Centro de Instrução de Capoeira Angola – CICA
22 Abr 2005

Centro de Instrução de Capoeira Angola – CICA

Desde seu surgimento, a capoeira sofreu muitas perseguições. Chegou até a ser proibida por lei e seus adeptos exilados em locais como

22 Abr 2005

Desde seu surgimento, a capoeira sofreu muitas perseguições. Chegou até a ser proibida por lei e seus adeptos exilados em locais como o interior de São Paulo e Fernando de Noronha. Depois de anos de repressão, ela quase desaparece por completo. Em Pernambuco, por exemplo, há registros bastante precários dos capoeiras. Foi da necessidade de preservar esta arte que, em abril de 2000, surgiu o Centro de Instrução de Capoeira Angola – Cica.
 
O centro – que possui dois núcleos, um no Derby (Recife) e outro em Ouro Preto (Olinda) – estuda e divulga a capoeira angola através de atividades culturais, educacionais, artísticas e do intercâmbio com demais entidades engajadas no resgate das raízes negras. Além de jogar, os alunos aprendem sobre a filosofia da capoeira angola, seus cantos, toques, ritmos e a confeccionar os instrumentos utilizados na roda. Nos grupos de estudos sobre cultura popular são discutidos temas como a resistência afro-indígena em Pernambuco, musicalidade afro-brasileira e capoeiragem no Recife.
 
Apesar de se basear na didática do Mestre Pastinha, considerado pelos capoeiristas como o guardião da capoeira angola no Brasil, o Cica não possui nenhum mestre responsável pelo grupo. Todo o trabalho é realizado em equipe. Outra curiosidade observada é que não há distinção entre iniciantes ou alunos mais avançados; todos jogam juntos e não usam os cordões que indicam o nível de instrução do capoeirista.
 
Mas não é só nos núcleos que se concentra todo esse aprendizado. Em Peixinhos, Olinda, 80 crianças de 7 a 14 anos que trabalham no lixão, aprendem a arte da capoeiragem com os instrutores do Cica. Numa parceria com a ONG Mulher Maravilha, 20 jovens de Nova Descoberta dão seus primeiros passos na capoeira. No núcleo de Ouro Preto, um espaço cedido pelo governo que atualmente passa por reformas, todo domingo há uma grande roda de capoeira aberta ao público.
 
Segundo a socióloga Lúcia Duncan, uma das fundadoras do Cica, há uma predominância de alunos do sexo masculino, o que é comum em todos os grupos de capoeira em Pernambuco. Ano passado, o centro realizou uma roda composta somente por mulheres que objetivou divulgar melhor a modalidade para o público feminino. Foi uma tentativa válida, mas, ainda de acordo com Lúcia, não obteve o êxito esperado porque poucas mulheres participaram. Ela também revela que os alunos das comunidades carentes aprendem mais rápido, se comparados aos do núcleo Derby, cujo poder aquisitivo é maior.
 
Maria Luísa Maia tem 23 anos e é estudante de odontologia. Há dois anos, ela faz capoeira no núcleo Derby do Cica e acredita que o diferencial do grupo é o equilíbrio entre a teoria e a prática. "Eu já havia feito capoeira em outro lugar, mas aqui, no Cica, pude aprender de maneira mais completa. O fato de todos jogarem juntos é muito enriquecedor, pois permite uma troca maior de experiência."
 
Apesar das dificuldades, o Cica luta para manter suas atividades. O centro não possui sede própria e se mantém com recursos dos próprios instrutores, da venda esporádica de artesanatos e das mensalidades pagas pelos alunos do Derby (R$ 25,00), que aliás, é o único lugar onde as aulas não são gratuitas. Para quem quiser saber mais sobre o Cica, em abril deste ano, o centro lançou o Biriba, um jornal que traz notícias não apenas do centro e do universo da capoeira, mas também da arte popular em geral. O Biriba é gratuito e pode ser adquirido no núcleo Derby, localizado na Rua Manoel Caetano, 42. A próxima edição do jornal sai em outubro.
 
CICA – Centro de Instrução de Capoeira Angola
 
Núcleo Derby: O Norte " Oficina de Criação
Rua Manoel Caetano, 42, Derby, Recife/PE
Fone;(081)34218393 / 99057157
 
Núcleo Ouro Preto: CSU " Centro Social Urbano
Morro do Peludo,s/n, Ouro Preto, Olinda/PE
Fone: (081)34291979( Léo)
e-mail: CICA_PE@yahoo.com.br


Enviada pelo Prof. Leandro Mourelle, apresentamos a nossos Leitores um pouco do trabalho do CICA-PE. Foto por Baco

Fonte Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

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