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A IMPORTÂNCIA DO TRANSE CAPOEIRANO NO JOGO DE CAPOEIRA DA BAHIA

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Há muitos anos, cerca de 40, venho comparando o comportamento dos capoeiristas durante o jogo de capoeira da Bahia e suas atividades habituais.
O convívio com os praticantes das artes marciais orientais, do espiritismo, do candomblé; o estudo do hipnotismo, do ioga, da parapsicologia, da fisiopatologia do sono, dos estados modificados de consciência e a prática da meditação nos permitiram analisar o comportamento e o potencial do ser humano em diversas estágios de consciência.
Os registros históricos, científicos e religiosos de condições de bilocação, teletransporte, telecinesia, materializações e desmaterializações, bem como os estudos de física subatômica, nos vem atraindo a atenção para o efeito dos sons e dos ritmos sonoros sobre os níveis e estados de consciência, bem como a correspondência entre os mesmos e as manifestações motora e comportamentais daqueles sob a sua influência.
É notória a influência da música sobre o estado de humor das pessoas, basta lembrar a tristeza do toque de silêncio, a ternura da Ave-Maria, a agitação do Olodum e dos trios elétricos, os movimentos suaves do balé no “Lago do Cisne”.
É evidente que os movimentos induzido pelo “reagge” são diferentes daqueles do samba, da valsa, do cancã ou do foxblue. Sem falar da marcha forçada sob o rufar dos tambores; da tranqüilidade do silêncio; da irritação pelos ruídos; do pânico ao bramir dos elefantes, do rugir do tigre, do estrondo das trovoadas; da sensação de bem estar e conforto trazida pelo ruflar da brisa suave na folhas…
A cultura africana encontramos o uso de música, ritmo e cânticos como gerenciadores, coordenadores, estimuladores de atividades comunitárias como pesca, caça, plantio, etc.
O candomblé oferece-nos uma variedade de toques de atabaques, com diversos ritmos e andamentos, capazes de desencadearem manifestações motoras padronizadas sob categorias de orixás.
É conveniente estudar as associações de toques, ritmos e andamentos com os padrões de comportamentos dos orixás e personalidades dos “filhos de santo” para melhor entendermos a influência dos toques, ritmos e andamentos nos desenvolvimento do jogo de capoeira, consoante a variedade de temperamentos e personalidades dos capoeiristas.
O exame das fotografias de Pierre Fatumbi Verger, de cenas de candomblé colhidas na África, documenta a identidade daqueles movimentos durante o transe dos orixás, que manifestam a atividade gerada pelos toques e ritmos musicais do candomblé e destes da capoeira.
É conveniente lembrar a associação dos estados de humor com as expressões faciais e posturas do corpo para compreendermos melhor as repercussões das modificações de estado de consciência e as manifestações motoras conseqüentes.
Todos reconhecemos os ombros caídos do desânimo, o olhar de tristeza, a vivacidade dos movimentos de alegria, a expressão corporal do animal prestes a atacar, etc.
Quantos outros quadros poderíamos citar?
Portanto, se a música pode alterar o estado de ânimo e as suas manifestações motoras estáticas e dinâmicas, forçosamente teremos que concluir que o andamento, ritmo, palmas e cantos também modificam o comportamento dos capoeiristas durante o jogo.

INFLUÊNCIA DO ARQUÉTIPO COMPORTAMENTAL

Ante um mesmo toque, ritmo e andamento, os diversos arquétipos manifestam sua identidade de modo particular, especifico para cada entidade comportamental (com nuanças especiais, intrínsecas a cada ser e cada momento histórico) de modo que o comportamento é praticamente imprevisível a cada instante, porém com um fluxo natural, espontâneo, ingênito, inato… instintivo como dizia Bimba.
Assim é o próprio Bimba conhecia o fato e afirmava “é o jeitcho dêle“, permitindo que cada um jogasse capoeira com suas características pessoais.
Fato muito notório em certos capoeiristas de movimentos muito lentos, porém dotados de grande mobilidade articular e elasticidade, como Prof. Hélio Ramos, “Cascavel,” Eziquiel “Jiquié”, “Caveirinha”, entre tantos. Assim é que “Atenilo” (jocosamente conhecido como “Relâmpago”) um dos mais antigos dos alunos do Mestre, jamais modificou seu estilo tardo, lerdo, ingênuo, de praticar a capoeira.


Entretanto, ainda hoje não consigo reconhecer ou identificar os vários arquétipos de capoeiristas, mas posso perceber de modo vago, as semelhanças que se repetem independentemente de mestres, momento histórico e localização geográfica.
Assim é que venho detectando similitude do que chamamos de “jogo” (estilo pessoal, jeito particular de jogar) em alunos de diferentes mestres e em regiões diferentes, i.e., encontrando “jogos” parecidos com alguns dos companheiros de meus tempos antigos em locais diversos, como em Natal/RN, Goiânia/GO, etc.
Fato mais surpreendente foi ver, recentemente, na Academia de Mestre João Pequeno de Pastinha, aparecer um rapaz, cujo nome e mestre não consegui identificar, cerca de 17 anos, negro, alto, longilíneo; pescoço fino, elástico e forte; com um jogo incrivelmente semelhante ao do meu Mestre (Bimba), a ponto de me sugerir a sua reincarnação.

TOQUES PACÍFICOS E TOQUES DE GUERRA

Os vários toques, ritmos, andamentos e cânticos de candomblé associam-se a modificações de estados de consciência (transe de orixás) específicos de cada arquétipo. Sendo o estado de transe provocado pela adequação, sinergia, sintonia, harmonia, da música com o arquétipo (sensibilidade do ente sob seu campo energético ou vibratório).
Assim é que uma pessoa, sujeita aos diversos tipos de vibrações orfeônicas em campo sonoro desta natureza, poderá permanecer indiferente a vários padrões orfeônicos ou exteriorizar sua sensibilidade por manifestações motoras ou psicológicas em algum momento ou padrão, com o qual seu arquétipo se harmonize.
Consoante o tipo sonoro, pacífico, belicoso, calmo, agitado, lento, vivo, moderado, rápido, a entidade em sinergia manifestará sua sintonia por movimentos calmos, majestosos, vivos, violentos, guerreiros, etc.
Dentre os toques calmos destaca-se o ijexá, pela paz, alegria, felicidade e requebro a que se associa, razão pela qual permite os movimentos do samba de roda, do afoxé, batuque e capoeira.
A importância atribuída pelo nosso Mestre ao toque era tal que o compelia a usar apenas a musica do berimbau (tocado pelo próprio), sem pandeiro, para que os aprendizes fixassem o ritmo-melodia em toda sua plenitude. A exclusão de todo e qualquer outro instrumento que não berimbau e pandeiro da orquestra também decorria desta premissa.
Freqüentemente, quando os alunos jogavam com muito açodamento e velocidade durante um toque de “banguela” o Mestre resmungava:

“Tô disperdiçandu minha banguela!
“Só merecem mesmu a cavalaria!”
E…
“virava” para o toque mais duro e bruto da “regional”…
impiedosamente mais adequado para os embrutecidos…
insensíveis e afobados.

