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Cultura e Cidadania

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Carnaval – Nova Rainha do Ilê Aiyê: A capoeira me aproximou da dança afro

Eleição da Deusa de Ébano foi realizada na Senzala do Barro Preto. Vencedora é casada, tem uma filha e é professora de Educação Física.

As aulas de capoeira e o universo ao redor da luta africana, que possui características de dança, foram o que levou a professora de Educação Física Alexandra Amorim, 33 anos, eleita no último domingo (25) a Rainha do Ilê Aiyê 2015, a gostar de dança afro.

Ao todo 15 candidatas concorreram ao posto de Deusa do Ébano, no tradicional concurso que é realizado há 36 anos, na Senzala do Barro Preto, sede do Ilê Aiyê, localizada no bairro do Curuzú, em Salvador.

Em entrevista ao G1, Alexandra conta que quando era criança, queria fazer balé, mas acabou na capoeira por causa de problemas financeiros da família. “Eu tinha 11 anos e queria muito fazer balé, mas minha mãe e minha avó disseram que a capoeira era mais barato. Então fui, e quando cheguei na capoeira conheci o maculelé e a história afro. Foi a capoeira que me aproximou da dança afro”, relata.

Depois de iniciada nas manifestações culturais afro, Alexandra contou com o incentivo determinante do pai, que desfilava no Ilê durante o carnaval de Salvador.

 

“Quando ele saía no Ilê, dizia: ‘Quero que minha filha seja rainha’. Esse foi um dos grandes motivos que me fez participar da seleção”, disse.

A nova rainha do Ilê conta que já disputou o concurso quatro vezes, e até já foi rainha do Malê de Balê em 2008, outro bloco afro do carnaval de Salvador.

Para ser rainha do Ilê este ano, Alexandra disse que dedicou o ano de 2014 inteiro ao concurso.

“Dessa vez não contei a ninguém que ia participar, só falei quando fui selecionada como finalista. Eu me dediquei à dança afro e fortaleci a consciência crítica de ser mulher negra”, diz. “Acho que conquistei pelo sorriso também e pela maneira que dancei para o público. Acredito que tudo isso contribuiu para a minha vitória”, acrescenta.

 

“A capoeira me aproximou da dança afro’, diz nova Rainha do Ilê Aiyê”

 

Alexandra é casada e tem uma filha de três anos. Ela conta que recebeu bastante apoio do marido, que também é professor de Educação Física. “Ele me deu uma grande ajuda para tudo. Foi um personal para mim. Eu tive uma alimentação diferenciada e equilibrada, fazia treino de resistência pela manhã, pela tarde treinava técnicas da dança e à noite assistia vídeos de outras candidatas, lia as histórias do bloco, conhecia as músicas”, conta.

A nova rainha do Ilê disse que mesmo com a dedicação ao concurso e com a rotina pesada de trabalho como professora, a filha não reclamou da ausência dela.

 

“Ela não me sentiu minha falta porque viajo toda semana para dar aula no interior. Sou professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) em Jacobina e professora da educação infantil”, explica.

O Concurso

A banda Aiyê abriu o evento de premiação do concurso, realizado no último domingo.

Além de Alexandra, o segundo lugar ficou com a manicure Larissa Oliveira, 21 anos, e o terceiro com a universitária Milena Sampaio, 30 anos. Elas receberam o título de princesas que, neste ano, pela primeira vez, irão desfilar no bloco durante o Carnaval.

O presidente da instituição, Vovô do Ilê, lembrou que a eleição da Deusa do Ébano é uma das principais ações afirmativas do o grupo. “Vivemos em uma terra muito racista, então fazer uma festa com essa estrutura é uma grande conquista’, ressaltou.

Além da premiação, a cerimônia também prestou tributo a mulheres negras que fizeram história. As homenageadas foram a atriz Zezé Motta, que protagonizou o filme Xica da Silva (1976); Mãe Hilda Jitolú, que foi dirigente espiritual do Ilê por muitos anos; e Dona Ivone Lara, matriarca do samba e uma das primeiras intérpretes do gênero.

Fonte: http://g1.globo.com/

Jovens músicos levam a cultura baiana para fora do Brasil

De volta às terras soteropolitanas desde 23 de novembro, após um intercâmbio em Viena, Áustria,  os alunos da Escola de Educação Percussiva Integral – EEPI, Gladson Conceição e Edson Mota, planejam mostrar o que aprenderam durante a viagem com  aulas e workshops.

Eles foram para a capital austríaca a partir de um processo seletivo promovido pela EEPI e seus parceiros. Os rapazes já passaram por todas as etapas de formação  e seguem os passos do idealizador e diretor da instituição, o percussionista Wilson Café.

A oportunidade surgiu durante as avaliações rotineiras da escola, onde estudam há nove anos. Eles  não imaginavam que, em meio às provas, estava um teste que terminaria  em um intercâmbio de duas semanas em Viena, capital da Áustria.

Lá – onde Wilson Café foi nomeado Embaixador da Paz em julho deste ano pela Abrasa, associação civil que fomenta o intercâmbio cultural entre Brasil e Áustria -, os jovens participaram dos workshops ministrados por Café, dando suas próprias aulas e abordando aspectos da cultura do Norte e Nordeste. “Edson falou para uma plateia explicando sobre a cultura, a diversidade cultural do Brasil. Gladson falou da parte da música”, diz Café.

No outro lado do mundo

Gladson e Edson desembarcaram em Viena com a temperatura beirando os 3º C. Entre visitas à Escola de Música de Mozart, à casa onde o compositor nasceu e  à Embaixada Brasileira na Áustria (onde levaram de presente uma peça da exposição Máscaras, uma homenagem da EEPI ao centenário de Abdias do Nascimento, que culminou na criação do Acervo Para Matrizes Africanas da Cultura Brasileira na embaixada em 20 de novembro), Edson e Gladson se surpreenderam com o interesse do povo austríaco pela cultura baiana.

“Eles não tinham conhecimento algum que aquele instrumento de uma corda só tinha várias notas”, diz Edson Mota sobre a curiosidade dos alunos de Viena pelas notas musicais produzidas pelo berimbau.

O interesse pelo português, em seu aprendizado e exercício, foi um dos aspectos de maior choque para os estudantes baianos, como conta Gladson Conceição. “Eu fiquei besta de ver um alemão cantando as músicas da capoeira limpinhas em português”.

Em meados de agosto de 2015, será a vez da  Escola de Educação Percussiva Integral receber alunos da Áustria. Na ocasião, 20 estudantes europeus virão ao Brasil para ver de perto o que lhes foi contado pelos garotos.

Antes do embarque

Gladson e Edson descobriram em outubro que representariam a escola no exterior. Em 9 de novembro,  acompanhados de Wilson Café, deixaram o Brasil para conhecer um novo país e levar um pouco da bagagem cultural de Salvador.

“O que eu espero é conhecer os lugares e ter mais informações”, disse Edson Mota um dia antes do embarque. Aos 20 anos e cursando  Letras/Espanhol na Universidade Federal da Bahia, ele tinha 11 anos de idade quando ingressou na EEPI.

Prestes a embarcar para Viena, a expectativa de estar em um lugar novo era difícil de ser ignorada. Gladson Conceição, que, aos 18 anos, tem uma forte ligação com a música e com a capoeira, mostrava sua preocupação com o clima frio da região enquanto fazia planos para a viagem. “Quero passar um pouco do que eu aprendi para outras pessoas”, conta.

Durante a viagem de duas semanas, os garotos acompanharam o percussionista e professor Wilson Café em seus workshops, ministrados inteiramente em língua portuguesa, aos estudantes interessados em conhecer sobre a cultura afro-brasileira, a capoeira e os instrumentos de percussão.

Educação com o tambor

O percussionista Wilson Café realizava workshops sobre instrumentos percussivos no Brasil e no exterior quando foi convidado por Roberto Corriea Lima, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, para  um projeto social destinado a crianças e adolescentes de Salvador. A ideia, no começo, parecia assustadora. “Eu nunca esperava ter uma escola”, conta Café.

Mas, em 2001, a Escola de Educação Percussiva Integral foi inaugurada no bairro do Cabula, em um espaço até então abandonado, cedido pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia.  O funcionamento, no entanto, só aconteceu dois anos depois, quando a EEPI foi equipada.

Com cerca de 150 estudantes, a Escola é voltada para jovens de 12 a 16 anos, com renda familiar menor do que um salário mínimo, e  matriculados na rede pública de ensino. Os jovens são estimulados a empreenderem em sua formação como um músico completo. “Não é só chegar e tocar. Tem que entender toda a filosofia”, explica Café.

Fonte: http://atarde.uol.com.br/

Portugal deve pagar indemnizações pela escravatura?

“Os países que escravizaram devem compensar os escravizados?” (Gilberto Gil, sugeriu a leitura através da sua página oficial do Facebook)

 

Os países que escravizaram devem compensar os escravizados? Há quem diga que sim e até aponte um valor para uma indemnização: 30 triliões de dólares vezes 10 mil. Há quem diga que não, porque isso seria voltar à menorização dos colonizados. Antes disso, Portugal deve debater o seu passado esclavagista, dizem historiadores.

É um tema que tem vindo a debate regularmente, mas de que pouco se fala em Portugal. Devem os países que participaram na escravatura pagar indemnizações? Quem o deve fazer, quem deve ser indemnizado?

