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Veja como promover e organizar um evento de capoeira

Veja como promover e organizar um evento de capoeira

Promover e organizar um evento de capoeira não é algo simples. Assim como qualquer encontro do âmbito cultural, é necessário ter um planejamento detalhado, com objetivos definidos, para que as atividades se desenvolvam conforme o esperado.

Além disso, para o caso específico de eventos culturais, vale a pena levar em conta algumas particularidades, principalmente porque há um “centro de atenção” para os participantes, isto é, o foco do seu evento. Por isso, é importante pensar em toda a ambientação, os equipamentos necessários, a iluminação, som e infraestrutura, para adaptar o espaço e destacar os locais mais importantes do evento cultural.

No caso da capoeira, também é necessário levar em conta a distribuição do evento, já que pressupõem-se a presença de um local de apresentação dos capoeiristas. 

O artigo de hoje vai dar dicas para você organizar um evento de capoeira de sucesso e oferecer uma experiência única aos convidados e participantes.

 

Quer saber mais? Então, acompanhe a leitura do artigo!

1 – Defina o objetivo do seu evento

O primeiro passo para organizar o seu evento é definir qual é o objetivo da atração. Ou seja, saber o porquê e por qual motivo ele está sendo realizado. 

Dessa forma, é possível deixar claro para todos a importância daquele evento, além de orientar as próximas etapas do planejamento.

Algumas perguntas podem te ajudar na definição do(s) objetivo(s):

  • Para quem o evento é dirigido?
  • Onde e quando o evento será realizado?
  • Qual é o motivo principal da convocatória?
  • É um evento formal ou informal?

Os eventos culturais normalmente são organizados com o intuito de divulgar uma ideia ou produto artístico, ou por um grupo que deseja mostrar ao público a sua manifestação artística. 

Em outras ocasiões, podem ser usados para celebrar uma data importante na cidade ou no país.

No caso específico da capoeira, vale dizer que ela é considerada patrimônio imaterial da humanidade desde 2014, pela Organização das Nações unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). 

Afinal de contas, ela representa a resistência dos povos negros escravizados à bruta violência, sendo um símbolo de uma luta histórica.

Ou seja, um evento de capoeira pode ter a intenção de contar a história do povo escravizado da África, mostrar a importância da resistência do povo negro, além de trazer questões referentes à construção de identidades e representações.

2 – Saiba qual será a atração principal

Um evento de capoeira pode conter várias atrações principais, como a apresentação de capoeiristas profissionais (rodas de capoeira), workshop com aulas da modalidade, organização de debates sobre o aspecto cultural e histórico da prática, entre outros.

O espetáculo escolhido, quer dizer “o centro da atenção”, será o motivo pelo qual o público vai se interessar pelo seu evento. Por isso, é necessário cuidar de todos os detalhes visíveis e não visíveis, incluindo o backstage.

Daí, quando se define a atração principal, é possível dar andamento no projeto. Afinal de contas, uma roda de capoeira tem especificações diferentes de um debate.

Além disso, também é possível definir quem serão participantes do evento. Por exemplo, no caso de um debate, pode ser interessante ter a figura de capoeiristas e professores de história, para a promoção de uma discussão mais aprofundada sobre o assunto.

3 – Escolha a data e o local do evento

Aqui temos uma das partes mais importantes do seu evento de capoeira. Muitas vezes, o próprio espaço onde a apresentação será realizada oferece alguns datas disponíveis. 

No entanto, se você deseja fazer em um dia específico (como uma comemoração), é preciso pesquisar por lugares vagos na data.

Além do mais, vale a pena conferir as especificações do estabelecimento. Por exemplo, verifique se o espaço tem uma rampa de acessibilidade, para tornar o seu evento mais inclusivo, especialmente para pessoas com dificuldade de locomoção (idosos, pessoas com deficiência, entre outros).

Ademais, é importante conferir se o espaço possui os pré-requisitos de segurança indispensáveis para a realização do evento. Isso irá garantir a proteção dos participantes e convidados, mesmo em caso de acidentes e acontecimentos inesperados.

O auto de vistoria do corpo de bombeiros é um dos laudos mais importantes em questão de segurança. 

O documento comprova que o local está apto para funcionar conforme determina a legislação, contendo todos os equipamentos de combate a incêndio devidamente instalados.