O CAMPO ENERGÉTICO
DA ORQUESTRA, CANTO, PALMAS E JOGO

O capoeirista, como todos os demais participantes duma roda de capoeira, está encerrado num campo energético, com o qual interage e portanto sujeito a todos os seus fatores em atividade
Reflete, portanto, não só seu estado pessoal, porém aquele do complexo energético da roda, sofrendo a influência de todo o conjunto.
Toda a excitação ambiental envolve os jogadores e transtorna a condução do espetáculo, o qual poderá evoluir para um circo romano em toda sua barbárie.
Razão pela qual, a assistência do jogo da capoeira, antigamente, nas festas de largo, assistia silenciosa e respeitadora, como numa cerimonia religiosa, o desenrolar do jogo de capoeira, procurando guardar os detalhes de cada um dos lances à procura da descoberta do mais habilidoso, elegante, malicioso, inteligente, destro dentre os participantes.
O silêncio e a paz ambiental propiciam a melhor percepção da mensagem orfeônica, o desenvolvimento do transe capoeirano e portanto, o desenrolar do jogo.
As palmas, introduzidas pelo Mestre Bimba para enfatizar a participação da assistência e esquentar o ritmo, alcançam atualmente intensidade tal, que não mais permitem ouvir o toque do berimbau e muitas vezes, sequer os cânticos, desnaturando a capoeira no seu ponto mais nobre, a musicalidade, fonte do transe, ponto capital do jogo.
O atabaque, formalmente condenado pelo Mestre Bimba, durante todo o tempo em que acompanhei a sua rota, foi introduzido pelo Mestre Pastinha e ulteriormente usado pelos grupos folclóricos, a partir de Camisa Roxa, Acordeom, Itapoan, etc. para enfatizar a “africanidade” original. Tocado por quem de direito, suave e discretamente, como pelas orquestras de Mestre Pastinha e seus descendentes; conhecedores dos arcanos, fundamentos, segredos musicais africanos, marca o andamento e acompanha o toque do berimbau, instrumento-rei da capoeira, ao qual deve acompanhar e jamais suplantar, obscurecer.
Em mão desabilitadas, como ocorre na rodas da chamada regional atual, torna-se arauto de ritmo guerreiro e acarretam um transe violento, que vem matando, ferindo, lesando impiedosamente os seus praticantes, desde que provoca um transe agressivo, belicosos, guerreiro, desenfreado e deve portanto ser proscrito em nome da legitimidade da capoeira e da segurança dos seus praticantes.
O agogô e o , são excelentes marcadores de compasso, indispensáveis nas orquestras de candomblé, embora não aceitos pelo Bimba, talvez por terem sido introduzidos por Pastinha, enriquecem as charangas dos seguidores do estilo de Mestre Pastinha e ajudam (e muito!) a manter a constância do andamento do toque.
O reco-reco, também introduzido pelo Mestre Pastinha, nos parece inócuo, sem maior expressão musical, dispensável, salvo para manter a tradição do estilo.
Aviola, hoje em desuso, de ausência lamentada pelo Mestre Pastinha em seus manuscritos, também encontrada no samba de roda, nos indica a origem comum da capoeira e do samba, como indicamos em nossos escritos sobre a família musical áfrico-brasileira.
Opandeiro, com redução dos guizos com recomendado pelo Mestre Bimba, marca o compasso e mantém a constância do andamento quando em mãos habilitadas. É comum no entanto que os mais afoitos (ou despreparados?) acelerem o ritmo ou se afastem do toque do berimbau, desde que não havendo treinamento adequado (ensaio) como fazem os descendentes de Mestre Pastinha ou responsável pela direção da orquestra ou charanga (fiscal no dizer de Mestre Pastinha) é comum alguém se apropriar indevidamente do manuseio deste instrumento.
Mestre Bimba dizia que “O pandeiro é o atabaque do capoeirista“.
Oberimbau é o instrumento-rei da capoeira, vez que somente o seu aparecimento na rodas de capoeira (antigamente citadas apenas como “ capoeira” pelo próprio Mestre Pastinha, algumas vezes referidas como “capoeira de Fulano de Tal“) é que marca o surgimento da capoeira como a reconhecemos atualmente, a capoeira da Bahia, seja o estilo “angola” seja o “regional”.
Torna-se portanto, indispensável ao bom desenvolvimento do jogo que seu toque predomine no ambiente, mantendo a uniformidade do ritmo e o entrosamento entre os parceiros duma “volta” ou “jogo”, sem o qual fatalmente existirão os desencontros e a violência.

TEXTOS CORRELATOS

ESTADO DE CONSCIÊNCIA MODIFICADO (TRANSE CAPOEIRANO)

 Sob a influência do campo energético desenvolvido pelo ritmo-melodia ijexá e pelo ritual da capoeira, o seu praticante alcança um estado modificado de consciência em que o SER se comporta como parte integrante do conjunto harmonioso em se encontra inserido naquele momento.
 O capoeirista deixando de perceber a si mesmo como individualidade consciente, fusionando-se ao ambiente em que se desenvolve o jogo de capoeira. Passando a agir como parte integrante do quadro ambiental em desenvolvimento. Procedendo como se conhecesse ou apercebesse simultaneamente passado, presente e futuro (tudo que ocorreu, ocorre e ocorrerá a seguir) e se ajustando natural, insensível e instantaneamente ao processo atual.
Decanio Filho, A. A. – in Fundamentos da capoeira (texto publicado em Capoeira da Bahia Online para download). 

BERIMBAU – A LIGAÇÏ ENTRE O MANIFESTO E O INVISÍVEL

O capoeirista para jogar capoeira não precisa de conhecer a história e a técnica da capoeira, por que o ritmo/melodia põe o ouvinte diretamente em sintonia com a “capoeira” abstrata, que abrange a fonte etérea dos movimentos, os paradigmas de jogos, os arquétipos de capoeiristas e talvez com a própria “tradição”. Por este motivo, poderemos aprender por ver, ouvir e dançar… como “Totônio de Maré” o fez no cais do porto de Salvador/BA.
“Itapoan” perguntou a “Maré” como aprendera capoeira e este respondeu:

“Vendo os outros jogarem. Gostei, entrei na roda e joguei!”

Conforme assisti em gravação VHS do acervo do Mestre Itapoan, em casa do mesmo.
E “Vovô Capoeira” fez o mesmo, aos 84 anos de idade, na roda de Mestre Canelão em Natal/RN.
Assim é que, aos poucos a conjugação da música com os movimentos relaxados vai orientando o capoeirista no caminho do transe que o conduzirá diretamente à fonte da capoeira, na face invisível da realidade, que não depende dos sentidos corpóreos.

COMPORTAMENTO HUMANO, VIBRAÇÃO SONORA E RITMO.

Em Ioga percebemos a importância dos mantras…
os gregos antigos atribuíram ao Logos o poder de organizar o Caos…
no Gênesis aprendemos a força do Verbo capaz de criar o Universo e a Vida…
… na África Antiga não foi diferente!

Os africanos ao divinizarem os seus ancestrais e cultua-los com ritmos e toques diferentes vinculados ou representativos de seus comportamentos, descobriram categorias fundamentais subjacentes ao nível de consciência, independentes de culturas e religiões, os arquétipos humanos, que denominaram de orixás.

O “SER” exposto às vibrações sonoras ritmadas oriundas dos atabaques entra em harmonia com as mesmas e passa a manifestar em movimentos rituais a sua consonância.
Tudo se passa como se o conteúdo musical dos toques de candomblé fosse aprofundando o nível vibracional do sistema nervoso central, especialmente do cérebro (tido como sede da consciência) e alcançando os níveis correspondentes ao arquétipo individual. Chegando a toldar a consciência e levando a um estado transicional em que o “SER” passa a manifestar, em movimentos rituais involuntários, atributos do arquétipo, através circuitos de reverberação medulo-espinhais como que gravados geneticamente na estrutura do seu sistema nervoso central.
Não é indispensável o conhecimento da doutrina e ritual do candomblé, bem como de componente genético africano para a sintonia com o ritmo do orixá correspondente, vez que já assistimos à chamada “incorporação” de entidades africanas em europeus em primeiro contacto com “exibição” de música de candomblé, portanto, fora do contexto religioso. Durante o tempo em que funcionei como “apresentador” do “show folclórico” de Mestre Bimba observei que alguns assistentes entravam em consonância ou harmonia com um determinado toque, não se deixando influenciar por outros, o que atribuí à correspondência orgânica ao arquétipo daquela pessoa, ao modo de categoria de comportamento em nível subconsciente.
Na capoeira, o ritmo ijexá, especialmente tocado pelo berimbau, conduz o ser humano a um nível vibratório, dos sistemas neuro-endócrino e motor, capaz de manifestar, de modo espontâneo e natural, padrões de comportamento representativos da personalidade de cada Ser em toda sua plenitude neuro-psico-cultural, integrando componentes genéticos, anatômicos, fisiológicos, culturais e experiências vivenciadas anteriormente, quiçá inclusive no momento.