Em Maio, a organização Comunidade das Caraíbas (Caricom) reuniu-se na conferência da Comissão de Compensações/Reparações e incluiu Portugal na lista dos países europeus aos quais querem exigir indemnizações. Chegaram, na altura, a um programa de dez pontos que consideram essenciais para o processo de reparações: passa pelo pedido de desculpas formal, apoio ao repatriamento para África, criação de programas de desenvolvimento para indígenas, criação de instituições culturais, erradicação da iliteracia ou cancelamento das dívidas dos países africanos.

Há três semanas, a Caricom voltou a reunir-se em Antígua e Barbuda numa segunda edição da conferência e voltou a fazer as mesmas reivindicações. As negociações continuam e estão agora nas mãos do comité liderado pelo primeiro-ministro de Barbados, Hon Frendel Sturat, diz Verene Shepherd, presidente da Comissão Nacional para as Reparações da Jamaica e uma das três vice-presidentes da Comissão de Compensações.

Apesar de estar incluído na lista, Portugal ainda não terá tido uma abordagem formal da parte da Caricom, pelo menos que Shepherd saiba. Os países da Caricom são Antígua e Barbuda, Baamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, Montserrat, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Suriname e Trindade e Tobago. Além de Portugal, são pedidas indemnizações a Espanha, Reino Unido, França, Holanda, Dinamarca ou Suécia.

O próximo passo da Caricom será o envio de uma carta aos governos destes países europeus e uma terceira conferência com a Universidade de Essex em data a definir, mas que esperam ser em 2015, revela Shepherd. Assim, a revindicação não vai ficar por aqui. “A escravatura e o comércio de escravos foram um crime contra a humanidade”, diz a também professora de História Social, por email. “Houve uma política de genocídio deliberado contra os indígenas das Caraíbas. Aqueles que cometeram crimes contra a humanidade ou que se envolveram em actos de genocídio devem primeiro pedir desculpas e depois integrar um programa de justiça reparatória. Não há limite estatutário para um crime contra a humanidade e portanto os países europeus colonizadores nas Caraíbas e na América Latina devem responder por isso. A reparação é uma questão de justiça.”

 

“No mínimo, aquilo de que precisamos é de maior transparência sobre quem beneficiou da escravatura e quanto”
Thomas Piketty, economista

Nesta resposta, Shepherd aborda vários pontos polémicos que têm provocado acesos debates entre quem defende e quem é contra as reparações: é a escravatura um crime contra a humanidade? Pode ser considerada genocídio? Devem os governantes dos países comerciantes de escravos pagar hoje por um crime cometido até há dois séculos? O que há a reparar e como?

“No mínimo, aquilo de que precisamos é de maior transparência sobre quem beneficiou da escravatura e quanto”, diz o economista francês Thomas Piketty, autor do best-seller O Capital no Século XXI, numa curta resposta por email à Revista 2. “Isto implica a abertura dos arquivos públicos e privados e a criação de museus”, acrescenta.

Piketty, que em 2013 escreveu sobre a escravatura na sua coluna de opinião no Libération, defendendo “uma reparação pela transparência”, é a favor, “em alguns casos”, das “reparações directas e da transferência de bens”, esclarece à 2. Por exemplo, através da “reforma agrária em algumas antigas ilhas escravas como Reunião, Martinica ou Guadalupe, no caso francês”, ilhas que têm altos níveis de “desigualdade entre descendentes de escravos e descendentes de donos de escravos”. “A dimensão destes casos ainda está por saber”, conclui o perito em concentração e distribuição de riqueza.

Quanto renderam e valiam os 12 milhões de escravos que se calcula terem atravessado o Atlântico não se sabe. Mas há dados sobre as indemnizações “ao contrário”, como o valor pago pelo Estado britânico aos donos de escravos, quando a Inglaterra aboliu a escravatura em 1833: 20 milhões de libras (25,5 milhões de euros).

Isto é um dado relevante para uma discussão sobre as compensações, sublinha o britânico Nick Draper, autor de livros como Slave Compensation Records, The Price of Emancipation: Slave-Ownership, Compensation, Capitalism and Slave Ownership, ou British Society at the End of Slavery. “Mostra que os donos de escravos foram indemnizados, enquanto os escravos não receberam nada — hoje podemos dizer que a indemnização foi para as pessoas erradas.” Nick Draper é um dos investigadores associados do projecto Legacies of British Slave-Ownership, da University City of London, que disponibiliza online uma base de dados dos britânicos envolvidos no comércio de escravos — mas não toma posição sobre o tema das compensações. “Esses 20 milhões representavam entre 40% e 45% do valor das pessoas escravizadas”, acrescenta. Quanto vale isso hoje? “Depende do que se mede na inflação, qual o preço do pão agora e qual o preço do pão na altura: os 20 milhões da altura equivalem a 1,6/1,7 mil milhões de libras hoje. Se pensarmos em termos de salários e da média, esse número é dez vezes mais — seria 16/17 mil milhões de libras. E se pensarmos em termos de PIB e dívida pública os números ainda aumentam mais.”

Ser a favor ou não das reparações é uma questão que não tem uma resposta directa, nem simples. “O mundo hoje reflecte o que fizemos colectivamente como europeus há 200 anos, e uma das coisas que fizemos foi contribuir para o não desenvolvimento das Caraíbas”, reconhece Draper. “Sinto vontade de voltar atrás e tentar abordar algumas das heranças da escravatura? Claro. O programa da Caricom é sobre transferência de pagamentos da Europa para as Caraíbas. Não lida com a questão das diásporas no resto do mundo. A questão de como é extraordinariamente difícil, mas ainda nem estamos lá — estamos a debater o princípio. O resto é detalhe.”

Independentemente de tudo, o primeiro passo deve ser o reconhecimento da história britânica, acrescenta. “A identidade britânica está muito ligada à abolição e isso é importante, mas tende a minimizar a escravatura e o comércio de escravos. Os primeiros passos no Reino Unido são reconhecer, colectivamente, que a nossa história é marcada pela abolição, mas também pela escravatura.”

Em 2009, um parque de estacionamento estava a ser construído em Lagos, junto à Cerca Nova, no Vale da Gafaria, quando foram encontrados 150 esqueletos. Tratava-se de um cemitério de escravos africanos do século XV, o mais antigo conhecido no mundo e o único na Europa, segundo peritos.

Com a descoberta, o Comité Português do projecto UNESCO A Rota do Escravo propôs a criação do Museu da Escravatura, já que este achado “impunha uma atenção e uma preservação adequada do sítio”. Foi desenhado um pré-projecto de museu, com três núcleos — o mercado do escravo, um memorial no local do cemitério e um centro de estudos sobre a escravatura —, aprovado pela autarquia em 2011. Hoje, no local está um minigolfe, uma obra que teve parecer favorável do Igespar (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) em Dezembro de 2011, segundo a Câmara Municipal de Lagos. Diz a vereadora da câmara Fernanda Afonso que “o executivo continua determinado a projectar toda a temática que envolve a descoberta do cemitério, bem como o Museu da Escravatura”. Mas para Isabel Castro Henriques, historiadora especialista em escravatura, e presidente do comité, se a autarquia se tem preocupado com o museu, “já no caso do cemitério parece interessar -se mais por preservar o parking e o minigolfe”.

Isabel Castro Henriques conta este episódio para ilustrar o desinteresse que existe em Portugal pelo tema da escravatura, algo que começa no poder público. Se um achado arqueológico desta importância não gera interesse, então falar de reparações é um tema ainda mais obscuro. “A escravatura não é considerada uma questão que interesse à sociedade. Continua a haver uma desvalorização dos africanos”, diz.

Porque é que não houve em Portugal um debate sério e aprofundado sobre o envolvimento do país no tráfico de escravos e na escravatura?, pergunta o historiador Miguel Bandeira Jerónimo, que nota uma “reserva colectiva em abordar inúmeros aspectos relativos ao nosso passado colonial”, aos quais chama “lutos inacabados”, que têm sido sujeitos a todo o tipo de mistificações.

Dá como exemplo negligenciar-se o facto de não terem existido movimentos abolicionistas “com um mínimo de importância” no Portugal de 1800, e ignorar-se, sobretudo fora da academia, a existência da escravatura e de “condições análogas à escravatura” no “terceiro império colonial português” (1822-1975). O trabalho forçado só é legalmente abolido em 1962, diz. “Do mesmo modo, a história do envolvimento do Estado português no tráfico de escravos e na escravatura é um assunto relativamente ocultado.”

Por outro lado, como lembra Isabel Castro Henriques, é comum referir-se que Portugal foi o primeiro país a abolir a escravatura, pois o Marquês de Pombal, em 1761, decreta-a, mas “fá-lo para evitar que os escravos venham para Portugal, sendo desviados do Brasil, onde são essenciais ao desenvolvimento económico”.

Este não é um tema de debate, porque continua a predominar um olhar luso-tropicalista, um discurso oficial atenuante, analisa Rui Estrela, activista da Plataforma Gueto, uma associação contra o racismo e racismo institucional. Licenciado em Ciência Política, diz: “Portugal foi o primeiro país a levar a cabo esta engenharia financeira — porque as pessoas foram tratadas como activos financeiros — e é o único país onde não se debate esta questão.”

Se em Portugal o debate não existe fora da academia, nos países colonizados e emissores de escravos comercializados por Portugal o tema também não tem estado em cima da mesa. Miguel Bandeira Jerónimo lembra as palavras do representante angolano Georges Chikoti (hoje ministro das Relações Exteriores) na Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Relacionadas em Durban, em 2001, como um marco, ao dizer que era “necessário que a conferência identificasse a escravatura como crime contra a humanidade e que reparações têm de ser feitas às vítimas dessa tragédia”. O envolvimento dos portugueses, os “pioneiros do tráfico transatlântico de escravos”, devia ser notado, acrescentou.

