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O ABC da Capoeira Angola – Os Manuscritos de Mestre Noronha

O ABC da Capoeira Angola – Os Manuscritos de Mestre Noronha

 

Um documento histórico de grande valor… Uma versão atualizada e completa com 120 páginas !!!

 

Preparamos uma nova versão, completa e atualizada, a versão que estava largamente disponibilizada em PDF na rede, do Livro: “O ABC DA CAPOEIRA ANGOLA – OS MANUSCRITOS DE MESTRE NORONHA“, continha apenas 18 paginas. Esta versão do livro nos foi enviado há cerca de 10 anos pelo incansável Mestre Decanio (em memória), uma das mais fantásticas figuras da Capoeira que defende a democratização da informação… para o mestre, boa informação é aquela que é transmitida…

 

O Livro originalmente foi enviado ao Mestre Decanio pelo escritor, historiador e pesquisador Fred Abreu que conseguiu publicar os manuscritos de Noronha, com o apoio do Governo do Distrito Federal, Programa Nacional de Capoeira/Projeto Capoeira Arte e Oficio, DEFER e CIDOCA/DF

 

Mais uma excelente novidade para toda a comunidade capoeirística!!!

 

o-abc-da-capoeira-angola-manuscritos-de-mestre-noronha

 

Fica a dica de uma ótima e importante leitura, aproveite!!!

 

Agradecimentos especias:

Fred Abreu, Angelo Augusto Decanio Filho, Bruno “Teimosia” e A Família de Daniel Coutinho o Mestre Noronha, que autorizou esta publicação.

 

Programa Nacional de Capoeira/Projeto Capoeira Arte e Oficio – DEFER – CIDOCA/DF

“É um documento emocionante por que demonstra a sede que nosso povo tem manter e propagar a tradição provando que têm consciência de um povo sem tradição é uma arvore sem raiz… qualquer abalo destrói… como venho dizendo há anos…”

Desejando muita saúde, felicidade e  axé!
Decanio

 

 

Visite a seção de “DOWNLOADS DA CAPOEIRA” e confira as novidades

Anatomia de um prêmio em 12 facadas

por Mauricio Acuna

Misteriosamente, o Badauê surgiu
Moa do Katendê

 

1. Hoje ganhei um prêmio: Menção Honrosa de melhor tese em Ciências Humanas da USP. Reconhecimento de excelência em pesquisa em uma das melhores universidades do mundo;

Anatomia de um prêmio em 12 facadas Capoeira Notícias - Atualidades Portal Capoeira 1

2. Trabalho escrito por mãos que aprenderam a escrever na escola pública em São Bernardo do Campo, e que apertaram muitas outras mãos sonhadoras em cursinhos populares pré-vestibular. Trabalho estimulado por mãe, irmã, companheira, sobrinha, amigas: muitas mulheres. Trabalho nutrido por mestres de capoeira e suas criações infinitas com os corpos e os instrumentos: muitas artes afro-brasileiras. Trabalho que ganhou a cara de uma das melhores e mais conservadoras universidades públicas do Brasil, mas com as marcas da diferença e dos diferentes que, cada vez mais, participam das aulas com a cabeça erguida pelo direito conquistado;

3. A tese que ganhou esta menção honrosa conta a história de um dos grandes mestres de capoeira nascido no Brasil e mundialmente reconhecido: Vicente Ferreira Pastinha, Mestre Pastinha. Também conta a história de seus saberes subalternizados e racializados. Conhecimento marginal das letras e das gingas. Briga antiga da cidade letrada e das quebradas gingadas;

4. Foi sem o reconhecimento acadêmico, e com muito pouco apoio do Estado em suas várias instâncias, que centenas de mestres contribuíram ao longo de muitas décadas, para a transformação da capoeira em Patrimônio Mundial da Humanidade em 2014, reconhecida pela Unesco;

5. Moa do Katendê, um desses mestres, foi brutalmente assassinado domingo, 7 de outubro de 2018, como efeito trágico da nossa democracia envenenada;

6. “Oi sim, sim, sim, Oi não, não, não

7. Assim ensinam os capoeiras em uma de suas mais famosas canções. Mas não se enganem, o verso é uma pequena, mas poderosa fórmula na “pedagoginga” – como ensina Allan da Rosa. Cantar esses versos inspira a diplomacia da ginga, a capacidade de se mover entre os contrários, de não se reduzir aos opostos;