Todos os capoeiristas conhecem o transe capoeirano, embora nem todos disto se apercebam, um estado de extrema euforia, e de integração ou acoplamento a outra ou outras personalidades participantes do mesmo evento, conduzindo a execução de atos acima da capacidade considerada como ‘normal”.

Trata-se dum estado transitório, em que não há perda total de consciência, porém existe uma liberação de movimentos reflexos, exaltação do potencial e ampliação do campo de influência vital de cada “SER”.
É interessante registrar que em outros membros da “família cultural da capoeira” (samba de roda, maculelê, afoxé, frevo, entre outros) encontramos estados transicionais assemelhados, em que os personagens ultrapassam suas limitações “normais”. De outro modo não assistiríamos a idosos desfilando em “escola de samba” ou saracoteando em frevo…
Assim cada capoeirista desenvolve um estilo pessoal, representativo do seu “EU”, manifestado de maneira imprevisível a cada jogo e a cada instante de cada jogo.

Consoante o arquétipo de cada praticante ou mestre, o momento histórico vivenciado, o contexto em que está se desenvolvendo, a capoeira pode assumir aspectos multifários, lúdicos, coreográficos, esportivos, competitivos, belicosos, educativos, corretivos, terapêuticos, etc.
Do mesmo modo e pelos mesmos motivos, cada tocador de berimbau manifesta a sua personalidade na afinação do instrumento, ritmo, andamento musical, impostação vocal e conteúdo do cântico.
Razões semelhantes criam a identidade de cada roda, a multiplicidade de estilos e impõe a alegria e a liberdade de criação como fundamentos da capoeira.

Por ser a própria Liberdade e a Felicidade de cada “SER” a capoeira não cabe, não pode ser enclausurada, em regulamentos e conceitos estanques, nem prisioneira de interesses mesquinhos, comerciais ou de outra natureza.
A capoeira oferece um gama infinito de representações motoras , comportamentais e musicais; de aplicações terapêuticas, pedagógicas, marciais e esportivas; além do aperfeiçoamento físico, mental e comportamental de cada praticante.
Cada um de nós cria uma capoeira pessoal, transitória e mutável, evolutiva, processual, como todos os valores humanos e poderá ser imitada, jamais reproduzida em clones, como produto industrial de fôrma, idêntico em todos detalhes.

É interessante o estudo do simbolismo dos constituintes da personalidade humana na arte iorubana que indica no mínimo a noção de níveis de consciência, pois entre os povos iorubanos a consciência (personalidade exterior) é representada pela coroa (ile ori), enquanto a personalidade íntima (ori inu) correspondente ao (subconsciente+inconsciente) é simbolizado pelo ibori, uma pequenasaliência no ponto mais alto da coroa.
Angelo A. Decanio Filhoo – Falando em capoeira, Coleção S. Salomão, CEPAC, Salvador/BA, pg: 51

https://portalcapoeira.com/downloads/transe-capoeirano

Capoeira: Ensaio sobre a função da diversidade na roda

Capoeira: Ensaio sobre a função da diversidade na roda

A composição de uma roda de capoeira passa essencialmente por considerar a contribuição de diferentes personagens em distintas tarefas. Neste sentido, alguns tocam, outro canta, a dupla joga, e os demais acompanham, tudo mediado pelo mais antigo, que na lógica pedagógica pode ser comparada a “zona de desenvolvimento proximal” de Vygotsky.

Tive a possibilidade de vivenciar uma “cena” emblemática numa roda no estaleiro do Bomfim, em que foi possível aprender com o contexto, pois na roda jogando tínhamos uma japonesa e um norte americano, na bateria tínhamos diferentes mestres de múltiplas referências, atrás da roda acontecia uma cerimônia religiosa de matriz africana, e ao lado tínhamos o tradicional feijão sendo distribuído gratuitamente para alimentar a comunidade, ou seja, no mesmo momento foi possível perceber a “festa”, o lazer, o trabalho e a religião, com tudo interligado harmonicamente.

O detalhe é que a japonesa, jogou muito bem, cantou e tocou, e sua condição de estrangeira , não negra e mulher , não foram argumentos para justificar uma incompetência no trato com a arte, muito pelo contrário, ela soube com maestria usar isso em seu favor naquele ambiente….Sem dúvidas, essa pessoa entendeu o que é a capoeira.

Por outro lado temos sido bombardeados por uma série de iniciativas que nos convocam a um sentido contrário de trato com o potencial dessa diversidade, pois não é estranho que possamos nos deparar com uma chamada de evento…”Encontro de mulheres, negras e angoleiras”….Parece piada, mas é verdade, pois isso lamentavelmente existe, e se não bastasse, também é possível encontrar chamadas como…”Encontro de marxista da capoeira “, ou “Encontro de capoeira gospel”, ou seja, salvo melhor juízo, isso me parece uma tentativa de reinvenção do “negócio” capoeira.

Não desejo fazer uma escrita ingênua que desconsidera a estratégia antiga dos movimentos sociais , em se reunir por afinidades de luta para congregar com o “todo”, mas o problema é que essa tal congregação com o “todo” não chega, pois não é bom para o “negocio”.

Como é possível transformar o “todo” na segregação das “partes” menos favorecidas? É realmente uma estratégia de militância ou apenas mais forma de marketing de um novo/velho “negócio”?

Na verdade a complemetariedade dos diferentes é a força motriz da arte capoeira, e qualquer coisa fora disso, pode atentar contra este princípio estrutural.

Precisamos parar de repelir, excluir o diferente que incomoda, ao passo que, com generosidade intelectual, possamos ter a humildade de reconhecer que juntos somos melhores.

Entre o que acalanta meu ego e o que me tira da “zona de conforto”, optei pelo enfrentamento dialógico, e tenho colhido esse plantio, hora com coisas boas e hora com coisas terríveis para mim, mas pagando o preço pela possibilidade/realidade de contribuir com a arte capoeira.
Vamos lá!!! Vamos expandir a mente para além do “espelho de narciso”?

 

Axé
Mestre Jean Pangolin

Intensivo e Formatura QLC 2020 São Paulo- Brasil

Intensivo e Formatura QLC 2020 São Paulo- Brasil

Neste ano de 2020 está sendo uma ano muito especial na minha vida Capoeiristica , estarei realizando junto aos meus alunos ,a nossa primeira formatura, são 18 anos de trabalho pela nossa arte!

Fico feliz em poder retribuir um pouco do que a Capoeira tem me presentado e hoje me sinto um pequeno colaborador e multiplicador de alegria e conhecimento!

Será um evento de 7 dias, iniciaremos com o Intensivo de segunda a sexta feira sendo a Programação recheada de muitas aulas e treinos, visitação aos co-irmãos da Capoeiragem, Homenagens as mulheres da nossa arte, apresentações culturais e diversão!!!

No sábado, dia 8 Será o grande dia , os formandos e alunos estão preparando uma bonita festa para este dia tão especial, após a cerimônia estaremos confraternizando em nossa casa!

No domingo iremos visitar a tradicional roda da República e na sequência para a roda da Varanda na Casa de Cultura Os Capoeiras!Espero revê-los em breve nesta festa maravilhosa!

Ficarei honrado com a presença dos que me apoiam, incentivam e me fortalecem nesta jornada…

Gugu Quilombola

 


 

Intensivo e Formatura QLC 2020 São Paulo- Brasil

Na semana de 3 a 9 de Fevereiro acontecerá a primeira Formatura da Filial Quilombolas de Luz Bela Vista, o Intensivo Quilombola, visitas nas academias da Capoeiragem Paulistana, Rodas de conversa (Papoeira), Workshops de Capoeira e Danças Brasileiras.