Esta não é, porém, uma posição consensual. Em Luanda há o Museu Nacional da Escravatura desde os anos 1970, situado numa capela do século XVII onde se baptizavam os escravos antes de embarcarem. O historiador angolano Patrício Batsikama refere-o para dizer que serve de memória aos escravos que partiram de Angola. Porém, há muito por saber no estudo da escravatura, que “ainda não é exaustivo”, há apenas “algumas teses pouco sólidas para especificar a desumanização do angolano fora de Angola”.

“Se colocarmos na cabeça que alguém tem de reparar, estamos a sofrer um complexo de inferioridade”
Patrício Batsikama, historiador angolano

Esse conhecimento é essencial antes de se “pensar no que se deve reparar”, defende, por telefone. “Se colocarmos na cabeça que alguém tem de reparar, estamos a sofrer um complexo de inferioridade.” O autor de O Reino do Kôngo e a Sua Origem Meridional defende que “talvez” as reparações devam começar pelos museus internacionais no Reino Unido, Portugal, Estados Unidos devolveram as peças “que foram roubadas” a países africanos como Angola. “Não é a minha geração nem a geração vindoura que vai saber o que de facto foi estragado com os escravos angolanos e que é preciso reparar.”

A partir da instituição que dirige, a Escola Portuguesa em São Tomé, e com o som do recreio como barulho de fundo, a historiadora Isaura Carvalho diz-nos ao telefone que “não faz sentido pedir reparações a estas gerações, cujos dirigentes não participaram directamente” na escravatura. “Há coisas que são irreparáveis: pior do que os danos materiais foram os danos a nível da nossa auto-estima, das mentalidades e da capacidade de decidirmos por nós”, acrescenta.

Isaura Carvalho lembra que a seguir à escravatura veio o domínio colonial, ou seja, foram séculos em que o povo são-tomense foi impedido de pensar, de ser livre, de decidir, e isso é algo interiorizado, que passa de geração em geração. “Ainda hoje há dificuldade de dirigentes africanos se afirmarem junto de dirigentes europeus. São conhecidos pelos corruptos que não gerem bem as finanças e não conseguem tomar em mãos as decisões do país, que continuam a depender do exterior.” Resume, partilhando um ponto de vista parecido com o de Batsikama, que a reparação, “nos moldes em que tem estado a ser vista, cria mais uma forma de dependência”. “Porque vamos continuar a depender desses países para resolver os nossos problemas. [É dizer]: ‘Okay, eles estiveram a explorar-nos durante anos, eles que tratem de nós.’ E voltamos à menoridade. Sabemos que estamos a sofrer as consequências do passado, mas temos que ter uma outra atitude. Se continuarmos com o discurso dos coitadinhos, não vamos lá, é uma boa facada na nossa auto-estima outra vez.”

O historiador Luís António Covane, que foi vice-ministro da Cultura (2000-2004), vice-ministro da Educação e Cultura (2005-2009) e é reitor da Universidade Nachingwea desde 2011 (uma instituição privada da Frelimo), lembra que no estudo da história de Moçambique se classifica a exploração mercantil portuguesa em três fases: a fase do ouro, a do marfim e a dos escravos. “A nossa escravatura culminou com um processo de colonização e, em vez de se mandarem as pessoas para fora, elas passaram a ser exploradas dentro do seu próprio território: o trabalho forçado e outro tipo de escravatura interna, pessoas que trabalhavam sem salário, violência das exportações de pessoas para as plantações, para as minas de ouro e diamante na África do Sul e principalmente aqui dentro.” O sistema colonial português, principalmente durante a fase do fascismo e do nacionalismo económico que impôs medidas para a produção de matérias-primas nas colónias, foi alimentado com este esquema, acrescenta.

Pensar em reparações exige fazer contas. E estas, diz, “serão as contas mais difíceis que a humanidade será obrigada a fazer”: “Quanto custa uma vida? Quanto custa uma grávida? Quanto custa um homem que era chefe do seu povo e foi exportado? Abrangeu imperadores, príncipes, rainhas, soldados, generais que foram deportados de forma indiscriminada. Estas contas entram naquela página que são os erros cometidos no passado e devemos fazer tudo para que não se repita.”

As contas seriam difíceis de fazer também por uma questão territorial, lembra o historiador guineense a viver em Portugal Julião Sousa. “Não creio que haja lugar a indemnização de ninguém: a Guiné era uma grande extensão de território que foi variando ao longo do tempo, não tinha limites definidos. Se houvesse uma indemnização, Portugal iria entregar isso a quem? Os países que existem agora ao longo da costa africana não existiam enquanto países com fronteira definida… Teria de pagar a quem? À Guiné actual? E o Mali? E o Gana? E o Senegal?”

Com uma realidade diferente de países como a Guiné onde já existia uma população residente, Cabo Verde foi sendo habitado por população trazida de outros países africanos e por portugueses brancos. André Corsino Tolentino, embaixador cabo-verdiano, sublinha que “a escravatura se deu de forma diferente” neste arquipélago. “Em 1466 houve os primeiros núcleos destinados à América do Sul e Central. Eram iniciados em Cabo Verde até para acrescentar valor comercial. O escravo boçal, considerado inferior, era usado para ser ladinizado — ou seja, para ensinar a cultura ocidental, fazer a conversão à religião católica, ensinar as artes de servir. Um escravo ladino valia mais do que um escravo boçal. Depois de iniciado em actividades agrícolas, artesanais, etc., o escravo continua a ser exportado e reexportado para o Brasil e Caraíbas.”

Mas Tolentino toca num ponto polémico que é usado por quem é contra as reparações: o facto de os próprios africanos terem participado no comércio de escravos. Diz: “Os escravocratas foram nacionais e estrangeiros.”

É Miguel Bandeira Jerónimo quem recorda a posição do académico afro-americano de Harvard Henry Gates num artigo escrito em 2010 para o New York Times, sustentada nos trabalhos dos historiadores John Thornton e Linda Heywood (centrados na história colonial, sobretudo relativa ao Congo e a Angola): só uma “complexa cooperação comercial entre elites africanas e comerciantes e agentes comerciais europeus” permitiu o tráfico transatlântico de escravos com a dimensão que teve. Uma teoria que Henry Gates continua a defender, cinco anos depois, como disse à Revista 2 por email. Bandeira Jerónimo comenta: “Esta é uma ‘verdade triste’ [expressão de Gates] que agrada pouco a cada um dos lados da barricada. Mais, torna a resposta prática à questão das reparações incómoda. Face ao que sabemos com rigor, quem deve pagar?”

O americano Ron Daniels, do Institute of the Black World 21st Century (IBW), responde indirectamente a Gates, por telefone: “A questão é: quem iniciou e quem beneficiou? Não foram os africanos.” Rui Estrela defende que a participação dos africanos não retira o cunho racial à questão. “É como discutir se um polícia negro pode ser racista — sim, pode. Esse foi, aliás, o trabalho de Frantz Fanon sobre as mentalidades coloniais, sobre quanto tempo depois perdura a mentalidade servilista e colonialista.”

Em casos como o Brasil, por exemplo, a questão das reparações torna-se mais complexa, como faz notar a historiadora Ana Lúcia Araújo, professora na Howard University, em Washington: “Seria complicado pedir a Portugal e não ao Brasil, porque sabemos que os brasileiros nascidos no Brasil estavam envolvidos no tráfico atlântico de escravos desde o começo — então Portugal e Brasil eram parte da mesma questão.”

O que tem existido no Brasil são várias iniciativas “com intento de reparar as atrocidades [vividas] na escravatura”, como as medidas de acção afirmativas. “No Brasil, mais de metade da população é afro-descendente, mais de 100 milhões de habitantes, e a única maneira de reparar os erros do passado é através do aprofundamento de medidas que já estão sendo desenvolvidas”, como as acções afirmativas, com cotas raciais nas universidades. “A escravidão durou praticamente 400 anos no Brasil, todas as esferas da sociedade estavam envolvidas. Fica difícil: para quem pedir e quem deve receber?”

Isabel Castro Henriques lembra que dar reparações financeiras implicava “ir a todos os países de onde eram originários os negreiros”. “E não estou a desculpabilizar os portugueses de quem sou muito crítica e que não têm feito nada.” “Mas como identificá-los? E todos os outros crimes praticados ao longo da história ?”

Apesar de não estarem directamente no programa de dez pontos, as compensações financeiras têm sido referidas em algumas reivindicações. Em 1999, a Comissão Africana Mundial para as Reparações e Repatriamento exigia que o Ocidente pagasse cerca de 777 triliões de dólares a África.

Argumentos: a desigualdade entre países africanos e caraíbas, por um lado, e ocidentais, por outro, e os diferentes níveis de desenvolvimento são consequência da escravatura. Nos Estados Unidos, o debate já foi mais aceso, mas quem advoga reparações refere igualmente as desigualdades sociais entre brancos e afro-americanos e a necessidade de compensar as comunidades negras no país. É o caso de Adjoa A. Aiyetoro, activista, jurista, professora na University of Arkansas, que escreveu um artigo em que considera que as reparações aos afro-descendentes americanos são essenciais à democracia. “Continua a existir discriminação até hoje”, diz-nos ao telefone. Aiyetoro, que fez parte da National Coalition of Blacks for Reparations in America, explica ainda que para colocar as vozes dos afro-americanos ao mesmo nível das dos outros americanos é preciso reparar. “As nossas vozes têm sido marginalizadas de inúmeras maneiras, desde o emprego à educação até à prisão.”

