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Capoeira: Nova revista na praça

O mundo da capoeira conta com mais um veículo de comunicação impressa.
 
São Paulo, minha terra, de onde sou fruto e por onde aprendi meus primeiros passos, na vida e na Capoeira. É gratificante saber que a terra continua dando novos frutos, e que a Capoeira não sai da roda. Mais ainda agora com a Revista Na Roda da Capoeira, de Mestre Grande, mestre de diversos outros mestres que fizeram e continuam fazendo a Capoeira paulistana fazer história. Em julho estarei por lá, em minha querida "Terra da Garoa", quem sabe passe novamente pela praça da República, ouvir Mestre Ananias e dueto com Mestre Hélio cantando "eu jogo mas eu não sou, angoleiro… eu brinco mas eu não sou, angoleiro".
Luciano Milani

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Maré de Março – Novo CD de Angola

Está "no forno" mais um excelente CD de Capoeira Angola.
Em Março de 2005 – daí o nome do CD Maré de Março – o Contramestre Pernalonga – acompanhado do Prof. Cunhadinho -realizou uma oficina de Capoeira Angola em Bremen-Alemanha. Mestre Roberval, angoleiro da Bahia, foi o convidado especial.
Como fruto daquele trabalho foi gravado o CD que ora divulgamos em primeira mão.
Um dos temas do CD é o canto :
 
"Iê!  O meu Cazuá tem varanda
Varanda pra vadiar
Ôoô varanda  boa
Varanda pra vadiar"
 
Pernalonga é integrante do Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros (GCA-IG), que desenvolve trabalho exemplar na região de Taboão da Serra e Pirajussara (São Paulo), tendo-se à frente dos trabalhos os Mestres Baixinho e Marrom. Em Bremen, Pernalonga organiza o "Cazuá de Angoleiro", trabalho iniciado em 2002. Cunhadinho está com um trabalho em Halle.
 

BIMBA FOI “ANGOLEIRO”?

Bimba foi "angoleiro"?

Detalhe ampliado da fotografia de Mestre Bimba "jogando" capoeira com Asclépios Ferrer, no início dos anos 30, encontrada à página 19 do livro "Mestre Bimba, a crônica da capoeiragem" de Jair Moura (Salvador, 1991).
Observar a descontração, a postura em meia-guarda (muzenza), a face zombeteira, sorridente, o balanço do tronco, os ombros soltos, com braços relaxados, punhos fletidos, mãos em concha. Membros superiores em movimento de varredura protegendo a cabeça e o ventre, equilíbrio centralizado na cintura.
Posição de animal semi-agachado, prestes ao ataque, fuga ou salto; compatível com número imprevisível de movimentos, rápidos e velozes; esquiva, cabeçada, giros, ataques usando membros superiores ou inferiores.
Foto exibindo a semelhança, entre os movimentos do estilo ensinado pelo Mestre Bimba até os anos 40, com o "jogo de capoeira", "vadiação" ou "brincadeira"; que alguns preferem chamar de capoeira tradicional; a matriz dos estilos chamados de Angola pelo Mestre Pastinha e de Regional pelos seguidores de Mestre Bimba.

Angoleiro Paulista, Sim Sinhô!

No Início dos anos 90, no Estado de São Paulo, existiam apenas alguns raros grupos dedicados exclusivamente à Capoeira Angola. Nos dias de hoje, somando-se os grupos da Capital, do Interior e do Vale do Paraíba, e mais os do Litoral Norte, chegamos, aproximadamente, a uma dezena.
 
Alguns, com trabalhos consolidados e reconhecidos pela exigente comunidade angoleira dos demais estados, especialmente Bahia, Rio de Janeiro e, até mesmo, do próprio Estado de São Paulo. Alguns outros grupos, ainda em estágio embrionário, mas com bom potencial.
 
Os Mestres Pé-de-Chumbo, Jogo-de-Dentro e Zequinha fizeram parte dos pioneiros da fase Pós-GCAP-80 da Capoeira Angola em São Paulo.
 
O “Centro de Capoeira Angola – Angoleiro, Sim Sinhô” – CCAASS – fundado em 1993 (ou 1995) pelo CM Plínio, também faz parte dos pioneiros da Angola neste Estado. Grupo que tem como referência os Mestres Moa do Katendê e Jogo-de-Dentro. Mestre Moa, baiano, há bom tempo atua também como “conselheiro” do grupo. Moa tem pelo menos uma década de atividades em São Paulo, considerando-se o tempo que aqui viveu, desenvolvendo sempre trabalhos com música, arte, religião e, especialmente, Capoeira Angola. Hoje em dia, praticamente, vive na ponte-aérea Bahia-Sampa.
 
Mestre Moa, juntamente com o CM Plínio, está à frente do  Grupo Afoxé “Amigos de Katendê”. Aliás, está mais do que na hora de os capoeiras paulistas passarem a observar, com mais atenção, o que se “executa” em conjunto com a Capoeira em outros estados, passando então a estudar e preservar outras manifestações prima-irmãs da Capoeira. 
 