No Intensivo Quilombola- Brasil serão 5 dias de estudos e treinamentos voltados para o jogo de capoeira e suas artes co-irmãs sendo elas o Maculelê, Samba de Roda, Jongo, Dança-Afro Brasileira e Forró.

O Intensivo acontecerá do dia 3 ao 7 de Fevereiro na Quilombolas de Luz- Bela Vista situada na rua Luiz Pórrio, 463 no bairro do Bexiga, Bela Vista, Zona Central de Sao Paulo.

Um evento dirigido pelo Contramestre Gugu Quilombola e Alunos, terá a participação de artistas e capoeiristas renomados Mundialmente !

Link do Evento: https://www.facebook.com/events/s/formatura-e-intensivo-qlc-2020/585158952281091/

 

 

Intensivo e Formatura QLC 2020 – São Paulo- Brasil – 3 a 9 de Fevereiro

PROGRAMAÇÃO

🗓Dia 3(Segunda-feira)
‼Aulas e treinos
⏰16h,18h, 19h e 20h30
📍Quilombolas de Luz
Rua Luiz Porrio, 463
Cep:01326-030 Bela Vista

🗓Dia 4(Terça-feira)
‼Aulas e treinos
⏰9h30,18h e 19h
📍Quilombolas de Luz
Rua Luiz Porrio, 463
Cep:01326-030 Bela Vista

‼Roda e visita à Casa Mestre Ananias!
⏰21h
📍Rua Conselheiro Ramalho, 939
Bela Vista
Cep:01325-001

🗓Dia 5(Quarta-feira)
‼Aulas e treinos
⏰16h,18h e 19h (Capoeira)
20h30 Aula de Swing Baiano
📍Quilombolas de Luz
Rua Luiz Porrio, 463
Cep:01326-030 Bela Vista

🗓Dia 6(Quinta-feira)
‼Aulas e treinos
⏰9h30,18h e 19h
📍Quilombolas de Luz
Rua Luiz Porrio, 463
Cep:01326-030 Bela Vista

‼Canto e Vadiação
⏰21h
📍Teatro Cia. Da Revista
Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecilia
Cep:01216-001

🗓Dia 7(Sexta-feira)
‼Aulas e treinos
⏰17h e 18h (Capoeira)
19h30 (Forró)
📍Quilombolas de Luz
Rua Luiz Porrio, 463
Cep:01326-030 Bela Vista

‼Homenagem às Mulheres, Vadiação e Samba de Roda !
⏰21h
📍Teatro Cia. Da Revista
Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecilia
Cep:01216-001

Programação sujeita a alterações!

Para maiores informações Me escreve no zap ou entra no grupo do evento por este link abaixo !
https://chat.whatsapp.com/B5UkW7cLNZA7m8mHmDfOtt

 

Intensivo e Formatura QLC 2020 São Paulo- Brasil Capoeira Portal Capoeira 1

Para mais informações entre em contato:

email : [email protected]
whattsapp: +4917637256959

com Gugu Quilombola

https://guguquilombola.org

Capoeira: O Último Movimento Novo

Capoeira: O Último Movimento Novo

O “Movimento Novo” da Capoeira foi um encontro cultural anual organizado com o objetivo de promover a união e a troca de conhecimentos em um ambiente de comunhão e aceitação das diferenças.

Nascido em 2008 e finalizado em 2018, O Movimento Novo se caracterizou pela qualidade dos jogos e da música; pela filmagem e edição profissional dos vídeos na Internet; pelo incentivo a uma cultura de aceitação das diferenças; pelo cuidado ao bem-estar físico e emocional dos participantes e pelo protagonismo dos jovens.

Os eventos do Movimento Novo marcaram a capoeiragem da segunda década do século 21, influenciando toda uma geração, tanto na forma de jogar, quanto na forma de pensar.

Capoeira: O Último Movimento Novo Notícias - Atualidades Portal Capoeira

Histórico do Movimento Novo

Em 2008, três jovens capoeiristas (Itapuã, Ferradura e Lobisomem) se reuniram informalmente para conversar sobre questões como:

“Por que não existem mais diversas rodas de rua como na década de 70?”; “Por que capoeiristas de escolas diferentes não se encontram sem que a roda acabe em violência generalizada?”, “O que podemos fazer para mudar este cenário?”.

A partir destes questionamentos, decidiram fazer uma roda com um máximo de 30 capoeiristas convidados, de estilos diversos, que trouxessem diferentes experiências para compartilhar.

A primeira edição do Movimento Novo, em 2008, trouxe estas reflexões. Durante a roda, vários jogos interessantes foram filmados e divulgados na internet. Os 3 mais vistos foram estes:

É interessante notar que o vídeo mais visto em 2008 teve, à época, milhares de visualizações na recém divulgada rede do Youtube, algo que ainda era totalmente inovador. Vale lembrar que estamos falando dos primórdios da rede de compartilhamento de vídeos, popularizada apenas dois antes do primeiro Movimento Novo. Não havia celulares com câmeras e poucos capoeiristas postavam vídeos.

No ano seguinte, o Movimento Novo estourou na web. O vídeo mais visto foi este.

Analisando a quantidade atual de visualizações, vemos um crescimento total de 2000%, ou seja, de 25.000 views em 2008 para 500.000 views em 2009.

Na sequência, vieram outros jogos das edições seguintes, sempre com a marca de centenas de milhares de visualizações, como:

Com a vinda de vários participantes de forma contínua, decidiu-se fazer um CD, gravado de forma colaborativa e registrado em vídeo, com extratos como este:

Críticas ao Movimento Novo

Como era de se esperar, o Movimento Novo não veio sem enfrentar críticas, que variavam de frases como “primeiro tem que aprender o movimento velho para depois fazer o novo” até “o ritmo favorece os angoleiros”, passando por acusações de “desvirtuação da tradição” ou de “superexibição” dos participantes.

Era normal que o evento chocasse os mais conservadores. Afinal, o Movimento Novo não era um “grupo” ou um “estilo” de Capoeira; não “filiava” capoeiristas; não tinha fins lucrativos; não usava uniforme nem emblemas; não tinha uma hierarquia com liderença centralizada nem planos de expansão. Fora isso, utilizava a nascente mídia da Internet para divulgar os jogos em um momento em que isto não existia.

Todas estas “novidades” chocavam aqueles que não entendiam que o Movimento Novo simplesmente recriava o ambiente das antigas rodas de rua, onde ninguém mandava em ninguém e todos se confraternizavam para vadiar.

No fim, o que era para ser apenas um encontro de jovens cariocas se tornou um conceito inovador que marcou toda uma geração.

Mas como isso foi acontecer?

Em 2008 a grande questão dos organizadores era conseguir reunir jovens que nunca haviam convivido e que eram separados por ideologias de grupo.

Politicamente, os idealizadores do MN cresceram no mundo pós-guerra fria, onde já não fazia sentido o pensamento muito polarizado, como entre capitalismo e comunismo. Viram o nascimento da aldeia global integrada pelos celulares e pela internet e viveram no Brasil pós-ditadura, com liberdade de imprensa e de expressão.

Em termos econômicos é a primeira geração que conseguiu ganhar a vida somente dando aulas de Capoeira; a que viveu o período de maior violência, de 1990 a 1995, a ascensão da Capoeira como moda, de 1995 a 2000, e o declínio dos anos de ouro desta mesma moda, de 2000 a 2005.

A geração seguinte já foi diferente.

A galera que nasceu entre 1990 e 2000 nunca viu a Capoeira estourar como moda. Não assistiu semanalmente o mestre-e-modelo Beto Simas “Boneco” nos programas da Globo. Tampouco viu as estrelas populares da época, como Tiazinha ou Feiticeira, estampadas nas diversas revistas especializadas disponíveis em bancas de jornal Brasil afora.