8. Como uma forma de democracia, a capoeira hoje é a arte do discordar sem exterminar. Mas não se parece com a nossa democracia de milícias afiadas;

9. Em 2004, Gilberto Gil, o sábio Ministro da Cultura, propôs na ONU, a capoeira como uma “tecnologia social” para a paz. Eis que, mais de uma década depois, ela é ensinada em campos de refugiados noCaribe, África e Oriente, participando, significativamente, junto ao problemas globais das migrações e das catástrofes causadas pelas mudanças climáticas;

10. Como filho de exilados políticos da ditadura assassina no Chile, eu me pergunto se nós, brasileiros, aprenderemos algum dia novamente com os mestres, como se constrói democracia e participação?

11. Que toquem os berimbaus e atabaques, entre terra e céu para Mestre Moa do Katendê. Quem sabe ele joga com Mestre Pastinha, e é assistido por Marielle: “oi, sim, sim, sim…oi, não, não, não”.

12. Democracia sim, cultura sim, liberdade sim….milicianos não, tortura não, extermínio não.

 

12 de outubro de 2018. Dia de Oxum e de Nossa Senhora Aparecida.

Mestre Moa do Katendê

Veja Também: Tese de Doutorado

DOI: 10.11606/T.8.2018.tde-18042018-100742

Militância

Um debate político como o que acontece no Brasil neste momento, e não somente lá, se torna problemático quando cada campo oposto pensa em ter o domínio da verdade, enquanto o debate político – e as propostas expressadas nela – sempre trata de opiniões; de interpretações da realidade e perspectivas sobre como agir nessa realidade. Mas, quando as opiniões são vendidas como verdades, isso leva às posições absolutas e radicais, e suas consequências: aonde uma pessoa de 63 anos é apunhalada 12 vezes nas costas por uma pessoa de 35 anos, por causa de uma posição política que é diferente – como lamentavelmente aconteceu esta segunda-feira com o saudoso mestre Moa do Katendê. Pessoas da mesma cor, da mesma classe social, do mesmo bairro. Influenciada pelos discursos de ódio, sem levar em conta o absurdo que está fazendo, e a destruição e perda para a comunidade que foi feito com um só ato.

Quer dizer que tudo é relativo e por nada, porque ninguém está certo? Claro que não. São debates entre ideias; ideologias como o país tem que ser governado, como pessoas querem viver, o que é justo, o que é o bem, e o que não é. Mas ideias e ideologias são exatamente isto: opiniões. Opiniões que podem estar mais certos ou menos certos, de acordo com a realidade – da qual a constituição e as politicas implementadas anteriormente fazem parte – e os ‘fatos’.

Por isso a gente vê aquele bombardeamento continuo nas redes sociais e mídia – de um campo contra ou outro – com os ‘fatos’: para mostrar que a ideia deles é melhor que a dos outros. Porque, uma boa ideia ou ideologia é fundado nos fatos e realidade, ou dizemos, verdades concretas: a taxa de alfabetização, a porcentagem da pobreza, o salario mínimo de um trabalhador, o lucro de uma empresa, o numero de pessoas baleadas por ano, etc. Fatos que ainda podem ser manipuladas, como o Mark Twain nos ensinou[1], e como todos que trabalham com estatística, sabem: basta adaptar os parâmetros. Igualmente as leis podem ser mudadas; temos um parlamento para isto. Então, o que é verdade mesmo?

Vamos começar com a morte de um musico e mestre de capoeira. Aí, não há mais como escapar: é uma verdade para todos e todas, sem exclusão – não há quem não reconheça a morte aqui na terra. Então se uma verdade é verdade mesma, ela é para todos, sem exclusão. Uma verdade é então universal, e por ser universal, inclusiva. Então uma politica ‘de verdade’ só pode ser inclusiva.

 

Numa outra colunaeu já falei sobre o que é considerado ‘politico’ pelos vários pensadores políticos de hoje: é uma situação de desacordo, onde um elemento entra na situação estabelecida de onde sempre estava excluído, mesmo pertencendo à situação. (Como por exemplo podemos ver com pessoas ilegais, que estão num país, mais não ‘existem’ lá.) No momento que esse elemento aparece e exige ser incluído, ele mexe com a nossa percepção da realidade e – quando reconhecemos a sua verdade de exclusão – causa uma ruptura na situação, uma transformação – porque enquanto reconhecido, não podemos mais excluir. Uma verdade mostra sempre uma forma de exclusão existente, e exige de terminar isso.