Integrado numa série que se pode traduzir como Descolonizar a Mente, 20 Questions and Answers about Reparations for Colonialism, o novo livro do activista holandês Sandrew Hira, director do International Institute for Scientific Research, faz um cálculo do valor das reparações que os países colonizadores deveriam pagar pela escravatura e pelo colonialismo. Dá um número esmagador: “O total seria 10 mil vezes o PIB de todos os países europeus, 30 triliões de dólares vezes 10 mil.”

Os cálculos são feitos a partir da área dos continentes colonizados, do período de colonização, do ouro extraído das Américas, do número de escravos trazidos para as Américas, das estimativas da população indígena, do número de nascimentos, do valor à hora para seis dias de trabalho. “O impacto do colonialismo é gigante”, diz, por telefone a partir da Holanda. “Os países europeus não podem pagar isto, mas podem pensar na forma como lidam com o colonialismo. Idealmente, um dia atingem o nível de civismo dos alemães, que tiveram a atitude de dar uma indemnização às vítimas do Holocausto.” “[Foram] 70 mil milhões de dólares até agora, sem qualquer lei, pagos por uma questão de moralidade, de justiça.”

No seu livro, Sandrew Hira construiu uma série de argumentos que desmontam as críticas às reparações. O mais usado é que a escravatura e o colonialismo aconteceram há muito tempo. “O meu contra-argumento é que se trata de uma questão de herança. Se o seu bisavô roubou a minha casa, a minha terra, o meu carro e se hoje nos conhecermos, o que é que vamos dizer um ao outro?” Outro argumento é que quem deve pagar a indemnização deve ser quem cometeu o crime. “Nos Estados Unidos a Al-Qaeda cometeu o crime do 11 de Setembro — foram os contribuintes americanos que pagaram reparações às famílias das vítimas e às companhias aéreas. Na Europa, as pessoas aceitam que, se abrirmos um negócio na propriedade de alguém, se deve pagar algo — os colonialistas europeus abriram muitos negócios nas terras dos colonizados sem pagar renda. Se alguém trabalha para si, deve ser remunerado por isso. Os países colonizadores puseram as pessoas a trabalhar e, não tendo pago por isso, têm hoje uma dívida para com os seus descendentes. Se for ao supermercado, paga pelo que leva, os colonizadores chegaram aos países colonizados e levaram coisas sem pagar.”

A quem pagar é sempre a questão que se coloca sobre as reparações. Hira sugere que se olhe para o modelo judeu. “No caso do colonialismo, pode começar-se a negociar com o Estado e com as organizações. Em Israel, além de dinheiro, houve também apoio a infra-estruturas, bens que vieram da Alemanha, há uma cadeia de apoios até agora e é uma questão de montar a estrutura para isso. O dinheiro foi também usado para programas que ensinavam aos alemães por que se deviam fazer reparações.”

“No caso da escravatura a memória foi enterrada e há um silêncio em relação ao Holocausto dos negros”
Sandrew Hira

 

O Chafariz d’El Rey no século XVI, de autor desconhecido

“O Holocausto é considerado um crime contra a humanidade. Toda a gente no mundo sabe e leu sobre o Holocausto. No caso da escravatura a memória foi enterrada e há um silêncio em relação ao Holocausto dos negros.” 

Vantagens? “O Holocausto é considerado um crime contra a humanidade. Toda a gente no mundo sabe e leu sobre o Holocausto. No caso da escravatura a memória foi enterrada e há um silêncio em relação ao Holocausto dos negros.” A questão, para Hira, é que na Europa “ainda existe a ideia de que se fizeram muito boas coisas com o colonialismo, em vez de se assumir que foi um crime”.

Autor de várias obras sobre escravatura, João Pedro Marques descreveu como em Portugal persistiu uma forte corrente toleracionista da escravatura e uma ausência de abolicionistas, pois “temia-se geralmente que ela lesasse os interesses nacionais e equivalesse à perda das colónias”. Existia também complacência social em relação aos implicados na escravatura ilegal. “Mesmo na década de 1840, quando os governos se esforçavam por acompanhar o ritmo do abolicionismo britânico, vários indivíduos reconhecidamente implicados no comércio negreiro receberam recompensas do poder central”, escreveu.

Mas João Pedro Marques “é completamente contra a ideia de reparações” pela escravatura. “A história é um tecido enorme de injustiças e horrores, [só que] não podemos aplicar retrospectivamente os nossos conceitos a épocas distanciadas de 200, 300, 400 anos”, diz à Revista 2. “Não faz qualquer sentido julgar, criminalizar ou pedir indemnizações de coisas que não eram entendidas como crimes. Se fingimos que somos Deus e começamos a aplicar ao passado as nossas próprias ideias, onde é que a gente pára? Então, temos de nos começar a indemnizar todos uns aos outros. Imagine que resolvemos pedir uma indemnização aos franceses pelas invasões. Podemos dizer que foi por causa das invasões napoleónicas que a corte teve de fugir para o Brasil, etc., etc., até chegarmos à troika.”

Algo completamente diferente das reparações aos judeus, defende, porque os crimes nazis eram vistos como crimes, quando foram cometidos, “enquanto aquilo que se passou com os escravos não era entendido como crime em parte nenhuma do mundo, nem na América, na Europa, em África”. Louis-Georges Tin contra-argumenta: “As pessoas que eram escravizadas consideravam-no um crime… Mais uma vez, quando se diz isso, está a dizer-se que os africanos na altura não eram seres humanos, não tinham importância e o que eles dizem não tem importância. Até entre europeus era considerado um crime; em França no século XIII, havia uma lei que dizia que a terra do reino não podia ter escravos.”

Porém, João Pedro Marques defende: a ideia de abolir a escravidão de forma universal é ocidental e foram os ocidentais “que pagaram para acabar com a escravidão”.

Foi no Congresso de Viena, em 1815, que o comércio de escravos foi condenado. Em 1836 é abolido o comércio em Portugal, mas o tráfico continua clandestinamente. Na década de 1850, Sá da Bandeira decretou a abolição da escravatura e estabeleceu um prazo de 20 anos até que os libertados fossem efectivamente livres. “E portanto passaram de escravos a libertos e continuaram a trabalhar para os mesmos senhores. Só ao fim de 20 anos se tornaram livres”, contextualiza. O fim oficial da escravatura é em 1878.

Ao contrário de no Reino Unido, em Portugal não existiu qualquer indemnização. Desde 1500 que há uma consciência do crime da escravatura e isto está registado por vários estudiosos, defende, por seu lado, Rui Estrela. É com convicção que diz ser preciso discutir a legalidade do termo jurídico reparação — e “assumir que houve uma acção criminosa, é preciso pôr isto nos livros de História”. A palavra “genocídio” ou “negrocídio” deve ser usada para falar da escravatura e do comércio de escravos, afirma.

A verdade é que hoje há uma hierarquia racial herdeira do sistema esclavagista que se reflecte na hierarquia social, nota Estrela: em Portugal, a maioria das pessoas que saíram dos países colonizados por Portugal vive em guetos. “Com as questões do racismo e do racismo institucional, há uma certa continuidade. Há toda uma psicologia herdeira do sistema colonial e temos de assumi-la e travá-la. Discutir a reparação vai obrigar a discutir uma série de temas relacionados com o que Portugal é agora e com o que quer ser.”

Nascido no Haiti, o activista Louis-Georges Tin, presidente do Conseil Représentatif des Associations Noires de France (CRAN), explica que, “quando um crime é cometido, deve existir reparação” e a História tem inúmeros exemplos disso: “Muitas reparações aconteceram depois da I e II guerra mundiais; os nativos americanos tiveram reparações para o genocídio que é mais antigo do que a escravatura; o Quénia teve reparações do Reino Unido pelos mau-mau. Não há prescrição para um crime contra a humanidade e este é um exemplo.”

Por isso, primeiro devia ser feito um pedido de desculpas formal, depois devia haver indemnização para ajudar a reparar e, finalmente, quando a justiça for feita, pode existir reconciliação, afirma Ron Daniels. Quem pagaria? Nos Estados Unidos, os governos, instituições e empresas que estiveram envolvidas na escravatura. Quem recebe? “Com os afro-americanos é difícil, mas temos defendido que não interessa uma compensação individual mas a um grupo — por exemplo, um fundo para ser usado em instituições de Educação, de Saúde ou noutra estrutura comunitária.”

Embora não concorde com as reparações financeiras, Isabel Castro Henriques advoga manifestações públicas que mostrem uma consciência europeia sobre a natureza e dimensão da escravatura e do tráfico negreiro — por exemplo, acções pedagógicas, homenagens, memoriais. A criação de debates, produção cultural, tudo o que possa eliminar o que chama “silêncios envergonhados” e contribuir para “a assunção dos erros cometidos, o reconhecimento do preconceito e do racismo” seriam iniciativas a desenvolver.

Já Rui Estrela defende que parte da cooperação internacional — “que é tratada como filantropia, humanismo, solidariedade” — “poderia ser tratada como reparação jurídica”.