Fora isso, nesta etapa também é importante definir o número de pessoas estimada para o evento. Ou seja, você precisa arranjar um local adequado, para que todos os participantes e convidados possam circular confortavelmente no espaço.

O número de pessoas também é imprescindível para definir a quantidade de mesas, cadeiras e a infraestrutura básica que suporte a quantidade esperada (como banheiros e bebedouros disponíveis).

Ao definir o local, você pode começar a planejar a cenografia para eventos, já que toda a infraestrutura da apresentação principal deve ser montada no local da atração.

Veja como promover e organizar um evento de capoeira Capoeira Portal Capoeira

4 – Faça um checklist da infraestrutura necessária

Agora é o momento de listar tudo o que é necessário para que o seu evento aconteça. Vale a pena colocar tudo no papel para não esquecer de nada.

Uma das coisas mais importantes é entrar em contato com os fornecedores e levantar orçamentos para firmar parcerias.No checklist, também leve em conta as empresas que estão interessadas em patrocinar a sua apresentação. Os eventos culturais costumam receber patrocinadores, pois é uma técnica que as empresas usam para aproximar a sua imagem do público.

Por causa disso, verifique se os valores das empresas interessadas dialoga com os objetivos do seu evento. Afinal, o patrocínio pode ajudar na parte econômica, sendo parte do financiamento da sua atividade.

5 – Elabore materiais para divulgação

Dependendo dos objetivos do seu evento, você pode ter uma lista específica de convidados ou montar um programa aberto ao público. 

Por esse motivo, deve-se focar na divulgação, com produtos midiáticos bem feitos, para que a imprensa especializada possa publicar seus conteúdos e para que seu público-alvo tome ciência do evento.

Uma das possibilidades é investir em mídia out of home, que são os famosos “outdoors”. Eles ajudam para que mais pessoas conheçam o seu evento, contribuindo para uma divulgação muito mais efetiva.

Em conjunto, você também pode optar por outros meios de divulgação, como propagandas virtuais, por meio de sites e redes sociais.

Caso você não tenha experiência na criação de materiais publicitários, vale a pena buscar por uma empresa de comunicação visual para criar a identidade do seu evento e, além disso, contribuir com a divulgação e marketing.

Dependendo do tamanho do seu evento, bem como o orçamento disponível para estratégias de marketing, é possível investir em equipamentos de propaganda ainda mais chamativos. 

Um bom exemplo é o painel de led para propaganda, que pode ser instalado em locais de grande tráfego, como rodoviárias e aeroportos.

6 – Monitore os resultados

A organização de um evento não termina com o fim da atividade. Pelo contrário, é preciso avaliar os resultados da sua apresentação, incluindo o feedback dos participantes. Com isso, é possível garantir que os próximos eventos sejam ainda mais produtivos.

Devemos conhecer e entender as falhas com uma forma de evoluir, para que no futuro, elas não sejam cometidas novamente. Por isso, nunca encerre um evento sem fazer o monitoramento e avaliação dos resultados.

Conclusão

A organização de um evento de capoeira é complexa, assim como qualquer atividade ou apresentação cultural. É preciso ter um planejamento detalhado, para que todos os objetivos possam ser alcançados e o público tenha uma boa experiência.

Sendo assim, vale a pena começar a se preparar com antecedência, ter um cronograma das etapas e cuidado na hora de fechar parcerias. 

Além do mais, não se pode esquecer de algumas questões básicas, como segurança e acessibilidade para os convidados e participantes.

Com tudo isso, as chances do seu evento ser um sucesso são grandes. Assim, você pode adquirir cada vez mais contato com o público e promover novas atividades.

Fonte: Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.

Coletivo Capoeiragem São Paulo

Coletivo Capoeiragem – São Paulo – Zona Oeste

“Era eu era meu mano… Era meu mano era eu

MALUNGOS

O importante é estar juntos… Mesmo que distantes…

Coletivo Capoeiragem, unindo ideias e ideais…

 

Dinho Nascimento, Letícia Vidor, Milani, Peixe Crú, Lelo e Mestre Kenura juntos em um um bate papo informal e descontraído sobre capoeiragem de São Paulo… Não percam!

