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Aos 80 anos, Mestre Boca Rica, continua cantando e encantando.

Aos 80 anos, Mestre Boca Rica, continua cantando e encantando.

Nascido em Maragogipe, no recôncavo baiano,  em 26 de novembro de 1936, Manoel Silva, o Mestre Boca Rica,  veio para Salvador aos 15 anos e se filiou na Academia de Mestre Pastinha, acompanhando-o até seus últimos dias.

Com vários CDs gravados, Mestre Boca Rica, literalmente já deu a volta ao mundo… com seu berimbau na mão… e sua forma única e inigualável de cantar a capoeira.

      Mestre Boca Rica - Pelourinho AO VIVO - Mestre Boca Rica

Ganhou o apelido de “Boca Rica”, do próprio mestre Pastinha, devido ao uso de dentes de ouro na parte superior da boca… na década de 60 era questão de status (não utiliza mais a dentição por conselho medico).

O Mestre tem enorme preocupação com a musicalidade na capoeira e tenta orientar seus alunos e aqueles que tem a humildade de lhe perguntar sobre o assunto… Boca Rica também passou algum tempo frequentando a academia de Mestre Bimba, o criador da “Capoeira Regional” desta forma pode vivenciar e apreender todos os toques e as regras que Bimba incorporou a sua capoeira.

 

“Os grandes mestres, como Bimba, Pastinha, Valdemar, se acabaram na maior lástima. O que se vende da Bahia é a capoeira e o candomblé, mas cadê os poderes públicos que não apóiam, não ajudam? É um descaso com os mestres antigos”.

 

 

Para as novas gerações, Mestre Boca Rica relembra:

Mestre Pastinha falava: Eu sei que vou morrer, mas quero ver a capoeira no lugar dela, no teatro, na televisão, no cinema, na escola, na universidade… Aí eu falava comigo: será que esse velho tá ficando maluco? E não deu outra, a capoeira veio crescendo, hoje tá em mais de 200 países pelo mundo afora. Nós já estamos descendo a ladeira e são vocês que têm que levar essa capoeira de angola pra frente, não a deixar morrer, se acabar”.

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Manoel Silva, o Mestre Boca Rica é um exemplo de dedicação  a Capoeira.

Mestre Boca Rica, fez parte da presidência da ABCA e mantém sua academia no Forte da Capoeira – Salvador, Bahia.

Baiano radicado no Rio, Mestre Camisa levou a capoeira a mais de 60 países

O peregrino capoeirista foi para o campo e fundou ‘quilombo moderno’

RIO – “Não tem erro. É só dirigir até Itaboraí e pegar a estrada para Cachoeiras de Macacu. Me liga quando estiver chegando que eu espero vocês na segunda queijaria”, diz o Mestre Camisa, pelo telefone, informando as coordenadas do sítio onde ele mora e organiza encontros nacionais e internacionais e aulas de capoeira. O sotaque é a mistura equilibrada de um baiano radicado no Rio que, há 16 anos, foi morar no interior do estado. Encontramos o capoeirista na RJ-116 e seguimos sua picape numa estradinha de barro espremida entre uma encosta e um charco. Logo depois de um enorme pé de açaí, fica a entrada do sítio, um lugar idílico, onde pavões, araras, gansos e papagaios ficam soltos o tempo todo. Voam embora, mas voltam. Há uma capelinha de São Jorge no pé de um pequeno morro e, espalhados num imenso gramado, amplos quiosques construídos para o treino da arte que, como define Camisa, “engravidou na África e nasceu no Brasil”.

 

 

— Este lugar é um quilombo moderno, de resistência contra o estresse da cidade grande — explica José Tadeu Carneiro Cardoso, de 58 anos, que batizou o local de Centro Educacional Mestre Bimba, em homenagem ao criador da chamada capoeira regional e seu mentor na adolescência em Salvador. — Luto para preservar a memória dele. A capoeira é patrimônio imaterial do Brasil. A melhor forma de manter sua história é cuidar do legado dos mestres.

Camisa deixa seu pequeno paraíso e vem ao Rio pelo menos duas vezes por semana, para acompanhar aulas e participar de reuniões. Está sempre confabulando algo. No momento, organiza o recém-criado Instituto Mestre Camisa e trabalha na produção do festival que, em agosto, vai comemorar os 25 anos da Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte-Capoeira (Abadá-Capoeira), criada por ele. Mais de cinco mil “seguidores” estarão na Fundição Progresso, na Lapa, para três dias de shows e atividades envolvendo as artes da capoeira (dança, luta, música, artesanato etc).