É também de cooperação, mas com um propósito oposto, que fala o embaixador Corsino, ao considerar que a questão das reparações deveria ser colocada “no plano da cooperação/colaboração e não da reivindicação”. Por outro lado, “uma coisa com custo zero, mas que teria um impacto simbólico muito grande seria Portugal, Grã-Bretanha, ou Bélgica, etc., reconhecer que esvaziar a região africana ou transportar os escravos do continente africano provocou os prejuízos tais e tais”.

De qualquer modo, a questão das reparações deve ser debatida, declara convictamente Rui Estrela. É verdade que em Portugal não têm aparecido, até agora, movimentos que reivindiquem activamente as reparações. O activista não sabe explicar porquê. Na geração anterior, diz, dos seus avós, o discurso “era muito feito para a questão da independência”. “Só agora, passado o capítulo da descolonização, é que há a questão de eu nascer em Portugal e de haver uma comunidade nascida em Portugal, amadurecida, com sentido de comunidade africana ou de afro-descendentes.”

Sandrew Hira e Louis-Georges Tin referem que mais cedo ou mais tarde este tema será colocado em cima da mesa dos países europeus. “Pagar as reparações custa dinheiro, mas não pagar vai custar ainda mais — muitos países africanos dizem que não querem fazer negócios com países que nos negam justiça”, diz Tin. Sandrew Hira conclui: “Os portugueses podem esperar que o tema apareça ou podem fazer como os alemães e pensar na questão da moralidade. Comecem a debater a história do colonialismo, porque senão os fantasmas irão perseguir-vos quando menos esperarem.”

 

Fonte: http://www.publico.pt/portugal

 

Joana Gorjão Henriques

Entrei para o PÚBLICO, no final de 1999, para estagiar na Cultura, onde fiquei durante dez anos, cobrindo um pouco de tudo e muito de teatro. Nessa altura, as vozes de contestação às medidas dos ministros eram diárias e a cobertura da política cultural intensa. Ao mesmo tempo, sempre escrevi sobre outras áreas. Em 2007 participei no lançamento do novo Ípsilon, onde estive como editora adjunta até 2009. A seguir fiz uma pausa na profissão e no país. Primeiro, ganhei a bolsa de um ano da Nieman Foundation for Journalism na Universidade de Harvard, EUA; depois, fui estudar Sociologia na London School of Economics, em Londres, e nesses dois anos foi quase como aprender tudo de novo. Desde o meu regresso em Julho de 2011 que escrevo sobre várias áreas, cá dentro e lá fora.

V Prêmio Zumbi de Cultura 2014

Como comemoração da Consciência Negra, o V Prêmio Zumbi de Cultura vai premiar as personalidades de 2014

O objetivo da premiação é mostrar a verdadeira imagem do negro brasileiro, sua beleza e altivez.

No mês da consciência negra, V Prêmio Zumbi de Cultura 2014 comemora os 319 anos de Luta e Morte de Zumbi de Palmares e contemplará 10 pessoas (mestres e artistas) que atuam nas artes negras em Minas Gerais. O prêmio foi idealizado pela Companhia Baobá Minas.

A votação é feita através das entidades que indicam 03 (três) nomes de pessoas para concorrer ao V Prêmio “Zumbi de Cultura“ no ano de 2014. Uma comissão formada com representantes da sociedade civil, classe artística, poder público e a representante da Cia Baobá, Júnia Bertolino, idealizadora do Prêmio que elegerá os premiados deste ano. O prêmio é distribuído nas seguintes categorias: dança, teatro, música (canto, samba, percussão, hip hop), religiosidade, literatura, educação, manifestação cultural, personalidade negra, menção honrosa e atuação política.

Para a quinta edição, o Prêmio Zumbi de Cultura irá reconhecer mais importantes nomes da cultura negra brasileira. A abertura da premiação será no próximo dia 17 às 19h no Centro Cultural Banco do Brasil.

Sobre a Companhia Baobá Minas: criada em 1999, por Júnia Bertolino, a Companhia busca abordar o cotidiano do negro, a cultura, ritmos, poesia e dança afro-brasileira no intuito de trazer para o público uma imagem do negro em toda sua beleza e altivez. Além disto, mostrar a cultura popular das diversas comunidades do território nacional ressaltando valores e temáticas importantes nesta cultura como a oralidade, memória, ancestralidade e identidade, sobretudo notório saber dos mestres populares e a valorização da cultura de matriz africana.

 

A seguir a programação completa:

 

17/11/14 (segunda) – 19h às 22h – CCBB – Abertura do Prêmio Zumbi de Cultura 2014 – Roda de conversa – Política Públicas e  grandes  eventos

– Exibição do vídeo: Prêmio Zumbi de Cultura 2013– Cia Baobá Minas – comemoração da Consciência Negra

 

– Debatedores:

Cesária Macedo – Ministério da Cultura Regional Sudeste(BH)

Eliana Parreiras – Secretaria de Cultura do Estado de Minas gerais (MG)

Lindivaldo Junior- Diretor de Fomento da Fundação Cultural Palmares (BSB)

 Leônidas José de Oliveira – Presidente da Fundação Municipal de Cultura (BH)

Representante da coordenação do 7ªFAN2013(BH)

Junia Bertolino – Idealizadora do Prêmio Zumbi de Cultura(BH)

Fomentadora: Rosângela Silva – Coordenadoria Municipal de Promoção de Igualdade Racial ( BH)

 

– Encerramento: Roda Djembê – coordenação de Mateus Bahiense e Cia Baobá Minas.

 

18/11/14 (terça) 19h às 22h – Sesc Palladium – Entrega do Prêmio Zumbi de Cultura 

– Exibição de Vídeo: IV Prêmio Zumbi de Cultura 2013 – Cia Baobá Minas

– Abertura: saudação aos ancestrais

Grupo Afoxé Bandarerê

– Solenidade com autoridades e representante do projeto Prêmio Zumbi de Cultura

– Abertura:

Eliane Parreiras – Secretaria de Estado de Cultura

 Leônidas José de Oliveira (Presidente da Fundação Municipal de Cultura)

Júnia Bertolino (Idealizadora do Prêmio Zumbi de Cultura/Cia Baobá Minas)

Representante do Sesc Palladium

– Entrega do prêmio

– Shows 

– Performance Ricardo Aleixo e Djalma Correia

– Mestre Conga

– Carla Gomes

– Solo de dança Mestre João Bosco

– Performance dos alunos do CEFAR  2014

– Tom Nascimento

– Bateria Imperatriz –  NECUP

– Cia. Baobá Minas

–  Pata de Leão

 

25/11 (terça) 14 às 22h – Sala Juvenal Dias – Palácio das Artes –  O artista na arte contemporânea com sua tradição

Elissandra Flávia  – (Sandrinha)– Encrespa BH

Rubens Giaquinto – (músico – Banda João Andante)

Fomentadora: Lu Dioh (artista plástica e arte educadora da Rede Municipal)   

 

– 18 às 19h – Mostra CineAfroBH

 

– 19 às 22h –  Performances e shows

As  Damas  do  Soul

Elenice  Zuim e  Jonathan

Rodrigo Jerônimo

Cia  Baobá  Minas

Contação  de  História

 

26/11 (quarta) 14 ás 22h – Funarte-MG – Rede, Juventude e Diversidade Cultural

Roda de Conversa – 14h às 17h

 – Zaika dos Santos – Cantora e produtora cultural

 – Aruanã Leonne – Levante Popular da Juventude – Técnico Artes Visuais

– Vanicléia Silva Santos – (doutora pela USP e professora da UFMG)

Fomentadora: Vanessa Beco –  Negras Ativas

 

– 17 ás 19h – Exposição Moda, cabelo e artigos diversos

– 18 às 19h – Mostra CineAfroBH

– 19h às 21h – Roda de Conversa-  Mulher Negra, beleza e resistência

Neusa Santos – Atriz

Érica Janusa – jornalista

Etiene Martins –  Jornalista Revista Raça

Fomentadora:  Júnia Bertolino – capoeirista e bailarina afro

 

– 21h Encerramento:  Performances, Cia Primitiva de Arte Negra  e  Samba da Meia Noite

 

28/11 (sexta) 19h30 a 22h – Centro de Referência da Moda – CR Moda – Empreendedorismo nas artes negras – moda, legado e cabeça feita    

– Énia Dara –  Feira Ébano

– Mara Catarina Evaristo – ( Relações Étnico Racial -SMED/BH)

– Betina Borges –  Beleza Negra

– Edna  –  Moda   África IN

Fomentadora: Makota Kizandembu –  ANAMAB- Associação Nacional da Moda Afro-Brasileira

Encerramento: Performance e Desfile de produtores  negros

 

Assessoria de Imprensa

Luciana Braga

(31) 8742-9632

 
 
Crédito fotos: Pedro Vilela

O homem que enviou para a Bahia mais de 500 mil escravos

Se você é negro, ou mulato, são grandes as chances do cidadão do retrato ter tido um papel determinante na sua vida, os secretos desígnios do sangue e da raça, ele responsável pelo envio de mais de 500 mil escravos do Golfo de Benin, para a Bahia no século XIX. O nome dele é Francisco Felix de Souza, conhecido como Xaxá, não se sabe até hoje se originário de Salvador, do Rio de Janeiro, ou de Lisboa; em todo caso um personagem e tanto que chegou a ser considerado no seu tempo o homem mais rico do mundo.