 

Coletivo Capoeiragem Bahia Capoeira Portal Capoeira

 

Nesta Quinta-feira, 21/05 no canal do Portal Capoeira no Facebook:

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16:00hs Brasil – (Brasília)

21:00hs Alemanha-Itália-Espanha

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O LUGAR (IN)COMUM DA MULHER NA CAPOEIRA

O LUGAR (IN)COMUM DA MULHER NA CAPOEIRA

Há tempos, ou por toda a minha trajetória, tenho sido convidada para fazer falas em eventos. Já virei figura carimbada com rótulo de depoimentos que revelam a minha história de vida, e como, na condição feminina, consegui sobreviver a um processo formativo até a titulação de mestre de capoeira, na BAHIA. Sobre a natureza destes convites e o que está por trás deles, revelando o lugar (in)COMUM de tudo aquilo que uma mulher pode fazer na capoeira, que vamos tratar neste texto.

Peço, no entanto, que a força do feminino que habita em cada um de nós, da sedutora e intuitiva mãe Oxum, possa abençoar meus dedos a fazer uma escrita sensata, sensível e antenada com o mundo que acredito, um mundo de homens e mulheres vivendo juntos e em harmonia, demonstrando a sabedoria da equidade, do feminino e do masculino em ato e amor.

Então… quando penso nos convites que recebi e dei conta, revelam-se muitas dúvidas, outras tantas certezas que circundam o pensamento sobre a formação de mulheres em capoeira.

Nas dúvidas, acredito que perguntas como: Será que ela tem competências em capoeira? Como será que foi o percurso formativo desta mestra? Será que ela vive o mesmo universo que o meu? Será que de fato ela vive, com a mesma intensidade, as cobranças que são feitas aos homens diante dos elementos que fundamentam a capoeira? Será que não foi uma graduação de benevolência do seu mestre, que por vezes pode ser também seu esposo? Será que não “entrou pela janela”?

Nas certezas, seguem convicções como: Vou enxertar a programação com esta mestra para afastar o discurso de que sou machista e não dou vez a mulher!… Se ela for fraca, é mulher mesmo!… Vou pedir a ela pra contar sua trajetória de vida, pois, sabendo que mulheres são frágeis e incompetentes, ela preencherá o tempo destinado a esta concessão no evento “contando histórias” e o resto eu preencho com “capoeira de verdade”, protagonizado pelos companheiros que convidei! …

Entre dúvidas e certezas, sempre está a baixa expectativa do meu potencial enquanto capoeirista… Se há culpados? Com certeza! Mas prefiro crer que mais que encontrá-los/las posso anunciar saídas… Entre as dúvidas e certezas, que prefiro conceituar de certezas provisórias, mora a brecha da possibilidade de encontrar em mim mais do que uma contadora de história de vida.

Se ao invés das motivações descritas acima você me convidar para apresentar os saberes que me constituem enquanto mestra, poderá identificar a qualidade, ou não, de minha formação, cada passo que dei para conquistar este lugar de fala – o lugar de conhecedora da arte capoeira… Cada toque que fiz e refiz para alcançar o alto nível em meu tocar… Cada cantiga que entoei, de diferentes mestres antigos que escutei para dar vida ao meu canto… Cada aluno que toquei nas mãos para fazer nascer o brilho e encanto pela capoeira… Cada evento que produzi, para ver a capoeira se estabelecendo enquanto ferramenta de formação humana… Cada roda que experimentei pelo mundo afora, vivenciando a vida por dentro do jogo e o jogo por dentro da vida…

Em qualquer arte, ou campo do conhecimento, semelhante a capoeira, nós somos reconhecidos pelo que produzimos, por isso convido a todos/as a refletirem porque com relação a mulheres e capoeira seria diferente? Não precisamos de concessões, precisamos de um convite, precedido de investigação sobre nosso “fazer capoeira”, para que depois desta análise prévia, você se deixe encantar pelo que vamos apresentar aos seus alunos ou congressistas.

É claro que, neste caminho, encontrarás muitas mulheres que, tal como homens, se escondem em um discurso que nem sempre é acompanhado por uma prática que o sustente, uma berimbau que fale, uma cantiga que arrepie, nem um jogo bem jogado. Muitas vezes ao procurar sua palestrante ou oficineira, irás se deparar com mulheres que não experimentaram a capoeira com profundidade… que não sabem “nem pra onde vai, nem de onde vem” a capoeira… não conhecem seus antigos… suas manhas… nunca tocou, por exemplo, o toque de Iúna pra uma platéia de 100 pessoas, na charanga da regional, para dar vez ao jogo de formados com balões da cintura desprezada… ou não, nunca abriu uma roda de Capoeira Angola com uma ladainha bem entoada, contando a história de seus ancestrais… Isso é que separa o “jóio do trigo”, isso é o que queremos dizer quando falamos “não tem farinha no saco”, serve para mulheres e para homens…

Portanto capoeiras!… quando pensarem em uma mulher para compor o seu evento, pensem na capoeira que a preenche, pois assim estará assegurando a respeitabilidade por quem você convida, o berimbau bem tocado, a cantiga que arrepia e o jogo cadenciado, referenciado, agigantando a mulher na capoeira pela capoeira na mulher.