Vai ser uma celebração da própria vida de Camisa. Ele tinha 16 anos quando veio parar no Rio ao final de uma turnê que costurou o país com apresentações de capoeira e música baiana. Antes de criar seu próprio método de ensino e filosofia, o nordestino integrou o Grupo Senzala durante anos. O primeiro aluno foi um gaúcho que tinha visto o show do “Furacões da Bahia”. Na época, Camisa ainda morava num quartinho da academia em Laranjeiras onde dava aulas. Hoje, ele bate no peito ao dizer que ensinou capoeira a milhares de pessoas no mundo.

O capoeirista já esteve em mais de 60 países para ministrar palestras e cursos. Este ano, foi inaugurado o Complexo Residencial Mestre Camisa, conjunto habitacional na cidade de Romilly-sur-Seine, na França. Por causa do seu trabalho de pesquisa e divulgação da cultura brasileira, recebeu até título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Uberlândia. Além disso, a Abadá-Capoeira está envolvida em mais de 150 projetos sociais. São cerca de 15 mil pessoas beneficiadas com aulas gratuitas. Há ainda campanhas sociais, com nomes como “Capoeirista sangue bom”, de doação de sangue para o Hemorio, e “Meu berimbau pede paz”, contra a violência. Mestre Camisa virou uma espécie de diplomata da cultura nacional.

— Pessoas de vários países aprendem a jogar e querem saber como surgiu nossa arte. A história da capoeira é mais importante que o jogo. O que é mais bonito que o homem lutar pela liberdade? — argumenta Camisa, referindo-se ao nascimento da luta, criada por escravos para se defender dos feitores dos engenhos. — Como eu só falo português nas aulas, os gringos aprendem até o idioma. Não tem tradução para palavras como ginga e manha.

Sob a perspectiva da divulgação da capoeira, o sociólogo e professor Muniz Sodré atribui ao baiano lutador a sucessão do Mestre Bimba, de quem também foi pupilo.

— Camisa tem uma cabeça universitária sem nunca ter passado por faculdade. Sabe misturar a prática do jogo com o sentido de preservar a cultura. Além disso, é um “poliartista”, que luta, canta, compõe e toca bem o berimbau — elogia Sodré. — A capoeira faz mais pela cultura brasileira no exterior do que adidos culturais em embaixadas.

Em suas viagens, sempre como convidado para eventos, Camisa viveu de tudo. Terremotos no Japão a bombardeios em Israel. Durante um voo doméstico em Angola, ficou sabendo que o aeroporto da cidade de Benguela, para onde estava indo, havia sido atacado (o país africano estava em guerra civil). Hoje, a frequência das viagens diminuiu bastante. O mestre prefere ficar perto da mulher e dos três filhos, com idades de 33, 23 e 13 anos, todos de casamentos diferentes.

— Eles moram no Rio, mas passam o fim de semana comigo. Chega de viajar tanto. Sem gastar um centavo do meu bolso, percorri o mundo. Agora, deixo as pessoas virem ao meu quilombo respirar ar puro.

O retorno ao campo

A ida de Camisa para o interior foi a volta ao campo do menino de Jacobina, no extremo norte da Chapada Diamantina. Ele passou a infância “brincando de capoeira na rua”. O irmão mais velho, Camisa Roxa, foi quem mostrou que o assunto era coisa séria. Depois da morte do pai, quando o garoto tinha 9 anos, a família foi toda morar em Salvador. Camisa se formou com Mestre Bimba e, aos 16, partiu na turnê nacional organizada pelo irmão. O Rio era a última parada. Eles se apresentaram em locais como o Canecão e o Teatro Opinião e, ao final, parte da trupe partiu num navio rumo à Europa. O adolescente ficou para trás.

— Chorei quando vi o navio zarpar, no cais do porto. Mas rasguei ali mesmo a passagem de volta para Salvador. Cheguei a dormir na rodoviária, fingindo que estava esperando ônibus. Mas consegui me fixar.

Décadas se passaram até Camisa decidir que o campo é seu lugar. O intuito da mudança foi levar o trabalho social ao interior. No sítio, ele dá aulas a crianças e forma professores. Também promove encontros com centenas de pessoas, que além de treinar capoeira, fazem trilhas e cavalgadas. Tudo faz parte do conceito da capoeira ecológica. O mestre promove rodas no meio do mato e planta árvore para fazer berimbau. Criou até um “berimbau vivo”, amarrando a corda no tronco de uma árvore.