O Xaxá viveu uma vida de fausto e esplendor, ainda que recluso pelas circunstâncias de sua profissão de comerciante de escravos. Não arriscava sair da feitoria para exibir sua riqueza nos salões da nobreza e dos potentados europeus. Temia a vigilância cerrada dos ingleses que desde 1807 policiavam, com relativo sucesso, o tráfico de seres humanos, apreendendo navios negreiros e estabelecendo multas, castigos diversos e prisão inclusive aos responsáveis e implicados.

O Xaxá era ele próprio um escravo no seu harém de fausto e esplendor, o ouro que possuia não podia sair do país e não tinha outra serventia a não ser a ostentação. Viveu como um Rei, exibindo grossas correntes de ouro no pescoço e numerosos anéis de brilhantes nos dedos e já idoso segurava na mão uma bengala com castão de ouro. Na mesa de jantar servia os convidados em rica porcelana chinesa, talheres dourados, pratos de prata e copos talhados, ornamentados com pedras preciosas.

Viveu como um monarca e morreu na hora certa, em 08 de maio de 1849, dois anos antes do último navio negreiro que aportou em Salvador: o Relámpago. Este episódio marcou em definitivo o fim do comércio de seres humanos e se vivo fosse o Xaxá teria assistido a sua ruína, já que então possuía na sua feitoria doze mil escravos para vender, ou seja, doze mil bocas para alimentar e doze mil corpos para cuidar e vestir. E a nova situação implicaria não ter mais receita para cobrir os custos.

A sua morte repercutiu entre o governo e a elite da Bahia, em especial entre capitalistas, companhias de seguros, traficantes de escravos, capitães de navios e senhores de engenho; mas não menos do que no reino de Daomé (Benin) onde o Rei Ghézo enviou para seu funeral 80 Amazonas e quis sacrificar sete nativos na sua homenagem, rito este recusado pelo primogênito do Xaxá. Ao morrer deixou 51 mulheres viúvas (negras e mulatas) e mais de 80 filhos varões, um número inestimável de filhas mulheres e algumas centenas de netos.

O maior feitor de escravos que já existiu sobre a face da terra teve a Bahia como destino preferencial de seu comércio, em função dos convênios do privilégio da exportação de tabaco de refugo do Recôncavo para a África. Do Porto de Salvador partiam barcos contendo rolos de fumo que retornavam trazendo mão de obra escrava. E foi assim que centenas de milhares de africanos provenientes do Golfo de Benin aqui aportaram para viver e morrer, escravizados; para trabalhar e ter muitos filhos e descendentes que formaram a miscigenada família baiana.

 


Nelson Cadena
 é jornalista e escritor. Pesquisador das áreas de comunicação e história da Bahia há mais de 30 anos. Escreve para o Jornal Propmark, Revista Propaganda, Jornal Correio, Revista Imprensa e no site do Sinapro-Bahia. Idealizador e editor do maior site de pesquisa sobre comunicação do Brasil (www.almanaquedacomunicacao.com.br). Autor dos livros: Brasil. 100 Anos de Propaganda; e 450 Anos de Propaganda na Bahia.

Fé e Alegria – Legado Mestiço Brasileiro

FÉ E ALEGRIA Legado mestiço brasileiro – por Lucia Correia Lima Senac Pelourinho Salvador

Lucia Correia Lima é fotojornalista documentando a cultura afro-brasileira desde o início de sua carreira, quando foi pioneira como mulher, trabalhando na imprensa de Salvador e do sul do país. Na Bahia acompanhou profissionalmente os blocos afros, a capoeira e o candomblé, além das manifestações do Recôncavo Baiano. A importância da cultura negra na vida de Lucia vem desde a infância quando foi iniciada no candomblé. Adulta vivenciou intensamente desde os primeiros carnavais do bloco afros, como Ilê Aiyê, Badauê, Apaches do Tororó e Olodum

Nessa exposição, temos parte da mostra levada para Paris, intitulada Herança Africana, quando foi convidada pela Associação França-Bahia para evento de Renascimento do Pan-africanismo, de valorização do patrimônio africano no mundo. São fotografias da Saída de Iaô, do Ilê Axé Sarapocan de São Francisco do Conde, de Pai Tero. Temo aí um registro do transe de Oxalá, Iansã e Iemanjá e de uma das mais singulares manifestações da região, os Capas Bodes.

A segunda parte da mostra conta com fotografias editadas para a exposição em Salvador, do Carnaval Cultural. As imagens foram produzidas durante a cobertura fotográfica do povo nas ruas e do carnaval no Centro Histórico da cidade de Salvador/Bahia.

Lúcia Correia Lima nasceu em Salvador, mas passou a infância na pequena Alagoinhas, onde aos nove anos se apaixonou pela fotografia. Na praça do coreto, entre um sorvete e outro, se deixava se magnetizar pelo oficio mágico de “seu Joaquim”, o fotógrafo lambe-lambe. Aos 17 anos, em São Paulo, descobriu o jornalismo, na revista REALIDADE da Editora Abril, quando ganhou em equipe o Prêmio Esso de Jornalismo, principal. Sempre escrevendo e fotografando suas matérias, integrou equipes por diversas vezes premiadas pela seriedade e qualidade de seu trabalho. Após a revista Realidade vivenciou a revolucionária experiência de jornalismo independente, em O Bondinho, da Editora Arte e Comunicação, onde fez parte da equipe que ganhou prêmio Esso “de Contribuição à Imprensa”. E na mesma editora montou e manteve o laboratório fotográfico da Revista FOTOGRAFIA. Que teve inicio na famosa casa Fototica.

 

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De volta a Bahia trabalhou nos principais jornais de Salvador e nas sucursais dos jornais do sul do país. Como repórter-fotográfico do jornal Tribuna da Bahia dirigido por João Ubaldo Ribeiro e Cid Teixeira, foi a primeira mulher profissional da equipe. Teve centenas de fotos publicadas primeira página. A Tribuna da Bahia foi um jornal que inovou graficamente exatamente pelo respeito ao fotojornalismo. Neste período participou da equipe que criou e editou o jornal independente, Boca do Inferno, também ganhador do prêmio Esso na categoria Regional.

No caderno cultural do Correio da Bahia, deixou sua marca, pois escrevia e fotografava – uma novidade na imprensa nacional – registrando através da câmara e textos os principais acontecimentos, com o realismo dos grandes jornalistas e a sensibilidade dos verdadeiros artistas. Na sucursal do Jornal O Globo fez centenas coberturas nacional, com fotos nas primeiras páginas, como da visita do pop star Michael Jackson e na cobertura da falência do Banco Econômico, além de coberturas presidenciais como José Sarney e Fernando Henrique Cardoso.

Retorna à São Paulo, na Editora Joruês trabalhou como repórter e fotógrafa da revista Brasil Extra. Em seguida na mesma editora na Gazeta de Pinheiros e Leia Livro. Produziu nesta época espetáculos do Arrigo Barnabé e Itamar Assunção, no histórico teatro Lira Paulistana; em São Bernardo dos Campos, produziu a Banda de Pífanos de Caruaru.

Como assessora de imprensa trabalho na prefeitura de São Francisco do Conde e como freelance, publicou matérias na imprensa de Salvador especialmente no jornal A Tarde, Correio da Bahia, Tribuna da Bahia, além de diversos sites e blogs.

Participou dos livros com fotos: Zélia Gattai – Crônicas de uma Namorada – Record; Mestre Bola Sete – A Capoeira Angola na Bahia – Pallas; Jean Yves Domalain – Mucugê: o Diamante da Chapada – Governo da Bahia, – Bahia. Produção Geral; Franck Ribard – Le Carnaval Noir de Bahia – L`Harmattan – Paris. Um olhar reescrevendo o Brasil – A look at re-writing Brazil – da Alfabetização Solidária.

Participou também dos calendários com mais onze mulheres fotografas, produzido por Mônica Simões. Ganhou o prêmio para o calendário de fotos do Sindicato dos Jornalistas com mais seis profissionais de Salvador. Publicou trabalhos nas revistas Carta Capital; Afinal, IstoÉ; no Jornal do Brasil; O Estado de São Paulo e muitos outros da Bahia e nacionais. Foi correspondente da revista especializada “CAPOEIRA” da editora Candeia de São Paulo, escrevendo e fotografando. Publicou ensaio sobre bloco afro Ilê Aiyê para revista Leitura da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, entidade que trabalhou por quase duas décadas documentando todas as atividades.

 

Fonte: http://cadernodecinema.com.br/

ESPM: Economia Criativa e Escolas de Samba

Seminário SRZD-Carnaval: primeiro debate do dia fala sobre valor do sambista

O primeiro dia da 4ª edição do Seminário SRZD-Carnaval, realizado no auditório da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), nesta quarta-feira, começou com o assunto Economia Criativa e Escolas de Samba. O professor de Marketing da instituição Marcelo Guedes apresento um vídeo com o chefe do setor de Economia Criativa da ESPM, João Luis de Figueiredo, falando sobre a importância do Carnaval, não apenas pelo desfile. “Carnaval não é apenas um produto cultural, mas também econômico, gerando renda. Um desfile campeão gira em torno de R$ 10 milhões. Não deixando a desejar em nada a um filme brasileiro. É preciso pensar não só o desfile, mas atividades das escolas de samba ao longo do ano, blocos de Carnaval e rodas de samba que transformam o produto econômico ‘Carnaval’ cada vez melhor”.