 

Traduzida à sociedade Brasileira, vemos a exclusão dos LGBT; das mulheres como cidadãsiguais ao invés de objetos de desejo e mães de família; dos pobres e marginais; das descendentes de africanos e indígenas. Elementos da sociedade Brasileira que sempre foram excluídos e para que vários sujeitos políticos (indivíduos e movimentos) entraram numa luta de inclusão nas última(s) década(s). A reação reacionária que viemos hoje mostra que esse processo de inclusão não é automático, nem determinado; a gente pode simplesmente continuar negando esses elementos – podemos negar verdades. Por isto é um processo político – a gente tem a escolha. Seguindo Alain Badiou[2], há 3 maneiras de não-atuar e não dar consequência as verdades surgidas:

O primeiro chama-se simulacro– que é dar consequência numa verdade falsa. Uma verdade falsa parece uma verdade em todos os sentidos, mas em vez de promover a universalidade, ela organize uma mudança da situação baseada em particularidades; a promoção indefinitivamente de um conjunto específico – ‘os trabalhadores honestos’, ‘as verdadeiras Brasileiras’, ‘as famílias’ – sem dar meios ou voz para aqueles que vivem ao redor disso. É uma verdade exclusiva que, como nós vimos antes, é contraditória. E então uma verdade falsa, que só leva à guerra e ao massacre.

Segundo é a traição– a negação de uma verdade por causa de interesse próprio. Porque o aparecer – o evento – de um elemento excluído sempre causa uma crise na sociedade e na pessoa. Porque aqueles que reconhecem essa verdade têm que dar consequência à ela também – a verdade exige. O máxime para quem dá consequência a verdade é ‘Continuamos!’ (Como se escuta agora muito depois da morte de mestre Moa), mas a opinião sempre está conosco, sussurrando que a minha fidelidade à verdade pode estar errada, que talvez eu esteja fazendo um terror sobre mim mesmo, e que parece que estou causando a confusão que queria evitar, etc. Não é simplesmente uma renuncia de uma verdade (porque uma verdade não dá para ser renunciada), mas um convencimento de mim mesmo que não sou capaz de me tornar um militante, um sujeito diferente, de mudar. No fim então, é a traição de mim mesmo como sujeito político.

O último se chama odesastre– que é a crença que o poder de uma verdade é total e absoluto. Mas verdades só existem dentro do ambiente das opiniões – a gente se comunica, têm opiniões. Não há outra historia que a nossa, não há um mundo ‘verdadeiro’ a chegar. Nosso mundo é – e sempre será – feito do verdadeiro e do falso, do bem e do mal. O bem só é o bem enquanto ele não pretende mudar o mundo pelo bem (e assim arrancar o mal). Todo absolutismo de poder de uma verdade organiza um mal. Um mal que não só é destrutivo para a situação, mas também interrompe o processo da verdade em qual nome ele continua, porque não preserva a dualidade do sujeito. Por isto chamamos um desastre de verdade, causado pela crença no absolutismo de poder dela. Porque uma verdade não pode – nem consegue – mudar todos elementos duma situação; sempre há de ter elementos que restam inacessível por ela, e que reste a pertencer à opinião.

 

Essas três maneiras de agir ou não-agir numa verdade aparecida, Badiou chama o ‘mal’. Porque é a agencia do sujeito que é mal, não porque é induzido pela bíblia ou uma concepção abstrata do bem, mas simplesmente pelo ‘não agir’, ou agir numa concepção errada da realidade.

O que é o bem então? Se a gente pensa que a verdade é importante, que não queremos viver sem ela, que não queremos ser falsos, aí podemos colocar ‘uma verdade’ como tal. Não porque uma verdade é ‘o bem’, mas porque ela dá direção, como ‘o bem’. Uma verdade que é então inclusiva, universal. Reconhecer, seguir e estabelecer as consequências de uma tal verdade, sem cair numa das três formas do ‘mal’, podemos então chamar um agir ‘bom’. E isso é o trabalho de um militante.

Hoje em dia, a palavra ‘militante’ é rapidamente relacionada à violência, extremismo e até terrorismo. Também porque no Latino (de onde vem) quer dizer ‘servir como soldado’. Mas  como a luta não trata só de violência física, o militante também é aquele que ‘está lutando ativamente nas lutas ideológicas’[3]. Um militante é então aquele que luta pelos seus ideais, que são ideias políticos que concernem não só há ele ou ela. Militante luta para uma verdade que reconheceu e em que quer dar consequência – estabelecer uma nova situação. Não necessariamente com violência; Gandhi e King também são reconhecidos como militantes.