— O Camisa sempre descobre o caminho para fazer. No festival, em agosto, ele quer lançar o título de “notório fazer” — diz Perfeito Fortuna, presidente da Fundição Progresso e amigo do mestre desde que ele se apresentou no Circo Voador, em 1982, quando a lona estreou no Arpoador. — Não existe a expressão notório saber? Às vezes, quem sabe fazer não faz. Mas quem faz sempre sabe. E o Camisa faz.

Fonte: http://oglobo.globo.com

Mestre Decânio

Ângelo Augusto Decânio Filho, Mestre Decânio, o mais “idoso” dos discípulos de Mestre Bimba ainda vivos, a maior autoridade no mundo sobre a Capoeira Regional de Mestre Bimba. Médico de profissão, esteve ao lado do Mestre desde 1938, dispensando-lhe atenção filial, cuidados médicos, assessoramento em assuntos relacionados com a administração da Academia, estudo de novos golpes e contragolpes, e o estabelecimento de normas e regras destinadas ao aperfeiçoamento do ensino da luta. Em decorrência deste relacionamento, tinha o privilégio de ser o único detentor dos segredos e das manhas do Mestre. Escreveu vários livros sobre Capoeira, agrupados na Coleção São Salomão, editada por ele próprio. Sua obra é citada (por Mestre Damião) como “a verdadeira Bíblia da Capoeira”. Privar de sua companhia é sempre um grande prazer. Mantém uma página na Internet que é sem dúvida um dos melhores sites para quem quiser saber tudo sobre Capoeira:
Medico. Professor Universitário, Capoeirista.  Aluno de Mestre Bimba desde 1938

Mestre João Pequeno

Mestre João Pequeno

João Pereira dos Santos, aluno de mestre Gilvenson e depois discípulo de Mestre Pastinha, de quem se tornou continuador. Integrou em 1966 a delegação brasileira no Premier Festival des Arts Nègres, em Dakar (Senegal).Hoje, ainda mantém Academia de Capoeira, no Forte Santo Antônio (centro histórico de Salvador). Em 1970, Mestre Pastinha assim se manifestou sobre ele e seu companheiro João Grande: “Eles serão os grandes capoeiras do futuro e para isso trabalhei e lutei com eles e por eles. Serão mestres mesmo, não professores de improviso, como existem por aí e que só servem para destruir nossa tradição que é tão bela. A esses rapazes ensinei tudo o que sei, até mesmo o pulo do gato”.

Em 27 de dezembro 1917 nasceu em Araci no interior da Bahia João Pereira do Santos, filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas. Aos quinze anos (em 1933) fugiu da seca a pé, indo até Alagoinhas seguindo depois para Mata de São João onde permaneceu dez anos e trabalhou na plantação de cana de açúcar como chamador de boi, então conheceu Juvêncio na Fazenda são Pedro, que era ferreiro e capoeirista, foi aí que conheceu a capoeira.

Aos 25 anos, mudou-se para Salvador, onde trabalhou como condutor (cobrador) de bondes e na construção civil

como servente de pedreiro, pedreiro, chegando a ser mestre de obras. Foi na construção civil que conheceu Cândido que lhe apresentou o mestre Barbosa que era um carregador do largo dois de julho, Barbosa dava os treinos, juntava um grupo de amigos e nos finais de semana ia nas rodas de Cobrinha Verde no Chame-chame.

Inscreveu-se no Centro Esportivo de Capoeira Angola, que era uma congregação de capoeiristas coordenada pelo Mestre Pastinha.

Desde então, João Pereira passou a acompanhar o mestre Pastinha que logo ofereceu-lhe o cargo de treinel, isso foi por media de 1945, algum tempo depois João Pereira tornou-se então João Pequeno.

No final da década de sessenta quando Pastinha não podia mais ensinar passou a capoeira para João pequeno dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer mas morro somente o corpo, e em

espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”.

Na academia do Mestre Pastinha, João Pequeno ensinou capoeira a todos os outros grandes capoeiristas que dali se originaram e mais tarde tornaram-se grandes Mestres, entre eles João Grande, que tornou-se seu Grande parceiro de jogo, Morais e Curió.

Foi aconselhado pelo Mestre Pastinha a trabalhar menos e dedicar-se mais a capoeira. Embora pensasse que não passaria dos 50 anos percebeu que viveria bem mais ao completar tal idade.

Tendo que enfrentar a dureza da cidade grande João Pequeno também foi feirante, e carvoeiro chegou a ser conhecido como João do carvão, residiu no Garcia, e num barraco próximo ao Dique do Tororó.