Novela “Quatro Por Quatro” (1994), com Mestre Beto Simas Boneco na abertura

Novela “Malhação”, com Mestre Beto Simas Boneco (1996)

 

“Tiazinha” praticando Capoeira (1998)

“Feiticeira” na capa da Revista Capoeira (1998)

Esta geração também não viu quando o filme “Esporte Sangrento” e o videogame Tekken impulsionaram a Capoeira no exterior, abrindo um novo mercado de trabalho para os capoeiristas.

 

“Eddie Gordo”, do game “Tekken” (1997)

“Esporte Sangrento” ou “Only the strong” (1993)

Em termos políticos e econômicos, esta galera viveu o boom do Brasil democratizado no pós-plano real e a ampliação do acesso a Internet, consequentemente assistindo a milhares de vídeos no youtube, dos mais diversos capoeiristas.

É a geração que bebeu na fonte do Movimento Novo, assistindo a dezenas de vídeos do Ferradura, do Itapuã, da Tatiana, da Gege, do Guaxini etc., além de ter tido acesso a todo o repertório de vídeos da Capoeira antiga.

Este pessoal filma e posta os seus próprios vídeos nas redes sociais, fazendo tutoriais de movimentos e se integrando digitalmente com capoeiristas de todo o mundo. É uma geração que joga Capoeira misturando vários estilos e que nem sabe o que quer dizer a palavra “saroba” (Nota: Se você não sabe o que quer dizer a palavra “saroba”, procure algum velhinho de 40 anos e pergunte).

Quais os desafios do Movimento Novo atualmente?

A “era dos brutamontes” da Capoeira passou. Hoje em dia é raro ver um capoeirista “cravar” o outro de cabeça no chão ou mestres enviarem seus alunos para “fechar” a roda dos outros.

Podemos dizer que hoje em dia a Capoeira já está integrada. A maior parte dos capoeiristas procura reunir-se com pessoas de outros grupos e compartilhar experiências. Hoje, já há dezenas de rodas espalhadas pelo Brasil onde se comungam valores como integração, respeito e harmonia.

Entretanto, apesar de todo este avanço, ainda há questões grandes para os jovens de hoje, as maiores delas ligadas às lutas sociais que enfrentamos no Brasil, como machismo, homofobia, racismo e outras formas de relação opressiva.

Ainda hoje, podemos fazer perguntas como:

De que adianta juntar 150 capoeiristas de todos os sexos em um evento e ter somente homens em posições de poder?

De que adianta falar de Capoeira como integração e seguirmos discriminando gays, lésbicas e transexuais? (Se você tem dúvida em relação a isso, pense em quantas referências homossexuais você conhece na Capoeira e quantas você vê no Teatro, no Cinema, no Circo, na Dança e nas demais artes plásticas ou corporais).

De que adianta falar de cultura negra e apoiar políticos declaradamente racistas?

De que adianta formar jovens lideranças, se mantivermos os velhos padrões? De que adianta vivermos somente para reproduzir o que já estava errado?

A cultura, no Brasil de hoje, terá cada vez mais um papel político de resistência, onde os jovens terão que abrir novos caminhos e desafiar velhos dogmas. Como vão fazer para não reproduzir a opressão pedagógica, a militarização do ensino e a falta de abertura para o diálogo? Como vão vai lidar com o racismo, com o sexismo, com a LGTBfobia e a discriminação entre os próprios capoeiristas?

Como vão fazer para fazer diferente?

Estas e outras respostas são desafios aos jovens. Serão eles os responsáveis pelo futuro da Capoeira. E foi por isso que a edição de 2018 marcou o fim do ciclo Movimento Novo. A maior parte dos participantes fundadores do MN hoje tem entre 35 e 50 anos. Já não são exatamente tão “jovens”. Os futuros líderes tem como fazer mais e melhor. Suas cabeças são mais abertas e sua Capoeira mais disponível. O terreno está fértil para que novos movimentos sejam feitos.

Como foi o último Movimento Novo?

Diferentemente dos outros eventos, a última edição teve inscrição aberta pela Internet e uma seleção que levava em conta o gênero, a raça e a idade.

Um ciclo de palestras abria cada dia do evento e as rodas priorizavam a autogestão e a participação democrática, tendo parcelas muitas vezes negligenciadas -jovens e mulheres- como protagonistas em todo o processo.

Os debates sobre as questões sociais foram tão importantes quanto as rodas em si, promovendo uma cultura de convesa e compartilhamento de experiências que promete influenciar o comportamento de todos que participaram.

Mensagem final dos organizadores do Movimento Novo

Quem quiser fazer diferente deve saber que receberá críticas, pois o poder instituído sempre reagirá frente à mudança. Esperamos que estas críticas não os levem ao imobilismo.

Queremos estar juntos! Nos convidem para seus novos movimentos e contem conosco!

Axé,
Ferradura, Itapuã e a galera do Movimento Novo.

PS – Segue abaixo a última palestra, onde Ferradura fala um pouco do que pode ser o futuro do Movimento Novo:

 

Porto: 8º Encontro de Capoeira “Irmãos de Roda”

Todos DIFERENTES… JUNTOS pelo mesmo… CAPOEIRA

Porto: 8º Encontro de Capoeira “Irmãos de Roda”

“A cada edição o Evento, que tem sido uma referência na Capoeira de Portugal, ganha mais corpo e mais visibilidade… os “Irmãos de Roda” extrapolam o contexto e a essência do que significa capoeiragem… fazendo valer a sua visão da unidade através das diferenças… e que tudo gira em torno da mesma capoeira…

O evento tem início nesta sexta-feira e continua até o próximo domingo, na cidade do Porto em Portugal.

 

Mais informações no cartaz em anexo e na página do Facebook.


Video do encontro de 2017

 

 

 

PARA MAIS INFORMAÇÕES:

[email protected] | Tlm: 966883484

https://www.facebook.com/irmaosderoda/

Porto: Encontro “Irmãos de Roda”

Todos DIFERENTES… JUNTOS pelo mesmo… CAPOEIRA

Porto: Encontro “Irmãos de Roda”

“A cada edição o Evento, que tem sido uma referência na Capoeira de Portugal, ganha mais corpo e mais visibilidade… os “Irmãos de Roda” extrapolam o contexto e a essência do que significa capoeiragem… fazendo valer a sua visão da unidade através das diferenças… e que tudo gira em torno da mesma capoeira…

O evento tem início nesta sexta-feira e continua até o próximo domingo, na cidade do Porto em Portugal.

 

 

 

Convidados:

Mestres – Barão, Bozó, Magôo, Ediandro, Caramúru, PernaLonga, Jean Pangolin, Nagô, entre outros…

ContraMestres – Careca, Milani, Fantasma,Sapo, Oria Zambi, Grilo, Kula, entre outros…

Professores – Thiago, Diego, Péle, Lesma, Wiris, Curinga, Filósofo, Carrapeta, Piu,
Stress, entre outros…

 

PARA MAIS INFORMAÇÕES:

[email protected]

Tlm: 966883484

https://www.facebook.com/groups/235562903267370/

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial

Anne Nathielly subiu ao pódio no 9º Campeonato Mundial de Capoeira do Muzenza

Pouco depois de uma semana que o Piauí virou notícia nacional com a escolha de Monalysa Alcântara como Miss Brasil, outra piauiense eleva o nome do Estado ao se tornar vice-campeã no 9º Campeonato Mundial de Capoeira Munzenza.

 

A jovem capoeirista Anne Nathielly, a Boneca, como é conhecida no mundo da capoeira, integrante do grupo Raízes do Brasil/JF-PI, competiu neste sábado 26 de Agosto no 9º Campeonato Mundial de Capoeira realizado pelo Grupo Muzenza, que aconteceu em Fortaleza-CE, com atletas do mundo inteiro.

 

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial Capoeira Mulheres Portal Capoeira

Maria Clara Melo acompanhada das capoeiristas que ficaram em 1° e 3° lugar na competição (A direita com a medalha de 2° lugar)

 

Boneca esteve representando José de Freitas a nível mundial e não voltará a sua terra de mãos vazias, pois a mesma consequiu medalhar, conquistando a terceira colocação, ficando entre as 3 melhores do mundo em sua categoria.