 

A capoeira foi usada como arma politica em vários instantes de historia, mas como também expliquei na mesma coluna, a capoeira é politica em si mesma também, e representa uma politica universal: porque na base não excluía ninguém, especialmente as pessoas nas margens de nossa sociedade. Então, um capoeirista só pode ser um militante dessa verdade, que é uma politica da universalidade, da inclusão, da igualdade. Toda outra posição de um dito capoeirista leva a seguir um simulacro, uma traição, ou um desastre – formas do mal.

Mestre Moa do Katendê, em o pouco tempo que conheci, era um militante de uma ideia inclusiva e não-violenta – os testemunhos se acha em Salvador, em São Paulo, Recife, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, e pelo mundo fora do Brasil. Mas mestre Moa agora se foi, assassinado por uma verdade falsa, uma ideia exclusiva, um discurso de ódio. Agora cabe a nós, mostrar que somos capoeira mesmo, que não só levantamos pernas e batemos palma, mas que representamos uma verdade inclusiva, universal. E que lutamos pelas nossas ideias; que somos militantes. E aí declaro: eu sou capoeira. E tu?

 

 

Militância Capoeira Portal Capoeira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(A imagem é parte de um fresco de uma escultura de Paul Day, chamada “The Meeting Place”, et encontra-se no St. Pancras Station em Londres.)

[1]“Há três formas de mentira: mentiras, malditas mentiras, e estatísticas” – Twain, M. (1906) ‘Chapters from My Autobiography’, North American Review.

[2]O seguindo argumento é uma interpretação e curta abreviação minha do trabalho de filosofo francês Alain Badiou. Badiou, A. (1995) Ética: um ensaio sobre a consciência do Mal, Rio de Janeiro, Relume-Dumará.

[3]Dicionário Larousse. Badiou trata a ideia do militante mais profundamente no: Badiou, A. (2009) São Paulo: a fundação do universalismo. São Paulo, Boitempo.

Mestre Moa do Katendê: O triste e covarde fim de um capoeira.

Mestre Moa do Katendê: O triste e covarde fim de um capoeira.

Mestre Moa do Katendê, um dos maiores mestres da nossa cultura popular, foi covardemente assassinado por sua postura antifascista.

Esfaqueado pelas costas, numa discussão política, Romualdo Rosário da Costa, 63 anos, mais conhecido como Mestre Moa, que sempre esteve a frente do seu tempo, nos deixa em um momento social e político extremamente delicado. O crime ocorreu por volta da meia-noite, na comunidade do Dique Pequeno, no Engenho Velho de Brotas.

Um pouco de cada capoeirista morre esfaqueado hoje! Mas não morrem as ideias de Mestre Moa, representante da cultura negra e da postura política necessária.

História

Mestre Moa do Katendê nasceu em Salvador, em 29 de outubro de 1954, no Bairro Dick do Tororó, Vasco da Gama, próximo ao Estádio Fonte Nova. Teve o privilégio de vir ao mundo, justamente, na terra que também é berço de grandes mestres da capoeira, tais como; Mestre Pastinha, Mestre Bimba, Mestre Gato, Mestre Canjiquinha, Mestre Valdemar e tantos outros. Mestre Moa foi aluno diplomado pelo mestre Bobó. Iniciou-se na arte da capoeira aos 8 oito anos de idade na Academia Capoeira Angola 5 estrelas.

Entretanto, às vezes, é necessário a um mestre, sair de sua terra, deixar as sementes de suas origens, para plantá-las em outras terras. Misteriosos: assim são os caminhos da vida. No momento não compreendemos porque uma coisa tem que ser de um jeito e não de outro, mas depois, com o decorrer do tempo, tudo se torna claro como as cristalinas águas que se abrem em véus ao cair das cachoeiras, no meio das matas.

Isso também aconteceu com o capoeirista baiano, como conta o site Angola Angoleiro Sim Sinhô:

“Aos 16 anos Môa do Katendê se afastou da capoeira angola e desenvolveu diversos trabalhos em grupos folclóricos, como o “Viva Bahia” e o “Katendê”. O desejo de disseminar seu trabalho com a cultura afro brasileira o levou a viajar para o Sul do país. Em 1984 foi para o Rio de Janeiro onde começou a ensinar a capoeira angola para não parar de treinar. De lá viajou para Porto Alegre e ajudou a implantar a dança afro no Rio Grande do Sul, até então desconhecida”.