Sua primeira esposa faleceu, mas, um tempo depois conheceu Dona Mãezinha no Pelourinho, nos tempos de ouro da academia de seu Pastinha, constituíram família, e com muito esforço construíram uma casa em fazenda Coutos,

Lá no subúrbio, bem longe do Centro onde foram morar e receber visitas de capoeiristas de várias partes do mundo.

Para João Pequeno o capoeirista deve ser uma pessoa educada “uma boa arvore para dar bons frutos”. Para quem a capoeira é muito boa não só para o corpo que se mantém flexível e jovem, mas também para desenvolver a mente e até mesmo servir como terapia, alem de ser usada de várias formas, trabalhada como a terra, pode-se até tirar o alimento dela.

João Pequeno vê a capoeira como um processo de desenvolvimento do indivíduo, uma luta criada pelo fraco para enfrentar o forte, mas também uma dança, cuja qual ninguém deve machucar o par com quem dança, defende a idéia que o bom capoeirista sabe parar o pé para não machucar o adversário.

Algum tempo após a morte do mestre Pastinha, em 1981, o mestre João Pequeno reabre o Centro Esportivo de Capoeira Angola ( CECA ) no Forte Santo Antônio Alem do Carmo(1982), onde constitui a nova base de resistência, onde a capoeira angola despontaria-se para o mundo, embora encontrando várias dificuldades para manutenção de sua academia, conseguiu formar alguns mestres e um vasto numero de discípulos.

Na década de noventa houve várias tentativas por parte do governo do estado em desocupar o forte Santo Antônio para fins de reforma e modificação do uso do forte, paradoxalmente em um período também em que foi amplamente homenageado recebendo o titulo de cidadão da cidade de Salvador pela câmara municipal de vereadores, Doutor Honoris Causa pela universidade de Uberlândia, e Comendador de Cultura da República pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

”É uma doce pessoa” é o que afirmam todos que tem a oportunidade de conhecer o Mestre João Pequeno, cuja simplicidade, a espontaneidade e o carisma seduz a todos que vão até o Forte Santo Antonio conferir suas rodas, é um bricalhão, mas que também não deixa de dar uma baquetada nos que se exaltam e esquecem dos fundamentos da brincadeira e da dança.

  • Leia Mais : Mestre João Pequeno de Pastinha

Jundiaí: História de vida em roda de capoeira

Um dos capoeiristas mais respeitados da cidade, que fez história nos EUA, mestre Rã demonstra paixão e envolvimento com o esporte

A correria da rua do Retiro esconde um recanto de paz e espiritualidade. O ritmo agitado de pessoas pela rua é bem marcado pelo berimbau e pandeiro da Academia de Capoeira do Mestre Rã, um dos maiores nomes do esporte na cidade.

O jundiaiense  é referência na capoeira nacional e internacional, sendo professor nos Estados Unidos.

A história de Cássio Martinho, o nome de batismo do mestre, com a capoeira começou logo cedo. Aos 14 anos, quando ele e mais dois amigos, um deles capoeirista, resolveram fugir de casa.

“O objetivo era ir para o Acre para virar índio. Nós éramos contra o sistema”, conta o mestre, que não chegou ao estado do Norte – o seu máximo foi morar na Bahia.

A ‘loucura’ durou poucos meses, depois voltou para Jundiaí, mas o amor pela capoeira já tinha tomado conta do jovem. “Gostava muito de assistir as rodas de capoeira.”

De volta à terrinha jundiaiense, mestre Rã conheceu o seu mentor e um dos ícones do esporte na cidade, o mestre Galo, fundador da primeira academia de capoeira de Jundiaí.

“Ele me atraiu pelas suas atitudes”, afirma.

Entretanto, mestre Rã não apreciava a prática da capoeria dentro das academias. “Eu achava que era coisa de homens frouxos”, lembra.

Com o passar dos anos, mestre Rã foi crescendo no esporte e foi dar aulas junto com o seu mentor. “Ele era um cara das ruas, como eu. Me ensinou várias coisas”, recorda.

APELIDO/ Se falarmos Cássio Martinho, pouca gente deve conhecer, no entanto mestre Rã tem muita história para contar. Esse apelido ele ganhou de mestre Galo no dia em foi batizado em uma cerimônia no Grêmio. Ele lembra que naquela noite estava muito nervoso e ansioso para sua luta.

“Minha estreia foi bem marcante. Eu entrei na roda pulando e dando piruetas. E o pessoal na hora começou a tirar sarro falando que eu parecia uma rã. Aí o apelido pegou”, brinca.