Uma Roda de Capoeira à Francesa…!??

Uma Roda de Capoeira à Francesa…!??

No meu Caminho do Berimbau, a vida vai se desdobrando em grandes saltos, onde o aprendizado sobre nossa Arte vem o tempo todo em grandes e densas doses de surpresas e novos entendimentos dessa que parece ser uma Arte de infinitos saberes: a Capoeira!

Uma das ultimas e inusitadas paradas foi na pequena e linda Cidade de Albi, ao Sul da França, mais conhecida por sua imensa Catedral, feita há mais de trezentos anos, toda em tijolos de barro, uma obra surpreendente, sem dúvida. Fica a oitenta quilômetros de Toulouse, uma das grandes cidades francesas.

Nessa cidade fui surpreendido por uma incrível experiência, onde muitos conceitos em que acreditava se desmoronavam irremediavelmente…!

Até então, fui sempre acometido de um paradigma nacionalista e limitante (hoje admito!) de que a Capoeira depende de nossos obstinados, fortes e dedicados professores e mestres, que emprestam sua energia de maneira quase invisível aos olhos menos atentos, para que a Capoeira ande e se instale mundo afora, pelos quatro cantos do planeta!

Nunca alguém poderia lhes tirar esse mérito: o de serem os grandes protagonistas da expansão e da explosão que a capoeira teve nas últimas décadas, se incorporando aos mais estranhos e exóticos lugares e culturas do mundo!
É incrível, verdadeiramente, que possamos ter chegado tão longe!

Em outros artigos, já cheguei a comparar – e fiz essa afirmação perante a comunidade angolana de capoeiristas e escritores, que a Capoeira se tornou a Nova Diáspora da mensagem afro-brasileira pelo mundo, se incorporando aos costumes de comunidades instaladas em lugares inimagináveis, com temperaturas baixíssima, como na Noruega, ou na Finlândia, se tornando uma opção de povos que não conseguem – no primeiro momento – falar uma única palavra em Português – mas que vão se envolvendo de maneira irreversível às nossas palavras, nossos gestos, nossa História, numa simbiose impressionante, onde após algum tempo, não mais se reconhece as pessoas que originalmente se iniciaram na Capoeira e a incorporaram, tornando-a sua própria forma de vida.

Nesses recônditos lugares, quase sempre, até então, eu sempre via ou soube de um guerreiro e incansável capoeira, seja uma pessoa que já circula há longos anos, ou outros mais jovens, que se aventuraram pelo mundo, levando no coração uma missão, na mente uma ideologia e na alma um guerreiro sem medo de abandonar suas raízes e se atirar no desconhecido de outras culturas levando seu berimbau, sua Arte e sua vontade de levar as mensagens que aprendeu com seu mestre.

Conheci e a cada dia conheço inúmeros desses inveterados e obstinados guerreiros, mensageiros de nossa Capoeira. Sempre e com toda razão, cheios de orgulho de sua própria História de vida e do sucesso de seu trabalho e de sua missão.

Esses capoeiras são, com absoluta e irrefutável razão, os grandes responsáveis pelo fato de a Capoeira ter se espalhado como uma grande malha humana que une culturas e povos, elimina barreiras, supera dificuldades como idiomas, como limitações financeiras e se tornam, via de regra, grandes e consagrados representantes de nossa Capoeira por onde andam.

Após conhecer inúmeras realidades até aqui, sentia e via sempre associado ao sucesso da difusão da Capoeira, esses brasileiros mencionados, aos quais jamais será negado esse mérito.

Mas, como é um velho hábito dos pensadores, sempre acredito em perguntas mais do que em respostas…!
Por isso, me ocorreu uma grande questão: onde e como ficaria a nossa Capoeira, após sua assimilação profunda pelos nossos queridos estrangeiros? Será que eles teriam sempre a dependência de algum brasileiro que os mantivessem alinhados com nossos ideais e velhos rituais de roda?

Teriam eles a competência de organizar um evento de Capoeira sem perder nenhum dos inúmeros detalhes exigidos para tal, como seja: o lugar adequado; instrumentos afinados e suficientes; uma programação capaz de manter os participantes ocupados e animados com o evento; alegria e axé em volume e distribuição pelos três ou quatro dias que durasse o evento, etc.

E o mais difícil para nós, mesmo no Brasil ou mesmo na presença de muitos e diferentes mestres: fazer uma roda com a grandeza que esperamos dela…!?

Essa roda teria que ter muitos elementos para atender a tantos requisitos que nós, capoeiristas, nos acostumamos a medir: musicalidade, volume de jogos, nível vibracional, nível técnico, participação de todos os presentes, equilíbrio emocional – para segurar os ânimos quando alguém se exaltasse – e enfim, teria o axé que a sustentaria todo o tempo do evento!?

Quem não está acostumado a conviver com capoeiristas, não tem ideia da quantidade de critérios que eles trazem no seu alforje de especialista! Um capoeirista vê e distingue vários e distintos tons de jogo, os diferentes níveis técnicos dos participantes, o axé, como genericamente a gente se refere ao padrão de uma boa roda!

Mas esses são apenas os mais óbvios questionamentos de um bom Capoeira! Os Mestres tem outros tantos níveis de percepção das coisas e mesmo o grau de entrosamento dos participantes não lhe escapa aos olhos.
Enfim, ali estava um capoeirista com uma bagagem de mais de quarenta anos de estrada, em sua humilde tranquilidade de nunca exigir muito de ninguém, ou seja, não ser muito critico com as diversas realidades já conhecidas. Não tentar corrigir gratuitamente ninguém, ou interferir sem a devida vênia dos presentes, em nada que não fosse absolutamente necessário. Ouvir muito mais e falar muito pouco. As palavras são nosso maior risco. Um observador discreto e despretensioso.

Por costume e pelo pequeno aprendizado dessa vida, tenho a mania de chegar em terra alheia e me colocar bem longe de qualquer pretensão minha de julgar, ou seja, pisar sempre devagar!

Além de ter aprendido também que em casa alheia, como o que me derem, como já ouvi muitos sábios dizerem, na voz corrente da sabedoria e da ciência de vida, ensinada pela Capoeira.

Uma primeira e agradável surpresa, foi a infinita gentileza com que as pessoas me cercaram nessa Petit Ville, como dizem os franceses. Eu recebi tanta atenção e tanto acolhimento por todos que tive o meu coração invadido por uma gratidão extrema! Logicamente isso veio acompanhado da minha grande vontade de também ser generoso e de me doar totalmente àquelas pessoas, aquele povo simples, sem opulências, sem nenhum traço exterior de riqueza material… Apenas aqueles abraços e aqueles olhos me enterneciam de um sentimento de grande emoção e de uma gratidão imensa.

 

Começa o evento…! 

 

É noite de sexta-feira e será feita uma roda de recepção apenas, para as boas vindas aos participantes, como é de praxe nos eventos. Muita gente chegando e a festa começa a ganhar seu tom…! Cada novo participante que chegava trazia sempre um sorriso… e oferecia um forte abraço aos que ali já estavam.

Começa a roda, inicio do entrosamento e preparação para os três dias que se seguiriam. A roda teve bons momentos e uma energia tranquila e equilibrada.

Para aquele primeiro momento era mais que o suficiente. Muita gente ainda chegaria no dia seguinte, pessoas que trabalhavam ou tinham outros compromissos.

Até a manhã de sábado as coisas estavam ainda mornas, como é costume em todo evento. Seguir os passos do aquecimento. A revelação dos talentos, até então contidos na expectativa de um clima que os liberte, assim como dizia sempre o Mestre Decânio, da segunda turma da Capoeira Regional de Mestre Bimba, esperar para que o transe capoeirano possa acontecer em cada um.

Não havia um plano muito rígido a ser seguido, explicava o promotor do evento, denominado WEC2k17, ou seja, Week-end Capoeira 2017, um simples fim de semana prolongado.