Cumprida essa missão, Moa retornou à Bahia para dar continuidade aos trabalhos em sua terra natal.

Mestre Moa do Katendê: O triste e covarde fim de um capoeira. Capoeira Portal Capoeira 1

Desde que foi chamado pelas forças astrais superiores para defender para defender os valores e a cultura de seu povo, Mestre Moa tem se esforçado por ser um facho que brilha sobre o mundo das culturas, cujo berço tem origem na Mãe África. Imbuído dessa missão, Mestre Moa seguia pelo Brasil e pelo mundo desenvolvendo palestras, workshops e cursos no Brasil e no exterior, nos quais mostrava as riquezas da cultura afro-brasileira.

Mestre Moa do Katendê: “A capoeira me ensinou tudo isso e um pouco mais”

Capoeira é tudo que move para mim. É uma cultura rica, uma cultura dos ancestrais que eu procuro, sempre que posso, cultuar, zelar, transmitir conhecimentos. Na verdade, o conhecimento foi dado pelo meu mestre, daí eu sigo pelo mundo, sempre que posso, divulgando.

 

leia também:

CAPOEIRA E POLÍTICA: De Que Lado Você Está?

 

 

Mestre Pastinha – Revista Placar Dezembro 1979

Mestre Pastinha – Revista Placar Dezembro 1979

Revista Placar 505 – 28 Dezembro 1979

Se liga capoeira!!! Fica a reflexão…

Obrigado ao nosso colaborador Teimosia pelo importante registro.

Fonte: Arquivo Teimosia

Conexão China – A capoeira encontra o kung fu

Conexão China – A capoeira encontra o kung fu

Em evento para convidados a celebrar o mês em quem o Brasil comemora sua Independência, a embaixada brasileira em Pequim apresentou nesta semana o curta-metragem “Capoeira encontra a arte marcial chinesa”.

O documentário é coproduzido pela Embaixada do Brasil e Flow Creative Content, em parceria com a Unesco, com apoio da gigante chinesa Tencent, está em fase final de tradução para a língua portuguesa.

O vídeo, que impressiona pela união de duas culturas aparentemente distantes, mostra o encontro dos mestres de capoeira brasileiros com mestres das artes marciais chinesas em Pequim e Hangzhou.

Ao explorar as diferenças e semelhanças entre suas artes, esses mestres discutem como as culturas tradicionais podem prosperar na sociedade moderna e ainda ajudar as pessoas a se relacionar com os outros e compreender a nós mesmos.

Conexão China – A capoeira encontra o kung fu Capoeira Portal Capoeira

Embaixada brasileira em Pequim apresentou em pré-estreia documentário de curta-metragem mostrando o encontro de capoeiristas e lutadores de kung fu. EMBAIXADA DO BRASIL, DIVULGAÇÃO

A produção faz parte da criação de uma Biblioteca Digital Aberta, projeto global lançado em 2015 pela Unesco, com o apoio financeiro e técnico suporte de Tencent. A idéia é promover o conhecimento inclusivo entre sociedades, criando uma rede internacional de esportes e jogos tradicionais, e salvaguardar e promover o patrimônio cultural imaterial por meio de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).

 

Fonte:

Jornal do Comércio: https://www.jornaldocomercio.com/

Alagoas: Inscrições para edital do Ginga Capoeira são prorrogadas

Alagoas: Inscrições para edital do Ginga Capoeira são prorrogadas

As inscrições da chamada pública destinada à seleção das instituições culturais que irão atuar na coordenação de oficinas, instrução e monitoramento do Projeto Ginga Capoeira, promovido pela Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac), foram prorrogadas. O novo prazo, conforme publicação no Diário Oficial do Município (DOM), é dia 19 de outubro.

Ao todo, serão selecionados um profissional para coordenação de oficinas, oito coordenadores de núcleo  e oito monitores, que irão atuar no projeto durante um período de oito meses.

Serão investidos R$ 110 mil no projeto, que tem como objetivo promover rodas de capoeira e a formação de núcleos para atuar, principalmente, nas escolas da Rede Municipal de Ensino. As inscrições podem ser feitas das 8h às 14h, na sede da Fundação, na Avenida da Paz, no bairro Jaraguá.

