque e maracatu nação, baque virado, além de uma volta às raízes do forró pé de serra, xote e baião.
 
A oficina de dança, coordenada pelo contramestre em capoeira, Rafael Magnata, de João Pessoa, foi uma novidade bem aceita pelos meninos e meninas que arrastaram poeira no sertão de Orós. “O terreiro de casa é para isso, festa, alegria, contemplação da natureza”, observa Zé Vicente.
 
Houve a continuidade da produção orgânica de hortaliças e cultivo de mudas de fruteiras, com orientações teóricas e práticas de campo. Com o objetivo de manter viva a memória dos ancestrais, seus mitos, ritos e bons costumes, foi realizada, no terreiro em volta da fogueira ou à luz de lamparina, uma oficina de narrativas de histórias dos ancestrais.
 
A idéia é resgatar a oralidade de acontecimentos diversos, como a construção do açude Orós, saída dos antigos moradores, cujas terras foram encobertas pelas águas da barragem, para as vilas Palestina e Guassussê.
 
Além das oficinas, ressalta Zé Vicente, houve passeios ecológicos e momentos de espiritualidade em sintonia com a Campanha da Fraternidade sobre a Amazônia. Atualmente, há dificuldades para arrecadação de fundos e alimentos para a realização das atividades. Há um grupo de amigos que apoia a idéia. Os professores trabalham apenas pela hospedagem e passagem. 
 
AMPLIAÇÃO
 
"O nosso objetivo é ampliar essas atividades e formar o Centro Sertão Vivo de arte e ecologia".
José Vicente
Idealizador do projeto
 
Mais informações:
Projeto Jornada de Arte no Sertão realizado no município de Orós
(85) 3232.2373 – Zé Vicente
(88)3581.2555 – Dos Anjos
mail zvi@uol.com.br

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