Axé!

 

* THE (UN)COMMON PLACE OF WOMEN IN CAPOEIRA *

By: Mestra Brisa

For some time, or throughout my career, I have been invited to speak at events. I have already become a figure stamped with testimonials label that reveals my life story, and how, as a female, I managed to survive a formative process until the title of capoeira master, in BAHIA. About the nature of these invitations and what is behind them, revealing the (in) COMMON place of everything that a woman can do in capoeira, which we will deal with within this text.

I ask, however, that the strength of the feminine that lives in each one of us, of the seductive and intuitive mother Oxum, can bless my fingers to do sensible, sensitive and attuned writing with the world I believe in, a world of men and women living together and in harmony, demonstrating the wisdom of equity, feminine and masculine in act and love.

So … when I think about the invitations I received and realized, there are many doubts, many other certainties that surround the thinking about the formation of women in capoeira.

When in doubt, I believe that questions such as: Does she have skills in capoeira? How was the training course for this teacher? Does she live the same universe as mine? Does it really live, with the same intensity, the demands made on men in the face of the elements that underpin capoeira? Was it not a degree of benevolence from your master, who can sometimes also be your husband? Did it not “come in through the window”?

O LUGAR (IN)COMUM DA MULHER NA CAPOEIRA Capoeira Mulheres Portal Capoeira

Certainly, they follow convictions such as I will engraft the programming with this master to rule out the discourse that I am a sexist and I don’t give the woman a chance! … If she is weak, she is a woman! … I will ask her to tell her life trajectory, because, knowing that women are fragile and incompetent, she will fill the time destined for this concession in the event “telling stories” and the rest I fill with “capoeira de truth”, led by the companions I invited! …

Among doubts and certainties, there is always a low expectation of my potential as a capoeirista … If there are culprits? For sure! But I prefer to believe that more than finding them, I can announce ways out … Among the doubts and certainties, which I prefer to conceptualize as provisional certainties, there is a gap in the possibility of finding in me more than a life storyteller.

If instead of the motivations described above, you invite me to present the knowledge that constitutes me as a teacher, you will be able to identify the quality, or not, of my training, every step I took to conquer this place of speech – the place of knowledge of capoeira art … Each touch that I made and remade to reach the highest level in my playing … Each song that I sang, from different ancient masters that I heard to give life to my singing … Each student that I touched my hands to make the brilliance and charm for capoeira … Each event I produced, to see capoeira establishing itself as a tool of human formation … Each roda that I experienced around the world, experiencing life inside the game and the game inside life. ..

In any art, or field of knowledge, similar to capoeira, we are recognized for what we produce, so I invite everyone to reflect on why it would be different from women and capoeira? We do not need concessions, we need an invitation, preceded by an investigation of our “making capoeira” so that after this previous analysis, you will be enchanted by what we are going to present to your students or congressmen.

Of course, on this path, you will find many women who, like men, hide in a speech that is not always accompanied by a practice that sustains them, a berimbau that speaks, a song that chills, or a game well played. Often when looking for your speaker or workshop, you will come across women who have not experienced capoeira in-depth … who do not know “neither where to go, nor where” capoeira comes from … they do not know their old ones … your morning … never touched, for example, Iúna’s touch for an audience of 100 people, in the charanga of the regional, to give time to the game of graduates with balloons from the despised waist … or not, never opened a circle of Capoeira Angola with a well-intoned ladainha, telling the story of its ancestors … This is what separates the “jewel from the wheat”, this is what we mean when we say “there is no flour in the bag”, it is for women and for men …

So capoeiras! … when you think of a woman to compose your event, think of the capoeira that fills it, as this will ensure respectability for those you invite, the berimbau well played, the song that chills and the cadenced game, referenced, looming the woman in capoeira by the capoeira in the woman.