Plínio Angoleiro,  Sim Sinhô! – O dono da casa
 
Em 1999, quando comecei a trilhar os caminhos da Capoeira Angola, sempre orientado pelo saudoso Mestre Cosmo, tive a sorte de participar de um evento do Angoleiro Sombra. Isto aconteceu em Santa Rita do Sapucaí, Sul de Minas, de 22 a 24 de outubro. Na ocasião tive a oportunidade de fazer uma oficina de Capoeira Angola com o Mestre Jogo-de-Dentro. O Plínio, que acabara de receber, pelas mãos do próprio Jogo-de-Dentro, o título de Contramestre, também ministrou aulas naquela oficina. Na ocasião tive também o prazer de conhecer os Mestres Bigo (Francisco 45), Alemãozinho e Robinho Angoleiro. O Robinho é mestre do Grupo de Capoeira Angola Axé Brasil, e desenvolve os trabalhos na região de Santo Amaro de São Paulo. Aliás, em 1999, ele organizou uma série de excelentes reportagens em uma revista de circulação nacional, com mestres da região da Zona Sul onde tratou de, por exemplo, ressaltar a importância destes mestres nas décadas dos 70 e 80 na Capoeira daquela região. Mestres Bigo, Natanael, Limãozinho, Alemãozinho e muitos outros participaram daquelas reportagens. Aliás, a bem da verdade, o Robinho é um dos grandes incentivadores do resgate e preservação da memória do Mestre Angoleiro Paulo Limão.
 
Voltemos ao Contramestre Plínio!
 
Mais recentemente, em curso da USP “Capoeira na Academia” – promovido pela Doutora Letícia Vidor e grande elenco (Bia, Camila, Joao da Selva etc) – o CM Plínio contou parte de sua história. Ele conta que começou capoeira em 1979, com um discípulo dos Mestres Caiçara e Silvestre, chamado  Almir Vitório. Pouco depois conheceu Mestre Gato Preto, angoleiro da Bahia, com quem aprendeu capoeira de 1980 a 1983. Naquela época, em São Paulo, não existia muito essa diferença entre Angola e Regional, como se vê hoje. Capoeira Angola era só pra “abrir batizados”.
 
Quando Mestre Gato Preto volta para Santo Amaro da Purificação, Bahia, em 1984, Plínio participou então do Grupo Cordão de Ouro de Mestre Suassuna. Isto aconteceu até os anos de 90/91. Nesta época ele, CM Plinio, já havia passado dois anos em Salvador trabalhando, onde teve a oportunidade de treinar durante três meses com o Mestre João Grande no Teatro Miguel Santana.
 
 
De volta a São Paulo, em 1991, o CM Plínio iniciou um trabalho com o Mestre Moa do Katendê, quem primeiro lhe estendeu a mão para o desenvolvimento na Capoeira Angola. Em início de 1993, Plínio é a convidado coordenar um grupo só de Capoeira Angola para a Somaterapia de Roberto Freire. Após 1995, o Plínio se separa dos somaterapeutas, iniciando seu grupo. O núcleo Casa da Soma assumiu o nome de IÊ, a busca pela pedagogia libertária. O somaterapeuta (de SOMAIÊ) Rui Takeguma é remanescente do núcleo IÊ de Roberto Freire e atualmente coordena o IÊ de São Paulo, a União de Angoleiros Independentes – UAI em Belo Horizonte e participa da Federação Anarquista de Capoeira Angola (FACA), a qual ajudou a criar.
 
Antes de eu conhecer a Capoeira Angola de Plínio, eu já conhecia parte de seu trabalho, como, por exemplo, o CD organizado pelo Mestre Limãozinho (sobrinho do saudoso Mestre Angoleiro Paulo Limão), no qual Plínio teve participação.
 
O Terreiro do CM Plínio exala Axé e dendê. Pudera, pois ele tem na veia a questão da espiritualidade. Seu campo de mandinga é sempre bem freqüentado por entendidos no assunto Candomblé, como é o caso do próprio Mestre Ananias, que diz que Capoeira e Candomblé são como irmãos.
 
No curso da USP, Plínio fez os seguintes comentários: “Para se entender melhor a capoeira, até mesmo a partir da musicalidade, o candomblé é uma das formas mais eficientes… é beber da fonte… é você receber alimento de um mesmo lugar… muitos capoeiras antigos eram Ogãns e defendiam os Candomblés…”. Aliás, este assunto – Capoeira e religião afro-brasileira – é um bom mote!
Afinal, parafraseando o próprio Plínio, “São Paulo tem Angoleiro, Sim Sinhô!”.

Parte do texto: ANGOLEIRO PAULISTA,  SIM SINHÔ !
Aniversário do Contramestre Plínio
Fonte: Capoeira do Brasil
 

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Mestre Parana

Mestre Parana
Osvaldo Lisboa dos Santos, conhecido como Mestre Paraná, foi um dos melhores tocadores de berimbau de todos os tempos. Nasceu em Salvador – Bahia – em 1923, sendo o primeiro a tocar berimbau na orquestra sinfônica do teatro municipal do Rio de Janeiro. Participou também no filme "O Pagador de Promessas". Esse angoleiro nato, foi aluno do Mestre Antônio Corró ex-escravo na Bahia, viajou por todo o Brasil, mostrando a capoeira e o som inigualável do seu "gunga", gravando um compacto duplo pela CBS (Capoeira Mestre Paraná), fato este o primeiro que se tem notícia. Convidado por Mercedes Batista, foi a Portugal divulgar a capoeira jogada no Brasil.
Mestre Paraná fundou o Grupo de capoeira São Bento Pequeno nos anos 50, do qual com muito orgulho, constitui toda a formação do grupo Muzenza. No dia 7 de Março de 1972, no IAPASE (Rio de Janeiro), vítima de um súbito colapso cardíaco, morreu cantando o grande angoleiro, deixando uma lacuna em nossa capoeiragem.