Saltando de lá para cá, Mestre Rã chegou até aos Estados Unidos, onde coordena cursos e participa de eventos de batismo de outros capoeiristas. A princípio ele iria ficar só três semanas no exterior, mas fez seu nome em 17 anos lá fora.

Quem é e o que faz:
Nome_ Cássio Martinho
Idade_ 51 anos
Profissão_ mestre de capoeira
Clubes_ Academia de Capoeira do Mestre Rã

Capoeira toma conta  dos Estados Unidos
A vida do mestre Rã começou a tomar rumos diferentes em 1988, quando o Grupo de Capoeira Cordão de Ouro o chamou para ministrar um curso sobre o esporte nos Estados Unidos.

A princípio, Mestre Rã iria ficar fora do país somente por três semanas. “Esse era o meu pensamento. Dar as aulas e voltar”, lembra.

Mas não foi bem assim que aconteceu. “No final fiquei mais de 17 anos.”

Nos Estados Unidos, Mestre Rã – antes de se tornar um famoso capoeirista -, fez de tudo um pouco. Trabalhou em diversos setores muito diferentes do esporte. “Fiz trabalhos de turista mesmo”, lembra.

Como em uma roda de capoeira em que se cai e levanta, mestre Rã conheceu um outro capoeirista, o mestre Arcodeon, com quem fez grande parceria e difundiu o esporte em solo americano.

“Nós fazíamos um espetáculo legal, com danças tipicamente brasileiras”, diz.

E nos arcordes do berimbau a capoeira se espalhava pelos Estados Unidos e mestre Rã, acostumado a formar professores, estava jogando a capoeira com um pouco mais de sotaque, mas sem perder a ginga de um bom brasileiro.

“Os americanos têm ginga, isso é mito. Só falta um pouco da malandragem”, afirma.

O sucesso do esporte africano foi enorme. Mestre Rã ajudou a fundar várias academias de capoeira pelo país, em diversos estados e  cidades importantes.

“Eu vou umas cinco vezes por ano para os Estados Unidos, para os batizados”, diz o mestre que já tem passagem comprada para dezembro deste ano.

“Vou ver o pessoal de Miami, eles têm uma academia linda”, diz o professor, que também promoveu o intercâmbio entre as culturas. “Uma vez eu trouxe para cá 78 capoeiristas americanos”, conta.

 

Projeto Social

De volta ao Brasil em 2005, mestre Rã também usa a sua academia na rua do Retiro para promover ações sociais com crianças carentes de Jundiaí.

“Eu uso a capoeira como formação do caráter da pessoa. Esse é um dos objetivos do esporte”, afirma.

Ao todo, ele auxilia mais de 60 crianças de vários bairros da periferia  e percebe o desenvolvimento dos jovens.

“Dá para ver que a criança se esforça e consegue fazer os movimentos. Isso é muito legal”, afirma. Para o trabalho, o mestre conta com a ajuda de voluntários.

Mestre Rã aproveita também para cobrar uma ajuda da prefeitura nesse projeto social. “A prefeitura poderia ao menos dar o transporte. Isso já ajudaria muito”, afirma.

Mestre Rã está dividido entre os seus alunos e sua filha Joana Idalina, de seis meses. Segundo ele, a filha já tem a capoeira no sangue. “Trago ela em todas as aulas, ela gosta muito do clima”, afirma. A pequena Joana, desde cedo, está se acostumando com os instrumentos típicos da capoeira, como o berimbau e o pandeiro.

“Quando o berimbau para de tocar ela chora”, comemora o pai.

Mestre Guerreiro e a Capoeira em uma vida inteira em “guerra” pela paz

Mestre Guerreiro podia muito bem ilustrar um daqueles quadros de Rugendas, mas há mais de cinco décadas tem a Capoeira como religião, como profissão e como missão de vida.

Ele nasceu Mário Alves dos Santos em 18 de junho de 1950 na sergipana Simão Dias. A infância vivida em Salvador fez conhecer a Capoeira. Foi paixão ao primeiro olhar. Na adolescência por obrigação do pai foi parar na construção civil. Na fuga do cimento, Mário, o “guerreiro” ganhou o mundo.

Passou a viajar por vários estados brasileiros até chegar em Mato Grosso do Sul. Como Mestre Guerreiro, Mário passou a ensinar Capoeira para as crianças e adolescentes. Depois de ficar por dois anos em Ivinhema, Guerreiro aportou em Dourados onde está há quase trinta anos onde fincou raízes.