Axe!

Coletivo Capoeiragem Bahia

Coletivo Capoeiragem – Bahia

“Era eu era meu mano… Era meu mano era eu

O importante é estar juntos… Mesmo que distantes…

Coletivo Capoeiragem, unindo ideias e ideais…

 

 

Mestre Jean Pangolin, Mestra Brisa e Milani juntos em um um bate papo informal e descontraído sobre capoeiragem… Não percam!

 

Coletivo Capoeiragem BA Capoeira Portal Capoeira

 

 

Nesta Sexta-feira, 15/05 no canal do Portal Capoeira no Facebook:

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21:00hs Alemanha-Itália-Espanha

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Os Capoeiras e a lida com a intelectualidade predatória

OS CAPOEIRAS E A LIDA COM A INTELECTUALIDADE PREDATÓRIA

Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin

 A arte capoeira tem se transformado muito ao longo da historia, e atualmente é impossível negar seu crescimento no âmbito acadêmico, contudo, a partir de uma relativa fragilidade intelectual pela falta de acesso de muitos membros da comunidade a um processo educativo formal, vez ou outra, a nossa comunidade é atacada por pessoas que tentam manipular a “massa” por uma falsa sapiência em favor do próprio umbigo, constituindo o que tenho chamado de “intelectualidade predatória”.

Essas pessoas nocivas a arte se valem de uma linguagem rebuscada e de “ferramentas” teóricas para camuflar intenções em disputas por espaços de poder, fato que tem construído um “discurso” em torno da capoeira, que tenta substituir as “mãos no chão” por uma “verborréia” vazia e estéril para as culturas populares.

A capoeira se constitui a partir de um “fazer”, e este produz uma teoria fruto de uma “práxis capoeirana”, ou seja, as reflexões mais funcionais devem emergir do “chão da roda”, não cabendo na racionalidade funcional do cartesianismo acadêmico, pois este viola, muitas vezes, a subjetividade da arte e negligencia as historias de vida dos seus interlocutores e toda sua ancestralidade.

Diante deste quadro, quais os encaminhamentos possíveis? Como perceber a “intelectualidade predatória”?….. Bom, não existem formulas prontas e acabadas, mas, tenho usado uma estratégia bem particular e irei partilhá-la aqui com vocês. Neste sentido, para verificar se uma pessoa possui autoridade para tratar da capoeira com profundidade, eu observo se a mesma possui serviços prestados a cultura, cantando, tocando, jogando, conhecendo o ritual e afins, ou seja, se é alguém que efetivamente vive implicado com a capoeiragem, não sendo apenas mais “gigolô da arte”.

Para falar de capoeira é preciso vivê-la, é preciso beber da dor e da delícia de acordar e dormir pensando em como conduzi-la a instância do respeito social. Falar dela sem organicidade, sem mergulhar em suas tensões e belezas, é apropriar-se como um colonizador que sai a recolher terras alheias, ignorando seus povos originários e toda a trama daquele lugar.

Enfim, capoeira!!!!!… Assim como nossa arte nos pede atenção constante no ato do jogo, levemos isto para a vida, identificando quais são estas pessoas que, sob o poder das acadêmicas palavras, podem estar a invadir nossos espaços. Só assim poderemos nos proteger dos ataques que, invariavelmente, tem produzido tantos silêncios, justamente daqueles que mais desejamos ouvir….OS ANTIGOS MESTRES.

Axé.:

Coletivo Capoeiragem

Coletivo Capoeiragem

“Era eu era meu mano… Era meu mano era eu

O importante é estar juntos… Mesmo que distantes…

Coletivo Capoeiragem, unindo ideias e ideais.

 

 

Mestre Pepeu, Capacete, Magrela, Milani e Gugu Quilombola, juntos em um um bate papo informal e descontraído sobre capoeiragem… Não percam!