 

Confira o edital e seus anexos:

Edital

Anexos

Fonte: Ascom Fmac

Albufeira: “Adapta-te” – Fitness, Dança e Capoeira adaptadas

Albufeira: “Adapta-te” – Fitness, Dança e Capoeira adaptadas

O Município de Albufeira – Portugal vai realizar a 3ª edição do “Adapta-te”, um evento desportivo e de lazer direcionado aos munícipes portadores de limitações físicas.

A ação terá lugar no Parque Lúdico, durante a manhã do dia 28 de setembro, sexta-feira, e integrará Fitness, Dança e Capoeira adaptadas, assim como um lanche convívio entre os participantes e os colaboradores.

Durante a manhã do dia 28 de setembro, o Parque Lúdico vai ser palco de diversas atividades, entre as quais um Circuito de Fitness, uma aula de Dança e outra de Capoeira adaptadas a pessoas com alguma incapacidade para a prática de atividade física.

Esta é a terceira edição do “Adapta-te”, uma iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Albufeira com o objetivo de aumentar a autoestima, promover a saúde e o bem-estar e fomentar a socialização entre a população portadora de incapacidade.

Este evento desportivo e de lazer irá juntar os utentes das Instituições Particulares de Solidariedade Social do distrito, Centros de Dia, Centros Ocupacionais e Unidades de Ensino Especial do concelho.

Albufeira: “Adapta-te” - Fitness, Dança e Capoeira adaptadas Capoeira sem Fronteiras Cultura e Cidadania Portal Capoeira

Após a realização das atividades físicas adaptadas, os participantes e os colaboradores irão partilhar um lanche convívio.

http://www.postal.pt

Brasília – DF: Grupo leva capoeira a escolas públicas e fala sobre cultura negra

Brasília – DF: Grupo leva capoeira a escolas públicas e fala sobre cultura negra

A história da África e a luta dos negros do Brasil ensinadas de uma maneira diferente. Para sensibilizar crianças e adolescentes sobre a cultura negra brasileira, o grupo Grito de Liberdade leva a escolas públicas do Distrito Federal o espetáculo “Quilombo da liberdade, raízes”. A caravana está na nona edição.

O presidente do grupo, Luiz Cláudio França, 38 anos, conhecido como Minhoca, atualmente é o principal responsável pelo projeto. O mestre capoeirista destaca a satisfação após as apresentações: “Chegamos a alcançar pessoas que estavam no mundo do crime e, por conta do projeto, já superaram o problema”, ressalta.

A intenção é ampliar os horizontes dos alunos. “Quanto mais contato tiverem com a cultura, eles se tornarão pessoas mais conscientes e com uma visão de mundo mais ampla”, acrescenta Luiz.

Atividade procura abordar o papel do negro na formação da identidade brasileira e apresentar a cultura de origem africana

As apresentações são realizadas por meio de cantos e danças de capoeira, com um toque especial de circo e poesia. Por meio da arte, o grupo aborda os mais variados temas cotidianos, entre eles racismo, agressões em ambiente escolar e machismo.

“Diante do aumento da violência nas periferias do Distrito Federal, é fundamental que a comunidade escolar contribua com seu olhar sobre as causas e consequências do envolvimento de jovens e crianças com o álcool e outras drogas”, diz diretor da peça, Ankomárcio Saúde, que compara: “Até onde os ônibus lotados de hoje não são os navios negreiros de ontem, e as favelas, quilombos urbanos?”.

O espetáculo leva aos jovens mitos e ritos dos afrodescendentes numa mescla de capoeira regional e angola e das danças de puxada rede, dança do bastão e maculelê, em que os negros são protagonistas. “Uma fusão em que a beleza dos movimentos junto a plástica do figurino prende a atenção de todos os alunos para aprenderem sobre a história negra do país como processo formador de nossa identidade”, explica Ankomarcio.

Brasília - DF: Grupo leva capoeira a escolas públicas e fala sobre cultura negra Capoeira Portal Capoeira 1

Experiência positiva

Para os educadores, a iniciativa é mais do que importante para o crescimento dos estudantes. Rivailda Muniz, professora do 5º ano da Escola Classe Kanegae (Riacho Fundo I), ficou feliz com a oportunidade e também entrou na roda para gingar.
“É um projeto muito bom, inclusive pelo fato de eles virem até a escola. A inciativa é maravilhosa porque nossos alunos têm poucas chances de vivenciar isso”, considera a docente.