No sábado as coisas já foram mais animadas e, como todo bom evento, as pessoas foram se entrosando enquanto o dia corria, entre um treino, uma aula, um lanche, e o normal entrosamento cada vez mais sólido.
Então tudo seguiu seu rumo como tradicionalmente acontece no andar dos eventos.
Até então tudo pareceu seguir o mais tradicional andamento da maioria dos eventos que já estive (aproximadamente uns setecentos, nos meus quarenta e tal anos de estrada).

As rodas começaram a me chamar a atenção.

Ficava curioso com a ideia de que ali não havia outro brasileiro que não a minha pessoa.
Então comecei a prestar mais atenção ao que acontecia durante o andamento das rodas que iam acontecendo durante aquele evento, que contou com mais de uma centena de pessoas, sendo todos eles aculturados na língua francesa e a grande maioria de nacionalidade também francesa.

Como é uma roda com tanta gente, onde não há nenhum capoeirista brasileiro?

Até que ponto eu estaria vendo uma manifestação verdadeira e inquestionável da nossa Velha Arte, da Capoeira?
Aquelas pessoas teriam o domínio de todos os elementos que compõem, no minimo, uma roda?

O ritmo cresceria ao ponto de exigir um grande esforço para manutenção do equilíbrio daquela energia que pulsava no acelerar do ritmo do berimbau na execução do São Bento Grande, de Angola?

Aqueles capoeiristas, teriam o domínio da energia da roda suficiente para segurar os ânimos quando alguém se perdesse no axé da roda e quisesse se confrontar?
Não. Ninguém tinha ideia de que tudo aquilo se passava pela minha cabeça…! Nem eu!
Não estava julgando ninguém…!

Essas perguntas me ocorreram agora, enquanto escrevo o que vi, me lembrando o máximo possível dos detalhes.
Tais perguntos, eventualmente, poderia ser feitas por quem, diante de alguma incredulidade, tentasse julgar todo aquele movimento dos cidadãos franceses para com a capoeira…!

Alguns, certamente, com a intenção de emitir algum tom de crítica ao que aconteceu ali!
Nós, os brasileiros em geral e os capoeiristas em particular, temos uma vocação horrível de falar sempre só a parte ruim das coisas!!

Aquele clima, aquelas pessoas,aquela experiencia, não teria nada que ver de ruim!
Nada pode ser mais importante do que a parte boa das coisas. Eu acredito nisso.
Não só por isso, as impressões que ficaram em mim foram maravilhosas!

Aquelas Capoeiristas todos, vivendo de uma maneira integra e completa para e da Capoeira, uma das nossas mais importantes culturas populares dos últimos tempos, que tem nos transportado para nos tornar uma cultura da humanidade, como decretou a própria Unesco… Esse momento poderia ser uma boa hora para se perceber o porque dessa aclamação.

Por que a Capoeira se tornou um Patrimônio Cultural da Humanidade!?

Por que todos esses anos de sua história ela não foi devidamente desvinculada de nossa cultura popular brasileira, então?!

Mal podemos imaginar que seria possível uma unica roda acontecer sem a presença de um capoeirista brasileiro para coordenar as coisas fazer acontecer o clima que esperamos de uma roda!!
Muitos de nós mantem estrangeiros cativos de sua presença, intimidando-os para não tenham competência própria para se organizar e crescer…!

Mas a Capoeira é Mágica!
Ela chega onde é chamada!
Dialoga com qualquer realidade!

Se os franceses não tem os nossos problemas para justificar algumas coisas que fazermos acontecer através da Capoeira, como reintegrar socialmente pessoas, ajudar pessoas de comunidades pobres,, tornando a Nossa Arte uma das esperanças que essas pessoas precisam, para dar sentido a suas vidas!

Ou se nós temos hoje uma quantidade tão grande de mestres e de graduados na capoeira, que os eventos são praticamente feitos  para eles!

Desde há muitos anos, tenho falado na pirâmide social da capoeira, no Brasil pelo menos, onde a maioria dos presentes são mestres ou graduados.. onde isso cria uma estranha competição entre tantas pessoas importantes naquele momento, naquela roda!

Por isso muitas disputas acontecem. Muitas vezes em desequilibro emocional visível.
Mas não se trata da ausência de alguém para ensinar!!!

Se trata de dizer até mesmo que esses capoeiristas tiveram excelentes professores e mestres!!
Alguns já bem antigos na prática da Capoeira se tornam naturalmente os lideres daquele evento, destacando-se os indiscutíveis méritos do organizador daquele evento, o Furrupa, uma pessoa que merece um capitulo a parte, que vamos tratar mais abaixo.

Estou falando de um grupo de capoeiristas mais antigos que ali estavam, todos eles empenhados e dando o seu melhor, para que a Capoeira estivesse à altura de qualquer outra roda no Brasil… ou em qualquer outro lugar!
O evento, como qualquer outro, teria que ter uma sustentação de capoeiristas mais graduados. Essa foi uma das coisas mais incríveis que presenciei:
– espontaneamente, as pessoas foram se envolvendo e os mais graduados, independente o titulo que tivessem – professor, monitor, instrutor, etc;
– os papéis existentes numa roda de Capoeira, normalmente representados por uma única pessoa, que coordena e cobra as ações que deem suporte ao momento, são inúmeras, pois a Capoeira é uma cultura coletiva, inclusiva e integrativa…! todo mundo vai ocupando seus lugares em volta da roda, dentro dela, fora dela, jogando ou simplesmente fazendo o coro para que outras pessoas possam jogar, alguém precisa preparar os instrumentos, outros precisam cuidar da retaguarda, outros da limpeza, da administração, dos microfones, do lanche, do almoço, etc… são infinitas pessoas que cuidam de tudo que é necessário para que aconteça uma boa roda, um bom evento.

Ali eu presenciei todos esses papéis acontecerem sem nenhum comando aparente…!

O organizador do evento, Furrupa, parecia mais um grande incentivador do clima todo e da alegria ali reinante, além, é claro de usufruir bastante também naquelas rodas todas que aconteceram!

Sua parceira e também capoeirista, conhecida como Cha-Chá, era uma das forças invisíveis que operava o milagre de todo aquele evento!

Ela era discreta e efetiva! Trazia sempre alguma solução debaixo do braço e não parecia perder nada do que acontecia, ou seja, as rodas as aulas, os números que foram preparados e depois apresentados e que encantaram a todos os presentes, inclusive me tocando profundamente… era uma grande presença… suave e constante! Acordando super cedo para ir buscar pessoas que chegavam… organizando espaços para acomodar todos os convidados… fazendo compras e organizando as refeições dos participantes…!

Outros destaques só foram percebidos, porque fiquei o tempo que pude como observador, depois que me dediquei a resgatar da memória todas essas perspectivas que aqui coloco.

Capoeira de corpo e alma, que joga vivendo e vive gingando

Os capoeiristas, em geral, são apaixonados por essa Arte e se dedicam a ela longos anos de sua vida, alguns a sua vida todas. Isso pode ser verificado com inúmeros casos de mestres que entregaram sua vida à prática e a divulgação da capoeira, além de muitas outras formas de sua produção, como músicas, textos, instrumentos, palestras, livros e, principalmente, ensinar outras pessoas.

No entanto, existem pessoas que, mais do que amar, se tornam a si mesmos, a própria Capoeira!
Essas pessoas são tão estritamente associadas à capoeira, que transformam suas vidas em uma dedicação extensiva à Capoeira. Pessoalmente conheço muitas pessoas assim e admiro profundamente a capacidade de se doar a própria vida para aprender e serem porta-vozes da Capoeira. Essa arte parece cativar de modo irremediável incríveis personalidades, fortes, criativas, dedicadas, disciplinadas, expressivas, artistas, poetas, pensadores, estudiosos, enfim, pessoas que entregam toda sua energia vital a essa Arte.
E elas não recuam diante de dificuldades… nem restrições… nem competições… nem falta de apoio… nem nada…!!!
Essas pessoas ampliam ainda mais o seu carisma, quando impregnadas da capoeira em seu corpo e em sua alma!
No Brasil existem muitos capoeiristas assim!