 

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Nesta Quinta feira no canal do Portal Capoeira no YouTube

https://youtube.com/c/portalcapoeira

15:00hs Brasil – (Brasília)

20:00hs Alemanha-Itália-Espanha

21:00hs Russia- 19:00hs Portugal

#capoeira #capoeiragem #magrela #capacete #capacete #guguquilombola #Pepeucapoeira #milanicapoeira #portalcapoeira #coletivocapoeiragem #todosjuntos

O CAPOEIRA NA “RODA DA VIDA” – Pensando em Esperanças

O CAPOEIRA NA “RODA DA VIDA” – Pensando em Esperanças

Os dilemas constantes da pós modernidade, considerando a grande inconstância da realidade, tornam cada vez mais difícil discernir/escolher entre a busca pelas “coisas da vida” e o cuidado com a “vida das coisas”, pois em um fração de segundos somos capazes de acusar, julgar, condenar e até executar a pena de uma pessoa que consideramos de conduta inapropriada, segundo nossa crenças e valores.

Vivemos em permanente estado de alerta, sempre ávidos a nos escudar pela denuncia do que esta no outro, pois é muito doloroso voltar o olha para nossas próprias imperfeições. Agredimos, gritamos, difamamos e odiamos pessoas, apenas por defenderem idéias diferentes, confundindo a crença alheia com a própria personalidade de quem a professa. Onde isso vai parar?

Não somos capazes de exercitar a tão falada alteridade, pois, em fluxo continuo temos nos tornado aquilo que mais criticamos, muitas vezes utilizando as mesmas armas do excludente de outrora, para excluir outros que nos desagradam. Neste sentido, como bem dito por Paulo Freire, repetimos o comportamento do “oprimido gestando o opressor”. Reivindicamos respeito ao direito de um dado coletivo, invariavelmente, atropelando o exercício deliberativo de outros. Exigimos a possibilidade de “falar”, mas silenciamos quem pensa diferente. Reclamamos da opressão, mas na primeira oportunidade que temos, oprimimos cruelmente e ainda argumentamos que foi merecido, pois os fins justificam os meios.

As relações se tornam frágeis e volúveis, mediadas por uma linha fininha que separa o bom senso e o rancor desmedido, considerando sempre alguma disputa de poder provisória, envolvendo algo que não se sustentará no tempo. Desta forma, na maioria das vezes, os embates não são verdadeiramente sobre e/ou em favor da capoeira, mas sim, entre pessoas, como descreve Foucault, em sua obra “Microfisica do Poder”.

As pessoas envolvidas na “cena social” da capoeira, muitas vezes desconsideram a “roda da vida”, não sendo capazes de aplicar os ensinamentos da arte no exercício cotidiano de lida com sua comunidade, esquecendo de jogar “com” e não “contra” o outro, negando que é no fluxo dialógico que validamos a substituição do “argumento da força” pela “força do argumento”. Por que é tão difícil ser capoeira na vida?

Queremos colher o que não plantamos e fugimos da colheita daquilo que já foi plantado por nós mesmos, pois não aceitamos “errar”, confundindo esse “erro” com algo negativo, e não como possibilidade de emancipação pelo aprendizado de quem tentou “acertar”, ratificando a crise pós moderna do mundo em que “somos livres e podemos TUDO”, mesmo que isso não exista na totalidade material da vida, pois a liberdade sempre pressupõe responsabilidade com as conseqüências do que fazemos.

Eu guardei minha “pedra”, e você, vai continuar jogando as suas, ou me ajudará a juntar todas que jogam em nós,  para JUNTOS, construirmos nosso “castelo”?

Com esperança em dias melhores, AXÉ.:

 

Por: Mestre Jean Pangolin

A Capoeira da Sociedade Liquida

A Capoeira da Sociedade Liquida

Para Zygmunt Bauman, a sociedade atual, pela volatilidade das “coisas”, perdeu parte de suas referencias/costumes, dando lugar a um “mar” de angústias e incertezas. Desta forma, foi possível perceber o surgimento de uma nova perspectiva para a vida em comunidade, centrada no individualismo exagerado e movida pelo consumismo, a partir da ressignificação do capitalismo global, tornado tudo “liquido”.

A tal “liquidez” se expressa para caracterizar um dado formato para as atuais relações sociais, negando a “solidez” de outrora e assumindo, pela multiplicidade de possibilidades, o “lugar nenhum”, ou seja, queremos ser “tudo”, mas não nos percebemos no exercício da vida cotidiana sendo o “nada” que tanto relutamos em perceber.