E, para os pequenos, a experiência foi única e de pura alegria. “É muito legal a gente ver e experimentar coisas novas. Foi a primeira vez que eu ‘dancei’ capoeira”, disse um dos alunos do 5º ano. Colega do garoto, Ana, 8 anos, também entrou na brincadeira. “Os meninos conseguem dar ‘mortais’ muito mais rápido do que nós meninas. Eu já tentei e nunca consegui, mas gostei muito de o tio ter ensinado a gente a gingar”, afirmou.

Quase 40 anos de história

Há 38 anos o grupo Mestre Cobra trabalha a capoeira como forma de perpetuar a história das culturas de matriz africana. Os capoeiristas se reúnem na Candangolândia desde os anos 1980, época em que a capoeira era alvo de preconceito na região e praticada às escondidas, no mato. Em 1994, Mestre Cobra começou a desenvolver seu trabalho no Riacho Fundo, onde deu início ao grupo Grito de Liberdade.

Luiz Cláudio França está na equipe há 30 anos e representa o Mestre Cobra por todo o DF. Além de Brasília, as apresentações já chegaram até a Bahia, Rio Grande do Norte e Pernambuco, onde foi assistida por mais de 10 mil pessoas. Neste ano, 20 mil alunos serão atingidos.

Uma das principais características da capoeira é a possibilidade de qualquer pessoa poder participar. A arte não faz distinção de situação financeira ou crença: qualquer um pode interagir com o grupo. “Às vezes alguém tem dificuldade em fazer as manobras no momento do gingado, mas ao mesmo tempo se identifica com a música ou instrumentos que utilizamos. Tudo é válido”, destaca o mestre Minhoca.

 

Tainá Morais – redacao@grupojbr.com

http://www.jornaldebrasilia.com.br

Patrimônio da Humanidade, Frevo merece mais reconhecimento no Brasil

Patrimônio da Humanidade, Frevo merece mais reconhecimento no Brasil

Com raízes nas cidades de Olinda e Recife, em Pernambuco, o frevo é uma arte urbana surgida no final do século XIX. Trata-se de uma perfeita mescla de gêneros musicais, danças, capoeira e artesanato.

Em 2007, o  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) declarou o frevo como Patrimônio Imaterial do Brasil. No dia 5 de dezembro de 2012, durante uma solenidade, na França, a UNESCO reconheceu o frevo pernambucano como Patrimônio Imaterial da Humanidade.

Patrimônio da Humanidade, Frevo merece mais reconhecimento no Brasil Capoeira Portal Capoeira

Em 14 de setembro é comemorado o “Dia Nacional do Frevo”. A data foi criada em homenagem ao dia do nascimento do jornalista Osvaldo da Silva Almeida, reconhecido como um dos criadores da palavra “frevo”. O termo tem origens na palavra “efervescência”, por causa da rapidez no movimento dos pés e do corpo, como se o chão estivesse a “ferver”. Esse ritmo musical acelerado é traduzido em uma dança que mistura a marcha, o maxixe, alguns elementos da capoeira e inconfundíveis movimentos de pernas.

Trata-se de uma das mais ricas expressões da inventividade e capacidade de realização popular na cultura brasileira. Possui a capacidade de promover a criatividade humana e também o respeito à diversidade cultural.

“Eu quero frevo, eu quero frevo!”

O ritmo mais pernambucano de todos continua embalando os foliões locais e também os que visitam o singular Carnaval que rola por aquelas bandas.

Como não poderia ser diferente, em Olinda e Recife, o “Dia Nacional do Frevo” novamente será comemorado em grande estilo. O público local vai celebrar a importância do frevo com diversas atividades, oficinas e apresentações. Em contrapartida, o restante do país não tem muito contato com uma manifestação cultural que é tão brasileira quanto o samba, a bossa nova ou o sertanejo.

Por obra de um rude descaso, mais uma vez, não há nada sobre celebrar o frevo nas agendas culturais de cidades como Belo Horizonte (MG) e Campo Grande (MS), por exemplo. Fica a reflexão para que possamos fazer o esforço de reconhecer e valorizar mais esse que é um dos pilares de nossa cultura.

Por um Brasil com mais frevo, já!

 

Fonte: https://www.cifraclubnews.com.br

Gustavo Morais