 

Para Figueiredo, “o Carnaval tem que ser percebido como identidade territorial do Rio de Janeiro. Temos que pensar não só como fortalecer o Carnaval, mas como pode ser traço de identificação do Rio de Janeiro no mundo”. Segundo ele, há dois desafios: desenvolver as agremiações que estão nos grupos que não desfilam no Sambódromo e pensar na gestão do negócio nas escolas de samba, que recebem receita apenas na época de Carnaval”.

Marcelo Guedes falou sobre economia criativa, dando exemplo do Carnaval no Rio de Janeiro. “Hoje aluno de graduação é apaixonado, entende a importância e respeita o Carnaval. Para Guedes, “a preocupação é a profissionalização, transformando o espetáculo mais bonito do mundo”.

Na mesa do primeiro debate, os blogueiros do SRZD-Carnaval Hélio Rainho e Rachel Valença receberam Capoeira Machado e Cyro do Agogô para falar sobre o tema “G.R.E.S. Saudade! – Nostalgia, saudosismo e modernidade: que caminhos percorreram a linha do tempo do samba? E o samba, afinal… ‘sambou’?!”. O nome do debate teve como inspiração um enredo da Unidos da Ponte de 1987 e outro da São Clemente.

Para Hélio, quanto mais a escola tenta se renovar, mais precisa se reinventar com sua identidade histórica. Há sempre nostalgia pelo que passou e buscando novos caminhos. Segundo Capoeira, a maior herança para o Rio de Janeiro são as escolas de samba.

Rachel falou sobre as agremiações que não eram bem vistas no passado e questionou Cyro sobre o que mudou. Para ele, “hoje em dia as escolas têm mais recursos, mais planos de trabalho, o que não existiam anos atrás. Hoje, tudo mudou. No entanto, a dificuldade, correr atrás de recurso para resolver, era mais gostoso”. Sobre a identidade cultural brasileira, para Capoeira Machado, é preciso vir ao Rio para fazer sucesso.

‘Vamos ser mais sambistas!’

Os passistas foram assunto para Cyro. Ele acredita que eles estão abandonados. “Sempre tomei cuidado de apresentar a passista ao público que está assistindo. O passista, hoje em dia, está se encostando no outro”. Hélio Rainho, um defensor do segmento, contou que “a estrutura da ala de passistas em escola de samba tem exigência de uma série de apresentações durante o ano e as escolas não fornecem estrutura para isso. Quem não consegue a roupa, apesar de serem bons, não conseguem desfilar pelas exigências”. Os passistas originais, segundo o blogueiro do SRZD-Carnaval, são substituídos por “dançarinos de academia”.

Para Cyro, “hoje há preocupação da falta de samba dentro do grupo de passistas. Necessário ter diretores que sejam duros com componentes e dirigentes. Sambista que é sambista tem que chegar na escola pequena e fazer exibição na mesma forma que chegou numa Portela, Império, Vila. Gente, vamos ser mais sambistas. As pessoas estão se refugiando”.

Rachel falou também sobre as pessoas quererem assistir ao Grupo Especial e esquecerem os desfiles da Intendente Magalhães. Já Capoeira disse que é preciso ir atrás de qualidade. Os puxadores, para Capoeira, tinham suas particularidades. “Atualmente, há puxadores ‘tops’. Quando compositor fazia o samba, fazia talhado para o puxador. Com um concurso de puxador, o novo pode dar uma roupagem para o samba”. 

Ao abrir para perguntas da plateia, o Rei Momo de Niterói, Jair Ribeiro, falou da diferença da criatividade dos pés para os passos marcados de academia e perguntou sobre a contribuição negativa para o segmento de passistas. Cyro respondeu sobre os passistas da comunidade que usam roupas mais pesadas, enquanto os outros não se caracterizam como deveriam. Ele deu exemplo das baianas, que são difíceis de encontrar quem queira desfilar com roupa pesada. Capoeira contou ainda um caso sobre um passista masculino querendo aparecer mais que uma passista. Rachel complementou:”Papel do passista é papel masculino. Mesmo que seja homossexual, ele representa papel que é masculino. A mesma coisa para o mestre-sala”.

O leitor do SRZD Alan Soares perguntou para Rachel Valença sobre o “embranquecimento” da cultura negra nas escolas de samba. A blogueira do SRZD-Carnaval concordou com o participante e complementou dizendo que as escolas de samba, aos poucos, vão sendo todas coreografadas, perdendo a espontaneidade. Ela deu exemplo da bateria que, mesmo tocando bem, se não for coregorafada, não faz sucesso. “A dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira era espontâneo antigamente, o que não existe mais. Ataco coreografia em ala de passistas. É o fim dos tempos. Para quem é capaz de sambar, o samba é resposta individual do corpo ao ritmo”. Hélio Rainho colocou outro ponto. “É muito fácil crucificar os diretores que colocam coreografia. Mas as escolas foram sacrificadas por julgamento que as obrigou a isso”. 

Cátia Suzuki, da Caprichosos de Pilares, estava na plateia e foi outra que participou do debate com sua visão. “A opção sexual de cada um é de cada um. Procuramos trazer passista masculino, independente da opção sexual dele. Se hoje em dia a ala de passistas é coreografada, não temos tanta culpa. É culpa do sistema. Na minha concepção, o passista não é mais amor ao samba. Virou status. Não importa ter bom samba ou péssimo samba. Importa ter corpão sarado. Muitas escolas cobram isso. Temos que procurar samba de raiz de verdade. Não podemos esquecer que somos sambistas”. 

Após o fim do primeiro debate do dia, passistas da Mocidade se apresentaram para o público com o samba-enredo de 2014, sendo muito aplaudidos ao final. 

 

Redação SRZD – http://www.sidneyrezende.com/

Toca Ogan mostra que o berimbau vai além da capoeira

Instrumento é protagonista do primeiro álbum solo do percursionista da Nação Zumbi

O percussionista Toca Ogan, velho conhecido do Recife por integrar a emblemática Nação Zumbi e acompanhar o músico Otto, apresenta nesta quinta-feira (25), a partir das 20h, no Teatro Boa Vista, o fruto de uma pesquisa que já dura 17 anos sobre o berimbau. Diferentemente de como é normalmente associado, Toca Ogan mostra em Desatando o laço, seu primeiro álbum solo, que o instrumento não é exclusividade das rodas de capoeira.

Na apresentação, o músico promete trazer o instrumento para a frente do palco e mostrar o quão versátil poder ser a sonoridade extraída dele, com arranjos bem produzidos que vão muito além do que comumente se imagina. “Quando as pessoas pensam no berimbau, pensam logo na capoeira. A minha intenção é justamente mostrar que ele pode ser explorado de outras formas. Você poder criar arranjos e tocar o ritmo que quiser. Assim como outros instrumentos, ele também tem notas e afinação, só depende do instrumentista saber explorar isso”, explica o músico. No álbum, Toca Ogan mostra esta versatilidade natural ao explorar ritmos como o frevo, maracatu, ciranda, samba, coco de roda, baião e até o funk.

“Na época do Da lama ao caos (Chico Science & Nação Zumbi, 1994), quando comecei a tocar o instrumento, eu também só sabia o ritmo da capoeira. E, desde então, eu venho tocando o berimbau para nações afro-brasileiras, como a umbanda, nagô, xambá e, mais recentemente, angola. Eu passei por esses caminhos até chegar onde cheguei, levando a nossa cultura comigo, porque ela precisa ser mostrada para todo o mundo. As pessoas precisam cantar, dançar, explicar e mostrar que nossa nação é forte”, complementa. 

Na verdade, segundo Toca Ogan, o berimbau é ainda mais complexo do que um observador alheio pode imaginar: “São cinco instrumentos em um só: o seixo (pedra utilizada para alcançar as notas musicais), a cabaça, a biriba (vergão de madeira), a baqueta e o caxixi. E é preciso ter uma relação muito próxima com essas cinco partes para poder desenvolvê-las musicalmente”. 

Para ele, mais do que resultado de uma pesquisa puramente musical, o disco está diretamente associado à sua vivência espiritual, o respeito pelas raízes e ancestralidade, assim como a procura por uma evolução. Desatar o laço é, como define, “uma busca individual pelo desenvolvimento interior”.

Assim como o álbum, que é repleto de parcerias, o show conta com a participação dos amigos Zé Cafofinho e Clayton Barros, entre outros.

Fonte: http://jconline.ne10.uol.com.br/

‘Herança Africana’ é apresentada no palco do Teatro Amazonas

Espetáculo do Balé Folclórico do Amazonas retrata a influência negra. 
Duas apresentações serão realizadas nesta quarta-feira e domingo.

Capoeira, lundu, gambá, dança do rapachão e o samba são manifestações com influências negras. Essa ‘Herança Africana’ é o tema de um espetáculo do Balé Folclórico do Amazonas, que será apresentado nesta quarta-feira (2) e domingo (6), no Teatro Amazonas, Centro de Manaus. As apresentações serão às 21h e 19h, respectivamente. Os ingressos custam R$ 10 e R$ 20 e podem ser adquiridos na bilheteria do teatro (pelos telefones: (92) 3622-1880/3622-2420) ou pelo site www.bestseat.com.br.

O espetáculo é dirigido por Conceição Souza e é resultado da pesquisa dos colaboradores Eliberto Barroncas e Railda Vitor. ‘Herança Africana’ vai destacar algumas manifestações regionais deixadas como legado cultural do negro.

A concepção do espetáculo aproveitou o trabalho realizado no projeto Escada Sem Degraus, iniciativa que envolve pesquisas de música regional e artes visuais. “Visitamos grupos de dança lundu em Itacoatiara, composto em sua maioria por mulheres, cujo estilo de dança é diferente daquele apresentado em Belém. De acordo com a localidade, a mesma dança possui características diferentes”, explica Railda.