Reconhecido por sua trabalho social na Associação de Capoeira Bahiana, Mestre Guerreiro já ensinou capoeira para quase dez mil alunos. Atualmente está orientando crianças de projetos sociais no Ubiratan, na Ação Familiar Cristã e também nos municípios de Caracol e Bela Bista. Guerreiro diariamente atende crianças que moram nas regiões mais pobres da cidade onde a violência, os crimes e a falta de esperança imperam.

“A minha guerra é pela paz”, disse o mestre que antes de conhecer a capoeira era um sujeito nervoso, briguento e intolerante. “Hoje ensino para as crianças através da capoeira que existe uma maneira melhor para encarar os problemas, viver com dignidade e de bem com tudo e com todos”, ensina Guerreiro.

Mário sentiu que a capoeira era o caminho que devia seguir. Deixou as brigas de lado, centrou seus pensamentos e colocou sua vida a caminhar por estradas calçadas pela compreensão, pelo amor e pelo respeito mutuo.

“Acredito que Deus é a força maior para quem quer fazer o que é certo”, exorta Guerreiro que passou a ensinar as crianças uma cultura de paz.

Ao chegar em Dourados o “Deus” da Capoeira era o Pedrão. Nao se sabe onde foi parar Pedrão. Mestre Guerreiro comprou várias brigas até que conseguiu fundar a Associação de Capoeira Baiana, uma organização não-governamental que há mais de duas décadas leva a capoeira para as crianças pobres. As ricas também participam.

Guerreiro, um homem de paz. Popular e querido tentou a vida pública. Foi candidato a vereador. Na primeira disputa obteve 480 votos. Na segunda tentativa apenas 379 pessoas queriam que ele fosse para a Câmara Municipal. Guerreiro não é político. Ficou no seu lugar. Com o berimbau nas mãos e com a garganta afiada canta para o jogo da capoeira continuar.
Nicanor Coelho

O reconhecimento: Recebeu o título de Cidadão Douradense, a mais importante honraria dada pelo Poder Legislativo àqueles que mesmo não tendo nascido na terra de Marcelino Pires, deram o sangue por ela. Para o Mestre, o reconhecimento mesmo vem das ruas, dos pais de família, das crianças e de todos aqueles que amam a capoeira e vê beleza nas roupas brancas e nos cordões coloridos e nos pés descalçados dos afrodescendentes e todos os afros possíveis e impossíveis.

A roda está formada. Entre que o Mestre Guerreiro está sorrindo. A vida continua no lamento dos negros que miscigenados estão espalhados por todo o Brasil enquanto a Capoeira continua negra. Tão negra quando a pele de Mestre Guerreiro.

Fonte: http://www.midiamax.com

Semana Decanio: Uma Homenagem ao Mestre

Angelo Augusto Decanio Filho, nascido numa segunda feira, 12/02/1923, completa este ano 86 voltas ao mundo…

O Portal Capoeira, seus colaboradores, parceiros e amigos iniciam uma singela homenagem a este discípulo de Mestre Bimba, a este grande cidadão da Bahia e do Mundo e um dos principais mentores deste Projeto.

Mais do que um aluno do grande Mestre, Decanio, foi sem duvida um dos companheiros mais chegados de Manuel dos Reis Machado…

Foi médico, amigo, conselheiro, filho, irmão e um dos principais responsáveis pela criação e documentação da “Luta Regional Baiana”.

Durante a SEMANA DECANIO, publicaremos textos de sua autoria, selecionados pelos amigos e camaradas de Mestre Decanio, juntamente com homenagens, fotos e pequenos fragmentos de média.

Uma importante dica é a visita obrigatória ao site CAPOEIRA DA BAHIA, organizado pelo dinâmico e incansável Mestre Decanio

Mestre Decanio, a quem considero um grande amigo, um exemplo… e acima de tudo o Pai do Portal Capoeira!!!

 

Leia todos os artigos relacionados:

Semana Decanio, uma homenagem ao Mestre.
11/02/2009 até 19/02/2008 no Portal Capoeira.

Luciano Milani

 

Mestre Valdenor – Homenagem de Aniversário

Mestre Valdenor – Homenagem de Aniversário Portal Capoeira:

Desejamos ao Mestre Valdenor e todos os seus, muita saúde, paz e hamonia sempre acompanhado de muita capoeiragem!