O que foi uma grande e grata surpresa foi encontrar pessoas com essa personalidade capoeirista tão absolutamente destacada, cidadãos não brasileiros, que falam corretamente o idioma, dominam a arte, se entregam sua vida a aprender e a divulgar a Capoeira…!

Encontrei diversas dessas pessoas durante esse tempo na França!

Quero deixar registrado aqui o nome de alguns deles, me perdoem os que eu não mencionar, o que se dá exclusivamente pela limitação da minha memória…!!

Entre eles quero destacar:
Furrupa, um capoeirista de corpo e alma! Grande responsável pelo evento e que se tornou o pivô de toda a grandiosidade do mesmo! Gratidão e reconhecimento! Furrupa dedica sua vida totalmente à capoeira! Tornou-se Capoeirista independente desde quando percebeu que estava limitado em sua necessidade de crescer e de se integrar com outros movimentos e outras escolas de capoeira. É pilhado ao extremo e tem uma hiperatividade visível! Tem uma veia critica e criativa e não admite erros básicos como o desrespeito aos alunos, assédio ou outras formas de macular a Capoeira, como uma Arte de Família, de todas as idades. Furrupa é super produtivo e tem diversas atividades dentro da Capoeira, como dar aulas, criar músicas, manter um programa na internet, um vídeo-blog onde ele debate abertamente, em francês, as questões da capoeira que ele percebe e que vive (ver link abaixo).
Ferrugem: um grande capoeirista, grande pessoa e que tem um dom em particular o de manter o equilíbrio das energias na roda… Toda vez que um pequeno desequilíbrio começava a se formar, o Ferrugem rapidamente comprava o jogo, impedindo a evolução para um problema maior! Grande pessoa, bem-humorado e gente boa!
Porco-Espinho: capoeirista sério, com um grande domínio do ritmo e do axé da roda, sempre que pegava o berimbau fazia as coisas ganharem novo fôlego na roda. Excelente capoeira. Longos anos de aprendizado.
Mestre Bem-ti-vi: Um dos primeiros mestres estrangeiros que conheço! Tem um português perfeito, ao ponto de eu perguntar se ele era brasileiro! Um dos maiores exemplos que o Bem-ti-vi deu durante o evento, foi se manter tranquilamente, exatamente como eu, sem interferir nas coisas! Essa atitude é difícil de se ver, pois quase sempre nossos graduados tentam dominar as coisas e se tornarem os grandes responsáveis pelos eventos!
Medusa – um capoeirista excelente, de uma presença forte e segura, que foi muito presente nas rodas, nas aulas e que apresenta uma grande e natural liderança por onde chega e onde anda!
Esses e outros tantos que ali estavam mantiveram uma incrível atmosfera durante todo o evento e me pareceram muito próximos entre eles!

Alunos e participantes do WEC2k17: todos merecem o meu aplauso, mas escolhi alguns dos momentos foram emocionantes durante o evento! Um deles estou compartilhando o link abaixo, quando as capoeiristas apresentaram um lindo teatro da capoeira no contexto da escravidão no Rio de Janeiro e depois fizeram uma linda interpretação de músicas de capoeira usando um violoncelo, um teclado e um acordeon! simplesmente sensacional! Confiram no link!

Conclusão…

Após tantas percepções aqui registradas, posso afirmar que a Capoeira cumpre seu papel onde ela chega! Destaco, novamente, o papel das pessoas que ensinaram essas pessoas foi cumprido! Eles transpiram capoeira da maneira mais nobre, mais fiel, mais entusiasmada, mais dedicada e mais contagiante!
Posso perceber que uma roda à Francesa, é uma roda de capoeira de valor!

Posso ainda, para finalizar, me apropriando da percepção de meu amigo Mestre Jean, com quem comentei esse texto, que os franceses encontraram uma saída á francesa para os problemas que enfrentamos na capoeira no Brasil! Gente graduada demais disputando as rodas, os comandos, os jogos, onde os egos se multiplicam e competem entre si para ver quem fica mais em evidência, pois nossos camaradas da França fazem o melhor de dois mundos: tem uma capoeira excepcional, um clima amigável e rico, ao tempo em que eleva o axé até onde podem, se que haja nenhum desequilíbrio por animosidades desnecessárias!
Obrigado pela oportunidade, amigo Furrupa!

Obrigado galera presente no WEC2k17, foi uma honra estar presente num momento tão lindo desses para a nossa Arte…!

À tout à l’heur, France!

Reginaldo Silveira Costa – Mestre Skisyto

https://www.facebook.com/mestre.squisito

 

Veja também: Nosso Encontro Évora 2017 – Presença do Mestre Skisyto confirmada

Uma Roda de Capoeira à Francesa...!?? Geral Portal Capoeira

Berlin – Integração e muita capoeiragem

Berlin – Integração e muita capoeiragem

Como sempre, esta complexa e multicultural capital Europeia, proporciona experiências únicas… Reencontrar amigos… Sentir os sons, saborear as cores… Digerir o ímpar e prolixo emaranhado sócio cultural… Berlin sempre Berlin!

Terra de muita vadiação… terra das diversas tribos… terra de capoeira, candomblé, afoxé e muito axé!!!

No meio de tanta pluralidade Berlin se destaca pelo vasto leque de opções pela sua ofegante e prolixa disritimia do CAOS… por suas rodas movidas por pernas… e pelas pernas movidas por rodas…

Mestre Saulo, que já reside em Berlin há mais de 30 anos foi o criador de um conceito de evento de capoeira que só poderia vir de dentro deste ser humano ímpar… o NOSSO ENCONTRO, por seu formato único e informal, inspirou até o mestre Umoi a “importar” o formato para Portugal, na cidade de Évora.

Agora quem segura o leme do Encontro em Berlin, é o meu grande amigo e parceiro Mestre Bailarino, que deu nova roupagem e um novo nome: INTEGRAÇÃO BERLIN.

Fica aqui algumas imagens e momentos do encontro…

Bichinho da Roda

Na capoeira temos de ter aquele bichinho… Aquele que tem fome de jogo… Aquele que se alimenta da energia da Vadiação… As vezes temos de ter a ousadia de pedir aqueles que admiramos, por tudo aquilo que já fizeram e ainda irão fazer para e pela capoeiragem, um simples: “Mestre me dá a honra de dar um pulinho”… As vezes é mais do que suficiente para que esse mesmo bichinho seja alimentado da forma intensa e verdadeira… Obrigado Mestre Bocka Bocka, Capoeira Angonal, pela capoeira eu poder jogar…

 

 

Roda de encerramento do evento. Contramestre Milani, Professor Fungui, Professor Dackour, Professor Caranguejo, Chino. #capoeira #capoeiragem #naestrada #berlin #roda #rodaboa

AO PÉ DO BERIMBAU

AO PÉ DO BERIMBAU

AO AGACHARMOS AO PÉ DO BERIMBAU, JÁ COMEÇOU O JOGO !

Desabafo de Mestre Geni:

ALI ACONTEÇE TUDO, CONCENTRAÇĀO, CANTICOS, DESAFIOS, LOUVAÇÕES, ESTUDO, MANHA, MALÍCIA, MANDINGA, ENERGIA, AXÉ E MUITO MAIS…

PRINCÍPIOS, FUNDAMENTOS E TRADIÇÕES QUE VEEM SE PERDENDO AO LONGO DOS ANOS !

HOJE EM DIA, ABAIXA-SE AO PÉ DO BERIMBAU, POR ABAIXAR, ONDE SE FAZ ATÉ FILA E ALGUNS SENTAM AO CHĀO, NUM ATO DESRESPEITOSO E DESCABIDO !

CHORA BERIMBAU CHORA QUE NOSSAS TRADIÇÕES E FUNDAMENTOS TĀO INDO EMBORA!!!

Mestre Geni.

 

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