O Balé Folclórico do Amazonas foi criado em 2001. A companhia, composta por 33 bailarinos e que se encontra com elenco renovado desde novembro de 2013, já participou de eventos como o Festival Amazonas de Ópera e Concerto de Natal.

 

Fonte: http://g1.globo.com/

Palmares, um Projeto de Nação

O INÍCIO DE PALMARES…. , A ESCRAVIZAÇÃO DO ÍNDIO

“No dia em que nossa gente acabar de uma vez, eu vou  tirar esta
escora daqui, e o céu vai desabar, e todas as gentes vão desaparecer.
Vai acabar tudo”. Sinaá, Lenda do fim do Mundo, povo Juruna.”

  • 1533 – Bula Veritas Ipsa Papa Paulo III declarando “os índios homens racionais”…
  • Entradas, expedições organizadas pelos Gov. Gerais, ou diretamente pela Corôa.
  • Bandeiras, empresa (expedição) organizada por particulares, ambas para caçar índio.
  • Incursões de franceses, iniciativa particular de “piratas” e não de governo.

Toda e qualquer referência à escravização do índio, que nos interessa, seria uma repetição da escravização negra. A História do Brasil é contada em dois extremos de uma mesma arma – ora como uma peça de defesa, o secular cuidado com a cabeça de louça do cristianismo; ora uma peça dedescaracterização do negro – a condenação da vítima – “comprava-se negros escravizados por outros negros;  eram comprados por escambo índios escravizados por outros índios ” : Doe mais ao negro do Mundo, assim com ao índio do Brasil, estas mentiras secularmente repetidas que a própria escravidão a que foram submetidos, doem-lhes a insaciedade do dominador…

As narrativas feitas entre o Séc. XVI e o XVIII serve como relato, não como interpretação, de um lado por que os escrivães não conheciam absolutamente nada do índio; segundo porque eram interessados – uns como mercadores ou agentes de mercadores; outros, por serem agentes da Coroa Portuguesa que chega ao Séc. XIX  “tendo no Brasil apenas a vaca leiteira”.

Acrescente-se ao fato das expedições portuguesas serem compostas por homens sem letras. Se dentre os franceses e até dentre as poucas entradas alemãs de que se tem notícia sempre havia intelectuais, homens de letras, e muitos de ciência, (meramente interessados em ciência), dentre os portugueses não há um único registro com este cuidado, por todo o Séc. XVI e até o Séc. XVII. Mesmo entre os jesuítas pode-se encontrar quando muito um ou outro letrado, que eram dominados ou pelo interesse comercial da sua Ordem, ou pela posição de minoria dentre os seus pares, ou notadamente pela ordem severa da Igreja Católica. O que se conhece de imparcial e de cunho cultural é de origem francesa, depois holandesa.

 

RELATO SOBRE ÍNDIO, CRONISTA FRANCÊS JEAN LERY.

“Uma vez um velho índio perguntou-me: – Que significa isto de virdes vós outros, peros (portugueses) e mirs (franceses), buscar tão longe  lenha para vos aquecer? Não a tendes por lá em vossas terras? – Respondi que tínhamos lenha e muita, mas não daquele pau, e que não o queimávamos, como ele supunha, mas dele extraíamos tinta para tingir.

Retrucou o velho: – E por ventura precisais de tanto pau brasil? – Sim, respondi, pois em nosso pais existem negociantes que têm mais panos, facas, tesouras, espelhos e mais coisas de que vós aqui podeis supor, e um só deles compra todo o pau brasil com que muitos navios voltam carregados.

 

  • Ah! tu me dizeis maravilhas, disse o velho; e acrescentou, depois de bem alcançar o que eu dissera: – Mas esse homem tão rico não morre?
  • Sim, morre como os outros. –  E quando morre, para quem fica o que é dele? Perguntou.
  • Para seus filhos, se os tem, e na falta, para os irmãos ou parentes próximos, respondi.

 

Na verdade, continuou o velho, que não era nada tolo, agora vejo que vós, peros e mairs, sois uns grandes loucos, pois que atravesseis o mar com grandes incômodos, como dizeis, e trabalhais tanto a fim de amontoardes riquezas para os filhos ou parentes! A terra que vos alimentou não é suficiente para alimentá-los a eles? Nós aqui também temos filhos, a quem amamos, mas como estamos  certos de que após a nossa morte a terra que nos nutriu os nutrirá também, cá descansamos sem o mínimo cuidado”. Jean Lery.

“… andavam muitos deles dançando e folgando uns ante outros, sem se

tomarem pelas mãos, e faziam-no bem”.

(carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o índio)

 

ÍNDIO ESCRAVIZA ÍNDIO  X  NEGRO ESCRAVIZA NEGRO, (meu Deus?)

Aí repousa o telhado de vidro do Cristianismo,  bastando que se diga:

  1. Todo e qualquer bacharel em História, em qualquer parte do Mundo sabe que é mentira esta afirmação, assim como todo e qualquer bacharel em direito que tenha se dedicado ao Direito Antigo; (só tem sentido alguém escravizar alguém se o excedente de produção do escravo for superior ao que ele consome, como não havia noções de acumulação, entre negros e índios, não podia haver interesse em escravizar uma ou um grupo de pessoas)

  2. No Brasil, ainda sobre o indígena: nem uma obra ou abordagem dos Irmãos Vilas-Bôas consta alguma citação de nações, ou tribo indígena escravizada por outra tribo, no que pese referências inúmeras a constatações e ou suspeitas de desaparição em guerras. (Todo animal lutou num dado instante por ração, e por toda a vida pelo instinto da procriação, apetite sexual).   Esta mesma observação vale para Darcy Ribeiro, ou Cândido Rondon. Os Vilas Boas viveram, moraram entre índios por mais de 45 anos, – vejamos um dos seus relatos:  “As grandes áreas devastadas, ou transformadas na sua vegetação original  existentes nas vizinhanças das aldeias em geral, provam a longa permanência dos índios nesses lugares…quantos anos não levaram para transformar grandes extensões em  mangabais,  piquizais…. e cerrados”?  Relato que desmente também as afirmações acerca do “nomadismo do índio brasileiro:  um povo agricultor não pode ser nômade.

“Quando Cabral pisou a terra brasileira em 1500, avalia Luis Amaral, já o indígena graças a ele próprio ou a seus antepassados, praticava a agricultura, em grau  mais ou menos igual ao então conhecido na Europa..” Assim é que eles já conheciam, naquela época  remota, anterior mesmo a 1500, o fumo, o algodão, o milho, a mandioca, a batata doce, a batatinha, o feijão, a abóbora, e o arroz”, completa Aluysio Sampaio.

Assim o índio, muitas das usas tribos foram se tornando errantes e não nômades como a Ordem Estado/Igreja usa como justificativa a 500 anos. Da Ordem dos Jesuítas e seus vigários o que se pode dizer é que foram sempre mais comerciantes (exploradores) que tudo o mais. De sob as imunidades desfrutadas em muitos períodos, cita Aluysio Mendonça Sampaio – “Do terror do gentio pelo português era tão grande que se chegou a criar a lenda do Padre de Ouro, lenda ainda contada por Frei Vicente do Salvador como verídica”.

Esse terror do gentio pelo branco já é uma prova da decadência do poderio dos nativos. Daqui por diante veremos os portugueses avançando, escravizando-lhes e empurrando-os para o sertão. “E a terra, em todos os lugares do Brasil, irá aos poucos mudando de dono”. Nos moldes da mistura geral, o Gov. Luiz de Brito, na sua primeira atitude organiza expedição de caça ao índio como nunca….diz frei Vicente “Na Paraíba,não deixaram branco nem negro, grande nem pequeno, macho nem fêmea, que não matassem e esquartejassem”. (sobre a tática de jogar o negro contra o índio e vice-versa. Embate contra uma tribo talvez ainda desconhecida, entrada de Governadores  Gerais). Tudo o que se passou nos Séc. XVI e XVII chega, com a mesma intensidade a meados do Séc. XIX, constata Alexander Marchant, por desconhecer o Brasil de 1940 quando escreveu. Aliás aquele Historiador americano em todo seu escrito “Do Escambo a Escravidão”, (l943), se não chega a desmentir, em nenhum momento avaliza afirmações sobre escravização de índio por índio.

A descoberta do Brasil, para o indígena como para o negro foi mais danosa que toda e quaisquer das invasões  de bárbaros em quaisquer lugar da terra onde ocorreu  – 500 anos depois e ainda não houve intercâmbio, não há nada que se possa conceituar além do domínio, do saque. Assim é que o indígena brasileiro regrediu, decresceu em número e em qualidade de vida e afunilou-se inversamente do ponto de vista da evolução técnico-cultural.

PS. Quando tratarmos do início de Palmares, A escravização do negro, vamos demonstrar a mentira da escravização do negro pelo negro, e ou a escravização do índio pelo índio .

 

Jean de Léry

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.”Historia navigationis in Brasiliam…”. Genebra, 1586.

(Côte-d’Or, c. 1536 – Suíça, c. 1613) foi um pastor, missionário e escritor francês e membro da igreja reformada de Genebra durante a fase inicial da Reforma Calvinista.

 

André Pêssego – projetozumbi@uol.com.brBerimbau Brasil  – São Paulo, SP – Mestre João Coquinho – 10 anos