MESTRE VALDENOR Renome Internacional na Roda da Capoeira Melhores Momentos Profissionais

DADOS PESSOAIS

Nome: Valdenor Silva dos Santos Nascido em 09 de Setembro de 1951 Natural de Mairí – Estado da Bahia Formação: Estudante Universitário. GESTÃO EM ADMINISTRAÇÃO ESPORTIVA Endereço: Rua Rio Grande, 263 – Bairro Homero Thon – Santo André – SP. CEP: 09110-420 – Fone Celular: 0xx. 11.9309-1698 – E-mail: mestrevaldenor@yahoo.com.br

Iniciou e formou-se na Capoeira com: MESTRE ANDRADE CAPOEIRA SANTO ANDRÉ – Santo André – SP. Treinou também com Mestre JOÃO FERREIRA (em memória), ASSOC. DE CAPOEIRA REGIONAL PRIMITIVA – São Caetano – SP.

Tabela de conteúdo CapoWiki:

 

Mestre Burguês – Aniversário & Roda

Em homenagem e comemoração ao seu aniversário, o Portal Capoeira, publica uma matéria especial sobre: Antonio de Menezes, o Mestre Burguês, que no próximo dia 06 de Setembro estará comemorando o seu aniverário com uma grande roda*. Nesta matéria ainda disponibilizamos uma entrevista realizada pela Revista Praticando Capoeira nº 33. Desejamos muitas felicidades, saúde e paz a toda família Muzenza.

Mestre e Presidente do Grupo Muzenza, há 32 anos lecionando no sul do Brasil. Técnico e Mestre de 18 campeões brasileiros, Campeão Brasileiro em 1987 (pela Confederação Brasileira de Pugilismo), editou 2 livros de capoeira “O Estudo da Capoeira – 1976” e “Cânticos de Capoeira – 1978” Gravou 20 CDs, 6 DVDs e ministrou cursos em mais de 30 países, realizador de vários eventos mundiais.

Mestre Burguês

Mestre Burguês

Antonio de Menezes, o Mestre Burguês, nasceu em 06/09/1955 em Laranjeiras/SE. Aos três meses de idade mudou-se com a família para o Rio de Janeiro.

Aos doze anos de idade, deu seus primeiros passos na capoeira com um amigo de colégio, Nelson, em Ramos. Os dois para não apanhar do China, um menino que gostava de bater em todo mundo, compraram o livro "Capoeira Sem Mestre" e começaram a treinar.

Com o passar do tempo, entrou em contato com as rodas de Mestre Mentirinha em Ramos, Bonsucesso e identificaou-se com o estilo de Mestre Paulão, fundador do grupo Muzenza.

Nessa época, Mestre Paulão estava iniciando as aulas com Mestre Sillas, no Clube do Bolinha, e Burguês decidiu matricular-se.

O apelido resultou do fato de após arrecadar garrafas e chumbo pelas ruas e vender ferro velho, pagar adiantado a mensalidade de 3 meses.

Mestre Burguês, dedicou-se bastante à capoeira e depois de alguns anos, Mestre Paulão, ocupado com suas atividades na marinha, transferiu o comando do grupo a Burguês, que é o presidente até hoje.

Em 1975, após lecionar em Madureira e Meyer (RJ), foi para Curitiba, transferindo a matriz da Muzenza para o Paraná iniciando um trabalho voltado para as raízes da capoeira, implantando essa modalidade em clubes, escolas, comunidades carentes, univesidades e quartéis.

Ao longo de sua carreira realizou vários congressos, encontros nacionais, fundou a Federação Paranaense de Capoeira, a confederação


Entrevista: Revista Praticando Capoeira nº 33

Ha mais de 30 anos difundindo a capoeira no Brasil e no mundo desde que assumiu o comando do Grupo Muzenza, em 1975, transferindo a matriz para o Paraná, Mestre Burguês vem trabalhando incansavelmente pelo desenvolvimento da capoeira. Implantou trabalhos em clubes, academias, escolas, comunidades carentes, universidades e quartéis;fundou a Federação Paranaense de Capoeira e a Super Liga Brasileira; publicou vários livros; realizou inúmeros eventos, entre eles campeonatos mundiais, encontros e festivals; lançou dezenove CDs e dois DVDs.

Numa entrevista exclusiva para a revista Praticando Capoeira Mestre Burguês fala sobre o trabalho do Grupo Muzenza no Brasil e em outros paises, a expansão da capoeira no exterior, os maiores problemas que a capoeira e o capoeirista enfrentam atualmente, alem de dar dicas de como ser um capoeirista bem sucedido.

Entrevista

Praticando Capoeira: Como está, atualmente, o trabalho do Grupo Muzenza no Brasil e no exterior?