Em capoeira, invariavelmente, assumimos uma “liquidez” perigosa e travestida de respeito a autonomia decisória, pois, a todo o tempo temos dificuldades com aquilo que é fluido, volátil, desregulado e flexível. Neste sentido, percebemos que quando assumimos uma relação estável, de ordem profissional, amorosa ou de outra natureza, fica a sensação de que estamos perdendo as novidades que o mundo nos oferece, e ai se instaura a crise, pois já não sabemos lidar com escolhas, considerando que nos acostumamos com a ilusão de ter “tudo” sem viver absolutamente “nada” aprofundadamente, ou seja, se tenho uma dificuldade com meu mestre, ao invés de resolver enfrentando a situação dialogicamente, eu simplesmente troco de instituição ou crio um novo grupo, mesmo mantendo as “velhas” estruturas que geraram o conflito.

Quando Zygmunt Bauman afirma que “Vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar”, ele nos ajuda a refletir sobre a grande “dança das cadeiras” das pessoas nos grupos de capoeira e seus respectivos mestres, pois, atualmente a exceção virou regra geral, considerando que é difícil conhecer uma pessoa em capoeira que, ao invés de se perceber como “cliente” de uma instituição de capoeira, se veja como sendo a expressão viva do próprio grupo e/ou seu mestre. Assim, é fácil perceber como os conflitos sociais atuais influenciam a dinâmica da arte capoeira, pois somos incapazes de manter a mesma identidade por muito tempo, atestando uma “cultura do minuto” que fragiliza as relações humanos. Cadê a ancestralidade afrodescendente?

As relações agora se organizam em rede, negando a lógica da comunidade. Assim, os relacionamentos se transformam em conexões, podendo ser feitas, desfeitas e refeitas, com as pessoas se conectando e desconectando conforme a vontade de cada impulso, fazendo com que tenhamos dificuldade de manter laços a longo prazo, consequentemente, matando expressões populares que pressupõem tempo de convivo por sua condição iniciática.

É importante que fique evidenciado neste texto o objetivo de convocarmos a comunidade de capoeira para uma reflexão, sem qualquer apologia a repressão e sistemas de controle que inviabilizam a autonomia critica decisória de cada pessoa, pois os extremos são perigosos e inoportunos para uma sociedade mais democrática, portanto, o que desejo é que, a partir de uma autocrítica, possamos nos perceber sendo cooptados por uma lógica perversa e excludente, que, paulatinamente, vem asfixiando as possibilidades da cosmovisão latente que habita em nós, esmagando a nossa africanidade capoeirana.

 

Vamos nos conectar pela rede social “UBUNTU”? Quantos “LIKES” eu mereço por isso?

Axé.:

Mestre Jean Pangolin

Capoeira: Ensaio sobre a função da diversidade na roda

Capoeira: Ensaio sobre a função da diversidade na roda

A composição de uma roda de capoeira passa essencialmente por considerar a contribuição de diferentes personagens em distintas tarefas. Neste sentido, alguns tocam, outro canta, a dupla joga, e os demais acompanham, tudo mediado pelo mais antigo, que na lógica pedagógica pode ser comparada a “zona de desenvolvimento proximal” de Vygotsky.

Tive a possibilidade de vivenciar uma “cena” emblemática numa roda no estaleiro do Bomfim, em que foi possível aprender com o contexto, pois na roda jogando tínhamos uma japonesa e um norte americano, na bateria tínhamos diferentes mestres de múltiplas referências, atrás da roda acontecia uma cerimônia religiosa de matriz africana, e ao lado tínhamos o tradicional feijão sendo distribuído gratuitamente para alimentar a comunidade, ou seja, no mesmo momento foi possível perceber a “festa”, o lazer, o trabalho e a religião, com tudo interligado harmonicamente.

O detalhe é que a japonesa, jogou muito bem, cantou e tocou, e sua condição de estrangeira , não negra e mulher , não foram argumentos para justificar uma incompetência no trato com a arte, muito pelo contrário, ela soube com maestria usar isso em seu favor naquele ambiente….Sem dúvidas, essa pessoa entendeu o que é a capoeira.

Por outro lado temos sido bombardeados por uma série de iniciativas que nos convocam a um sentido contrário de trato com o potencial dessa diversidade, pois não é estranho que possamos nos deparar com uma chamada de evento…”Encontro de mulheres, negras e angoleiras”….Parece piada, mas é verdade, pois isso lamentavelmente existe, e se não bastasse, também é possível encontrar chamadas como…”Encontro de marxista da capoeira “, ou “Encontro de capoeira gospel”, ou seja, salvo melhor juízo, isso me parece uma tentativa de reinvenção do “negócio” capoeira.