Mestre Burguês: O trabalho no Grupo Muzenza tem crescido especialmente nas escolas e comunidades carentes. Estamos procurando desenvolver cada vez mais o trabalho de alto rendimento. Também estamos trabalhando na divulgação e preservação dos verdadeiros mestres. No exterior, o trabalho tem crescido cada vez mais. Procuramos implantar a capoeira nas escolas de Portugal, Espanha e Israel. Tambem temos divulgado nosso trabalho com menores infratores e drogados, procurando sociabilizá-los através da capoeira. Já temos alcangado bons resultados!

Praticando Capoeira: Qual a tendência que a capoeira tende a seguir fora do Brasil?

Mestre Burguês: Me preocupa muito como a capoeira esta sendo vendida fora do Brasil, já que ela não para de crescer em todos os continentes. Muitos professores despreparados, que não estao transmitindo todas as vertentes que a capoeira oferece nem os seus fundamentos e tradições.

Praticando Capoeira: E dentro do Brasil?

Mestre Burguês A capoeira no Brasil está passando por uma série de crises, entre elas a falta de alunos. A tendência é o capoeirista voltar ao passado tendo que trabalhar em outra profissao e lecionar capoeira a noite ou nos finais de semana.

Praticando Capoeira: Como a capoeira é vista, hoje, fora do Brasil (tanto a Capoeira Regional como a Capoeira Angola)?

Mestre Burguês A Capoeira Regional tem sido vista como uma grande obra realizada pelo Mestre Bimba mas pouco transmitida como ela foi ensinada. A Capoeira Angola é bem vista apesar de ter poucos mestres divulgando a arte.

Praticando Capoeira: Os conflitos que acontecem entre os grupos no Brasil tambem existem no exterior?

Mestre Burguês Nao, pois a mentalidade dos capoeiristas no exterior e totalmente outra. Lá vemos professores ajudando colegas de outros grupos, que no Brasil são inimigos. Vejo que podera haver uma mudança de fora pra dentro do Brasil.

Praticando Capoeira: Quais os maiores problemas que a capoeira e o capoeirista enfrentam atualmente?

Mestre Burguês Um dos grandes problemas da capoeira é a falta de reconhecimento do governo com a nossa arte, já que ela é uma das grandes divulgadoras da nossa cultura. O capoeirista tem sofrido por nao ter sua profissão regulamentada.

Praticando Capoeira: Como resolvê-los?

Mestre Burguês Acredito que para tentar resolver essas questões precisaremos de muita união e amor pela capoeira.

Praticando Capoeira: Quais as dicas que voce daria para aqueles que querem se desenvolver na capoeira (em todos os sentidos): performance de jogo, financeiramente, reconhecimento na comunidade, etc?

Mestre Burguês Para você ter uma grande performance de jogo é necessário ter muita dedicação, procurar estar sempre atento em pesquisar e fazer cursos com os verdadeiros mestres tradicionais. Aqueles que querem crescer financeiramente na profissão, além de trabalhar muito, devem guardar tudo aquilo que ganham e investir bem para sempre ser um mestre bem sucedido financeiramente. 0 reconhecimento pela comunidade é só com o tempo e com o trabalho que apresentar.

Praticando Capoeira: Para você, o que e ser capoeirista?

Mestre Burguês Ser capoeirista é respeitar a arte, fazê-la com amor e a transmitir com honestidade, lealdade, educação e humildade. Ser capoeirista e ter caráter.

Praticando Capoeira: Fale um pouco sobre o novo CD que esta lançando.

Mestre Burguês Esse é o nosso 19° CD. Procuramos, como sempre, dar oportunidade as novas revelações do nosso grupo. São vinte cantigas no ritmo de Sao Bento Grande da Regional. O lançamento oficial aconteceu nos dias 26 e 27 de novembro, no Rio de Janeiro, no Encontro Brasil Intemacional Capoeira Muzenza.

Praticando Capoeira: Quais sao seus pianos para o futuro?

Mestre Burguês O langamento do terceiro DVD Muzenza, quatro livros que estão em fase final, o 20° CD e o 4° Mundial Muzenza no Rio de Janeiro.

 

Mestre Burguês* Mestre Burguês convida você para a Roda de capoeira do seu aniversário, neste próximo sábado, 6 de setembro de 2008, às 15:00 horas, no Colégio Militar do Rio de Janeiro, na Rua São Francisco Xavier, 267, Tijuca/RJ (Próximo ao Maracanã – Estádio de Futebol).
MAIORES INFORMAÇÕES:
55 (21) 9190.3234 / 9824.0348 / 9226.2196
Envia a todos AQUELE AXÉ !!!

Fonte: http://www.mestreburgues.com.br