Não desejo fazer uma escrita ingênua que desconsidera a estratégia antiga dos movimentos sociais , em se reunir por afinidades de luta para congregar com o “todo”, mas o problema é que essa tal congregação com o “todo” não chega, pois não é bom para o “negocio”.

Como é possível transformar o “todo” na segregação das “partes” menos favorecidas? É realmente uma estratégia de militância ou apenas mais forma de marketing de um novo/velho “negócio”?

Na verdade a complemetariedade dos diferentes é a força motriz da arte capoeira, e qualquer coisa fora disso, pode atentar contra este princípio estrutural.

Precisamos parar de repelir, excluir o diferente que incomoda, ao passo que, com generosidade intelectual, possamos ter a humildade de reconhecer que juntos somos melhores.

Entre o que acalanta meu ego e o que me tira da “zona de conforto”, optei pelo enfrentamento dialógico, e tenho colhido esse plantio, hora com coisas boas e hora com coisas terríveis para mim, mas pagando o preço pela possibilidade/realidade de contribuir com a arte capoeira.
Vamos lá!!! Vamos expandir a mente para além do “espelho de narciso”?

 

Axé
Mestre Jean Pangolin

Professor de capoeira desaparece ao tentar socorrer vítimas de deslizamento em Guarujá

Professor de capoeira desaparece ao tentar socorrer vítimas de deslizamento em Guarujá

A assistente social Antônia Marques, 51 anos, caminhava no início da tarde desta terça-feira (3), em meio ao alagamento de uma avenida em Guarujá (86 km de SP), para buscar água potável e notícias de conhecidos que sumiram durante o temporal que provocou o deslizamento de parte do morro do Macaco Molhado —as chuvas no litoral sul paulista provocaram a morte de 16 pessoas e outras 33 estão desaparecidas.

Antônia afirmou que sua casa, que fica no morro, foi invadida por água até a altura da cintura, por volta das 2h desta terça-feira. “Só tive tempo de salvar mantimentos. O restante de minhas coisas, perdi tudo”, disse.

Ela contou que conhecia uma das pessoas desaparecidas. Seu amigo, o professor de capoeira Rafael Rodrigues, idade não informada, sumiu no meio do barro e de escombros quando tentava ajudar a retirar pessoas soterradas no local, segundo Antônia. “Até agora não acharam ele. Isso é uma tragédia”, afirmou. 

A filha da assistente social, a recepcionista Tainá da Silva, 27, afirmou conhecer duas vítimas que morreram soterradas.

“Acharam o corpo da Tatiana [amiga dela] e do filhinho dela, 1 ano, agora pela manhã”, afirmou, sem saber informar o sobrenome e a idade da conhecida.

O porteiro Yago Wesley Gonçalves, 27 anos, mora no bairro Vila Elma, ao lado do morro. Ele contou que quando soube do desmoronamento, entre 1h30 e 2h, correu para lá.

“Vi que tinha um braço para fora do barro. Gritei e quatro pessoas [incluindo um bombeiro] vieram ajudar a desenterrar [com as mãos]”, relembra.

O açougueiro Djalma Valentim, 23, foi uma das pessoas que auxiliou.

Gonçalves afirmou que pelo fato de de o barro estar muito instável, usaram tábuas para conseguir até onde estava soterrado o cabo dos bombeiros Rogério de Moraes Santos, 43 . “Levamos uns dez minutos para desenterrar o bombeiro com as mãos”. O bombeiro morreu no local.

A reportagem apurou que por volta das 15h30 desta terça começou a vazar gás de um botijão de uma das casas destruídas pelo desmoronamento. Por isso, a rede elétrica de alguns pontos da comunidade foi cortada, para evitar eventuais explosões.

Na tarde desta terça, 23 voluntários ajudavam bombeiros com três baldes de 20 litros cada, que eram passados de mão em mão, para retirada de lama do morro.

O trabalho voluntário foi interrompido pouco antes das 15h, por ordem dos bombeiros, por causa de dois pequenos desmoronamentos de terra.

Um funcionário da Defesa Civil afirmou que técnicos encontraram, durante sobrevoo, uma cratera no morro. Segundo ele, há novo risco de desabamento.

Quatro cães farejadores da Polícia Militar ajudam na busca por desaparecidos.

 

Fonte: https://agora.folha.uol.com.br/

por Alfredo Henrique